Futebol feminino: os preconceitos em relação a sua prática



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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA




LILIANE SANTOS SOUSA




FUTEBOL FEMININO NO PAÍS DO FUTEBOL: TRAJETÓRIAS DE JOGADORAS DE UM TIME DE FUTSAL


Campinas


2009







LILIANE SANTOS SOUSA



FUTEBOL FEMININO NO PAÍS DO FUTEBOL: TRAJETÓRIAS DE JOGADORAS DE UM TIME DE FUTSAL

Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) apresentado à Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas para obtenção do título de Licenciado em Educação Física.




Orientadora: Helena Altmann




Campinas


2009

FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA

PELA BIBLIOTECA FEF – UNICAMP





Sousa, Liliane Santos.



So85f


Futebol feminino no pais do futebol: trajetórias de jogadoras de um time de futsal / Liliane Santos Sousa. -









Orientador: Helena Altmann

Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas.











1. Gênero. 2. Mulher. 3. Futebol. I. Altmann, Helena. II. Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação Física. III. Título.



asm/fef



Título em inglês: Women's football in the country of football: trajectories of players of a team of futsal.

Palavras-chave em inglês (Keywords): Gender; Woman; Football.

Banca Examinadora: Helena Altmann; Heloisa Helena Baldy dos Reis.

Data da defesa: 10/12/2009.


LILIANE SANTOS SOUSA




FUTEBOL FEMININO NO PAÍS DO FUTEBOL: TRAJETÓRIAS DE JOGADORAS DE UM TIME DE FUTSAL

Este exemplar corresponde à redação final do Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) defendido por Liliane Santos Sousa e aprovado pela Comissão julgadora em: 10/12/2009.




Helena Altmann

Orientadora



Heloisa Helena Baldy dos Reis

Banca examinadora




Campinas



2009

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a todas as mulheres atletas e em especial as boleiras!

AGRADECIMENTOS


Nem acredito que cheguei aqui! Espero que minha memória não se esqueça de ninguém. Deixe me começar....

Agradeço primeiramente a Deus pelos infinitos milagres.

Agradeço a minha orientadora Helena Altmann pela paciência e pelos puxões de orelha. O que seria do meu texto sem os seus comentários filosóficos!?Grande Helena!

À minha “banca”, Heloisa Reis, por ter aceito o convite e dispor a ler este trabalho. Agradeço também por ter me convidado a fazer parte do GEF e juntas tornarmos o grupo 20% feminino!Além das leituras a respeito do futebol, violência e gênero.

Agradeço a Melinda por ter mediado o contato com o técnico da equipe feminina!As protagonistas desta história: Dani, Déia, Ju, Ju Tosta, Cris, Camila “Panda”, Denise, Tabata, Taniane e Ana. Não me esquecendo dos acompanhantes de arquibancada: Roseli, Day, Michele e Bruninho. A comissão técnica, Helinho e Marcelinho, muito obrigada por aceitarem a realização deste projeto.

Agradeço a minha mãe, Fátima, e ao meu pai, Manoel, pelo carinho, ensinamentos e principalmente por me incentivarem a praticar futebol!Obrigada por sempre torcerem por mim!

À minha irmã Luciane por abrir minha cabeça e atentar-me das oportunidades que só através dos estudos aparecem!

À minha irmã, Manuela, pela amizade e confidências. E é claro, por me ajudar a fazer os gráficos, tabelas e outras exigências que não domino!

A minha sobrinha Victória que aos 2 anos já dá os seus primeiros chutes com o pé direito!A tia te ama!E para de gritar: “chimão eôh” pela casa!

Ao meu irmão, Juninho, pelas brincadeiras, por fazer questão de me acompanhar nos jogos de futsal e sempre torcer por mim. Além de torcermos loucamente pro Tricolor Paulista!

Agradeço aos meus cunhados, Ozeias e Sidney, por adentrarem na família e fazerem parte dos “fundunfos’! Vocês são corajosos!

Du obrigada por tudo!Sem você do meu lado tudo seria mais difícil. Você é um corintiano que tem muita paciência de namorar uma são paulina “arrogante”. Nosso amor supera estes detalhes! Será?

Aos agregados (as): Tati “tcha tcha”, Jorge, Renata, Luiz, muito obrigada pela amizade de vocês , e paremos com essa mania de que qualquer coisa é motivo pra nos reunirmos e apreciar uma tequila!

Às meninas da casa I-2. Muito obrigada por liberarem a TV as quartas feiras a noite, mesmo que meu time não jogue o importante e provocar os vizinhos!À Aline pela companhia e amizade nestes quatro anos. Valeu pelas dicas e conselhos! À Paula teen por demonstrar que é possível acordar cedo e dormir tarde!Paulitcha muito obrigada por gastar sua cota da química imprimindo os artigos pra mim! A Julie colombiana por me fazer rir toda vez que judia o nosso português. A Kassy por ter me incentivado a estudar as minorias.

Agradeço a turma 05N!Vocês foram fundamentais pra minha sobrevivência na FEF! Karina, Marcinha, Clebinho, Gustavo, Wesley, Kethlyn, Moisa, Gisele e Daniel! As aulas com vocês foram muito mais legais!Não esquecerei jamais!

Agradeço a outros alunos da FEF: Jefferson pela companhia durante este ano no projeto com as crianças, a Dani, reingressante na Licenciatura, formamos “a dupla” nos trabalhos acadêmicos!Ops, antes que eu me esqueça, obrigada por me emprestar o gravador! À Rodrigo Rosa pelas tantas conversas, embora só eu falasse!Obrigado por me emprestar seus ouvidos!

As orientandas da Helena: Carol e Gabi!Valeu pelas reuniões extra-oficiais!

À Aline, palmeirense, pelo incentivo e pela amizade que começou a pouco tempo, mas que é valiosa!

À Ju “corda”, por compartilhar das etapas de escrever um texto de monografia.

Ao Osmarzinho pelas conversas e dicas a respeito da pesquisa. Torço pelo seu sucesso!

Aos rondonistas:Marcola, Gi, Julia, Rafa, Luana (Bahia) e professor Paulo, amei conhecer vocês!

À professora “distinta” Elaine, por me agüentar durante quatro anos no projeto. Obrigada por me convidar a fazer parte da equipe do projeto Rondon 2009! Serei eternamente grata pela confiança. Aos funcionários da FEF-Unicamp: Beeroth, Dulce, Marli, Geraldinho e Tiãããããoooo!

SOUSA, Liliane Santos. Futebol feminino no país do futebol: trajetórias de jogadoras de um time de futsal. 2009. 94f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)-Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2009.


RESUMO



A prática do futebol feminino ainda é um fato recente no Brasil, portanto, como será que foi o caminho percorrido pelas mulheres que desejaram se envolver com esta modalidade? Quais seriam as dificuldades pra adentrar e manter se em campo? Essa pesquisa analisou trajetórias de jogadoras de futebol de um time amador da cidade de São Paulo de modo a entender quais foram/são as dificuldades para praticar um esporte ainda predominantemente masculino no Brasil, além de discutir e compreender quais são as expectativas com a modalidade. Participaram das entrevistas dez jogadoras. Foram exploradas questões sobre a prática no ambiente escolar, profissionalismo, apoio, preconceitos em relação à prática e expectativas com o futebol feminino. As praticantes, com idades entre os dezenove e vinte e oito anos, relataram que o início da prática do futebol deu-se entre quatro e dez anos. Esta teve inicio na rua, em escolinha de futebol e não no ambiente escolar. Mesmo assim todas afirmaram ter jogado futebol nas aulas de Educação Física, espaço predominantemente povoado pelos meninos. As principais dificuldades apontadas pelas atletas foram os preconceitos atrelados ao gênero e à sexualidade, além da falta de apoio dos familiares, dos clubes e da mídia. No início da prática, as expectativas eram, principalmente, tornarem-se profissionais da bola, porém hoje estas expectativas não existem mais para a maioria delas. Apenas duas das meninas entrevistadas disseram ainda ter expectativas profissionais com o futebol fora do Brasil. Foi apontado pela maioria das meninas que o envolvimento com o futebol hoje é encarado por elas como uma opção de lazer e saúde, e nada mais. As mudanças citadas pra melhoria do futebol feminino no país foram: patrocínios, apoio financeiro as atletas (salários), alojamento, alimentação, incentivo da imprensa e organização de campeonatos.


Palavras chave: gênero; mulher; futebol.


SOUSA, Liliane Santos. Women's football in the country of football: trajectories of players of a team of futsal. 2009. 94f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)-Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2009.

ABSTRACT



The practice of women's football is still a recent event in Brazil, so how was it the path taken by women who wished to engage with this mode? What are the difficulties to enter and maintain in the field? This study examined trajectories of female soccer players an amateur team in São Paulo in order to understand what were / are the difficulties of playing a sport still predominantly male in Brazil, and discuss and understand what the expectations are with the modality. Participated in the interviews ten players. Were explored issues about the school environment, professionalism, support, prejudices about the practice and expectations of women's football. The players, aged between nineteen and twenty-eight years, reported that the start of football practice took place between four and ten years. This began in the street, in school for football and not in the school environment. Yet all said they played football in Physical Education classes, area predominantly populated by boys. The main difficulties identified by the prejudices athletes were linked to gender and sexuality, and the lack of support from family members, the clubs and the media. At the beginning of practice, the expectations were, mainly, to become professional ball, but today these expectations no longer exist for most of them. Only two of the girls interviewed said they still have expectations with professional football outside of Brazil. He was appointed by the majority of the girls involved in football today is regarded by them as an option for leisure and health, and nothing more. The changes mentioned pra improvement of women's football in the country were: sponsorship, financial support to athletes (wages), housing, food, encouragement of press and organization of championships.



Keywords: gender; woman; football.

LISTA DE FIGURAS





Figura 1-

Logo do time de futsal feminino do Raposas da Leste ......................



32

Figura 2

Equipe Raposas da Leste, abril de 2009 ..............................................

33

Figura 3

Atletas durante o treino no C.E.U........................................................

34

Figura 4

Primeiro jogo no campeonato de Futsal de Caieiras ...........................

35

LISTA DE QUADROS




Quadro 1 -

Perfil sócio econômico das atletas .............................................



36

Quadro 2 -

Local, idade e companhia no início da prática ..........................

37

Quadro 3 -

Tipos de equipes e o auxílio destinado às atletas.......................

50









LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS




CEU

Centro de Ensino Unificado

CBF

Confederação Brasileira de Futebol

CBFS

Confederação Brasileira de Futebol de Salão

CORPO

Grupo de Pesquisa Corpo e Educação

CND

Conselho Nacional de Desportos

E.F

Educação Física

FEF

Faculdade de Educação Física

FIFUSA

Federação Internacional de Futebol de Salão

FMU

Faculdades Metropolitanas Unidas

FPF

Federação Paulista de Futebol

GEF

Grupo de Estudos e Pesquisa de Futebol

LAU

Liga das Atléticas da UNICAMP

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

TJD

Tribunal de Justiça Desportiva

UNICID

Universidade Cidade de São Paulo

UNICAMP

Universidade Estadual de Campinas

UNISANTANA

Centro Universitário Sant’Anna.

SUMÁRIO




1 INTRODUÇÃO ..........................................................................................

13

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................

15

2.1 As relações entre esporte e gênero ............................................................

15

2.2 Futebol no Brasil: da origem elitista a presença feminina ........................

18

2.3 Dos campos às quadras .............................................................................

28

3 METODOLOGIA ......................................................................................

30

3.1 As protagonistas ........................................................................................

31

4 TRAJETÓRIAS DE JOGADORAS DE FUTSAL .................................

37

4.1 Início da prática ........................................................................................

37

4.2 Memórias do futebol na escola ................................................................

40

4.3 Incentivos/ desincentivos à prática ...........................................................

44

4.4 Dificuldades / preconceitos .......................................................................

47

4.5 Espaços para a prática ...............................................................................

50

4.6 Homofobia e futebol feminino ..................................................................

53

4.7 Expectativas com o futebol ......................................................................

55

4.8 Mudanças no futebol feminino .................................................................

57

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................

59

6. REFERÊNCIAS.........................................................................................

62

ANEXO...........................................................................................................

69

Anexo – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .................................

69

APÊNDICES .................................................................................................

70

Apêndice A - Roteiro da entrevista ................................................................

70

Apêndice B – Modelo de ficha com os dados pessoais ..................................

71

Apêndice C – Entrevistas ................................................................................

72








1 Introdução

Como praticante de futsal há muitos anos, posso afirmar que minha trajetória futebolística foi marcada por diversas manifestações preconceituosas. Estas foram cometidas pela família, pelos colegas, na escola, na rua e inclusive no meio universitário. Em pleno século 21, ainda é assustador e ameaçador ver uma mulher jogando futebol. E esta prática gerou outro grande equivoco: a associação da prática da modalidade com a homossexualidade. Este preconceito só foi minimizado com o início dos meus relacionamentos com “qualquer pessoa” do sexo oposto. O olhar diferente a minha pessoa foi não só pelo fato de adentrar em campo, mas também por gostar de assistir e comentar assuntos sobre futebol.

Meu envolvimento com este esporte predominantemente masculino foi marcado por limitações, indagações, resistência e conquistas. No início da minha prática, na rua, entre os meninos, requeriu muita habilidade para me inserir neste ambiente predominantemente masculino. Já que as meninas da época não gostavam e nem eram estimuladas ao envolvimento com a modalidade, embora eu tivesse incentivado a prática feminina na escola. Paralelo a escola, jogava com os colegas da rua, nos clubes, nos parques. Posso dizer que meu ciclo de amizade foi formado graças ao futebol.

No decorrer da graduação joguei pelo time da FEF (Faculdade de Educação Física), além de ter jogado pelo time da Universidade, a LAU (Liga das Atléticas da Unicamp). Esta experiência me aproximou das tantas mulheres que jogam futsal no meio universitário, e muitas delas como eu, pararam de treinar por causa do pouco tempo disponível pras competições. Mesmo abandonando as rotinas de treino coletivo, essa e outras experiências com o futebol garantiram-me uma opção de lazer.

Pensando na minha experiência como jogadora são inúmeras as curiosidades a respeito das trajetórias de outras mulheres que também jogam futebol. Por isso, minha paixão pelo futebol, seja como espectadora, atleta ou torcedora e a escassa produção a respeito da trajetória das praticantes de futsal no Brasil, levou-me a estudar as trajetórias de um grupo de mulheres praticantes de futsal.

Embora na Universidade, dentro das disciplinas de graduação, não tenha recebido formação suficiente para compreender tantas questões que me angustiavam, aproximei-me mais intensamente da temática e dos autores que também discutem o assunto através dos grupos de estudos da FEF-UNICAMP: o GEF (Grupo de Estudos e Pesquisa de Futebol), coordenado pela profa. Drª Heloisa Reis, e também o CORPO (Grupo de Pesquisa Corpo e Educação), coordenado pela profa. Drª Helena Altmann.

Essa pesquisa analisa trajetórias de jogadoras de futsal de um time amador da cidade de São Paulo, o Raposas da Leste, de modo a entender quais foram/são as dificuldades vivenciadas para praticar um esporte ainda predominantemente masculino no Brasil. Nesse sentido, algumas perguntas nortearam esse trabalho: Qual a história da prática do futebol no Brasil? Como essas mulheres começaram a jogar futebol? Com que idade? Quais locais onde praticaram esta modalidade? Com quem? Quais dificuldades enfrentaram? Quais e por que ainda existem preconceitos em relação à prática do futebol feminino? O que ainda tem atrapalhado a participação feminina nesta modalidade? Quais são as expectativas que elas tinham/tem com futebol? O que elas mudariam no futebol feminino? Estas e outras questões serão discutidas ao longo do trabalho.

O texto está dividido em quatro capítulos que dialogam buscando a complementaridade. No primeiro capítulo conceituarei o termo gênero, relacionando esta construção social a suas conseqüências nos diferentes ambientes esportivos, em destaque o futebol. Num processo de afunilamento dos assuntos, parto de elementos históricos sobre a participação da mulher com o futebol no Brasil. Assim, no capítulo seguinte, acerca do futebol no Brasil, darei ênfase à chegada dele no Brasil e a restrição como modalidade masculina, no qual as mulheres adentram posteriormente. Até então a participação das mulheres estava restrita a arquibancada. O terceiro capítulo refere-se à metodologia de pesquisa adotada. Já no quarto capítulo analiso os dados coletados na pesquisa de campo acerca das trajetórias destas atletas de futsal. O mesmo está dividido em categorias relevantes para análise dos resultados obtidos nesta pesquisa.




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