Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



Baixar 3,17 Mb.
Página32/42
Encontro27.09.2018
Tamanho3,17 Mb.
1   ...   28   29   30   31   32   33   34   35   ...   42

O SR. PAULO RAMOS – Qual foi a mudança na natureza do contrato a partir de 2000? Qual era o serviço prestado pela Funpat à Loterj, que determinou, a partir de 2003, uma mudança? O que é que mudou? Qual foi a natureza do serviço que passou a ser prestado pela Funpat, que diferenciava do serviço anteriormente prestado?

O SR. ROBSON CARDINELLI - A Funpat, anteriormente, vinha prestando serviços nas áreas de informática propriamente dita, no desenvolvimento de controle de jogos, na parte toda de assessoria, consultoria na área de informática. Esse era, praticamente, o objeto dos nossos contratos até dezembro de 2003. E, a partir de 2003, esse contrato foi mudado. A presidência da Loterj nos chamou dizendo que tinha a intenção de desenvolver um trabalho; se a Funpat tinha condições de desenvolver um trabalho para fazer um estudo mais aprofundado, aproveitando a experiência que a Funpat já tinha de alguns anos prestando serviço à Loterj, um estudo sobre a estrutura da Loterj; e propor mudanças, propor alterações de rotinas, procedimentos, e tudo o mais.

Então, esse é, basicamente, o serviço que nós passamos a desenvolver na Loterj, a partir de 2003. E também a parte toda de fiscalização das máquinas de vídeo-bingo e, evidentemente, o serviço que deu..., foi o único serviço que deu continuidade, foi a parte do callcenter.
Cardinelli listou as empresas contratadas nessas duas fases:
O SR. ROBSON CARDINELLI - Nós tivemos, durante até 2003, a Atrium, que é uma cooperativa de serviços prestados, a Atrium, a MR, e um pedaço pequeno, a Microsis. E, a partir de 2003, já foram a Lotus Consultoria, a DP Com, a Funcefet e o Ituc.

O SR. PAULO RAMOS – Exatamente no ano de 2003 foi assinado o maior contrato, em termos de valor, e não se deu através de protocolo de intenções. Houve um contrato de... Foram aproximadamente cinco milhões e meio de reais, sendo que um contrato só de quatro milhões, trezentos e poucos mil reais. Qual a razão de um contrato assim, de repente ter um contrato de um valor tão maior?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Não sei.
O depoente reafirmou que nunca pagou complemento salarial a funcionários da Loterj. Segundo ele, essa prática seria detectada pelas auditorias externas:
O SR. ROBSON CARDINELLI - Bem, a Funpat é uma instituição onde nós sofremos uma auditoria externa, contratada através de uma empresa séria que é a London blocks. Nós prestamos contas ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro através da curadoria das fundações, tivemos todas as nossas contas aprovadas. É transparente. Não temos “caixa 2” – até porque isso é proibido, a lei não permite. Então, está tudo muito claro, está tudo escriturado, todos os pagamentos efetuados pela Funpat estão escriturados, estão auditados, foram prestadas contas ao Ministério Público, inclusive, temos a aprovação dessas prestações de contas. Então, eu afirmo veementemente que o Sr. Waldomiro Diniz, perante esta Comissão, foi um mentiroso. E, portanto, eu, se hoje estivesse à frente da instituição, teria interpelado judicialmente o Sr. Waldomiro Diniz para comprovar. E acredito eu, também, aí é uma posição pessoal minha, Sr. Deputado, que, se a Funpat tivesse à época, logo depois desse depoimento do Sr. Waldomiro, dessa mentira do Sr. Waldomiro, interpelado judicialmente o Sr. Waldomiro, teria evitado que os seus parceiros, seus colegas, os diretores que participaram da sua gestão, que logo em seguida vieram a depor, teria evitado que essas pessoas chegassem aqui e cometessem a mesma atitude, de dizer que recebiam. Porque eu acredito que nenhum deles gostaria de receber em suas costas uma interpelação judicial para comprovar que recebia. Então, nós teríamos evitado essa afirmação também mentirosa.
Neste ponto do depoimento, Cardinelli explica porque a Funpat foi buscar parcerias fora da cidade de Petrópolis:
O SR. GILBERTO PALMARES - O que leva a Funpat – Fundação Parque de Alta Tecnologia – sediada em Petrópolis, tendo como missão ajudar no desenvolvimento de Petrópolis, dar privilégios à parceria com empresas aqui da Cidade do Rio de Janeiro e de outros locais, que não têm, necessariamente, interesses com Petrópolis? Isso não foge um pouquinho à missão, à idéia central da criação da Funpat?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Não. É muito simples de responder a sua pergunta, Sr. Deputado. A Funpat, como o senhor bem disse, foi criada para fomentar o desenvolvimento nesse setor em Petrópolis, e vem exercendo seu papel de forma primorosa, com a criação do Tecnopolo, com a implementação, a cargo da Funpat, do Projeto Petrópolis/Tecnópolis. Hoje o Município de Petrópolis já dispõe de algumas empresas de conteúdo tecnológico; começou-se, evidentemente... A âncora desse projeto todo foi a ida do Laboratório Nacional de Computação Científica para Petrópolis. A reboque do laboratório, diversas empresas hoje estão estabelecidas em Petrópolis e algumas indo para Petrópolis. E a Funpat teve um papel fundamental nesse processo; vem tendo até hoje.

O SR. GILBERTO PALMARES – Sem querer te atrapalhar, não seria mais natural então isso que estou dizendo, que as parcerias fossem feitas de forma privilegiada com esse tipo de instituição, com esse tipo de empresa, que está lá em Petrópolis?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Só que, àquela época, nós não dispúnhamos, em Petrópolis, de empresas com esse nível de especialização. Hoje, eu diria até que temos algumas empresas bem próximas disso e espero que num futuro bem próximo Petrópolis, que, eu acredito, já é um pólo reconhecido no Estado – com certeza reconhecido como um pólo de alta tecnologia -, mas que num futuro bem próximo seja reconhecido a nível nacional como a Cidade Tecnológica.

O SR. GILBERTO PALMARES – Nesse contrato de 2003, o maior contrato, quais são as principais parceiras da Funpat?

O SR. ROBSON CARDINELLI - As principais parceiras: Lótus Consultoria e Informática; a DP COM, empresa também do Rio; a FUNCEFT e o ITUC.

O SR. GILBERTO PALMARES – Qual delas é de Petrópolis?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Nenhuma delas.

O SR. GILBERTO PALMARES – Ainda hoje, em 2003, porque 2003 foi agora,... Você diz que Petrópolis foi se desenvolvendo ao longo do tempo, mas mesmo agora o maior contrato - cinco milhões de reais - não se vê uma única empresa parceira que seja de Petrópolis. Parceira da Funpat, que foi criada para ajudar a desenvolver a alta tecnologia em Petrópolis.

O SR. ROBSON CARDINELLI - Veja bem, nós temos trabalhos nesses contratos. Os objetos desses contratos são muito específicos. Por exemplo, a questão da fiscalização e homologação das máquinas de vídeo bingo, o senhor há de convir que tem uma especificidade. É muito específico esse tipo de serviço.

Para se ter uma idéia, no Estado do Rio de Janeiro só conhecemos duas empresas, uma fundação e um instituto, que prestam esse tipo de serviço. No caso, são a Funcefet e o ITUC, que é da PUC.

Para prestar esse tipo de serviço é necessário um laboratório. Essas máquinas passam por todo um processo, a homologação passa por uma questão do software e do hardware. As máquinas são submetidas a diversas inspeções, tanto que é necessário um laboratório. Portanto, só essas duas o ITUC e a Funcefet é que são capacitadas para fazer isso. Em Petrópolis, infelizmente, ainda não temos. Gostaríamos muito de tê-las.

No caso da software, tanto a DP COM, que já tinha sido uma parceira da Funpat no contrato anteriormente com a Loterj, no iniciozinho, e a Lótus é um pessoal,... Ontem isso foi comentado aqui no depoimento do pessoal da Atrium, a Lótus foi criada por ex-cooperados da Atrium. A Lótus tem no seu corpo técnico pessoas que já trabalhavam dentro da Loterj. Portanto, conhecem bem, conhecem a fundo o trabalho, as rotinas e tudo o mais. Achamos mais lógico, então, estar contratando a Lótus justamente em função desse conhecimento prévio dessas pessoas, os técnicos envolvidos. Há uma explicação para isso bastante coerente. Há de se ressaltar, inclusive, os recursos que a Funpat recebe na prestação desses serviços são integralmente aplicados dentro do projeto Petrópolis/ Tecnópolis, para estar fomentando a criação de empresas, propiciando que essas empresas venham a se estabelecer em Petrópolis.
O depoente informou que nunca lhe ocorreu que estivesse cometendo um ato ilícito ao firmar compromissos com a Loterj através de protocolos de intenção. Ele alegou que o jurídico da Funpat dava lastro às operações:
O SR. NOEL DE CARVALHO – O jurídico disse ao senhor por escrito que o senhor não tem nenhuma responsabilidade, que esse não é problema seu, que é problema de quem o contrata? Ele disse isso por escrito, há documentos?

O SR. ROBSON CARDINELLI – Se ele disse que era um problema de quem o contrata, não era um problema meu, eu não me recordo.

O SR. NOEL DE CARVALHO – Mas não escreveu?

O SR. ROBSON CARDINELLI – Não me recordo se escreveu ou não escreveu que não era um problema meu, que era um problema de quem está contratando. Não escreveu. Ele simplesmente entendeu e nos deu sinal verde para assinar o protocolo de intenções e o termo aditivo.

O SR. NOEL DE CARVALHO – E receber dinheiro e assinar recibos?

O SR. ROBSON CARDINELLI – Sim.

O SR. NOEL DE CARVALHO – Baseado num protocolo de intenções?

O SR. ROBSON CARDINELLI – Sim.

O SR. NOEL DE CARVALHO – Mas o autorizador da despesa, ou quem assinou ali o documento é o diretor administrativo e financeiro. O jurídico o senhor disse: “é uma assessoria jurídica.” Ele lhe assessora e o senhor considera ou não aquilo que o seu assessor...

O SR. ROBSON CARDINELLI – Eu, hoje, passado já algum tempo da assinatura desse protocolo de intenções e desses ativos ao protocolo de intenções, eu diria que me sinto bastante tranqüilo, porque conforme eu disse, a fundação tem uma auditoria externa contratada. A fundação presta contas ao Ministério Público, através da Curadoria das Fundações. Teve essa documentação toda encaminhada, teve as suas contas todas aprovadas eu me sinto numa situação bastante confortável. Fui fiscalizado por quem de direito e tivemos as contas aprovadas.

O SR. NOEL DE CARVALHO – (...) no exercício de 2002 a Loterj pagou à Funpat R$ 2 milhões, 928 mil, 936 reais e 33 centavos, ou seja, quase três milhões de reais.

Com base no depoimento de todos os subcontratados que estão aqui nessas matérias eles dizem que receberam, por exemplo, a MR Informática, a MicroSis e a Atrium, que depuseram ontem aqui, dia 25/4, que foram desembolsados respectivamente para cada uma delas R$ 360 mil, para outra R$ 72 mil e para a outra R$ 1 milhão, 320 mil. A soma dessas despesas chega a R$ 1 milhão, 752 mil. Desse total do contrato retirados os 10%, que é a taxa de administração da Funpat, ainda sobrariam R$ 2 milhões, 636 mil. Se as subcontratadas receberam R$ 1 milhão, 752 mil, isso quer dizer que há mais do que R$ 900 mil, quase um milhão de reais aí desaparecidos.

Esse dinheiro, nesse valor, por exemplo, pode estar embutida a remuneração do Waldomiro ou do... Onde é que está esse dinheiro, o senhor que foi o diretor administrativo e financeiro durante seis anos e meio. O senhor teria uma explicação?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Bem, o meu advogado me chamou a atenção para um fato que eu não sabia. Parece que houve um engano, e isso vai estar sendo consertado através da cópia das notas fiscais, de uma planilha mais detalhada, segundo informação que ele me passou.

O SR. NOEL DE CARVALHO - Se o advogado dele quiser falar direto, pode, Sr. Presidente?

O SR. JOÃO AIRES DA MOTTA - É só uma explicação. Quando os prestadores de serviços estiveram aqui ontem, foi perguntado a eles – eles não mentiram - um valor por alto. “Quanto, por alto, vocês receberam?”. Eles não estavam aqui com as planilhas contábeis. Então, eles disseram que, por alto, receberam um valor X, e, aí, o senhor se baseou num valor por alto.

O SR. NOEL DE CARVALHO – Permita-me, Dr. João Aires da Motta. Esse “por alto”, num contrato de dois milhões e novecentos mil, novecentos mil, quase um milhão, são 1/3 do que...

O SR. JOÃO AIRES DA MOTTA – Deputado, se o senhor me permite...

O SR. NOEL DE CARVALHO – Quer dizer, por alto, de 10% para 1/3, já deduzidos esse 1/3, e estou falando já deduzidos os 10% da taxa de administração.

O SR. JOÃO AIRES DA MOTTA – Sr. Deputado, a Presidência oficiou à Funpat, foi deferido aqui ainda há pouco, para que a fundação apresente as notas fiscais dessas empresas contratadas. Quando houver o confronto das notas fiscais, vai se verificar que essas contas não batem. É só isso. A pergunta que foi feita para eles... Só porque o senhor foi muito duro quando disse que eles mentiram, mas eles não mentiram. A pergunta que foi feita a eles aqui...

O SR. NOEL DE CARVALHO – Eles se enganaram?

O SR. JOÃO AIRES DA MOTTA – A questão é a seguinte: existe a interpretação teleológica da palavra. A gente está interpretando aqui o que foi perguntado. O que foi perguntado é: “por alto, quanto cada um recebia” e eles falaram por alto. Ninguém perguntou aqui quanto efetivamente cada um recebia, onde estão suas planilhas fiscais, tudo isso. Não foi perguntado sobre seus problemas contábeis, não foi perguntado isso. Foi perguntado por alto.
No dia 27 de maio depôs Marcelo Janone de Almeida, ex-prestador de serviço da Hebara e sócio da Janotti, Comércio e Representações e da Good Look Distribuidora Lotérica. Segundo ele, a relação comercial com a Hebara foi desfeita dois anos atrás, depois de uma parceria de seis anos:
O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Não. Vai fazer um ano e sete meses mais ou menos que eu não estou mais. Foi, até, uma quebra. Na verdade, não houve contrato por escrito. O contrato era... Verbal. Foram seis anos que eu prestei serviço para eles. De um dia para o outro acabaram com, depois do falecimento de um dos sócios, acabaram com...

O SR. LUIZ PAULO – O senhor começou a trabalhar, então...

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – 96.

O SR. LUIZ PAULO – Ficou de 96 a 2002?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Isso.

O SR. LUIZ PAULO – Durante seis anos, aproximadamente, o senhor foi subcontratado da Hebara. O que efetivamente o senhor fazia para a Hebara?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Eu tinha o meu escritório. Recebia os bilhetes todos os dias pela manhã tanto os de Raspadinha, Toto Bola, Tele Sena. Eu tinha meus entregadores que iam para a rua entregavam, recebiam o dinheiro e voltavam para a empresa. Eu mandava esse dinheiro para a Hebara. A verdade, era mais um arrecadador de dinheiro da Hebara, de entregar bilhete e receber dinheiro do que outra coisa. Tinha obrigação de abrir novos pontos de venda. Todo o risco da operação era minha. Todo risco de roubo, como houve vários. Então, todo o risco da operação era minha. Eles me entregavam o bilhete lá dentro do meu escritório e dali para a frente eu tinha que levar o bilhete para a rua, entregar aos clientes, receber o dinheiro e devolver para eles.

O SR. LUIZ PAULO – Qual era a sua taxa de administração na venda das Raspadinhas e do Toto Bola?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Na Raspadinha, 2%. No Toto Bola, 2% também.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor tinha em média qual o volume de bilhetes mensais que o senhor negociava, porque para ter ganho com 2% tem que ter escala.

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Em torno de um milhão de bilhetes mês, um milhão e meio, outros meses setecentos, oitocentos mil. Na média, um milhão de bilhetes entre Raspadinha e Toto Bola. São R$ 20 mil.

O SR. LUIZ PAULO – R$ 20 mil de participação.

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Depois disso, ainda tinha que pagar os custos da minha empresa.

O SR. LUIZ PAULO – Claro. R$ 20 mil brutos.

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Na realidade, não sobrava quase nada. A verdade é essa.

O SR. LUIZ PAULO – Mas mesmo assim o senhor resistiu seis anos.
Marcelo Almeida informou que, devido às baixas taxas de remuneração, foi obrigado a trabalhar, no início, informalmente, apesar de distribuir mais de um milhão de bilhetes por mês, na Zona Oeste do Rio:
O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – (...) nos primeiros anos eu fazia isso na minha casa. Eu tinha a empresa, mas fazia ainda na minha casa, pelo custo ser mais barato. Eu mesmo fazia e ia entregar, e aí eu conseguia ganhar alguma coisa. De uns dois anos e pouco para cá que eu, realmente, fui para um escritório.

O SR. LUIZ PAULO – Quantos pontos de venda eram aproximadamente para o senhor distribuir um milhão de bilhetes, hein?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Aproximadamente, vou chutar agora aqui, porque já têm dois anos, uns quinhentos pontos de venda, quatrocentos pontos de venda.

O SR. LUIZ PAULO – Por que o senhor com essa eficiência e esse ganho extremamente pequeno em relação ao percentual que a Hebara recebia, por que a Hebara rompeu o contrato com o senhor?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Rompeu. Eu, até, hoje acredito que é mais âmbito pessoal do que profissional, porque, na verdade, eu fui chamado para trabalhar na Hebara através do principal dono da Hebara, que era o falecido Orlando Soares. Ele me convidou. Ele era tio da minha ex-companheira. Ele me convidou para trabalhar, para vender os bilhetes. Eu fui. Só que ele tinha problema com os outros sócios, que tem até um outro sócio que já faleceu também. Acho que quem assumiu foi a filha, que é Carlos Firme. Seriam, na verdade, os dois donos da Hebara. Pessoalmente, eu nunca me dei bem com o Carlos Firme até por causa do Orlando. Como entre os dois era aquela briga de poder, na verdade, o Orlando que comandava o negócio, sempre comandou até morrer. Quando ele morreu o primeiro a ser excluído do negócio foi o filho dele próprio, que fazia a segurança da Hebara. Foi o primeiro a sair do negócio. O segundo depois fui eu. O terceiro foi um amigo dele, também, que já estava no negócio de Niterói. Então, eu posso acreditar que seja por causa disso. O primeiro a sair foi... Não deu nem um mês que o Orlando faleceu, o filho dele foi retirado da segurança. Ele fazia a segurança. O segundo fui eu e o terceiro foi um amigo dele que fazia a distribuição em Niterói e no interior do Estado.
Apesar de ter trabalhado para a Hebara durante seis anos, o depoente não soube informar se o pagamento que recebia era feito dentro da lei:
O SR. LUIZ PAULO – Esse pagamento da comissão que a Hebara lhe fazia era por dentro? Caixa Um?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Não sei, porque vinha descontado na... Já vinha descontado na...

O SR. LUIZ PAULO – O senhor emitia nota fiscal bonitinho?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Eu pagava sobre o que eu vendia. Recebia as notas dele, pagava sobre o que eu vendia.

O SR. LUIZ PAULO – Mas ela lhe dava nota...

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Ela dava.

O SR. LUIZ PAULO – Então é por dentro.Caixa um.

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Ela não pagava comissão. Ela já mandava a nota, descontada a comissão.

O SR. LUIZ PAULO – Esse acerto de contas que o senhor fazia com a Hebara,... Porque o senhor passava na casa lotérica, o senhor, certamente, recolhia o dinheiro e dava mais bilhete para ser uma operação só.

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Isso, exatamente.

O SR. LUIZ PAULO – Isso que o senhor recolhia era dinheiro ou vinha em cheque? Como é que era?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Recolhia dinheiro, cheque, bilhete, tudo. E pegava e enviava isso dentro de um malote para a Hebara num papel que eles mandavam lá para preencher. Eu preenchia. Dali para frente, eu não sei. Eu pegava, recolhia e enviava para eles.

O SR. PAULO RAMOS – Era normal a Hebara tratar as subcontratadas com essa informalidade?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA - Normal.

O SR. PAULO RAMOS – Todos recebiam sem...

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA - Recebiam. Eu mandava os pagamentos, nunca recebi um...

O SR. PAULO RAMOS – Não. Não estou dizendo na relação com o senhor. Como a Hebara tinha outras subcontratadas...

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA - Acredito que sim. A relação devia ser igual. Pelo menos que eu saiba sempre foi igual a relação que tinha comigo e com os outros também.
O depoente informou que ele e as outras empresas terceirizadas não recebiam garantias da Hebara:
O SR. PAULO RAMOS – Eles chegavam lá, recebiam os bilhetes e não tinham nenhuma forma de caução, de recebimentos?

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA - Não. Muitas vezes não. Algumas vezes tinha com cheque. A gente passava os cheques de algumas operações. Outras, não. (...) Porque eu, na verdade, efetuava os pagamentos do que eu recolhia, e nunca recebi um recibo do que eu paguei: “Olha, você pagou isso aqui, você pagou o que retirou”. Eu não tenho nenhum recibo de pagamento.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Eu volto a fazer essa referência – não estou te acusando de nada -, mas V.Sa. não tem nenhum vínculo com o estado - e era portador de documentos que eram oficiais.

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Era representante do estado. Não deixava de ser.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E era portador de documentos oficiais sem ter nenhum tipo de vínculo. Então, fica claro, para a minha avaliação, o mau serviço prestado pela Hebara e a ilegalidade com que a Hebara trata o contrato que tem com a Loterj há anos. Inclusive, até muitos brincam dizendo que a Loterj é a Hebara; a Hebara é a Loterj, pelo fato dela possuir uma capacidade de trabalho considerável dentro desse contexto da Loterj. E vemos que a preocupação com a coisa pública é o que menos prevaleceu nessa ligação.
Marcelo Almeida informou ainda que a distribuição dos bilhetes era feita por muitos, além dos três grandes – Good Look, Lupa e Jomar:
O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Foram três. Foram os três maiores. Mas tinham vários outros. Pelo menos, mais uns quatro que iam lá buscar para nós. Esses três correspondiam a 50% da venda da Hebara.

O SR. LUIZ PAULO – E tinham outros 50% distribuídos...

O SR. MARCELO JANONE DE ALMEIDA – Não. Aí tinham mais uns 20% distribuídos... Eu até lembrei, têm mais dois que têm até loteria, inclusive, são donos de loteria e distribuidores. Não estou conseguindo lembrar o nome exatamente agora. Então, ao todo, eram quase 70% da venda da Hebara na mão dos redistribuidores. 30% ela fazia direto, porque era só na área da Zona Sul e Centro.
O depoente informou que era remunerado pela Hebara com 2% do valor do bilhete:
O SR. LUIZ PAULO – Mais uma pergunta, Sr. Marcelo. O senhor sabe qual era a taxa de administração que a Hebara ganhava na Raspadinha e no Toto bola?

O SR. MARCELO JANONE DE OLIVEIRA – Acho que... No Toto Bola não sei. Na Raspadinha, se não me engano, era de 27%.

O SR. LUIZ PAULO – E o senhor recebia quanto, podia confirmar?

O SR. MARCELO JANONE DE OLIVEIRA – 2%. Até comentava às vezes, quando a gente tinha algum tipo de problema sobre isso. Falava assim “Ah, mas a gente faz segurança, faz não sei o quê”. Eu falei: se eu colocar isso dentro da minha empresa vou ter que pagar para trabalhar todo mês...


1   ...   28   29   30   31   32   33   34   35   ...   42


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal