Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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Sérgio Canozzi, é uma figura sorrateira que aparece no contexto Waldomiro Diniz 2 vezes: a primeira, através do depoimento de Luiz Eduardo Soares, quando ele relatou que fora procurado por Canozzi com propostas de corrupção para serem implantadas na gestão da Governadora Benedita da Silva - e traz a luz que Waldomiro Diniz seria inepto, pois estaria recebendo R$ 300 mil/mês dos bingos. Para Canozzi, esse valor poderia ser aumentado para R$ 500 mil/mês. No depoimento, Luiz Eduardo Soares revela que Canozzi seria um profissional da corrupção, tanto é que o classificou de “corruptólogo”. Disse que ele demonstrava conhecer em profundidade a máquina administrativa do Estado e sabia como amealhar desonestamente recursos públicos, inclusive para campanhas políticas. A segunda, através do depoimento de Waldomiro Diniz, quando relatou que, também, foi procurado por Canozzi e com ele se encontrou em uma sala na Avenida Marechal Floriano nº 38, quando o mesmo lhe informou que estaria fazendo algumas nomeações na Loterj, e possivelmente, outras propostas não trazidas a luz por Waldomiro.



Trecho do depoimento de Luiz Eduardo Soares



O SR LUIZ EDUARDO SOARES - Terceiro momento. Fui procurado por uma pessoa que não conhecia; isso é comum nas campanhas eleitorais, mas eu procurava, na medida do possível, evitar esses contatos quando não conhecia as pessoas. É claro, num momento como esse, todos ficamos vulneráveis a aproximação impróprias e indesejáveis. Mas essa pessoa era muito insistente, ligava muitas vezes, a ponto de uma amiga, militante do PT que me ajudava e atendia muitas vezes meus telefones, me dizer que estava ficando insuportável aquela insistência e que da última vez ela inventara que eu teria de viajar, sair do Rio de Janeiro e passar alguns dias fora e a pessoa perguntara, então, qual seria o vôo, porque ela se disporia a viajar comigo para conversar comigo. Eu achei que aquela era uma demonstração suficiente de interesse; como tampouco não havia nenhuma razão para evitar, acedi e concordei em encontrar a pessoa. Esse encontro se deu no Hotel Marina – não me recordo qual dos dois, mas se fosse do interesse da comissão, poderia verificar. Por que nesse hotel? Porque durante á tarde, a Fundação Hewlett-Packard fazia um encontro sobre pesquisa na área de Segurança Pública no Brasil e apoios à pesquisa, com representantes de várias organizações não-governamentais e universitárias e de pesquisa, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais etc. Fui convidado para participar desse seminário e como esse seminário ocorreria nesse hotel – por isso acho que posso inclusive identificar o hotel, tentando verificar com os organizadores onde isso ocorreu, aproveitando que eu estaria lá, marquei então com essa pessoa o encontro no final da tarde, no lobby desse hotel. Esperei um pouco, essa pessoa se dirigiu a mim. Eu não o conhecia e ele me localizou. Nós nos sentamos num canto e aí se iniciou uma conversa – ou um monólogo, eu diria, porque eu não me manifestava – muito surpreendente para mim. Até hoje, para mim, está cercado de mistério e de enigma, sujeito a interpretações ambivalentes. Até hoje eu não sei se o que vou lhes relatar era uma proposta de corrupção ou um ardil político ou uma armadilha política. Até hoje, sinceramente, não sei qual interpretação fazer, até porque tenho uma trajetória, uma biografia profissional relativamente extensa, ainda que com uma passagem pela política muito pequena. Mas na minha biografia acabei sendo conhecido – e me orgulho disso – como uma pessoa séria. Porque uma pessoa reconhecidamente séria seria procurada para uma proposta aparentemente tão ostensiva de corrupção. Aquilo me soou a teste ou a uma provocação ou a um ardil de fato. Por isso, eu me paralisei no momento, evitei reações precipitadas e refleti bastante a respeito. E o que dizia esse senhor? Ele dizia: “Olha, é possível montar estruturas de drenagem de recursos para campanha política, recursos do Estado, em várias áreas do Estado”. E ele me mostrava muita fluência na sua forma de expressar seus pensamentos. Mostrava um conhecimento...eu não posso, sequer avaliar a procedência, a precisão, a consistência de suas interpretações, porque não conheço a máquina pública como ele parecia conhecer. E ele falava com rapidez e eu – entre o acompanhar e refletir sobre o que acontecia – me perdia, mas percebia de toda forma, pelo menos, que ele demonstrava ser bastante fluente e bastante inteligente, conhecedor desses mecanismos do Estado etc. Ele, então, se referia à possibilidade de montagem de estruturas de drenagem de recursos para fins de campanha, e, en passant, se referia ao Waldomiro Diniz nos seguintes termos: “E você veja esse esquema do Waldomiro Diniz, que tira trezentos mil por mês dos bingos, aproximadamente. Nós poderíamos elevar essa “exação”, por assim dizer, e podemos chegar, quem sabe, a 500 mil. O Waldomiro está sendo inepto. É possível ser mais eficiente.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Qual o nome do “corruptólogo” que participou da reunião com o senhor?

