Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Eu quero deixar claro também, Senhor Relator, que até hoje vocês vão ver contabilmente que estamos tendo prejuízo no edital, a gente queria fazer dali um showroom para o Brasil, e realmente entrar na competitividade com a empresa GTECH, porque logicamente eles estavam sozinhos no Brasil, e dali fazer um showroom, e até hoje o edital era deficitário, não era qualquer empresa do mundo que viria para cá e colocaria dinheiro, coloca sistema e faz um contrato daquele. O Rio de Janeiro não é nenhum oásis para jogos, igual vocês pensam, pelo menos nessa área, de bingo, pode ser.
Neste ponto, o Deputado André Corrêa tenta fazer o empresário goiano explicar, passo a passo, a operação que gerou a gravação da fita. Carlos Cachoeira, no entanto, sustenta sua posição de que foi prejudicado com o contrato hebara:
O SR. ANDRÉ CORRÊA:- Todo esse relacionamento que o senhor teve com o Senhor Waldomiro, ele passa por essa cronologia de quatro fatos. Primeiro, o senhor assina um contrato que lhe dá direito de exclusividade. Segundo, o senhor tem uma reunião em que o senhor grava a conversa. Terceiro, sai o resultado desse edital que o senhor contesta, porque estava afetando direitos do senhor, e a informação, os documentos que chegam à CPI, frutos de uma auditoria feita pela Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro, indicam que o objeto, ou seja, a conversa que o senhor teve com o Waldomiro Diniz, os pedidos que o senhor fez ao Waldomiro Diniz, foram atendidos através da modificação do edital. E o senhor está dizendo aqui que o edital não foi modificado.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Na sua essência, no objeto, porque quando se trata de edital, eu acho que a principal coisa é o objeto.

O SR. ANDRÉ CORRÊA:- Tudo bem, mas a essência, ou seja, ninguém poderia a não ser o senhor, explorar o jogo on-line e real-time, e o senhor está colocando que isso não foi mudado e que se, por exemplo, a HEBARA hoje tivesse capital e quisesse...

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Fazer INTERNET.

O SR. ANDRÉ CORRÊA:- ... Fazer o mesmo que o senhor faz no Rio de Janeiro, ela poderia fazer?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Veja bem, é abrangente, quando você fala em sistema, eu não sei se o senhor tecnicamente conhece, eu até conheço pouco.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Agora, veja bem, eu quero deixar claro, que devido à reclamação que eu fiz para ele, sobre... (O SENHOR CARLOS AUGUSTO RAMOS CONSULTA O ADVOGADO) o objeto, no 11.1, ele tirou a internet. Mas veja bem, do objeto, que é o principal... O edital o que é? É o objeto. Você vai a qualquer local, quando sai um edital, o que é o objeto? O objeto é que manda. É tudo. O que o objeto fala? "A presente licitação destina-se à criação de produtos e orientação de campanha publicitária para operar, com exclusividade e planejamento a distribuição e a comercialização dos bilhetes de loteria de múltiplas chances, incluindo a venda por intermédio de revendedores cadastrados, internet..." Continuou essa celeuma toda, eu até conversei com o advogado na época, quando o Procurador foi para a televisão e aprontou aquele escarcéu e dizendo isso, dizendo aquilo. Gente, o objeto continuou internet. Se ele tirou aqui de cima, mas no objeto em si, que é o principal, continuou internet, eu continuei sendo prejudicado; ele manteve a internet. Está mais do claro, está aqui, e telefonia fixa ou móvel. Televisão interativa. O que é? O sistema nosso é um on-line real-time, em tempo real; a gente faz também jogos pela televisão. É on-line real-time também, e nós somos exclusivos, eu posso reclamar para ele em qualquer circunstância, que eu estou sendo prejudicado, e fui prejudicado por ele. Está mais do que claro no edital, aqui. Até fico satisfeito que o Procurador-Geral não encontrou nada contra mim; se for essa a questão, não encontrou nada contra a empresa, contra minha pessoa, porque está mais do que claro que continuou Internet e telefonia aqui.
Ao falar das vantagens de segurança de seu sistema, Carlos Cachoeira admite que, num próximo passo, imaginava a instalação de seus equipamentos nos bingos do Estado:
O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS: - Dificulta totalmente. É o sistema americano. Nos Estados Unidos fora o sistema on-line real-time, quer dizer, é dentro dos padrões mundiais do segmento lotérico, entendeu?

O SR. ANDRÉ CORRÊA:- O senhor não fez, ou seja, inclusive o senhor começa negociar com um milhão, depois um milhão e meio depois com dois milhões, depois com dois milhões e meio. Depois o senhor oferece uma participação além de dois milhões e meio, o senhor oferece mais 3%. Isso está gravado.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Exatamente. O que tiver gravado lá, eu já falei em depoimento, eu vou me ater ao meu depoimento, foi tudo da boca para fora. A pressão psicológica que Waldomiro me colocava. Agora, a questão de quando falei do José Renato, eu queria me referir à introdução do sistema nosso nos bingos. Eu acreditava que o sistema poderia...

O SR. ANDRÉ CORRÊA:- Poderia sair de off-line para...

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Exatamente. Geraria muito mais lucro, tanto para...

O SR. ANDRÉ CORRÊA:- Para todo mundo.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Exatamente. E com maior clareza. Identificação do apostador.
Neste ponto, Cachoeira volta a ser inquirido sobre os motivos que o levaram a fazer a gravação:
O SR. GERALDO MOREIRA - O senhor disse que gravou para se proteger, em função da desconfiança que tinha do Senhor Waldomiro. O senhor poderia relatar para nós que tipo de desconfiança era essa? Que desconfianças eram essas?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS: - Eu pressentia, através de uma conversa anterior que eu havia tido com o Armando, que ele iria, naquele dia, fazer pedidos. E, logicamente, ele tinha uma arma poderosa na mão. Qual era a arma poderosa que ele tinha na mão? Era o edital que ele iria soltar que conflitava com o objeto do meu edital. Isso não existe, pô! A gente investe um valor que foi investido lá no Rio de Janeiro e acontece isso?! Essa é uma das grandes armas que ele tinha como presidente, de soltar o edital. Agora, como é que você vai questionar isso posteriormente na Justiça, dizer que internet também on-line real-time. Não é qualquer pessoa catedrática no assunto que iria entender isso aí. Como você está vindo do Estado, o conflito existe de interesse, porque eu era exclusivo, eu sou exclusivo na on-line real-time; essa era uma arma poderosa que ele vinha para conversar comigo. Um dos motivos, talvez, até o principal para eu ter gravado essa fita.
Neste momento, Cachoeira fala da contratação de Armando Dili pela Combralog:
O SR. GERALDO MOREIRA: - O senhor acha isso ético?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS: - Veja bem, antes de tudo, o Armando é um profissional muito competente, um dos poucos no Brasil.

O SR. GERALDO MOREIRA: - Mas o senhor não o contratou em função da sua competência, e sim, em função da determinação do Presidente.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS: - Claro. Da determinação do Presidente. Exatamente. Exatamente.
No dia 13 de abril, exatos dois meses após a publicação do número 300 da revista Época, Waldomiro Diniz depõe na CPI. É a primeira vez que fala sobre o assunto publicamente. Diante de uma sala lotada, o Ex-presidente da Loterj começa o seu depoimento surpreendendo, dizendo que havia pecado para ajudar um amigo que, morto, não pode ser defender:
O SR. WALDOMIRO DINIZ – Quero dizer, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que cometi um pecado; cometi um pecado ao tentar ajudar um amigo: Armando Dili, uma pessoa competente a quem presto homenagens por já não estar mais entre nós. Também o faço em respeito aos seus familiares, seus filhos e sua esposa. Ao tentar ajudá-lo, me tornei refém de uma engenharia criminosa, uma gravação premeditada feita por uma pessoa inescrupulosa, que o fez por motivos, se não outros, de aferir benefícios financeiros em seus negócios.

Quero dizer, Sr. Presidente, a esta Comissão e ao Brasil – neste meu primeiro depoimento – que o homem que aqui comparece é uma pessoa envergonhada, com a alma quebrada. Mas quero afirmar que não tenho medo de ser investigado. Preciso que a justiça brasileira, em quem deposito total confiança, - bem como que esta CPI, com serenidade, - restabeleça a verdade.

Preciso disso, Sr. Presidente e Srs. Deputados, para que possa voltar a olhar de cabeça erguida para meus amigos, para meus filhos e para meus pais. E mais, Sr. Presidente: para aqueles que sempre depositaram em mim, ao longo dos 23 anos de minha carreira profissional como funcionário público, total confiança e que hoje são cobrados cotidianamente como se beneficiários fossem de meus atos.

Quero dizer, Sr. Presidente, que a essas pessoas peço desculpas pelo constrangimento que os causei. Quero dizer que estou pronto. Não usarei subterfúgios. Estou aqui em homenagem a esta Casa que durante o tempo que aqui convivi tive a melhor relação com o Sr. Presidente e com os Senhores membros. Quero dizer, também, Sr. Presidente, que o medo não protege ninguém. Eu estou à disposição dos senhores para falar a verdade.
Em seguida, Waldomiro disse que nunca assistiu toda a fita, mas apenas partes editadas - o que estava prejudicando a sua defesa. Diniz disse ainda na sua introdução, que conheceu Carlos Cachoeira, já como presidente da Loterj - quando compareceu a autarquia interessado num contrato que havia sido embargado pela Justiça e que tratava da exploração de loterias on-line real time:
O SR. WALDOMIRO DINIZ -... E lá compareceu interessado na compra desse contrato. E foi informado a ele que esse contrato a presidência da Loterj não tinha nenhuma autonomia, por se tratar de uma ação litigiosa perante a Justiça, e que ele tentasse manter contato com os então proprietários do contrato. Esse foi o nosso primeiro contato.
Em seguida, Waldomiro fala do dia em que teve sua conversa com Carlos Cachoeira gravada:
O SR. WALDOMIRO DINIZ – Armando Dili, já como assessor do Sr. Carlos Ramos, me liga e me diz que precisaríamos ter uma reunião com essa pessoa, o Sr. Carlos Ramos. E que essa reunião estava marcada por volta de 19 horas. Eu, então, disse a ele que fizéssemos a reunião na Loterj. Ele disse: “não, ele quer fazer a reunião no escritório dele, porque lá vai ser o datacenter, central, ele apresentar, mostrar as instalações, mostrar como é que vai se desenvolver o projeto”. Combinamos que o Sr. Armando Dili passa na Loterj, aqui na Rua Sete de Setembro, me apanha e seguimos no seu veículo. Durante o trajeto Armando Dili me faz o roteiro da conversa. Ele diz: “olha, Carlos Ramos quer discutir esses assuntos. Há necessidade de se discutir essa pauta hoje nessa reunião”. E traçou a pauta da reunião. Disse: “olha, quer discutir isto, isto, isto e isto”... Fomos para a reunião. Além do Sr. Carlos Ramos e de Armando Dili, havia uma terceira pessoa que era, no período, um dos assessores de Carlos Ramos. E o que mais me chamou a atenção para um detalhe foi que imaginei que seria uma conversa entre as pessoas que estivessem ali: o Armando era a pessoa que estava assessorando ele no contrato. E ele não permitiu que o Armando entrasse na sala. Então, a conversa se deu entre Waldomiro e Carlos Ramos numa sala e os assessores ficaram do lado de fora.
Neste ponto, Waldomiro explica a relação profissional de Armando Dili com a Loterj e nega que tenha forçado a contratação do profissional para Carlos Ramos:
O SR. WALDOMIRO DINIZ - Disse também: “Armando Dili trabalhou para o Sr. Carlos Cachoeira”. Ao contrário do que ele afirma, mais de uma vez, por indicação minha. Não é verdade, Sr. Presidente. Não é verdade. Vou deixar documentado para esta Comissão que o Sr. Carlos Cachoeira possuía um contrato no Rio Grande do Sul para explorar a modalidade de loteria instantânea. O Sr. Armando Dili era, na Loterj, um consultor de marketing especialista em loteria instantânea. Já tinha prestado serviços, com sucesso, em outras ocasiões na Loterj, e, por isso, foi contratado na minha gestão.

Carlos Cachoeira, sabendo que Armando Dili era um especialista em marketing, especialmente em loteria instantânea, a que chamamos de “raspadinha”, me disse que gostaria de ter Armando o assessorando.

Veja bem, Sr. Presidente: Armando Dili trabalhava comigo, ele e mais um outro sócio, com contrato firmado, via agência de publicidade – porque era uma consultoria de marketing –, contrato da ordem de doze mil reais. Ou seja, descontados os impostos, mais a comissão da agência, Armando deveria receber na Giovanni algo em torno de cinco mil reais. Carlos Ramos fez uma proposta pra ele que era, no mínimo, o triplo disso. Ele foi trabalhar para Carlos Ramos a convite do Sr. Carlos Ramos, e não por imposição do presidente da Loterj nesse momento.
Aqui, mais uma vez, Waldomiro fala das dificuldades que passava seu assessor e o motivo que o obrigou a pedir participação nos negócios de cachoeira, como demonstrados no vídeo:
O SR. WALDOMIRO DINIZ - Sr. Presidente, afirmo ao senhor que estive naquela conversa e, na minha introdução, disse que cometi um pecado; e dele não fugirei, responderei. Estava ali pra ajudar um amigo em dificuldades. E por que em dificuldades? Carlos Cachoeira contratou Armando Dili e não mantinha a regularidade de seus pagamentos. Armando passou por dificuldades em alguns momentos, e me confessou que estava em dificuldades. Ele foi diretor de multinacionais, trabalhou para a empresa GTech, e o último emprego dele foi, se não me engano, na multinacional Novartis, que é um grande laboratório brasileiro. E saiu com o intuito de se dedicar única e exclusivamente a essa consultoria.

Ao passar a trabalhar para Carlos Ramos, começou a passar dificuldades porque não recebia com regularidade o combinado. O que fui informado por Armando é que, a partir daquele momento, Carlos Ramos teria oferecido a ele não mais um salário, e sim uma participação do que viria a ser o projeto dele – 1%. Mas com uma condição: de que eu acertasse, de que eu pedisse. Ou seja, o roteiro da conversa foi premeditado; ele disse, ele diz isso no depoimento dele: “-Armando Dili está me pedindo. Por que Waldomiro não vem me pedir?”.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Então, na verdade, o que V.Sa. afirma é que estaria negociando um upgrade para o Sr. Armando Dili em torno de um salário de 18 a 20 mil reais, para 1% de um contrato assinado entre a Loterj e o consórcio Combralog, de 168 milhões de reais, algo em torno de um milhão e 700 mil reais, em cinco anos. Seria isso. Ele sairia de um salário de 18 a 20 mil para uma sociedade em que ganharia um milhão e 700 mil em cinco anos. Seria isso.

O SR. WALDOMIRO DINIZ - Sr. Presidente, me desculpe, não quero, obviamente, interromper sua linha de raciocínio. O contrato, bem sabe V.Exa., tem o valor global. Ele é contratado por um valor global. Só que, do contrato, depende a venda. A venda, aferida mês a mês, metade dela é prêmio, uma outra parte é comissão. O valor líquido que se vai aferir disso é bem abaixo e daí ele combinar com o Armando. Quero dizer ao senhor: não tinha conhecimento maior dos detalhes sobre quais eram os detalhes da negociação entre eles, ou seja, se ele ia ganhar sobre esse contrato bruto. Não tinha nenhum conhecimento disso.
O presidente da Comissão insiste:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E durante a conversa, Sr. Waldomiro – e aí V.Sª. vai me desculpar – mas fica claro, aqui, em momento nenhum fala “É 1%, eu quero 1% para o DILI. O Armando Dili não está recebendo o salário em dia aqui contigo, Carlos Cachoeira. Precisamos, realmente, fazer uma forma de recompensar o trabalho brilhante e profissional do Armando Dili. Esqueceu de falar o nome Armando Dili nesse momento, seria isso?

O SR. WALDOMIRO DINIZ - Sr. Presidente, na minha introdução, afirmei perante a Comissão que cometi um pecado ao tentar ajudar um amigo. Obviamente que no decorrer do diálogo eu deveria ter sido claro, incisivo e ter explicitado o que é que seria isso.

Segundo Waldomiro Diniz, ele foi convidado a assumir a Presidência da Loterj pelo então Governador do Estado, Anthony Garotinho. Ele afirma que não houve nenhum acordo político por trás. Ele disse que estava na função de representante do Governo do Estado do Rio de Janeiro, em Brasília. Diniz afirma que desenvolvia um trabalho “que julgo do agrado do Sr. Governador, lá defendendo os interesses do Estado do Rio de Janeiro.” Por conta disso, garante, Garotinho resolveu convida-lo para assumir o novo posto pessoalmente:


O SR. WALDOMIRO DINIZ –... O convite foi feito pessoalmente... Então, numa dessas visitas, o governador Garotinho me chama até a sala dele e me pergunta: “Você quer ir para o Rio de Janeiro?”. Disse: Ir para o Rio de Janeiro fazer o quê? Ele falou: “Você quer ir trabalhar comigo no Rio de Janeiro?”. Eu perguntei: Governador, em que função? Ele: “Presidente da Loterj”. Eu disse: Presidente da Loterj? Nem pensar. Não aceitei. Saímos; tínhamos uma audiência e no carro o governador disse-me: “Olha, Waldomiro, a Loterj é uma autarquia muito eficiente, é uma autarquia importante do Estado, gostaria que você ponderasse”. Falei: Governador, estou com a minha vida estabelecida. Minha família mora em Brasília, estou aqui há mais de dez anos. Eu não vejo hoje motivo para estar... Sinto-me lisonjeado, honrado com o convite, mas não tenho interesse neste momento. Passado uma semana o governador me chama novamente, já aqui no Rio de Janeiro, reitera o convite e explica os motivos. Diz: “Olha, Waldomiro, gostaria de tê-lo como presidente da Loterj, pelo seu perfil, pelo trabalho que você desenvolveu. Gosto do seu trabalho. A Loterj desenvolve um trabalho social muito importante em que a renda da Loterj é aplicada nas obras sociais do Estado, presidida pela D. Rosinha – a governadora Rosinha – e eu gostaria que você aceitasse”. Então ponderei com ele quais seriam as condições de trabalho e aceitei o convite do governador. Aceitei o convite do governador.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E como se deu, no caso, a sua ida para o escritório de representação do Rio de Janeiro em Brasília? Também foi um convite pessoal ou foi indicação de uma outra pessoa?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Veja bem, eu fui assessor parlamentar do então governador de Brasília Cristovan Buarque durante quatro anos. Em 1998 o governador Cristovan, candidato à reeleição, perdeu a eleição. Fiquei desempregado 90 dias. Durante 90 dias fiquei desempregado, procurando emprego. O então governador Cristovan Buarque foi convidado, muitas pessoas aqui se lembram, o governador Garotinho o convidou para ser secretário de Educação aqui no Estado do Rio de Janeiro. E o governador Cristovan, nessa conversa, teria dito ao então governador Garotinho, que não poderia aceitar, por motivos óbvios, que tinha outros planos, e o governador Garotinho disse a ele - palavras do governador Cristóvão a mim - que precisava de uma pessoa que pudesse ajudá-lo em Brasília, que pudesse ser uma espécie de secretário dele em Brasília. E o governador Cristovan disse, então, a ele, o seguinte: “Essa pessoa eu tenho. É o meu ex-assessor parlamentar Waldomiro Diniz, e se o senhor quiser aproveitá-lo será uma boa escolha”. O governador Garotinho considerou e me convidou.
Mais adiante, Waldomiro diz que não há motivo para se estranhar o fato de que permaneceu na função, mesmo com a mudança de comando no Palácio Guanabara. Segundo ele, as boas relações com Garotinho e Benedita da Silva foram suficientes para mantê-lo onde estava:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E, no final do governo Garotinho, V.Sa. foi um dos poucos que permaneceram do governo Garotinho para o governo Benedita. Nesse momento, houve a indicação de alguém?

O SR. WALDOMIRO DINIZ - Sr. Presidente, não é segredo a ninguém que me conhece que toda minha trajetória foi próxima, embora não filiado, ao Partido dos Trabalhadores. Eu, na Loterj, tenho orgulho de dizer que, junto com minha equipe, desenvolvi o melhor que pude, sendo que, no ano de 2001, nós pudemos repassar para as obras sociais do Estado, a importância de R$14 milhões. Isso eu considero, não posso afiançar ao senhor, deve ter sido, talvez, o maior repasse da história da empresa para as obras sociais do Estado. No nosso período, a empresa cresceu substancialmente a venda dos seus produtos. No nosso período, nós conseguimos aumentar substancialmente o faturamento da empresa no setor da administração dos bingos. As raspadinhas, todo mundo aqui conhece, no Rio de Janeiro, nós conseguimos, no período de um ano, quase que crescer 100%. Obviamente que ela é muito sazonal, ela aumenta e diminui, nós conseguimos que ela tivesse um incremento, em determinados períodos, comparando um ano a outro, ela chegou a crescer 100%. Então, obviamente que isso me credenciou a ser convidado pela governadora Benedita da Silva, que já conhecia meu trabalho, não foi imposição, indicação. Eu me senti gratificado com o convite, e aceitei e continuei.
Sobre a segunda gravação, no Aeroporto Internacional de Brasília, Waldomiro Diniz, afirma não se lembrar do que foi tratado e aproveita para desdenhar da versão de que teria recebido dinheiro de Carlos Ramos:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – No dia 20/05/2002 teve o encontro de V.Sa. com o Sr. Carlos Cachoeira em Brasília, no aeroporto. E foi fato público, que foi filmado e tal. Nesse momento da conversa, o que ocorreu? Alguma coisa, alguma discussão em relação ao Consórcio Combralog? O que estava sendo discutido, tendo em vista que o contrato tinha acabado de ser assinado com a Loterj, no final de fevereiro? Então março e abril estavam próximos. Eles assinaram o contrato e tinham que efetivamente começar a implementar e instalar aqui o seu centro tecnológico. E dois, três meses depois V. Sª. se encontrou com o Sr. Carlos Cachoeira no aeroporto de Brasília. O que foi decidido, o que foi conversado nessa reunião?

O SR. WALDOMIRO DINIZ - Sr. Presidente, quero fazer uma observação sobre esse fato. É bom que se esclareça. Primeiro, o Brasil todo tomou conhecimento dessa fita que foi apresentada reiteradas vezes. Posso dizer ao senhor, com segurança, que não me lembro dos detalhes dessa conversa. Afirmo ao senhor que tive a conversa, afirmo ao senhor que tive a conversa e quero dizer ao senhor que uma pessoa ou uma equipe de pessoas, que mobiliza um aparato de filmagem de um aeroporto que hoje é o terceiro maior aeroporto do Brasil em movimento para seguir duas pessoas, obviamente que seria não com boas intenções. Ou seja: por que uma pessoa manda filmar um encontro, manda gravar um encontro de duas pessoas e essa conversa não tem áudio? Ora, aquela conversa só serviria ao seu interlocutor, ao meu interlocutor, com áudio se ele fosse benéfico. Digo ao senhor com sinceridade, digo ao senhor com sinceridade que não me lembro dos detalhes ali tratados.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A filmagem sugere que teria algo ilícito dentro daquela sacola. Tinha algo ilícito naquela sacola?

O SR. WALDOMIRO DINIZ – Sr. Presidente, desculpe, não quero lhe faltar com o respeito, tinha jornal. Todo mundo que me conhece, inclusive a minha filha brincou comigo e falou: “Pai, desde que conheço você por gente você anda com a sacola de jornal quando viaja”. Tinha sim, era uma sacola da Livraria La Selva, que é a livraria do aeroporto, com jornais dentro. Tanto é Sr. Presidente, que a conversa que se passa pelos Raios-X ele não pegou? Ora, Sr. Presidente, convenhamos, todo mundo aqui tem o mínimo de inteligência. Eu encontro com uma pessoa, sou presidente de uma autarquia, contratado. Encontro com uma pessoa no aeroporto, a pessoa me dá uma sacola com dinheiro e eu vou para o Raio-X? Sr. Presidente, temos que ter bom senso.

Aqui neste trecho, o Presidente da Comissão reproduz parte do diálogo gravado por Cachoeira, no escritório da Combralog, na Zona Sul do Rio de Janeiro, mas o ex-presidente da Loterj sustenta que não houve ilicitude:



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