Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



Baixar 3,17 Mb.
Página29/42
Encontro27.09.2018
Tamanho3,17 Mb.
1   ...   25   26   27   28   29   30   31   32   ...   42

O SR. PAULO RAMOS – Então, o senhor foi quem subscreveu, em abril de 2003, um contrato no valor de, aproximadamente, quatro milhões e trezentos reais com a Loterj?

O SR. JACQUES DE LA SAIGNE BOTTON - Confirmado. Foi o contrato nº 002/2003, assinado em 01/04/ 2003.

O SR. PAULO RAMOS – E, logo depois, em maio, um novo contrato de mais de seiscentos mil reais?

O SR. JACQUES DE LA SAIGNE BOTTON - È verdade. Confirmo ter assinado esses contratos.

O SR. PAULO RAMOS – Veja bem, não conseguimos encontrar justificativa para esses dois contratos, porque as contratações com a Funpat, tiveram os valores acrescidos com o passar do tempo, a ponto de chegar, em 2003, com os dois maiores contratos somando, num pequeno período, aproximadamente cinco milhões de reais, e não há o serviço correspondente prestado. Queremos encontrar justificativa para o contrato, mas não há a prestação do serviço. Em cinco milhões de reais, nas mãos da Loterj, teríamos chegado lá e encontrado uma outra realidade. Então, há o convencimento de que os contratos são fictícios, são simulações de contrato. Não há prestação do serviço. Não há fornecimento de equipamentos. Não há. É duro isso. Não queremos aqui tratar nenhum depoente, ninguém que venha aqui colaborar com a CPI, de forma que possa aparentar desrespeito ou para causar constrangimento, entretanto, cinco milhões, sem que a Loterj tenha um mínimo de modernização.

O SR. JACQUES DE LA SAIGNE BOTTON - Nobre Deputado, o senhor se baseia nessas afirmações... Do ponto de vista técnico, o que quero dizer é o seguinte, quando uma empresa lhe contrata para prestar um serviço, o senhor presta o serviço. Se o senhor viu, ou se não viu onde é que está, eu acho que tem que ser a Loterj para ver isso. Mas, que o serviço foi prestado, lhe garanto que foi prestado.

O SR. PAULO RAMOS - Estamos verificando que o valor dos contratos do Sr. Waldomiro Diniz com a Funpat são valores bem menores do que os contratos de 2003, por exemplo. Os contratos de 2003 são os maiores, chegando nesse período de 30 dias, a cinco milhões.

O SR. JACQUES DE LA SAIGNE BOTTON - A quase cinco milhões e meio.
Além da Loterj, a Funpat mantinha contratos com outros órgãos da Administração Estadual:

O SR. JACQUES DE LA SAIGNE BOTTON – (...) Mas posso mencionar: nossos contratos foram com a Petrobrás, Loterj, Denatran, Fiocruz, Secretaria Municipal de Educação e Câmara Municipal de Petrópolis, Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Educação de Niterói, CET do Rio, CNPq, o Finep, o Laboratório Nacional de Computação Científica, a Eletrobrás, a Eletronuclear, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, a Fundação Cooptec, a Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, a TV Globo, o Museu Paranaense Emílio Goeldi, o projeto Crianças Criativas, a Firjan, o Sebrae.

O SR. PAULO RAMOS – Quem é o elo político da Funpat?

O SR. JACQUES DE LA SAIGNE BOTTON - A Funpat, em outubro de 1999, foi delegada a ela a responsabilidade de coordenar os esforços da Petrópolis-Tecnópolis, isso foi feito em primeiro lugar, em função do Laboratório Nacional de Computação Científica ter se mudado para Petrópolis e que parece que o nobre Deputado Luiz Paulo estava à mesa nessa inauguração, representando o senhor Governador da época, juntamente com o Vice-Presidente Marcos Maciel. Mas, na nomeação da Funpat como coordenadora desse projeto foi o Ministro Sademberg da Ciência e Tecnologia, que assinou este termo em conjunto com o Governador de Estado, o Prefeito de Petrópolis, com a Laboratório Nacional de Computação Científica e com a Firjan. Essas entidades então assinaram este acordo para criar o projeto Petrópolis-Tecnópolis e dar essa coordenação à Funpat.
Jacques Botton, neste momento, explicou como era formalizado o contrato entre a Funpat e seus parceiros:

