Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Bom, eu não conheço o edital de licitação para distribuição do produto, aqui, no Rio, teria que dar uma olhada. Acredito eu que não.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor conhece no Brasil, ou no Estado do Rio de Janeiro, outras empresas que poderiam prestar os mesmos serviços que a Hebara presta a Loterj?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Bom, no Brasil eu não posso responder, porque eu não tenho esse conhecimento. Aqui no Rio, a Hebara é uma referência nesse mercado de jogos lotéricos. Inclusive, a Tele Sena procurou a Hebara para fazer uma parceria para distribuidor o produto dela aqui também, porque no momento, acho que é a única que presta esse serviço.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor conhece outra aqui?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Não.
Márcio dos Santos disse que começou a distribuir os produtos da Loterj para a Hebara antes de ter a empresa formalmente contratada pela distribuidora:
O SR. LUIZ PAULO – Então, é um contrato novo. Anteriormente a esse, o senhor teve algum outro contrato?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Não, trabalhei. Eu distribuía o produto, trabalhava para a Hebara, mas, depois, é que veio a formalização do contrato.

O SR. LUIZ PAULO – Não tinha um contrato formal?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Não. No momento, não.

O SR. LUIZ PAULO – Era um distribuidor avulso?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Isso.
Neste ponto, o depoente relata a rotina da relação entre a hebara e a Jormar na operação dos produtos da Loterj e até de outras fornecedoras:
O SR. LUIZ PAULO – Exatamente ao que estava aqui me referindo. Como é que o senhor presta contas? Como é esse mecanismo da prestação de contas da empresa de V.Sa. e a Hebara?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Eu faço o pedido para empresa num dia. No dia seguinte de manhã retiro esse produto. Dependendo do produto, a Raspadinha a gente tem nove dias para pagar; Tele Sena, se não me engano, são oito dias; o Toto Bola, três dias após o sorteio do Toto Bola. Nas datas a gente presta contas com o bilhete premiado ou... Enfim, toda a forma de pagamento que a gente recebe.

O SR. LUIZ PAULO – Vocês fazem alguma caução? Se a sua empresa – não estou dizendo que isso aconteceu com o senhor, mas estamos nas hipóteses, todos os contratos levantamos a hipótese – de repente, sumiu com os bilhetes, tem uma caução, alguma coisa para cobrir isso ou é tudo na...?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Não, não.

O SR. LUIZ PAULO -... Na confiança?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Na confiança que existe da Hebara para conosco.

O SR. LUIZ PAULO – Porque a subcontratação, nesse aspecto da distribuição, tem um risco. O senhor tem conhecimento de outras empresas fazendo a distribuição, também, de produtos lotéricos com a Hebara?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Tem outros distribuidores que a Hebara trabalha.

O SR. LUIZ PAULO – Para outras regiões do Estado?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Outras regiões.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor sabe me dizer, então, se a Hebara não distribui nada, ela subcontrata todas as distribuições?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Não, não, não. A Hebara tem a área dela de atuação. Ela permite a gente trabalhar em determinadas áreas. Eu, atualmente, estou na Baixada Fluminense. Mas, ela também tem o ponto de venda dela. Ela atua em alguns bairros do Rio. Ela atualmente atua no interior do Estado também. Às vezes ela atua dentro da minha própria área se ela achar que, por alguma razão, ela tem que atender algum cliente meu ela entra e atende. Assim que funciona.

O SR. LUIZ PAULO – Como é que o senhor é remunerado?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Eu, ao prestar conta, já desconto a comissão que eu tenho.

O SR. LUIZ PAULO – E qual é a comissão?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – No caso de Raspadinhas eu tenho 17%. Tenho que repassar para o mercado o mínimo a 14%. Tele Sena eu ganho 9.77% e tenho que repassar ao mercado a 8.35% e o Toto Bola eu tenho 12% e repasso a 10% para o mercado.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor repassa ao mercado por 14% e ganha 3%, em média.

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Em média.
O depoente informou que conheceu Waldomiro Diniz, na sede da Loterj:
O SR. LUIZ PAULO – E o senhor conhecia o Sr.Waldomiro Diniz?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Tive um contato uma vez. Nada...

O SR. LUIZ PAULO – Ele lhe chamou lá?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Chamou.

O SR. LUIZ PAULO – Por quê? Queria saber se a distribuição estava indo bem ou mal?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Ele queria saber como era a distribuição dos produtos. Como a minha empresa trabalhava com a distribuição dentro da Baixada Fluminense. No momento eu também estava na Baixada.
Márcio dos Santos disse que a sua empresa é pequena e responde por cerca de 400 pontos de venda de loteria, numa operação que envolve certo risco:
O SR. LUIZ PAULO – Que estrutura a sua empresa possui? O número de funcionários para fazer isso, lá na Baixada? Imagino que seja um negócio grande.

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Não. A minha empresa é uma empresa pequena. Eu trabalho na rua, eu sou homem de rua, eu tenho um sócio também, que trabalha na rua. A gente tem quatro entregadores atualmente, que ajudam a gente nas entregas, e uma pessoa responsável pelo telemarketing, pegando os pedidos, e fazendo toda essa parte.

O SR. LUIZ PAULO – Quantos são os pontos de venda na Baixada Fluminense?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Atualmente, ativo, devo estar com uns quatrocentos pontos.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor cobre quatrocentos pontos com quatro homens?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – É, mais eu e meu sócio também na rua.

O SR. LUIZ PAULO – Esse material é transportado normalmente na mala do veículo?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Na mala de carro.

O SR. LUIZ PAULO – Não tem esquema de segurança?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – A gente contrata seguranças ou requer, às vezes, por exemplo, quando a gente faz os grandes centros, os próprios comerciantes conhecem a segurança policial do local. Às vezes o policial dá uma orientada, olha, e tal, sempre vigiando. A gente passa a ser “conhecido” perto desses comércios. Entendeu? O Próprio lotérico, o banco e tal.
Neste momento o depoente fala das outras empresas subcontratadas:
O SR. CAETANO AMADO – Eu quero saber do depoente se você conhece a empresa Good Luck?

O SR - Good Luck e a Lupa eram outros distribuidores que faziam parte desse trabalho junto com a Hebara. Eu conheci através de reuniões que nós tínhamos, que sempre tivemos reuniões para falar sobre a venda dos produtos e sempre tinham os representantes das empresas lá.

O SR. CAETANO AMADO – O que parece é que essas empresas quebraram. Por que a Jormar sobreviveu?

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS - Bom, a Jormar é mais recente que essas empresas e eu não posso dizer por que elas quebraram. O que posso dizer é que o mercado vem se retraindo gradativamente e a gente têm que ficar se adaptando. A Jormar já passou por dificuldades financeiras, não estamos no auge de vendas, nossa rentabilidade não está o esperado. O que procuramos fazer foram novas parcerias. Não vivo só de Loterj, dos produtos da Loterj que a Hebara distribui. Trabalho com cartões de telefone de operadoras de celulares. Fazemos isso para irmos ganhando receita. Agora, por que as outras quebraram, não tenho como responder.

O SR. CAETANO AMADO – A sua empresa não tem nenhum vínculo familiar com os donos da Hebara?

O SR MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Não, não. Eu fui funcionário da Hebara. Entrei como vendedor. E, acredito eu, por ter feito um bom trabalho dentro da empresa fui promovido, cheguei à supervisão de vendas e depois fui convidado para fazer esse trabalho que faço atualmente.

O SR. CAETANO AMADO – E essas duas empresas que faliram parece que faziam parte do aglomerado Hebara. Tinham vínculo familiar. Você tem esse conhecimento?

O SR MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Não. Eu não posso lhe precisar qual o vínculo que existia entre a Hebara e esses outros distribuidores. Eu posso dizer que eles eram mais antigos do que eu. Na época em que era funcionário da Hebara a Hebara trabalhava com essas empresas e quando eu fui convidado a ser distribuidor, me deram como modelo: “Você vai trabalhar como a Good Luck trabalha, como a Lupa trabalha, você vai ser mais um distribuidor”. Perguntaram se seria interessante para mim, achei que era e estou trabalhando até hoje.
O depoente disse que foi convidado a abrir uma empresa para ajudar no processo de distribuição dos produtos da Loterj para pequenos pontos de venda:
O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – A Hebara é uma empresa, que é muito maior que a minha, e eu, quando era supervisor de vendas da Hebara, eu... eu era homem de rua. Sou homem de rua até hoje. Eu gostaria de atender a todos os clientes que gostassem e que queiram trabalhar com o nosso produto. Só que a Hebara tem uma certa rigidez, uma certa burocracia em relação a isso. Por exemplo, ela não abre lote para ser distribuído para cliente. Ela só vende o lote fechado. Então, na época da Hebara, brigava por isso, porque tinha cliente querendo comprar, mas o cliente, infelizmente, não tinha cheque, não tinha dinheiro, não tinha como trabalhar. Às vezes tinha que pegar o produto, vender, para fazer aquele capital, repassar e tal.

Então, eu brigava muito dentro da empresa em relação a isso. E começou esses assuntos, aí falei: “Se fosse eu o responsável por essas negociações, eu colocaria o produto nesse cliente. Eu brigaria pelo cliente. Faria isso e tal”. E aí começou a surgir esse papo e começou a fazer esse trabalho. Acho que foi para aumentar mesmo a eficiência na venda, por eu ser uma empresa menor que dá para fazer esse tipo de coisa, entendeu? Requer menos controle ou, talvez, não sei...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Quantas empresas hoje prestam o mesmo serviço que o senhor à Hebara.

O SR. MÁRCIO MACHADO DOS SANTOS – Não tenho esse dado preciso. Pelo que me consta, a Hebara vende, por exemplo, alguns lotéricos locais e eles fazem alguma revenda assim para esse tipo de cliente que eu falei, pessoas que não têm condição de comprar. Mas, não sei a quantidade que tem hoje em dia.
No dia 18 de maio depôs a viúva de Armando Dili, Vera Lúcia Storino dos Santos. A artista plástica disse que pouco conhecia da rotina de Dili, mas revelou que ele conheceu Waldomiro Diniz em 2002:
A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS – Acredito que tenha conhecido ele no ano de 2002. Não sei precisamente, não me lembro se no início do ano, mas, com certeza, foi depois de ele saiu da Novartes, do último emprego fixo que ele teve. Vou dizer uma coisa sinceramente, vocês podem achar que é estranho, mas eu sou uma pessoa que, realmente, o meu relacionamento com o Armando era muito bom, como marido e mulher, mas sempre fui muito alienada, aos, sabe? Assunto de trabalho. Sou acho que meio cabeça de artista. Sou artista plástica, sou escultora. Então, acho que não... Nunca fui de dar muita atenção a assunto de trabalho, sabe? Inclusive ele reclamava muito comigo sobre isso. Ele gostava de sentar, conversar e eu de vez em quando dava aquela “viajada”. Ele comentava alguma coisa comigo e, daqui a pouco, ele... eu fazia uma pergunta e ele dizia: “-Pôxa, mas você não prestou atenção? Eu tinha acabado de contar isso”. Eu não registrava. Eu, realmente, não era atenta para assuntos de trabalho. Então...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Qualquer informação é importante para esta CPI. Tenho certeza, também, que uma das pessoas mais interessadas para que isso possa ser esclarecido é a senhora. Na verdade, a senhora acredita que o Sr. Armando Dili trabalhou na Loterj por quanto tempo, mais ou menos?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS - Acredito que, praticamente, durante o ano de 2002.
A depoente disse que, a época, não soube que Dili havia trabalhado para Carlos Ramos:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Quando ele saiu Da Loterj para trabalhar com o Sr. Carlos Cachoeira, ele comentou com a senhora: “-Estou deixando de trabalhar na Loterj...”

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS - Eu nunca soube disso. Eu nunca soube de ele sair da Loterj e trabalhar com Carlos. Eu sempre soube dele prestar consultorias, tá? Para mim, ele prestava consultorias para a Loterj e para outros, para a Hebara. Eu me lembro de um Peter que, até era um cara de São Paulo - não sei do que se trata – ele prestou uma consultoria para esse Peter.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Peter é o nome da pessoa, ou nome da pessoa jurídica?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS - É uma pessoa. Era amigo dele, que trabalhou com ele há uns anos atrás, e aí ele ligou para ele pedindo para prestar uma consultoria qualquer, não sei nem do que se tratava. Mas, enfim, me lembro do Peter ter ligado e ele ter saído para encontrar com ele, e ter prestado uma consultoria qualquer para ele. Enfim... Agora...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, para a senhora ele trabalhava na Loterj o tempo inteiro, não é isso?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS - É. Inclusive...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Por exemplo, dentro de casa, se alguém perguntasse onde seu marido trabalhava, a senhora diria que ele trabalhava na Loterj?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS - Não. Eu diria que ele estava desempregado e, enquanto desempregado, estava prestando consultorias...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – À Loterj.

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS - Diversas.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Não, mas prioritariamente.

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS - É. Acredito que sim. Mais à Loterj.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, no caso, dizer que ele trabalhou para o Carlos Cachoeira não lhe soa como uma verdade lhe soa como pode ter prestado uma consultoria.

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS - Olha, eu não... Não... Nunca ouvi. Pelo menos para mim ele nunca disse assim: “estou prestando consultoria para algum Carlos”. Eu me lembro de um nome Carlos assim... Sabe? Você tá... É... Não era um nome estranho para mim.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E Combralog?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS - Combralog. Quando me perguntaram, da outra vez que fui prestar depoimento, confesso que falei que não. Depois, esse nome... Sabe quando você... Esse nome realmente não me é estranho... Ontem, inclusive, comentei com o Felipe. Falei: “Poxa, Felipe, acho que sem querer eu menti. Eu falei que não conhecia esse nome, mas eu realmente já ouvi falar esse nome, sim. Não me é estranho, não”. Aí, o Felipe disse: “Então, você fala”. Porque é chato eu dizer...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, só para deixar bem claro. Na sua avaliação, o trabalho prioritário de seu marido durante o ano de 2001 e 2002 era com a Loterj?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS – Sim.
Vera Lúcia admite que não se preocupava com o assunto, mas achava que Dili apenas prestava consultoria para Waldomiro Diniz:
A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS – Eu vou dizer o que eu entendia do trabalho dele, o que eu achava, na minha ignorância. Que ele prestava consultoria para o Waldomiro, que o Waldomiro era o presidente da Loterj, e que ele estava... Parece que, tipo assim, existia alguma concorrência e ele estava avaliando, ele, como entendia de jogo, ele estava avaliando qual seria dos candidatos a essa concorrência, qual seria o melhor. E que esse Carlos era um candidato. Era o que eu sabia.
A depoente disse ainda que nunca passou dificuldades financeiras enquanto o marido estava vivo, ao contrário do que declarou Waldomiro Diniz em seu depoimento:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Durante o ano de 2001 e 2002, a senhora se classificaria como uma família de classe média, de classe média alta, baixa? Como a senhora classificaria sua família financeiramente?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS – Média. Normal. Com todo o conforto. Nunca me faltou nada.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A senhora, durante esse período, em algum momento, passou algum tipo de dificuldade financeira?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS – Nenhuma. Graças a Deus.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O Sr. Waldomiro Diniz, em depoimento a esta Comissão, afirma que, quando ele pede um por cento do contrato ora negociado, esse um por cento seria para ajudar um amigo. A senhora deve ter visto isso nos jornais, que seria para ajudar um amigo que ele teria pedido um por cento para ajudar ao amigo Armando Dili, inclusive, foi um momento até de emoção: “Pedi um por cento para ajudar ao meu amigo, Armando Dili”. E que, efetivamente, esse um por cento era para ajudar o Armando Dili, tendo em vista que ele passava por dificuldades financeiras. O que a senhora tem a dizer sobre isso?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS – É lamentável.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Dificuldades financeiras vocês não passavam?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS – Nenhuma, graças a Deus. Mesmo depois que o Armando faleceu, realmente, eu fiquei numa situação bem difícil, mas, graças a Deus, dificuldades assim, necessidade eu não tive até porque, graças a Deus, sou uma pessoa ativa, com saúde, trabalho, dou aula particular, sou escultora e tenho família, tenho pai, minha mãe, que agora já faleceu, mas minha mãe, na época, ainda era viva. Tenho família, o meu filho mais velho trabalha e sempre me ajudou, me ajuda até hoje.
Sobre o suposto pagamento feito por Carlos Ramos a Armando Dili, de R$ 18 mil, a viúva disse que não tem afiançar que esse pagamento foi, de fato, realizado:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A senhora sabia que ele recebia de algum lugar, tendo em vista que a senhora falou que não sabia que ele trabalhava com o Sr. Carlos Cachoeira. Mas, em algum momento ele comentou que ele recebia só de uma consultoria 18 mil reais, não?

A SRA. VERA LÚCIA STORINO DOS SANTOS – Não. Esse número, 18 mil, por sinal, acho até bom que tenha vindo à tona, porque só veio para confirmar as minhas palavras. Até, então, ninguém tinha falado em 18 mil nenhum e eu fui a primeira a falar. Quando dei o meu depoimento, falei que logo depois que o Armando faleceu, eu fui ver o que tinha de dinheiro em conta e dólar, que a gente tinha um restinho na gaveta, fui vender, fui me virar para fazer os pagamentos do que ainda não tinha sido pago naquele mês e, depois, no mês seguinte. Um belo dia, lá, mexendo na escrivaninha dele, na papelada toda, até então eu era totalmente alienada, não fazia um pagamento, não ia ao banco, ele fazia tudo, cuidava de tudo então, eu não me preocupava. Tive que ver o que tinha de pagamento para fazer, para não deixar atrasar nada, quando achei, ele era muito organizado, ele tinha um caderno de despesas, onde anotava tudo que tinha para pagar e o que tinha a receber e tinha anotado, lá, que ele tinha a receber do Leni, 18 mil reais e tinha o telefone do Leni, procurei o telefone e daí o Marcelo Boschi, amigo dele, ainda naquela semana, nós éramos muito amigos e ele me procurou e disse: Vera, como você está financeiramente? Eu falei: Está tudo bem, por enquanto eu estou levando, está tudo pago direitinho este mês, já paguei tudo, agora, como será daqui pra frente eu não sei, porque o Armando estava desempregado, não tinha seguro nenhum, entendeu? Eu, no momento, não posso garantir da noite pro dia, não vou vender... Escultura não é uma coisa que a gente bata de porta em porta para vender. Aula particular, a esta época do ano, não sei se aparece também, então, eu falei: bem, não sei, por enquanto está tudo bem e ele disse: Olha, fique tranqüila porque o Armando tem um dinheiro para receber e vão pagar a ele. Eu falei: Então, está tudo bem e, depois, que o contrato assinar, que eu começar a receber, eu também vou comparecer. Ele me contou, inclusive, que teve uma conversa com o Armando assim..., tomando um chope, um belo dia, não sei qual dos dois puxou o assunto, enfim, mas estavam falando na situação de que eles estavam trabalhando sem ter uma... Acho que foi o Armando que colocou para ele, puxa, fico preocupado de estar neste trabalho, estou trabalhando tanto e não tenho nada fixo, não tenho uma garantia para a minha família e aí eles disseram que fizeram um pacto de que se um dos dois faltasse, o outro cobria a família do outro e, enfim, ele disse: “Olha Vera, isso daí é um compromisso que eu tenho de moral, o que eu receber desse trabalho, afinal de contas, nós assumimos juntos, o Armando trabalhou mais do que nunca para isso, o que eu receber que venha desse trabalho, metade é seu, seu e da família.” Eu falei: “Muito bem, muito obrigada.”

Só que parece que o tal do contrato não foi assinado e os tais 18 mil, nada. E aí eu pensei: Bom, não vou ficar cobrando, porque é uma situação muito chata, continuei tocando.

que chegou um ponto, não me lembro precisamente quando, talvez fevereiro, março, não sei, já tinha entrado no cheque especial, já tinha usado tudo e já tinha pego um dinheiro emprestado aqui, outro ali, com irmã, com cunhado, enfim, aí de repente eu falei: Eu estava muito nervosa, natural né?, Na época realmente estava muito abalada e eu pensei: Puxa, não é justo eu ter que estar aqui pedindo dinheiro emprestado na família, se afinal de contas o meu marido trabalhou tanto por um trabalho, tem um dinheiro para receber, se realmente ele tem este dinheiro para receber, acho que não é vergonha nenhuma eu cobrar.

Daí eu liguei para o Marcelo e falei: Marcelo, você não falou que tinha um tal de um dinheiro, assim, assim, 18 mil reais, tenho até anotado na mesinha do Armando.

Ele disse: É exatamente, mas...

Eu falei: Pois é, como é que vai ser, como é isso?

Ele disse: Olha Vera, eu estou inclusive, tenho estado todo o dia com o Leni, parece que eles já estavam trabalhando juntos no tal projeto, já tinha saído com um pessoal da Coréia, tinha um pessoal da Coréia, não tinha? Enfim, eu sei que ele já estava trabalhando, já tinha assinado o tal contrato, já estava trabalhando e ele disse que estava sempre vendo o Leni e que este Leni iria me pagar. E eu falei: Mas quando? Porque os pagamentos não podem ficar esperando. Será que eu não poderia cobrar dele? Você acha que fica chato eu cobrar dele? Ele falou: Olha Vera, se você quiser ligar, liga, eu te garanto que ele não vai te destratar, ele é uma pessoa gentil, no máximo, o que pode acontecer é ele dizer: “Olha, não tenho agora, eu não vou...” Sei lá. Se você quiser ligar, tudo bem. Eu acho que você deve sim. Eu tenho – ele, Marcelo disse – Eu tenho cobrado isso dele. Eu tenho dito “Pôxa, paga logo a Vera, a esposa do Armando, ela tá precisando e tenho cobrado isso dele. Mas, a gente tá aqui com uns problemas. A coisa não é nada do que realmente tinham dito que seria, entendeu? Eu também tô só dando um duro danado e de dinheiro tô ganhando pouquíssimo. Até agora não aconteceu nada do que tava prometido”. Foi o que ele falou.


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