Grandes conflitos



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PowerPlusWaterMarkObject2921432HISTÓRIA

Profª Isabel Cristina Simonato






GRANDES CONFLITOS


  1. PANORAMA: grandes conflitos da humanidade


As guerras mais marcantes da civilização ocidental, da Grécia Antiga ao século XIX
Toda disputa entre seres humanos de diferentes países ou etnias pode envolver territórios, posses ou orgulhos feridos. Para se transformar numa guerra, basta que os dois lados se armem e se declarem em conflito. Ou pior: que apenas um lado faça isso e parta para o ataque.

As guerras podem mudar em termos de tecnologia ou de estratégia. Mas são tão antigas quanto a própria humanidade e determinaram o apogeu ou o fim de grandes civilizações. No quadro a seguir, fazemos um resumo de conflitos anteriores ao século XIX, que se mostraram decisivos e mudaram radicalmente os rumos da História.


POVOS EM ARMAS:

- Guerra do Peloponeso: O mais conhecido conflito entre Atenas e Esparta ocorreu no século V a.C. Mais forte que outras cidades-Estado, Atenas teve seu poder desafiado por Esparta, uma sociedade militarizada. Após a vitória, a hegemonia espartana foi curta. Os macedônios logo conquistaram a Grécia e, com Alexandre, o Grande à frente, travariam guerras no Oriente.


- Guerras Púnicas: Os conflitos entre romanos e fenícios nos séculos III e II a.C. foram divididos em três fases e ocorreram tanto no território romano como em Cartago, a cidade-Estado fenícia que ficava onde hoje é a Tunísia, e na Sicília.
- Guerra dos 100 Anos: Abrange uma série de conflitos entre a França e a Inglaterra nos séculos XIV e XV. O estopim foi o desejo do rei inglês Eduardo III de disputar a sucessão ao trono francês, o que era possível pelos laços sanguíneos, mas, obviamente, não agradou nada aos nobres franceses. O conflito teve períodos de batalhas e outros de paz. Após um início no qual os ingleses controlaram parte do território francês, os franceses, com Joana D’Arc, conseguiram vitórias importantes. A vitória final francesa veio anos após a morte de Joana.
- Guerra dos 30 Anos: A denominação se refere aos conflitos entre 1618 e 1648 que começaram no Sacro Império Germânico e envolveram também a França, a Suécia e a Dinamarca. A motivação inicial foi religiosa: os Habsburgo, católicos, lutaram contra cidades e regiões alemãs protestantes, apoiadas por outros países que intencionavam enfraquecer aquela casa real.
- Guerra dos Sete Anos: O novo confronto entre ingleses e franceses, de 1756 a 1763, começou por causa das colônias na América do Norte e se desenvolveu na Europa, na América e na Ásia. Como resultado, a França perderia a posse do Canadá para os ingleses, que passaram a dominar também a Índia e parte das Antilhas.
- Guerras napoleônicas: De 1799 a 1814, o general, cônsul e imperador (a partir de 1804) francês Napoleão Bonaparte fez guerras contra quase toda a Europa. Inglaterra, Áustria, Rússia e Prússia organizaram diversas coligações para detê-lo. As vitórias do francês, exceto contra a Inglaterra, modificaram as fronteiras europeias. Para derrotar os britânicos, Napoleão determinou o Bloqueio Continental. A recusa dos portugueses em aceitar o bloqueio fez com que Napoleão ordenasse a invasão daquele país em 1807 e, o rompimento russo ao bloqueio fez com que ele invadisse a Rússia em 1812. Napoleão ‘conquistou’ Moscou, mas teve de abandonar a capital russa por causa do frio e da fome.


  1. TODOS CONTRA O PARAGUAI


Conflito uniu Argentina, Brasil e Uruguai contra uma nação que se modernizava
Independente deste 1811, o Paraguai possuía uma situação econômica e social superior a de seus vizinhos latino-americanos, praticamente sem escravidão nem elite agrária. O modelo era uma ameaça aos latifundiários de nações vizinhas. O Brasil interferia na vida política do Uruguai, o Exército paraguaio invadiu o Mato Grosso em 1864 e o pretexto estava pronto: logo, o Brasil, Argentina e Uruguai enfrentaram o país vizinho em um conflito que durou até 1870. Há estimativas de que dois terços da população paraguaia tenham morrido no conflito – pela força bélica e também por doenças agravadas pelas condições da guerra, como o cólera. Solano Lopez, que era presidente (ditador) do Paraguai desde 1862, morreu nos momentos finais do conflito. O Brasil, que teve como principal líder Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, perdeu milhares de soldados e contraiu uma grande dívida com a Inglaterra, decorrente de aquisição de armas e equipamentos.


  1. PRIMEIRA GUERRA: a Grande Guerra


O conflito mundial levou para as trincheiras as ambições coloniais do século XIX
Quando o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, e sua mulher foram assassinados em Sarajevo, a capital da Bósnia, em 28 de junho de 1914, a Europa já vivia o prenúncio da guerra. De um lado, a Tríplice Aliança unia a Alemanha, o Império Austro-Húngaro e a Itália, desejosos de ampliar seus domínios. Do outro, a Tríplice Entente tinha a França, o Reino Unido e a Rússia tentando conter o avanço alemão. Entre eles, a região dos Bálcãs, disputada por ambos e agitada por levantes nacionalistas. Foi nela que aconteceu o crime, que serviu de estopim para a Primeira Guerra Mundial.

As ações que ocorreram após o atentado em Sarajevo foram rápidas: os europeus declararam guerra entre si e, em 3 de agosto, o continente estava convulsionado. Outros países se aproveitaram do conflito: a Turquia atacou portos russos, os japoneses avançaram sobre domínios alemães no Extremo Oriente. A Tríplice Entente congregou outras nações durante a guerra. Foi um pesadelo sangrento. As lutas se davam quase homem a homem. Pela primeira vez, foram empregados armamentos como metralhadoras, tanques e aviões.

Os alemães assinaram um armistício com a Rússia (agitada internamente pela Revolução Russa de Outubro de 1917) e concentraram forças na frente ocidental, contra a França. Os Estados Unidos entraram na guerra e ajudaram a derrotar os alemães. Em julho de 1918, forças inglesas, francesas e norte-americanas lançaram um grande ataque, provocando a rendição da Alemanha e de seus aliados.

Em janeiro de 1919, líderes das nações vencedoras decidiram o destino da Alemanha com o Tratado de Versalhes. Ele determinou que a Alemanha deveria ceder parte de seu território, perder suas colônias, ter seu exército reduzido e pagar uma alta indenização. O Império Austro-Húngaro foi desmembrado e surgiram países independentes, com Áustria, Hungria, Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia. O Império Turco-Otomano também desapareceu e deu origem à Turquia; seu território foi desmembrado e boa parte dele entregue a ingleses e franceses. A Liga das Nações, entidade com sede em Genebra, foi criada por sugestão do presidente norte-americano Woodrow Wilson para garantir que outro evento do gênero não acontecesse nunca mais. Mas não demoraria nem 20 anos para que o horror da guerra voltasse – e em escala ainda mais arrasadora.




  1. ALÉM DE MONTE CASTELO


A atuação dos brasileiros na Segunda Guerra Mundial não se limitou a uma grande batalha
A participação brasileira na Segunda Guerra Mundial é sempre lembrada pela tomada de Monte Castelo, na Itália, entre novembro de 1944 e fevereiro de 1945. Enfrentando um Exército decadente, mas ainda muito poderoso, e carente de armamentos e treinamento para o teatro de guerra europeu, os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ajudaram a conquistar o território após alguns ataques, perdendo pouco mais de 400 homens. Pouco se comenta, mas a Força Aérea Brasileira (FAB) também combateu em território italiano.

A entrada tardia do Brasil na guerra não significa que o país não tenha sido afetado pelo conflito. Getúlio Vargas declarou a neutralidade brasileira em 1939, procurando aproveitar as vantagens de não se indispor com nenhum dos lados, embora se soubesse de sua simpatia pela Alemanha e Itália. Mas o fato é que, desde 1941, travou-se uma batalha nos mares do país entre alemães e aliados.

A porção sul do Atlântico era estratégica para os dois lados, pois, além de representar uma rota diferente, esticava consideravelmente as linhas de combate marítimo e causava desgaste ao inimigo. Submarinos alemães afundaram várias embarcações no litoral brasileiro, matando centenas de civis brasileiros e levando a população a organizar protestos e a perseguir os alemães e descendentes que viviam no país.

Temendo pelas consequências da fragilidade militar e marítima dos países do Atlântico Sul, os Estados Unidos instalaram bases na região a partir de 1942, sobretudo no Nordeste. Pressionado por vias diplomáticas, o Brasil acabaria por declarar guerra ao Eixo em agosto daquele ano. Começaram então os preparativos para enviar homens para a Europa, mas isso só ocorreu quase dois anos depois de o país ter entrado oficialmente no conflito.




  1. SEGUNDA GUERRA: a maior de todas as guerras


Hitler queria mais, os japoneses também. E o mundo se incendiou de novo
A efervescência política da década de 1930 na Europa foi um dos ingredientes principais. Acrescentem-se o fortalecimento de regimes totalitários, a força econômica reconquistada pela Alemanha e pela União Soviética e o apetite de alguns países por mais colônias na África e Ásia, o desejo de vingança alemão pela derrota na guerra anterior e de revanche italiana (que nada recebeu no “espólio” daquele conflito), e pronto: só faltava um pretexto para o mundo entrar em guerra novamente. Isso ocorreu em 1º de setembro de 1939, com a invasão da Polônia pelas forças do III Reich, de Adolf Hitler. A tática utilizada foi a blitzkrieg (‘guerra relâmpago’), ou seja, um ataque compacto e fulminante por terra e ar. Protegidos pelo pacto germano-soviético de não agressão, assinado por Hitler e Stálin naquele mesmo ano, os alemães continuaram ampliando seu domínio. Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica e metade da França caíram em pouco tempo.

A essa altura, apenas a Inglaterra, apoiada materialmente pelos Estados Unidos, resistia à avalanche nazista. Disposto a invadir a ilha, Hitler ordenou o bombardeio das principais cidades inglesas. Cada vez mais confiante, ele ignorou o pacto com Stálin e invadiu o território soviético. A Alemanha passou a combater em duas frentes: no Ocidente, contra os ingleses e forças de resistência dos países ocupados; e, no Oriente, contra os soviéticos. No Pacífico, a poderosa Marinha do Japão aproveitou o estado de beligerância para voltar a exercer seus desejos imperialistas sobre China, Filipinas e Sudeste Asiático. Os Estados Unidos mantiveram-se fora da guerra até dezembro de 1941, quando os japoneses atacaram a base de Pearl Harbor, no Havaí.

Com uma Marinha reconstruída e cada vez mais poderosa, os Estados Unidos investiram pesado no Pacífico. No norte da África, os ingleses conseguiram reconquistar as posições tomadas por alemães, em 1943. Na frente oriental (com a União Soviética), os alemães perderam Stalingrado em 1943. O Dia D, em 6 de junho de 1944, marca a virada do lado ocidental. O desgaste alemão pelos anos de perda de homens e equipamentos, com pouca reposição a essa altura, se fez sentir. Os soviéticos avançaram rapidamente sobre o leste da Europa, enquanto os aliados do lado ocidental penetravam pela Bélgica, França e Itália. Somente nessa etapa final da guerra é que se descobriu o horror do Holocausto: em alguns países ocupados, como a Polônia, os alemães haviam construído campos de concentração e de extermínio para eliminar, sobretudo, judeus. Em abril de 1945, Berlim foi conquistada pelos soviéticos. Hitler se matou. Em 7 de maio, os alemães assinaram a rendição.

No Pacífico, a resistência japonesa permaneceu em ilhas do Pacífico e do próprio Japão, já que sua Marinha fora aniquilada. Muitos japoneses acreditavam no poder divino do imperador Hirohito, o que mantinha o nacionalismo exacerbado mesmo num cenário desolador. Quando a guerra chegou às cidades japonesas, sem sinal de que a rendição seria assinada, os norte-americanos decidiram testar uma nova arma: a bomba atômica. Em 6 e 9 de agosto de 1945, as bombas arrasaram respectivamente Hiroshima e Nagasaki, causando a morte instantânea de mais de 200 mil pessoas. Menos de um mês depois, o imperador Hirohito assinou a rendição. A guerra acabava, ao custo de 50 milhões de mortos, economias arrasadas e um sofrimento mundial gigantesco.




  1. GUERRA NA ‘SURDINA’


Por quatro décadas, o mundo viveu com medo de um conflito atômico
A Guerra Fria foi um confronto político, ideológico, econômico e militar entre o bloco capitalista (liderado pelos Estados Unidos) e o socialista (tendo a União Soviética à frente). A divisão teve início pouco tempo depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos garantiram seu poder no Ocidente com o Plano Marshall, de 1948, uma ajuda econômica aos países aliados arrasado pelo conflito.

Por sua vez, a União Soviética ajudou a instalar o socialismo na faixa de países do lado oriental que o Exército Vermelho havia libertado dos nazistas. Com regimes isolados, tais países ficaram tão fechados ao contato com o lado ocidental e capitalista que seu isolamento ganhou o apelido de “cortina de ferro”.

Europeus ocidentais criaram a aliança militar Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN); o bloco oriental respondeu com o Pacto de Varsóvia. A corrida armamentista entre os dois lados se acirrou, com a construção de bombas nucleares cada vez mais devastadoras e um clima constante de medo de que, caso de envolvimento direto em um conflito, as duas maiores potências do mundo na época levassem o planeta à destruição.

A crise dos mísseis de 1962 foi o momento de maior tensão da Guerra Fria. Os soviéticos instalaram ogivas nucleares em Cuba e, quando os Estados Unidos descobriram, realizaram um bloqueio naval para cercar a ilha. Os soviéticos chegaram a enviar uma frota, o que indicava claras intenções de entrar em conflito aberto (e possivelmente nuclear), mas acabaram retirando os mísseis.



A Guerra Fria morreu aos poucos, com as iniciativas promovidas pelo líder soviético Mikhail Gorbachev, a partir de 1985, chamadas de perestroika (reconstrução econômica) e glasnost (abertura política). O processo culminou com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1992.


  1. PRESENTE: longe do fim


Depois de 1945, conflitos localizados continuaram pipocando pelo mundo
O século XX tem um nada glorioso recorde de vidas perdidas em conflitos: mais de 14 milhões na Primeira Guerra Mundial, cerca de 50 milhões na Segunda Guerra Mundial e outros milhões em conflitos localizados. Alguns adentraram o século XXI.
- Guerra da Coreia (1959-1953): Um acordo entre os Estados Unidos e a União Soviética dividiu a Coreia em duas, em 1945. Com a invasão do sul pela Coreia do Norte, teve início a guerra, em 1950. A ONU auxiliou o sul, enquanto a China e a União Soviética, em menor grau, auxiliaram o norte. O conflito aberto durou três anos, mas, oficialmente, a guerra se mantém, já que não foi assinado um cessar-fogo nem um tratado de paz.
- Guerra dos Seis Dias (1967): Israel entrou em guerra contra o Egito, a Jordânia e a Síria, que eram apoiados por outros países árabes. Após seis dias de combates, Israel conquistou mais territórios, como a Cisjordânia, as Colinas de Golã e a Península do Sinai.
- Guerra do Vietnã (1959-1975): Ex-colônia francesa, o Vietnã viveu uma revolução comunista no norte que dividiu o país em dois blocos: o do Norte, comunista, e o do Sul, capitalista. Em 1965, os Estados Unidos decidiram apoiar o Sul, para evitar que a região aderisse à revolução dos vizinhos. Começou então o combate contra o Norte. Nos Estados Unidos, protestos pelo fim do conflito ganharam as ruas a partir de 1968. Ao final da guerra, com a retirada dos norte-americanos, o Vietnã havia perdido entre 2 e 5 milhões de civis. Muitos outros morreram no Camboja e no Laos, atingidos por bombardeios norte-americanos.
- Irã-Iraque (1980-1988): Os dois países entraram em conflito por disputas territoriais e políticas. O Iraque de Saddam Hussein era apoiado pelos EUA de Ronald Reagan, que tentavam acabar com o regime do aiatolá Khomeini no Irã.
- Guerra do Golfo(1990-1991): O conflito com o Irã havia terminado fazia pouco tempo quando Saddam Hussein decidiu tomar o Kuweit (agosto.1990), pequeno país vizinho que era um aliado tradicional dos Estados Unidos. Os norte-americanos intervieram e, quatro meses depois, o Kuweit voltou a ser independente.
- Guerra do Afeganistão (2001 até hoje): Em guerra civil por motivos diferentes há mais de 30 anos (durante dez deles, de 1979 a 1989, o país sofreu uma guerra contra os soviéticos), o Afeganistão foi invadido pelos Estados Unidos em 2001. O presidente George W. Bush imaginava encontrar o terrorista Osama bin Laden no país. Bin Laden não foi localizado – e o conflito se arrasta desde então.
- Guerra do Iraque (2003 até hoje): O atual conflito começou com a intervenção norte-americana em busca de supostas armas de destruição em massa. Saddam Hussein foi preso em 2003 e executado três anos depois. Mas a tensão se mantém até hoje.






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