Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



Baixar 3,17 Mb.
Página13/42
Encontro27.09.2018
Tamanho3,17 Mb.
1   ...   9   10   11   12   13   14   15   16   ...   42

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Deputado, eu já disse aqui no início da minha explanação que a Loterj, quando assumi no ano anterior, ela deve ter gasto R$ 6 milhões, não me recordo, não tenho aqui de memória, de publicidade. O que acontece? A Loterj é uma empresa que vive de vendas. Ela tem o seu público, ou seja, se não houvesse investimento substancial em publicidade não haveria atratividade para que seus produtos pudessem ser alavancados. Ou seja, a Loterj saiu em 2000 de uma receita de R$ 137 milhões para R$ 99 milhões, ou seja, uma empresa que perdeu no ano R$ 37 milhões de receita alguma coisa deveria estar errada. Nós diagnosticamos e verificamos que ela perdeu R$ 30 milhões de venda de bilhete instantâneo. Resolvemos, então, fazer uma campanha maciça para que pudéssemos reequilibrar o posicionamento da empresa e reafirmar a imagem da empresa no mercado que estava um tanto quanto desgastada.

O SR. PAULO MELO – Mas a análise contábil não prova isso. Ela teve só aumento de 9.54. Excluindo-se o bingo, pressupõe-se que o aumento que ela teve foi exatamente nesses produtos que ela oferecia.

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Deputado, ela teve um aumento na arrecadação de bingos e, no ano seguinte desse aumento, ela sai de um faturamento de R$ 98 milhões para R$ 118 milhões.
Sobre a contratação do chefe de gabinete, que admitiu que não trabalhava, Waldomiro repassou a responsabilidade para o Gabinete Civil:
O SR. WALDOMIRO DINIZ – Deputado, objetivamente respondendo ao senhor. Esse senhor Amaro foi indicado pelo PL, Partido Liberal, e o que me foi orientado é que essa pessoa seria requisitada para estar à disposição do Gabinete Civil e não trabalhando na Loterj.

O SR. PAULO MELO – Mas ele foi contratado como Chefe de Gabinete do senhor.

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Deputado, o que estou dizendo para o senhor é que a informação que eu tenho para dar para esta CPI é que esse funcionário seria requisitado para o Gabinete Civil. Sr. Deputado, eu não quero faltar com a verdade, eu não me lembro, não me lembro, neste momento não lembro, mas houve uma orientação de que este funcionário seria requisitado pelo Gabinete Civil. Não sei qual era função que ele ia cumprir lá ou em outro local. Não lembro.

O SR. LUIZ PAULO – Mas requisitado verbalmente, não é?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Verbalmente.
Alegando ser um homem muito atarefado, Waldomiro Diniz, disse que não soube quem foi à Argentina para atestar a capacitação técnica da empresa Boldt, do Consórcio Combralog:
O SR. LUIZ PAULO – Não, não, aí vem a parte da minha pergunta. Formalmente, o senhor nomeou essas três pessoas. Quem, na verdade, foi à Argentina, foram o Sr. Ruivo, a Sra. Kátia e o Sr. José Luiz Quintães. Nós temos as fotos que nos foram fornecidas pelo Sr. Ruivo. E, no relatório, quem atesta a Boldt, são o Sr. Ruivo, o Sr. Nigromonte e o Sr. Laranjeiras. Há, aí, uma dupla irregularidade administrativa. Primeiro, que foram à Argentina, dos três que o senhor nomeou, dois não estavam nomeados; e, no relatório da Argentina, os três que assinam, não são os três que vão, só um é que vai. O senhor conhecia isso, o senhor orientou isso, o senhor foi contra, sabia, não sabia?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Deputado, veja bem, como presidente da empresa, o senhor sabe que se debruça sobre uma infinidade de assuntos. Eu recebi o relatório final da visita e, obviamente, confesso ao senhor, que não atentei para esse detalhe.
Neste ponto, o Deputado Luiz Paulo pergunta a Waldomiro Diniz, mais uma vez, o motivo pelo qual Carlos Cachoeira se sentiu prejudicado, a ponto de fazer e divulgar a gravação comprometedora. Waldomiro faz uma longa defesa de seus argumentos:
O SR. LUIZ PAULO – O Sr. Carlos Ramos, lá, em Goiânia, foi muito enfático em dizer que o senhor o prejudicou; que ele não faturou o que devia faturar por embarreiramento que o senhor teria feito à Combralog.

Fico aqui tentando imaginar como o senhor poderia tê-lo embarreirado. Levantei essa questão em Goiás. Uma das formas que vi – uma hipótese – seria através da relação com os lotéricos. Porque verificamos que a negociação com os lotéricos demorou um ano e quatro meses, se concluiu em 2003, em torno daquele percentual final, que foi de onze por cento para comissão, seguro etc. Mas, não vejo como isso possa ter sido uma determinação sua, porque são dezenas, centenas de casas de jogos.

Evidentemente, discutir a comissão é uma coisa importante. Até porque, se já estivesse definido no edital qual seria a comissão dos lotéricos seria mais fácil, inclusive, fazer a proposta de preços.

Gostaria que o senhor desse algum caminho, de porque o Sr. Cachoeira foi tão enfático em afirmar que o senhor o tempo todo o prejudicou.

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Deputado, eu reputo que essa talvez seja a pergunta mais importante que me foi feita no dia de hoje, logicamente sem faltar com respeito com os deputados que lhe antecederam. Por que eu prejudiquei o Sr. Carlos Cachoeira? Por que esse senhor nutre por mim tanto ódio? Por que esse senhor usou expediente criminoso de ter uma fita gravada durante dois anos e utilizá-la agora? Posso lhe responder Deputado, de forma objetiva, que foi porque eu não cedi àquilo a que ele não tinha direito. Ele ganhou na Loterj um contrato para explorar a loteria On-line Real Time, com o direito de, durante a vigência do contrato, poder apresentar novas modalidades de jogos; discuti isso com ele, disse para ele que concordava com isso, desde que ele implantasse aquilo que ele foi contratado. Ou seja, se o senhor é contratado, se a Lei de Licitações me obriga que se cumpra o contrato, ele não cumpriu, eu não poderia fazer nada, Deputado. Sou escravo da lei. Sou um administrador. Respondo por ela. Então, ou seja, não fiz para ele e não faria para outra pessoa. Se ele se sentiu prejudicado e, para isso, usou de outros subterfúgios, sinto muito, mas virei hoje, talvez, refém dessa situação, mas essa foi a grande... O desejo dele era colocar a máquina de vídeo loteria com controle on-line real time, e não lhe foi autorizado.

O SR. LUIZ PAULO – Mas o senhor afirmou aqui que o Sr. Cachoeira queria controlar o vídeo-bingo.

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Deputado, posso lhe repetir: ele ganhou um contrato, ganhou uma licitação para fazer, implantar loteria on-line real time nas casas lotéricas, e queria, por conseqüência, por extensão, instalar máquinas de videobingo, no Rio de Janeiro. Minha resposta foi objetiva. Mais que isso, não posso lhe dizer, porque não sei.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor consegue entender o porquê dessa gravação? Porque ele diz que foi para a defesa dele. Mas, por que ele revelou agora? O senhor consegue entender que movimento estratégico é esse que fez um terceiro botar essa fita nas mãos do Senador Antero Paes de Barros que em tese só ele poderia ter?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Deputado, agradeço sua pergunta porque é a oportunidade de começarmos a lançar luz sobre este episódio. Obviamente que esta fita foi gravada com o intuito de me causar algum constrangimento. Guardada durante todo esse tempo, ela só poderia servir para aquele momento adequado, quando eu me recusasse a cumprir ou a não atender alguns de seus apelos, ela pudesse ser usada. O que estou dizendo ao senhor e quero dizer ao Brasil é que eu fui, estou sendo chantageado por esse senhor com essa fita. No início de janeiro de 2003, já como membro do Governo Federal, recebo em meu gabinete uma ligação de um senhor chamado Mino Pedrosa, jornalista, dono de uma empresa de consultoria que já afirmou que presta consultorias ao Sr. Carlos Cachoeira, contando a seguinte história: “Olha, Waldomiro, queria me certificar com você sobre o que você tem a dizer sobre uma fita em que você está pedindo dinheiro para a campanha para um bicheiro de Goiás”. Eu disse: “Olha, eu desconheço esse assunto”. E ele: “Não, é o bicheiro Carlinhos Cachoeira de Goiás e te gravou”. “Está bem. Então, vamos apurar.” Falei para ele: “estou à sua disposição. Vamos apurar.” Pego o telefone, obviamente, é minha obrigação. Ligo para o Sr. Carlos Cachoeira e digo para ele: quero saber de você o que é isso. Vamos tirar satisfação sobre o que é isso. Encontro com ele em Brasília: “Não... É que você não retorna minhas ligações. Eu quero falar com você. Eu tenho coisas para tratar com você e você não retorna as minhas ligações.” E esse jornalista? “Esse jornalista trabalha para mim, faz o que eu quiser.”

