Francisco Inácio da Silveira de Sousa Pereira Forjaz de Lacerda, mais conhecido por Francisco de Lacerda, nasceu na freguesia de Ribeira Seca do Concelho da Calheta em S



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VOTO DE CONGRATULAÇÃO

PELA VIDA E OBRA DE FRANCISCO DE LACERDA

Francisco Inácio da Silveira de Sousa Pereira Forjaz de Lacerda, mais conhecido por Francisco de Lacerda, nasceu na freguesia de Ribeira Seca do Concelho da Calheta na Ilha de São Jorge, a 11 de Maio de 1869 e faleceu a 18 de Julho de 1934. No próximo dia 18 decorrem, por isso, 75 anos sobre a sua morte.

Francisco de Lacerda estudou no Liceu da cidade de Angra do Heroísmo e frequentou o curso de Medicina no Porto, mas foram os seus dotes musicais que lhe deram o reconhecimento que o coloca entre as figuras mais relevantes da Música no nosso país e nos Açores.

Desde a sua tenra idade, quando apenas tinha 4 anos, recebeu as primeiras lições de música e piano. E, foi a paixão pela música que o levou a desistir do curso de Medicina. Em Lisboa, matriculou-se no Conservatório Nacional, onde terminou em 1891 o curso de piano e composição com elevada classificação, tendo sido de imediato convidado a ser professor dessa instituição.

Passados poucos anos, em 1895, mercê de uma bolsa de estudos do Estado Português, partiu para Paris, onde foi aluno dos mais ilustres mestres da época, em piano, órgão, chegando a director da Schola Cantarum.

Entre 1902 e 1913 Francisco de Lacerda vive os seus melhores anos, em termos da sua carreira artística internacional, dirigindo os Grandes Concertos Clássicos de Marselha.

Entre 1913 e 1921 regressou aos Açores por razões familiares, e instalou-se na casa do irmão, passando grandes temporadas na casa de veraneio no lugar da Fragueira, na costa sul de S. Jorge, a que hoje se tem acesso por trilho pedestre entre o Portal e a Fajã dos Vimes, e que tem sido objecto do empenho da Associação dos Amigos da Fajã dos Vimes, na divulgação desse lugar e da história de Francisco de Lacerda como uma referência.

Em 1921, de regresso a Lisboa fundou a Pró-Arte e a Filarmónica de Lisboa, projecto que por não ter sido bem acolhido, levou Francisco de Lacerda a regressar a França em 1925 onde retomou a regência da Schola Cantorum, com quem dirigiu a Paixão Segundo São João e a Paixão Segundo São Mateus, a Missa Solene de Beethoven, La Vida Breve de Manuel de Falla y Matheu e La Demoiselle Élue de Claude Debussy entre outras obras.

Em 1928, por razões de saúde, regressa a Lisboa onde fixa residência e tenta publicar o Cancioneiro Musical Português, mantendo-se activo até falecer em 1934, vítima de tuberculose pulmonar.

A produção musical de Francisco de Lacerda é variada, incluindo quadros sinfónicos, música de cena, música para bailado, peças para órgão, piano, guitarra, trios e quartetos de cordas.

São da sua autoria As Trovas para voz e piano, um conjunto de 36 peças que procuram reflectir a linguagem musical popular portuguesa e açoriana e, desde então têm sido interpretadas por diversos artistas.

Para além das obras musicais, foi um poeta de mérito, apesar da sua obra só muito parcelarmente ter sido editada. Os seus poemas são densos de sentido e sabedoria, como este que se intitula “É ter arte não falar”.

É ter arte não falar,
Quando se tem que dizer.
É como a não de olhar
P’ra aquilo que se quer ver.
Assim, nos termos estatutários e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista propõe a aprovação de um voto de saudação pelo percurso de vida de um dos mais ilustres filhos da Ilha de São Jorge e um dos nomes maiores da Cultura nos Açores, por altura da comemoração dos 75 anos da sua morte.
Horta, 7 de Julho de 2009

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