Guia do Museu da Insurreição de Varsóvia o bengaleiro Introdução



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Guia do Museu da Insurreição de Varsóvia
1. O Bengaleiro - Introdução
Bem-vindos ao nosso Museu da Insurreição de Varsóvia – Museu consagrado a uma das maiores batalhas da Segunda Guerra Mundial.

No dia 1 de Agosto de 1944 25 mil combatentes do exército clandestino polaco com poucas armas lançam uma ofensiva contra o exército alemão, em número bem superior. Com o tempo o número das unidades polacas aumenta até aos 50 mil homens. Durante dois meses de lutas desgastantes, as tropas polacas conseguem recuperar e dominar grande parte da cidade e inflingem perdas consideráveis entre as tropas inimigas. No entanto, depois de 63 dias de luta a falta de ajuda necessária por parte dos aliados, a superioridade técnica das tropas alemãs e o número enorme de vítimas obrigam os superiores polacos a tomar a decisão sobre o fim desta luta heróica.

Os combates no meio da cidade, que estavam previstos para durar apenas alguns dias, duram mais do que dois meses. Desde a irrupção da Insurreição de Varsóvia, os habitantes da capital fornecem aos Insurgentes toda a ajuda necessária. Envolvem-se em acções de combate, constroem barricadas, organizam as bases. Os Alemães, mediante a aproximação da frente de Leste, lançam para a luta várias unidades de elite. Têm o objectivo de sufocar a Insurreição com todos os meios disponíveis, de maneira a dar um exemplo assustador a toda a Europa. Na prática isto significa a morte da cidade e inúmeros actos de genocídio. Os soldados de Adolf Hitler causam a morte de cerca de 180 mil civis, habitantes de Varsóvia.

O moto de toda a exposição são as palavras do Delegado do Governo da República Polaca no Exílio, Delegado este que se encontrava na Polónia e ao mesmo tempo era vice-primeiro-ministro, o Jan Stanisław Jankowski, com o nome de guerra „Soból” (“animal marta”): „Queríamos ser livres e dever a liberdade a nós próprios”. Esta frase única contem toda a verdade complexa sobre os cinco anos de ocupação da Polónia e sobre os dois meses da Insurreição de Varsóvia. Pois a Insurreição realmente não é um arranque insano e romântico de um grupo de loucos, mas sim, uma decisão política consciente, apesar de trágica, das autoridades máximas e perfeitamente legais da Polónia. Os Polacos, depois das experiências de duas ocupações cruéis – a alemã e a soviética – têm noção perfeita do objectivo dos Soviéticos. Sabem que o Exército Vermelho que se apróxima do Leste não luta pela liberdade da Polónia, mas sim, para trocar o totalitarismo nazi pelo seu, comunista. A Insurreição de Varsóvia, que tem como objectivo a libertação da capital com forças próprias de maneira a receber as tropas soviéticas pelos Polacos no papel de anfitrião é a ultima tentativa de salvar a Polónia da opressão.


2. A Antecâmara

No início da nossa visita pelo Museu vemos o símbolo da âncora, que junta as letras „P” (de Polska – Polónia) e a letra „W” (de Walcząca – Combatente). Este sinal vai nos acompanhar durante toda a visita pela exposição. Desde o ano 1942 este sinal da Polónia Combatente é o símbolo oficial do Governo Polaco Clandestino. É pintado praticamente todos os dias nos muros das cidades polacas e é um testemunho da resistência contra o invasor e da vontade de luta pela liberdade.

O edifício no qual se encontra o Museu da Insurreição de Varsóvia é do início do século XX – dos anos 1904-1905. É um dos raros vestígios da arquitectura industrial de Varsóvia, que sobreviveu até hoje. Entre os muros deste edifício encontra-se uma central eléctrica dos eléctricos urbanos. Os Alemães destruiram-na durante a Segunda Guerra Mundial e acabaram de fazê-lo durante a Insurreição de Varsóvia. Depois da guerra o complexo da central eléctrica, apesar de ser reconstruido e transformado numa central térmica, gradualmente vai perdendo o seu esplendor e vai-se destruindo.