O SR. PAULO RAMOS – Pelo que eu vejo, levavam o contrato e o senhor assinava, porque o senhor praticamente... A assinatura do contrato não era uma formalidade, era uma coisa trivial, assina contrato com o Detran, contrato com a Loterj, e ia assinando.

O SR. JACQUES DE LA SAIGNE BOTTON - Uma vez negociado o contrato e conduzido o processo através do diretor Robson Cardinelli, com números viáveis a Loterj e aos subfornecedores, de tal forma a formar o pacote como era, uma vez que o preço de contratação era aprovado pelo Tribunal de Contas do Estado, por uma submissão que a Loterj fazia ao Tribunal de Contas, o contrato era então preparado pela assessoria jurídica da Loterj, era verificado pela assessoria jurídica da Funpat e, tendo a certeza de que poderia performar as condições do contrato, era então formalizado, publicado no Diário Oficial e os relatórios feitos para a Curadoria de Fundação.
No dia 20 de maio, o empresário Carlos Roberto Martins começou sua explanação revelando como começou seu envolvimento no caso, através de um depoimento que prestou no Ministério Público Federal, em 7 de fevereiro de 2004:

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – (...) No dia anterior ao que eu fui ao Ministério Público, eu recebi uma ligação de uma pessoa chamada Mino Pedrosa. Isso foi na sexta-feira, à noite. Ele pediu que eu fosse na Procuradoria, no Ministério Público, num sábado, na parte da manhã. Eu falei para ele que tinha alguns problemas para resolver e não poderia ir lá. Ele falou: “Não, você precisa vir porque você precisa prestar um depoimento aqui”. Eu falei: Do que se trata? Ele disse: “Eu também não sei. Você vai ter que vir aqui”. O Mino Pedrosa eu o conheci em Goiânia, dentro de um escritório de um ex-advogado meu. E, coincidentemente, ele tinha o telefone da minha casa e tinha o meu telefone celular. Ele me pediu que eu fosse lá, no sábado, e eu achei estranho isso. Tentei localizar um advogado para que pudesse me acompanhar e acabei não conseguindo localizá-lo, por ser um sábado. Eu peguei e saí. Fui resolver uns problemas e aí existiram alguns telefonemas na minha casa, que eu não sei quem foi que fez, para que eu comparecesse na Procuradoria, e até falaram o seguinte: “Olha, se por acaso ele não vir aqui, na Procuradoria, nós vamos mandar buscá-lo”. Agora, não sei quem foi que fez essas ligações, porque não fui eu quem atendi, porque eu não estava em casa. Acabei indo para lá, em função de minha esposa ficar preocupada. Ela me encontrou e falou: “Olha, acho que você deve ir”. Eu não tinha nada a temer e fui, sem advogado e sem saber nem do que se tratava.

O depoente afirmou que manteve outros contatos com o jornalista Mino Pedrosa e que, ao término do depoimento ao Ministério Público, teria assinado o depoimento sem ler o teor do documento:



O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS - Falei com ele. Ele ligou para o meu telefone (...) Ele ligou para mim, eu também nem sabia o porquê ele me ligou, ele ligou e falou: “Eu só não gostei daquele seu depoimento, que você fez na Polícia Federal”. E eu disse: Eu simplesmente falei aquilo que é real que aconteceu. Eu não tinha porque esconder absolutamente nada e nem de quem esconder. Da maneira como foi feito o depoimento, eu não sabia nem o porquê, tanto é que não tive nenhuma cópia do depoimento, acabei assinando o depoimento... (...) Eu assinei, mas acabei nem lendo ele em função de acreditar nas pessoas que estariam ali fazendo aquilo.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V. Sa. teria feito uma combinação com ele para este depoimento, e que ele teria dito nessa conversa - que acabam as informações estando sintonizadas, por que como teríamos as informações de que efetivamente V. Sa. falou com o Mino Pedrosa há poucos dias? – de que ele teria, primeiro, dito para V. Sa. não falar a verdade aqui nesta Comissão.

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Não, de maneira nenhuma. Ele em momento algum falou comigo... Se foi gravado o meu telefone, se estivesse grampeado... Se tivesse algum tipo de gravação no meu telefone, poderia constatar que a conversa que tive com ele foi exatamente essa, ele só achou, ele falou “Olha, de tudo o que eu vi dentro do seu depoimento, eu só não gostei da maneira que você falou que foi ameaçado a ir lá”. Falei: Olha,... Eu realmente, vocês colocaram no depoimento que o depoimento foi espontâneo e eu jamais iria lá espontaneamente ao sábado, às 14h... Fazer o que lá? Sem saber nem o que ia fazer ali. Nem o porquê daquele depoimento. Me perguntou de algumas pessoas, se tinha alguma relação. E depois, posteriormente, depois de uma semana, que eu vim a saber realmente aquilo que estava acontecendo, porque naquele momento, dentro do Ministério Público, eu não sabia do que se tratava.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V. Sa. poderia falar um pouco mais dessa última ligação do Mino Pedrosa com V. Sa.? Quanto tempo durou essa ligação?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Acho que durou uns cinco minutos, não mais do que isso (...) Segundo a maneira que ele falou para mim, falou “que não tinha gostado” Eu então disse: Olha, você não tem o que achar, que gostou ou que não gostou da maneira que foi feito o depoimento na Polícia Federal. Agora, eu não tenho nada para esconder. Não participo de nada que tenha problema... você sabe muito bem que não trabalho... não tenho participação na Loterj. Nunca estive aqui na Loterj, nunca estive, dentro do Rio de Janeiro, nunca estive em alguns lugares aonde atrelaram meu nome para mim hoje estar aqui. Colocaram o meu nome dentro desse processo aqui, acabaram me comprometendo sem ter motivo algum, porque eu nunca vim para o Rio de Janeiro para resolver qualquer tipo de problema com relação à Loterj.

Neste momento, o depoente fala do motivo que o envolveu com Carlos Ramos e Waldomiro Diniz e a CPI da Alerj:



O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Segundo informação que obtive lá, no dia, foi que existia uma carta, que existia uma ligação entre eu e o Sr. Alejandro Ortiz. O que na verdade eu... Eu sou empresário dentro do Estado de Goiás, tenho um bingo, e eu tive relação com ele com relação a ser representante. Eu adquiri a máquina do Sr. Alejandro Ortiz. Então, é... Com relação a isso, foi por que... Esse foi o grande motivo que o Senhor Mino Pedrosa e o Dr. Santoro alegou de eu estar ali, que foi o fato de eu ter alguma ligação com o Sr. Alejandro. E tanto é que eu expliquei dentro do meu depoimento de que maneira que eu conheci o Sr. Alejandro. O Sr. Alejandro eu conheci há 30 anos atrás; não mexia nem com nada, com negócio de... Qualquer tipo que se relacionasse... Qualquer coisa que se relacionasse com o bingo, com máquinas ou seja lá o que for.

O depoente, diante da insistência do Presidente da Comissão, garante que só teve contato com o jornalista Mino Pedrosa por telefone:



O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Continuo reforçando na pergunta de que o senhor nunca teve contato pessoal com o Sr. Mino Pedrosa?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Não. Contato pessoal...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Nenhum. Sempre pelo telefone?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Sempre por telefone. Tanto é que quando eu fui apanhar, fui buscar o advogado, ele me ensinou como faria para ir aonde ele tem o escritório, e encontrei o advogado lá embaixo. Já estava atrasado, peguei e fui... Estava de táxi, e fui para a Superintendência junto com esse advogado.

Carlos Roberto Martins disse que conheceu Messias Antônio Ribeiro, ex-sócio de Cachoeira na Gerplan, junto com Carlos Ramos:



O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu o conheci de lá de dentro da Gerplan. Ele era um dos sócios da Gerplan.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Qual era a sua ligação com a Gerplan?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Como eu tenho bingo, a Gerplan é uma empresa de gerenciamento dos jogos lotéricos dentro do estado, e ela era uma terceirizada, porque ganhou uma licitação. Então, toda e qualquer regulamentação, regularização de equipamento ou de bingo deveria passar pela Gerplan. Foi quando eu conheci o Sr....

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Há quanto tempo?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Isso foi em 1998.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E, de lá para cá, qual foi a sua ligação com o Sr. Messias?

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Não, a ligação sempre foi comercial. Nunca tive nenhuma ligação com ele...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor conhece o Sr. Carlos Cachoeira?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Conheço também.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Qual seria a ligação?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – O Sr. Carlos Cachoeira é também proprietário da GERPLAN e que foi sócio do Sr. Messias.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor tem um bom relacionamento com ele, até hoje?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Não. Eu não tenho nem conversado, depois que aconteceu isso aí, nós nunca mais chegamos a conversar. E porque eu não teria mais motivo pelo fato da própria GERPLAN ter perdido o contrato dentro do estado; parou todo o negócio, que eu tenho bingo, e parou tudo, então não tinha nem o porquê de ficar conversando mais com ninguém. Agora, eu nunca tive nenhum desafeto ou nenhuma coisa que viesse a comprometer a nossa amizade.

Neste ponto, o depoente começa a contestar as informações que prestou ao Ministério Público Federal – prática que manteve ao longo do depoimento:



O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor já afirmou que em algum momento teve uma sociedade com o Sr. Alejandro Ortiz.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – É. Fui representante dos equipamentos dele dentro do estado.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E o Sr. Carlos Cachoeira também?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – O Sr. Carlos Cachoeira...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Também, em algum momento, tinha uma sociedade com o Sr. Alejandro Ortiz...

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Não. O Sr. Carlos Cachoeira, como eu disse, tem um depoimento, no primeiro depoimento do Ministério Público, diz aí que eu fui sócio do Sr. Carlos Cachoeira. Tem algumas coisas erradas aí, que eu não disse isso aí. E nunca fui sócio do Sr. Carlos Cachoeira e muito menos do Senhor Messias. Nunca tive nenhuma ligação com eles, com relação à empresa.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Uma parte do seu depoimento ao Ministério Público Federal, e aqui vou concentrar que V. Sa. vai saber qual é a parte. “Que o depoente recebia 2% dos negócios de Ortiz em Goiás. Que tempos depois a empresa recebeu a sociedade do principal laranja de Ortiz e de uma offshore”. Essa offshore seria a Leminor S/A?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Não. Esse depoimento, como eu disse ao senhor e vou voltar a dizer, esse depoimento está totalmente dentro de uma maneira errônea. Ele não diz uma coisa com a outra. Eu fiquei com 2% de uma empresa que foi a empresa que foi comprada... A minha empresa que eu tinha lá, que se chamava Fast Game foi adquirida por uma empresa que chama-se Every (?). E o dono dela chama-se Sr. Miguel (...?..) E eu acabei ficando com 2% da Fast Game a título de poder direcionar. Como eu acabei vendendo a empresa para ele, acabei passando a empresa, passei a empresa para ela poder crescer mais, pois eu não tinha condições de crescer sozinha, então, o Sr. Miguel (...?...) me deixou com 2% para que eu pudesse dar uma assessorada até ele se ambientar dentro do espaço, dentro do Estado de Goiás. E, posteriormente acabei saindo dela, depois de algum tempo. Depois que ele já se entrosou, e saber como devia fazer as coisas, eu saí.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – No seu depoimento, V. Sa. afirma que o Sr. Ortiz temia o Cachoeira. Por que essa relação de medo?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Foi outro erro que foi cometido nesse depoimento primeiro, que nunca existiu nenhum temor do Senhor Cachoeira. O que existiu foi uma maneira que, no início quando eu estava junto com o representante, entrando no Estado de Goiás, é feito um contrato com o Sr. Alejandro. E o Senhor Cachoeira arrumou uma outra empresa que se chamava CIRSA.

Então, em função disso, que o Sr. Alejandro nunca mais teve contato com o Sr. Carlos Cachoeira, nem o Sr. Carlos Cachoeira também nunca teve nenhum tipo de negócio com o Senhor Alejandro em função disso. Porque ele achava que, como eram duas empresas multinacionais que estavam tentando ficar com o contrato da Gerplan, o Carlos Cachoeira optou pela CIRSA (?) e não pela Recreativos Franco.

O fato de o depoente afirmar que prestou depoimento ao MP Federal e, em seguida, assinou o documento sem ler, voltou a causar estranheza:



O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu realmente assinei, mas sem ler.

O SR. PAULO RAMOS – No Ministério Público Federal? Sem estar acompanhado do advogado?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Sem estar acompanhado do advogado e sem saber o motivo do depoimento lá.

O SR. PAULO RAMOS – Todas as pessoas ligadas ao jogo são pessoas que têm experiência na convivência inclusive com organismos policiais. Se o senhor chegar aqui agora para nos dizer que o senhor, no Ministério Público Federal, assinou um depoimento sem ler. Inclusive, tentando nos fazer crer que o Ministério Público com objetivo de ajustar as investigações colocou num depoimento coisas que o senhor não disse. Olha, francamente...

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Como disse ao senhor, o depoimento no Ministério Público eu não sabia do que se tratava. Quando me chamaram lá para que pudesse explicar qual era meu relacionamento com o Sr. Alejandro Ortiz e nada mais, além disso, foi o motivo de eu ter ido lá. Pelo fato de o Dr. Santoro ter falado que o documento de uma carta rogatória existia do Sr. Alejandro Ortiz na época, ele queria saber qual era a relação daquela carta rogatória, o que significava, qual era a relação do Sr. Alejandro com aquele pessoal de fora. Eu falei: olha, a relação que tinha, eu nem me lembro dos nomes das pessoas, mas o senhor tem aqui ao lado do senhor que estava ao lado dele, a carta rogatória do Sr. Alejandro com relação a todo aquele processo envolvendo o nome dele. Se o senhor quiser saber alguma coisa é só pegar a carta rogatória e ler. Eu não lembro nem os nomes das pessoas por serem nomes estrangeiros. Nem lembro, mas o senhor tem aí uma carta rogatória que poderá lhe informar tudo a respeito. E eu falei: porque existe alguma coisa nova que surgiu ou que apareceu para que o senhor pudesse estar me perguntando isso? Ele falou: “Não, não. Nós queremos saber qual é o seu relacionamento com o Sr. Alejandro”.

Neste ponto do depoimento, o empresário goiano fala de quando conheceu Mino Pedrosa:



O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu o conheci num escritório de um ex-advogado que eu tive, numa ocasião em que ele teve um problema dentro do Estado de Goiás, estava fazendo uma reportagem lá de um juiz e acabei o conhecendo dentro do escritório do advogado.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Depois de todos esses episódios, dos depoimentos, de o Sr. Mino Pedrosa estar envolvido, na sua avaliação por que ele está no meio dessa articulação toda?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu não sei se o objetivo do Sr. Mino Pedrosa é realmente fazer algum tipo de matéria que venha a ser uma matéria de nível nacional, não sei se o objetivo dele é esse, mas pelo que eu o conheço eu acho que ele não teria outro objetivo.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor sabia que ele trabalhava com o Sr. Carlos Cachoeira?

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Não.