Então, o que eu quero afirmar, perante essa CPI, é que durante esse tempo... Quando eu digo aos senhores que eu compareço aqui envergonhado é porque, há muito tempo, como homem público, deveria ter dado um basta nessa história. Isso não é comportamento de um homem de bem. Ou seja, me chamou para me propor negócios escusos, o qual não aceitei. Em junho de 2003, a revista Época, novamente, pela primeira vez, assaca uma matéria contra minha pessoa... Desculpe! Quero corrigir: revista Isto É... Me colocando como cúmplice dos irmãos Ortiz e defensor de bingos. Por quê? Simplesmente porque o Sr. Carlos Cachoeira queria que eu, no Governo Federal, facilitasse negócios para ele. Eu disse: Não, não, e não, e não!

Pedi, Sr. Presidente, investigações. Pedi investigações ao Procurador Robson Teles (?). Está aqui. Pedi investigações ao Ministro Waldir Pires. Está aqui. Pedi investigação ao Ministro da Justiça. Está aqui. Não posso dizer que não fizeram por má-vontade. Mas, está tudo aqui, Sr. Presidente. Eu pedi. Eu pedi para ser investigado.

E, para minha surpresa, recentemente, novamente, fui procurado por esse senhor, Carlos Cachoeira, para me propor interferência no processo de bingos que tramitava dentro da Casa Civil. Disse ao seu preposto, Mino Pedrosa, que não falaria com esse senhor. Insistiu. Ligou no meu gabinete. Ligou no meu telefone celular. Quis marcar encontro. Eu não fui. Qual é a tese dele? Que eu sou o defensor do grupo “a”, “b”, “c”. A Comissão que foi instalada no Palácio do Planalto dizia, comprovou que “Waldomiro Diniz não teve nenhuma participação na Comissão de Bingos.” Sr. Presidente, estou sendo chantageado. Fui chantageado. Me desculpe a emoção.
Neste ponto do depoimento, o Deputado Luiz Paulo cita um inquérito da Polícia Federal para demonstrar que não havia controle nos bingos do Rio de Janeiro:
O SR. LUIZ PAULO – Quando o senhor entrou na Loterj havia, aproximadamente, 20 bingos regulamentados, autorizados. Entre fevereiro de 2001 a junho de 2002, quando o senhor procedeu à suspensão das autorizações, o senhor duplicou o número de autorizações de 20 para 40. Tais fatos geraram um inquérito na Polícia Federal, conduzido pelo Delegado Herbert Reis, que investiga a hipótese de ter havido crime de improbidade administrativa e prevaricação, porque parte dessas autorizações teriam sido dadas de forma totalmente irregulares. Por que o senhor procedeu essas autorizações de forma irregular? Por que não havia um controle efetivo dos repasses dos bingos às entidades esportivas?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Deputado, sem nenhuma pretensão, eu acho que depois do meu depoimento, sem nenhuma pretensão, e com os dados que o senhor terá em mãos, o senhor, com certeza, vai refazer a sua linha de raciocínio.

O SR. LUIZ PAULO – Essa linha de raciocínio eu não estou inventando...

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Claro...

O SR. LUIZ PAULO -... Eu tirei do inquérito da Polícia Federal.

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Claro, com certeza, com certeza. O senhor é um homem da maior seriedade. Primeiro, ao chegar à Loterj – quero deixar claro que aceitei com muita honra o convite do Governador Garotinho, embora tenha relutado, aceitei com muita honra o desafio. Eu nunca fui um especialista em jogos. Obviamente tentei, junto com minha equipe, fazê-lo dentro da maior seriedade, da maior transparência. Encontramos 25 bingos credenciados, 25 bingos credenciados. Deixamos, ao final da nossa gestão 36, talvez, no máximo, se não me falha a memória, vou deixar os dados e o senhor vai consultar no máximo 38 bingos. Ou seja, não houve aumento de 100%.

Segundo detalhe: em 31 de maio de 2002, o presidente da Loterj, eu, Waldomiro Diniz, suspendo através de Portaria, a concessão de novos bingos. Não fiz isso movido por nenhum gesto de grandeza, simplesmente por entender que o mercado do Rio de Janeiro não comportava mais casas de bingos e, sim, que deveríamos, a partir daquela data, tratar de regulamentação, aprimorar a fiscalização, fazer uma parceria séria com o Ministério Público para trazer à luz o que estava acontecendo com no mercado do Rio de Janeiro.

Quero deixar, como presidente, está aqui a matéria, e uma das minhas preocupações é que se realmente a verba destinada ao esporte, os 7% estava sendo repassado. Então está aqui, Sr. Presidente, quero deixar em suas mãos.

Segunda coisa, Sr. Presidente, através da minha administração, da minha auditoria, dos meus técnicos, juntamos uma série de documentos, uma série de informações, através do diretor André Laranjeiras, um Capitão do Corpo de Bombeiros, um homem da maior integridade, um homem que fez um trabalho excelente junto à Loterj – sem desmerecer seu antecessor que muito me ajudou – entregamos à Promotora Mônica Costa di Piero que, através de uma série de procedimentos, determinou o fechamento de alguns bingos no Estado do Rio de Janeiro. Os documentos estão todos aqui acostados e que não deixam dúvidas porque não é a palavra do presidente. Aqui está a palavra da Justiça. Está aqui, Sr. Presidente.

Os meus auditores compareceram perante a Polícia Federal para prestar depoimento de como funcionava o trabalho da Loterj perante os bingos. Sempre tive, Sr. Deputado Luiz Paulo - quero agradecer a gentileza da sua pergunta que me dá a oportunidade de responder, - sempre achei que quando encerrasse a minha carreira de presidente da Loterj, a minha maior dor de cabeça seria ter que responder sobre bingos no Estado do Rio de Janeiro. Por isso que tenho guardado comigo, aqui, está o depoimento dos meus funcionários, relatando como era feito o nosso trabalho. Aqui está, Sr. Deputado, de como nós, sobremaneira, mudamos radicalmente o funcionamento dos bingos no Rio de Janeiro.

Desculpe se me alongo, mas é bom que a Comissão entenda. Quando, aqui, chegamos o Decreto, que regulamentava a estadualização dos bingos, permitia que se a entidade não tivesse, se o bingo não tivesse uma unidade credenciada poderia recolher aos cofres da Loterj. O senhor pode se ater ao Decreto de 99. Eu, junto com minha equipe de auditoria, do Departamento Jurídico, entendemos que aquilo era uma aberração. Não quero aqui fazer nenhuma crítica, nenhum juízo de valor. Os bingos no Brasil foram criados para fomentar o esporte, preferencialmente, o esporte olímpico. Corrigimos e, a partir daquela data, todo e qualquer bingo é obrigado a contribuir com entidades esportivas. Fizemos a correção. Essa tabela mostra como foi que nossa administração passou de 386 mil reais de arrecadação para 886 mil reais por mês, simplesmente, na área de cartelas do bingo tradicional. Deixo para análise da CPI.

Então, Sr. Deputado, não são gestos ou palavras. Estive pessoalmente, com meus auditores, mais de uma vez com a Dra. Rachel Branquinho, que é uma pessoa que julgo da maior seriedade; uma pessoa da maior credibilidade. Juntei todos os documentos disponíveis dentro da empresa sobre bingos e disse: Doutora, não estou aqui fazendo uma delação; não estou aqui fazendo... estou aqui para contribuir com seu trabalho. Faça o que entender melhor; no que precisar de mim, estarei a sua disposição.

Fiz mais. Comenta-se que bingos é ambiente fértil para a lavagem de dinheiro. Estive em Brasília, junto à COAF, Dra. Adriane Sena, e disse: “doutora, quero me credenciar para colaborar com a COAF...”

O SR. LUIZ PAULO – Quando o senhor era presidente, ou depois?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Quando presidente; tudo quando presidente. Fui, pessoalmente, levando em mãos, um pacote de documentos. Exigi... E aqui quero deixar com o Sr. Presidente, obviamente pedindo cuidado, pois as declarações – parte delas – são confidenciais. Não quero, obviamente, estar infringindo nenhuma... mas tive cuidado de levar ao COAF, exigir dos bingos, e levar ao COAF; a relação de todos os ganhadores de prêmios em bingos acima de dois mil reais. Entreguei para que a minha administração não fosse acusada de conivência com lavagem de dinheiro. Aqui está Sr. Presidente.
Neste ponto, o Deputado André Corrêa pergunta a Waldomiro Diniz o que estava em jogo, neste início de ano para que ele fosse chantageado por Carlos Ramos:
O SR. ANDRÉ CORRÊA -... E é um ponto que eu acho, talvez seja a maior novidade desse depoimento aqui hoje, a declaração de que o senhor faz no sentido de colocar que estava sendo chantageado. O senhor traz à baila o nome do repórter Mino Pedrosa, que ficou muito conhecido no episódio do Collor, e o senhor participou lá dos bastidores do impeachment do Collor. Lá, em Goiânia o Sr. Carlos Ramos diz que não foi ele que, enfim, divulgou a gravação. Ele dá a entender que foi – ele não afirmou, mas fica subentendido – que foi o senhor Mino Pedrosa. E o senhor está dizendo aqui que o Sr. Mino Pedrosa lhe ligou em janeiro de 2003. O senhor disse que foi em janeiro de 2003 que o senhor recebeu a primeira, mesmo que velada, ameaça de chantagem através do Sr. Mino Pedrosa. Eu queria que o senhor falasse um pouco mais dessas ameaças: o depois, se houve, se chegaram a sugerir de lhe mostrar a fita, se nesse intervalo - enquanto o senhor está aqui, até para eu confirmar se realmente a primeira manifestação da chantagem foi em janeiro de 2003, através da ligação Mino Pedrosa, a primeira vez que o senhor viu a possibilidade de ter a fita, foi em janeiro de 2003, através da ligação de Mino Pedrosa. Eu queria saber mais. Nesse trâmite, de janeiro de 2003, até a divulgação da fita, no dia 13 de junho de 2003, como se deu essa chantagem? Houve novas ligações? O senhor foi pressionado de alguma outra forma? O senhor foi convidado a conversar sobre esse assunto? O que lhe pediram efetivamente para que o senhor fizesse, em função dessas chantagens?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Deputado, respondo com prazer sua pergunta. Depois dessa primeira ligação, que ocorreu em meados de janeiro, não posso precisar porque não tenho o registro, em junho sai a matéria da Isto É - inclusive não sei se do documento entregue ao Presidente Alessandro Calazans tem cópia – a matéria da Isto é saiu com acusações contundentes sobre a minha pessoa – isso em junho –, eu ligo para a revista, reclamando com o editor da falta de veracidade.

O SR. ANDRÉ CORRÊA – O senhor está falando da Isto É?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Estou falando da Isto É, primeira matéria, que saiu em junho; a matéria chama A roda da fortuna, saiu em junho; e o foco da matéria sou eu. Com foto grande, dizendo que eu sou. que eu era o protetor dos irmãos Ortiz, no Congresso, que eu tinha patrocinado a renovação do contrato da GTech, coisas desse tipo. Eu ligo para a revista, reclamo com o editor, dizendo que eu... fiz uma carta à revista, exigindo direito de resposta, mandei a carta para a revista e, para minha surpresa, 15 dias depois, me liga o Sr. Mino Pedrosa, me convidando para uma conversa no escritório dele, dizendo: “Olha, Waldomiro, nós lhe conhecemos, sabemos que você é uma pessoa de bem, que você não tem nada com isso, te conheço há dez anos – sim, porque eu moro em Brasília há mais de 13 anos – mas você precisa se entender com o Carlinhos, você precisa resolver suas coisas com o Carlinhos. Ele fica, aí, com essa fita, querendo divulgar essa fita, manda a fita para a revista.” Eu falei: “mas que fita é essa?” “Não, mas isso é muito complicado; tem lá você pedindo dinheiro para a campanha...” Aí, eu... foi a primeira vez que tive um contato com a história da fita. Aí, indaguei: “Eu quero ver a fita.” “Não, não tem a fita.” E a revista afirma que não publicou, em junho de 2003, a fita porque não foi autorizada pelo Sr. Carlos Cachoeira, mas que sabia da fita. Aí, eu peço: “Então, me mande uma cópia. Quero me defender, quero saber o que é isso. Quero saber do que estou sendo acusado”. Pouco tempo depois, ou seja, peço as investigações – obviamente, diante da gravidade, peço as investigações sobre a matéria – e não poderia falar de uma coisa que não estava publicada e, obviamente, me ative à matéria. E, depois, recebo uma outra ligação do jornalista, dizendo: “Não, essa fita é uma cascata, isso aí... Esquece isso, isso não tem nada a ver”.

Então, Deputado, o que quero dizer ao senhor é que, em janeiro, me foi dito que existia a fita. Em junho, foi publicada a matéria na revista Isto É, em que a revista, não posso lhe assegurar, se teve acesso ou não, mas tratou de assuntos e o jornalista diz que a fita poderia ser publicada e não foi publicada, ou seja, e, agora, a fita é publicada na revista Época.

Ou seja, o que me foi pedido? Em janeiro, existia uma conversa. Eu afirmo, na revista Época. Eu estive com os profissionais da empresa GTech. Eu fui tratar do quê? Do que eu fui tratar nessa conversa? Fui lá, sim, depois dessa ligação desse senhor, que dizia ter uma fita contra mim, me chantageando, que queria que eu fosse, lá, participar de uma reunião, dizendo, simplesmente: “não, não precisa de nada, eu só quero que você vá lá conhecer os empresários, eu quero fazer uma parceria com eles e eu quero que você diga que eu tenho um contrato lá no Rio de Janeiro e que está tudo bem.” E isso está dito pelos profissionais da GTech. Nessa conversa, não se trata de renovação de contrato, não se fala em valores. Simplesmente, fui lá, nessa conversa, dizer: “olha, conheço o Sr. Carlos Cachoeira, ele tem um contrato, lá, no Rio de Janeiro, até logo, muito obrigado.” Aí, o senhor me pergunta: por que você não mandou prendê-lo? Deputado, eu era e sou um homem acuado, estava acuado, chantageado, com medo do prejuízo que isso viesse causar a minha pessoa, até porque não tinha conhecimento do conteúdo disso.

Na segunda conversa, foi me dito que havia uma fita, que não foi publicada e que eu precisaria me entender com o Cachoeira. Foi isso.
Neste ponto, o Deputado Paulo Ramos procura saber de Waldomiro quais eram as forças políticas que atuavam na Loterj:
O SR. PAULO RAMOS – A sua esposa foi chefe de gabinete ou trabalhou na assessoria do Deputado Federal Bispo Rodrigues.

O SR.WALDOMIRO DINIZ – É verdade.

O SR. PAULO RAMOS – Coincidentemente, não só a Sra. Rivângela como, acho que foi o Sr. Simonin, que era o seu vice-presidente...

O SR.WALDOMIRO DINIZ – Diretor de operações.

O SR. PAULO RAMOS – E o vice-presidente, que depôs aqui?

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – É chefe de gabinete. Amaro.

O SR. PAULO RAMOS – Chefe de gabinete. Amaro. Ele disse peremptoriamente, como a Sra. Rivângela, ambos disseram que eram indicados, não pelo PL, mas pelo Deputado Federal Bispo Rodrigues. Inclusive o Sr. Amaro. Ao contrário, o senhor diz aqui que ele foi requisitado pelo Gabinete Civil. Mas ele diz que trabalhava diretamente com o Deputado Federal Bispo Rodrigues. O senhor tinha ciência disso?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Não. Não tinha ciência de que ele prestava serviço ao Deputado Bispo Rodrigues. Tinha ciência de que ele estava requisitado para o Gabinete Civil.

O SR. PAULO RAMOS – E quem era o Chefe do Gabinete Civil que fez a requisição?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Deputado, à minha época, quando aqui cheguei, se não me engano, se não me falha a memória, já era Dr. Ariston.

O SR. PAULO RAMOS – Dr. Ariston?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Já era o Dr. Ariston.


1   ...   9   10   11   12   13   14   15   16   ...   42


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal