Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – Mas, quando eles estiveram, aqui, no Brasil, eles não conseguiram. O Sr. Carlos Ramos não os atendeu. Na época, e o Sr. Carlos alegou que estava em viagem para os Estados Unidos e não os atendeu. Vieram sete pessoas.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Isso lhe deixou mal?

O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – Muito mal.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V. S.ª afirma, no seu depoimento no Ministério Público Federal, que ele não tinha mais o interesse em atender esse grupo francês, tendo em vista que, naquele momento, já tinha fechado o acordo com o Picosoft e os parceiros coreanos.

O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – Eu soube, depois, que a empresa coreana que estaria atuando no Brasil, soube pelos jornais, soube que ele tinha conseguido uma nova parceria. Então, a minha suspeita é que ele já teria feito algum agreement com essa empresa internacional e nem atendeu a empresa que eu apresentei.
De sócios, Messias e Cachoeira viraram desafetos. O motivo? Um prejuízo de milhares de reais:
O SR. LUIZ PAULO – Quando, como e por que o senhor rompeu com o Sr. Carlinhos Cachoeira ou ele com o senhor?

O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – O rompimento definitivo, em que não nos falamos mais, foi quando veio esse grupo de empresários da França e ele não os recebeu. A partir desse momento, eu não falei e não atendi mais o telefonema dele.

O SR. EDSON ALBERTASSI – Sr. Messias, o senhor falou de uma promessa de sociedade com o Carlinhos Cachoeira. Que sociedade seria essa que não foi cumprida?

O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – Seria uma sociedade de participação na empresa Gerplan. Eu desenvolveria toda parte de... toda parte de... todo projeto e esse projeto entraria como parte do negócio.

O SR. EDSON ALBERTASSI – Qual seria a sua participação financeira nesse negócio?

O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – Minha participação financeira, eu... eu... entraria com toda parte de logística, com toda parte de implantação, toda parte de sistematização.

O SR. EDSON ALBERTASSI – O senhor pagou para entrar na empresa?

O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – Eu não paguei. Eu tive na verdade um custo, em torno de 250 mil reais, pra... pra... pra adquirir essa possibilidade. Eu perdi... eu perdi todo esse aporte aí que foi feito em pesquisa de mercado, em elaboração de projetos, tudo isso realmente foi um prejuízo.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor conhecia o Sr. Carlos Roberto Martins?

O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – Não.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor conhecia, teve relacionamento, contato, com o Sr. Alejandro Ortiz?

O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – Tive contato com ele numa feira de videogames, no Estádio do Ibirapuera, em 1998. E fiz um telefonema para ele, no início de 1999, quando fiz um trabalho de levantamento de mercado, de pesquisa de novos produtos. Foi quando fiz esse contato para que ele fizesse um teste em Goiás. Foram duas vezes: fiz um contato pessoal e um contato por telefone.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor conhecia, tinha relacionamento com a empresa Cirsa?

O SR. MESSIAS ANTÔNIO RIBEIRO NETO – Conheço a empresa Cirsa, mas nunca tive relacionamento, porque, no ano de 1999, acabei sendo exposto numa reportagem em que me imputavam como bicheiro. Sou empresário de informática, mas saíram algumas reportagens falando que eu era bicheiro. Na verdade, eu tinha desenvolvido um projeto para implantação de concurso de prognósticos e, em razão dessas reportagens, a Cirsa, que foi uma parceira do Carlos Cachoeira, não quis fazer nenhuma espécie de contato comigo, em função de terem me imputado como bicheiro.

O Presidente do Sindicato das Casas Lotéricas No Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Furtado de Araújo, depôs no dia 1° abril. A entidade presidida por ele reúne cerca de 750 casas lotéricas e foi convocada por ter ligação com o Consórcio Combralog, como explica o Presidente da Sincoerj:


O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Houve um determinado momento em que a Loterj divulgou que iria abrir em torno – se não me falha a memória – de mil casas lotéricas estaduais e que estariam sendo implantados os jogos on-line, no Estado do Rio de Janeiro. O Sincoerj encaminhou uma carta à Loterj, pedindo que nos ouvisse, uma vez que nós estávamos no Rio de Janeiro, com setecentos e poucas casas lotéricas, só que a nível federal, vinculadas à Caixa Econômica, e, para nós, seria péssimo que houvesse uma concorrência de mil novas casas lotéricas, só que a nível estadual. E esse pedido foi feito, uma vez até que a gente já trabalhava com produtos, dentro das casas lotéricas, da própria Loterj, que são as Raspadinhas, as loterias instantâneas. E fomos ouvidos e, naquela oportunidade a Loterj entendeu que era uma coisa viável, ser colocado isso dentro das casas lotéricas, ao invés de abrir novos pontos estaduais. Me parece que foi feita uma pesquisa pela própria Loterj onde ela inclusive foi que formatou a idéia ou justificou a idéia de realmente se usar as loterias e não se criar novas loterias estaduais.

A partir daí houve a licitação, houve a concorrência pública estadual e entrou esse consórcio e houve a negociação, no momento, no caso, entre sindicato e Combralog, da implantação propriamente do jogo porque existiu, vamos dizer, o contrato entre a Combralog e a Loterj, mas basicamente entre as casas lotéricas, não. Então, o que foi, vamos dizer, basicamente negociado nisso foi a questão do comissionamento dos jogos lotéricos e a parte que dizia respeito a seguro e segurança. Esse é um grande passo hoje da casa lotérica, junto ao Governo Federal, porque isso hoje é arcado pelas lotéricas, uma coisa que fica insustentável. No momento em que a gente estava tentando colocar novos produtos dentro das casas lotéricas não cabia também a gente deixar que ocorresse essa incumbência do pagamento de seguro e segurança por conta das lotéricas.

Então, em linhas gerais a negociação com a Combralog foi feita num determinado momento para vermos essa parte de comissionamento dos jogos, para as casas lotéricas, e a parte de seguro e segurança.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Quando foi, aonde foi e com quem foi à reunião do Sindicato que V. Sa. preside com a Loterj para que não efetivamente implementasse e instalasse mil novas casas lotéricas estaduais?

O SR MARCELO FURTADO DE ARAÚJO - Olha, se não me falha a memória foi por volta de abril, maio de 2002. Foi quando o Sincoerj procurou a Loterj no intuito de não deixar...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Com quem foi essa reunião? Aonde foi?

O SR MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Foi na Loterj com toda a diretoria da Loterj, com o Waldomiro e seus assessores, naquela oportunidade. Foi só com o pessoal da Loterj.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Especificamente eu peço a V. Sa para fazer um esforço e se lembrar: o Sr. Waldomiro e quem mais?

O SR MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Se não me engano, André Laranjeiras, Armando Dili, teve mais dois assessores dos quais não me lembro. Éramos seis pessoas no total. Eu, particularmente, só estive com o Waldomiro Diniz em duas oportunidades: foi nessa primeira, quando nós abrimos contato e pedimos para que não se colocasse mil pontos alternativos; e num segundo momento, quando do lançamento do próprio produto da assinatura do contrato com o Consórcio Combralog, onde esteve presente, inclusive, o Governo da Coréia, foi um evento feito aqui no Hotel Glória para o qual fomos chamados.

O SR. LUIZ PAULO – Perfeitamente. Só para ficar claro, o senhor entra em cena nessa negociação em março, com a licitação já feita, ou o edital ainda estava na rua?

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Não. Quando tomamos conhecimento a licitação já estava feita.

Marcelo Furtado admite que a parceria entre a Sincoerj e a Combralog – e conseqüentemente a Loterj – foi conturbada em função do edital mal feito.


O SR. LUIZ PAULO – Eu acho um ponto, no meu entendimento, sob o ponto de vista administrativo, errado. Porque ao fazer um edital, essa é uma questão que tinha que ser sanada antes de o edital ir para a rua porque é o percentual do comissionado. Porque essa tese de abrir mil novas casas lotéricas seriam mil novos “habite-se”, mil novas licenças. Isso demoraria séculos. Então, essa noticia no jornal é estranha para quem conhece a burocracia do que é abrir um negócio.

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Eu não estou entendendo... O posicionamento é o seguinte: acredito que feita a licitação e ganha por quem de direito, eu não sei, o percentual que diz respeito ao comissionamento da própria Combralog ou da própria Loterj, isso deveria estar dentro do edital. O que tem que ficar claro é o seguinte: o que o Sincoerj defendeu e lutou foi uma coisa posterior ao edital. Quer dizer, o que é da Loterj e Combralog não diz respeito a gente. Briguei pelo melhor comissionamento para a classe quando ele iria botar o jogo dentro da casa lotérica. Aí é o comissionamento que a Combralog estaria pagando a casa lotérica.
Mais adiante, o depoente falou de uma festa realizada no Hotel Glória, quando foi apresentado o sócio coreano do Consórcio Combralog:
O SR. LUIZ PAULO – O senhor falou aqui num evento no Hotel Glória, de assinatura do contrato da Loterj com a Combralog – o senhor falou agora para o Sr. Presidente. Quando é que foi esse evento no Hotel Glória?

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Foi em 2002, não sei se em junho ou julho.

O SR. LUIZ PAULO – Em torno de junho de 2002. Então, esse foi um evento oficial da Loterj?

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Não sei se foi da Loterj ou se foi da Combralog, não sei. Fomos convidados. Inclusive o governo coreano estava presente, foi um evento com pessoas importantes.

O SR. LUIZ PAULO – Esse é um evento importante. Junho de 2002, queria pedir um esforço de memória ao senhor. Esteve presente a Loterj, esteve presente a Picosoft através dos coreanos...

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Sim.

O SR. LUIZ PAULO -... Esteve presente a Capital e deve ter estado presente algumas figuras honoríficas na nossa sociedade.

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Ah, teve, muita gente.

O SR. LUIZ PAULO – Políticos eminentes, gestores etc. O senhor pode citar alguém proeminente que esteve presente nesse evento de junho de 2002?

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Político?

O SR. LUIZ PAULO – Por exemplo, governante, Secretário de Estado, figuras proeminentes do mundo político, uma efeméride dessas!

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Não, não lembro sinceridade agora, figura... Me lembro que foi comentado que a governadora estaria, estaria pessoas do governo, mas... Que eu me lembre não foi ninguém, não foi ninguém. Realmente, só teve no evento, que eu me lembre, os representantes da própria Loterj e representantes da Picosoft; alguns representantes do governo da Coréia e que eu me lembre, por alto, foi isso.
Inquirido pelo Deputado Paulo Melo, Marcelo Furtado revela que o fracasso do produto da Loterj não se deveu apenas ao erro do edital que deveria estipular o valor da comissão aos lotéricos. Segundo ele, o processo todo estava fadado ao fracasso:

O SR. PAULO MELO – Olha tem uma coisa que o senhor poderia me ajudar. certamente não entendi. Tenho procurado conversar com algumas pessoas que entendem do assunto. Temos que entender, aqui, que nessas licitações a Loterj não compra nada, ela não bota um tostão. Ela arrecada, inclusive, com essas licitações, porque é pago para ela. É como se fosse um royalty pela sua marca, todos os outros são franchise da Loterj, não é verdade? O que não consigo entender por que tamanha briga por um jogo e, depois mesmo do contrato assinado, outra briga por um jogo que, pegando o CIAFEN, a execução orçamentária, vamos ver que a loteria on-line, em 2002, não arrecadou nada quando já tinha uma previsão de R$ 10 milhões, se não me engano, pelo contrato. Em 2003, estava previsto no orçamento de dotação, apesar de dentro do contrato da Combralog ser de R$ 50 milhões, não é verdade, mas estava previsto R$ 35.597.272, 00. E foi arrecadado R$ 224 mil de jogo on-line. É uma discrepância mesmo que seja... é só dividir, porque se nós formos dividir por doze meses vai dar aproximadamente R$ 2 milhões e 900 mil por mês. Então, se fosse um mês só seriam R$ 2 milhões e 900, se fossem dois meses seriam R$ 5 milhões e 800 mil. Então, como podem R$ 35 milhões, que era o previsto, só para esclarecer ali a repórter da Tribuna da Imprensa, que lendo os seus lábios ela diz: R$ 2 mil e 900, não, eram R$ 2 milhões. O contrato original para que se arrecadasse era de R$ 35 milhões, previsto para 2003, se arrecadou R$ 224 mil. Se fôssemos dividir por doze se arrecadava R$ 2 milhões e 900 em um mês, dois meses... a única coisa que não consigo entender e aí o senhor é que poderia me explicar, por que tamanha briga? Por um negócio que não se efetivava, apesar dos pontos dentro de shopping, antes do contrato com as loterias, de vários pontos, de R$ 224 mil. Se somarmos que eram mil pontos, nós vamos descobrir que cada ponto rendeu R$ 24,00, ou melhor, R$ 224,00 – consertando aqui, porque foram R$ 224 mil – o senhor não acha que tem alguma coisa estranha nisso? Com a sua experiência de jogo, aí estou me permitindo aqui usá-lo, no bom sentido, como um assessor, como um entendedor, um assessor qualificado para que tenhamos um mínimo de condições de entender isso. O senhor não acha estranho isso? Quanto fatura a Caixa Econômica Federal? Eu peguei e é um absurdo. Mais do que está previsto no Orçamento.

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Deputado, raciocino assim: acho que esse, por exemplo... isso inclusive para nós das casas lotéricas foi, inclusive, uma decepção para nós, também. Eu acho foi um somatório de coisas nesse projeto que... acho que não funcionou.

A primeira situação foi a situação demorada para implantação do sistema. Houve problema das máquinas chegarem, houve o problema que só pôde ser instalado parte dos equipamentos, deu problema de sistema, no sistema de antena que eles colocaram, quer dizer, a linha caia muito durante o dia para processar jogos. Não houve uma divulgação maciça como é feito com a Raspadinha. O jogo não foi muito divulgado. Então, teve pouca aposta. Então, foi um somatório de coisas que possa ter resultado, vamos dizer, nesse volume, nesse fracasso. Na própria casa lotérica nós sentimos isso. Enquanto que, pô, a gente passa o dia inteiro fazendo jogo nas máquinas da Caixa Econômica Federal, a gente fazia, em média, dez, quinze, vinte jogos da Loterj. Eu torno a repetir, Deputado, eu tenho... o sentimento que a gente tem como casa lotérica, como empresário lotérico, no caso eu também tenho a minha loteria, o meu sentimento é esse. Acho que o projeto foi um projeto mal elaborado, os jogos lançados não foram jogos bons, não houve divulgação, houve problema de recepção, houve problema de equipamento, houve um somatório de coisas que acho que, de repente, foi isso que gerou essa situação de não chegar aos números que de repente vocês estavam prevendo.

O SR. PAULO RAMOS – Quantas casas foram abertas em função desse... No total? Eram mil, mas quantas foram?

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Em torno de umas 350, 400 casas, nem todas aderiram. Muitas loterias têm receio da própria Caixa Econômica, de ter algum tipo de retaliação. Então, preferiu não implantar.

O SR. DICA – Só queria perguntar ao Sr. Marcelo Furtado se nesse período de um, dois anos, o senhor percebeu, por parte do Estado, um investimento muito grande em publicidade? Aumentou muito a publicidade – rádio, televisão, outdoor? Os donos das casas lotéricas, o senhor principalmente, presidente do Sindicato, o senhor percebeu, nesses anos, um investimento muito grande de publicidade, por parte da Loterj, para esses jogos? Porque o senhor falou que caiu.

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – No caso da raspadinha, houve um crescimento muito forte na parte de propaganda, principalmente a televisada. Você, recebendo carro e aquela coisa toda. Isto teve um crescimento grande em 2001, mas, de 2002, para cá temos sentido que o marketing tem caído um pouco.

O SR. DICA – De 2002 para cá, não é?

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – É, em 2002 diminuiu.
Em seguida, o Deputado Luiz Paulo leu a cópia de um material que obteve na internet, relatando um depoimento do Presidente do Sincoerj na ocasião da festa do Hotel Glória.
O SR. LUIZ PAULO – “Já o Presidente do Sincoerj, Marcelo Furtado de Araújo, informou que a negociação com o Consórcio Combralog durou pelo menos um ano e quatro meses, sendo oficializada, após um acordo com relação ao seguro. Disse também, V. Sa., que espera uma ajuda do Consórcio no próximo mês, quando da renovação do Seguro. Hoje é o dia da adesão, disse o senhor. Somos 741 lotéricos em todo o Estado do Rio de Janeiro e precisamos de, pelo menos da adesão de 50% da classe. Precisamos estar unidos para dialogar com a Caixa. Vocês têm que tirar da cabeça que a rede é da Caixa. A rede é nossa e podemos vender o que quisermos. A sentença da Justiça garante. Marcelo disse ainda acreditar que, no futuro as lotéricas serão transformadas em lojas de conveniências.”

Essas são suas palavras. Então, em relação as suas palavras assinalei aqui que o senhor esperava uma ajuda do Consórcio no próximo mês. Gostaria que esclarecesse que ajuda seria essa?

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO – Uma coisa é certa: o que foi colocado aí, 99% do que está dito aí, realmente, comentei. Principalmente no que diz respeito à situação, foi comentado aqui anteriormente, porque as próprias casas lotéricas estavam tendo o receio de aderir ao plano, em função do problema da Caixa Econômica Federal. Então, a gente estava pedindo a adesão de pelo menos 50%, para poder startar o projeto e ter viabilidade isso. E, na realidade, naquele momento, não se chegou nem a 50%; teve uma adesão, parece, que de 150 lotéricas.

O SR. LUIZ PAULO – Eu estava só querendo saber qual era essa ajuda que o Consórcio ia lhe dar, mas o senhor não lembra, então me deixe continuar. Agora não é o senhor que está dizendo, agora é um informe: “O diretor de marketing da Combralog, senhor Marcelo Bosque, informou que Picosoft, a empresa que tem o sistema mais desenvolvido do mundo e que a capital é a que mais cresce no ramo de loteria do Brasil. Estamos operando com alguns diferenciais tecnológicos, com o sistema GPRS, tecnologia dos celulares, que transmite dados sem fio. Além disso, a Chance Dupla...” - o jogo que o senhor havia esquecido – “vai sortear um carro por semana para os perdedores. O Ganha Mais passou a ter dois sorteios diários, sendo o primeiro às quatorze e o segundo às dezenove horas. Esses diferenciais darão mais atratividade para os jogos. Mas a grande novidade apresentada pela Combralog foi a possibilidade de começar a operar em dois meses, mais dois novos jogos - dois com mais dois, quatro, que fecha com os seus quatro - o instantâneo on-line Keno, com sorteios a cada cinco minutos e um jogo tipo bingo, com sorteio imediato e o resultado nos pontos de venda.”

Aí, vem o objeto da última pergunta. “Durante o evento, também foi apresentada pela agência MF5 Comunicação, a campanha publicitária dos dois novos jogos, onde os conceitos serão: se um é bom, dois é bom demais, aposte que o Rio dá sorte e tudo o que é bom merece bis.” Essa empresa, Agência MF5 Comunicação, que estava no mesmo evento que o senhor, ela era contratada pela Combralog?

O SR. MARCELO FURTADO DE ARAÚJO - Eu acredito que deva ser a empresa que fazia a parte de marketing da Combralog, que deve estar vinculada, no caso, ao Sr. Marcelo Borges Quintal. Acho que deve ser essa empresa. Na realidade, quando nos foi apresentado, o que tivemos para conversar a respeito de qual era a melhor idéia de fazer a divulgação dos jogos e tudo mais, a princípio como uma pessoa que fazia parte do Consórcio. Agora, não sei se essa pessoa fazia parte da diretoria ou se estava vinculada a uma determinada empresa.

O depoimento seguinte foi da funcionária da Loterj Fátima Farias Fonseca, que participou de vários processos licitatórios durante a gestão de Waldomiro Diniz, na Loterj. A servidora disse que, na verdade, desde 1988, periodicamente, de acordo com a Legislação, fez parte de comissões de licitação, ou como membro ou como presidente.


A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – No primeiro contrato da Hebara, num período, eu não sei precisar... eu participei como membro, tenho certeza, como presidente não lembro. Esse último da Combralog, eu participava, num período também, eu participava, não na fase final, na fase inicial, eu participei como membro, sendo presidente substituta (...) Combralog. Combralog, eu participei como membro até a fase de divulgação do edital, a fase de ir para o Tribunal de Contas, a aprovação do edital, onde a administração, na ocasião, me substituiu, ficando outra comissão. Eu não acompanhei o término e eu somente participava do ato público. Não da realização do edital, porque existia uma assessoria especial que fazia o edital. E o processo vinha instruído. Eram realizadas licitações. Eu participava de ato público.

Neste ponto, a servidora revela que as licitações da Loterj já chegavam prontas à comissão. Prática, segundo ela, comum na autarquia, principalmente em licitações com objetos distintos, como o da Combralog:


A SRA. FÁTIMA FARIA FONSECA – Eu sou... participei desde a confecção do edital. Não participei “da” confecção do edital.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas, a senhora era membro da comissão de licitação.

A SRA. FÁTIMA FARIA FONSECA – Exato. Mas nesses casos específicos...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O edital já ia pronto?

A SRA. FÁTIMA FARIA FONSECA – O edital já ia pronto por assessoria especial, alguém designado pela administração.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas, V. Sa. entende, e entenderia na época, que essa função seria da comissão de licitação?

A SRA. FÁTIMA FARIA FONSECA – Em licitações... Periódicas, em licitações, é uma função da comissão de licitação. Mas, quando tratava-se de objetos distintos, onde a comissão não tem conhecimento técnico para análise do edital, à comissão cabia tão somente analisar a documentação de habilitação.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, a pergunta é o seguinte: dentro desse processo (COMBRALOG) a senhora caminhou. E foi trocado seu nome. Por que, naquele momento, retiraram seu nome?

A SRA. FÁTIMA FARIA FONSECA – É uma resposta que eu não...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Qual foi o desencontro que aconteceu para que pudessem estar tendo a necessidade de mudar o seu nome da comissão?

A SRA. FÁTIMA FARIA FONSECA – Isso é uma coisa que eu já não sei dizer por que cabe à administração, a qualquer momento, substituir membro ou nomear novos.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas, a senhora sabe, porque alguém deve ter lhe chamado e dito: “Vou nomear a senhora para uma comissão de licitação de um contrato de 168 milhões de reais. Você vai fazer parte da comissão de licitação num contrato de 168 milhões de reais”.

Na hora que for excluída, também terá uma satisfação. Tipo: “Estou lhe tirando daqui porque V.Sa. não está sintonizada com os nossos interesses”. Alguma justificativa devem ter-lhe dado, ou essa comissão era pro forma, não tinha valor nenhum?


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