Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Olha, para o gabinete do Deputado, sim. Ele me pediu uma vez ou duas que eu ligasse para o gabinete do Dr. José Dirceu.

O SR. PAULO MELO – Dr. Marcelo Sereno?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Dr. Marcelo Sereno fazia parte do Governo na época.

O SR. PAULO MELO – No tempo em que a senhora estava, lideranças do Governo do Estado ligavam? A senhora tinha ligação de pessoas do Governo do Estado? Dos dois Governos?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não, não; lideranças não.

O SR. PAULO MELO – Atendeu do Governador Garotinho?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Do Governador Garotinho era através da linha vermelha e era contato deles...

O SR. PAULO MELO – De chefe de gabinete do Governador Garotinho também não?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Sim, chefe de gabinete, sim.

O SR. PAULO MELO – Da Governadora Benedita?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Sim.
Assessora fiel, Ana Cristina trabalhou com Waldomiro Diniz até o escândalo estourar. Ocupou um cargo de assessoria na Chefia do Gabinete Civil da Presidência da República, em Brasília.
A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - O Sr. Waldomiro Diniz, me convidou para continuar a minha função de assessora, chefe de gabinete.

O SR. PAULO MELO – A senhora foi chefe de gabinete dele?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Dele, agora, na Subchefia de Assuntos Parlamentares.
Na Loterj, Ana Cristina disse que Waldomiro Diniz se cercou de um grupo pequeno de pessoas de confiança, mas sem nomeá-las na estrutura formal da autarquia. Waldomiro usou para remunerar seu pessoal um subterfúgio ilegal: o pagamento de complementações salariais e até mesmo a contratação direta por terceiros, através da Fundação de Alta Tecnologia de Petrópolis (Funpat) e da Giovanni, respectivamente. Armando Dili, era um dos consultores “particulares” de Waldomiro Diniz, contratado pela Giovanni, inicialmente.
A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Era como se fosse, assim, um consultor, uma pessoa, um assessoramento.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Era oficial isso? Era uma consultoria oficial? Como é que funcionou essa consultoria?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não, não era oficial. Ele não era nomeado no Governo.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, era uma assessoria pessoal do Waldomiro Diniz. Seria isso?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Sim, ali, para a Loterj.
José Luiz Quintães também tinha o status de “homem do Presidente” dentro da autarquia:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Qual era a função dele lá?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Ele tinha uma função também de uma consultoria.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas essa função era oficial, não?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não. Não era oficial.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Também não era oficial?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não.
Durante o depoimento, Ana Cristina Sena mostrou porque se tornou pessoa de confiança de Diniz. Em nenhum momento disse qualquer coisa que pudesse comprometer ou colocar em risco o destino do ex-chefe. Mesmo diante de inquisidores experientes, NÃO e NUNCA foram as palavras mais repetidas por ela:
O SR. PAULO RAMOS – Muito bem. A senhora era uma pessoa, obviamente, da confiança do Sr. Waldomiro Diniz. Em nenhum momento a senhora tomou conhecimento de tratativas dele em relação a apoio financeiro para campanhas eleitorais?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não.

O SR. PAULO RAMOS – Nunca tomou conhecimento, nem ouviu?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não, nunca ouvi, nunca tomei conhecimento.

O SR. PAULO RAMOS – Ele nunca falou que tinha essa responsabilidade, também...

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não.

O SR. PAULO RAMOS –... de cuidar de arrecadar recursos?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não, nunca.

O SR. PAULO RAMOS – Para campanha eleitoral?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não, nunca.

O SR. PAULO RAMOS – A senhora tem vínculo com algum partido político?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não, senhor.

O SR. PAULO RAMOS – Não foi. E qual o vínculo, a senhora falou do pessoal da igreja, qual o vínculo político do Sr. Waldomiro Diniz? Ele tinha ligação com partido político efetivamente?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não, que eu saiba ele nunca foi filiado a partido nenhum.

O SR. PAULO RAMOS – Não foi filiado.

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Não.
Quase no fim do depoimento, Ana Cristina disse que as relações entre Waldomiro e Marcelo Sereno eram próximas...
O SR. PAULO RAMOS – Então, como a senhora sabe que havia um relacionamento do Sr. Marcelo Sereno com Waldomiro Diniz.

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Porque, às vezes, fiz ligações.

O SR. PAULO RAMOS – Para?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA - Para o gabinete do Dr. Marcelo Sereno.
O depoente seguinte foi o Sr. Amaro Sérgio Santos Rios, que também exerceu a Chefia de Gabinete de Waldomiro Diniz na Loterj. Ele admitiu, sem constrangimentos, que era “funcionário fantasma”, que aparecia na empresa, como ele mesmo disse, esporadicamente. Amaro, que é corretor de imóveis, assumiu o cargo por indicação do PL

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIOS – Eu fazia o que o Presidente pedia: “ – Você venha aqui esporadicamente”. Ele centralizava tudo no gabinete.
O depoente é um exemplo acabado do que se deve combater no serviço público Como não dava expediente da Loterj, Amaro, para Waldomiro Diniz, também não atrapalhava ou, muito menos, colocava em risco o esquema em vigor.

O SR. LUIZ PAULO – Sr. Amaro, só para sermos precisos, o que é esporadicamente: é ir assinar o ponto e, eventualmente, quando o presidente lhe chamava?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO – Perfeito.

O SR. LUIZ PAULO – E esse eventualmente para o qual o presidente lhe chamava era uma vez por mês?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO – Tinha semanas em que eu estava lá uma vez, não no horário integral. Tinha semanas em que ele não me chamava. Quer dizer, eu atendia ao presidente. Quando ele me chamava, eu ia lá, mas não tinha nenhum contato direto com ele, simplesmente com as pessoas que eram subordinadas a ele.
A má conduta funcional de Amaro Rios, com conhecimento e aquiescência da presidência, mostra que Waldomiro Diniz tinha uma estrutura própria para levar adiante seus projetos escusos na Loterj:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V. Sra. indo lá esporadicamente, iniciando seu depoimento dessa forma, significa, e tenho certeza de que vai ser nessa linha, que tudo o que viermos a lhe perguntar V. Sa. não tem conhecimento, tendo em vista que ia lá esporadicamente.

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIOS – Perfeito.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, não sabe dos contratos, das licitações, não sabia de nada.

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIOS – Não assinei nada, não sabia de nada.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Quem abonava seu cartão de ponto era, diretamente, o Sr. Waldomiro Diniz?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIOS – Acredito que sim, ele como presidente, né?

O depoimento de Amaro foi polêmico. Além de admitir que assinava o ponto e não trabalhava, ele afirmou que pediu exoneração por ganhar pouco:


O SR. PAULO RAMOS – O senhor lembra quanto o senhor ganhava na Loterj?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIOS – Três mil e quinhentos reais.

O SR. PAULO RAMOS – Quanto?!

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIOS – Três mil e quinhentos reais.

O SR. PAULO RAMOS – O senhor tinha o compromisso de repassar parte deste salário para algum esquema?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIOS – Meu salário era pouco, Excelência.

O SR. PAULO RAMOS – Três mil e quinhentos?! O senhor prestava serviço...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O salário era pouco?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO - Para mim era pouco.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Para não trabalhar? O senhor tem essa cara-de-pau de vir a CPI falar um negócio desse?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO - Estou dizendo...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Você está de brincadeira com esta CPI?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO - Eu não estou de brincadeira com o senhor, estou falando sério.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Dizer que ganha 3.500 para não trabalhar...

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO - Eu pedi para ser exonerado porque eu estava ganhando pouco, Excelência.

O SR. PAULO RAMOS – O senhor, em função desse salário, prestava serviço em algum outro lugar para quem o nomeou?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO - Assessorava o meu Deputado.

O SR. PAULO RAMOS – Então, o senhor assessorava qual Deputado?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO - Deputado Carlos Rodrigues.

Como não trabalhava, dava espaço para que as pessoas próximas a Waldomiro ocupassem a cena:


O SR. PAULO RAMOS – Quem o substituía como chefe de gabinete? Quem é que prestava esse serviço, esse assessoramento de chefe de gabinete na sua ausência?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO - A secretária Ana Cristina.

O SR. PAULO RAMOS – A secretária...?

O SR. AMARO SÉRGIO SANTOS RIO - A secretária dele que fazia o trabalho.

Nos depoimentos dos senhores Maurício Silveira Nogueira, Vice-Presidente da Giovanni, e Gustavo Carvalho de Oliveira, Diretor de Atendimento, os membros da comissão mostraram estranheza diante de alguns fatos ligados a sistemática de veiculação de peças publicitárias da Loterj.

A empresa, segundo os depoentes, vem trabalhando para o Governo do Estado desde 1982. A primeira licitação pública ganha foi na administração Leonel Brizola. O processo em discussão, no entanto, se iniciou em 1999. De acordo com Maurício Nogueira, em 2001 houve um novo processo licitatório no Governo e a Giovanni foi, novamente, uma das agências vencedoras. O valor desse contrato era de R$ 18 milhões e mais a verba específica da Loterj.

O Diretor de Atendimento da Giovanni disse que a Loterj havia aplicado cerca de R$ 24 milhões na administração Waldomiro Diniz e admitiu que foi gasto mais no ano de 2002:


O SR. GUSTAVO CARVALHO DE OLIVEIRA – Acredito que em torno - digamos que foram R$ 24 milhões - de uns R$ 10 milhões, em 2001 e R$ 14 milhões, em 2002, ou R$ 11 milhões e R$ 13 milhões, respectivamente. Não foi tão díspar uma coisa da outra, mas foi um pouco maior, sem dúvida nenhuma, a de 2002.

O SR. PAULO MELO - Como o senhor explica esse grande aumento de gastos com publicidade de um ano para o outro?

O SR. - Deputado, desculpe. Falei que tinha aumentado, que imaginava alguma coisa em torno de 40% - tanto que falei que eram vinte e cinco milhões e está batendo em vinte e seis milhões, como o senhor falou. Desculpe, eu não tinha esses dados, mas eu falei efetivamente que tinha aumentado, porque eu sei.
Os publicitários alegaram que o aumento se deveu a um trabalho de reforço na imagem do produto “Raspadinha”.
O SR. - Essa, pelo menos, era a nossa estratégia. O aumento de investimentos nesse período se deu porque era a estratégia de se fazer mais trabalho da Loterj, de divulgar os produtos. A publicidade é um dos instrumentos para aumento de venda da Raspadinha; tem distribuição, tem a concorrência da Caixa Econômica Federal. A informação que tínhamos em relação à Loterj é a de que ela teria dobrado o faturamento no período de um ano – não especificamente no produto Raspadinha, mas que a receita da Loterj teria saído de uma faixa de cinco a seis milhões para uma faixa de dez a onze milhões. Essa é a informação que tivemos na época, onde a gente recebeu os dados da Loterj. Se o senhor perguntasse se aumentou em 10% a Raspadinha, eu diria que não tenho esse dado. Tínhamos um dado maior; pelo menos nos foi passado um dado maior. Isso pode ser visto como uma defesa dos trabalhos da Caixa Econômica Federal, que foram muito violentos – a Caixa atacou muito a Raspadinha -, e o próprio problema de distribuição.

O SR. PAULO MELO – Em 2001 foram gastos, como já disse ao senhor, dez milhões. O senhor disse que, a partir de junho de 2001, houve uma participação maior para valorizar a Raspadinha. Mas em 2003 gastaram doze milhões. A Caixa Econômica se tornou menos forte, menos concorrente, menos audaciosa em 2003?

O SR. - A estratégia de trabalho da Loterj em 2003 foi diferenciada, porque mudou a diretoria.
Mais adiante, os relatores, questionam os depoentes sobre a preferência de se trabalhar apenas com a empresa JOB na colocação de outdoors:
O SR. PAULO MELO – Agora, como o senhor explica ser a JOB a segunda maior destinatária de recursos da Loterj?

O SR.  - Porque nós deslocarmos... o resto ficou muito parcelado, muito dividido. Por exemplo, rádio, fazemos diversas rádios. Então, a mídia rádio, quando você junta tudo, ela, certamente, é maior do que o investimento que fazíamos em outdoors. Televisão a mesma coisa, jornal a mesma coisa. No caso específico da JOB, concentramos o trabalho na JOB por algumas razões:

(EM OFF) O SR. - Critério técnico.

O SR. - É. Primeiro, o critério técnico. Eles tinham bons pontos. Segunda razão, a negociação. Fizemos um levantamento sobre os pontos que eles colocaram e os valores que eles cobraram. Temos descontos médios de 20 a 30% dos valores, dependendo do período, alguns descontos mais baixos, outros descontos mais altos, descontos sobre a tabela da Central de Outdoors...

O SR. - Além disso, nós trabalhávamos com uma coisa que a gente chama de "aplique". Para quê? Para dar mais impacto. Os senhores devem conhecer, é isto aqui. Este trabalho é um aplique, e o aplique...

O SR. - O outdoor com aplique, e o aplique tem um custo extra. O aplique tem um custo extra. Nós fazíamos um pouco mais da metade, norma, nós fazíamos um pouco mais da metade, nós fazíamos na faixa de setenta apliques, dos cento e vinte, setenta com apliques. Temos, inclusive, o material todo com fotografias de uma boa parte desse material, que a gente vai deixar em poder da CPI.

O SR. LUIZ PAULO – E estou dizendo o que li da auditoria do Tribunal de Contas. O Sr. Waldomiro Diniz tomou posse na Loterj em fevereiro de 2001. Tenho aqui todos os pagamentos que o senhor efetuou à JOB, mas o senhor mesmo acabou de dizer que, em junho de 2001, o senhor começou a operar com a JOB, antes o senhor não operava, na Loterj.

Os senhores operaram com a JOB nos anos de 2001, 2002 e 2003. Por volta de meados de 2003, em julho, por aí, salvo falha de percepção de ver ponto por ponto da lista de faturamento, a JOB sumiu de circulação. Bem, então, essa escolha da JOB porque deu uma redução de 10 a 20% não é um critério pertinente.

Então, eu queria entender exatamente por que a JOB? Por que somente a JOB? Aí vem a segunda pergunta: Como os senhores faziam, mesmo que fosse por amostragem, o controle de exibição?

O SR. - Deputado, a tabela de preços é o que rege a relação do mercado. Eu tenho a empresa, a Central do Outdoor, que tem as tabelas de preço; essas tabelas são distribuídas por todas as agências e é uma tabela pública e, a princípio, eu não posso chamá-la de fictícia. Ela pode ser objeto de negociações. Agora, eu desqualificar a Central de Outdoor, como a tabela da Central de Outdoor, eu não posso fazer isso.

Por que a JOB? Por que ela? Bons pontos, sim, e outras empresas também têm bons pontos, não tenho a menor dúvida quanto a isso, confiabilidade, porque nós checamos os pontos e vimos que os pontos estavam bons, - depois eu falo como foi a checagem - então é um outro elemento importante. Era uma empresa que nós conhecíamos há vinte anos de mercado, porque nesse mercado de outdoor existem muitas empresas e existem empresas. V. Exa. conhece bem.
O argumento de que a JOB recebia com atraso e, portanto, era a empresa ideal para se associar a Loterj, no entanto, foi desmontado.
O SR. PAULO MELO – A JOB era uma privilegiada. O maior atraso acontecido na JOB, na planilha da Loterj, foi de 33 dias. No que a Loterj bota de pagamento. Tenho que acreditar no que a Loterj diz aqui. No período eleitoral, depois e não é. De abril a novembro de 2002, a Job praticamente recebeu contra-apresentação da duplicata. Está aqui. Em fevereiro, recebeu em 01/04; recebe o mês vencido. Terminou o mês e, pelo menos, está aqui: pagamento e a data a ser feito.

O SR. – Fevereiro de quê?

O SR. PAULO MELO – Fevereiro de 2002. Recebeu em 01/04. E março, recebeu em 04/04. Ora, se o mês termina em março, recebeu com 30. Está aqui a data do vencimento. Em abril, recebeu no dia 14/05; em maio, recebeu no dia 04/06. Em junho, no dia 01/07; em julho, no dia 02/08; em agosto, recebeu no dia 02/09. Então, a JOB era uma privilegiada. O risco de que o preço era alto, porque todos nós sabemos que logicamente há um encarecimento quando você trata da questão "risco do negócio". Isso, em qualquer ramo de atividade. Agora, que pode ter tudo: pode ter risco de quebrar, de incêndio, agora de pagamento não. Só uma pergunta – porque não ficou esclarecido – para terminar, Sr. Presidente: a JOB não começou trabalhando para a Loterj. Ela entrou na Loterj, se não me engano, no mês de junho de 2001.

O SR. GUSTAVO CARVALHO DE OLIVEIRA – Julho de 2001.

O SR. PAULO MELO – E antes a Giovanni fazia outdoors com que empresa?

O SR. GUSTAVO CARVALHO DE OLIVEIRA Normalmente não fazia outdoors. Porque a Loterj mudou – volto a afirmar – a estratégia de marketing dela, com a entrada da nova diretoria, que reviu o marketing para que refizéssemos... Nós lançamos vários produtos. Por exemplo, esse produto...
Outra questão levantada e que criou dúvida entre os membros da CPI foi a relação entre a empresa Tecnovision e a Loterj, justamente num ano eleitoral.
O SR. PAULO MELO Mas o senhor conhece a empresa Tecnovision Comunicação e Design?

O SR. - Conheço e já fizemos alguns trabalhos com ela.

O SR. PAULO MELO – Mas ela não prestava serviço para a Loterj antes. Pelo levantamento que nós temos, em 29/05/2002 foi paga a primeira parcela de R$148.233,09.

O SR. - Fazia parte.

O SR. PAULO MELO – Antes não tem na prestação de contas...

O SR. - Porque esse tipo de produto era um produto novo no mercado. Era um produto onde você tinha uma mídia diferenciada, era uma mídia diferente que você entrava em shopping centers, entrava em outros locais. Não era um produto regular do mercado. Ele fazia meio o papel de imobiliária urbana, pelo menos nós não tínhamos conhecimento, fomos apresentados.

O SR. PAULO MELO – Mas não continua fazendo em 2003.

O SR. - Porque as verbas reduziram. Nós fizemos um outro tipo de trabalho, nós reduzimos bastante a verba.

O SR.ANDRÉ CORRÊA - Eu pude observar aqui que essa Tecnovision foi contratada por vocês apenas no dia 29/05/2002 até 07/11, ou seja...

O SR.GUSTAVO CARVALHO DE OLIVEIRA - Foi um período curto no governo da Benedita.

O SR.ANDRÉ CORRÊA - E foram gastos 527 mil Reais, com a Tecnovision.  A minha pergunta é se continua esse tipo de serviço sendo prestado?

O SR.GUSTAVO CARVALHO DE OLIVEIRA - Imagino que não, Deputado, eu não me lembro. Acredito que não, acredito que ia parar, porque com a mudança...

O SR.ANDRÉ CORRÊA - O que me chamou atenção é que foi um período muito curto...

O SR.GUSTAVO CARVALHO DE OLIVEIRA - Perfeito. Foi um período curto.

O SR.ANDRÉ CORRÊA -... E justamente no período de um governo também que foi curto, por isso que eu estou perguntando.
Quase no fim do depoimento dos publicitários, o Deputado Dica perguntou quem era a pessoa com quem a Giovanni tratava na ausência de Waldomiro Diniz. O Diretor de Atendimento afirmou ser Ana Cristina:
O SR. DICA – Com a D. Ana Cristina?

O SR. GUSTAVO CARVALHO DE OLIVEIRA - Ana Cristina, bastante. Ana Cristina era a secretária do Dr. Waldomiro, era o braço direito, trabalhava todo dia. Quando o Dr. Waldomiro não estava ela deixava alguns recados, marcávamos para encontrar com ela. Ela era presença constante no processo. Para passar para o Dr. Waldomiro, passava por ela.
Em seguida, foi ouvido o sócio de JOB, Luiz Carlos Santos de Souza, empresa que fixará os cartões de LOTERJ, através da Giovanni e que faturava entre R$ 110 a 115 mil / mês, tirando a comissão da agência
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Qual era a arrecadação mensal da JOB em relação a esses serviços?

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA – Tirando a comissão de agência, 115, 110 mil reais, quando tinha, por mês.
O empresário disse que, ao contrário que se cogitou, foram fixados todos os cartazes. Ele disse que tinha como provar, já que é feita uma auditagem, com fiscais visitando os outdoors:
O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA - O sistema de controle geralmente é feito através de fotografia. Também tem o pessoal das agências que saem com equipe nossa. Além de tudo, a JOB tem por prática terceirizar isso, que é um fotógrafo que eu pago todo mês. Independente de qualquer cliente, ele tem que fotografar o trabalho. Então, eu terceirizo a minha colagem e, às vezes, a agência, para testar, sai conosco para fazer um check-in, para ver os melhores pontos.
No fim do seu depoimento, Luis Carlos Santos de Souza contestou as informações dos representantes da Giovanni e garantiu que não era o único a fixar outdoors para a Loterj:
O SR. LUIZ PAULO – Sim, mas no caso específico no ano de 2001, 2002 e 2003, o senhor foi a única empresa que foi contratada.

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA - Me parece que não, Deputado, já vi outros cartazes colados aí pela rua.

O SR. LUIZ PAULO -... Nas relações da Loterj, que tanto eu quanto o Deputado Paulo Melo possuímos, não consta o nome de outra empresa a não ser a JOB. Então, estou me respaldando nos relatórios oficiais. Mas, então, o senhor acha que não era o único.

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA - Com certeza.
O depoente seguinte foi o Senhor José Luiz Amaral Quintães, que prestou serviços à Loterj entre março de 2001 e dezembro de 2002. Ele disse que foi cedido ao governo do Estado, pela Caixa Econômica Federal, por solicitação do então Governador Anthony Garotinho. Quintães informou que, inicialmente, trabalhou na qualidade de assessor. Depois, assumiu a função de consultor da Loterj.

Quintães disse que conheceu Waldomiro Diniz em fevereiro de 2001. Assim que começou a trabalhar na autarquia, ele foi instruído a se cooperativar na Funpat:




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