Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Não vamos dizer assim, também eu não sou...

O SR. NOEL DE CARVALHO - Sim. Claro!

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - O Waldomiro, ele, em certas coisas, realmente eu nem chegava perto. Ele cuidava de muitas coisas que eu nem chegava perto.
Neste ponto do depoimento, o economista admitiu que jamais assinaria alguns dos documentos da Loterj, diante das evidências conhecidas atualmente:
O SR. NOEL DE CARVALHO- Sr. Jorge perdoe-me, o senhor é um homem experimentado, como o senhor mesmo disse. Trabalhou no Pnud, no Habitar Brasil, na Eletrobrás, é economista, aposentado do serviço público, portanto, o senhor teve uma longa carreira no serviço público. O senhor correria o risco de apor a sua assinatura a um contrato com um concorrente vitorioso, que tenha sido vitorioso através de um processo de licitação todo tortuoso, como a própria fita nos mostrou, que foi negociado etc.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Vamos supor que o contrato não tivesse sido assinado e que aqui viesse a tomar conhecimento da fita?

O SR. NOEL DE CARVALHO – Sim. Mas isso já aconteceu.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Certo. Mas o senhor está argumentando uma fita que apareceu, o conhecimento dela, dois anos depois, não naquela época. Então, o que o faz desconfiar de certas coisas é ter o conhecimento da fita agora. Aí, a gente desconfia de uma série de coisas. Mas no dia-a-dia, que eu estou lá, que eu nem conheço e nunca ninguém duvidou de nada...

O SR. NOEL DE CARVALHO – Então, vou fazer a pergunta de forma mais clara, para chegar ao final da minha pergunta.

O senhor, se esta CPI chegar à conclusão de que alguns contratos foram assinados como conseqüência de um processo licitatório irregular, a responsabilidade é sua?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Sim, porque assinei o contrato. Eu não posso ignorar que assinei o contrato. E para mim, na minha assinatura, o contrato era legal e não tinha nada a contestar quanto à licitação e quanto aos editais que deram origem à licitação. Naquela época, não. Nós estamos julgando uma coisa agora, conhecimentos de fatos que ocorreram naquela época, que não eram conhecidos.

O SR. NOEL DE CARVALHO – Sim. Mas se o presidente propõe alguém que sugira mudanças num edital, propõe a um concorrente que ele próprio redija o edital, veja bem, nunca tinha ouvido falar isso na minha vida, que o próprio concorrente, interessado, disputando uma concorrência, ele próprio redija o edital e que o presidente da Loterj aceitaria a redação feita pelo concorrente e, na hora de formalizar isso, quem formalizava era o senhor e o senhor, com certeza, seria no mínimo cúmplice nessa trama. Eu queria que o senhor se defendesse.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Não. Não sou cúmplice em trama nenhuma. Eu sou responsável pela assinatura que coloquei no contrato ou em alguma coisa da licitação em que tenha colocado a minha assinatura. Mas não sou e nem concordo que havia nada irregular nesse processo. Afirmo isso.

O SR. NOEL DE CARVALHO – Certo.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Agora, se hoje o senhor chega, depois de conhecer aquela fita ou conhecer outros fatos que, no momento, é como se dissesse "comprei uma determinada coisa porque, naquele momento, achei que ela era ótima, bonita, maravilhosa etc". Mas depois eu chegar à conclusão de que ela não era,... Mas quando comprei, o fiz com a certeza de que tudo que assinei era lícito.
O depoente, Jorge Geraldo da Veiga Vieira, defendeu a política de investimentos adotada por Waldomiro Diniz na publicidade dos produtos da Loterj:
O SR. LUIZ PAULO – Sr. Jorge Geraldo, ouvindo o senhor falar sobre a estratégia do Sr. Armando Dili, tinham três vetores. Um desses vetores era recuperar a capacidade de venda das Raspadinhas, segundo sua afirmação.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Certo.

O SR. LUIZ PAULO – E a Loterj teria conseguido isso. E isso foi um êxito. Só que temos que medir as relações benefício/custo. Porque, veja o senhor, no ano de 2002, a Loterj investiu em publicidade 21 milhões de reais aproximadamente. Se nós somarmos mais 10% que suponho que a Hebara tenha investido 10% de uma ordem de 22 milhões por ano dão mais 2 milhões. Isso sobe para 23 milhões e 200. Isso representa que a Loterj investiu num ano político eleitoral mais de 25% de tudo que arrecadou.

O SR. LUIZ PAULO – Em 2001, o valor foi 17. Em 2000, não tenho aqui o número, mas foi bem menor. Foi assim uma escalada...

