Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Prejudicou um pouco a nossa venda.

O SR. PAULO MELO – Exato. O senhor acha que existiu um interesse do Sr. Carlos Cachoeira de implantar os caça-níqueis naquele contrato também? Pela sua experiência de mercado.

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Eu sei, por informações da imprensa, que o Sr. Carlos Ramos explorava caça-níqueis e vídeo-loteria em Goiás. E o Dr. Waldomiro afirmou aqui, no depoimento dele, que havia interesse do Sr. Carlos Ramos de fazer esse tipo de negócio. Não sei se na cabeça dele poderia fazer através da internet, acho muito difícil, porque é uma experiência que está começando no mundo: fazer um terminal acoplado à internet com toda a segurança como a loteria pode ter, eu acho muito difícil. Então, baseado no que o Sr. Waldomiro disse, até pensei nisso. Como não conheço a empresa do Sr. Carlos Ramos e nem o pensamento dele, não posso... É possível que o interesse fosse esse. Eu não conheço nenhuma atividade do Sr. Carlos Ramos que tenha tido sucesso fora do vídeo-loteria porque as incursões das empresas do Sr. Carlos Ramos, as que eu saiba, em Goiás e no Rio Grande do Sul, em vendas de loteria de papel são um fracasso.
Em determinado momento, o depoente entregou um gráfico ao Deputado Luiz Paulo, com as vendas de bilhetes nos anos de 2000 a 2004. De acordo com o documento, houve uma queda nas vendas. O representante da Hebara argumenta que o declínio é causado pela “economia, que sofreu uma retração”. Ele, no entanto, garante que não havia motivo para se estranhar a queda nas vendas:
O SR. LUIZ PAULO – Acho que esse gráfico é muito importante porque veja o senhor: como acabou de relatar o Deputado Paulo Melo, o investimento em publicidade de 2001 para 2002 acresceu quase 70%, o investimento em publicidade da Loterj, sem considerar os 10%...

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES – Da Hebara.

O SR. LUIZ PAULO -... Que V.Sa. investiu em 2001 e 2002. E a justificativa foi que isso aumentaria a saída de raspadinha. E o seu gráfico desmente isso, o seu gráfico mostra que a raspadinha...

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES – Não houve esse aumento esperado.

O SR. LUIZ PAULO – Não teve esse aumento. Por via de conseqüência, isso é um dado importante, porque tipifica um artigo do Código Penal para o gestor público, que se chama "gestão temerária": investir esse volume imenso em publicidade sem nenhum retorno para a Loterj e, por via de conseqüência, para obra social. Queria voltar agora ao contrato 06/98, um contrato de 111 milhões e de cinco anos. Eu li diversos relatórios do Tribunal de Contas – aliás, muito bem feitos – que sempre alertou à Loterj da necessidade de providenciar a nova licitação para a Raspadinha, tendo em vista que o contrato estava no último ano. Isso foi um relatório que eu li do ano de 2002. E o senhor nos revela agora que – de uma forma, no meu entendimento, totalmente absurda – esse contrato foi aditivado. Ora, um contrato longevo, de cinco anos, a Administração Pública tem tempo suficiente, até porque não há muita mutação nos editais, um ano antes, de lançar o outro edital na rua. E novamente isso não acontece. O senhor confirma que não houve nenhum edital antes do vencimento do seu contrato?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES – Não houve, não houve. No final do governo Garotinho/Benedita não houve nenhum edital; esse edital começou a ser pensado e providenciado já no governo da Sra. Governadora Rosinha Garotinho em 2003.

O SR. LUIZ PAULO – Mais uma vez, é um outro indicador de gestão temerária. Bom, não tendo outra licitação, o seu contrato se extinguiu em 2003, em julho de 2003. Aí o senhor fez uma proposta de um termo aditivo? Como foi essa estória?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES – Eu não fiz proposta de termo aditivo. A Loterj nos consultou sobre a prorrogação do contrato por um ano... Aliás, que queria prorrogar o contrato por três meses, até a nova licitação. Porque a Lei 8666 permite aos contratos de prestação de serviço contínuo, excepcionalmente, mais um ano. Vai até 72 meses no máximo. E a Loterj nos fez uma proposta para renovar, por seis meses, ou três meses, mantendo a quota de cinco milhões de bilhetes/mês, que era a média do contrato. O contrato estava terminando; nós mandamos uma carta para a Loterj dizendo que nós não nos interessávamos em renovar o contrato, visto que não era possível, num contrato de um ano, num final de contrato, ter o mesmo volume de vendas que se têm quando se tem cinco anos para planejar. Uma coisa é ter cinco anos de contrato, ter uma certa segurança de investir para vender. Se nós aceitássemos essa prorrogação dessa forma, nós corríamos o risco de pagar multa de 10% sobre o não vendido, que é o que estabelece o contrato. O contrato diz que tem que vender cinco milhões; se vender quatro, vou pagar 10% sobre um milhão. O risco era muito grande. Então, a Loterj fez uma renovação, considerando cumpridas as quotas, e fez uma renovação máxima de um ano, que ela poderia rescindir a qualquer momento por trinta dias, desde que houvesse a licitação. Só que a Loterj até agora não conseguiu fazer a licitação; e em julho – a partir de julho – não sei o que pode acontecer. Não sei se existe contratação por emergência, se pode ou se não pode; se pára a operação... Isso é um problema que é do Estado, já não é mais da Hebara.

O SR. LUIZ PAULO – Eu lendo o objeto desse termo aditivo verifico que ele é de 25% do valor do contrato. Se eu pegar um contrato de 100 – não me importa o número – dividido por cinco anos mais um ano dá 20. Tem aí 5% voando. Como é que o senhor justifica isso?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES – Não foi a primeira vez que aconteceu isso. Foi a segunda. O que acontece é o seguinte. O que é o valor do contrato? É a comissão da Hebara vezes a venda. 37% de R$ 300 milhões dá o valor do contrato R$ 111. Então, ao longo do contrato a Loterj, depois de receber os R$ 100, vai pagar os R$ 111 para a Hebara. O que aconteceu? Nós atingimos a meta de vendas antes do final do contrato. Então, quando nós chegamos a R$ 300 milhões a Loterj já tinha nos pago R$ 111 milhões. Então, nós tínhamos que parar de vender, porque a Loterj não poderia nos pagar. Bom, a Loterj nos chamou para assinar esse aditivo que está previsto na Lei nº. 8666, aumentar mais ou menos 25. Se fizer uma licitação para comprar mil luvas cirúrgicas por mês o fornecedor tem que se conformar em fornecer 750 a partir de um determinado momento, ou, então, fornecer 1250. Com base nesse argumento, a Loterj fez esse aditivo para poder pagar o que passou de R$ 111, ou seja, tudo aquilo que passou da venda do contrato a Loterj não poderia pagar, segundo a Loterj. Ela teria que ter esse aditivo senão teríamos que parar a venda: "olha, nós atingimos R$ 300 milhões acabou, não vende mais".

O SR. LUIZ PAULO – Então, o senhor fez dois aditivos?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Já no contrato anterior, que eu não me lembro qual foi.

O SR. LUIZ PAULO – Ah, então, o senhor fez um de aumento de venda e um segundo de aumento de prazo?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Não, só de 25%. O aditivo foi só aumentando 25%.

O SR. LUIZ PAULO – E o prazo de mais um ano?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Ah, sim, mas isso...

O SR. LUIZ PAULO – Não é um aditivo?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - É um aditivo.

O SR. LUIZ PAULO – Então, são dois aditivos.

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - São dois aditivos.

O SR. LUIZ PAULO – São dois aditivos: um de quantidade, que é prevista. Essa variação que o senhor afirma é verdadeira, de mais ou menos 25%; e uma de dilatação de prazo. Dois aditivos. Eu não tenho notícias de que esses aditivos tenham sido aprovados pelo Tribunal de Contas.

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Bom, eu não sei. A Loterj normalmente manda para o Tribunal de Contas. O Tribunal de Contas às vezes demora para aprovar. Eu não tomo conhecimento, também, quando ele aprova, a não ser que eu queira saber alguma coisa do Tribunal de Contas.

O SR. LUIZ PAULO – Mas esses dois aditivos foram celebrados, então, em 2003?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Certamente em 2003.
Mais uma vez, o representante da Hebara volta a afirmar que a empresa nunca demonstrou interesse no sistema on-line:
O SR. LUIZ PAULO - O senhor nos afirmou que era absolutamente dispensável para o senhor, o senhor não tenha nenhum interesse, nenhuma intenção, nunca o senhor cogitou de ter qualquer alteração no edital que estava na rua em relação à loteria de prognósticos. O senhor disse que não tem interesse nenhum nessa área. Não conhece o Sr. Carlos Cachoeira, que o senhor não tem tecnologia. Todas as afirmações possíveis o senhor fez. Bom, e sai o edital, que na conversa do Sr. Waldomiro com o Sr. Carlos Ramos, foi intitulado "negócio Hebara". Posso até supor que, como o senhor aqui afirmou que desde 90 o senhor já vem administrando esse contrato, eles tenham usado esse rótulo, esse carimbo de "negócio Hebara", naquela conversa da fita. Mas de qualquer forma, esse edital foi à rua e foi inserida a hipótese de também o senhor fazer uma continha de loterias de prognósticos que confrontava com o edital vencido pela Combralog. O edital que o senhor venceu foi à rua posteriormente ao edital da Combralog. Depois, se retira a parte da loteria de prognóstico desse edital. E o senhor não tinha interesse nisso.

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Não.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor falou que era absolutamente indiferente se tinha isso escrito, ou se não tinha escrito, por que...

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Aliás, eu só vi quando foi publicado o edital.

O SR. LUIZ PAULO – Mas de qualquer jeito o senhor não estranhou ter dois editais com objeto duplo: o que venceu a Combralog e o que o senhor venceu. Uma parte do objeto era duplo.

O SR.JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Mas eu só conheci o edital excluindo a loteria de prognóstico. Como ele foi publicado. Eu não conhecia.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor conheceu só excluindo, antes não?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Não.

O SR. LUIZ PAULO – Quem redige o edital de licitação lá na Loterj, já que o senhor está lá desde 90?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - É sempre a presidência. Sempre a assessoria da presidência.

O SR. LUIZ PAULO – Assessoria da presidência sempre?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - E esse edital é quase igual aos três editais anteriores.

O SR. LUIZ PAULO – Então, eu posso concluir, pelas suas palavras, que o seu edital, aquele edital que o senhor venceu, o seu edital foi bucha para o Sr. Waldomiro? Ele botou algo que não podia pôr, negociou e depois retirou.

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Deputado, eu não posso...

O SR. LUIZ PAULO – O senhor pediu para ele "botar" aquilo ali dentro?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Não. Nós não tínhamos nenhuma participação se põe alguma coisa, ou tira alguma coisa do edital. Agora, aquilo para nós era indiferente ter ou não ter. Se não tivesse, nós também não entraríamos na loteria de prognóstico. Às vezes já não dá certo com um, vai dar certo com dois? Um fracasso como foi nos outros Estados.

O SR. LUIZ PAULO – Além de ser ilegal, porque é objeto duplo: está em dois editais.

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Na realidade não existe loteria on-line, existe processamento on-line de loterias.

O SR. LUIZ PAULO – Sim, mas de qualquer jeito o primeiro edital tem precedência em relação ao segundo.

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Lógico.

O SR. LUIZ PAULO – Eu acho que esse é um ponto bastante importante dentro de tudo que está obscuro. Quando o senhor participou da licitação o senhor narrou que a WWW Play não ia entrar...

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Não podia. O senhor vai ver pela ata de constituição.

O SR. LUIZ PAULO – Mas não precisava ver porque a WW Play e a Hebara, o senhor acabou de afirmar, são dos mesmos donos.

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Hoje são.

O SR. LUIZ PAULO – Como é que um dono iria disputar uma licitação...

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Mais uma razão...

O SR. LUIZ PAULO –... Com outro?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES - Aquilo aconteceu. Foi a pergunta que ela fez: "Você, de onde é meu filho"? Ele era um rapaz jovem: "ah, sou da Play". Você não vai participar? "Não, desisti". E ela: "Então, assina a ata aqui". Foi o que aconteceu. Eu até fui ver a ata e pensei que ele nem tinha assinado a ata, mas ela chamou e ele assinou a ata. E a ata consigna que ele não entregou proposta.
Diante de uma indagação feita pelo Deputado Gilberto Palmares, o representante da Hebara disse que ganhou todas as licitações de que participou na Loterj:
O SR. GILBERTO PALMARES - Eu queria saber o seguinte: desde 90, foi sua própria informação, que a Hebara presta esse serviço para o estado. Ao longo de todo esse período que a gente registrou aqui, as últimas licitações ela sempre concorreu sozinha ou teve outros momentos em que houve outros concorrentes? E, se houve, quais foram?

O SR. JOÃO LUIZ FERREIRA SOARES – Acho que em nenhum momento houve outra empresa disputando efetivamente. Houve assistindo a licitação, retirando edital, mas participando não houve. Porque realmente tem que ser do ramo para participar de uma licitação como essa. Porque realmente uma licitação tem muitos riscos em termos de multa, de não atingimento de cotas... Tem que ser do ramo.
O depoimento seguinte, feito no mesmo dia – 27 de abril –, foi do ex-subsecretário do Gabinete Civil, João Domingos Filho, que trabalhou no Governo entre janeiro de 2000 e março de 2002. Domingos Filho informou que atuava na área social, visitando municípios, comunidades e presídios. Em seguida, João Domingos Filho fala de suas relações com a empresa JOB:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) - O senhor conheceu, ou conhece, o Sr. Jorge Luiz Dias? Qual a sua ligação com ele?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Praticamente nenhuma. Eu o conheci do partido, quando ele trabalhava no gabinete do Deputado Valdeci de Paiva. Pode ter havido um telefonema sim porque a gente estava no mesmo partido, no mesmo local. Creio que nesse período pode ter havido uma ligação minha para ele ou dele para mim. Mas...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas para falar de qual assunto? Porque se V.Sa. diz que não tinha uma ligação com ele, na verdade, uma pessoa para ligar para outra deveria ter um assunto, um tema.

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Sim, mas justamente na política, dentro do nosso grupo. Como ele era assessor do Valdeci, do Pastor Valdeci...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) - Ele traz uma denúncia de que V.Sa. seria o intermediário para receber comissões irregulares de empresas de publicidade que prestavam serviço para a Loterj. Essa acusação é procedente? O que V.Sa. teria a falar sobre essa denúncia?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Não, não procede. Nunca tive esse tipo de intimidade com ele. Nunca tivemos esse tipo de assunto.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) - O senhor conhece algum representante da empresa Job?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Conheci o senhor Luís Carlos, que é um dos sócios da Job. O conheci em março do ano passado, 2003, quando o ofereci alguns serviços de propaganda de algumas empresas, porque também trabalho com essa parte. Tenho uma empresa de marketing.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E nesse momento em que V. Sª. ofereceu alguns serviços para a empresa Job, poderia listar os serviços que V. S. ofereceu para a Job?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Propaganda para uma empresa – não me recordo agora -, mas foram serviços de propaganda, de outdoor, essas coisas, que eu sempre oferecia. Tudo particular. Nada com a Loterj.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O que foi que V. Sª. conseguiu concretizar com a Job?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Deixe-me lembrar o nome de uma empresa. Não tenho anotado aqui, mas posso, inclusive, ver no meu talonário da empresa e trazer...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E qual foi a participação de V. S. nessa transação, a comissão legal?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Valor em si? Creio que três mil e oitocentos, quatro mil e duzentos, por aí.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E recebeu essa comissão da Job em espécie, em cheque, como é que foi?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Em cheque, em nome da empresa.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Foi o único cheque que V. Sª. recebeu da empresa Job?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Nisso aí, sim.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V. Sª. recebeu algum outro valor, algum outro cheque da empresa Job por qualquer outro motivo?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Que eu me recordo, não.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Não tem como. Recebeu ou não recebeu.

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Veja, eu trabalho com diversas empresas. Eu posso levantar isso para o senhor. O senhor me perdoe, mas são diversas empresas.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas V. Sa. afirma que só fez um negócio com a Job.

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Diretamente com a Job.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Indiretamente pode ter feito outros negócios?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Não, não. Eu estou falando que eu fiz diretamente com a Job um negócio que me rendeu... Não sei se 3.800 ou 4.200, mas em nome da empresa na qual trabalho.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A pergunta foi a seguinte: V.Sa. recebeu algum outro valor, algum outro cheque ou em espécie da Job para outro fim?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Não.
Neste trecho do depoimento, João Domingos fala das forças políticas que o conduziram para o Gabinete Civil do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
O SR. LUIZ PAULO – Quem indicou V. Sa. para o gabinete civil?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – A executiva do partido, o PL.

O SR. LUIZ PAULO – Quem fazia parte da executiva do PL: o presidente e o secretário geral?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Presidente, Bispo Carlos Roberto Rodrigues; secretário geral na época era o Sr. Nilton Caldeira...

O SR. LUIZ PAULO – Qual era a sua relação com o Deputado Valdeci Paiva de Jesus, que foi brutalmente assassinado?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Como pastor era meu amigo, como deputado também, nós trabalhamos juntos.

O SR. LUIZ PAULO – O Deputado Valdeci também influenciou na sua indicação?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Sim, num todo.

O SR. LUIZ PAULO – Como deputado federal, ano de 2000, pode não ser da executiva, mas tem densidade política para isso. O senhor, nesse período de janeiro de 2000 a março de 2002 teve uma relação tempestuosa, cordial, sempre, com o Deputado Valdeci?

O SR JOÃO DOMINGOS FILHO – Sempre cordial, Deputado, de 2000 a 2002.

O SR. LUIZ PAULO – Qual é a sua relação com o Sr. Amaro?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Amaro também é conhecido do PL, foi contratado para a campanha política e meu conhecimento com ele era lá no partido.

O SR. LUIZ PAULO – O Sr. Waldomiro Diniz nos informou aqui que o senhor requisitou o Sr. Amaro para seu gabinete.

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Não, não é verdade.

O SR. LUIZ PAULO – Não é verdade?  O Sr. Waldomiro Diniz mentiu?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Deve ter se equivocado, porque eu não pedi.

O SR. LUIZ PAULO – Qual era a sua relação com a senhora Rivângela?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Trabalhava no partido com ela e depois fui trabalhar como subsecretário e ela como diretora administrativa da Loterj.

O SR. LUIZ PAULO – E a sua relação com o Sr. Simonin?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - No partido, primeiro, e depois ele foi diretor de operações da Loterj.

O SR. LUIZ PAULO – Então eu posso depreender, pelo que o senhor acaba de afirmar, que o senhor, a Sra. Rivângela, o Sr. Amaro e o Sr. Simonin - os quatro, - no período de 2000 a 2002, foram indicações da executiva do PL.

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Com certeza.

O SR. LUIZ PAULO – Presidida pelas duas pessoas que o senhor relatou.

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO - Foi uma indicação da executiva do PL. Correto.
João Domingos negou ter participado de acordos informais com a empresa de instalação de outdoors:
O SR. PAULO RAMOS – O Sr. Jorge Dias fez uma representação no Ministério Público e anexou os cheques. Há coincidência entre a quantia que o senhor recebeu da JOB e um desses cheques?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Não entendi, Deputado, por favor.

O SR. PAULO RAMOS – Digo o seguinte: o senhor disse que recebeu, aproximadamente, quatro mil e poucos reais da JOB.

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Correto.

O SR. PAULO RAMOS – Num contrato que fez.

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Correto.

O SR. PAULO RAMOS – E o recebimento coincide com os cheques anexados pelo Sr. Jorge Dias na representação que fez ao Ministério Público?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Não senhor, porque esse procedimento desse cheque que eu recebi foi agora, 2003. O que ele está falando é uma data bem anterior.

O SR. PAULO RAMOS – O senhor nos disse aqui que com a Job foi um único contrato, uma única ligação comercial.

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Uma assessoria.

O SR. PAULO RAMOS – A que o senhor pode atribuir, então, a denúncia feita pelo Sr. Jorge Luiz, que era assessor do Valdeci de Paiva, - o senhor assessor do Bispo Rodrigues, - havia uma ligação de muita intimidade entre eles, até por relação de parentesco. Quer dizer, como é que, de repente, surge a Job, tem a relação mesmo, como é que o senhor vê isso?  Por que ele faria isso?

O SR. JOÃO DOMINGOS FILHO – Eu creio que a partir do momento em que houve o assassinato do Pastor Valdeci, e que, naquele mesmo dia, o Sr. Jorge Dias, mais a esposa e a secretária, foram para a casa do Deputado Marcos Abraão, houve um clima não muito bom sobre isso e ele deve ter ficado chateado por ter sido afastado do nosso meio. Esta é a minha opinião. Ele foi afastado e nós ficamos sabendo desse acontecimento. Mas, relacionamento Jorge Dias comigo, nenhum, a não ser, muito pouco, de conhecimento ali mesmo na assessoria, assessoria que nós chamamos no grupo político que...
No dia seguinte, dia 28, depôs a funcionária Kátia Rognoni que, na gestão Waldomiro Diniz, na Loterj, atuou como presidente de diversas comissões de licitação. Ela disse que trabalhou na Loterj de junho de 2001 a fevereiro de 2003, quando pediu exoneração:
A SRA. KÁTIA ROGNONI – Primeiro, eu fiquei numa área que eles chamavam de assessoria. Quando foi em agosto me foi imposto o cargo de presidente da Comissão de Licitação.


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