A decisão sobre a localização do Museu da Insurreição de Varsóvia significa para este edifício histórico uma nova era. Graças à renovação, os interiores que foram recuperados ficam com soluções arquitectónicas modernas, desenhadas pelo arquitecto Wojciech Obtułowicz. Por debaixo de uma camada espessa de gesso emerge uma soberba faxada de tijolo, que é característica para a arquitectura industrial do século XIX. O vasto espaço da antiga central eléctrica foi arrumado e transformado num jardim único – o Parque da Liberdade, que no seu centro tem o Muro da Memória de 156 metros, constituido por placas de granito cinzentas, onde foram gravados os apelidos de milhares de Insurgentes mortos nos meses de Agosto e Setembro do ano 1944.

Convidamos também à capela consagrada ao beato padre pallotino Józef Stanek, onde cada Domingo às 12.30 horas celebra-se a Santa Missa presidida pelo capelão do Museu.
3. A Insurreição depois de 60 anos – os telefones

O regime imposto à Polónia por Estaline depois da guerra não podia tolerar a verdade sobre a Insurreição de Varsóvia, que aliás tinha como objectivo evitar a sujeição da Polónia à União Soviética. Foi também por causa disso, que durante muitos anos, a imagem da Insurreição foi falsificada pelos dirigentes comunistas e os próprios Insurgentes foram perseguidos. O período mais difícil foi durante a época de Estaline, desde os meados dos anos quarenta e os anos cinquenta até ao ano 1956. Durante este período de tempo às vezes só o facto de alguém previamente ter pertencido ao Exército Interno (nome que se dava ao exército clandestino polaco), às vezes era suficiente para ser condenado à pena de morte. Depois do “descongelamento”, depois do ano 1956, as autoridades do PRL (República Popular Polaca) pararam com as críticas contra os soldados Insurgentes, mas começaram a acusar com mais força os chefes da Insurreição e os políticos do Governo da República da Polónia no Exílio. Só depois da queda do regime comunista, no ano 1989, na Polónia foi possível abrir um debate sobre todos os aspectos da Insurreição de Varsóvia, foi possível começar as tentativas que levassem à construção do Museu. Infelizmente, passaram mais 15 anos, antes de o projecto se tornar realidade.

A abertura oficial do Museu foi no dia 31 de Julho do ano 2004 - na véspera do sexagésimo aniversário da irrupção do combate pela capital da Polónia. Vieram a Varsóvia milhares de Insurgentes vindos tanto do país como do estrangeiro. Entraram como primeiros nos muros do seu Museu. Renovaram-se recordações, reflexões e emoções guardadas durante anos...

Convidamos aos telefones para ouvir as recordações dos Insurgentes 60 anos depois dos acontecimentos.



4. A Sala do Pequeno Insurgente
Pela porta que se encontra do lado direito entramos na Sala do Pequeno Insurgente, destinada aos visitantes mais novos deste Museu. Nesta sala temos aulas e cursos para as crianças das escolas pré-primarias e para os alunos mais novos. Aqui, podem aprender, de uma forma mais adequada à sua idade, a história e os valores que guiaram os Insurgentes no ano 1944. Nos fins-de-semana a sala fica destinada aos visitantes individuais – os pais podem trazer cá as suas crianças e deixá-las com um instrutor experiente. Entre vários brinquedos e jogos daquela época as crianças podem desenhar, brincar com uma réplica de um teatro da insurreição, construir uma barricada ou imitar os escuteiros do Correio de Campanha que tinham a idade delas na altura da Insurreição.

Nesta sala também queremos mostrar, que para estes mais novos, a realidade da cidade envolvida em combates é tão implacável e terrificante, ou até mais, do que para os adultos. Os fusilamentos, o bombardeamento quotidiano, a obrigação de viver nas caves - tudo isto é incompreensível, traz a morte e o apavoramento...



