Fase I – da instalaçÃo da cpi – 1



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A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Não me deram justificativa e eu, quando fiz parte, era pro forma, porque vinha o processo todo instruído, com o edital aprovado. Participava de ato público, onde era transcorrido normalmente.
Fátima disse ainda que Waldomiro Diniz se relacionava apenas como uma equipe reduzida de assessores. Os funcionários da autarquia tinham pouco contato com o presidente, mesmo em áreas de grande importância e responsabilidade:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O Sr. Waldomiro Diniz exercia algum papel direto com a comissão de licitação? Quantos contatos a comissão de licitação teve com o Waldomiro Diniz?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Muito pouco. Ele trabalhava com uma assessoria especial onde eu, como funcionária da casa, e outros, tínhamos pouco acesso a ele para discutir qualquer assunto, ou para passar. Normalmente, os fatos eram passados pela chefe de gabinete... Não, assessora , a Cristina.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Ana Cristina?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Ana Cristina. Então, o processo passava por ela, era passado por ela e tinha a assessoria especial.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – As orientações eram feitas, então, pela Sra. Ana Cristina?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Não, não chegavam a ser orientações. Era passado o processo, mas nunca houve uma orientação de como proceder, porque, analisando o processo, ele estava todo, sem ter entendimento da parte técnica do objeto licitado, que não é um objeto comum, aparentemente não apresentava irregularidades.
A situação se repete na confecção do edital conhecido como “contrato Hebara”. Segundo ela, o pacote – edital – veio fechado da Presidência:
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A senhora participou da confecção do edital de licitação desse contrato, dessa licitação?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Da confecção, não.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Também veio pronto?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Veio pronto.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – A senhora, fazendo parte da Comissão de Licitação, a senhora percebeu que naquele edital havia os jogos on-line, não percebeu?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Percebi.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E o que é que vocês acharam naquele momento?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – E, mesmo vendo o edital pronto, quando vinha, o pouco conhecimento que tenho, analisava o processo e tudo estava de acordo com os autos do processo. Não fugia nada dali.

Mas, por tratar-se o objeto, a parte técnica, jogos on-line, até porque minha área é administrativa, não é nem operacional, não sei dizer nada sobre jogos de loteria, tão-somente analisar a documentação no ato licitatório.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Aí a senhora percebeu que aquele contrato tinha lá... Aquela licitação colocava os jogos on-line também.

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Colocava.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – E deve ter percebido, também, porque paralelo a isso, a senhora, também, participava da comissão de licitação dos jogos on-line do contrato Combralog. A senhora não identificou que havia ali uma concorrência de licitações, não? Não houve uma discussão de vocês em relação a esse assunto?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Não, porque quando o objeto era mudado, saía a errata e era aprovado pelo Tribunal de Contas.
A servidora Fátima Fonseca, mais adiante, dá um exemplo de como era a administração Waldomiro Diniz, na Loterj. Quando da confecção desses grandes editais, Fátima disse que a desconfiança existia, mas não era explicitada. Temia-se pelas reações do chefe, que tinha uma pessoa de confiança em cada departamento – quase em cada lugar:
O SR. PAULO RAMOS – A Loterj lidava com esse monte de empresas. Não existia isso lá: “está correndo grana aí sim?” “Está tendo retorno.” Ainda mais na Loterj que cuida do jogo. Como era isso lá? Como é que funcionava? Quais eram os comentários?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Nos corredores não havia comentário até por que na administração Waldomiro tinha, praticamente, uma pessoa de confiança dele em cada andar, em cada sala. Então, não se fazia comentário. Nós éramos...

O SR. PAULO RAMOS – A que vocês atribuíam essa necessidade de vigília, então, pelo menos?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – À desconfiança dele. Ele desconfiava de todos; ele era transparente.

O SR. PAULO RAMOS – Ele era transparente e cerceava?

A SRA. FÁTIMA FARIAS FONSECA – Ele dizia ser a administração dele, uma administração transparente e nós, eu e outros servidores, não tínhamos... havia desconfiança. Além de não ter acesso, havia certa desconfiança.
Também no dia 1° de abril depôs o servidor da Loterj José Carlos da Silva Ruivo. Lotado na Diretoria de Operações, Ruivo, segundo ele, era encarregado de fiscalizar o cumprimento dos contratos - a parte técnica referente à operação, acompanhamento de vendas e faturamento, retirada de bilhetes e emissão de relatórios.
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Bem, o senhor tinha uma participação no sentido de analisar tecnicamente se essas empresas tinham condição de ganhar aquela licitação?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO – Ah, sim. Na parte da loteria de prognósticos, que é a chamada loteria on-line, minha participação foi posterior à licitação. Fiz parte da comissão que foi visitar a empresa Boldt, na Argentina, mas após todo o processo licitatório. Já detectada a empresa vencedora, foi montada uma comissão da qual participei, mas, anteriormente, não. Nada, nada, nada.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Logo depois o Consórcio Combralog entra com um pedido á LOTERJ para que fizesse a mudança da Boldt pela Picosoft. O senhor participou dessa análise?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO – Não, na diretoria de operações, pelo menos nós, que somos funcionários, sequer ficamos sabendo dessa mudança. Só ficamos sabendo pela imprensa, depois. Na época da assinatura do contrato com a Picosoft foi que tomamos conhecimento. Até, então, não sabíamos de nada.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – O senhor, fazendo parte de uma comissão que analisou a parte técnica desse contrato, especificamente da Boldt, considera que é um assunto de grande complexidade.

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Alessandro Calazans) – Quem fazia parte da comissão que foi à Argentina avaliar a Boldt?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO – Quem foi efetivamente: eu, a chefe da comissão de licitação e o funcionário Sr. José Luiz Quintães, nós três, e um representante do Consórcio Combralog.
Mais adiante, Ruivo afirmou que só soube durante a realização da CPI que Armando Dili tinha viajado para a Coréia para avaliar a empresa Picosoft. No entanto, o funcionário disse não estranhar essa informação, já que Dili era conhecido na autarquia como assessor de Waldomiro Diniz:
O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO – Pelo que eu sei, o Sr. Armando Dili fazia parte do grupo de assessores do Dr. Waldomiro. Quer dizer, ele estava, de uma certa forma, como o próprio Sr. José Luiz Quintães, representava a Loterj naquele momento, junto com os demais componentes do grupo, imagino que ele também estivesse exercendo a mesma função.

Em seguida, José Carlos Ruivo afirmou que tomou conhecimento da alteração feita no contrato 006/98, mas garantiu que não sabe de onde partiu a ordem para a mudança:


O SR. LUIZ PAULO – Então, vamos para o acompanhamento do contrato. O Contrato 006/98, Hebara. Logo que ele começa, se propôs um termo aditivo, colocando-se uma vírgula no objeto; “vírgula, via internet.” Quer dizer, aceitava jogo naquelas especificidades, via internet também. O senhor teve conhecimento disso?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO - Sim.

O SR. LUIZ PAULO – O senhor sabe quem pediu isso?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO - Não, mas o que eu me recordo é que havia intenção de lançar também a loteria instantânea pela internet. Quer dizer, essas informações eu recebo posteriormente.

O SR. LUIZ PAULO – Mas, teve ali uma mudança de objeto, concorda?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO – Sim, sim.

O SR. LUIZ PAULO - Alterou o objeto. Não era o objeto inicial.

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO - Não sabia nem mesmo que tinha sido através de termo aditivo.

O SR. LUIZ PAULO – Sim, foi o termo aditivo n°1. O contrato rola e, lá pelas tantas, esse jogo via internet a Loterj faz uma cessão do jogo via internet, no contrato n°06/98, para a WW Play, com autorização da Loterj. O senhor participou disso?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO – Não.

O SR. LUIZ PAULO – Mas isso é uma outra ilegalidade. O senhor há de convir. Porque eu fiz um rabinho, lá, no objeto; depois, eu faço a cessão do que alterei no objeto para um segundo, estou fazendo uma burla ao processo licitatório, no meu entendimento de engenheiro e de curioso de legislação. Mas, o senhor também constatou. Como apareceu essa WW Play nesse processo, misteriosamente?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO - Na verdade, eles são apresentados. Quer dizer, normalmente, nós recebemos as informações sobre: vamos lançar determinados jogos, determinados produtos ou vai haver uma modificação. E nós fazemos a nossa parte, que é o acompanhamento da execução, da operação do jogo, pelo menos parte dela. Essas questões já chegam prontas.

O SR. LUIZ PAULO – Finalmente, ao apagar das luzes desse contrato, contrato n°06/98, um contrato de cinco anos, um contrato longevo, a Loterj promulga um termo aditivo de 25% ao valor do contrato, para três meses de prorrogação, e mais algumas coisas que eu ainda não sei o quê, porque ainda não me chegaram às mãos, apesar do Sr. Presidente já ter requisitado o termo aditivo. O senhor tem conhecimento desse termo aditivo?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO - Mais uma vez, a informação que nós recebemos foi, se não me engano, que parece que ela havia superado a expectativa de venda e precisaria ser refeito, feito, esse termo aditivo, em função de ela ter atingido a cota antes do tempo. Não tenho certeza se é exatamente isso, mas é algo em torno de.
O funcionário disse ainda que a gestão Waldomiro Diniz funcionou muito distante do corpo de funcionários. O corpo funcional não tinha acesso a quase nada. Ele disse que “ficou bem claro para a gente que o objetivo era de que não houvesse tanta participação dos funcionários”. E mais: os funcionários só foram acionados até que a equipe de assessores se interasse dos que acontecia na autarquia:
O SR. PAULO RAMOS – O senhor se revoltava com o quê, com as indicações e a referência que era feita era de que as indicações eram indicações políticas?

O SR. JOSÉ CARLOS DA SILVA RUIVO – Não, exatamente. Nem mesmo em relação às indicações, mas pelo fato de nós, que somos funcionários não termos tanta participação em relação às questões referentes à Loterj, porque as administrações passam e nós ficamos ali. E numa mudança dessas de administração, chegamos a ponto de não saber sequer o que foi que aconteceu naquela administração, porque não há um elo de ligação (...) A percepção é essa, a partir do momento que ele cria esta Comissão... esse grupo de assessores, eles passam a operar.

No dia 5 de abril, a Comissão se deslocou até Goiânia, para ouvir Carlos Augusto Almeida Ramos, pivô do escândalo Loterj. Acompanhado por um grupo de advogados, Carlos Cachoeira, em nove ocasiões, deixou de responder as perguntas feitas pelos Deputados, invocando o direito de permanecer calado.



Para Carlinhos Cachoeira, a razão que o levou a fazer a gravação é simples:
O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS: - Para me defender, Presidente, foi feita a gravação. E um dos motivos que eu gravei, aliás, o motivo principal para que eu gravasse. É simples. Houve o edital, nós fomos homologados para implantar o sistema "On-Line Real Time" no Rio de Janeiro, sistema lotérico. Hoje nós temos um dos maiores "datacenter" do Brasil. Custou cerca de 20 milhões de reais, com dinheiro vindo de fora, entrou no Banco... Você via, Banco Central... Vocês vão ter oportunidade de ver isso. E veio o Senhor Waldomiro, posteriormente, querendo fazer um edital colidindo com o nosso, frontalmente. Nós somos exclusivos, gastamos 20 milhões de reais. Hoje eu vejo aí uma denúncia, que surgiu no Rio de Janeiro, do Procurador-Geral do Estado, dizendo que nós restringimos o Edital. Bom, como é que se restringe o Edital? Vocês são Deputados, talvez sejam empresários também. Vejam bem, diplomaticamente, eu recebi o Waldomiro lá e questionei a ele: "Poxa, nós estamos investindo 20 milhões num projeto no Rio de Janeiro. Agora aparece um Edital, aparece um Edital no sistema Internet, telefone. O que é Internet hoje? Internet não faz um on-line? É porque você joga na máquina, na Internet, é on-line, real time. Isso colide frontalmente com o nosso, porque nós somos exclusivos. Se não fôssemos exclusivos, estaria certo tudo, mas nós somos exclusivos, eu tenho o direito de exercer aquele sistema, nós gastamos para isso.
Segundo Cachoeira, a questão “internet - telefone” punha em risco os seus interesses. Ele afirmou que falou sobre isso com Waldomiro Diniz:
O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS: - Entende? Então, colidiu frontalmente com o edital. Eu pedi para ele. Quando eu falei para ele retirar a Internet - telefone, é porque colidia com o meu sistema. Eu posso perguntar para ele. Isso foi claro, a pergunta foi clara e objetiva para ele, qual era a intenção dele? Não, colocar. Colocar o edital para colidir com o nosso. E eu entrei no Tribunal de Contas e entrei também na Comissão de Licitação para impugnar, posteriormente. Posteriormente, eu entrei, primeiro na Comissão, e foi negado com vários erros que tinha o edital; e depois no Tribunal de Contas. Como é que eu...
Para o empresário goiano, está mais do que claro que esse sistema de jogo era exclusividade dele:
O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS: - Então, isso é mais do que claro. Se colide com o meu e eu sou exclusivo, eu tenho o direito, é meu direito questionar o Presidente, que na época era o Waldomiro, que ele não poderia fazer isso. E ele assim o fez. Quando eu vi, o Procurador-Geral do Estado foi para a televisão e mostrou o papel dizendo que eu havia tirado isso, tirado aquilo. Tirei nada. Vocês peguem o edital, vejam o objeto do edital, continua Internet. Está lá no objeto do edital. Quer dizer, eu tirei o quê? Internet confronta, e até hoje eles não colocaram o sistema Internet, a HEBARA não colocou o sistema. Assim que o colocar no Rio de Janeiro, eu vou questionar judicialmente, porque colide com o meu.
Para Carlos Ramos, a questão não deve ser envolvida em mistérios.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- É simples, se na conversa, na fita, eu não disse nada, ele não tinha colocado o edital na rua, eu questionei já com o edital na rua, na praça pública. Entendeu.

O SR. PRESIDENTE:- Certo, mas logo em seguida houve a mudança do edital. Vossa Senhoria considera que a sua argumentação realmente foi convincente? É isso?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Mas, Presidente, mesmo se minha argumentação, eu acredito que não houve. Acho que a Internet continua, não é?

O SR. PRESIDENTE:- Tirou os jogos on-line.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Não, jogos on-line não tinha. Mas, Presidente, se tinha jogos on-line já estava errado, on-line e real-time é meu, é exclusivo, ele teria que tirar. Entendeu? E eu entrando na Justiça, como entrei no Tribunal de Contas e entrei na Comissão de Licitação, procurei resguardar os meus direitos, quer dizer que não houve propina. Entende? E ele continuou com o mesmo edital. E foram negados esses dois recursos.
Em determinados momentos, quando o empresário se sentia ameaçado, recorria ao direito de não responder a pergunta feita. Essa situação se repetiu por outras oito vezes:
O SR. PRESIDENTE:- Durante a conversa gravada entre o Senhor Carlos Cachoeira e o Senhor Waldomiro Diniz, eles se referem a esse edital como negócio da HEBARA, e uma licitação que estava em curso, e me pareceu que naquele momento já se sabia quem iria ganhar aquela licitação, porque eles falam o tempo inteiro "negócio da HEBARA", "negócio da HEBARA", e aí, quando a gente solicita a informação do Senhor Carlos Cachoeira sobre o que significaria o "negócio HEBARA"? O que significaria "negócio da HEBARA"?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Eu preferiria ficar calado nessa pergunta.
Ainda sobre a fita, Cachoeira disse que o material foi editado e que Waldomiro fez outros pedidos além dos já nacionalmente conhecidos:
O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Editada. Na verdade, ele me fez “Ns” pedidos, mas nenhum foi atendido, só da boca para fora. Eu queria fazê-lo entender que estaria negociando, mas não repassei nada para o Waldomiro, tanto é que entrei, posteriormente, contra o edital que a HEBARA ganhou. Pedir ele pedia demais, mas, na verdade, quem veio primeiramente pedir por ele, foi o Armando. Aí eu disse para o Armando: não, traga o Presidente aqui que quero ouvir da boca dele, foi quando eu fiz aquilo.

O SR. PRESIDENTE:- Certo, efetivamente ele pediu dinheiro, não necessariamente Vossa Senhoria tenha dado, mas efetivamente ele fez solicitações financeiras pedindo o que e para quê?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Na época ele fez solicitação para campanha política, está na fita, não foi dado nenhum centavo a ele. O que me lembro é isso, ele pediu um percentual também.

O SR. PRESIDENTE:- Ele pediu um percentual de 1% em relação a quê?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Em relação ao sistema nosso rodando, o sistema nosso na hora que fosse rodar daria um percentual para ele de 1%, não é isso que aparece na fita, não é isso que aparece na fita?
Nesse ponto, Cachoeira explicou porque trocou a tecnologia Boldt pela Picosoft, durante a implementação do sistema:
O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Veja bem, era público e notório que a crise Argentina afetou todas as empresas. Logicamente eles tinham o know-how, a empresa Bold tinha o know-how e tudo, e como Waldomiro, logicamente a diretoria da LOTERJ não queria atrasar a implementação do sistema, já estávamos à época com a Picosoft, começo de namoro, eles viram e assentiram que a tecnologia da Coréia era superior do que a tecnologia da empresa da Argentina, eles homologaram essa troca. Mas a questão de tempo, Senhor Presidente, ele queria realmente implantar esse sistema na época dele, na gestão dele. Não houve, vocês podem ter certeza disso, eu vejo vocês sempre falarem a on-line suprimiu do edital a on-line. Eu troco a pergunta, você como empresário, se você ganhar exclusivamente um contrato no Estado, o sistema on-line real time. O que é isso? Exclusivo, é só você. Não pode ter outra empresa, e eu lutei por isso. Eu falei com ele, na fita, um dos motivos que gravei foi por isso, porque se houvesse pedido em cima daquilo.

O SR. PRESIDENTE:- ...vão, vocês dois, façam o edital e me tragam de volta". Não é coisa imoral, ilícita, em sua opinião? O que Vossa Senhoria acha?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Claro. Concordo, plenamente, com Vossa Excelência, em gênero, número e grau. Acho estranhíssimo. Talvez os pedidos dele, políticos, 1%, foram baseados em cima disso aí, baseados em cima dessa troca. Foi uma maneira dele me apertar. Quer dizer, me jogar na parede e falar assim: "ou você cede ou o edital sai". Como eu não cedi, o edital saiu.

Carlos Ramos, neste ponto, comenta a segunda gravação, realizada no Aeroporto Internacional de Brasília. Ele garante que não sabe que pedia a gravação e afirma que não entregou nada a Waldomiro Diniz, muito menos dinheiro:


O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS: - Exato. Aparece. E, maldosamente, o repórter disse que é a entrega de um dinheiro, mas ninguém me viu entregando dinheiro para ele. Quer dizer, um saco branco. Ele sai lá, daquela "La Selva" (não sei se tem La Selva no aeroporto de Brasília) e ele sai carregando jornal.
Quando não se negava a responder, Carlos Ramos usava outros subterfúgios. Ficou claro que o empresário goiano procurou fugir das perguntas mais comprometedoras, tentando confundir os deputados. Aqui, Cachoeira se esquiva para comentar suas relações com pessoas ligadas a Máfia Italiana:
O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - Eu li também uma matéria jornalística, que o Senhor José Renato Granado teria relações com o Senhor Ortiz. O senhor conhece esse Senhor Ortiz?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- O Ortiz, de nome, sim.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - Pessoalmente.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Tive uma vez com ele.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - Aqui, em Goiás.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Mas qual Ortiz, porque parece que tem uma porção de Ortiz também, não é? A família.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - Mas quem é que o senhor conhece?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- O filho, o Alejandro.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - É porque o pai também é. É com o filho que o senhor esteve?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Que se trata como filho.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - Mas o senhor teve em data anterior.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Bem antes aqui, quando ele...

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - Mas em relação a 2001 e 2002.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Não, não. Sobre esse problema aí não teve...

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - O senhor teve uma empresa aqui chamada Gerplan.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Tenho a empresa.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - Tem ainda. Que diz o Senhor Messias que ele aportou capital nessa empresa para ser sócio. E a sociedade não veio. Ele aportou capital, ou aportou serviço?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Ele, na época, aportou serviços aqui. Mas não quero falar sobre essa pessoa. Acho que vou tratar dela na Justiça.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - Perfeitamente. O Alejando Filho está aqui.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Não, não é esse não.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - Então, não é o filho.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- É outro.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - É uma porção de Alejando. Essa relação da GERPLAN com a Combralog, existe na medida em que os proprietários são os mesmos.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- Exato, na minha pessoa. É a única relação. É bom frisar que todas as licitações que ganhei, Senhor Relator, foram dentro dos padrões normais, não teve nada. Esse aqui é o Alejandro Filho.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - É esse que o senhor conhece?

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS:- É esse.

O SR. LUIS PAULO CORRÊA: - É o Alejandro da página 33, da revista "Época". Só rememorando, estamos lá no Rio de Janeiro.

O SR. CARLOS AUGUSTO ALMEIDA RAMOS: - Eu estive uma vez com ele em São Paulo, mas acredito que foi sem essas datas aí. Não foi nessas datas.
Nesta altura do depoimento, Carlos Ramos disse que queria investir no Rio, por considerar o Estado uma vitrine para os seus negócios:

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