Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. PRESIDENTE (Paulo Melo) – Tem esses cento e poucos aproximado?

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – Cento e dez.
O depoente Cláudio Raimundo Corrêa da Rocha, ao ser indagado, disse quem o convidou a prestar serviços para a Loterj:
O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – Como coordenador técnico desse projeto, a nossa cooperativa foi chamada pelo diretor-administrativo-financeiro da Funpat. Ou seja, como já tínhamos prestado serviços à Funpat no LNCC com os nossos cooperados e também com a FIOCRUZ, prestamos um excelente serviço lá no POP/RJ e então nós fomos contatados pelo Sr. Robson Cardinelli, que foi o diretor administrativo financeiro, nos ofertando a possibilidade – não havia ainda nenhuma concretização – de nós sermos subcontratados pela Funpat para prestar esse serviço na Loterj.
Mais adiante, o depoente afirmou que iria interpelar judicialmente as pessoas que haviam dito que tinham recebido complementos salariais através da Atrium:
O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – Eu gostaria também de acrescentar a essa minha colocação que nós da cooperativa, quando soubemos de alguns depoimentos aqui relatados, estamos convocando uma assembléia extraordinária para interpelar judicialmente as mentiras que foram colocadas aqui.

O SR. PRESIDENTE (Paulo Melo) – Alguma vez o senhor pagou ao pessoal indicado pela Loterj ou pela Funpat que não foram contratados diretamente pelos senhores?

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – Nós entregamos há 10 dias – conforme a solicitação desta CPI – a relação nominal, com data de início; data de término; a remuneração; de todos os nossos cooperados que, efetivamente, trabalharam no projeto da Funpat. Eu gostaria de ressaltar, Srs. Deputados, que a relação da nossa cooperativa é com a Funpat; não é com a Loterj. Não temos nenhum contrato com a Loterj.

O SR. PRESIDENTE (Paulo Melo) – O senhor, alguma vez, pagou alguém que não estivesse na cooperativa.

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – Não! É mentira!

O SR. PRESIDENTE (Paulo Melo) – Nunca remunerou ninguém. Ninguém, nunca, da Funpat, pediu ou indicou?

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – Não!
Nesse momento, o depoente Paulo Wagner admitiu que um dos depoentes, Jose Luiz Quintães, funcionário da CEF à disposição do Governo do Estado, era cooperativado da Atrium (prestadora de serviços da Funpat contratada da Loterj):
O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – Um dos depoentes, o Luiz Quintães, era cooperado; ele recebia pela Atrium e ele prestou serviços em 2001 e 2002. Ele...

O SR. PAULO RAMOS – Mesmo que, simultaneamente, exercesse cargo de direção na Loterj?

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – Não, aí é o segundo caso. Quando ele entrou e quando ele foi cooperado, ele não informou para a gente qual era a origem dele. Na verdade, na ficha de inscrição, está como contador. E a Atrium não tem o costume de fazer um levantamento da vida anterior de cada um dos cooperados que se apresentam. O André Laranjeiras também constava da lista; também era um cooperado e ele recebeu até um determinado momento. Quando a Funpat nos avisou que ele passou a ser diretor – se não me engano, diretor operacional – ele deixou de receber pela Atrium.

O SR. PAULO RAMOS – Então, não houve simultaneidade entre o cargo na Loterj e...

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – No momento em que a gente foi comunicado, não. Eu não sei se a gente não recebeu a data precisa em que ele passou a ser indicado como diretor.

O SR. PAULO RAMOS – No período em que participavam da cooperativa, para quais projetos eles trabalharam?

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – Eles trabalharam somente para esse projeto da Loterj.

O SR. PAULO RAMOS – Eles já trabalhavam para o projeto da Loterj, mesmo antes de terem cargo na Loterj?

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – Eles entraram e foram... Do grupo que começou nesse projeto da Loterj, alguns foram indicados e outros a gente pegou de dentro da cooperativa. Tanto o Quintães quanto o Laranjeiras e outros – se não me engano o Moisés – vieram por uma indicação da própria Funpat para que a gente cooperasse. A gente entrou em contato com eles...

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – Eu gostaria de acrescentar, Deputado Paulo Ramos, que a nossa cooperativa tem um segmento de mercado na área de informática. A loteria, quer dizer, a LOTERJ tem uma especificidade porque são jogos lotéricos, e você buscar no mercado consultor em jogos é difícil, ainda mais em uma cooperativa pequena como a nossa – hoje temos 180 cooperados somente ativos. Então, solicitamos... Eu, como coordenador técnico, solicitei ao diretor administrativo e financeiro que nos possibilitasse indicações de consultores que pudessem ter essa experiência em jogos – que é o caso do José Luiz do Amaral Quintães, que, efetivamente, tinha todo esse conhecimento. Entendeu, Deputado Paulo Ramos?

O SR. PAULO RAMOS – Entendi. Mas é que foi o Leonardo Nigromonte. E tem o André Laranjeiras.

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – É outro que vai ser interpelado judicialmente. Nós temos aqui, se os senhores quiserem, a convocação da nossa assembléia para julho, e na pauta da reunião está a interpelação judicial.

O SR. PAULO RAMOS – Eles alegaram que recebiam da Atrium.

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – Não recebiam, não receberam e não receberão.

O SR. PAULO RAMOS – No período em que ele não tinha ainda...

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – O Dr. Laranjeiras, conforme entregamos a esta CPI há dez dias uma relação nominal, era nosso cooperado até assumir a diretoria de Operações da LOTERJ.
Os depoentes informaram que o contrato com a Loterj terminou em 2002 e não foi renovado. Os depoentes explicaram, ainda, como surgiu a empresa Lótus e qual a função dela:
O SR. PAULO ROBERTO WAGNER -... A Lótus é uma empresa que foi montada de dentro da Atrium por cooperados da Atrium. Não é uma cooperativa.

O SR. PAULO RAMOS – A Lótus é uma empresa?

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER -... É uma empresa, mas formada por pessoas de dentro da Atrium, algumas pessoas de dentro da Atrium.

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – Deputado Paulo Ramos, a Atrium é uma cooperativa. Em 99 o INSS estabeleceu uma lei em que todo tomador de serviços de uma cooperativa, quer seja de trabalho, multifuncional ou de algum segmento de mercado, deveria reter do valor da nota fiscal 15%. Então, decidimos que, se quiséssemos sobreviver nesse mercado de trabalho, deveríamos ter uma alternativa de continuarmos prestando serviços, através da criação de uma empresa específica de prestação de serviços na área de informática, porque estava inviabilizando todo processo de negociação com as empresas, porque não trabalhamos só para o estado.

Nesse memorial que entregamos à CPI temos várias empresas de cunho privado para as quais prestamos serviços. Além do mais, não prestamos serviços somente para a Loterj, mas também para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, para a Feema, para a Secretaria Municipal do Trabalho, para o IRB, para o Ibam; ou seja, temos uma relação bem extensa. Nossa cooperativa foi criada em 94; são dez anos de existência. E foi criada com professores da PUC e com alunos que trabalhavam no Projeto Gênesis, de incubadoras de empresas. Essa cooperativa tem lastro.

Mas, voltando à sua pergunta da Lótus, exatamente é essa a nossa afirmação, porque não tínhamos uma opção de concorrer no mercado continuando com uma cooperativa.

O SR. PAULO RAMOS – Mas a Lótus foi contratada pela FUNPAT?

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA – A Lótus foi contratada pela FUNPAT, sim senhor.

O SR. PAULO RAMOS – A partir de que ano?

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA - Do ano de 2003.

O SR. PAULO RAMOS – O serviço prestado pela Lótus à Loterj, através da Funpat, é o mesmo que era prestado pela Atrium?

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA - Não senhor. É outro tipo de serviço.

O SR. PAULO RAMOS – Qual é?

O SR. CLÁUDIO RAIMUNDO CORRÊA DA ROCHA - Vou lhe explicar: homologação de máquinas de bingo eletrônico – esses equipamentos não são da Loterj, ou seja, existe um decreto governamental que estabelece o seguinte: o bingueiro – que nós chamamos de bingueiro, porque são os donos das casas de bingo – adquirem uma máquina de bingo, pagam não sei quantas mil UFIRs para a Loterj, para o Tesouro do Estado, porque isso é por lei, por decreto governamental – eles são obrigados a isso – e a Loterj tem como responsabilidade homologar o hardware e o software. Isso é alta tecnologia, não é rebimboca da parafuseta. Isso é alta tecnologia. Só existem duas empresas com competência técnica, aqui no Estado do Rio de Janeiro, para, efetivamente, fazer, principalmente a homologação de hardware: é o ITUC da PUC, Instituto da PUC, e a Funcefet. Então, esse foi um projeto específico que a Lótus fez o contrato com a Funpat, exatamente para fazer esse tipo de serviço, esse tipo de qualificação técnica.

O outro foi um callcenter que não está instalado na Loterj - como o senhor se referiu da outra... de alguns momentos de sessões em que o senhor colocou que visitou a Loterj e a Loterj e suas instalações estão caindo aos pedaços – mas o callcenter era fora da Loterj, a exemplo do Bradesco, Telemark??? Se o senhor buscar lá na cidade de Deus, em São Paulo, a Bradesco, o callcenter não estará instalado, certamente, lá na cidade de Deus. Estará instalado na Torre Rio Sul e assim por diante. E lhe afirmo mais o seguinte: no estado em que o senhor encontrou a Loterj, quando o senhor visitou com o Deputado Caetano, está piorando mais ainda, porque deixamos de prestar esse serviço ao povo do Rio de Janeiro, que joga na “Raspadinha”, no “Toto Bola”. O callcenter não existe mais, ou seja, essa deterioração vai complicar, complicou muito mais ainda.

O SR. PAULO RAMOS – Esses valores do contrato que o senhor citou, são valores de contratos, de serviços prestados só à Loterj, com a Funpat?

O SR. - (EM OFF) O instrumento ??? que eu falei?

O SR. PRESIDENTE (Paulo Melo) - 60 e 110.

O SR. PAULO RAMOS – 60 e120. Só com a Loterj?

O SR. - Só com a Loterj.

O SR. PAULO RAMOS – Quantos funcionários da cooperativa estavam envolvidos nisso?

O SR. - Funcionário nenhum, porque, na verdade, a gente trabalha com os sócios, que são os cooperados. Estava na faixa de 35.

O SR. PAULO RAMOS – Cooperados.

O SR. - Em torno de 35.

O SR. PAULO RAMOS – E a Lótus efetua pagamentos nos moldes citados aqui? A algum diretor?

O SR. - Não, não faz nenhum pagamento.

O SR. PAULO RAMOS – Nenhum. E também não tem a mesma situação de ex-funcionários ou pessoas que antes...

O SR. - Não, não.
No dia seguinte, 26 de maio, depôs o ex-diretor de administração e finanças da Funpat, Robson Cardinelli. Ele exerceu a função da fundação de agosto de 1997 a 31 de dezembro de 2003. Ele informou que cuidava de toda a parte administrativa e financeira inerente às atribuições que a fundação desenvolvia: a parte de manutenção do prédio, a parte toda de folha de pagamento, o departamento de pessoal, a parte toda de contratos, tudo era inerente ao cargo de diretor administrativo e financeiro. Cardinelli garantiu que qualquer tipo de pagamento na Funpat passava obrigatoriamente por ele.
O SR. ROBSON CARDINELLI – Em fevereiro de 1999 recebemos um convite da presidência da Loterj para apresentar uma proposta. Pelo que nos foi passado, a Loterj estava a procura de fundações para dar continuidade no serviço, que vinha sendo exercido anteriormente por uma outra fundação, e resolvemos, na ocasião, participar. Apresentamos uma proposta e fomos escolhidos – a Funpat foi escolhida – para prestar o serviço. O que fiquei sabendo, na época, é que a Loterj tinha consultado diversas fundações. Imagino eu, que eles tenham, após a consulta a diversas fundações... O que nos foi passado também é que a nossa taxa, a taxa de administração oferecida pela Funpat, à época, foi a taxa mais baixa. Portanto, a Funpat foi agraciada com o contrato.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E esse contrato foi o que deu início à ligação da Funpat com a Loterj.

