Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Correto.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Percebemos que existe aqui o José Renato entrando no circuito, junto com o presidente da Loterj, para ir botando as máquinas nos bingos, de forma direta.

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – É isso mesmo, porque para ser pago aquilo que deve ser pago.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, uma informação como essa, por exemplo, que, efetivamente, eram pagos percentuais, a título de propina, é uma informação importante. Que o José Renato era o intermediário entre as máquinas nos bingos e o Waldomiro Diniz, é uma informação importante para o desdobramento dos nossos trabalhos.

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu nunca participei de nenhum tipo de percentual ou de qualquer coisa ou acompanhei qualquer tipo de negociação feita entre o Sr. José Renato e o Sr. Waldomiro, mesmo porque a minha atividade não é aqui. Isso foi colocado dentro desse depoimento, e possivelmente não sei a que propósito que foi colocado isso aí dentro do depoimento para poder me atrelar a alguma coisa que eu nunca participei. Como eu disse ao senhor, que quando eu terminei o depoimento lá, eu não sabia do que se tratava nem para que seria usado esse depoimento, eu acabei nem lendo. Assinei e fui embora.

Neste ponto, o depoente fala da empresa Betec, de sua relação com ela e com o empresário Alejandro Ortiz:



O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – A Betec é uma empresa que eu, por orientação do Sr. Ortiz, também... Eu estava com o equipamento parado dentro do Estado de Goiás, não estava funcionando, o Sr. Alejandro Ortiz me indicou essa Betec para que eu pudesse locar algumas máquinas para eles aqui, dentro do Estado do Rio de Janeiro, para ver se podia ter algum recurso, arrumar um recurso para esse... A Betec é uma empresa do Rio de Janeiro... Onde atua dentro da área de bingo, também. O seu Alejandro Ortiz me indicou a Betec, aqui, para que eu pudesse locar umas máquinas da minha empresa para a Betec. Eu emiti uma nota de locação e veio para cá.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor, na verdade, locou máquinas a essa empresa. Quantas máquinas o senhor...?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Oito máquinas.

Mais uma vez, o depoente afirma que o depoimento prestado no MP Federal não corresponde ao que ele disse no dia:



O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – (...) O primeiro depoimento foi um depoimento onde, como eu não fui acompanhado de advogado, que não tinha advogado, não sabia o motivo dele, foi feito esse depoimento dessa maneira. Aí, eu fui arrumar o depoimento que é a maneira que eu achei correta de poder explicar e como é que foi feito isso, esse depoimento.

O SR. CAETANO AMADO – Quem chamou o senhor para dar o depoimento no Ministério Público Federal?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – O Sr. Miro Pedrosa. (vozes concomitantes).

O SR. CAETANO AMADO – Por que razão?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Também desconheço.

O SR. CAETANO AMADO – O senhor desconhece a razão de ser solicitado ao Ministério Público para fazer um depoimento?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu realmente desconhecia, não sabia o porquê, o motivo dele.

O Deputado Caetano Amado questiona o depoente sobre um encontro do empresário com Mino Pedrosa, numa lanchonete de beira de estrada:



O SR. CAETANO AMADO – O senhor poderia nos informar qual foi o motivo daquela reunião, na Lanchonete Arivar, entre Anápolis e Brasília? Qual a razão da reunião?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu não...

O SR. CAETANO AMADO – Ou se teve ou se não teve essa reunião?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Não, eu não tive reunião com ele nenhuma dentro..., da onde o senhor está falando?

O SR. CAETANO AMADO – Na lanchonete.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Numa lanchonete.

O SR. CAETANO AMADO – Uma reunião na Lanchonete Arivar, entre Anápolis e Brasília.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Não, entre Anápolis e Brasília, eu encontrei ele ali, que estava indo para Brasília e eu acabei encontrando ele ali. Eu paro para fazer um lanche ali e acabei encontrando com ele. Inclusive, encontrei não o jornalista, primeiro, encontrei um funcionário dele.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Ah, mas então, o senhor esteve pessoalmente com o Miro Pedrosa?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Não, eu estava passando, eu estava indo para Brasília de carro. Aí eu parei no restaurante Gerivar e ele estava lá...

O SR. CAETANO AMADO – Entre Anápolis e Brasília.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Ah, então, o senhor esteve pessoalmente com ele.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Não, estive não, eu não fui...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Coincidência, mas...

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Coincidência.