Salvem as crianças, as nossas, as vossas, as crianças polacas, as crianças de Varsóvia … - são estes os lemas da Insurreição. Desde os primeiros dias surgem as “cozinhas de leite”, que juntam leite e os alimentos tão necessários para os recém-nascidos e para as crianças pequenas. Todos se juntam no esforço de proteger as crianças da crueldade da guerra que se sente em todos os sítios.

Acima de tudo, as crianças são interdidas de se aproximarem perto de zonas onde há o perigo de combates. Todos tentam garantir-lhes todas as aparências de uma vida normal: organizam teatros de marionetes, jogos e brincadeiras, há uma edição especial de jornais ilustrados, tais como a „Jawnutka” ou o „Dziennik Dziecięcy” (O Diário das Crianças). Graças a eles, os mais novos podem refugiar-se no mundo do sonho e fantasia pelo menos durante alguns momentos.

No entanto nem todas as crianças observam os acontecimentos de longe. Muitas delas ajudam de alguma forma os Insurgentes. Pessoas muito jovens, às vezes com dez anos de idade ou pouco mais, muitas vezes sem família, tentam ajudar na vitória. Graças a elas, logo nos primeiros dias de Agosto é formado o serviço dos Correios de Campanha dos Escuteiros. Cada dia que passa cresce o número dos membros – mensageiros e guias que circulam no sistema de esgotos da cidade. Não lhes é permitida a luta, mas ninguém pode impedi-los de transportar pacotes com alimentos, garrafas incendiárias com gasolina ou relatórios. Um dos membros deste grupo numeroso é padroeiro da Sala do Pequeno Insurgente – o mensageiro de doze anos dos batalhões „Gozdawa” e „Parasol” – o caporal Witold Modelski, com o nome de guerra „Warszawiak” (habitante de Varsóvia). Foi ele o Insurgente mais novo que foi galdardoado com a Cruz dos Valorosos pela sua bravura e coragem. Morre no dia 20 de Setembro do ano 1944, enquanto defende um dos últimos pontos de Resistência dos Insurgentes na zona de Czerniaków.

Na Sala do Pequeno Insurgente pode-se tocar e brincar praticamente com tudo – de forma a aprender. Mas aqui encontram-se também objectos originais. Um deles é uma carta com uma oração de uma menina de oito anos, que foi escrita para o Pai dela que ía combater na Insurreição. O Pai, comovido, coloca esta carta na carteira, que costuma usar no bolso esquerdo sobre o peito. Durante o combate é atingido por uma bala – que fica travada na oração escrita pela mão da criança. O Pai da criança sobrevive a Insurreição e quase 60 anos mais tarde a autora da oração oferece-a ao Museu. Como podem reparar, o canto esquerdo da carta está esfarrapado pela bala que nunca atingiu o seu alvo.

Outro objecto importante desta exibição é o brinquedo de uma criança – uma locomotiva de madeira. Nenhuma das patrulhas alemãs prestou atenção a uma criança num carrinho de bebê e ao seu brinquedo. E assim, graças a uma abertura escavada na locomotiva, as mensageiras conseguem transportar sem perigo os relatórios secretos do exército clandestino.
5. O Monumento
O ponto central do Museu é consituido por um monumento de aço, que trespassa todos os níveis da exibição. As paredes deste obelisco de vários metros, que simboliza o „coração de Varsóvia que bate”, estão cobertas pelas datas dos consecutivos dias da Insurreição e vestígios de balas. Se colocarmos a orelha perto das aberturas das balas, podemos ouvir os “sons da Insurreição”: o chocalho das armas, fragmentos de canções, uma oração, comunicados da rádio ou sons do bombardeamento.
6. A explosão da guerra e a ocupação

No dia 1 de Setembro do ano 1939 as tropas alemãs atacam a Polónia. Os Polacos defendem-se com muita determinação. Porém, quando no dia 17 de Setembro o Exército Vermelho ataca a Polónia de forma traiçoeira de Leste, a sorte do país fica selada. No Outono de 1939 a população polaca encontra-se sob o poder de dois ocupantes: a União Soviética e o III Reich.