O SR. ROBSON CARDINELLI – O primeiro contato com a Loterj, essa solicitação de apresentar uma proposta, do interesse de a Funpat apresentar uma proposta para prestar o serviço, foi em fevereiro de 1999.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas depois desse período, quais os outros contratos que foram assinados com a Loterj?

O SR. ROBSON CARDINELLI – O primeiro contrato assinado com a Loterj, se não me engano, foi em abril ou maio de 1999. Foram assinados, não me lembro bem quais os contratos, depois esses contratos foram sendo prorrogados – eram contratos por doze meses – e esses contratos foram sendo prorrogados, e prestamos contratos com a Loterj até agora recentemente.
O depoente afirmou que a relação entre a Fundação Parque de Alta Tecnologia de Petrópolis e a Loterj foi anterior a administração Diniz. Cardinelli garantiu que não houve ingerência política na hora da contratação da Funpat e, por fim, refutou a denúncia de que pagava a funcionários da Loterj:
O SR. ROBSON CARDINELLI – O Sr. Waldomiro quando assumiu a Loterj, a Funpat já prestava serviços a ela. Já tínhamos alguns contratos que estavam em desenvolvimento, alguns projetos que estavam em desenvolvimento. Esses serviços, na administração dele, ele deu continuidade aos serviços e, quando esses contratos terminaram, fomos chamados a dar continuidade ao contrato, ou seja, assinar um novo contrato por um período igual, de mais doze meses, para dar continuidade ao contrato. Então, não vejo... Quer dizer, não teve nenhuma questão política envolvida. Continua sendo técnica.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Como era feito o pagamento de ajuda de custo e complementação salarial?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Nunca foi feito nenhum pagamento de ajuda de custo ou complementação salarial.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Nunca foi feito. O senhor nunca ouviu falar nisso?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Nunca. A Funpat não faz pagamento de ajuda de custo nem complementação salarial.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A que V.Sa. atribui o fato do Sr. Waldomiro Diniz e vários outros funcionários terem dito que, efetivamente, recebiam contribuição, complementação salarial através ou da Funpat ou de subcontratadas da Funpat? Tendo em vista que a declaração foi totalmente espontânea. Foi uma pergunta imediata e uma resposta espontânea, aonde a resposta vinha também recheada de tranqüilidade, considerando que esse era um fato normal dentro desse processo.

O SR. ROBSON CARDINELLI - Sr. Presidente, recebi o depoimento do Sr. Waldomiro com surpresa e indignação. Acompanhei a reprise do depoimento do Sr. Waldomiro, após saber que no depoimento dele ele havia feito essa afirmação. Então, acompanhei todo o depoimento do Sr. Waldomiro, como já disse, a reprise. E o que eu posso atribuir é que... Afirmo que o Sr. Waldomiro faltou com a verdade perante a esta Casa e a esta Comissão. A Funpat nunca, em momento algum fez nenhum tipo de pagamento de qualquer título ao Sr. Waldomiro e a nenhum funcionário da Loterj. Também as nossas subcontratadas nunca tive conhecimento. Portanto, acredito que não tenham feito. O que eu posso atribuir é que perante as perguntas que lhes foram feitas, principalmente pelo ilustre Deputado Paulo Ramos, o Sr. Waldomiro não poderia sustentar a sua situação, a sua condição de vida simplesmente com o salário que ele recebia como diretor-presidente da Loterj. Isso ficou muito claro. Uma pessoa que recebia quatro mil reais, quatro mil e pouco reais por mês, pelo menos foi o que ele afirmou, para o exercício de seu cargo não conseguiria sobreviver num apart hotel no Leblon, com a família morando em Brasília. Enfim, ele não teve escapatória.

