Freud para historiadores



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FREUD PARA HISTORIADORES

PETER GAY


GAY, Peter. Freud para historiadores. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.

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A psicanálise é uma ferramenta legitima para ajudar na compreensão do passado? Muitos historiadores tradicionais têm respondido

a esta questão com um enfático não, saudando a introdução de Freud no estudo histórico

com respostas que variam desde um ceticismo ponderado até uma raiva manifesta. Agora Peter Gay, ele próprio um dos historiadores mais renomeados dos Estados Unidos, argumenta eloqüentemente a favor de uma "história instruída pela psicanálise" e oferece uma

réplica impressionante às acusações feitas por

um contingente numeroso de antifreudianos.

Gay argumenta que todos os historiadores

- na verdade, todos os cientistas sociais e humanistas que se ocupam com a tarefa da interpretação~ sejam economistas, cientistas políticos ou críticos literários - são psicólogos

amadores. Em lugar de atribuírem motivos negligentemente, argumenta, precisam refletir

sobre eles. Gay mostra que muito da hostilidade contra a psicanálise decorre de ignorância, de leituras inadequadas ou de cuidados excessivos. Em Freudpara historiadores, ele considera os argumentos, um por um, da oposição, lutando todo o tempo para lidar construtivamente com as dificuldades genuínas que

um método hermético como o da psicanálise

cria para o historiador. Sua discussão lúcida,

inteligente, abarca um grande número dequestões: das dificuldades do complexo de Édipo

até a influência do interesse privado nos negócios humanos, das ligações entre biografia

e história até os perigos do reducionismo no

uso do método psicanalítico. Gay não desconsidera os críticos de Freud e acha que muitos

dos seus argumentos são lúcidos e compreensíveis - sem, contudo, serem v lidos. No final do livro, assinala brevemente a sua visão

de uma "história total", que se utiliza dos discernimentos da psicanálise mas sem se limitar a eles. Mostra que a psicanálise pode ser

aplicada a todos os ramos da pesquisa histórica sem substituir outras abordagens interpretativas.


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Freud para

historiadores

Peter Gay

Freud para

historiadores

2.a EDIÇãO

Tradução de

Osmyr Faria Gabbi Junior

PAZ E TERRA

Copyright by Oxford University Press, 1985

Traduzido do original em inglês

Freud for historians

Capa de Isabel Carballo,

sobre pintura "O rapto das sabinas" de Rubens

Copydesk fulano

Revisão

Carmen Tereza S. da Costa



Ana Maria de O. Barbosa

Edson de Oliveira Rodrigues

Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Gay, Peter, 1923 Freud para historiadores / Peter Gay ; tradução de

Osmyr Faria Gabbi Júnior. - Rio de Janeiro : Paz e

Terra, 1989.

Bibliografia.

1. Psico-história 1. Título.

89-0863


Indices; para catálogo sistemático:*

1. Psico-história 901.9

Direitos adquiridos pela

EDITORA PAZ E TERRA S/A

Rua do Triunfo, 177

01212 Santa Ifigênia, São Paulo, SP

Tel.: (011) 223-6522

Rua São José, go - 11,0 andar

20010 Centro, Rio de Janeiro, RI

Tel- (021) 221-4066

se reserva a propriedade desta tradução

Conselho Editorial

Antonio Candido

Fernando Gasparian

Fernando Henrique Cardoso

1989


Impresso no Brasil/ Printed in Brazil

CDD-901-9

Para

Ernst Prelinger



e para uma outra pessoa

por falarem, e por escutarem

Atos e exemplos permanecem

William james

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Abreviaturas adotadas
Int, 1. of Psycho-Anal.: International journal of Psycho-Analysis
Amer. Psychoanal. Assn.: journal of the American Psychoanalytic

Association


PSC: Psychoanalytic Study of Child
Ed.stand.: edição standard (Standard Edition). As obras completas

de Freud em português estão referidas com base na Edição stan dard brasileira das obras psicológicas completas de Sígmund

Freud, 24 v., trad. de José Octávio de Aguiar Abreu, trad. e rev.

técnica de jayme Salomão, 1 a ed., Rio de janeiro, Imago, 1975.


Ed. est.: edição para estudo (Studienausgabe).
Índice
Prefácio .............................

o argumento: defesas contra a psicanálise ............

1 . As necessidades secretas do coração ................

1. Psicólogos sem psicologia ....

Insultando Freud ......

Uma arena para amadores ...

2. As alegações freudianas ...

1. Uma aparência de convencimento

Recordando o fundador

Uma teoria controvertida ....


