Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. LUIZ PAULO – Sr. Marcos Coutinho, tudo indica, na minha linha investigatória, especificamente em relação a esse contrato que essa licitação ganha pela Combralog tem cheiro de ter havido um grande arreglo, arreglo no sentido de combinação, para culminar com a vitória da Combralog, já que o Sr. Carlos Cachoeira, segundo o Sr. Waldomiro Diniz foi muito claro: “Eu quero comprar o contrato da Montreal”. Se ele quer comprar o contrato da Montreal, é uma afirmativa muito forte; ele quer comprar da GTech, de quem quer que seja. Ele quer o contrato. Então isso para mim tem um cheiro de que houve esse arreglo.

E aí tem uma outra nuance que me leva a isso, a GTech estava ainda na fase de agravo de instrumento quanto à licitação, não estava nem ainda no STJ, e desiste do agravo, quer dizer, ainda está aqui no Rio de Janeiro e ela desiste. Simultaneamente, quase que concomitantemente com isso, tem essa famosa fita, o senhor Waldomiro diz aqui que estava sendo chantageado e aí a GTech vai cuidar da caixa e o senhor Carlos Cachoeira fica aqui com o Rio de Janeiro.

O SR. MARCOS DE ABREU COUTINHO - No caso da Montreal Informática não existe, não houve nenhum arreglo, nada disso. Houve dificuldades realmente operacionais.
No dia 20 de abril, depôs o representante da Gtech do Brasil, Fernando Antônio de Castro Cardoso – que assumiu o comando da companhia em setembro de 2003. Na parte inicial de sua fala, o dirigente da empresa norte americana disse que a Gtech Corporation, foi fundada em 1981 e atua em 46 países. Segundo ele, a empresa é líder mundial em tecnologia on-line para loterias e atua ainda em operações financeiras, como, por exemplo, os correspondentes bancários.

Fernando Cardoso disse ainda que nos últimos três anos, a Gtech assinou 31 novos contratos em todo o mundo e renovou outros 24 contratos. Ao todo, são contratos com 88 governos de todo o mundo. O dirigente explicou, também, os motivos que levaram a contestação do edital da Loterj:


O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – É preciso destacar que em todos esses processos contratuais, fomos avaliados detalhadamente por órgãos governamentais de controle e de fiscalização, que deram aval a nossos procedimentos. Entendemos e valorizamos, portanto, a importância dessas instâncias fiscalizadoras. Entendemos também que a base dos nossos relacionamentos, além da qualidade técnica, deve ser sempre a transparência e o respeito aos nossos parceiros.

Em 2001, a empresa apresentou impugnação administrativa ao edital de concorrência da Loterj, por discordar dos termos do respectivo edital. Assim procedeu, pois pretendia participar como concorrente do processo licitatório para a escolha da empresa que prestaria serviços para implantação, gerenciamento e operação da Loteria de Prognóstico do Estado do Rio de Janeiro, baseado em técnicas e recursos de informática em linha, ou seja, on-line, e em tempo real, ou seja, real-time.

Como exemplo das discordâncias ou divergências, cito que o edital determinava que os equipamentos e recursos computacionais deveriam ser usados exclusivamente para os serviços da Loterj que, no entendimento da nossa empresa, feria o princípio da economicidade, tendo em vista que a não-utilização da capacidade ociosa do equipamento para outros fins, fatalmente aumentaria os custos da apreciação dos serviços.

Os argumentos da GTech, no entanto, foram considerados improcedentes pelas autoridades competentes. Na defesa dos seus legítimos direitos, a GTech ingressou com um mandado de segurança no dia 30/11/2001. Seis dias mais tarde, ou seja, no dia 06/12/2001, o juiz indeferiu o pedido de liminar, permitindo que o processo licitatório seguisse seu curso normal. A licitação ocorreu. E outra empresa foi declarada vencedora e iniciou a prestação de serviço.