O SR. CAETANO AMADO - Mas esteve.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Coincidência, tudo bem. Mas, numa pergunta que eu fiz, e desculpa, Caetano estar atrapalhando as suas perguntas, eu tinha perguntado efetivamente isso, se o senhor só teria tido contato com Miro Pedrosa por telefone.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS - Tive e, coincidentemente, encontrei. Mas, isso aí nem me passava mais pela cabeça, não estava nem mais lembrando mais desse fato, pelo fato de eu não ter ido lá para falar com ele, ou jantar com ele ou para almoçar com ele.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Entendo. Mas encontrou-o pessoalmente. A pergunta era essa.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Encontrei ele coincidentemente.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Não, eu sei. Mas, coincidentemente ou não, o senhor esteve pessoalmente com Miro Pedrosa.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Ah, sim senhor.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – É isso aí, entendeu? Eu tinha feito essa pergunta e a resposta tinha sido que não.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – E que eu achava que o senhor havia me perguntado se tivesse ido a Brasília jantar com ele ou...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E logo depois eu tirei o jantar, não sei se V. Sa. lembra. A pergunta foi: o senhor esteve com Miro Pedrosa para jantar? O senhor respondendo que não, o senhor está falando a verdade.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Correto.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Aí, eu falei o seguinte: o senhor esteve pessoalmente com ele? Tira o jantar, até tinha feito essa colocação.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu achei que o senhor achava que eu estava confirmando ao perguntar, se eu estive com ele lá em Brasília para que a gente pudesse fazer qualquer tipo de reunião. Desculpe se eu respondi errado.

O SR. CAETANO AMADO – Por isso, o senhor negou para ele esse encontro, ainda que seja coincidência, mas houve o encontro de fato e de verdade.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Não, foi realmente coincidência.

Neste ponto, mais uma vez o depoente nega o que disse na oitiva do MP Federal:



O SR. CAETANO AMADO – Em seu primeiro depoimento o senhor também acusou o presidente da ABRABIN, Associação Brasileira de Bingos, o Sr. Olavo Soares, de ser testa de ferro da família Ortiz. Depois, voltou atrás no depoimento. Quem pediu para o senhor mudar o depoimento? Por que o senhor voltou atrás, então?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu não voltei atrás. O Sr. Olavo Soares é presidente da ABRABIN, Associação dos Bingos do Brasil. Ele fala pelos bingos, ele não fala somente pelo seu Alejandro, ou seja, lá para quem for. Ele fala para todos nós.

O Deputado Paulo Ramos volta a insistir na questão de o depoente não ter lido o relato que prestou ao MP Federal:



O SR. PAULO RAMOS – Mas o senhor recebeu alguma intimação oficial do Ministério Público?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – É isso que achei estranho. Não recebi nenhuma intimação oficial, fui num sábado às duas horas da tarde e sem advogado.

O SR. PAULO RAMOS – Estamos diante de algumas coisas que rigorosamente não acontecem na vida, isso não acontece na vida. Precisamos saber quais são seus interesses, quem o senhor queria proteger em relação aos seus adversários ou seus aliados no jogo. É isso.

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu não tenho adversários. Eu não tenho nem porque, pelo fato de eu ter um bingo tenho necessidade de ter um adversário, ou inimigo, ou seja, lá o que for. O fato de eu ter um bingo não faz com que eu venha a promover qualquer tipo de situações como essa que está acontecendo.

O SR. PAULO RAMOS – O senhor, mesmo sendo de Goiás, tem conhecimento de muita coisa que acontece aqui no Rio de Janeiro, no jogo do Rio de Janeiro. O senhor sabe exatamente quem controla?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Olha, eu não posso afirmar ao senhor. Como já lhe disse eu nunca atuei aqui dentro do Rio de Janeiro, com exceção de oito máquinas que loquei para cá para a firma Betec.

O SR. PAULO RAMOS – Vejam bem: eu queria compreender um pouco... O senhor já foi convidado a prestar depoimentos em outros lugares, sem saber o motivo? Alguma vez na sua vida o senhor foi convidado por algum amigo, algum conhecido – “Vamos lá, na delegacia... Vamos lá”...?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – De maneira nenhuma. Isso nunca aconteceu na minha vida. A única vez que aconteceu, e eu achei estranho. Mas como eu não tinha o que esconder e eu não devo nada...