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Onze ou doze, me parece. Não tenho também...

O SR. LUIZ PAULO – Onze ou doze. Pois é. Mais de 25% do que você arrecada foi gasto em publicidade. E o que que foi esse gasto de publicidade? Outdoor; programas de rádio... Mas dezenas de programas de rádio...

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – É verdade.

O SR. LUIZ PAULO – Jornais aos quilos, televisão.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Maciça na imprensa escrita,...

O SR. LUIZ PAULO - Falada e televisada.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – falada e televisada; outdoor, busdoor, taxidoor...

O SR. LUIZ PAULO – É claro que isso cria na mídia um ambiente de simpatia para o governo. Então, o senhor me perdoe, mas aí tem escondida uma estratégia dupla. Uma, de aumentar a arrecadação da Loterj, via o aumento da venda da Raspadinha. E outra, o objetivo político, eleitoral, partidário, de criar um ambiente de simpatia em relação aos órgãos da mídia. E uma terceira possibilidade, aí é possibilidade, é que este é o dinheiro mais difícil de ser comprovado.

O SR. PAULO MELO - Vossa Excelência me concede um aparte para completar, Deputado?

O SR. LUIZ PAULO – Pois não.

O SR. PAULO MELO – Mas essa estratégia não deu resultado. Porque diminuiu a venda. Aumentou a publicidade e diminuiu a venda.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Com relação à afirmação que o senhor... é correta sua afirmação. A venda não aumentou. Ela não aumentou, é verdade. Mas olha só, se o senhor olhar a curva, a curva era assim, estava aqui e estava assim, declinante. Então, se senhor pegar um período em que ela estava lá em cima e vinha declinando, o somatório desses períodos, chega a 50 milhões. Se ele continuasse essa trajetória, no ano de 2001, ele nunca seria 51. Ele seria 32, 24... é só o senhor pegar e projetar a curva. Fazer um ajuste na curva e descer com ela. O que o senhor fez foi mudar a inclinação da curva.

O SR. LUIZ PAULO – É...

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Agora, a colocação do senhor, custo/benefício, se para aumentar ou para... vamos então analisar se a curva continuasse com a sua tendência, ela viesse descendo e chegasse lá embaixo, a 32, aí o senhor diria "Ela mudou. É 32, não é mais 51. É 19 milhões". O que se fez foi um investimento para mudar a inclinação dessa curva. Não necessariamente, e eu gostaria que fosse, que o somatório na mudança da inclinação, porque se ela está assim – para o senhor, que é engenheiro – e a barriga dela faz isso, ela vai se tornar igual; a barriga daqui com a daqui é igual. Por isso ela não aumentou em valores. Mas a tendência dela mudou. A inclinação mudou e ela subiu. Se ela continuasse declinando ela viria aqui para baixo. Era isso que o jogo estava mostrando.

O SR. LUIZ PAULO – Sr. Jorge Geraldo, além de engenheiro também já fui técnico em contabilidade. Sei analisar as curvas, como também, contabilmente, os resultados. O fato de uma curva pontualmente dar uma estabilizada não indica que no futuro a descendente continue e nem a ascendente irá surgir. A ascendente não surgiu. Sob o ponto de vista contábil, os números são absolutamente assustadores.

Não vou falar em dinheiro. Primeiro, vou falar em bilhete. Em 98 a Loterj vendia 88 milhões. Em 99, caiu para 85 milhões; em 2000, 58 milhões; em 2001, logo que o senhor entrou, no seu primeiro ano lá, 51,5.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Certo. Manteve a tendência da curva, constatada.

O SR. LUIZ PAULO – Em 2002, 51,5.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Ela se manteve estável.

O SR. LUIZ PAULO – Esqueçamos curva; número de bilhetes. Receita líquida. Em 98, oito milhões; em 99, sete milhões; em 2000, cinco milhões; em 2001, três milhões e oitocentos; em 2002, um milhão e quatrocentos.

A Hebara faturou, em 2002, na ordem de dezenove milhões e cem. E o senhor gastou de publicidade 23 milhões.

Então, o valor que o senhor gastou de publicidade comeu qualquer hipótese de estabilização de curva. Tanto é que a sua rentabilidade em 2002 é a mais baixa de todos os tempos. As rentabilidades da Loterj, calculada pelo Tribunal de Contas do Estado, são: em 98, 9%; em 99, 8%; em 2000, 7,7%; em 2001, 7,4%; em 2002; 2,7%. Segundo o Tribunal de Contas, em relatório muito bem feito, que é a inspeção que estou vendo aqui, diz que a rentabilidade que a Loterj deveria alcançar teria que ser na ordem de 12%.

A gestão Waldomiro Diniz conseguiu colocar essa rentabilidade em 2,7%. Então, a estratégia de aumentar os investimentos em marketing, em ano eleitoral, foi uma grande tragédia para a Loterj.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - O critério que o Tribunal de Contas usa para medir rentabilidade é um critério por eles determinado.

Eu entendo que rentabilidade se mede pelo lucro líquido sobre vendas ou sobre o capital investido.

No caso da Loterj, se eu pegar o que sobrou dos meus gastos operacionais, na minha receita, antes de destinar o meu lucro. A Loterj foi criada para aplicar recursos em obras sociais. Então, pego do meu lucro, destino 70% para as obras sociais. Meço minha gestão pelo que posso transferir para esse objetivo.

Estou aqui afirmando que o gasto em publicidade foi um gasto ótimo e aquilo que deveria ser feito. Mas, se eu tirar... Porque tem um decreto do governador que diz o seguinte: que posso antecipar todos os meses, o lucro obtido para transferir para as obras sociais. E isso era feito. Então, quando meço... Porque tudo isso que transfiro para as obras sociais, no fim do ano, se torna uma despesa. É incoerente esse tratamento.

O SR. LUIZ PAULO – Olha só, Sr. Jorge Geraldo, só para encerrar Sr. Presidente – o senhor me perdoe -, concordo em gênero, número e grau com a metodologia do Tribunal de Contas. Mas, mesmo que V. Sa. fosse calcular rentabilidade pela metodologia que o senhor está criando, isso valeria para todos os anos.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Não tenha dúvida.

O SR. LUIZ PAULO – Para todos os anos! E mostraria que 2002 foi, novamente, a menor rentabilidade.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Não.

O SR. LUIZ PAULO – Não, não. Sim!

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Por que não? Depende do montante que o senhor gaste desse item que o senhor está retirando da despesa e apontando ele como lucro. E, no ano de 2002, foram transferidos para as obras sociais 14 milhões.  Se o senhor pegar 14 milhões e acrescer a esse lucro apurado pelo Tribunal de Contas e dividir pela receita auferida neste... No ano de 2002 não, foi 2001, desculpe, 14milhões, que foram 98 milhões. Se eu pegar 14 milhões, acrescer a esse lucro que foi apurado, que não me lembro qual é o valor – dois ou três -, dois mais quatorze dão dezesseis, dividido por 100 dá 16%. Se fizesse o mesmo critério para todos os outros anos, é uma metodologia diferente de se calcular e teria que se calcular para os anos anteriores. Em 2002, transferimos oito milhões e quatrocentos. Se agregado a esse lucro apurado e divido pela receita dos 118 milhões, se não me engano, dá 10,1%.

O SR. GILBERTO PALMARES – Vou ser bem objetivo. É dentro dessa questão. Mas essa transferência da Loterj para obras sociais ocorreu em 2001 e em todos os anos anteriores. Foi no valor de 14 milhões em 2001. Em 2000 e em1999 foi quanto?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Foi de sete milhões. Em 2000 foi de sete milhões.

O SR. GILBERTO PALMARES - E em 2002?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Em 2002 foi de oito e seiscentos, se não me engano.

O SR. LUIZ PAULO – Então, Sr. Presidente, para eu concluir: veja que em 2001 foram 14 e, depois, 8.600. Novamente, anteriormente eram sete. Se formos fazer essa conta, 2002 vai ser a menor rentabilidade, sem dúvida nenhuma.

Só estou querendo concluir Sr. Presidente, que a convicção desse Relator é que essa questão desse gasto excessivo em publicidade comprometeu, decisivamente, a gestão, sob o ponto de vista financeiro, do caixa da própria Loterj.

O SR. PAULO MELO – Eu fiz uma conta, eu estava ouvindo o Sr. Jorge Geraldo falar e, de uma maneira muito profissional, ele queria dizer o seguinte: se o lucro diminuiu é porque do lucro que a Loterj teria foi subtraído o valor da obra social. Não é verdade. O parecer do Tribunal de Contas, se nós somarmos o que foi pago à Hebara, o que foi confeccionado de ISA, o que foi pago de prêmios e o que foi recebido do lucro, dão os 88 milhões; não é que diminuiu menos que nós demos para a obra social. A obra social sai no contexto final do lucro, não nessa questão aqui. Aqui está bem claro: somando, Deputado Luiz Paulo, o que foi pago de prêmios, o que foi confeccionado de cartões, o que foi pago para a Hebara e o que foi dado para a Loteria do Estado do Rio de Janeiro, dão os 88 milhões. Então, nesses 88 milhões é que vai tirar a Raspadinha, não diminuiu porque se deu o dinheiro para a obra social e por esse motivo o lucro diminuiu. Não é verdade. O que o senhor passou foi isso.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Não, não, Deputado...

O SR. PAULO MELO – Digo o seguinte: o senhor fez uma colocação aqui que não é verdadeira. O que é verdadeiro é o seguinte: se a Loterj tivesse acabado com a Raspadinha, com a loteria, ela teria mais lucro do que tendo. Por quê? Porque se usa o pressuposto de que a publicidade foi para manter um jogo que estava em decadência. Gastou-se mais oito milhões para manter esse jogo do que a publicidade original. Ela teve um milhão de lucro. Era preferível ela não ter gasto os oito milhões, que ela teria muito mais lucro, ela teria uma reserva de sete milhões. Então, é simples. Aí é conta de vendedor de cocada.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Está certo, Deputado, mas é o momento.

O SR. PAULO MELO – Nunca ninguém foi procurar o senhor para indicar publicidade para o jornal A, B ou C?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Não.

Olha só, nesse aspecto publicitário como é que funcionava a coisa? Eu operacionalizava a coisa, mas não determinava o plano. O plano era discutido com o Waldomiro que dizia: "este mês vamos fazer isso". E a partir desse momento eu entrava e operacionalizava o que já estava definido. O senhor perguntou se eu não teria que interferir quando se gastava 18, 15, 13 ou 12 para o fim a que ele se destinava, que era mudar a tendência do jogo. Não.
José Carlos Simonin depôs logo em seguida. Ele disse que trabalhou na Loterj de 15 de março de 2001 a abril de 2002. O ex-Diretor de Operações afirmou que não recebia complemento salarial pela Funpat/Atrium, mas, assim como Rivângela Barros e Amaro Sérgio Rios, Simonin foi indicado pela executiva do Partido Liberal:
O SR. PAULO RAMOS – Então, ouvimos aqui: "foi o gabinete civil quem requisitou, foi a executiva,..." Quem da executiva indicou o senhor para o cargo?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN - Eu posso dizer ao senhor quem me comunicou. Agora, quem me indicou foi a executiva, porque foi essa a informação que eu...

O SR. PAULO RAMOS – Em qual cargo o senhor estava (ANTES)?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Era diretor técnico do Instituto de Pesos e Medidas.

O SR. PAULO RAMOS – Eu sei, mas quem foi que indicou... Que deu a notícia?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Não, não, quem me indicou foi o PL; quem deu a notícia foi o Deputado Carlos Rodrigues.
Mais uma vez, um depoente, envolvido com os processos licitatórios da Loterj, afirma que não sabe quem fez os editais – principalmente os vencidos pela Hebara e Combralog:
O SR. LUIZ PAULO – O edital de licitação vencido pela Hebara, a origem desse edital, quem pediu para fazer essa licitação foi vossa senhoria?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Sim senhor.

O SR. LUIZ PAULO – Como tinha que ser né?  Na sua diretoria, que é o responsável.

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Claro. Com um projeto básico, pede para iniciar o processo licitatório.

O SR. LUIZ PAULO – Isso. Mas, esse projeto básico foi o senhor que fez?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Eu não, os técnicos da diretoria de Operações.

O SR. LUIZ PAULO – E na participação, na redação do edital, o senhor participou?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Não.

O SR. LUIZ PAULO – Quem redigiu o edital?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Não sei lhe informar.

O SR. LUIZ PAULO – Mas o senhor teve conhecimento de que houve a modificação?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Não lembro Deputado.

O SR. LUIZ PAULO – Bom, o representante da Hebara, aqui, esqueci o nome agora, nos afirmou que aquele bacalhau que tinha no edital, do edital também prever jogos on-line, não interessava à Hebara porque a Hebara não fazia jogos on-line, nunca cogitou isso, etc. e etc. Como o senhor analisa? Como isso foi parar nesse edital, se no edital da Combralog era para explorar os jogos on-line? Qual foi a intenção desse bacalhau no edital que foi ganho pela Hebara?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Não sei informar, Exa.

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Exa., acho que nesse período eu já não estava mais na diretoria de Operações.

O SR. LUIZ PAULO – Não estava mais?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Já tinha saído. Eu saí no dia 06 de abril...

O SR. LUIZ PAULO – Se o senhor saiu antes, o senhor não pode ter o dom de ocupar todos os espaços simultaneamente. Mas o senhor pegou o contrato 06/98?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Sim senhor. Quer dizer, não sei o número.

O SR. LUIZ PAULO – 06/98, o da Hebara.

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Pelo ano do documento...

O SR. LUIZ PAULO – Cinco anos. No valor de cento e onze milhões, num prazo de cinco anos que se esgotava em junho de 2002.

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Isso.

O SR. LUIZ PAULO – Completava o quinto ano.

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Perfeito.
Simonin, nesta altura do depoimento, afirmou que diligentemente, informou que o contrato da Hebara estava por terminar e solicitou a confecção de um novo edital:
O SR. LUIZ PAULO – O senhor formulou pedido, com um projeto básico para fazer nova licitação à presidência? Porque o prazo estava se esgotando.

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Esse é o do Toto Bola, o da loteria é Instantânea. Eu pedi o do Toto Bola.

O SR. LUIZ PAULO – Em que data mais ou menos?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Deputado, acho que foi em fevereiro de 2002.

O SR. LUIZ PAULO – Então o senhor ainda pediu com quatro meses de antecedência?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – É, com cinco meses de antecedência.

O SR. LUIZ PAULO – Por que o edital não saiu?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Deputado, não sei informar ao senhor porque o edital não saiu.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor sabe que o edital não saiu até hoje?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Não, o que eu tenho conhecimento é que o edital saiu e o edital depois, acho que o Tribunal de Contas é que mandou suspender o edital. Acho que saiu sim, acho que não se completou por várias razões, mas o edital parece que tinha ido até para o Tribunal de Contas.

O SR. LUIZ PAULO – Mas o senhor acha que pode ser esse que tenha sido suspenso pelo Tribunal?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Acho que não. Acho que foi suspenso agora o da Raspadinha, não?

O SR. LUIZ PAULO – Sim, mas então qual foi suspenso, que eu não sei qual é?

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Na época esse edital tinha sido suspenso. Eu tomei conhecimento que ele tinha sido suspenso pelo Tribunal de Contas, esse do Toto Bola. Agora, posteriormente a minha saída, Deputado, eu não fiquei acompanhando a vida da Loterj.
Aqui, mais uma vez, o Deputado Luiz Paulo questiona o aditamento do contrato da Hebara:
O SR. LUIZ PAULO – Mas o senhor analisou muitas vezes esse processo. Esse processo, em 5 anos passou...

O SR.JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN - Vou repetir, já que tem um membro do Tribunal de Contas aqui: isso é comum se ver, essas prorrogações de 25% do contrato, quando não se completou o serviço.

O SR. LUIZ PAULO – Isso eu sei. Isso é da Lei de Licitações e Contratos: admitir termos aditivos até 25% para mais ou para menos. Isso é da legislação. O problema não é esse, o problema é a matemática: o senhor tem um contrato de 5 anos, logo é 20% ao ano - 100 divididos por 5 – você prorroga por mais um ano, não pode dar 25, tem que dar no máximo 20.

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN - É.

O SR. LUIZ PAULO – É, 5% num contrato de 111 milhões é "bala". Não é nada...! São 5 milhões! O senhor observou algum... As raspadinhas estavam com tanto êxito assim? Porque o senhor fiscalizou esse contrato...

O SR.JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN - Excelência, acho que a prorrogação desse contrato, acho que, na realidade, foi para não haver uma interrupção da prestação de serviço, objetivando a finalização da nova contratação, do novo edital. Acho que se deu um parâmetro aí por 12 meses, em função dessa... E aí entrou os 25%.

O SR. LUIZ PAULO – Eu considero isso uma grande irregularidade. E não acho que seja rotineiro. Pode ter aqui 25 técnicos do Tribunal de Contas que haja prorrogações de prazo de um ano, para contratos longevos de 5 anos. Isso é imprevidência da administração, deixar esse contrato "morrer" e pedir renovação. Isso para mim está muito claro. Está aí caracterizada a imprevidência de gestão.

O senhor com essa sua experiência acumulada conhece isso tudo. Então, o senhor nos afirmou – e eu só quero concluir – que o senhor pediu, de fato, que a licitação fosse feita.

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN – Pedi.

O SR. LUIZ PAULO – Quando se dá uma ordem no serviço público – ainda mais em questões importantes – se não acompanhar dia sim, dia não pode ter absoluta certeza de que não vai acontecer.

O SR. JOSÉ CARLOS COSTA SIMONIN - Com certeza.
O ex-diretor de operações relata, neste momento, informou que fiscalizava os bingos, mas não chegou a legalizar nenhum:

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