Indeferida a liminar, o processo judicial iniciado pela GTech teve prosseguimento. Somente em 30 de maio de 2003, ou seja, quase um ano e meio, 18 meses após o ajuizamento do mandado de segurança, foi proferida a sentença de mérito, julgando improcedentes os argumentos da GTech nesse mandado de segurança.

Diante da decisão judicial, a GTech optou por não recorrer por duas razões: primeira, o processo licitatório estava concluído e a empresa vencedora já iniciara os trabalhos desde fevereiro de 2002; segunda, a GTech arcava com honorários advocatícios e outros custos para a manutenção da ação no Rio de Janeiro. Tendo em vista tais motivos, a empresa avaliou que a operação do Rio de Janeiro tornara-se economicamente inviável.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) - Quem lhe precedeu na presidência da GTech nos anos de 2001 e 2002?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Nós tivemos dois presidentes nesse período: Sr. Joaquim Kauakama e Sr. Antônio Carlos do Lins Rocha.
Mais adiante, Fernando Cardoso disse que a empresa teve o primeiro contato com Carlos Ramos bem antes do lançamento do edital dos jogos on-line da Loterj:
O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Esse relacionamento iniciou-se em 1997, quando a empresa, através da sua aquisição com a Racimec, herdou um contrato, a GTech adquiriu uma participação na empresa Racimec, e a empresa Racimec tinha um contrato com a empresa Gerplan, para prestação de serviços. A GTech era subcontratada pela empresa Gerplan para prestação de serviços para processamento do sistema central e manutenção de equipamentos para a loteria do Estado de Goiás. A partir da aquisição da Racimec pela GTech iniciou-se esse relacionamento que foi até o final do contrato, em janeiro de 2002.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Então de 97 a 2002 os senhores tiveram um relacionamento profissional com o Sr. Carlinhos Cachoeira como subcontratados da Gerplan. Quando o Sr. Carlos Cachoeira vem participar aqui do edital de licitação da loteria de prognóstico, qual foi a conversa que os senhores tiveram sobre essa licitação?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Não tivemos qualquer conversa com o Sr. Carlos Ramos a respeito do edital do Rio de Janeiro, sobre a licitação do Rio de Janeiro. Éramos concorrentes.
O Deputado Luiz Paulo lembra que na fita de vídeo gravada e divulgada aparece a figura de Waldomiro Diniz negociando com Carlos Cachoeira e, em seguida, vai ocorrer uma reunião - um primeiro encontro em Brasília, entre Waldomiro Diniz, Carlos Cachoeira e representantes da Gtech.
O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Fruto desse encontro, duas ações são desencadeadas: a primeira, nos recursos que os senhores impetraram, agravos de instrumento, etc., os senhores desistem do processo, que mereceu do juiz o seguinte despacho: (LENDO)

Julgo extinto o processo por ausência de interesse”. Evidentemente, da parte. Bom, fruto dessa reunião, os senhores abriram mão de continuar a briga judicial contra o edital que deu como vencedora a Combralog.



Ainda mais: em abril de 2003, também houve quase concomitantemente a renovação do seu contrato com a CEF. Dois atos quase concomitantes: o senhor desiste dos agravos contra o edital e tem a renovação do contrato na Caixa.

O Sr. Waldomiro Diniz veio depor aqui, nesta CPI, e disse que ele agia sob chantagem do Sr. Carlos Cachoeira. A chantagem era que, a qualquer momento, eles poderiam exibir a fita de vídeo, que, afinal, foi exibida. O Sr. Carlos Cachoeira, ouvido por esta CPI, em Goiânia, disse também que o Sr. Waldomiro Diniz tentava extorqui-lo. Ora, com essa coincidência de datas, da sua desistência em relação ao edital vencido pela Combralog e a renovação do contrato da sua empresa com a Caixa Econômica Federal, eu lhe pergunto: o que o Sr. Waldomiro conversou com a GTech, propôs como intermediário do Sr. Carlinhos Cachoeira?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Bem, inicialmente, um esclarecimento: não houve uma desistência por parte da GTech em relação à ação judicial no Estado do Rio de Janeiro. Nós, simplesmente, não apelamos à 2ª instancia, já havíamos perdido em 1ª instancia e não apelamos em 2ª instância por julgarmos que após esse período de tempo o prazo contratual praticamente, o contrato já estava em operação - já quase um terço do contrato já estava em andamento. E uma vez perdido em primeira instância, a estratégia jurídica da companhia não aconselhava que apelássemos da sentença inicial e corrêssemos o risco até de perder em segunda instância. Basicamente não tínhamos evidências de que a apelação levaria sucesso para um contrato inclusive que já estava em operação. A estratégia jurídico-econômica não se apresentou favorável. Então não existe qualquer relação entre a renovação do contrato com a Caixa Econômica Federal e o fato de não termos apelado a segunda instância no caso do Rio de Janeiro. A GTech tem o objetivo de expandir seus negócios no país e de forma qualitativa, ou seja, não recorrendo à segunda instância porque julgamos que a estratégia jurídico-econômica não nos pareceu favorável.

Em relação às questões do encontro entre o Sr. Waldomiro Diniz, o Sr. Carlos Ramos e representantes da GTech, a empresa foi convidada como já foi fruto de comunicações formais nossas – gostaria de encaminhar ao senhor também nossos comunicados oficiais. A empresa foi convidada pelo Sr. Waldomiro Diniz a participar de reuniões em Brasília. E, na primeira reunião, o Sr. Carlos Ramos, a convite do próprio Sr. Waldomiro Diniz, participou dessa reunião e, conforme já divulgado, a pauta dessa primeira reunião foi basicamente o interesse do Sr. Waldomiro Diniz enquanto membro do governo, de conhecer as relações entre a GTech e a Caixa Econômica Federal, que vinha de disputas judiciais inclusive. E, no final dessa reunião, o Sr. Waldomiro Diniz recomendou, expressou palavras favoráveis em relação as competências em operações de loterias estaduais pelo sr. Carlos Ramos. Não houve qualquer tipo de correlação entre esses encontros e a renovação do contrato com a Caixa Econômica Federal e a nossa participação no edital da Loterj.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Só constato que apesar de a GTech conhecer o Sr. Carlos Augusto Ramos há praticamente sete anos, houve a necessidade do Sr. Waldomiro Diniz dizer da competência do Sr. Carlos Augusto Ramos. Os senhores já trabalhavam com essa figura e a atestação dessa competência é no mínimo estranha.

Lá em Goiânia, o Sr. Carlos Augusto Ramos nos revelou que fez três propostas de acordo com V.Sas., que não aceitaram. Que propostas de acordo foram essas?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Confirmamos que fomos procurados pelo Sr. Carlos Ramos propondo acordos de parceria. A primeira delas ocorreu no ano de 2002 e cujo objeto fim foi a exploração conjunta de propostas para novos editais e licitações em loterias estaduais. Isso foi feito no ano de 2002, foi assinado um memorando de intenções que é uma prática normal, ou seja, ao se sentar, principalmente com uma empresa concorrente, assina-se um documento formal. Esse memorando de intenções tinha um prazo de validade de 90 dias; durante esse período estaríamos avaliando oportunidades de negócios em conjunto. O prazo foi expirado e não houve qualquer negócio prospectado em conjunto entre as partes. O segundo acordo já ocorreu no ano de 2003, entre março e abril de 2003, e aí na verdade foram dois acordos paralelos. O primeiro também nesse caso foi um acordo de prazo de 180 dias, certo? O primeiro deles para exploração pela possível participação num provável edital para a loteria do Estado de São Paulo, que também não ocorreu. E segundo, para uma atuação conjunta no que diz respeito à exploração... De nós prestarmos mais uma vez, sendo subcontratados pela empresa do Sr. Carlos Ramos, para no caso a empresa Capital Limpeza para a operação das vídeo-loterias.

Eu gostaria de esclarecer, Sr. Presidente e Srs. Deputados, e aí já vai um esclarecimento de alguém que é um especialista no setor – não tanto de loterias, que é um processo novo para mim, mas o setor de tecnologia de informação – de que é uma prática normal de que empresas que tenham uma escala, um volume menor de operações, procurem parcerias com empresas que tenham uma tecnologia mais avançada e mais desenvolvida. Loteria on-line foi criada pela GTech, que é a empresa que mais investe no mundo em loterias on-line. Nós temos uma participação de 70% de mercado a nível mundial. Essa participação deve aumentar nos próximos anos devido aos recentes contratos conquistados pela empresa no mundo todo. A complexidade dessa operação requer, para se manter, características de eficiência, de inovação – porque é um produto de consumo no final, as loterias – requer um certo grau de competência adquirida através de escala. Então é normal sermos procurados por empresas menores – não só no Brasil, mas em todo mundo – que ganham contratos ou que tenham, em muitos casos, em muitos países, concessões para exploração de loterias, e nos subcontratam para poderem ter acesso a determinada tecnologia que muitas vezes não é disponível, pela complexidade, ou economicamente não é viável, pela questão da escala. Então, mais uma vez não me surpreendem as sucessivas abordagens do Sr. Carlos Ramos em procurar uma empresa que está muito bem ancorada, processando um volume anual de três bilhões de transações; este é o volume que processamos no Brasil. Somos a maior processadora de transações no Brasil e não existe qualquer comparação com nenhum outro sistema de captura eletrônica de transações. Então, é normal que a gente tenha sido procurado não só pelo Sr. Carlos Ramos, mas por outras – vamos dizer – empresas de tecnologia, que atuam em outros segmentos fora de loterias, como o segmento bancários, que nos procuram para, vamos dizer, subcontratar nosso serviço ou até propor uma parceria.
As relações da Gtech com pessoas ligadas a governos são abordadas, neste momento, pelo Deputado Luiz Paulo, que lembra do nome de Rogério Buratti, ex-secretário do então prefeito de Ribeirão Preto e atual Ministro da Fazenda, Antonio Palocci:
O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Nessa relação tripla - GTech, Carlos Augusto Ramos e Waldomiro Diniz - onde entra a figura do Sr. Buratti?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Bem, o Sr. Buratti entra na questão do relacionamento como um provável prestador de serviços para a GTech. Serviços esses que não foram contratados pela GTech.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Serviço de quem?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Serviços de consultoria.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Ele era um consultor?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Era um consultor.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Mas consultor de que área especificamente?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Consultor de relações governamentais.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Uma consultoria, para mim, extremamente nova, inusitada.

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Ressaltando que não houve qualquer relacionamento formal firmado com esse senhor.
Mais adiante, Fernando Cardoso informou que a Gtech mantém um contrato com o Governo de Minas Gerais. O Deputado Paulo Melo chegou a questionar que algumas cláusulas do contrato em vigor estavam sendo descumpridas:
O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Nós estamos absolutamente tranqüilos em relação ao nosso cumprimento dos acordos firmados com o Estado de Minas Gerais.