Martins afirmou que nunca conheceu Waldomiro Diniz e que jamais teve qualquer contato com o ex-presidente da Loterj. E mais: que nem sabia da atuação dele na área de jogos:



O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas não é o que o senhor diz nos depoimentos. O senhor diz que ele tinha ligação também com o Sr. Ortiz, que era representante do Ortiz aqui, que ele tentava intermediar a colocação de máquinas do Ortiz com o Sr. José Renato Granado, o senhor no seu depoimento avança no sentido de mostrar essas ligações não institucionais do Sr. Waldomiro Diniz.

O SR CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu posso explicar novamente com relação a esse depoimento no Ministério Público. Na ocasião, me perguntaram se eu conhecia o Sr. José Renato. Eu falei que o Sr. José Renato atua no Rio de Janeiro da mesma forma que eu trabalhei para o Sr. Alejandro Ortiz aqui em Goiás. O Sr. José Renato era representante do Sr. Alejandro no Estado do Rio de Janeiro e, por conseqüência, o Sr. Alejandro necessitava também do atendimento da Loterj.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Deixe-me só fazer a leitura aqui dessa parte que o senhor fala, quando perguntado sobre o Sr. José Renato Granado. O senhor afirma o seguinte: “Que, em razão de Ortiz temer Carlos Cachoeira, os novos donos da Loterj resolveram atrair Cachoeira para o Rio de Janeiro, que tinha o jogo controlado pelo laranja de Ortiz, José Renato Granado. Que José Renato é o operador de Ortiz no Rio de Janeiro e é quem põe as máquinas do bingo, retira, dá manutenção, recolhe o dinheiro e remete para Ortiz. Que o ex-presidente da Loterj, Waldomiro Diniz passou a negociar com Cachoeira para que ele entrasse no jogo no Rio de Janeiro e, com isso, afastasse Ortiz ou criasse condições para assumir os percentuais pagos a título de propina para os donos dos jogos do Estado.”.

Na verdade nesse momento, em 27 de fevereiro, o seu pensamento em relação ao José Renato e em relação ao Waldomiro Diniz não era os melhores possíveis. Porque, com certeza, como o senhor é do ramo e que é conhecida, é o tipo de informação que é totalmente pertinente. Esta CPI está caminhando nessa linha. Saiu no jornal de domingo que há um ex-dono de bingo aqui no Estado que está confidencialmente, é uma informação informal, mas que tem me ajudado bastante, e tem que ser sigilosa porque a pessoa está com medo de morrer, mas foi um ex-dono de bingo aqui no Rio de Janeiro e que efetivamente fala isso: que existia uma caixinha mesmo, que o articulador entre os bingos e o Waldomiro Diniz era o José Renato Granado, que existia uma caixinha, quanto cada bingo dava.

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – O que acontece, a maneira que foi colocada no depoimento ficou de certa forma meio desencontrada. Com relação ao senhor José Renato, por ser o presidente de uma associação dentro do Estado do Rio de Janeiro, ele é presidente da associação dos bingos dentro do Rio de Janeiro, isso é notório, todos conhecem. Com relação ao senhor Waldomiro Diniz, o que eu disse lá aquele dia, como eu não sabia do que estava se tratando e para que finalidade é que esse depoimento serviria, eu disse que o Sr. Waldomiro Diniz, na época já foi presidente da Loterj, e que a relação entre o Sr. José Renato e o Sr. Waldomiro Diniz, por ser o presidente da Loterj, e o José Renato por ser presidente da associação dos bingos do Estado do Rio de Janeiro, e o Sr. Alejandro por ser representado por ele, foi isso que eu disse. E foi colocado dessa forma que está aí dentro do depoimento.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, dessa forma que está no depoimento, por exemplo, vamos ver aqui: “o José Renato Granado era o “laranja” do Ortiz”.

O SR. CARLOS ROBERTO MARTINS – Eu nunca falei em nome “laranja”.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, vamos tirar o “laranja”. O José Renato era o representante do Ortiz. E ele era o operador do Ortiz no Rio de Janeiro e quem põe as máquinas no bingo. Então, observamos aqui que para se autorizar as máquinas do bingo o presidente da Loterj tem o poder direto de autorizar.


1   ...   25   26   27   28   29   30   31   32   ...   42


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal