Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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Sr. Presidente, estou sendo chantageado. Fui chantageado. Me desculpe a emoção.
Na verdade, a gravação revela que servia para os dois propósitos. Um dos possíveis resultados objetivos dessa manobra foi a desistência da empresa GTech em participar da licitação da “Loteria de Prognósticos”. Com isso, conseguiu, também, que ela restringisse sua ação a Caixa Econômica Federal, deixando para a Combralog de Carlos Ramos o rentável e inexplorado mercado on-line nos Estados. Carlos Ramos queria também, de Waldomiro Diniz, que a Combralog tivesse o controle dos jogos de vídeo-loteria dentro dos Bingos.

Carlos Ramos até apostou, mas não levou: o objetivo não foi alcançado, provocando, provavelmente, a ruptura da parceria Diniz - Cachoeira. Os depoimentos prestados ao Ministério Público Federal por Carlos Cachoeira, por Messias Ribeiro Neto e, principalmente, por Carlos Martins são reveladores – mesmo que alguns deles não tenham sido repetidos nesta CPI. De qualquer forma, mostram, didaticamente, o inicio da operação das atividades ilegais do jogo do bicho do grupo, partindo de Goiás, com sua disseminação pelo país até os dias de hoje.

Eles, nos papéis de protagonistas, também respondem pelo início da operação de funcionamento da rede de máquinas caça-níqueis no Estado. Os depoimentos revelam, ainda, o envolvimento e as divergências entre Carlos Cachoeira e Alejandro Ortiz, bem como a posterior reaproximação entre eles, tendo como possível pólo aglutinador, nada mais nada menos do que a figura de Waldomiro Diniz, com o inestimável apoio de José Renato Granado, que, segundo ele, fazia o meio de campo entre eles e Ortiz e os Bingos.

Evidencia-se, também, a conivência entre Waldomiro e esses parceiros do bingo, quando se confronta tais fatos com a forma açodada com que Waldomiro Diniz autorizou o funcionamento de 13 (treze) novos bingos. Isso demonstra claramente o processo de corrupção nessa área de controle dessas casas de jogo.



Vale, mais uma vez, lembrar que no depoimento de Luiz Eduardo Soares, o corruptólogo teria alertado que Diniz manipulava uma azeitada máquina de corrupção, que rendia ao então presidente da Loterj R$ 300 mil por mês. A fonte dessa receita? Os bingueiros do Estado do Rio de Janeiro.
Há de se destacar que nos autos, mantidos sob sigilo de justiça, encaminhados a esta CPI pela Justiça, existe uma Carta Rogatória enviada pela Corte Italiana. O documento revela a existência de uma relação nítida e carnal entre o tráfico de cocaína e heroína, em Roma, e a lavagem de dinheiro no Brasil, numa conexão milionária entre a máfia Italiana e os detentores do “Jogo”, no Brasil.

Os documentos da Justiça Italiana citam personagens e empresas (Gerplan e Cirsa, por exemplo) que, de forma direta ou indireta, podem ser arroladas pelo Ministério Público no curso desta investigação.
É importante ressaltar ainda que Waldomiro Diniz usou o poder de seu cargo para captar recursos para campanhas eleitorais. Ele mesmo afirmou isso, quando, em seu depoimento, disse ter conseguido R$ 100 mil para a campanha, em 2002, do candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Geraldo Magela. E deu detalhes: disse que repassou pessoalmente o dinheiro, em cinco cotas, para o tesoureiro da campanha, Paulo Guilherme Waisros - três vezes em Brasília e duas no Rio:
O SR. WALDOMIRO DINIZ – Confirmo. Sr. Presidente, eu vim aqui para dizer a verdade. Eu não vou fugir. Esta declaração foi dada espontaneamente. Eu não fui pressionado para dar essa declaração. Eu não posso, amanhã, perante a sociedade, perante meus filhos, ser flagrado, de uma forma ou de outra, recebendo dinheiro da mão desse senhor sem explicação. Ele deu. E deu da seguinte forma: “Quero dar. Quero contribuir com a campanha do Magela.” Foi isso que aconteceu, Sr. Presidente. Eu falei a verdade.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E, efetivamente, onde ele lhe entregou esse dinheiro? Foi aqui na Loterj?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Não. Aconteceu entre cinco ou seis vezes. Não posso precisar a V. Exa.. Quero ser sincero porque isso não constou da minha agenda. Isso foi duas ou três vezes em Brasília, duas vezes aqui. E isso... Quero também fazer justiça de que não teve contato com o Sr. Geraldo Magela. Não foi apresentado ao Sr. Geraldo Magela. Não teve nenhum contato, nenhum compromisso com o Sr...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A quem o senhor efetivamente entregou o dinheiro da campanha do Sr. Magela?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Ao tesoureiro da campanha.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Lembra o nome?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – De nome Paulinho.
Neste ponto, fica uma dúvida: será que Waldomiro pediu recursos para outros empresários? Esses recursos chegaram aos seus destinos? Chegaram de forma legal? De qualquer maneira, o procedimento flagrado pelas lentes de Carlos Ramos demonstra que Waldomiro Diniz, pelas relações que havia conquistado e pelo poder que dispunha à época, pode ter sido um eficiente captador de recursos financeiros para campanhas políticas.

Verifica-se em matéria publicada pelo Correio Brasileense, em março de 2004, que Waldomiro e sua esposa Sandra, compraram em nome de sua sogra, Maria do Carmo Cincci, um imóvel de quatro quartos, na SQS 202, em Brasília, por R$ 290 mil, pagando em espécie, entre fevereiro e março de 2002 (época das campanhas eleitorais). Qual seria a origem de tais recursos?

Antes mesmo de a Revista Época publicar a matéria com a gravação de Carlos Ramos e Waldomiro Diniz, o Ministério Público Federal já apurava os indícios de atos lesivos ao Poder Público, praticados no Brasil, envolvendo os “capos” do jogo ilegal no Brasil. Os Procuradores já haviam recebido da Justiça Italiana, documentos (Carta Rogatória do MP Italiano), com graves denúncias, ligando empresas e personagens nacionais, com o tráfico de drogas na Itália. Para o MP, havia indícios claros de o submundo do crime italiano tinha viscerais relações com os homens que comandavam o nebuloso universo do jogo, no Brasil.

Para corroborar com as investigações que apuram os ilícitos praticados na Loterj, esta Comissão recebeu uma série de documentos, com o resultado e investigações em curso, levadas a cabo por diversas esferas do Poder Público. São documentos do Ministério Público Federal, do Estadual e da Polícia Federal.

Um deles - é relevante e tem elementos que fazem parte da presente investigação - é datado do dia 7 de fevereiro e foi conduzido pelo MP Federal. Os depoimentos foram colhidos dias antes de a Época chegar às bancas, quando depôs, em Brasília, entre eles Carlos Roberto Martins, um dono de Bingo de Goiânia e confesso ex-bicheiro. Anexo VII)

Martins afirmou que se consolidou no setor de jogos eletrônicos e com a vasta operação de máquinas caça-níquel, em Goiás, com o beneplácito de Marcelo Kalil e Alejandro Ortiz – este, padrinho de casamento e ex-vizinho -, nos idos de 1977. Ele declarou que seu sucesso no mercado dos jogos em Goiás contou também com o apoio de, quem chamou de bicheiro, Messias Antônio Ribeiro Neto.

Carlos Roberto Martins deu um rico depoimento ao MP Federal. Citou nomes, empresas e precisas conexões do jogo legal e ilegal, em Goiás. Com relação ao jogo no Rio de Janeiro, Martins mostrou um invejável e suspeitíssimo conhecimento, apesar de operar a mais de mil quilômetros de distância. Suas informações são precisas e detalhadas. Mostra um conhecimento profundo das vísceras da operação dos jogos no Rio de Janeiro.

Segundo ele, Carlos Ramos, também conhecido como Carlos Cachoeira, é muito mais do que um próspero e pacato empresário do ramo lotérico. No depoimento prestado aos Procuradores Federais José Roberto Figueiredo Santoro, Marcelo Antônio Ceará Serra Azul e Mário Lúcio de Avelar, Carlos Roberto Martins abre o jogo:


Que, em razão de Ortiz temer Carlos Cachoeira, que os novos “donos” da Loterj resolveram atrair Cachoeira para o Rio de Janeiro, que tinha o jogo controlado pelo “laranja” de Ortiz, José Renato Granado; Que José Renato é o operador de Ortiz no Rio de Janeiro, e é quem põe as máquinas no bingo, retira, dá manutenção, recolhe o dinheiro, remete a parte de Ortiz, etc.; Que o ex-presidente da Loterj Waldomiro Diniz, passou a negociar com Cachoeira para que este entrasse no jogo do Rio de Janeiro e, com isso, afastasse Ortiz ou criasse as condições para subir os percentuais pagos a título de propina para os “donos” do jogo, no Estado; Que, iniciadas as tratativas, Cachoeira acabou por se recompor com Alejandro Ortiz, através de José Renato; Que esta sociedade se comprova, entre outros, pela empresa Combralog e as 1.000 autorizações para explorar máquinas de rua, em Goiás, dadas por Cachoeira a José Renato; Que a citada empresa opera com a Loterj; Que desta sociedade houve um estreitamento entre o ex-presidente da Loterj, Waldomiro Diniz, e Ortiz; Que Waldomiro passou, após ter se afastado da Loterj, a defender os interesses de Ortiz no Congresso e no Governo; Que esta defesa não se dá às claras, e sim, é intermediada pelos contatos entre os donos do bingo Augusta e presidente da ABRABIN, Olavo Salles, que carrega as instruções de Ortiz para Waldomiro; “Que os interesses do jogo são defendidos por Waldomiro, através de orientações de Ortiz; que quando das reuniões da ABRABIN fala Olavo Salles como Presidente; Que todo mundo da ABRABIN sabe que Waldomiro defende os interesses de Olavo Salles e da própria ABRABIN, nessas reuniões.”
Os Procuradores do MP Federal ouviram em seguida, ainda no mesmo dia, num sábado, o depoimento, voluntário, do empresário goiano Messias Antônio Ribeiro Neto, que assim sintetizamos:
O depoente afirmou que iniciou suas atividades profissionais com o jogo, em Goiás. Ele disse que foi sócio de Carlos Ramos, na Gerplan, e demonstrou conhecer todo o ramo de jogos com máquinas eletrônicas, não somente em Goiás, como também em outras unidades de Federação, citando, inclusive, nomes de pessoas e empresas, tais como Alejandro Ortiz, Javier Cerrato, Egton Oliveira Pajaro Junior – de Uberlândia, da empresa Valecard, que ajudaria na lavagem de dinheiro de Cachoeira – e que ele, Egton, seria sócio de Carlos Ramos na Gerplan. Messias revelou ainda que a empresa Combralog pertence a uma empresa offshore, sediada no Uruguai, de nome LEMINOR S/A.
Messias Neto, na verdade, revelou a existência de uma extensa conexão entre a atividade do jogo legal, ilegal e a lavagem de dinheiro no país e no exterior. Dias depois, em 19 de fevereiro, foi a vez de o MP Federal ouvir a versão do empresário Carlos Augusto Almeida Ramos, também conhecido como Carlos Ramos ou Carlinhos Cachoeira. Ramos, sócio da Gerplan, da Capital e da, agora famosa, Combralog, criticou Waldomiro Diniz, como revela o depoimento do MP Federal:
Waldomiro poderia vir até si pedir alguma vantagem econômica, visto que não era corriqueiro o presidente de uma autarquia ir ao consórcio bem como porque antes Armando Dilli, havia feito vários pedidos para o depoente em nome de Waldomiro tendo o depoente recusado e dito que” se fosse Waldomiro que tinha feito os pedidos que viesse falar-lhe pessoalmente”, assim para se defender de qualquer achaque, resolveu gravar a reunião, contratando uma empresa de vídeo-filmagem. Afirmou que “o prejuízo que sofreu consistiram na não conexão das máquinas de vídeo loterias nos Bingos”.
Fica claro que Carlos Ramos tentou demonstrar que Waldomiro Diniz pediu dinheiro para si, utilizando Dilli como intermediário, numa tentativa de extorsão. No entanto, ele admite o desejo de controlar as vídeo-loterias dentro dos Bingos. O fato de não ter conseguido, pode, até, ter sido a causa da ruptura da parceria que tinha pactuado com Waldomiro Diniz.

A Polícia Federal também tem uma alentada investigação sobre o caso. O inquérito nº. 016/01 (DELECOE/SR/DPF/RJ) (Anexo VIII), apura as “supostas transgressões aos tipos penais inscritos nos Art. 1, da Lei 8.137/90 e Art. 1º da Lei 9.613/98 e outras”.

Segundo a PF as oitivas, diligências, manifestações escritas, enfim, por tudo já apurado, as investigações apontam que “A Loterj não desempenha com eficiência e completude o papel que lhe cabe. Pior que isso: vários atos normativos e omissões se seguem e levam à emergência de sólidos indícios apontadores de improbidade administrativa e, até mesmo, da existência de ilícitos penais (...)”.

Os exemplos são, escandalosamente, variados. Senão vejamos:

Primeiro fato:
Pela Lei, as entidades desportivas têm de enviar, semestralmente, relatório das atividades desenvolvidas com o dinheiro vindo dos bingos. Mas a PF apurou que de 17 agentes lotéricos, apenas 9 enviaram relatórios. E, mesmo os que mandaram as informações, não o fizeram integralmente”.
Outra situação:
O West Bingo, por exemplo, funcionava há vários anos sem estar contribuindo a nenhuma entidade esportiva”.

Ora, a função dos Bingos para a sociedade é, por lei, fomentar o esporte no país, de modo que é condição sine qua non para a existência das casas de jogo. Apesar disso, a Loterj renovava os cadastros dessas casas, sem lançar mão dos vários meios coercitivos legalmente previstos”.


Mais um exemplo:
A Associação Brasileira de Desporto para Cegos (ABDC), que recebe dinheiro dos bingos Resende, Caxiense e Teresópolis, não é sediada no Rio de Janeiro e, por determinação normativa, não poderia ser beneficiária de atividade de Bingo neste Estado”.
Segue o documento:
A Loterj abriu mão de sua prerrogativa de controlar diretamente a venda de cartelas para o bingo permanente, através da venda para os bingos. Desde a vigência do Dec. 25.732, a Loterj entregou a gráficas particulares a produção e venda direta de cartelas aos bingos”.
Em outro tópico, o documento da Polícia Federal destaca:
Os valores que os bingos têm de repassar às entidades desportivas são valores normalmente variáveis (7% da arrecadação bruta do bingo permanente, ou o mínimo de 10.000 UFIR, mais 50 UFIR por terminal de MEP). No entanto, os bingos 13 de Maio, Scala, Bingo Tijuca, Ilha Rio, Nova Iguaçu e Barra Mansa, pelo apurado até o momento, pagam valores fixos às entidades desportivas, bem abaixo dos mínimos legais. E o fazem induzindo os dirigentes das entidades desportivas a erro, ou simplesmente apropriando-se do patrimônio legalmente outorgado a elas”.

E, por fim, destaca:


(...) as fiscalizações in loco nos bingos pela Loterj se dão, não por servidores desta, mas por “auditores independentes”, ou seja, terceirizados”.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro, na Administração Rosinha Matheus, por sua vez, criou uma comissão exclusivamente para investigar irregularidades praticadas na Loterj, na gestão de Waldomiro Diniz. A Comissão, instituída pela Portaria Loterj/GP nº. 207, foi presidida pelo Procurador-Geral do Estado, Francesco Conte, e subscrita por Franco Albano e Marta Monteiro.

Entre 16 de fevereiro e 15 de março, a equipe avaliou documentos expedidos e recebidos da Loterj, no período de fevereiro de 2001 a dezembro de 2002 – na gestão de Waldomiro Diniz. Os membros da comissão destacaram que, na época do diálogo da gravação feita por Carlos Ramos, “a Loterj estava em processo de renovação de seu principal contrato – aquele que define a empresa responsável pela exploração de loterias com apostas em papel ou por internet e telefone".


"Das fitas transcritas nota-se a preocupação com o objeto da licitação que, segundo o Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos, seria muito amplo, permitindo que a HEBARA atuasse em jogos que interferissem no contrato celebrado com o Consórcio Combralog, da qual a empresa Capital Construtora e Limpeza Ltda. é líder."

"Nota-se que, embora o procedimento licitatório não tivesse chegado ao seu término, a ele se referiam como o “negócio Hebara".

"Comparando-se os fatos narrados na reportagem e o trâmite da licitação, constata-se que, de fato, houve alteração no objeto. Veja-se a alteração contida no objeto":
PRIMEIRA VERSÃO DO EDITAL
2. DO OBJETO
2.1. - A presente licitação tem como objetivo selecionar o licitante que reúna experiência e condições para a criação de produtos (jogos), a orientação de campanhas publicitárias e para operar, com exclusividade, o planejamento, a distribuição e a comercialização dos bilhetes de loteria de múltiplas chances, incluindo a venda por intermédio de revendedores cadastrados, internet, telefonia fixa ou móvel, e televisão interativa em canais abertos ou fechados e de quaisquer outros meios disponíveis, desde que permitidos pela legislação e aprovados pela Loterj.

EDITAL ALTERADO PELO SR. WALDOMIRO DINIZ
  2. DO OBJETO
2.1. - A presente licitação destina-se a criação de produtos (jogos), a orientação de campanhas publicitárias para operar com exclusividade, o planejamento, a distribuição e a comercialização dos bilhetes de loteria de múltiplas chances, incluindo a venda por intermédio de revendedores cadastrados, internet, telefonia fixa ou móvel, e televisão interativa em canais abertos ou fechados.

 

PRIMEIRA VERSÃO DO EDITAL 


11.1.2 - Exclui-se do objeto desta licitação, apenas, a venda de bilhetes de múltiplas chances pelo sistema em linha (on-line) e de tempo real (real time), mediante máquinas específicas instaladas nos pontos de venda e diretamente conectadas a um Centro Operacional de Processamento de Dados, dispensando a utilização da INTERNET.
EDITAL ALTERADO PELO SR. WALDOMIRO DINIZ
11.1.2 - Exclui-se do objeto desta licitação, apenas, as vendas de bilhetes de múltiplas chances pelo sistema em linha (on-line) e de tempo real (real time), mediante máquinas específicas instaladas nos pontos de venda e diretamente conectadas a um Centro de Processamento de Dados.

 

"Constata-se, portanto, que o trecho que está em negrito foi suprimido, de modo que o objeto da licitação tornou-se mais restritivo, o que se encontra em linha de coerência com o conteúdo da conversa travada entre o Sr. Waldomiro Diniz, então Presidente da Loterj, e o Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos, reproduzido pela Revista Época".


A Comissão presidida por Francesco Conte sugere uma série de medidas administrativas por parte da Loterj, mas, em momento algum, pede o ajuizamento de ação para promover a nulidade dos contratos sob suspeição para devolver a credibilidade à autarquia. (Anexo IX).
Registre-se que o Ministério Público Estadual, também, já está contribuindo para apurar as irregularidades praticadas na LOTERJ, na administração Waldomiro Diniz, no tocante as denuncias efetuadas pelo Sr. Jorge Luiz Dias, que foi Chefe de Gabinete do Deputado Federal Valdeci de Paiva, assassinado em 24 de fevereiro de 2003.

FASE III
MELHORES MOMENTOS

DOS DEPOIMENTOS

A primeira testemunha a prestar depoimento à comissão foi Rivângela França Barros, Diretora Administrativa na administração Waldomiro Diniz, em 23/03/04. A funcionária, que mais tarde chegou a assumir a Vice Presidência da Loterj, pelo que se apurou, dificilmente teve espaço para participar do esquema montado por Waldomiro Diniz. Ela mesma se definiu como Rainha da Inglaterra. Garantiu que não era ordenadora de despesas e só cuidava da parte burocrática da empresa.

Não tinha participação nas decisões da direção da Loterj e sequer tinha trânsito junto a presidência. Admitiu ter sido indicada pelo PL e foi exonerada no início de 2004 pela Governadora Rosinha Garotinho.

Assumiu que assinava as folhas de freqüência dos funcionários e garantiu que os processos administrativos que passavam por suas mãos já vinham com os despachos prontos e atestados pelos órgãos técnicos ou pela assessoria jurídica. Assim como se esquiva das responsabilidades, Rivângela aponta alguns nomes:


O SR. LUIZ PAULO – Eu tive consultando todos os pagamentos efetuados pela Loterj, que essa CPI recebeu, formalmente, e verifiquei que realmente a Job era subcontratada da Giovanni e quase todo mês caía na conta da Job 134 mil reais, que coincide, aproximadamente, com o volume de recursos que o Sr. Jorge Luiz falou, de 100 mil reais por mês, para uma caixinha que seria distribuída. Pergunto à senhora: a senhora trabalhava na tesouraria. Quem atestava esses cerca de 134 mil reais por mês, que a Job teria colocado em outdoor e a quantos outdoors se referia?

A SRA. RIVÂNGELA FRANÇA BARROS - Bom, quem atestava eram os ordenadores de despesas da época.

O SR. LUIZ PAULO – Nome e sobrenome?

A SRA. RIVÂNGELA FRANÇA BARROS - Dr. Jorge Geraldo, que era o vice-presidente, Dr. Waldomiro e Ana Cristina, que eram os três ordenadores de despesas, na época.
Mais adiante, Rivângela reafirma que sempre era desconsiderada nas decisões da empresa. Segundo ela, tudo era feito à sua revelia.
A SRA. RIVÂNGELA FRANÇA BARROS – Nunca tive acesso a qualquer tipo de contrato que fosse feito, ou licitação.

O SR. PAULO MELO – A senhora assinava cheques.

A SRA. RIVÂNGELA FRANÇA BARROS – Não. Eu não era coordenadora de despesas. É isso que estou tentando explicar.

O SR. PAULO MELO – A senhora como diretora alguma vez ordenou a quitação de alguma despesa?

A SRA. RIVÂNGELA FRANÇA BARROS – Não. Até mesmo interno eu tinha que pedir autorização à Presidência.

O SR. PAULO MELO – O que a senhora pode dizer? Na gestão do Waldomiro às verbas de publicidade tiveram quase que um crescimento meteórico. A senhora tem alguma formação de juízo sobre isso?

A SRA. RIVÂNGELA FRANÇA BARROS – Não, até mesmo porque não adiantaria falar. Uma ordem do presidente, as boletas bancárias já vinham autorizadas para que fôssemos efetuar o pagamento e era passada. Nós não... não tinha como falar a respeito.

No fim do depoimento, ficou claro que ela era usada pelo esquema Waldomiro e pelas outras administrações da Loterj...


O SR. DICA –... Eu queria saber se, dentre esses contratos, pelo menos com artistas e atletas, V. Sa liberou alguma coisa ou conseguiu realizar algum ato como vice, na função em que V. Sa ocupava?

A SRA RIVÂNGELA FRANÇA BARROS - Não, não. Eu participei de reuniões, conversávamos porque na maioria das vezes eles pediam fossem feitas peças de teatro, jornais. Eles pediam patrocínio.

O SR. DICA – A senhora conseguiu liberar alguma coisa?

A SRA RIVÂNGELA FRANÇA BARROS - Não, não, não. Veja bem: não era eu quem liberava. No caso, era o presidente. Eu só participava das reuniões.
Já o relato de Ana Cristina Moraes Moreira Sena, também prestado no dia 23 de março, é mais consistente. Braço direito do Waldomiro Diniz, a servidora, nitidamente, procurou durante todo o depoimento preservá-lo.

Disse que foi convidada para trabalhar com Waldomiro na representação do Governo do Estado do Rio de Janeiro, em Brasília, no ano de 1999 – e o acompanhou até a explosão do escândalo, em fevereiro de 2004. Esquivou-se de todas as perguntas mais diretas. Foi ordenadora de despesa da Loterj – entre 18 de novembro de 2002 até a saída do Waldomiro. Admitiu ainda que nada chegava às mãos de Waldomiro Diniz sem antes passar por ela. Essa informação foi confirmada nos depoimentos de Carlos Cachoeira, de Rivângela França e de outras pessoas ouvidas na CPI.



Ana Cristina afirmou que as licitações já chegavam prontas à chefia de gabinete. Alega que não participava da formulação por não ter conhecimento jurídico:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Qual seria a participação da chefia de gabinete no andamento dos editais de licitação, nos processos licitatórios?

A SRA. ANA CRISTINA MORAES MOREIRA SENA – Não. Nenhum. Todo o processo licitatório era tratado diretamente com a presidência da comissão de licitação, com a assessoria jurídica, com a própria diretoria administrativa. Era todo um trabalho feito de equipe.
Segundo ela, Waldomiro, desde a representação, em Brasília, tinha boas relações com pessoas do primeiro escalão do Governo do Estado e com, pelo menos, uma figura ilustre do cenário político de Brasília.


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