O SR. PAULO RAMOS – A grande questão é que o senhor foi lá e prestou um depoimento muito objetivo, com muito conhecimento. O senhor não prestou um depoimento de quem, desavisado, foi lá – “Ah, não... eu fui lá só porque falou que eu podia” – Não! O senhor envolveu pessoas; citou fatos que integram esse quadro todo que estamos investigando; ou o senhor acha que nós não temos outros depoimentos e outras provas...

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Claro que sim.

Apesar de o depoente afirmar que não tinha inimigos em Goiás, Martins disse que durante um tempo teve as máquinas apreendidas, mas seus concorrentes não. Isso foi, inclusive, assunto de uma matéria da revista Isto É:



O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A reportagem feita pela Revista “Isto É”, de 14.07.99, mostra claramente que existia um clima de tensão na Cidade de Goiás onde as máquinas do depoente eram apreendidas e as da Gerplan, que tinha como proprietários o Messias e o Carlos Cachoeira não eram apreendidas. Não deu para eu ler tudo aqui, mas a reportagem caminha na linha de que o senhor, claro, estaria chateado com essa situação...

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Foi essa situação que...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) –... Tendo em vista que as máquinas do senhor eram apreendidas e as outras, não. As outras máquinas do Cachoeira e do Messias. Só para registrar que existia um clima não diretamente com uma pessoa ou outra, mas um clima de insatisfação da sua parte, tendo em vista que o senhor era perseguido e outros, não.

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Exato. E o fato dessa reportagem...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E o senhor sabe qual foi o jornalista que fez a matéria?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Foi o Sr. Mino. Foi ele. Tanto é que o conheci lá nessa época. Essa matéria foi feita em função daquele negócio que o Recreativo Franco ia negociar o contrato da Gerplan e a Cirsa acabou ficando. Então, os equipamentos meus eram todos apreendidos. Por isso que existiu esse clima aí.

O Deputado Gilberto Palmares insiste para que o depoente confirme as informações que prestou anteriormente:



O SR. GILBERTO PALMARES – (...) Pelas contradições expostas, prefiro considerar que dificilmente três figuras com tamanha responsabilidade iam pegar um depoimento e forjar esse conjunto de informações. E é bom que fique claro isso: se um depoente está ou estivesse dizendo a verdade, significa que, na minha leitura, está acusando, repito, o subprocurador-geral da República José Roberto Santoro, o procurador regional da República Marcelo Serra Azul e o procurador Mário Lúcio Avelar – que foi quem tomou o depoimento e assina. Então, eu insistiria em perguntar ao depoente apenas isso: se as informações de que ele tem conhecimento – pode até não ter “lido” na hora, mas não é possível que, depois disso, dada a importância do depoimento, ele não tenha lido –, que são atribuídas a ele, e até falei delas aqui – inclusive sobre o Sr. Waldomiro Diniz, sobre a instalação de máquinas em postos de jogo do bicho, ajudado pelo bicheiro Messias – ele negue tudo isso. Se ele continuar negando, significa, indiretamente, que ele está acusando os procuradores da República.

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – O que posso dizer ao Deputado é que nesse depoimento que foi feito lá foram feitas algumas perguntas para mim com relação às pessoas com quem eu tinha ligação, as pessoas que eu conhecia e as pessoas que eu não conhecia. Mas a redação desse depoimento não foi eu que fiz. A redação do depoimento! Eu falei das pessoas e o relacionamento que tinha uma pessoa com a outra pessoa com a outra pessoa, mesmo porque eu não sabia do que se tratava na ocasião do depoimento, para que objetivo seria usado isso aí. A única coisa que eu disse foi exatamente... Eu não mudei o nome de pessoa nenhuma nesse depoimento!
No dia 25 de maio, depôs o técnico de informática Carlos Alberto Romero Gonçalves. Contratado pela Funpat, o técnico prestava serviços para a Loterj. Seu contrato começou a vigir em 2001, como explicou:

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Nós fomos contratados especificamente para atuar na área de informática, processamento de dados. A Loterj passava por um caos generalizado na área de informática com a saída de quem tinha feito o sistema inicialmente que tinha sido a Fundação Padre Leonel Franca, já tinha saído há mais tempo, e tinha entrado outro pessoal que não deu continuidade ao sistema. E como os senhores sabem, o sistema de informática é algo vivo, ele vai mudando de acordo com as variáveis ambientais. Então, estava meio paralisado e nós fomos contratados para atuar especificamente nessa área de informática e só atuamos nela. O contrato, se V. Exa. me permite, foi feito um contrato até fevereiro de 2002, se não me engano isso foi em abril de 2001, e depois a renovação, o processo da Funpat é um pouco tumultuado. Ficamos aguardando a renovação formal do processo e não foi feito um novo contrato; ele foi prorrogado até o final da administração. Ao final da administração do governo, o vice-presidente de então, Dr. Geraldo, pediu para que ficássemos pelo menos mais 15 a 20 dias para aguardarmos a nova administração. Assim o fizemos. Não conseguimos ter contato com ninguém da nova administração porque eles alegavam que não tinham sido nomeados formalmente. Então, eles não poderiam ainda responder. E isso foi indo até que foi nomeado e não foi nomeado e a gente não conseguia ter acesso, nunca consegui ser recebido pelo presidente para saber se queria que continuássemos ou não, eu dei por encerrado o processo. Desisti de procurá-lo.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Então na verdade o seu último contrato foi de abril de 2001 até fevereiro de 2002?

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Contrato formal, mas trabalhamos mais até o final do governo da governadora Benedita.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Até 31/12/2002?

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Perfeito.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Informática é sempre assim um termo genérico. O que especificamente a sua empresa fazia? Alocava computadores, desenvolvia softwares, qual trabalho específico que sua empresa desenvolvia para a Funpat?

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Basicamente, eram duas linhas de trabalho: a Loterj tinha cerca de 50 – números redondos – micros instalados em suas dependências. Então fazíamos manutenção desses equipamentos com a reposição de peças inclusive, fazíamos o atendimento ao pessoal da Loterj, que é um pessoal que não tem muita intimidade com a informática. Para o senhor ter uma idéia, até para a mudança do cartucho da impressora a gente era chamado para mudar. Então, fazíamos o atendimento do pessoal, a gente fazia toda a relação com o Proderj no que se refere às linhas de transmissão, etc. e esse trabalho todo estou agrupando no que eu chamaria de infra-estrutura. Administrávamos os servidores, não sei se é um termo familiar para todos, mas enfim, os computadores todos ficam ligados num computador do servidor. O backup, a gente tinha pessoal residente para fazer isso. Isso é o que eu chamo da linha de infra-estrutura. E tínhamos uma outra linha que seria desenvolvimento de sistemas novos e a manutenção do sistema antigo. Este é um sistema que se chamava “paloti” que é um sistema que registrava os jogos, os ganhadores e que validava um prêmio de um ganhador que chegasse para receber. Esse sistema também a gente mantinha. Então, essas duas linhas. Não tínhamos aluguel de nenhum tipo de equipamento nem vendemos nenhum tipo de equipamento.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Esses 50 micros eram da Loterj ou eram locados?

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Eu fazia a manutenção. Extra-oficialmente, eu sei que os micros eram da Loterj, que tinham sido doados pela Fundação Padre Leonel Franca. Mas isso era coisa que eu custei a falar. Eu nunca vi nenhum documento. Eu não sei se era isso.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Qual era o valor desse seu último contrato?

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Ele tinha, no último contrato, era 30 mil 670 mensais, o valor dos últimos meses. Teve alguns meses que foram 46 mil, que é onde eu tinha maior carga de desenvolvimento de sistema. E no primeiro período era 23 mil e 600 a manutenção e tendo alguns valores acrescidos em alguns meses, onde tinha o desenvolvimento de sistema.

O SR. PRESIDENTE (LUIZ PAULO) – Esse seu contrato era com a Funpat?

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Com a Funpat.
Neste momento, o depoente falou da impressão que teve quando esteve com o ex-presidente da Loterj, Waldomiro Diniz:
O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Eu só estive uma vez com o Sr. Waldomiro, na sala dele, quando fui apresentado a ele como sendo a empresa que faria prestação de serviço. Fora disso, eu o encontrava no corredor, na portaria. Ele sempre chegava muito sorridente e nos cumprimentava com muita educação e tratava os funcionários muito bem. Nunca tive nenhum tipo de reunião com ele, já que o meu trato, a pessoa da Loterj que me demandava serviço e à qual eu prestava contas era um assessor de informática, Capitão Laranjeiras. Então, eu nunca tive contato com o Dr. Waldomiro. A impressão, não sei se é o caso da sua pergunta, que me passava, era de uma administração extremamente preocupada em regularizar as coisas internas da Loterj. Por que eu lhe digo isso? Em função dos sistemas que me pediam. Quando a gente entrou os sistemas eram muito abertos e todos os pedidos que me vinham, via Capitão Laranjeiras, era para que os sistemas fossem mais seguros, mais fechados, com mais segurança.
Neste ponto, o técnico de informática garantiu nunca ter feito nenhum pagamento para funcionários da Loterj:
O SR. PAULO MELO – Na sua empresa, o senhor fazia pagamento de pessoal?

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Olha, os meus funcionários, eles eram registrados e recebiam normalmente.

O SR. PAULO MELO – Mas o senhor recebia alguma relação da Loterj para incluir, na sua prestação de contas, pagamento a algumas pessoas que a Loterj indicava?

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Nunca! Em hipótese alguma.

O SR. PAULO MELO – O senhor, alguma vez, pagou, a titulo de indenização, qualquer tipo de pecúnia, o Sr. Waldomiro Diniz ou qualquer outro diretor da Loterj?

O SR. CARLOS ALBERTO ROMERO GONÇALVES - Não. Em momento nenhum.
Logo em seguida, depôs Cláudio Xavier Diniz, que também tinha contrato firmado com a Funpat e também prestava serviços para a Loterj. Assim como o depoente anterior, o prestador de serviços tinha uma relação profissional tanto com a Loterj como a Funpat, conforme seu relato:
O SR. CLÁUDIO XAVIER DINIZ – Em 1999, fui convidado a apresentar uma proposta de manutenção de um sistema...

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Convidado por quem?

O SR. CLÁUDIO XAVIER DINIZ – Era o coordenador de Informática da Loterj, o Sr. Adilson. Esse sistema já funcionava na Loterj e eles queriam fazer umas implementações nesse sistema. Eu apresentei uma proposta para desenvolver essas implementações e uma outra proposta de manutenção de equipamentos de informática da Loterj, de todo o complexo da Loterj, com um técnico de eletrônica residente e apresentei a proposta. Isso foi em maio de 1999. Depois, fui comunicado de que havia sido aceita a minha proposta e que eu seria contratado pela Funpat. Até então eu nunca havia ouvido falar na Funpat. Em junho de 1999, eu comecei a prestar tal serviço. O contrato de manutenção do sistema e implementações era na ordem de R$2.167,00.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Por mês?

O SR. CLÁUDIO XAVIER DINIZ – Por mês. E o de manutenção de equipamentos, que foi a segunda proposta que eu apresentei, era na ordem de R$5.800,00, com técnico residente de eletrônica, com registro no CREA, reposição de peças totais, manutenção de servidores da Loterj. Um dos serviços terminou antes, que foi o da manutenção do sistema, terminou em 2000, se não me engano. O de manutenção foi até maio de 2001. Em abril de 2001, fui comunicado de que não iria mais continuar, meu trabalho cessaria, e fui até maio de 2001, quando prestei o serviço.
Em seguida, ainda no dia 25 de maio, foi a vez de colher o depoimento dos representantes da empresa Atrium, que prestou serviços para a Loterj, através da Funpat. Paulo Roberto Wagner foi o primeiro a falar. Disse qual era o trabalho desenvolvido por eles:
O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – A Atrium Consultores presta serviços desde 2000, começou num projeto do LNCC – Laboratório Nacional de Ciências da Computação, órgão ligado ao Ministério de Ciências e Tecnologia que foi para Petrópolis e alguns dos nossos cooperados, um grupo, acho que de dez, que fazia serviços para o LNCC através da FUNPAT. Depois teve outro contrato com a FIOCRUZ, prestamos serviços também pela FUNPAT para a FIOCRUZ.

O SR. PRESIDENTE (Paulo Melo) – E para a LOTERJ?

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – Para a LOTERJ começou em abril de 2001 e foi até 2002, começo de 2003.

O SR. PRESIDENTE (Paulo Melo) – De abril de 2001 até janeiro de 2003.

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – É, 2003.

O SR. PRESIDENTE (Paulo Melo) – Qual serviço que era prestado? Qual o serviço que foi subcontratado para a LOTERJ pela FUNPAT?

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – Envolvia desenvolvimento de sistemas, apoio à parte de jogos, auditoria de jogos on-line e durante o processo a gente detectou uma necessidade de uma criação de telemarketing, de um callcenter, que foi implementado em 2002.

O SR. PRESIDENTE (Paulo Melo) – O senhor tem a noção do valor mensal do contrato?

O SR. PAULO ROBERTO WAGNER – Tenho. Em 2001 ele variou na faixa de 50, 60 mil reais. Em 2002 houve um acréscimo de atividades, tarefas e passou para a faixa de cento e poucos mil reais.


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