Acho que era muito mais simples ele pegar uma fundação, uma fundação, eu diria, ilustre desconhecida para ele, de Petrópolis, uma cidade distante, onde ele teve muito pouco contato e jogar a culpa para cima da fundação.
Neste momento, o depoente explicou como era feito o controle de pagamentos das empresas terceirizadas pela Funpat:
O SR. ROBSON CARDINELLI - O serviço era prestado, a Funpat emitia nota fiscal e o relatório do serviço dos envolvidos à Loterj, o pagamento era liberado e a Funpat, mediante nota fiscal e relatório dos seus terceirizados, das empresas...

O SR. LUIZ PAULO - Quando vocês assinam um contrato, vocês verificam se o objeto daquele contrato, de fato tem a ver com a área tecnológica da Funpat?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Sem sombra de dúvida. Todos os contratos firmados através da Funpat, na minha gestão, tinham a ver com o objeto da Funpat. A Funpat nunca prestou nenhum tipo de serviço que não fosse ligado a questão da informática, basicamente da alta tecnologia. Nunca prestamos serviços na área de construção civil nem em outra área.

O SR. LUIZ PAULO – Vocês têm um cadastro de prestadores de serviço na área de informática, em tecnologia da informática, e vocês pontuam esses prestadores de serviço para na hora da subcontratação vocês escolherem?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Há uma ciência na escolha. A Funpat dispõe de um cadastro de parceiros, de empresas prestadoras de serviço. E a gente procura, na hora da escolha para a prestação de um serviço, aquela empresa que detém a tecnologia mais próxima do objeto do contrato que a Fundação estaria assinando.

O SR. LUIZ PAULO – Vocês, por alguma vez, já subcontrataram alguma empresa que tenha sido incubada pela Funpat? Incubada no sentido de incubadora de empresa.

O SR. ROBSON CARDINELLI - Sim. A Funpat estimulou no seu condomínio de empresas tecnológicas a criação de uma incubadora de empresas. Nós tivemos um contrato com a Secretaria de Educação do Município de Petrópolis, onde estimulamos uma empresa recém-criada e, portanto, incubada dentro do pólo tecnológico da Funpat, a prestar esse serviço. Na verdade, não foi só uma empresa, foram duas ou três empresas; pequenas empresas, garotos novos, recém-formados, onde a Funpat estava, além de abrigando eles dentro do pólo tecnológico dessa incubadora, dando toda parte de assessoria jurídica, contábil... Estava com essas empresas embaixo de suas asas, dando a primeira oportunidade de trabalho para essas empresas.

O SR. LUIZ PAULO – Se você, como uma fundação, você subcontrata 90% dos serviços, e esses serviços não são subcontratados com empresas que estão incubadas na fundação, no meu entendimento, isso vai caracterizar um desvio de objeto. O senhor, nesse longo período, o senhor foi diretor seis anos e meio aproximadamente, essa sempre foi a norma da empresa?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Veja bem, Deputado, a Fundação Parque de Alta Tecnologia de Petrópolis não dispõe no seu corpo de funcionários de técnicos.

O SR. LUIZ PAULO – Mas, o senhor fez uma afirmação aqui de que em 99 – foi o senhor que levantou uma hipótese – a taxa de administração que o senhor propôs à Loterj teria sido mais interessante do que as outras taxas de administração. O senhor trabalhou, em média, com que taxa de administração nesse período?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Entre nove e dez por cento.
Segundo o depoente, a relação entre a Funpat e a Loterj foi selada através da assinatura de um protocolo de intenções:
O SR. PAULO RAMOS – E houve termo aditivo?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Termos aditivos ao protocolo de intenções.

O SR. PAULO RAMOS – E durante o protocolo de intenções a Funpat começou a prestar o serviço?

O SR ROBSON CARDINELLI - Sim.

O SR. PAULO RAMOS – Eu quero saber o seguinte: há no contrato a previsão de taxa de administração? Existe essa expressão no contrato? Porque eu não encontrei. Taxa de administração?

O SR. ROBSON CARDINELLI - Não, não. Está explicitado. Agora, com relação à questão do protocolo de intenções isso fica a cargo do jurídico da instituição contratante. Quer dizer, a Funpat quando foi chamada, o jurídico da Loterj entendeu à época que a figura jurídica que estabelecia relação entre as partes não seria um convênio e nem seria um contrato; seria um protocolo de intenções. Confesso-lhe que eu não conhecia essa figura jurídica à época “protocolo de intenções”. Mas quero deixar claro que não é responsabilidade da Funpat. Quer dizer, o jurídico da Loterj na época entendia que tinha que ser um protocolo de intenções. E assim foi feito.

O SR. PAULO RAMOS – Eu sei, mas mesmo no protocolo de intenções e depois nos contratos assinados eu não encontrei a expressão “taxa de administração”. A impressão que passa no contrato é de que a Funpat prestaria o serviço, ela estava sendo contratada para prestar e não para administrar a prestação de serviços. Eu queria uma explicação sobre isso, se fosse possível.

O SR. ROBSON CARDINELLI - Veja bem, esses contratos no caso inicial, o protocolo de intenções, é um instrumento de adesão. Nós tínhamos um valor que era um valor fechado, a Loterj via que tinha tanto para se fazer o serviço e a Funpat então estudava se, dentro desse valor disponível e o serviço que estava especificado para ser desenvolvido se nós teríamos ou não condições de prestar o serviço, ou seja, com mão-de-obra própria como foi o nosso caso ou através de empresas que viéssemos a contratar. O que eu chamo de taxa de administração é justamente o resultado dessa subtração, ou seja, o valor que tínhamos disponibilizado para prestar o serviço pelo órgão contratante e o valor das empresas que a Funpat estaria contratando para efetivamente prestar o serviço iriam cobrar.
Neste ponto do depoimento, Cardinelli explica como foi feita a parceria entre a fundação e a Loterj, contestada pelo Deputado Paulo Ramos:
O SR. ROBSON CARDINELLI – (...) O protocolo de intenções me desculpe, isso não é a minha área, não sou advogado, mas o protocolo de intenções estabelece apenas a relação entre as partes. Depende, evidentemente, de termos aditivos onde nos termos aditivos vão estar mais especificados os objetos da prestação de serviço, o prazo da execução do serviço e o valor a ser pago pela prestação de serviço. Foram feitos os termos aditivos ao protocolo de intenções, se não estou enganado.

O SR. PAULO RAMOS – O que foi uma outra aberração, que eu nunca tinha visto. Na verdade, a partir de um determinado momento, depois do protocolo de intenção ser considerado contrato, a partir de uma determinada fase, a Funpat passou a assinar contrato. O que determinou essa mudança, então? Se o protocolo de intenção já bastava, o que determinou essa mudança?

O SR ROBSON CARDINELLI - Sem querer faltar com o respeito ao ilustre Deputado, esta pergunta não deveria ser feita a mim. O que eu posso trazer de elementos ao ilustre Deputado é que essa mudança de termo aditivo ao protocolo de intenções e, posteriormente, contrato mudando essa figura, foi justamente no período após a assunção do Sr. Waldomiro na Loterj. Com a nova administração, creio eu que o jurídico do órgão entendeu que deveria ser um contrato e assim o fez. Agora, eu não sou a pessoa mais indicada para estar respondendo isso ao senhor.


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