Geografia do sistema financeiro



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GLOSSÁRIO
SISTEMA FINANCEIRO MUNDIAL

Lia Osorio Machado1

I - ECONOMIA INTERNACIONAL
Arbitragem. A exploração das diferenças entre preços de ativos financeiros (moeda ou bens), tanto no interior quanto entre mercados, comprando quando os preços estão baixos e vendendo quando estão altos. Ao contrário da especulação, a arbitragem normalmente não envolve risco significativo porque as operações de compra e venda não dependem de estimativas de mudanças futuras de preço. Existe agora a possibilidade de arbitragem automatizada (program-trading), que surgiu na bolsa de Kansas City (EUA) em 1982, seguida pelo Chicago Mercantile Exchange (ambas especializadas em comércio de commodities), e depois para outras bolsas; são utilizados softwares sofisticados que programam automaticamente o momento e a direção da decisão de compra e venda.

Assinatura digital. Série de informações gerada por criptografia anexada a uma mensagem para garantir sua autenticidade e proteger o receptor contra desistência do emissor.

Ativos. (assets)

(1) Qualquer coisa, pertencente a uma empresa, que tenha valor monetário é classificado como ativo. Categorias de ativos são: a) ativos correntes: dinheiro, depósitos bancários, ações e tudo que possa ser rapidamente trocado por dinheiro; b) ativos fixos: terra, construções, fabrica, maquinas, veículos, mobília; c) ativos intangíveis: patentes; serviços especiais, etc.



(2) Ativos financeiros: títulos referentes a dinheiro, como depósitos ou renda bancários, ganhos de capital, ações. Podem ser classificados de acordo com sua liquidez, proteção contra a inflação e/ou mudanças na taxa cambial.

Bancos de Investimento. Intermediário financeiro que compra emissões de ações e outros instrumentos financeiros e as divide em parcelas menores entre investidores. Nos Estados Unidos e outros países bancos que realizam essa função são conhecidos como banco de investimento. Na Inglaterra, historicamente, os bancos mercantis fazem esse papel. Por estarem vinculados ao comercio com o estrangeiro, os bancos mercantis fazem uso do conhecimento que tem do cliente (comerciante) para aceitar papeis cambiais, além de prestar outros serviços bancários vinculados ao comercio exterior, por exemplo, transações com moedas estrangeiras e ouro, além de ajudar clientes estrangeiros na obtenção de empréstimos na praça de Londres. Na década de 1960, e de novo na década de 1990, os bancos de investimento apoiaram processos de fusão e tomada de empresas (take-overs), tanto em ambito nacional como internacional.

Banco Mundial. (World Bank) Também conhecido como Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), o Banco Mundial foi criado em Bretton Woods (1944) por 44 nações, começando suas operações em 1946, mesmo ano em que o Brasil se tornou membro. A sede é em Washington D.C. (EUA). Em 1986 havia 151 paises membros e em 2002, 184 países, inclusive a China. Seu propósito é estimular investimento de capital em países membros, seja com recursos do Banco, seja canalizando investimentos privados. A contribuição dos paises membros ao capital do Banco é feita de acordo com a parte que cada um tem no comércio mundial; o número de votos é alocado da mesma forma. Constitui também um importante centro de pesquisas sobre a economia de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Bancos Centrais. Instituição central dos sistemas bancários nacionais e da gestão da moeda. Tem três funções fundamentais: a) emissão da moeda e o controle sobre a criação monetária, em função das necessidades do Estado e da economia; b) são os bancos dos bancos, realizando operações de refinanciamento, compensação de trocas interbancárias, vigilância do cumprimento das regras financeiras em vigor; c) cada banco central é banco do Estado, em nome do qual realiza operações no interior e no exterior do país. Na última década apareceu a tendência de reduzir o controle dos governos sobre o BC e aumentar sua independência; os objetivos seriam dar maior credibilidade e estabilidade à moeda nacional e libertar as estratégias monetárias das exigências políticas dos governos centrais. No entanto, a independência dos bancos centrais em relação às dívidas públicas (que não são obrigados a financiar) conduz a um arrocho orçamentário maior.

BIS. Sigla do Bank of International Settlements, sediada em Basiléia na Suíça. É a mais antiga instituição financeira internacional (1930), criada no contexto dos pagamentos de reparação feitos pela Alemanha aos países vencedores da Primeira Guerra Mundial (Tratado de Versailles). Mantém-se como o principal centro de cooperação internacional entre bancos centrais. Principais funções: a) fórum de cooperação entre bancos centrais; b) elaboração de estatísticas, pesquisas e recomendações em finanças internacionais; c) administração de reservas cambiais e de ouro em nome de bancos centrais e organizações internacionais (em 31 março 2000, o total de depósitos em moedas no BIS era de US$ 128 bilhões, representando 7% das reservas mundiais em moedas cambiais); d) financiamento emergencial (por exemplo, financiou junto ao FMI os programas de estabilização do México, 1982, e do Brasil, 1998).

Bonds. Ver Titulos; securities; debêntures.
Bretton Woods. Conferencia internacional realizada em Bretton Woods (New Hampshire, EUA) em julho de 1944, no contexto da fragilidade da economia européia e do boom da economia norte-americana no pós-Segunda Guerra, e que consagrou o dólar como a única moeda realmente conversível, numa taxa fixa em relação ao ouro. A conferencia também ficou conhecida como Conferencia Monetária e Financeira das Nações Unidas. É considerado um marco na história recente do sistema monetário internacional porque estabeleceu pela primeira vez um conjunto de regras e uma administração coletiva para garantir o acesso de estados nacionais à créditos temporários para equilibrar a balança de pagamentos. No entanto, em 1971 (Governo Richard Nixon nos EUA) foi proclamado o fim da convertibilidade ao ouro e, em 1973, oficializado o cambio flutuante. Do acordo de Bretton Woods nasceu o Banco Mundial (World Bank) e o Fundo Monetário Internacional (International Monetary Fund), que começaram suas operações em 1946 e 1947, respectivamente.
Capital humano. Indivíduos e sua habilidade de serem economicamente produtivos. Educação, treinamento e saúde ajudam a aumentar o capital humano.

Cartão de débito. Cartão que permite ao seu proprietário descontar imediatamente de sua conta bancária ou outra instituição de crédito.

Cheque digital. Sistema de pagamento baseado na Internet

CHIPS. Sigla do Clearing House Interbank Payments System, de propriedade da indústria bancária e que existe desde a década de 1970, sediada em Nova York. Sua diretoria atual é composta pelo Banco ABN AMRO (Holanda); Bank of América (EUA); Bank of New York (EUA); Bank of Tokyo Mitsubishi, Ltd (Japão); Citibank (EUA); Deutsche Bank (Alemanha); Wachovia (EUA); HSBC Bank USA (Grã-Bretanha); JP Morgan Chase Bank (EUA); UBS AG (Suiça). É uma das mais utilizadas câmaras de compensação (cheques, ordens bancárias) do mundo, operando por via eletrônica e especializando-se em pagamentos em dólares. Esses sistemas e outros similares são usados por bancos comerciais, imobiliárias e outras instituições financeiras e corporações para processamento por via eletrônica de pagamentos interbancários e de empresa-a-empresa. O CHIPS e serviços similares (FedWire e SWIFT) constituem o meio operacional para o movimento global de dinheiro-bit de informação, além de permitir a multiplicação de transações financeiras transnacionais entre centros financeiros onshore e offshore.

Commodities. Palavra de origem anglo-saxônica que designa mercadorias, por exemplo, ferro, diamantes, trigo, petróleo, café, soja – que são usadas ou vendidas em estado natural.

Compensação. Processo de transmitir, reconciliar e às vezes confirmar instruções para transferência de instrumentos e fundos financeiros antes da finalização da operação.

Debêntures. (1) Ações com juros fixos oferecidos por um número limitado de empresas em troca de empréstimos de longo prazo. Debêntures têm data marcada para resgate (geralmente entre 10 a 40 anos na frente) mas podem ser não-resgatáveis ocasionalmente. Os juros dependem parcialmente da expectativa em longo prazo da taxa de juros no momento da operação.

(2) Títulos (bonds) não segurados, apenas tendo como garantia a situação geral de crédito da corporação emissora.



Derivativos. Contrato financeiro cujo valor depende do valor de um ou mais ativos de referencia, taxas ou índices. Hoje essas transações incluem taxa de juros, taxa de cambio, commodities, ações e outros índices. O contrato pode ser negociado privadamente ou em mercados oficiais. Ver hedging.

Dinheiro cibernético (cybermoney). Dinheiro eletrônico (virtual ou invisível), transferido via redes de telecomunicação como a INTERNET.

Dow-Jones. Índice industrial diário dos preços de ações na Bolsa de Nova York (Wall Street), existente desde 1928. O índice é composto por uma média dos preços das ações de trinta companhias industriais responsáveis por cerca de 25% da capitalização em mercado de ações existentes na Bolsa de Nova York (New York Stock Exchange), sendo calculado e publicado todo dia na abertura e fechamento do pregão.

Fundo Fiduciário (Trust fund). Fundo constituído por dinheiro ou propriedade de um individuo ou grupo de indivíduos administrados por terceiros.

Fundo Monetário Internacional. (International Monetary Fund). Instituído pela Conferencia de Bretton Woods, o FMI começou suas operações em 1947, com sede em Washington D.C. (EUA). Os objetivos originais do Fundo foram: a) acabar com as restrições às trocas internacionais; b) estimular a cooperação internacional em política monetária, formando um sistema monetário internacional; c) estabilizar as taxas de cambio; d) facilitar um sistema de pagamentos multilateral entre os países-membro. Em 1971, os EUA informaram ao FMI que deixariam de comprar e vender ouro para realizar transações internacionais. Com isso, um dos princípios de Bretton Woods, a convertibilidade do dólar, cessou de existir. Mais recentemente, o FMI tem enfatizado a sua contribuição para a estabilidade do sistema financeiro internacional, num momento onde não está claro que seu poder de controle seja tão decisivo como já foi em passado recente. Nas últimas décadas, a orientação da instituição para os países em desenvolvimento foi de apoiar políticas de exportação e atacar o protecionismo e a política de substituição de importações. Cada país membro subscreve do fundo uma quota, que representa um saldo sobre o qual um país pode pedir empréstimo para ajuste temporário da balança de pagamentos de modo a estabilizar a taxa de cambio. Os Estados Unidos tem a maior quota e número de votos (17%), seguido do Japão (6,14%), Alemanha (6%), França e Grã-Bretanha (4,95%), Arábia Saudita (3,23%), China e Canadá (2,94%). O Brasil tem 1,41%. Existem 184 países-membro (2003).

Investidores institucionais. Uma organização (fundos de pensão, companhias seguradoras, trustes), em oposição a um individuo, que investe os fundos provenientes das receitas que obtém com a venda de ações e participações societárias (securities), depósitos e outras fontes.

Mercado Cambial (foreign-exchange market). Mercado no qual as transações efetuadas são de transferência de moeda de um país para a moeda de outro. Nos tempos atuais, o mercado cambial é dominado por instituições financeiras que compram e vendem moedas estrangeiras (principalmente dólar, euro, libra e yen) em vários centros financeiros, realizando lucros com a divergência entre a taxa de cambio e a taxa de juros. Em 1989, a média diária de negócios cambiais em Londres foi de US$ 187 bilhões; Nova York, 129 bilhões; e Tókio, de 115 bilhões. Outros mercados cambiais importantes estão em Zurique, Paris, Amsterdã e Bruxelas.

Mercado cambial de futuros. O mercado em que contratos são feitos para fornecer moedas em datas pré-fixadas e a preços pré-fixados.

Mercado de futuros. Qualquer mercado em que promessas de compra e venda de ativos (securities) ou commodities com preço pré-fixado são compradas e vendidas.

Nasdaq (EUA). Sigla da “National Association of Securities Dealers Automated Quotations System”. Sistema eletrônico de compra e venda de ações criado nos Estados Unidos e baseado nas transações de um grupo de companhias e firmas de corretagem selecionadas. Grande parte das firmas de alta tecnologia está listada na Nasdaq.

OECD. Sigla da Organisation for Economic Co-operation and Development, instituição que atualmente reúne representantes permanentes de 30 países, entre eles, os Estados Unidos, a União Européia, o Japão, a Coréia do Sul, a Austrália, o México e a Turquia. Originária da organização criada pelos Estados Unidos e o Canada para administrar os recursos do Plano Marshall para a reconstrução da Europa no pós-Segunda Guerra Mundial. Foi transformada em OECD em 1961, com o objetivo de estimular a liberação do comércio internacional e o sistema de mercado em países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Participação acionária (ou societária). Representa a propriedade de uma corporação expressa em ações. Existem diversos tipos de ações, com diferentes privilégios e direitos.

Securities. a) No sentido amplo, documentos que dão título de propriedade ou direitos de alocação e.g. para obtenção de empréstimo bancário; b) ações e outros papéis trocados na bolsa de valores. A característica essencial é sua liquidez (facilidade de venda).

Smartcard. Cartão de circuito integrado por microprocessador, capaz de fazer cálculos e produzir uma assinatura digital.

SWIFT. Sigla da Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication, de propriedade da indústria bancária, oferecendo um sistema de processamento de pagamentos internacionais por via eletrônica. Sua rede de telecomunicações serve a mais de 7000 instituições financeiras (bancos, bolsa de valores, investidores, corretores e câmaras de compensação) instaladas em quase duzentos países. Com a mesma função existem o FedWire e o CHIPS.

Títulos. Quando utilizado como sinônimo do termo anglo-saxão Bonds é o certificado de que o individuo ou empresa emprestou dinheiro a um governo ou corporação; os termos do empréstimo estão descritos no certificado (por exemplo, renda fixa). Tais certificados podem ser emitidos por corporações ou governos, enquanto ações só podem ser emitidas por corporações. Também utilizados como sinônimo de securities e debêntures.
II - ECONOMIA NACIONAL

Balança de pagamentos. Conceito que descreve os haveres e as obrigações das autoridades monetárias com vencimento em até 360 dias. Tabula as transações de crédito e debito de um país com relação a outros países e a organizações internacionais. Essas transações são divididas em dois grandes grupos, contas correntes e contas de capital. As contas correntes compreendem trocas visíveis (exportação, importação de mercadorias) e trocas invisíveis (ganhos e despesas com serviços bancários, seguro, turismo, lucros no estrangeiro, pagamento de juros). As contas de capital compreendem fluxos de entrada e saída de dinheiro para investimentos e empréstimos.

Bens e serviços. Produtos da economia de um país. Exemplos de bens incluem alimentos, vestuário, máquinas, novas estradas. Exemplos de serviços incluem aqueles realizados por médicos, professores, pesquisadores, comerciantes, bancos, trabalhadores da construção civil, agente de turismo e funcionários públicos.

Crescimento/desenvolvimento econômico. Processo pelo qual um país aumenta sua capacidade de produzir bens e serviços. Existem diversas teorias sobre como promover o desenvolvimento econômico, inclusive aquelas que diferenciam o crescimento do desenvolvimento (onde a repartição social do produto é mais eqüitativa).

Dívida pública. Total das dívidas do Tesouro Nacional, podendo incluir a divida do setor público e as despesas com empréstimos externos para equilibrar a balança de pagamentos e a taxa de cambio.

EADI. Sigla que designa no Brasil as Estações Aduaneiras do Interior (portos secos). São aduanas acopladas a armazéns públicos, cabendo a administração a empresas privadas, responsáveis pela logística do fluxo de carga. O objetivo principal da EADI é reduzir custos de importação/exportação de mercadorias ao reduzir o tempo de desembaraço alfandegário, ao mesmo que tempo que contribui para descongestionar o embarque e desembarque de mercadorias nos principais portos de entrada e saída do país.

Economia Informal. O intercambio de bens e serviços não registrados na estatística e contabilidade governamental. A economia informal não recolhe impostos diretos. Inclui a produção e comercialização de bens e serviços, tanto legais (emprego domestico, ofícios) como ilegais (trocas no mercado negro). Como os trabalhadores não têm carteira assinada e as empresas na economia informal não pagam impostos, pequenos negócios que querem diminuir seus custos e se adaptar às incertezas do mercado (mesmo que produtores de bens e serviços sofisticados) têm contribuído para a expansão da economia informal em países desenvolvidos, não só nos países em desenvolvimento.

Economia ilegal. O intercambio de bens e serviços considerados ilegais pelas leis vigentes no país, além de não registrados na estatística e contabilidade governamental (contrabando, tráfico de drogas, etc.).

Economia subterrânea (shadow economy). Embora usado às vezes como sinônimo de economia informal, economia ilegal ou economia paralela, seu crescimento no mundo atual leva a tentativas mais precisas de definição, uma delas sendo “a produção de bens e serviços, legais ou ilegais, que se baseia na economia de mercado, mas que escapa da detecção das estimativas oficiais do PIB” (F.Schneider e D.Enste, Shadow economies around the world, IMF WP 26, 2000). Acredita-se que o crescimento dessa economia se deva ao aumento da carga tributária e de impostos, e do sistema de seguridade social nos estados nacionais. Estudos realizados na Alemanha e na Áustria mostram que dois terços do valor agregado produzido na economia subterrânea não seria produzido na economia oficial caso a economia subterrânea não existisse. Uma taxonomia preliminar classifica a economia subterrânea em dois grandes grupos: legais e ilegais, ambas subdivididas em transações monetárias (comercio de bens roubados; industria e trafico de drogas; jogo, contrabando, fraude; evasão fiscal) e transações não-monetárias (escambo de bens, serviços legais; trabalho de tipo auto-ajuda; ajuda comunitária). Além do vínculo com a corrupção, existem efeitos sócio-econômicos (competição com os produtores e trabalhadores ‘oficiais’; erosão da base de impostos e da seguridade social; decréscimo da receita em impostos com efeitos sobre o déficit orçamentário) e políticos (indicadores errôneos na elaboração de políticas públicas, geralmente baseadas em indicadores ‘oficiais’ como desemprego, renda, consumo, levando a medidas questionáveis e questionadas). Por outro lado: a) calcula-se que pelo menos dois terços da renda auferida na economia subterrânea é imediatamente gasta na economia oficial; b) reduz o custo de reprodução da mão de obra; c) dissipa os efeitos políticos e sociais da redução da oferta de emprego na economia formal.

Dívida Interna. O total dos empréstimos feitos pelo Tesouro do governo central. Algumas definições de divida interna incluem a divida de todo o setor publico (estados locais, municipios, etc.), como é desde a segunda metade da década de 1990 no Brasil.

Divida Externa. O total dos empréstimos feitos no exterior por governos (central e local), empresas privadas e empresas paraestatais.

Divisas (reservas internacionais). Reservas de moeda estrangeira de um país, geralmente medido em dólares.

Fuga de capitais. Designa as saídas maciças para fora de um país de capitais pertencentes a indivíduos ou empresas, para evitar inconvenientes conjunturais ou estruturais. A década de 1980 no Brasil foi caracterizada pela fuga de capitais em função do processo inflacionário e da crise econômica. A instabilidade política e social (vitória de governos de esquerda, conflitos armados internos), a pressão fiscal, os riscos de desvalorização da moeda domestica são outras causas comuns da saída de capitais. O FMI estimou que na década de 1980 indivíduos e empresas dos países da América Latina haviam acumulado no estrangeiro montantes de capital que representavam de 40 a 65% da divida externa dos seus países de origem.

Fundos de pensão. Somas de dinheiro destinadas a pagar uma renda regular a aposentados até sua morte. Quase todos os países desenvolvidos e alguns em desenvolvimento, como o Brasil (INSS, Instituto Nacional de Seguridade Social) tem sistemas de pensão estatais. Os fundos de pensão surgiram em 1832, na Inglaterra, para os funcionários públicos. Gradualmente, foi incorporando assalariados e trabalhadores em geral. Os fundos de pensão privados, ao contrário dos estatais, são usualmente fundos de investimentos administrados. Tais fundos de pensão (no caso do Brasil, vinculados a empresas estatais e empresas paraestatais) têm grande importância financeira, ao investir parcelas no mercado de capitais. O investimento no mercado de capitais é uma forma de melhorar o retorno ou aumentar os lucros e dissipar perdas por desvalorização da moeda. No entanto, países cujo mercado de capitais é frágil ou altamente instável, ou mesmo especulativo, podem colocar em risco os fundos de pensão privados; tal risco é um dos argumentos usados contra a criação de fundos de pensão privados, embora o contra-argumento seja o aumento da divida pública do país. Como ocorre em outros países, no Brasil, os fundos de pensão estatais e paraestatais são importantes acionistas em outras corporações estatais, paraestatais e privadas, tendo inclusive participado do processo de privatização.

Investimento estrangeiro. A aquisição de ativos em um país por governos, instituições, corporações ou indivíduos de outro país. Investidores buscam maior remuneração de seus capitais e melhores taxas de risco transpondo fronteiras internacionais. Pode ser investimento direto ou investimento em carteira ou portfolio.

Investimento estrangeiro em carteira (portfolio). Investimentos internacionais em portfolio compreendem a compra de ações ou títulos emitidos por companhias privadas ou governos estrangeiros. Oferece ao investidor retorno em diferentes prazos e risco diversificado sem a responsabilidade de administração e controle. Esse tipo de investimento pode ser de longo prazo e de curto prazo. Nesse último caso está o investimento estrangeiro especulativo (hot money), que pode perturbar a balança de pagamentos com suas entradas e saídas. A volatilidade do investimento estrangeiro de curto prazo nem sempre está vinculado aos indicadores econômicos ou a política econômica do país receptor mas a estratégias de investimento em escala global. Já o de longo prazo pode ser um fator positivo de injeção de capital na economia do país e alivio de sua balança de pagamentos.


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