3. Natureza humana na história ......
1 . Contra os historicistas .........

2. As pulsões e suas vicissitudes ...

3. Anatomia do interesse privado . .

4. Razão, realidade, psicanálise e o historiador


1 . Dois mundos em tensão ........

2. A procura de representações .......................

3, Uma escala de adequação .........................

5. Do divã para a cultura ..............121

1. Além da biografia . .

2. A partilha social

3. O self obstinado ...

..139


6. 0 programa em pr tica ...............147 Pref cio
1 . Pensamentos acerca de registros
2. Modos e meios . .
3. A história total . .
Notas
Bibliografia
Agradecimentos
índice remissivo
PREFÁCIO
Este livro é o volume que conclui uma trilogia que eu não pretendia escrever. Quando, em 1974, publiquei Sty1e in history, pensei

que havia pago meu tributo ... historiografia. Naquela expedição de

descoberta através dos recursos estilísticos de quatro mestres da retórica - Gibbon, Ranke, Macaulay e Burckharur---M:-procurei situar 3In rt~oria entre as ciências humanas---._Min-Wa-co`RIruoslão, que confio seja

menos trivial em um argumento extenso do que em um simples resumo, era a de que a velha e estrita divisão entre arte e ciência é insustentÁvel para a história: nas formas em que procurei demonstrar no

livro, a história é ambas,

#*/*

e,

ÉmObo`ra,la"pInl=eira. vista, não haja nada de muito surpreendente



neste julgamento, minha formulação particular suscitou muitas questões a respeito das intenções fundamentais de meu ofício a que Sty1e

in history não podia se dirigir, muito menos resolver. Propus que a

arte do historiador -constitui parte da sua ciência; , sua forma não é

nem a de um enfeite nem ídiossincr tica, mas est indissoluvelmente

ligada ... sua matéria. Em poucas palavras, o estilo ajuda a sustentar

o peso e a definir a natureza da substância. Isso naturalmente me conduziu do modo pelo qual o historiador expressa-se para as questões

que se inclina a considerar como as mais críticas. Escrevi dois anos

mais tarde: "Durante o seu trabalho, o historiador realiza muitas coisas, mas a tarefa mais difícil e acredito que a mais interessante é a

de explicar as causas dos eventos históricos". Descobri que pensar

iõbtre causas é entrar em um debate profissional ininterrupto no qual

o historiador participa com vontade, e onde as apostas são as mais

altas possíveis. E é encontrar as insistentes reivindicações da psicologia pela atenção do historiador.


11

#


Como Sty1e in history, sua seqüência sobre causação, Art and

act, estava mergulhada numa experiencia concreta: sempre me senti

mais confort vel, como a maioria dos historiadores, com exemplos

específicos. Enquanto que, no primeiro livro, construí meu caso através do exame de quatro grandes historiadores, no subseqüente concentrei-me sobre três artistas influentes - Manet, Gropius e Mondrian - para encorajar uma atitude pluralista mas segura em relação

... causação histórica. No capítulo introdutório, discorri sobre a teoria

que apoiava esses exercícios em biografia cultural e diagramei as

relações entre três aglomerados de causas: as que se originam do dominio particular, do ofício e da cultura. É na sua sutil interação, no

encontroamento pela supremacia, que a psicologia reivindica pelos

seus direitos especiais.
0 parentesco intelectual entre esses dois livros est na superfície.

mbos são explorações em epistemologia histórica; ambos, enquanto

argumentam a favor da enorme variedade de modos possíveis de se

#expressarem e de se atingirem as verdades históricas, são relativamente otimistas sobre o alcance e a compreensão do historiador. É curioso: quando historiadores decidem refletir sobre a sua profissão uma aventura autoconsciente, nem sempre feliz, em ruminação filosófica para a qual são freqüentemente seduzidos após terem atingido

os cinqüenta anos - tendem a declarar-se como acentuados subjetivistas. Provavelmente insistirão que todos os dem"nios pessoais ou as

aspiraçoes sociais do historiador ditam uma perspectiva extremamente

limitante sobre o passado, e que nunca nenhuma quantidade de autopercepção permitir que ele se furte ...s pressões inescap veis do partidarismo. Nessa concepção, o estilo do historiador é um depósito de

vieses/ e a sua percepção das causas inclina-se a ser comprometida

pelo peso das mesmas mutilações ideológicas. Ao discordar, argumentei que o estilo pode ser também uma passagem privilegiada para o

conhecimento histórico e que a visão particular do historiador sobre

o que fez com que o mundo passado se movesse, não importa quão

distorcida ela possa ser pela sua neurose, pelas suas deformaçoes profissionais ou pelos seus preconceitos de classe, pode, ainda assim,

ajud -lo a ter firmes discernimentos sobre o seu material que ele não

teria obtido na ausência deles, Por exemplo, a ironia imponente de

Gibbon, uma espécie de maldade grandiosa que impregnava o seu car ter, foi o instrumento perfeito para dissecar os motivos políticos

dominantes da Roma imperial, com suas confissões elevadas e motivos


12
torpes; ou para dar outro, a existência celibat ria e reprimida de

Burckhardt deu lugar a fantasias luxuriantes de crueldade e de poder

altamente apropriadas para apreciar a mentalidade dos extraordin rios

condottieri comandando as guerras da It lia renascentista. Não tenho

nenhuma inclinação -para juntar-me ao campo dos histor"'11'1"o?Ms"q"u"e

unc=1U11LU ---"2

IgIgam_que atídedí~no sobre as causas

#


umff--q-ui era, ou-aque es que reduzem a veste Briinante MI~551,5 da exl:)eríêncía histórica ao Únitorme clâ"to de- uglãbdluint

1Es--e dominante de impulsões. Os ivro-s~Toraffi- simultaneamente uma advertência -contra o _~Essimismo f cil dos céticos e contra

as simplificações igualmente f ceis dos dogm ticos.
Minha justificativa para a história como uma ciência elegante,

razoavelmente rigorosa, apoiava-se fortemente, como j sugeri, no meu

comprometimento com a psicologia, em particular com a psicanálise.'

Vi-a então, e vejo-a agora mais ainda, como uma disciplina auxiliar

e gratificante em que a profissão histórica até aqui confiou insuficientemente e que com certeza est longe de dominar. Os desastres bastante discutidos da psico-história, nos quais seus detratores encerraram-na com uma espécie de júbilo maldoso, são motivo mais para precaução do que para desespero ou para desdém. Afinal de contas,ãn,fiar na psicanálise não precisa_ muli" uma teoria da história ipILênu~,

iWdi n=1,9 m"nocausal. Mintia intenção. nagueies dois voluinus. P,

neste, não tem s d~ =ae propor que oÍs--historiadorw---Rubstitu-am Marx

qmo


DorrigW seus rituars-monoreistas, 3UMURe MMObrem qualq%MroTip"o

de-rito. O-estudo da refigiao, da pica, da cultura, ~ga tecriologia,

dg.,gãUrafia, destes grandèÍs-aux-fliares da explícaçãoMistórica,-rete-ff,

para mi~n-,-Tõ 2 a sua validade independente, pois todos invadem e

ajudam a modelar as mentes dos homens. Eu disse em Art and act

que -TõdatOrL&-e-= ni-ma medid _psico-história", mas acres

centei imediatamente que i-psico-história não pode ser to:a =aó

~r, eMSbocoffieMazoes pelas quans a psicarogiã-não poderia gozar, em

princípio, de um monopólio sobre a explicação causal. Neste livro,

desenvolvo, em um argumento abrangente, essas afirmações concisas

e apodíticas.
Freud para historiadores finaliza a tarefa deixada incompleta

pelos seus dois predecessores. No capítulo introdutório de Art and

act ofereci uma crítica breve, um tanto inespecífica, da psico-história

como era então praticada. De forma atípica, não ofereci casos concretos, apenas assinalei que enquanto a psico-história tem dado lugar


13

#


a reduções injustificadas e a especulações extravagantes, oferecendo

alvos f ceis para resenhistas abaterem, tem também sofrido de uma

certa timidez. Disse que enquanto seus praticantes "explicam excessivamente a partir de muito pouco 11 , ao mesmo tempo, "reivindicam

muito pouco do que propriamente em excesso". Geralmente se limitam

... psicobiografia ou a irrupções de psicoses coletivas. Ao contr rio,

requeri uma "psico-história de uma espécie que não havia sido ainda

explorada, muito menos praticada", uma história que, "sem se comprometer com a orientação biológica freudiana, com explicações genéticas, ou com proposições radicais sobre a sexualidade infantil e

com estratégias psicológicas", estaria ainda assim firmemente envolvida com a realidade, registrando com sensibilidade as pressões do

mundo externo que tão vigorosamente atingem todos os indivíduos.

Escrevi este livro para dirigir-me em detalhe a problemas que suscitei inicialmente em 1974 e que esbocei como programa dois anos

mais tarde.
Diferente de Sty1e in history e Art and act, onde questões de

método histórico continuamente encontraram e atraíram substância

histórica, o presente volume é um argumento corroborado no qual

tomei as pr ticas contemporâneas, mais do que as realidades passadas,

como seus principais materiais. Mas o concebi e o escrevi em íntima

conexão*çom um empreendimento histórico de grande alcance com o

qual estou comprometido atualmente: um estudo da cultura burguesa

do século XIX a partir de uma perspectiva psicanalítica. 0 primeiro

v 1 oitime, que lida com a sexualidade, j apareceu; estão em elabora0.o volumes associados sobre o amor, a agressão, a dominação e o

conflito cultural. Quero que sejam vistos como aplicações de um método e de uma ambição que estou aqui simplesmente recomendando

e tentando justificar teoricamente.
Meu interesse na psicanálise enquanto um sistema de idéias e

uma disciplina auxiliar vem de três décadas atr s, muito antes de

publicar Sty1e in history, anterior mesmo ao início da minha carreira

como historiador. Por volta de 1950, quando era ainda estudante de

pós-iraduação e iniciava-me como docente em ciencia política, projetei um livro que se intitularia "Love, work, and politics". Nunca

escrevi o livro ali s nem posso me lembrar do que planejava dizer

nele. Tudo de que me recordo é que naqueles anos era um devoto dos
14
w- - --- pontos de vista psicanalítiSWs revisiWnistas "rich , min, na sua

~~n~iva, como-iF-via então. -d-ecomIj-p-9r'14arx ud.- Isto foi

;~ItoMeMp'rO'Mim a reconhecer que gualguer estor~o ra -ilnir--VAaTx

e-Fre-u-Zr so oJeria conduzir a um casament acio--com. coni&"u nc as ca ami. osas para amUõ-s. ATe-m-(Fis-so, a crítica le From---in a Freud,

que cresceu em estridência com a passagem dos anos, tornou-se cada

vez menos convincente para-mim. Ainda assim, essas controvérsias

#

encorajaram-me a fazer uma série de leituras sobre Freud, de forma



não sistem tica e informal. 0 leitor atento pode encontrar traços daqueles estudos em meu trabalho a partir do final de 1950, tímidos

como ainda o eram no início. Mas nagueles dias estava desenvolvendo

storin W.Mã.Mi E, ~St 6 ~ri 7 -SO c, i a 7
A partir da perspectiva dos anos em que segui a história social

das idéias mais intensamente, principalmente em meus livros sobre

Voltaire e sobre o Iluminismo, minha atual preocupação com os usos

da psicanálise na história pode parecer bastante longínqua e um deslocamento dr stico de interesses. Realmente, não foi isso que ocorreu.

Poderia ser plausível objetar que estou somente, ... maneira dos autobiógrafos, afastando os obst culos e endireitando os desvios nas trilhas que tive de tomar de modo a apresentar um sentido espúrio de

consistência e continuidade. Freud disse uma vez -que, o biÁafo eso

fad&do &..a

.PaixonaUssa PejasE n-Epti-- o juí-lo iógrafo, 7...speito, apefias raramente est isento dessa paixão. Mas enquanto não posso me

colocar como o último juiz da minha própria história intelectual,

penso que ela não registra nenhuma ruptura dr stica, apenas uma

evolução vagarosa e orgânica. As duas décadas ou tanto em que me

empenhei numa história social das idéias, dos meados dos anos 50 até

os meados dos anos 70, foram tentativas de romper com o que percebia como sendo uma prisão autoconstruída pelo historiador das idéias

na qual um pensador isolado combate, sem olhar nem para a direita

nem para a esquerda, com outros pensadores igualmente isolados.

Quis descobrir, na trilha de Ranke, como as coisas realmente ocorreram, como os produtos mentais - as idéias, os ideais, as posturas

religiosas, políticas e estéticas - originaram-se e puderam definir a

sua forma sob a impressão de realidades sociais. Era o meu sentido

sobre o débito que a mente deve ao mundo que me permitiu ler Voltaire como um animal apaixonadamente político, e colocar os princípios do fluminismo no seu meio natural- a revolução científica. a
i
15

#


inovação médica, a construção do Estado, e os debates políticos apaixonados do século XVIII.
Meu interesse nas recompensas ainda amplamente desconsidera das da psicanálise para o historiador simplesmente se volta para o

Wu velho programa de ap eender as idéias em todos os seus contex ~Õ S. Um ma df.,Çr

.OZerativo morãl-, uma apreciação esteTi-cn~ u

cien IlicaiU 0 estratagema político, unia decisão militar--e todos os

outros incont veis disfarces que as idéias tomam estão, Como

\-4 ~r


, ~ébidos tanto nas ,;lia,; vizinhanças culturais particulares e

imediatas como nas mais gerais. Mas são também respostas a pres %0

soes internas sendo, no mínimo em Darte. TrF Wuções de =nec: - e-s-s

S o


ins in ua s, as defensiva es ans--- 4este sentido

1,s antecipaço

bran rodutas----Mentaisemergem COMO COMDrO

a história psicanalítica das ideias e a contraEarte da ht

d i_ra -erecíprocaffe-n-Le"71~ai elas, uma completando a ou . a reall raMe,

--do meu argumento, as duas

so

como acredito se tornar óbvio, no curso



são realmente a mesma espécie de história entrevista a partir de posi ções distintas, passos tomados um após o outro na estrada que leva

... história total, ... ciência da memória.


Em 1976, o ano em que publiquei Art and act, entrei no Western New England Institute for Psychoanalysis como membro candidato, para submeter-me ... minha an lise did tica e fazer todos os

cursos que me transformariam, esperava, de um amador informado

sobre o instrumental freudiano em uma espécie de profissional. Ela

revelou ser uma experiência fascinante, trabalhosa, dolorosa e divertida em proporções quase iguais, e imensamente esclarecedora. Seria

impossível para mim fazer uma lista das lições que, enquanto historiador, aprendi em meus anos como candidato; os discernimentos psicanalíticos trabalham de uma forma mais tortuosa do que essa. Mas

estou satisfeito que ela_tenha me ensinado muito: maneiras novas,

mais instruti - ler di riSs--e so-nhos, cart s e ras, novelas e

text Zin: cos. Aguçou 7~Mlia sensiblIRTade para Tântasias inconscient 3: cos* guçou in

=texti

s COMD


cos. A u ou in I

tes compar~tiÇadasg que subjazeín a estilos culturais, e para os fluxos

poderosos e amplamente encobertos das pulsões sexuais e agressivas

que dão energia ... ação, invadem e distorcem. a percepção objetiva, e

fazem com que as psicologias baseadas em interesses racionalistas apa#

reçam como ingênuas, como totalmente desprovidas de recursos. Além

disso, descobri Que técnicas psicanalíticas como a livre associação ou

a

a inter de sonhos~.-e-~[escobertas psicanalíticas coíno o roman



ce familiar ou o complexo de Édipo, pagam dividendos inesperados

no estudo de material aparentemente familiar, como também transformam, pela primeira vez, artefatos intrigantes, opacos, em material

utiliz vel. Não estou insinuando que o treinamento psicanalítico tenha

atuado em mim como uma série de experiências luminosas de conversão. Não estava, quando entrei naquele treinamento, na estrada

para Damasco. Minha an lise e meus cursos não geraram a imaginação histórica que eu possa ter, estimularam-na. Os lucros advindos

de Freud vieram inesperadamente, de forma não dram tica, construindo sobre o que j estava ali. Depois de um tempo, tornaram-se nao

exatamente um vício, mas algo confort vel, espontâneo e natural.
É bastante justo acrescentar que, durante os anos de meu treinamento, adquiri não apenas um respeito saud vel pelos instrumentos para diagnóstico que minha profissão podia emprestar da psican lise, como também um sentido razoavelmente bem definido de suas

limitações. Algumas delas, estou persuadido, decorrem da preocupaJção quase exclusivamente clínica de seus praticantes; sou tentado a

dizer, a partir dos princípios da sua forte convicção sobre a interioridade. Não quero dramatizar em demasia a resistência dos psicanalistas a pessoas qualificadas de fora que lavram as suas idéias. Ao

contr rio, devo registrar, com gratidão, minha recepção pelo meu próprio instituto, como convidado do New York Psychoanalytic Instittite,

ou, na mesma direção, pela organização matriz, conhecida pela sua

abreviação como "the American", que foi sempre cordial e nunca

indulgente. Ainda assim, os psicanalistas provavelmente sejam tão impacientes com as realidades "objetivas" que encantam o historiador

quanto os historiadores desconfiam dos materiais misteriosos e indefiníveis do analista. E a maior parte dos psicanalistas dificilmente consegue suprimir as suas suspeitas sobre o que pensam, com um pouco

de aversão, como "an lise aplicada". 0 historiador psicanalítico deve

estar preparado para enfrentar quase tanto ceticismo dos seguidores

de Freud quanto de seus detratores.
0 processo de aprendizagem a que se submete o historiador en

quanto vai dominando o instrumental psicanalítico deveria, portanto,

se dar em mais de uma direção. A psicologia sp lig. deixada -Por

Freud. na ~Darti irtiv ícita em- W--s artiços. tem um Doder

exDIicativo de - longo alcance. Ra`snem Freud nem se-us-discípulos

cl~e-garam a desenvolvê-la completamente, e parece-me que o hi...io



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