O SR. PAULO MELO – Em relação a uma pergunta que foi feita aqui, o próprio Sr.Waldomiro Diniz disse aqui que esse tipo de contrato é um contrato deficitário. Em Minas, esse contrato é deficitário, o da loteria on-line?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Não.
Neste momento, o representante da Gtech explica por que a empresa desistiu de disputar o serviço de loterias no Rio de Janeiro. Segundo ele, o edital era muito restritivo:
O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO – Bem, Deputado, acho se me permite, então, estava ansioso para responder a essa pergunta que acredito ser o principal objetivo da nossa participação nesta Comissão. Basicamente, a forma como o edital foi escrito, foi desenvolvido tornou inviável a participação da GTech. Primeiramente, por quê? Nós teríamos que “abrir mão” de um dos maiores contratos que nós temos, não no Brasil, mas no mundo, certo? Que era o contrato com a Caixa Econômica Federal. Que dizer, o edital deixava claro que nós não poderíamos operar uma loteria concorrente à Loterj. Então, esse já é um fator porque a loteria da Caixa Econômica é uma das maiores do mundo. E esse é um dos contratos mais estratégicos e relevantes para a GTech. Portanto, nós temos que “abrir mão” dele, de uma operação que já vinha atuando com sucesso. Só para o Deputado ter uma referência, a relação da arrecadação da loteria do Rio de Janeiro, acho, que não chegou a questão de R$ 300 mil, R$ 400 mil a arrecadação da loteria da Caixa Econômica é de R$ 3 bilhões e meio. Então, nós teríamos que “abrir mão” de um contrato dessa natureza para assumirmos um contrato de risco com a Loterj. Isso seria absolutamente inviável. Mas, além da cláusula competitiva, ainda tínhamos exigências de que nós teríamos que transferir dois centros de processamento de dados – porque basicamente você tem um centro de processo de dados principal e um segundo de retaguarda. Essa é uma das exigências para uma loteria no nível de serviço que a GTech participa. Eu não sei se esses são os requerimentos da Loterj, mas nós mantemos dois centros de processamento de dados. Nós teríamos que mudá-los para o Rio de Janeiro. Teríamos que transferir os nossos escritórios administrativos para o Rio de Janeiro. Tornou-se absolutamente inviável. Nosso custo de mudança seria superior à arrecadação da companhia.

Terceiro que os equipamentos instalados para a prestação de serviços lotéricos, jogos e terminais, não poderiam processar qualquer outro tipo de serviço. O que, também, é um grande absurdo. Só para o senhor ter uma idéia Deputado, nos nossos equipamentos, além de processarmos loterias, foram feitas um bilhão de transações no último ano. Se o senhor somar todas as transações com cartões de crédito feitas no país não chega a um bilhão são novecentas e cinqüenta milhões de transações. Os nossos equipamentos entre transações de governo – que é um grande desperdício – todo projeto de inclusão digital, aonde você pode levar o cidadão a pontos de acesso à prestação de serviços governamentais, através do governo eletrônico, são viabilizados através desse serviço que nós prestamos de compartilhar o terminal com outros objetivos. O edital da Loterj não permitia isso. Então, basicamente, dado a essa questão nós entramos com a impugnação. Que interesse, dentro dessas condições, poderíamos ter de ir à 2ª Instância? Realmente, não havia o interesse a combinação mercadológica e jurídica para se brigar em 2ª Instância por esse edital não existia mais. Acho que nós fizemos a nossa parte, retomando a questão do Deputado Noel de Carvalho, me desculpa, mas acreditamos que a companhia fez a sua parte ao procurar na Justiça as bases para um edital que permita à companhia prestar o seu serviço, como ela faz em todo o mundo. E que o Estado do Rio de Janeiro poderia com isso, seja através do serviço da GTech, seja através... se tivesse aceitado as nossas ponderações, eu tenho certeza através da GTech, ou através de terceiros, o Rio de Janeiro hoje poderia ter uma loteria estadual viável, porque tem massa crítica para isso, tem uma população, tem uma concentração que permite uma loteria viável e que o Governo do Rio de Janeiro poderia ter uma arrecadação para as suas causas sociais legítimas. Infelizmente, lamentamos todos, em nome da GTech, por não termos condições de competir em condições – vamos dizer – legítimas, como cidadão pelo fato do Estado não possuir hoje uma loteria que honre o nível deste Estado.
Por fim, o Deputado Paulo Melo questiona o representante da empresa americana de jogos sobre as relações de Waldomiro Diniz com o board da Gtech:
O SR. PAULO MELO – Alguma vez o Sr. Waldomiro Diniz procurou a direção, algum diretor da GTech, para dizer que a questão da renovação do contrato com a Caixa Econômica Federal teria que passar por ele, que ele teria influência, que ele seria porta voz, seria interlocutor direto?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO - Respondendo então à questão, houve três encontros com o Sr. Waldomiro Diniz.

Primeiramente eu gostaria também de ressaltar que sempre foi do interesse da nossa empresa colaborar com as autoridades de toda forma, tanto é que apresentamos, quando solicitado, junto aos órgãos públicos, uma descrição de todo esse envolvimento e também creio que esses documentos talvez já deveriam estar disponíveis, ou poderiam ser solicitados por esta Comissão, dada a correlação que o Deputado estaria então estabelecendo ou procurando estabelecer.

No nosso primeiro encontro com o Sr. Waldomiro Diniz, em Brasília, representantes da GTech foram convidados pelo Sr. Waldomiro Diniz para uma reunião para tratarmos de... para se tratar...segundo ele o motivo da reunião era esclarecimentos sobre as relações entre a GTech e a Caixa Econômica Federal. A GTech vinha de um processo longo de negociação, de renegociação contratual; se arrastava desde o ano de 2001, passou por todo o ano de 2002. E esse processo de negociação, ao final de 2002, com o novo governo preparando-se para tomar posse, criado uma equipe de transição, esse processo teve uma lacuna na condução da negociação, entre o final de dezembro do ano de 2002 e o início do ano de 2003.

Quando procurados pelo Sr. Waldomiro Diniz, os nossos executivos entenderam que seria apropriado abrirmos um canal de comunicação com o Sr. Waldomiro, para se estabelecer contatos com o novo governo, esclarecendo as posições da companhia, posições essas que já vinham sendo amplamente debatidas, até com cobertura de imprensa, em relação às negociações com a Caixa.

O SR. PAULO RAMOS – O senhor me permite?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO - Pois não.

O SR. PAULO RAMOS – Por que, exatamente, com o Sr. Waldomiro?

O Sr. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO - Ele nos convocou.

O SR. PAULO RAMOS – Ah! Bom.

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO - Conforme faz parte de nosso comunicado oficial, ele entrou em contato com a GTech, solicitando essa reunião. Acho que também vale a pena ressaltar que faz parte dos depoimentos que, no primeiro contato...

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) - Por favor, esses depoimentos os senhores deram a quem?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO - À Polícia Federal e ao Ministério Público

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) - Ao MP Federal e à Polícia Federal.

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO - Na verdade, o depoimento foi dado à Polícia Federal.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) - Então, é um depoimento só.

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO Exatamente, são dois, dos dois executivos...

O SR. PRESIDENTE (Luiz Paulo) – Sim, mas são depoimentos de dois executivos, as duas instituições concomitantemente?

O SR. FERNANDO ANTÔNIO DE CASTRO CARDOSO - Sim, foram entregues separados, evidentemente, mas os dois executivos que participaram desses encontros, que conduziam o relacionamento, o responsável pelo desenvolvimento comercial da companhia, foram as pessoas que prestaram seus depoimentos.

Acho que vale a pena também ressaltar que o primeiro contato do Sr. Waldomiro Diniz com a GTech, não houve retorno por parte de nossa empresa. Não houve interesse, até como parte de testemunho de um dos nossos executivos, porque, até então desconhecia-se que o Sr. Waldomiro fazia parte do governo federal. Desconhecíamos que ele fazia parte do governo federal. O conhecimento que se tinha do Sr. Waldomiro Diniz era como presidente da Loterj. Não foram retornadas as ligações do Sr. Waldomiro Diniz solicitando as primeiras reuniões.


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