Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Vou fazer a leitura de um trecho da conversa, e ela é bem clara: “Entendendo que V.Sra. encaminhou ao Tribunal de Contas o pedido de mudança, da retirada dos jogos on-line em março, gostaria que V.Sra. pudesse dizer o que isso representa numa negociação dentro da Loterj?” Cachoeira: “Mas você vai mexer no objeto”? Waldomiro: Para eu mexer no objeto eu tenho que mandar para o Tribunal de novo. Cachoeira: “Mas manda, manda se for preciso, aquele objeto está errado”. Waldomiro: “O que você quer tirar dali? O que você quer que eu tire dali? O que está te atrapalhando?” Cachoeira: “Por que não troca o objeto? Só jogos pela Internet e jogos pelo telefone”. Waldomiro: “Por telefone com essa característica não pode, ele não pode, redige você com o Armando”. (Armando Dili é ex-assessor da Loterj e depois assessor do consórcio Combralog) Cachoeira: “Eu e o Armando, você aceita”?

O SR WALDOMIRO DINIZ – Sr. Presidente, desculpa, posso completar?

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Quer que eu leia a próxima aqui? Waldomiro: Veja bem como é que aceito, eu só preciso saber com o Tribunal qual a forma para eu não jogar isso para daqui a sessenta dias, por que o pessoal está: “Waldomiro, por você não faz, porque você não faz? Fica parecendo que eu estou com o negócio na gaveta e não quero fazer”. Está claro neste trecho, Sr. Waldomiro, que existia uma negociação para se mudar algum edital de licitação. Como V.Sra. afirma dizendo que fez esse pedido de mudança em março, V.Sra. estava o quê? Blefando com o Cachoeira?

O SR WALDOMIRO DINIZ - Sr. Presidente, a qualquer participante, fosse Carlos Cachoeira ou qualquer outro interessado, seria licito que ele pudesse entrar com recurso, a lei permite, contra o edital, e assim ele fez.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas aqui vocês estão falando sobre o quê?

O SR WALDOMIRO DINIZ – Esta conversa talvez seja uma das mais claras dessa gravação. Digo o tempo todo e quero afirmar, eu confio no Tribunal de Contas. Digo o tempo todo: não posso mexer no edital sem a anuência do Tribunal. E quando eu digo redige, ou seja, faça o recurso e me mande. Eu posso submeter o recurso ao Tribunal, como ele fez, e perdeu.

Sobre a confecção dos editais vencidos, respectivamente, pela Combralog e pela Hebara, Diniz afirma que o primeiro já estava pronto quando assumiu:


O SR.WALDOMIRO DINIZ – Sr. Presidente, quero fazer um esclarecimento a bem da verdade. O edital do qual o Sr. Carlos Cachoeira foi vencedor já estava redigido, os senhores bem sabem disso. Ou seja, por uma decisão da Justiça eu fui obrigado a novamente colocá-lo em licitação porque houve uma falha no processo anterior em que em desacordo com a lei de licitações, em modalidade de licitação dessa natureza, de técnica e preço, o prazo deva ser de 45 dias, e o processo foi aberto no 30º dia. A Justiça impugnou e durante a minha gestão a Justiça mandou que novamente fosse colocado em licitação obedecendo ao prazo de 45 dias. Isso foi feito.
Com relação ao segundo...
O SR. WALDOMIRO DINIZ - Foi feito no meu período. O edital foi feito da seguinte forma: Existia um contrato anterior que serviu de base, esqueleto. A esse contrato foi acrescentada à loteria, a venda de bilhetes pela internet em que tinha sido lançada, na gestão anterior a minha, mediante portaria. O Tribunal de Contas questionou essa portaria, e ela foi incluída, a venda de bilhetes pela internet, para que ela fosse dada legalidade perante o Tribunal, porque o Tribunal entendia que não poderia ser dado o privilégio de uma pessoa vender bilhete pela internet, se não através de uma licitação pública.

A esse edital foi acrescentada, também, a venda de bilhetes por telefone e por canais de televisão interativa. Por que isso? Havia o interesse, e está lançado, foi lançada na minha gestão, a loteria da cultura. Não posso dizer para o senhor hoje, não posso afiançar se está sendo bem sucedida porque não tenho dados. Mas, esse acréscimo, de se vender bilhetes de loteria por telefone, era um desejo antigo para que a partir dali pudéssemos fazer uma loteria que viesse, pudesse fomentar a cultura no Estado do Rio de Janeiro, e assim foi feito. O edital foi construído dessa maneira. A partir de um esqueleto antigo...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas quem redigiu?

O SR.WALDOMIRO DINIZ - O edital foi feito na Loterj, pela minha assessoria, juntamente com a diretoria de Operações.
Nesta altura do depoimento, Waldomiro tem que justificar a presença de Armando Dili na Coréia, para atestar a mudança de tecnologia de um contrato em vigor da Loterj:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V. Sa. não considera estranho o fato da empresa que vai ser trocada dentro de um contexto que, dentro da avaliação desta Presidência e de vários outros Deputados, é uma mudança no curso do processo, que não deveria ter sido feita, tendo em vista que pode estar prejudicando o processo licitatório de outras empresas. Mas não acha estranho que quem foi a Coréia atestar a empresa Picosoft tenha sido o assessor do consórcio interessado na mudança? Acho muito difícil que o senhor Armando Dili voltasse da Coréia com o seguinte parecer: “Sr. Waldomiro Diniz, presidente da Loterj, fui até a Coréia, com as despesas pagas pelo consórcio Combralog, do qual sou funcionário, e o parecer que dou é de que a empresa Picosoft não tem capacidade técnica para atuar junto do consórcio Combralog para os jogos on-line”. Acho muito difícil ele voltar com esse parecer. V. Sª., como presidente de uma instituição, não acharia difícil um assessor de uma empresa dar um parecer contrário à própria empresa na qual ele trabalha?

O SR. WALDOMIRO DINIZ - Sr. Presidente, me desculpe discordar de V. Exa. Discordo para que possamos fazer um debate democrático. O Sr. Armando Dili voltou da Coréia com as informações requisitadas e me disse: “A empresa só poderá ser contratada”, ou seja, visitou o parque tecnológico, ou seja, os equipamentos que a empresa Picosoft produzia e tinha condições de trazer para o Brasil para desenvolver a loteria on-line real time. “Ela só poderá desenvolver o projeto no Brasil, se cumprir todas as exigências”. Os senhores, membros da CPI, se não tiveram acesso ainda, terão através da minha pessoa, a todas as exigências que formulamos e que foram cumpridas pelo consórcio. E, inclusive, Sr. Presidente, autenticações de balanços, do capital integralizado, ou seja...

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – V. Sª. tem também o parecer feito pelo Sr. Armando Dili, porque ninguém na Loterj tem, em nenhum processo tem.

O SR. WALDOMIRO DINIZ - Veja bem: o que eu recebi do Sr. Armando Dili foi um parecer verbal. Ele não era meu funcionário. Ele me fez um parecer verbal.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas ele foi pela Loterj. A Loterj era que tinha que se posicionar. A Loterj era que iria dizer se aceitava ou não. Não o consórcio dizer se a Loterj deveria aceitar ou não.

O SR. WALDOMIRO DINIZ - Sr. Presidente, reitero: o que ele levou em mãos foi um credenciamento para que pudesse ter acesso a dados da empresa.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, deixe-me reformular minha pergunta: quem fez a avaliação técnica da Picosoft pela Loterj? Quem, da Loterj, oficialmente, disse: “Nós, da Loterj, podemos efetivamente fazer a troca da empresa Boldt pela Picosoft?”.

O SR. WALDOMIRO DINIZ - Os técnicos da Loterj aqui no Brasil.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Mas como os técnicos da Loterj aqui no Brasil poderiam dar um parecer de uma empresa que é na Coréia?

O SR. WALDOMIRO DINIZ - A empresa trouxe todos os elementos e só após - e por isso a demora, - isso foi assinado em dezembro, já na minha ausência. Eu não estava nem na empresa. Ou seja: enquanto todas as exigências não foram cumpridas, o contrato não foi assinado.
Waldomiro Diniz, neste momento, nega que tenha, na gravação, dito que um edital já tinha vencedor, antes da abertura dos envelopes. Era o chamado “negócio da Hebara”:
O SR WALDOMIRO DINIZ – Sr. Presidente, a frase não foi proferida por mim, foi proferida pelo Sr. Carlos Cachoeira, “o negócio da Hebara”. O que posso dizer ao senhor? O que posso subentender dessa frase é que a Hebara era a detentora do contrato. O contrato era dela, agora, a lei é clara. Eu sou escravo da lei. Existia uma licitação. Tantos quantos comparecessem e tivessem condições, estavam em condições de disputar a licitação. Quando ele disse “não quero me meter no negócio da Hebara”, o contrato já era o dela. A frase é dele, não é minha. Eu não posso responder pela frase dele.
Neste ponto do depoimento, o ex-presidente da Loterj defende o edital da autarquia, que permitiu que a empresa WWW PLAY assumisse uma parte do contrato da Hebara:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Só a título de ilustração para todos os Deputados, por coincidência, a empresa que foi ao final com a Hebara foi a WWW Play que alguns meses antes de ter desistido do novo processo licitatório, fez um contrato direto com a Hebara no contrato anterior. Então, a WWW Play fez um contrato com a Hebara num contrato anterior e por coincidência na reta final de uma nova licitação ela acabou desistindo. Mas, fica para que esta Comissão avalie.

O SR WALDOMIRO DINIZ – Sr. Presidente, essa licitação lançada na minha gestão veio corrigir essa deturpação, porque a concessão da exploração de jogos para a WWW Play, feita na gestão anterior à minha, foi feita mediante portaria. E, na minha gestão, foi corrigida e colocada no edital de licitação. Então, só, a bem da verdade, dizer que ela estava lá explorando, mediante uma concessão de uma portaria. O que o Tribunal de Contas julgou ilegal e pediu para incluir no edital.
Neste ponto, Diniz afirma que não captou recursos para as campanhas de Rosinha Garotinho e Benedita da Silva. Afirmou que não tinha delegação “nem de uma nem de outra”. Mas admitiu que ajudou a financiar a campanha do candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Geraldo Magela:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Certo. Mas V.Sa. afirma que recebeu, pelo menos, cem mil reais para a campanha do Sr. Geraldo Magela, inclusive tem até uma afirmativa de V.Sa. que diz o seguinte: “Ele entregou na minha mão e foi entregue para a campanha do Magela.” V.Sa. confirma?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Confirmo. Sr. Presidente, eu vim aqui para dizer a verdade. Eu não vou fugir. Esta declaração foi dada espontaneamente. Eu não fui pressionado para dar essa declaração. Eu não posso, amanhã, perante a sociedade, perante meus filhos, ser flagrado, de uma forma ou de outra, recebendo dinheiro da mão desse senhor sem explicação. Ele deu. E deu da seguinte forma: “Quero dar. Quero contribuir com a campanha do Magela.” Foi isso que aconteceu, Sr. Presidente. Eu falei a verdade.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Certo. E, efetivamente, onde ele lhe entregou esse dinheiro? Foi aqui na Loterj?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Não. Aconteceu entre cinco ou seis vezes. Não posso precisar a V. Exa. Quero ser sincero porque isso não constou da minha agenda. Isso foi duas ou três vezes em Brasília, duas vezes aqui. E isso... Quero também fazer justiça de que não teve contato com o Sr. Geraldo Magela. Não foi apresentado ao Sr. Geraldo Magela. Não teve nenhum contato, nenhum compromisso com o Sr..

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A quem o senhor efetivamente entregou o dinheiro da campanha do Sr. Magela?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Ao tesoureiro da campanha.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Lembra o nome?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – De nome Paulinho.
Neste momento, o Presidente da Comissão faz referência a Sérgio Canozzi, citado por Luiz Eduardo Soares como o “corruptólogo”. Diniz admite que esteve no escritório de Canozzi, mas nega qualquer acerto com ele:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor conhece o Sr. Sérgio Canozzi? E explicando quem é o Sr. Sérgio Canozzi, em depoimento a esta Comissão, o Sr. Luiz Eduardo Soares afirma que, em reunião com esse Sr. Sérgio Canozzi, ele o teria dito que V.Sa. recebia 300 mil reais por mês de um caixa dos bingos; inclusive até fazendo uma referência a V.Sa. que não estaria trabalhando de forma correta porque dado o caixa dos bingos de 300 mil dava para se fazer 500 mil e V.Sa. só recebia 300. V. Sa. conhece esse Sérgio Canozzi? Tem alguma coisa a dizer sobre esse caixa que os bingos davam mensalmente para V. Sª?

O SR. WALDOMIRO DINIZ DA SILVA – Primeiro quero refutar a mentira, a ilação, porque toda a minha administração foi feita dentro da maior transparência e as pessoas que me conhecem sabem que eu não permitiria que isso acontecesse. Conheci o Sr. Sérgio Canozzi, fui convidado, mais de uma vez para estar com ele, não entendi o motivo. Estávamos no final, já na fase de transição entre o governo Garotinho e o governo Benedita, e esse senhor passou a ligar para o meu gabinete, com certa insistência. E eu, não entendendo, até porque o presidente da Loterj todos os dias recebe várias ligações de pessoas querendo apresentar projetos, pessoas querendo vender algum tipo de produto, e esse senhor passou a ligar para a empresa com muita insistência: “Preciso conversar, preciso conversar, preciso conversar”. Aí, eu disse à secretária: Qual assunto? “Quero conversar sobre a composição da Loterj do futuro governo”. Interessante, deve ser uma conversa..., devo conversar com essa pessoa. E fui conversar com esse senhor.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Isso em novembro, mais ou menos?

O SR. WALDOMIRO DINIZ DA SILVA – Não, a transição foi em abril, né? A transição dos governos Garotinho/Benedita foi em abril. Fui conversar com esse senhor no escritório dele. Aí o senhor me pergunta: “É hábito?”. Não. Durante dez anos da minha vida, eu fui assessor parlamentar. O assessor parlamentar, a função dele é dialogar, conversar. Eu converso com as pessoas, obviamente, sem achar que as pessoas estão me chamando ali para propor um... Aí fui conversar com esse Sr. Sérgio Canozzi neste endereço. Inclusive quero passar às mãos do senhor este endereço.

O SR. PAULO MELO – Rio Branco 134?

O SR. WALDOMIRO DINIZ DA SILVA – Acho que não.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Não. Avenida Marechal Floriano nº. 38, e determinada sala que aí a gente vai dar.

O SR. WALDOMIRO DINIZ DA SILVA – E para minha surpresa, Sr. Presidente, Srs. Deputados, esse senhor me chama, chego no escritório dele: Pois não, estou aqui a sua disposição. “Olha, Presidente, quero lhe comunicar que vamos fazer algumas mudanças na diretoria da Loterj”. Eu falei: Olha, eu não o conheço, eu estou cumprindo uma missão. A governadora Benedita me chamou recentemente e me fez um convite para que eu continuasse. “Eu sei que o senhor está fazendo um bom trabalho dentro da empresa.” Frisou o social, disse: “Olha, o senhor faz lá esse trabalho social, está dando muito certo, mas quero dizer ao senhor que eu farei algumas nomeações na empresa e que, nos próximos dias, o senhor será comunicado.” Eu disse: Olha, eu vou aguardar a comunicação e, obviamente, a governadora me chama para... A conversa mais utópica, a conversa mais sem pé nem cabeça, ouvi aquilo, obviamente, não tinha mais nada para tratar com aquele senhor, achei estranho até o fato dessa conversa, me despedi, voltei para o meu escritório, obviamente, como nós não tínhamos ainda o governo instalado, eu não poderia me socorrer: Olha, fulano, quem é isso? Vai ser isso? Aí eu falei: Bom, se realmente for mudada a diretoria, se for demitido ou se for composta uma nova diretoria que não me agrade, me cabe limpar a gaveta e ir embora. Foi isso que aconteceu, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Naquele momento ele se referiu a alguém diretamente, dizendo que já tinha conversado com alguém, já tinha definido, inclusive entregue alguns nomes para assumir alguns cargos na Loterj?
Neste ponto, o Deputado Paulo Melo procura saber do depoente que tipo de relação tinham Waldomiro Diniz e Armando Dili, para justificar um pedido tão comprometedor:
O SR. PAULO MELO – Quando o senhor conheceu o Sr. Armando Dili?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – O Sr. Armando Dili foi-me apresentado em 2001 por um ex-funcionário nosso da Loterj como um profissional da área de jogos que tinha expertise em marketing e jogos. Isso se deu em 2001.

O SR. PAULO MELO – O Armando Dili de imediato veio assessorar o senhor quando apresentado?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Conversamos, ele apresentou um plano de trabalho, ou seja, o que poderia ser feito, porque na década de 80, se não me engano, eles tinham feito um trabalho já junto à Loterj, bem sucedido, e me apresentou um plano de trabalho que eu considerei factível e fiz a proposta de que ele viesse me assessorar. E ele veio me assessorar juntamente com outra pessoa.

O SR. PAULO MELO – E qual era a função específica dele dentro da Loterj?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Elaborar plano, elaborar novos jogos, campanhas. Quero deixar para esta CPI o trabalho que era desenvolvido pelo Sr. Armando Dili.

O SR. PAULO MELO – O senhor manteve relação pessoal ou de amizade, depois que ele deixou a Loterj e foi trabalhar no consórcio Combralog?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Deputado, o que eu posso chamar de amizade é uma relação cordial, profissional, um profissional competente, convivia comigo cotidianamente. Agora, não privava da intimidade dele, de freqüentar a casa dele.

O SR. PAULO MELO – Mas o senhor não acha que o senhor está passando todo esse problema hoje, com a imprensa toda aqui presente, para ir conversar com um bicheiro – mesmo travestido de outro, mas um bicheiro – um homem do jogo, para pedir 1% para atender a um homem que o senhor não gozava nem da amizade, não tinha uma relação de amizade tão grande com ele. Isso não é estranho?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Deputado, na minha introdução eu disse e repito para o senhor: eu errei, cometi um pecado e responderei por ele.

O SR. PAULO MELO – O pecado é o que menos me interessa, até porque eu não tenho a capacidade de perdoar. A gente está buscando aqui a verdade. Acho estranho é que o senhor ia a uma reunião para pedir 1% para uma pessoa que o senhor não tinha nem intimidade, amizade, para resolver um problema pessoal dela. Só perguntei se o senhor não acha estranho e o senhor pode dizer que não quer responder.

O SR. WALDOMIRO DINIZ DA SILVA – Sr. Deputado, eu respondi.
Aqui, Waldomiro Diniz revela o motivo de tanto interesse de Carlos Cachoeira com o jogo no Rio de Janeiro. Para o ex-presidente da Loterj, Carlos Ramos estava pensando no futuro:
O SR. PAULO MELO – O que não consegui entender até hoje, Sr. Waldomiro Diniz, é porque tanta briga, porque tantas reuniões num negócio que efetivamente não deu lucro. Ora, volto a dizer que nada foi cumprido no contrato com o Sr. Cachoeira, ele não cumpriu nenhum item do contrato, nenhum, nenhum item. Pelo contrário, fraudaram as instalações de máquinas dentro de shopping, dentro de uma loja para que ele desse continuidade. Os jogos via internet tinham um orçamento previsto em 2002 de 316 mil, 335 reais. Foram arrecadados, diga-se de passagem, 313 mil. Agora, a Loteria On-Line, que era o grande interesse do Sr. Carlos Cachoeira, tinha previstos 12 milhões, 653 mil e 380 reais. Em 2002, não foi arrecadado nada, não é verdade?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Verdade.

O SR. PAULO MELO – Em 2003, previstos 35 milhões, 597 mil, foram efetivamente arrecadados 426 mil, num déficit de previsão de 35 milhões, 484 mil. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Deputado, a Loterj – desculpe-me, não quero me alongar, atendendo à sua solicitação – é uma empresa dependente de bingos. Havia a necessidade de que a empresa tivesse novos produtos; a empresa precisava ter novos produtos. Ou seja, o Sr. Carlos Cachoeira, contratado para implantar a Loteria On-Line Real Time, não cumpriu seu contrato tal como devia. Ou seja, foi uma frustração e agora cabe à CPI, ou seja... Durante a minha gestão, queria outros privilégios e não cumprir o contrato. Eu não cedi; eu não cedi. Foi contratado para fazer uma loteria On-Line Real Time.

O SR. PAULO MELO – Também não aplicou nenhuma multa a ele?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Deputado, eu tinha um prazo até fevereiro de 2003, para implantar 600 terminais. Se ele instalasse 600 terminais até fevereiro de 2003, ele estaria regularmente dentro do contrato. Isso está no contrato.

O SR. PAULO MELO – Eu li o contrato; eu li o contrato e é uma questão de bom senso. O senhor começou solicitando tanto bom senso à Comissão. Quem não instalou nada até dezembro de 2002, dificilmente instalaria em três meses, ou cumpriria todo o contrato. Agora, volto a perguntar ao senhor: o que não consigo entender é como uma briga tão grande por um negócio que não dava lucro, pelo que a gente vê. E não dá hoje. Estive analisando também, mesmo depois desse escândalo, e não dá hoje. O que eu queria perguntar: o senhor acha que por trás disso havia algum outro interesse de lavagem de dinheiro ou – como o senhor mesmo disse – que ele queria na realidade... Que aquele era um contrato do tipo “guarda-chuva”? Por que ele queria, na verdade, explorar outro tipo de jogo?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – É verdade.

O SR. PAULO MELO – Esse outro tipo de jogo poderia ser os caça-níqueis?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – É verdade.

O SR. PAULO MELO – Então me explique; se for para os caça-níqueis, me explique.

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Deputado, esse contrato em seu anexo – item 3.5...se os senhores já se detiveram sobre ele, poderão entender que durante a vigência do contrato, poderão ser apresentadas novas modalidades de jogos.

O SR. PAULO MELO – Isso na portaria que o senhor, inclusive, publicou para regulamentar o contrato.

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Exatamente. Durante a vigência do contrato, ou seja, qual é a divergência? Desde que se cumpra o objeto do contrato. O senhor não vai colocar o carro adiante dos bois...

O SR. PAULO MELO – Então o interesse dele eram os caça-níqueis?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Eram as máquinas de vídeo loterias, efetivamente. E daí a grande divergência comigo.

O SR. PAULO MELO – Porque é o que dá dinheiro?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Deputado, dentro dos bingos...

O SR. PAULO MELO – Não dá para quem joga, mas para quem explora dá, certamente.

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Dentro dos bingos, são bem sucedidos.

O SR. PAULO MELO – E ele queria explorar isso aí...

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Ele queria explorar essa modalidade de jogos.
Neste ponto, Waldomiro tenta justificar os gastos em publicidade feitos pela Loterj. Especialistas garantem que a publicidade deve consumir, no máximo, 10% da receita dos jogos. Na Loterj, esse percentual chegou a 25%:
O SR. PAULO MELO – Já que o senhor falou em publicidade, como o senhor explica um aumento substancial da verba de publicidade de 2001 para 2002 numa elevação exatamente do empenhado, porque se formos pegar no Ciafem tendo pago mais uma elevação de 59. Nas minhas contas um pouco mais. Na conta do meu colega, Relator, Deputado Luiz Paulo, de 59.64, quando a receita bruta da Loterj, excluindo-se os bingos, foi apenas de 9.54 nesse período. Por que esse substancial aumento de publicidade?


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