Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V. Sa., por exemplo, em algum momento encaminhou algum parecer, algum pedido de possível parecer dado por uma comissão de licitação? Encaminhando para eles: "Oh, dê o parecer dessa forma". Alguma vez fez isso?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Não.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor não sabia que essas comissões eram comissões só de fachada, não serviam para nada? Não sabia disso.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu não sabia, não. Eu não acho que elas foram pró-forma. Eram comissões efetivas.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu acompanhei todos os depoimentos aqui e estranhei o que a Kátia disse ontem, "que era pró-forma".

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – É, mas não foi só a Kátia. Outros também da comissão de licitação...

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - A Fátima, que esteve aqui, o Ruivo... Essas pessoas todas eu conheço. Porque vivi o dia-a-dia lá e conheço todos os funcionários da Loterj. E para mim foi uma surpresa ela ter dito que a...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Para a gente não é tanta surpresa porque além do depoimento deles, esta Comissão já tem alguns documentos que comprovam de alguma forma que efetivamente pareceres eram encaminhados prontos para essas comissões de licitação. Era só assinar embaixo. V. Sa. não tinha conhecimento disso?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Então, qualquer ligação que tenha é uma ligação do Sr. Waldomiro com a comissão de licitação?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Normalmente era.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Não estou afirmando, estou colocando que não me lembro de ter encaminhado nenhum parecer pronto para essa comissão de licitação referendar.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V. Sa. não se lembra, mas quer dizer que possa ter?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu praticamente passava o dia inteiro na Loterj. Assinava processos e mais processos e muita coisa. Eu posso não estar lembrado de ter encaminhado alguma coisa nesse sentido. Mas eu acho que esse procedimento eu ignorava, que era encaminhado pareceres prontos para...
O segundo posto da hierarquia da Loterj afirmou que tinha complemento salarial, através da Funpat/Atrium:
O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu ganhava cinco mil reais.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas era um assessor, um cargo de comissão. É isso?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Não, era um assessor dele. Compunha a assessoria, mas eu não era...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas esses cinco mil eram do cargo ou através de uma cooperativa?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Era através da FUNPAT, digo, da Atrium. Porque a FUNPAT subcontratou a cooperativa para atender a gente nas necessidades que viríamos a ter com os técnicos e com a equipe que queríamos formar.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Como vice-presidente, quanto V. Sa.ganhava?

O SR JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Aí eu ganhava três mil e 500 reais líquidos.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E algum complemento?

O SR JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Aí passei a ganhar o que eu havia combinado com ele, que era 5 mil reais e tinha um complemento de um mil e 500 reais da Cooperativa.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, continuou ganhando os cinco mil reais.

O SR JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Os cinco mil.
Nesse ponto, o Relator, Deputado Luiz Paulo, questiona o economista sobre a capacitação profissional de alguns membros da equipe de Waldomiro Diniz:
O SR. LUIZ PAULO – Vou fazer-lhe três perguntas: o Sr. Amaro trabalhava?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Nunca trabalhou.

O SR. LUIZ PAULO – Ele foi colocado à disposição de alguma instituição?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - O Waldomiro me disse que ele foi colocado à disposição do gabinete civil.

O SR. LUIZ PAULO – Através de ofício ou verbalmente?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu tomei conhecimento quando o Waldomiro fez o depoimento que disse que foi verbalmente, quer dizer, não se lembrava, nem eu. O Sr. Amaro, eu não me lembro de nunca tê-lo visto na Loterj.

O SR. LUIZ PAULO – Mas não adianta eu procurar um ofício de requisição do Amaro na Loterj, que não acho?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Não me lembro e nunca procurei.

O SR. LUIZ PAULO – Mas, na verdade, ele nunca trabalhou.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Nunca trabalhou.

O SR. LUIZ PAULO – Mas o senhor achou isso normal, com a sua experiência administrativa?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Não senhor.

O SR. LUIZ PAULO – Mas isso foi uma decisão do Waldomiro, e não sua?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Com o quê?

O SR. LUIZ PAULO – A decisão de deixar o Sr. Amaro sem trabalhar foi uma decisão do Waldomiro, e não sua.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Vamos dizer assim: não era a mesma linha. Eu, normalmente, me afinava com ele nas coisas que ele decidia e eu concordava. Com relação a isso...

O SR. LUIZ PAULO – O senhor discordou?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Discordei.

O SR. LUIZ PAULO – Porque o senhor tem conhecimento de que é absolutamente ilegal.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Vamos dizer assim: eu não concordo. Esse problema de ser legal¸ acho que não é justo

O SR. LUIZ PAULO – Não é ético, não é justo. Mas não vamos discutir legalidade, porque tem outro momento.

E a Sra. Rivângela trabalhava?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Trabalhava.

O SR. LUIZ PAULO – Ela tinha liberdade no exercício de sua função de diretora?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Liberdade tinha.

O SR. LUIZ PAULO – Ela era, de fato, a diretora ou era só pró-forma?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Olha, ela era diretora. Ela não era ordenadora de despesa e nem assinava os cheques. Por isso, também não assinava os cheques. Mas todas as outras funções inerentes à diretoria dela, era de responsabilidade dela. Ela era uma pessoa abnegada, presente, mas tinha pouca experiência.

O SR.LUIZ PAULO – Quanto a pouca experiência, concordo com V. Sa. em gênero, número e grau. Eu diria que não tinha nenhuma. E o senhor Simonin, trabalhava?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Trabalhava.

O SR. LUIZ PAULO – E ele tinha experiência?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Tinha. É esperto.

O SR. LUIZ PAULO – O que quer dizer "é esperto?"

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – (Risos). O Simonin, ele é competente.

O SR. LUIZ PAULO – É competente, trabalhava, chegava lá às 9horas...

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Era cuidadoso, ele chegava e ponderava, discutia. Eu recebia muito a Rivângela e o Simonin porque o Waldomiro, vamos dizer assim, ele não estava presente o dia inteiro. Eu estava o dia inteiro. Então, a operacionalidade da empresa, a decisão era feita comigo. Eu os recebia muito para as questões do dia a dia. E o Simonin questionava.

O SR.LUIZ PAULO – Vamos em frente. Então nós tínhamos uma estrutura onde o senhor era o vice-presidente, operativo; a Sra. Rivângela trabalhava; o Sr. Simonin trabalhava; e nós vimos aqui ontem que o assessor jurídico também trabalhava: o Sr. Leonardo.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – O Léo é muito competente.

O SR.LUIZ PAULO – Bom, aí há uma outra figura misteriosa. Vamos ver o que ela fazia: a Sra. Ana Cristina.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – A Ana Cristina, representava um pouco a ausência da chefia de gabinete. Eu e a Cristina substituíamos um pouco a ausência da chefia de gabinete. E ela era a secretária efetiva do Waldomiro.

O SR.LUIZ PAULO – Ela era ordenadora de despesa?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Só depois que o Waldomiro saiu.

O SR. LUIZ PAULO – Só no último mês?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Uns 45 dias.
Neste momento, o depoente relata sua surpresa ao tomar conhecimento do vídeo feito por Carlos Ramos:
O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Quando eu tomei conhecimento daquela fita, eu fiquei chocado... (...) Depois, um dia, eu conversei com ele e falei assim: "Mas como acontece isso?" Foi aí que ele contou para mim o que ele contou aqui na CPI. Foi igualzinho o que ele contou: "Eu cometi aquele pecado. Sou refém daquela situação até hoje". E por isso que eu acho que ele nunca me indicou para nada.
Jorge Geraldo falou, também, da presença de Armando Dili na Loterj – por quem o ex-presidente da autarquia chegou a pedir 1% de propina a Carlos Cachoeira:
O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu conheci o Armando logo assim que o Waldomiro o contratou. Eu lembro que foi o Sérgio Martins quem indicou o Armando para o Waldomiro.

O SR. LUIZ PAULO – De onde é esse cidadão?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Ele trabalhava com a gente. Ele era nosso assessor de marketing. É. Ele indicou... Nós diagnosticamos, no início da nossa gestão, que a gente precisava dar uma virada na curva de venda do Toto Bola e da Raspadinha, que estava declinante. E a gente tinha que dar uma virada naquilo e precisava de uma pessoa especializada nesse tipo de jogo. E o Sérgio, como ele era um pouco inexperiente, quer dizer, tinha 29 ou 30 anos, ainda não tinha experiência, mas acho que ele conhecia mais o Marcelo do que o Armando. E o Armando e Marcelo eram sócios. Então, ele indicou para o Waldomiro o Armando, para que a gente pudesse atingir esse objetivo. E o Armando foi uma grata satisfação. Competente, muito competente.

Lembro-me que ele disse que tinham três problemas com a Raspadinha. Um potencial grande de vendas, mas tem três problemas: 1 - Nós temos que atacar a distribuição, que tem alguns estrangulamentos; 2 - Temos que fazer uma renovação nos tipos de jogos; 3 - Fazer uma publicidade bem agressiva.

Nós colocamos em prática esse plano dele. Ele fazia a intermediação com a Hebara para atacar isso aí. E, realmente, teve resultado. Nós, quando assumimos a Loterj, eu sei que o Deputado ali tem todas as estatísticas, eu tenho acompanhado, mas no primeiro mês nosso vendemos 2 milhões e 800 de Raspadinha, em fevereiro de 2001.

Depois que nós contratamos o Armando e colocamos o plano... No primeiro contato que nós fizemos com a Hebara, o Armando já estava trabalhando para nós, se não me engano em maio. Lembro que nós só fizemos o contrato com a Hebara depois que diagnosticamos a situação. Aí, a curva da Raspadinha começou a crescer, a curva mudou a inclinação, começou a crescer de nós chegarmos a vender, em janeiro de 2002, 6 milhões de Raspadinhas. Aquilo foi uma vitória. E nós devemos muito a Armando esse assessoramento que ele deu para a gente.

O SR. LUIZ PAULO – Veja só, o senhor Armando Dili e o senhor Marcelo Boschi eram sócios, eram quarteirizados pela Giovanni na empresa Pedrosa e Boschi. Quer dizer então que eles eram assessores da Loterj, via Pedrosa e Boschi?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - É uma empresa que assessora muito..., Nós contratamos a Pedrosa e Boschi para nos assessorar...

O SR. LUIZ PAULO – Via Giovanni.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA -... Via Giovanni, e o Marcelo e o Armando eram as pessoas que nos assessoravam.

O SR. LUIZ PAULO – Mas o Armando chegou lá com o Marcelo, apresentado por esse cidadão, o Sérgio. Como é que houve esse encantamento, essa paixão funcional entre o Sr. Waldomiro e o Sr. Armando, a ponto do Sr. Waldomiro ir ao Sr. Carlos Ramos e pedir 1% do negócio? Segundo o Sr. Waldomiro, ele pediu para o Armando. É um arroubo afetivo. Explica-me essa história que eu não consigo entender, se é que o senhor consegue explicar.

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Bom, o Waldomiro disse que realmente fez isso.

O SR. LUIZ PAULO – Sim, ele falou aqui.

O SR.JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA -... Como disse para mim também que ele tenha feito isso.

O SR. LUIZ PAULO – Falou quando?

O SR.JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Ele falou comigo na véspera do dia em que ele esteve aqui na Comissão, que eu me reuni com ele para dar informações a ele sobre o depoimento que ele ia dar aqui. Ele confia muito em mim e precisava de informações técnicas que lhe desse condições de atender às perguntas de V. Exas. E eu perguntei a ele por que é que aconteceu aquilo e ele me relatou exatamente o que tinha relatado aqui na Comissão. Aí eu falei: "Mas, Waldomiro, com a experiência que você tem, não dá para entender isso, realmente, não dá.”
O depoente, aqui, fala das providências tomadas para a regularização das licitações menores na Loterj:
O SR. PAULO RAMOS – Qual a explicação que o senhor dá para a realização de várias compras, tudo sem licitação? Quem é que decidia que não realizaria licitação neste ou naquele caso?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Essas compras por dispensa de licitação – não sei qual o termo adequado – foram uma preocupação nossa, porque elas se apresentavam com certa freqüência e nos chegavam assim, de forma... vamos dizer assim: tem que resolver o problema, porque tem que comprar por emergência, porque o contrato já estourou ou não tem mais o material. Pequenas compras. Só me lembro de uma dispensa – que até foi comentado aqui na CPI e esse fato eu me lembro mesmo – da compra dos carros tipo Saveiro ou de outro tipo de carro, que precisavam para um determinado jogo e não poderia ser feita a licitação por condições específicas e se procurou uma forma legal de fazer aquelas compras. Era uma requisição de jogo para premiação de jogo. Aí diagnosticamos que tínhamos uma falha. Qual falha? Uma falha administrativa, de controle. É que não tínhamos um local ou uma pessoa que controlasse todos os contratos; época de término, quando estourava valor e etc. Foi quando nós então estabelecemos uma diretriz para que a diretoria administrativa implantasse um controle efetivo de todos os contratos, com datas e etc, para que a gente não fosse pego de surpresa com relação a ter que fazer uma emergência, dispensa de licitação, que isso nos incomodava como gestor.

O SR. PAULO RAMOS – E isso foi feito?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Isso foi feito.
Neste momento, o depoente fala do contrato da Fundação Parque de Alta Tecnologia de Petrópolis e de sua legalidade:
O SR. PAULO RAMOS – O senhor chegou a assinar algum contrato com a Funpat, prorrogando etc.?

O SR.JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Sim, claro que assinei. Eu assinei todos os contratos.

O SR. PAULO RAMOS – Os senhores já encontraram o contrato com a Funpat...

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Já existia. E nós precisávamos resolver aquele problema emergencial de ter uma equipe e não ter como pagar.

O SR. PAULO RAMOS – E o senhor acha que isso é legal? A contratação da equipe, pagamento por fora...

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Bom, isso já foi até discutido aqui em depoimentos anteriores. Se é legal, me parece que têm... Eu não sou advogado, mas me parece... Têm aspectos falhos nessas contratações quanto à legalidade. Mas era uma necessidade. V. Exa. se coloca como eu ou como o Waldomiro que somos as pessoas que vão gerir a empresa e chegamos diante da situação de que nós temos uma empresa para gerir e temos que ter pessoas que têm que tocar a empresa.

O SR. PAULO RAMOS – Mesmo na fase anterior?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu não tenho certeza se na gestão anterior existia complementação das pessoas que lá estavam. Mas existiam pessoas contratadas para exercer uma determinada função dentro da empresa através desse contrato.

O SR. PAULO RAMOS – Concurso público nem pensar?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu acho que na Loterj nem tem concurso público. Eu não tinha e nem sei em que aspecto que ia ter um, mas seria muito bom que a gente pudesse resolver o problema que a gente tinha de pessoal com concurso público de uma forma mais adequada. Então, o que a gente fez? Nós sentimos a necessidade, por exemplo, bingo – como os senhores sabem – a gente precisa ter pessoas que estejam olhando a forma que a gente está acompanhando. Nós tínhamos a responsabilidade de fiscalizar os bingos e precisávamos de gente com experiência em fiscalização e com qualidade para poder fazer esse trabalho. Foi uma das finalidades. Outra, são os nossos assessores que a gente queria na área de jogos e nas funções de assessoramento financeiro, administrativo e etc. Todas essas pessoas, inclusive o assessor jurídico, você não encontrava uma pessoa que quisesse assumir a função de assessor jurídico e ganhasse o máximo que a gente poderia dar que era um cargo, que seria um DAS-8, que seriam R$ 1.800,00. Ninguém assumiria a responsabilidade daquela assessoria jurídica e ganhar R$ 1.800,00. Isso é uma realidade.

O SR. PAULO RAMOS – E essa realidade, então, levou à ilegalidade?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Essa é uma afirmativa que o senhor faz que eu não tenho certeza se existe essa ilegalidade. Existe a necessidade de se fazer aquilo. Então, nós fizemos algumas coisas que talvez não fossem da maneira mais adequada.
O ex-vice-presidente revelou que existem cerca de 75 mil máquinas caça-níqueis nas ruas do Estado e que não havia maneira de legalizá-las e fiscaliza-las:
O SR. PAULO RAMOS – E em relação às máquinas caça-níqueis, quais as propostas que corriam na Loterj? Tinha alguma coisa?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu, particularmente, nunca presenciei nenhum representante de quem administrava essas máquinas na Loterj. Mas ouvi falar que havia um interesse dessas pessoas que administravam esses caça-níqueis, me parece que na época eram 75 mil máquinas – e quando assumimos eram três mil e deixamos com cinco mil... Quer dizer, de cinco mil para 75 mil... É um número muito grande e que não havia interesse nenhum, interesse da Loterj, em, vamos dizer assim, participar ou efetivar essas máquinas. O interesse é que legalizassem as máquinas, que a Loterj legalizasse as máquinas e a Loterj nunca se interessou em legalizar, porque não teria como fiscalizar essas máquinas. Já é difícil fiscalizar os bingos, com pessoas, fiscalizar setenta... Primeiro, homologar essas máquinas. O processo se inicia quando você tem que fazer a homologação das máquinas. O que a gente chama na intimidade, você tem o bingueiro e o maquineiro. O bingueiro é o administrador do bingo e o maquineiro é aquele que tem as máquinas e aloca as máquinas no bingo. Então, você ter que fiscalizar 75 mil máquinas com, vamos supor, sei lá, dois mil tipos de máquinas diferentes, teria que ser homologado...

O SR. PAULO RAMOS – Setenta e cinco mil para três mil e... Como é? Eu não entendi. Como o senhor... 75 mil máquinas? Que tinha onde?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Em todo o estado. Essas máquinas de bar.

O SR. PAULO RAMOS – Quantas tinham?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Me parece, não tenho idéia, 75 mil.

O SR. PAULO RAMOS – 75 mil. Mas como é que diz recebemos com tantas e deixamos com cinco mil. Não entendi esse número. O senhor falou cinco mil, três mil e quinhentos...

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Eu disse como é que seria possível fiscalizar e administrar 75 mil máquinas se na Loterj a gente já tinha dificuldade das máquinas de bingo, que quando nós assumimos eram três mil máquinas alocadas em todos os bingos e quando saímos eram cinco mil, quer dizer, foram alocadas mais máquinas, porque mais bingos foram autorizados a funcionar, que era impossível se ter uma estrutura na empresa para fiscalizar essas máquinas.

O SR. PAULO RAMOS – O senhor tem noção de quantos funcionários a Loterj contratou ou vinha contratando no seu período, através da Funpat?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Talvez, idéia certa, não, mas, talvez, uns quinze, mais ou menos, doze, por aí.

O SR. PAULO RAMOS – Todos em cargo de direção?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA – Todos em cargos... A maioria em cargos importantes.
O depoente não afirma nem garante nada, mas admite achar estranho o fato de a Montreal Informática não ter se habilitado numa das concorrências da Loterj:
O SR. PAULO RAMOS – A que o senhor atribui essa aparente desistência da Montreal? Quer dizer, participou da licitação, depois, o que o senhor acha que aconteceu?

O SR.JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Muito estranho. Como que a Montreal, ganhadora da licitação anterior, se apresenta, tira o edital e se apresenta para a licitação seguinte com todos os documentos vencidos, os documentos... Vamos dizer assim, é estranho. Porque uma empresa organizada, o grupo Montreal, a origem dele, se apresenta para uma licitação nessas condições e apresenta os documentos de fato, é de se estranhar que se apresente dessa forma. Mas não posso concluir nada, não tenho nenhuma conclusão a esse respeito.
Sobre as denúncias de distribuição de propinas com dinheiro dos bingos dentro da Loterj, o depoente afirmou que tinha conhecimento. Inclusive, ele levantou suspeitas sobre a administração anterior, a de Waldomiro Diniz na autarquia:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V.Sa. tem conhecimento que tem uma denúncia de que existia um caixa mensal de trezentos mil reais, que os bingos recolhiam para dar para o Sr. Waldomiro. Tem conhecimento disso?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Eu tomei conhecimento disso.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor nunca tinha ouvido falar que poderia algum bingo dar algum dinheiro para alguém na Loterj? Nunca ouviu falar nisso?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - O Waldomiro tinha um comportamento muito ético com a gente. Ele exigia que nós não recebêssemos ninguém de bingo, ou de jogo, que não tivesse uma outra pessoa entre nós.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor nunca ouviu falar que algum bingo poderia dar algum dinheiro para alguém da Loterj? O senhor nunca ouviu falar nisso?

O SR. JORGE GERALDO DA VEIGA VIEIRA - Não. Eu já ouvi falar que, em administrações anteriores, eles compravam até autorização.
Apesar de ter sido vice-presidente da autarquia, Jorge Geraldo disse que alguns assuntos eram de exclusiva competência de Waldomiro Diniz. Ele sequer tinha conhecimento:
O SR. NOEL DE CARVALHO – Pois bem, o senhor deixou claro para todos nós. Nenhum de nós, presentes nesta sala tem mais dúvidas de que nada acontecia sem seu crivo, sem sua assinatura.


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