O SR. LUIZ EDUARDO SOARES – Sérgio Canozzi.


Trecho do depoimento de Waldomiro Diniz
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor conhece o Sr. Sérgio Canozzi? E explicando quem é o Sr. Sérgio Canozzi, em depoimento a esta Comissão, o Sr. Luiz Eduardo Soares afirma que, em reunião com esse Sr. Sérgio Canozzi, ele o teria dito que V.Sa. recebia 300 mil reais por mês de um caixa dos bingos; inclusive até fazendo uma referência a V.Sa. que não estaria trabalhando de forma correta porque dado o caixa dos bingos de 300 mil dava para se fazer 500 mil e V.Sa. só recebia 300. V. Sa. conhece esse Sérgio Canozzi? Tem alguma coisa a dizer sobre esse caixa que os bingos davam mensalmente para V. Sª?
O SR. WALDOMIRO DINIZ DA SILVA – Primeiro quero refutar a mentira, a ilação, porque toda a minha administração foi fita dentro da maior transparência e as pessoas que me conhecem sabem que eu não permitiria que isso acontecesse. Conheci o Sr. Sérgio Canozzi, fui convidado, mais de uma vez para estar com ele, não entendi o motivo. Estávamos no final, já na fase de transição entre o governo Garotinho e o governo Benedita, e esse senhor passou a ligar para o meu gabinete, com uma certa insistência. E eu, não entendendo, até porque o presidente da Loterj todos os dias recebe várias ligações de pessoas querendo apresentar projetos, pessoas querendo vender algum tipo de produto, e esse senhor passou a ligar para a empresa com muita insistência: “Preciso conversar, preciso conversar, preciso conversar”. Aí, eu disse à secretária: Qual assunto? “Quero conversar sobre a composição da Loterj do futuro governo”. Interessante, deve ser uma conversa..., devo conversar com essa pessoa. E fui conversar com esse senhor.
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Isso em novembro, mais ou menos?
O SR. WALDOMIRO DINIZ DA SILVA – Não, a transição foi em abril, né? A transição dos governos Garotinho/Benedita foi em abril. Fui conversar com esse senhor no escritório dele. Aí o senhor me pergunta: “É hábito?”. Não. Durante dez anos da minha vida, eu fui assessor parlamentar. O assessor parlamentar, a função dele é dialogar, conversar. Eu converso com as pessoas, obviamente, sem achar que as pessoas estão me chamando ali para propor um... Aí fui conversar com esse Sr. Sérgio Canozzi neste endereço. Inclusive quero passar às mãos do senhor este endereço.
O SR. PAULO MELO – Rio Branco 134?
O SR. WALDOMIRO DINIZ DA SILVA – Acho que não.
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Não. Avenida Marechal Floriano nº 38, e determinada sala que aí a gente vai dar.
O SR. WALDOMIRO DINIZ DA SILVA – E para minha surpresa, Sr. Presidente, Srs. Deputados, esse senhor me chama, chego no escritório dele: Pois não, estou aqui a sua disposição. “Olha, Presidente, quero lhe comunicar que vamos fazer algumas mudanças na diretoria da Loterj”. Eu falei: Olha, eu não o conheço, eu estou cumprindo uma missão. A governadora Benedita me chamou recentemente e me fez um convite para que eu continuasse. “Eu sei que o senhor está fazendo um bom trabalho dentro da empresa.” Frisou o social, disse: “Olha, o senhor faz lá esse trabalho social, está dando muito certo, mas quero dizer ao senhor que eu farei algumas nomeações na empresa e que, nos próximos dias, o senhor será comunicado.” Eu disse: Olha, eu vou aguardar a comunicação e, obviamente, a governadora me chama para... A conversa mais utópica, a conversa mais sem pé nem cabeça, ouvi aquilo, obviamente, não tinha mais nada para tratar com aquele senhor, achei estranho até o fato dessa conversa, me despedi, voltei para o meu escritório, obviamente, como nós não tínhamos ainda o governo instalado, eu não poderia me socorrer: Olha, fulano, quem é isso? Vai ser isso?, Aí eu falei: Bom, se realmente for mudada a diretoria, se for demitido ou se for composta uma nova diretoria que não me agrade, me cabe limpar a gaveta e ir embora. Foi isso que aconteceu, Sr. Presidente.
JUSTIFICATIVA

Evidencia-se a conexão dos dois depoimentos, onde fica nítido a tentativa de montagem de um esquema de corrupção articulado por Sergio Canozzi, revelado por fontes diferentes, mas com clareza linear de sua complementaridade. Na conversa de Canozzi com Luiz Eduardo Soares, entre outras propostas, a da Loterj mereceu destaque, como pólo de corrupção, e que se mostrou real como apurou e demonstrou o presente relatório. Destaque-se, também, que Canozzi citou a Secretaria de Fazenda como outro pólo de corrupção, e que se mostrou, também verdadeiro, pois a CPI do Propinoduto, trouxe a público o aludido escândalo, tendo contribuído para que o Juiz Lafredo Lisboa condenasse diversos fiscais envolvidos.

Sergio Canozzi nega o teor das oitivas de Luiz Eduardo Soares e Waldomiro Diniz, em resposta escrita a quesitos levantados por essa CPI (Anexo XV).


TIPIFICAÇÃO
Artigo 333 do código Penal.
Corrupção ativa
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.

Sugere-se a tipificação de Sergio Canozzi no artigo 333 do Código Penal, por corrupção ativa, visto que os fatos demonstram de forma direta, através das duas abordagens que Sergio Canozzi fez, a Luiz Eduardo e a Waldomiro Diniz, ter existido uma clara tentativa de estabelecer um forte esquema de corrupção na máquina estadual, apesar da negativa do mesmo.



10 - FORMAÇÃO DE QUADRILHA

Artigo 288, do Código Penal -Formação de Quadrilha.
A tudo que já foi apurado e relatado pela CPI, adicione-se os elementos constantes da agenda de trabalho de Diniz, enquanto Assessor Parlamentar da Casa Civil da Presidência da República.

Na agenda do Waldomiro consta o registro de encontro com figuras públicas, principalmente do mundo político, umas distantes do caso, outras mais próximas e algumas com a possibilidade de terem cometido ação criminosa no escândalo Loterj.

Destacar-se-ia, entre elas, o Sr. Jorge Geraldo da Veiga Vieira e outros, fiéis seguidores do seu ex-Presidente da Loterj e agora, na Casa Civil da Presidência, com projetos mais ousados . Assim posto, por tudo que já foi apurado e relatado, sugere-se a tipificação de Waldomiro Diniz, Jorge Geraldo da Veiga Vieira, Ana Cristina de Moraes Moreira Sena, pelas suas nefastas atuações na Loterj, associados a Carlos Augusto Ramos, empresário dos jogos lotéricos, no artigo 288, do Código Penal por formação de quadrilha.

Constata-se que a quadrilha que operou na máquina administrativa da Loterj tinha como chefe Waldomiro Diniz e os indícios mostram que o mesmo se estruturava para continuar a operar na máquina federal, possivelmente com alguns de seus anteriores parceiros. O lastro de crimes de improbidade administrativa, corrupção passiva, crime eleitoral e contra a lei das licitações e contratos, entre outros, associados com as novas constatações do caso Gtech são confirmadores dessa hipótese.

Em um determinado momento, provavelmente em 2001, outro chefe dos jogos lotéricos, Carlos Ramos, com lastro em corrupção ativa, chantagem e fraude a lei das licitações e contratos se associou a Waldomiro e seu grupo, para posteriormente romperem. A quadrilha ou bando atuava com dois chefes, um no Poder Público – Waldomiro Diniz, e outro na iniciativa privada, no ramo de jogos lotéricos – Carlos Augusto Ramos e pelo menos 2 (duas) vezes se reuniram no escritório da Combralog, na Torre do Rio-Sul. Certamente outros elementos ligados, respectivamente, a Waldomiro Diniz e a Carlos Ramos fizeram parte do Bando, mas que a CPI não conseguiu identificar de forma clara. Entretanto, com a continuação das investigações que serão efetuadas pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual e pelas Autoridades Policiais (Federal e Estadual) novos nomes, possivelmente, serão agregados a aludida formação de quadrilha.

Fica incluído o nome do Sr. Deputado Federal Bispo Carlos Rodrigues como também incurso no crime de formação de quadrilha pelas seguintes razões:



  1. já conhecia o Sr. Carlos Cachoeira (construção da igreja em Brasília);

  2. tinha como chefe de seu Gabinete a mulher do Sr. Waldomiro Diniz;

  3. indicou vários diretores para os cargos na Loterj na gestão Waldomiro Diniz;

  4. um dos diretores, Sr. Amaro Sérgio Santos Rios, esporadicamente comparecia à Loterj, embora trabalhasse permanentemente no escritório do Dep. Federal Bispo Rodrigues;

  5. foi acusado pelo Sr. Jorge Dias de receber dinheiro da empresa Job Publicidade, prestadora de serviços da Loterj;

(Obs.: embora aprovado, o depoimento do Sr. Jorge Dias não foi colhido pela CPI, na medida em que a data nunca foi marcada)

Se há alguém intimamente ligado ao Sr. Waldomiro Diniz e que também mantinha relação com o Sr. Carlos Cachoeira é o Dep. Federal Bispo Rodrigues, convindo registrar que, não obstante, com todas as provas existentes não foi possível ouvi-lo durante os trabalhos da CPI.

Por todo o exposto e muito mais que há nos documentos e depoimentos colhidos pela CPI, a inclusão do Dep. Federal Bispo Rodrigues em crime de formação de quadrilha é o mínimo que pode ser feito, de modo a dar credibilidade aos trabalhos da CPI.
A AGENDA DE WALDOMIRO DINIZ

Citaremos os mais representativos personagens que tiveram relação como caso Loterj e mantiveram-se na ponte aérea Rio - Brasília, sob a influência de Waldomiro Diniz, e que constam na agenda.




  1. 16 e 17/01/03 - Giovanni, através de Gustavo C. Oliveira e Maurício Silveira Nogueira.

  2. 28/0 - Almoço com Armando Coelho (Jornal dos Sports subcontratado da Giovanni).

  3. 14/02 - Manoel Severino.

  4. 19/02 - Geraldo Magela.

  5. 25/03 - reunião com os bingos - José Luiz Quintães, Borges e Paulo Campos.

  6. 02/04 - Jantar com Jorge e Léo (possivelmente Jorge Geraldo da Veiga e Leonardo Nigromonte).

  7. 15/05 - Jorge Geraldo e Gustavo – Gol – adiado - cancelado.

  8. 17/04 - José Luiz Quintães.

  9. 20/05 - Deputado Federal Bispo Rodrigues.

  10. 29/05 - Jorge e Gustavo- cancelado.

  11. 05/06 - Jorge e Gustavo (possivelmente Jorge Geraldo da Veiga e Gustavo C. Oliveira).

12. 28/01/04 - Karina Firme – café da manhã (da Hebara).


11 - Proposta de Prisão Temporária
Recomenda-se, ao Ministério Público Estadual, que seja pedido à Justiça a prisão preventiva de Waldomiro Diniz e Carlos Augusto Ramos, já que eles, possivelmente, cometeram diversos crimes tipificáveis no Código Penal, na Lei das Licitações e Contratos, na Lei de Improbidade Administrativa, na Lei Eleitoral, entre outras. Ambos são, também, passíveis de terem formado quadrilha ou bando.

JUSTIFICATIVA
Justifica-se o pedido tendo em vista que a liberdade dos citados pode propiciar a eliminação de provas, a composição com possíveis testemunhas e a construção de uma rede de proteção para minimizar as ações deletérias cometidas. Convém ressaltar que pela leitura da agenda de Waldomiro Diniz verifica-se que ele mantinha relações - como Chefe da Assessoria Parlamentar da Casa Civil da Presidência da República - com diretores da Giovanni, da Hebara e com os ex-subordinados José Luiz Quintães, Jorge Geraldo, Leonardo Nigromonte.

Até mesmo Armando Coelho, do Jornal dos Sports estava na relação dos agendados - foi subcontratado da Giovanni, tendo faturado R$ 55.758,83, em 2001, e R$ 136.822,80, em 2002, (Anexo X). Esse mesmo personagem estaria envolvido no caso “Vampiros da Saúde”.

É relevante destacar que Carlos Ramos tinha relações ora conflituosas, ora extremamente amistosas, com outros elementos ligados a exploração irregular do jogo, de máquinas caça-níqueis, da lavagem de dinheiro e até mesmo com o tráfico internacional de drogas, como foi o caso da denúncia do Ministério Público Italiano ao Brasil e dos depoimentos Carlos Roberto Martins e Messias Ribeiro Neto ao Ministério Público Federal.

Assim posto, para haver tranqüilidade e certeza da responsabilização dos culpados, sugere-se que Waldomiro Diniz e Carlos Ramos venham a ter suas prisões preventivas decretadas. Corre a sociedade o risco, até mesmo, que dois venham a deixar o país, fato que já teve precedente no Brasil. Pelo exposto, sugere-se o pedido de prisão temporária. Caso não seja aceita, que pelo menos sejam apreendidos os seus respectivos passaportes.

12- SUGESTÕES PARA PROSSEGUIMENTO DE AUDITORIA DO CONTRATO DE PUBLICIDADE DA GIOVANNI FCB S/A


A Giovanni FCB, através de seus diretores, ao se subordinar e se associar aos desejos de Waldomiro Diniz gastou em propaganda e marketing, no ano eleitoral de 2002, a incrível cifra de 20 milhões de reais. Usaram como justificativa inaceitável, a de se aumentar a venda de “raspadinhas” (R$ 51,4 milhões em 2001 para R$ 52,7 milhões em 2002).

O esperado acréscimo não passou de ínfimos 1,3 milhões de reais, ao ser cotejado com o total de 20 milhões de reais de gasto. Waldomiro repassou a Giovanni, cerca de R$ 20 milhões de reais (Anexo X), e essa a seus subcontratados – não sem antes abocanhar o seu percentual de contrato. Tal fato caracteriza uma apropriação indevida, praticada pela empresa Giovanni, seguindo os ditames do Sr.Waldomiro Diniz.



Trecho do depoimento da Giovanni com a questão da raspadinha e da relação com Waldomiro.

O SR. PAULO MELO – Vou ser um pouco rápido, porque meu querido amigo, Sr. Deputado Luiz Paulo, destrinchou muito melhor essa questão, mas eu vou fazer perguntas bem objetivas.

A Giovanni é a empresa responsável pelas campanhas publicitárias da Loterj. Diferente do Deputado Luiz Paulo, tenho os dados aqui, pegando um documento da Loterj, do que foi pago. Então, vou até botar efetivamente a planilha de custos da Loterj. No ano de 2001, foram gastos com publicidade, liquidados, R$ 10.541.323,73. Em 2002 foram gastos R$ 16.828.478,77. Ou seja, apesar de o senhor ter dito antes que não teve uma elevação, a elevação foi de 59,64%. E a receita bruta da Loterj, excluindo os bingos, teve um aumento de 9,54%. Como o senhor explica esse grande aumento de gastos com publicidade de um ano para o outro?