A cidade de Varsóvia encontra-se numa situação particularmente difícil. Os Alemães querem destruir a todo o custo a identidade polaca e o coração desta é a capital. Desde Maio até ao Outono do ano 1940 os Alemães mantêm em Varsóvia a acção denominada AB (Ausserordentliche Befriedungsaktion), que tem como objectivo a eliminação da inteligência polaca – os Alemães procedem a detenções e execuções em massa. A maioria dos presos é fusilada em Palmiry. Nos dias 20 e 21 de Junho do ano 1940 morrem lá 358 pessoas fusiladas, entre elas o ex-marechal do Parlamento da República Polaca, o Maciej Rataj e o vencedor da medalha de ouro dos jogos olímpicos, o Janusz Kusociński.

O segundo opressor, a União Soviética tem um objectivo semelhante – a destruição das elites polacas. Na Primavera do ano 1940, na região de Katyń, Miednoje e Charków, sob ordem do Estaline, a NKWD assassina mais de 20 mil prisoneiros polacos, na sua maioria oficiais de reserva. Na vida civil a maioria deles eram funcionários do estado, professores, médicos, advogados, também cientistas e artistas...

Desde as primeiras semanas acontecem confiscos de bens, muda-se os nomes das ruas, nas exposições das lojas, nos cafés, nos parques para as crianças e mesmo nos bancos nos parques cada vez mais aparece escrito: „Nur für Deutsche” (só para Alemães). Com cada mês que passa, nas ruas de Varsóvia aumentam as detenções, execuções em público e em segredo e as batidas, que terminam com deportações para trabalhos obrigatórios no III Reich.

7. O Estado Polaco Clandestino

No entanto o Estado polaco permanece – em clandestinidade e dirigido pelas autoridades legais que funcionam no exílio: o Presidente, o Governo, e o Comandante das Forças Armadas. Em território polaco o poder supremo é exercido pelo Delegado do Governo no exílio, que dirige o aparelho da administração civil clandestina. São as estruturas desta que organizam e auxíliam os domínios da vida pública interdidos pelo ocupante. Deve se sublinhar de forma particular a rede densa de escolas clandestinas que fornece aos jovens a possibilidade de serem instruídos – também em matéria de estudos superiores – nos “komplety”. Também funciona bem um órgão de justiça clandestino, que faz julgamentos e até condena à morte traidores e colaboradores. Dentro das estruturas do Governo Polaco Clandestino existe e fortalece-se a Armia Krajowa (AK), o Exército Interno – o maior dos exércitos clandestinos na Europa que se encontra sob ocupação. No ano 1944 as suas fileiras contam cerca de 400 mil soldados. O objectivo principal da AK é a luta pela recuperação da independência. O exército clandestino junta armas, forma-se, monta acções de desvio e espionagem e prepara uma insurreição nacional armada.


8. O Gueto

Em toda a Europa nos terrenos conquistados os Alemães tratam de maneira mais cruel os Judeus. Desde o início da ocupação colocam-nos em guetos – o primeiro é consituído já em Outubro do ano 1939 em Piotrków Trybunalski. Brevemente aparecem outros. No Outono do ano 1940 os Alemães criam o maior dos guetos – o de Varsóvia. Juntam 450 mil Judeus, provenientes não só de Varsóvia, numa área pequena e em condições desumanas. Ao contrário do que sucede noutros países da Europa Ocidental, que se encontram sob ocupação, na Polónia cada forma de ajuda fornecida aos Judeus é punida com morte. Em Janeiro de 1942, numa conferência em Wansee os Alemães acordam o programa da Solução Final da Questão Judaica. Este é um plano de exterminação de todos os Judeus na Europa que não tem precedente. Começa-se o encerramento dos guetos e o transporte de todos os Judeus para os campos de extermínio. Quando os Alemães interpõem a liquidação total do gueto de Varsóvia, começa a insurreição. Apesar de mal armados e do pequeno número de militantes, as tropas judias lutam durante quase um mês – desde o dia 19 de Abril até ao dia 16 de Maio do ano 1943. Depois de abater a insurreição no Gueto, os Alemães começam a destruí-lo sistematicamente e transformam um quarteirão vasto da cidade num campo de ruinas.



9. A acção „Tempestade”
No ano 1943 a guerra entra numa nova fase. Os aliados passam à ofensiva em Itália e no Extremo Oriente. No Leste, depois de vencer os Alemães na batalha de Kursk, o Exército Vermelho começa a sua marcha contra Berlim. A questão já não é se, mas quando é que os Alemães irão sucumbir perante a superioridade das forças dos aliados. No dia 25 de Abril do ano 1943 os Sovietas rompem as relações diplomáticas com o Governo da República Polaca no Exílio. Como pretexto serve-lhes o facto de os Alemães terem descoberto os cadáveres das vítimas do assassínio brutal dos milhares de oficiais do Exército Polaco, que foi feito nos bosques de Katyń por ordem de Estaline. Algumas semanas mais tarde em Varsóvia, com a ajuda de colaboradores, os Alemães detêem o Comandante do Exército Interno, o general Stefan Rowecki, com nome de guerra „Grota”. O Comandante das Forças Armadas e Primeiro Ministro, o general Władysław Sikorski morre tragicamente em Gibraltar. A situação da Polónia na arena internacional piora consideravelmente e é visivel cada vez mais a mudança da relação dos aliados quanto à questão das fronteiras orientais da República da Polónia. As tropas soviéticas, que durante a sua marcha na direcção do Ocidente, muito provavelmente irão levar a libertação da Polónia da ocupação Alemã, afinal já não são aliadas da Polónia. Tudo isto obriga as autoridades no exílio e no país a abandonar os planos de uma insurreição total. O Exército Interno começa a realizar uma operação de sabotagem e desvio com o nome de código “Tempestade”.

A acção „Tempestade” foi planeada pelo Alto Comandante da AK. Consiste em ataques às tropas alemãs que estão em fase de retiramento e consoante a progressão da frente para o Oeste, de maneira a recuperar o território e constituir lá imediadamente o poder através das estruturas de administração polacas. Assim, as autoridades polacas podem apresentar-se como o anfitrião oficial do território perante as tropas soviéticas, que penetram o território Polaco. No dia 4 de Janeiro do ano 1944 o Exército Vermelho entra dentro das fronteiras da II República Polaca, do tempo antes da Guerra. A acção “Tempestade” começa a ter a forma de levantamentos locais, que se deslocam conforme a progressão da frente da guerra de Leste para Oeste. À luta juntam-se cada uma por sua vez as divisões da AK de Wołyń, da zona de Vilnius e de Lublin. Infelizmente, os sucessos militares, tais como a libertação pelo Exército Interno de Vilnius e de Lwów e até uma boa cooperação com as tropas soviéticas não foram acompanhados pela realização dos objectivos políticos. O fim é sempre igual: as formações dos serviços secretos soviéticos detêem as autoridades civis polacas e os comandantes do exército que saem da clandestinidade. Os soldados do Exército Interno são desarmados à força e enviados para os campos no território da Rússia ou integrados obrigatóriamente no Exército do general Berling.


10. Antes da Hora ,,W''

Para Lhes possibilitar uma melhor visão da situação em Varsóvia antes da Hora „W” e durante os seguintes dias da Insurreição, preparámos para os Senhores cartas do calendário, dispersas entre a exibição. Convidamos a coleccioná-las – todas juntas abrangem o período desde o dia 27 de Julho até ao dia 5 de Outubro e em cada uma delas podem encontrar informações breves sobre os acontecimentos principais, que se deram precisamente nesses dias nas ruas desta cidade invencível. Se coleccionarem todas as cartas, terão uma possibilidade de conhecer melhor a história da Insurreição e terão também uma recordação especial deste nosso Museu.

Duas faixas, branca e vermelha, são sinal de passagem para a parte do Museu que se destina aos últimos momentos antes da irrupção da insurreição de Varsóvia.

No final de Julho do ano 1944, ao mesmo tempo que da frente oriental vêm más notícias para os Alemães, em Varsóvia começa a evacuação da administração alemã e dos serviços auxiliaries. Começa o pânico. Mas passados alguns dias, no dia 27 de Julho, os Alemães conseguem controlar o pânico e as forças da polícia e da SS começam a regressar à cidade. Ao mesmo tempo o governador do Distrito de Varsóvia, o doutor Ludwig Fischer que quer evitar confrontos armados, emite um decreto, que chama 100 mil Polacos para se apresentarem para ajudar em trabalhos de fortificação da cidade. Os cidadãos de Varsóvia espontaneamente decidem ignorar esta ordem. Paralelmente os Sovietas e os comunistas polacos apelam à luta contra os Alemães e acusam o Exército Interno de estar passivo. Nos terrenos recuperados e ocupados pelo Exército Vermelho o poder cai nas mãos do Comité Polaco de Libertação Nacional que é dirigido por Moscovo. Os Sovietas chegam até ao rio Vístula e na cidade começam a correr rumores de que estes já se encontram nos subúrbios da margem direita de Varsóvia. Devido a esta situação, no dia 31 de Julho à tarde, o Comandante do Exército Interno, o general Tadeusz Komorowski, com nome de guerra „Bór”, depois de se consultar com o Delegado do Governo da República Polaca no Exílio, que se encontra no país, o vice-primeiro-ministro Jan Stanisław Jankowski, com nome de guerra „Soból”, dá a ordem do início da acção armada, com o criptónimo de Hora “W”, planeada para terça-feira, dia 1 de Agosto do ano 1944 às 17,00 horas.

Na véspera da irrupção da Insurreição de Varsóvia, as forças polacas da AK na Zona de Varsóvia contam cerca de 50 mil homens. Mas falta material necessário e armas – apenas cerca de 10% dos Insurgentes possuem armas. A situação do ocupante é completamente diferente. No final de Julho do ano 1944 a divisão Alemã de Varsóvia conta cerca de 20 mil soldados perfeitamente armados e treinados, que estão dispersos nos pontos principais da cidade. Além disso, os Alemães ainda dispõem da ajuda de unidades blindadas, de artilharia e da força aérea. Apesar desta enorme desproporção de forças e meios, no dia 1 de Agosto os Insurgentes lançam o combate, que iria durar 63 dias …


11. A Hora ,,W''

Os primeiros confrontos acontecem três horas antes da Hora „W”. Mesmo apesar de perder o elemento de surpresa e apesar dos problemas com as armas e a comunicação, às 17 horas entre 23 mil a 25 mil soldados do Exército Interno começam o combate.

No primeiro dia da Insurreição as tropas alemãs sofrem danos graves – cerca de 500 soldados. No entanto as perdas dos Insurgentes são bem superiores e atingem um número perto dos 2000 mortos. As posições conquistadas nos primeiros dias do combate pelos Insurgentes não lhes dão superioridade táctica. No entanto, conseguem ocupar perto de ¾ da sua capital – quase por completo a Cidade Velha, o centro do bairro de Żoliborz e uma grande parte do Centro da cidade com o edifício mais alto de Varsóvia da altura – o Prudential, por cima do qual já flutuam as cores branca e vermelha da bandeira nacional. Mas os Alemães resistem em vários pontos de defesa bem protegidos e conseguem manter o controlo da cidade. Os edifícios estratégicos: as pontes, as estações, os aeroportos, vários edifícios da administração e os quartéis dos soldados continuam em suas mãos.
12. A Impressora
Desde os primeiros meses de ocupação um dos elementos importantes da luta com a identidade polaca foi o encerramento das edições dos jornais e editoras independentes polacas. A palavra impressa torna-se num instrumento importante da realização da política alemã relativamente ao país conquistado. Durante todo o período de ocupação os Alemães aproveitam cerca de 40 títulos de imprensa editada em polaco para efeitos de propaganda. Os Polacos dão-lhes o nome de “gadzinówki”, que vem da palavra “gad”, que em polaco significa “réptil”, o que simboliza o facto de estes títulos não deverem ser lidos. Nas suas páginas apareciam numerosos artigos, através dos quais tentava-se persuadir a população polaca de que o país não consegue existir independentemente. Ao mesmo tempo a imprensa tenta criar uma imagem ideal do invencível exército alemão e das autoridades de ocupação.

Um movimento de edição clandestina não tarda muito em aparecer como resposta às restrições que se vão multiplicando e ao encerramento dos jornais polacos independentes. Várias organizações clandestinas começam a editar jornais. Nesses jornais, sublinha-se acima de tudo os crimes nazis ocultos perante a população e informa-se sobre os sucessos das tropas dos aliados; as folhas dos jornais clandestinos transmitem também todas as informações, que constróem e fortalecem as atitudes de patriotismo. A escala deste fenómeno é enorme. Só em Varsóvia durante o período de ocupação surgem cerca de 700 títulos de imprensa e vários livros, entre outros o famoso livro Kamienie na szaniec (“As pedras sobre a reduta”) de Aleksander Kamiński.

A imprensa da Insurreição de Varsóvia, que aparece entre o dia 1 de Agosto e o dia 5 de Outubro é sem dúvida um evenemento à escala mundial. Um total de 167 títulos de imprensa são colportados na capital apesar das condições difíceis causadas pelo combate. Reina uma liberdade da palavra e um espírito de democracia excepcional em tempo de luta – há jornais de todas as opções e correntes políticas, aparecem textos publicados por pessoas com ideias distintas.

A imprensa do período da insurreição é diferente daquela do tempo da clandestinidade. Tanto o formato como o volume mudam constantemente. Nenhum dos jornais do tempo da Insurreição tem uma circulação fixa. No auge da Insurreição, em meados de Agosto, os jornais que têm maior tiragem são os jornais de informação, tais como o „Biuletyn Informacyjny”, Boletim de Informação (periódico oficial do Delegado do Governo no Exílio) – 20-28 mil e a „Rzeczpospolita Polska”, (A República Polaca) – perto de 10 mil exemplares. No período final do combate, devido à falta de materiais necessários, muitos dos jornais têm apenas a forma de cartazes, colados sobre as paredes das casas.

Na cidade cercada e isolada do resto do mundo, a imprensa constitui um instrumento importantíssimo que influencia a atitude tanto entre as tropas combatentes como entre a população civil. A imprensa faz crescer o moral, informa sobre a situação em toda a cidade, transmite novidades do país e do estrangeiro. Estas informações têm a sua fonte principalmente na escuta das estações de rádio estrangeiras, nos materiais fornecidos pelos Correspondentes de Guerra e pela Agência Telegráfica Polaca dirigida por Stanisław Ziemba.

Depois da II Guerra Mundial, apesar das declarações do Parlamento do ano 1947 e da Constituição do ano 1952, que garantiam a liberdade da palavra e liberdade da imprensa, as autoridades polacas exercem uma censura severa através do Ofício Central do Controlo da Imprensa, das Publicações e dos Espectáculos. A luta contra a censura manifesta-se através do segundo circuito, que funciona nos anos 1975-1989 e que tem referência na tradição polaca de editoras clandestinas. Graças a estas editoras não oficiais, publicam-se várias posições de qualidade, entre outras os livros de Tadeusz Żenczykowski Samotny bój Warszawy (O combate solitário de Varsóvia) e de Tadeusz Komorowski Armia Podziemna (O Exército Clandestino).



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