O SR. - Deputado, desculpe. Falei que tinha aumentado, que imaginava alguma coisa em torno de 40% - tanto que falei que eram vinte e cinco milhões e está batendo em vinte e seis milhões, como o senhor falou. Desculpe, eu não tinha esses dados, mas eu falei efetivamente que tinha aumentado, porque eu sei.

E por que aumentou, Deputado? Porque nós começamos em junho de 2001 a efetivamente fazer um trabalho mais efetivo de raspadinhas. A gente fez um investimento maior de raspadinhas em maio, junho, e, a partir daí, aumentou. Essa, pelo menos, era a nossa estratégia. O aumento de investimentos nesse período se deu porque era a estratégia de se fazer mais trabalho da Loterj, de divulgar os produtos. A publicidade é um dos instrumentos para aumento de venda da Raspadinha; tem distribuição, tem a concorrência da Caixa Econômica Federal. A informação que tínhamos em relação à Loterj é a de que ela teria dobrado o faturamento no período de um ano – não especificamente no produto Raspadinha, mas que a receita da Loterj teria saído de uma faixa de cinco a seis milhões para uma faixa de dez a onze milhões. Essa é a informação que tivemos na época, onde a gente recebeu os dados da Loterj. Se o senhor perguntasse se aumentou em 10% a Raspadinha, eu diria que não tenho esse dado. Tínhamos um dado maior; pelo menos nos foi passado um dado maior.

Isso pode ser visto como uma defesa dos trabalhos da Caixa Econômica Federal, que foram muito violentos – a Caixa atacou muito a Raspadinha -, e o próprio problema de distribuição.

O SR. PAULO MELO – Só para eu entender: a Caixa Econômica ainda continua um processo de disputa, de concorrência forte com a Raspadinha?

O SR. - Pelo que eu saiba, sim.

O SR PAULO MELO - Com quem o senhor negociava a produção e vinculação de publicidade, propaganda na Loterj? Com quem era essa negociação? Era direto com a Loterj? Na questão da Loterj, era direto com o Sr. Waldomiro Diniz?

O SR. - Era direto com o Sr. Waldomiro Diniz. Nós...

O SR. PAULO MELO – Era ele que escolhia onde tinha que colocar?

Trecho do depoimento da Giovanni em relação a JOB e as denuncias de Jorge Dias

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A empresa JOB foi contratada para fazer que serviço especificamente?

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA - Parte de exibição de outdoor.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Certo. Mas quantos, como, quanto por mês? Pode aprofundar essa...

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA – Uns 120 cartazes. Teve vez que foram 120, teve  vez que foram 140 cartazes, dependendo da verba que tinham lá para aprovar.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Isso representava o quê? 120 colagens por mês?

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA – Colagens, 120 outdoors em  todo o Grande Rio.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Certo. Em todo o período que a JOB prestou serviço para a Loterj, qual deve ter sido o total de colagens feitas pela JOB?

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA – Em doze meses, mais ou menos, 1200 cartazes. 1200, 1300, por aí.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor nunca esteve, nem ninguém da sua empresa, com Waldomiro Diniz?

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor nunca esteve, também, ou conhece um senhor chamado Jorge Dias?

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA – Jorge Dias esteve na minha empresa, e até  da família, na época de campanha política, todo o pessoal que corria na campanha, saber se tinha sorteio, se tinha placa da JOB lá para ser sorteada, no período de agosto a setembro, na época, de 2002, falando com meu pessoal de operação.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Foi o único contato que a empresa teve?

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA – Foi o único contato que a empresa teve com ele.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Teve um encontro com ele? Quantos foram esses encontros?

O SR. LUIZ CARLOS SANTOS DE SOUZA – Ele esteve na empresa duas vezes, falou com meu pessoal de operação, para saber se tinha sorteio dos cartazes dele lá, que é prática do TRE ter sorteio.


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