Fantasmas que assustam a gente



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FANTASMAS QUE ASSUSTAM A GENTE




  1. Tem que”

Há um fantasma que se chama “tem que”. Esse fantasma aparece, em geral, diante da situação em que o sujeito se imagina que ele “tem que”, “deve”, “precisa” fazer as coisas sempre certinhas, nunca pode errar ou não saber tudo.

Este é um fantasma que incomoda muita gente.

Ele perturba, consome energia, cria estresse, inquieta, atormenta, faz sentir-se culpado, maltrata, pune...

Sua filosofia é: sou responsável por tudo o que aparece na minha mente, tenho que dar conta de todas as tarefas.

Martirizado por essa preocupação, o sujeito não se sente livre para dizer “não" quando deve ou não dar sua opinião sincera mesmo que não agrade a todos. Normalmente, esse fantasma aprisiona o sujeito, que se torna um escravo do dever, sem dar-se conta muitas vezes que atrás desse esforço gigantesco que faz está o medo de não ser aceito ou aprovado. Sua estima pessoal se apóia sobre a idéia que tem que fazer por merecer, caso contrário não se sentirá bem.





  1. O que vão pensar”

Um outro fantasma é “o que vão pensar”.

Esse fantasma mora no sujeito que se sente apavorado diante da possibilidade de alguém não aprovar alguma atitude ou comportamento seu.

Sua lei suprema é: EU PRECISO SER APROVADO EM TUDO O QUE FAÇO, PORQUE SENÃO O QUE VÃO PENSAR DE MIM.

Como a experiência cotidiana mostra que não é possível obter esse reconhecimento de todos, ou porque realmente o que faz deixa a desejar, ou porque o que se fez não era tão importante assim, daí brota a sensação de não ter correspondido às expectativas dos outros. No entanto, dentro dele, há a exigência de que, para se aceitar como é, o que os outros pensam dele é determinante.

Por isso deve receber a aprovação de tudo o que faz para sentir-se bem, com algum valor. Se isso não acontece, logo se sente em débito com os outros, não merecedor de gozar da estima deles, inferiorizado por não ter sabido manter a imagem que imaginava que deveria ser preservada diante deles.

O fantasma dentro dele começa a molestá-lo, provocando revolta, porque fez por merecer e não foi reconhecido. Sentindo-se injustiçado, dá-se o direito de sentir-se vítima. Pôr isso, sua falta de colaboração nos projetos dos outros se justifica, afinal, ninguém sofre como ele!

Tinha razão em criticar essa falta de atenção e frieza para consigo. E lá vai outra vez o fantasma consumir suas energias e disposições, tornando-o prisioneiro do fantasma: “o que vão pensar”.




  1. Ninguém tem nada a ver com isso”

Esse fantasma nasce da prepotência, ou melhor, do sentimento de inferioridade que encontra ameaça em tudo o que possa contrariar a vontade ou os desejos do sujeito.

Ele assusta porque aparece sempre em situações em que o sujeito se encontra inseguro. A insegurança desestabiliza e amedronta, e então o sujeito assume a convicção de que ele é capaz de tudo, onipotente, e ninguém pode estabelecer limite para ele porque afinal ninguém tem nada a ver com isso. “Eu sou dono de meu nariz”.

Dá-se então, o direito de não precisar prestar contas a ninguém, pois só assim imagina que é alguém, caso contrário tem a sensação de não ser original.

Em geral, quando esse fantasma ataca, o sujeito se defende gritando alto porque ele assusta muito.

Gritando, pensa em fazer medo aos outros, com isso, pode isentar-se das responsabilidades diante deles. Afinal: ninguém tem nada a ver com isso. O mundo é só meu e ninguém deve se meter.

Esse fantasma assusta porque deixa a pessoa sem a colaboração dos outros e o sujeito tem medo de perder a estima dos demais para sempre.

Daí, pobre dele, precisa gritar bem alto por socorro, porque se encontra em desespero: “ninguém tem nada a ver com isso!".





  1. Vitimista” mascarado pelo “sempre eu”

Esse fantasma ocorre com freqüência no sujeito que tem baixa auto-estima. Está em estado de alerta, muito sensível a qualquer desatenção para consigo.

Qualquer exigência que lhe seja feita ele a interpreta como uma espécie de perseguição ou punição.

Em seu autoconceito, só cabem exigências que lhe gratifiquem ou venham ao encontro de seus desejos. Exigências fora de seus planos desencadeiam dentro dele a sensação de estar sendo explorado. Isso é inaceitável.

Se quem lhe pede tem mais poder que ele se sente obrigado a seguir a exigência apresentada, então, para enfrentar o fantasma do próprio vitimismo, tenta espantá-lo com o grito de protesto: “sempre eu!".

Freqüentemente, assume a postura de injustiçado e então se cala, resmunga pelos cantos, lamentando sua fama de mal-interpretado. O vitimismo consome-lhe energia. Enfraquecido em suas possibilidades, desanima e fica olhando a “banda passar" sem cantar e sem dançar. Enquanto todos se divertem, ele curte a própria dor de sentir-se vítima!




  1. Ninguém me entende”

Esse é primo-irmão clonado do vitimismo.

Ele aparece quando os desejos do sujeito são contrariados. Quando se sente frustrado em suas relações com os outros porque não recebeu nenhum destaque. Afinal, ele está com tantos problemas e ninguém quer ouvi-lo na hora em que ele deseja desabafar. Além de tudo, ainda é criticado por Ter falado alto e dito um palavrão.

o fantasma aparece e, para fugir dele, o sujeito tenta justificar sua atitude dizendo para si mesmo: “Ta certo que bati a porta ao sair, mas também ninguém ia perceber minha revolta se não fizesse assim! Ta certo que fui um pouco estúpido e grosseiro, mas também ninguém me entende!

Conclusão: vejam só se não tenho razão: “ninguém me entende”

E assim se vai perpetuando um círculo vicioso que o torna prisioneiro de suas próprias armadilhas. O sujeito atacado por esse fantasma tende a sentir-se rejeitado, pois algumas discordâncias em relação às idéias ou propostas são lidas à luz de seu fantasma!





  1. O voluntarismo”

Esse fantasma é menos perigoso para os outros, mas causa estragos grandes ao próprio sujeito. Ele é sobrinho do “tem que”.

Apresenta-se com cara de “menino bonzinho” ou “menina boazinha”. É trabalhador, não tem limite para suas atividades, aceita todos os compromissos que lhe pedem. Não é capaz de dizer não. Sente-se na obrigação ou devendo favores a todo mundo. Por isso, se não fizer o que lhe pedem, vai ficar sem jeito, pois como merecer o bom nome, ganhar um elogio, se não corresponder às expectativas dos outros?

Pobre dele! É preciso Ter força de vontade acima do normal.

Precisa treinar-se, impondo-se sacrifícios maiores do que os demais, caso contrário, como conviver com a sensação de não estar correspondendo?

Sofrer calado, nunca mostrar tristeza, estar sempre pronto para mais “horas extras”. Seu lema tem que ser: “jamais mostra fraqueza, agüentar tudo calado!”.

Tudo o que ameaçar a imagem do bom menino deve ser afastado e correspondido com uma boa ação passível de ser elogiada.

O sujeito atacado por esse fantasma sofre por antecipação só em pensar na possibilidade de vir a fracassar.

Isso tem que ser afastado custe o que custar. Esse sujeito candidata-se ao martírio pela causa do bom menino.



  1. Não tenho culpa”.

Algo saiu errado e o sujeito estava presente! Ficou claro que agiu de maneira infantil.

O clima ficou pesado porque não se tinha a solução ideal para o problema. Algo que aconteceu criou uma situação embaraçosa. Alguém entendeu mal e ocasionou o surgimento de um conflito entre duas pessoas presentes.

Alguém ouviu mal e interpretou errado. Perguntou-se: “o boi é seu?”, e ele entendeu: “Foi você?".

Eis aí algumas situações onde o fantasma do “não tenho culpa” pode surgir e começar a causar estragos ao ambiente.

O medo da culpa antecipa respostas precipitadas e interpretações errôneas. O medo de sentir-se culpado leva a procurar bodes expiatórios, descobrindo as fraquezas dos outros para livrar-se da sensação da própria culpa. Freqüentemente, não é necessário que alguém insinue que é culpado, basta que algo não saia bem para justificar que deve haver algum culpado!

A reação imediata é olhar para si e dizer: é, aconteceu, mas não tenho culpa.

Esse fantasma costuma levar o indivíduo a crescer com um autoconceito pobre de si e revestir-se de negativismo e pessimismo.

Qualquer erro por ele ocasionado é visto como motivo para se culpar e se autotorturar por meio de escrúpulos ou rejeitar-se. Por isso, para sentir-se livre desse fantasma, tenta convencer-se e convencer os outros que “não tenho culpa”. Assim pode acalmar-se até que uma próxima situação parecida venha a ocorrer para que tudo recomece de novo!

8. “Não sou capaz”
Esse fantasma é sócio milionário do “tem que”. Ele surge também nas situações em que o indivíduo sente-se inferiorizado.

Só que a sua reação é diferente do “tem que”. Seu drama é a sensação de não ser capaz. Diante de um convite para fazer algo, sua primeira reação defensiva é desculpar-se com: ah! Eu não sei, não sou capaz.

Se alguém insiste em confiar-lhe uma responsabilidade, surge-lhe imediatamente a dúvida: “será que”.

Vendo-se desafiado, busca proteção em: Bem, se não sai direito, vão desculpar-me. Tomadas essas garantias, encoraja-se e vai a tarefa. Ao iniciá-la, começa com o seguinte discurso: Bem, quero pedir desculpas se alguma coisa não sair bem; é porque nunca fiz isso e sei que não sou capaz..., mas, como me pediram..., então vocês me desculpem se eu errar, ta? Diante disso, por um pouco, o fantasma se acomoda. De vez em quando lhe dá um pequeno susto, causando-lhe um branco na memória ou um suor frio nas mãos. Ele então se apressa para terminar logo a tarefa, porque só assim vai livrar-se dessa sensação de que “não sou capaz!”.

Esse fantasma tem um parentesco muito próximo também com o vitimista, pois muitas vezes este lhe serve de refúgio.

Como se pode já perceber, muitos desses fantasmas pertencem à mesma família, apenas seus nomes e máscaras são diferentes.





  1. Onipotência”

Esse fantasma é mascarado. Apresenta-se com ar de superioridade em relação aos demais.

Não há tarefas impossíveis. Para ele, tudo é fácil e já fez. Sua experiência é sempre mais importante do que as dos outros.

Ele sempre tem uma opinião sobre qualquer assunto. Ninguém pode lhe fazer sombra, porque sua reação é imediata e arrasadora.

Ele não tem concorrente. Se alguém pegou um peixe grande, ele pescou um maior.

Sua filosofia de vida é: “Sou inteligente acima da média, ninguém tem argumento como eu, logo ninguém queira discutir comigo. Afinal, nasci para ser filósofo, que ninguém se atreva a contra-argumentar". O fantasma do narcisismo que se esconde atrás da onipotência dá refúgio que não pode conviver consigo mesmo e no mesmo nível dos demais. Precisa pôr-se em um pedestal para fugir da própria pequenez e inferioridade. Sua fantasia de grandiosidade causa-lhe a sensação de estar a salvo dos conflitos e fracassos. A realidade conta pouco, o que o mantém são suas fantasias.

Esse fantasma é altamente maléfico ao sujeito que está possuído por ele, porque o engana dizendo-lhe que não há fantasma para ele e vive em um “faz de conta”. Só o tempo vai desmascará-lo e trazer-lhe terríveis frustrações. Embora muitas vezes possa morrer sentado no trono que imaginou sempre ter, mas que era apenas de fantasia.



  1. Todos estão contra mim”

Este fantasma é muito disfarçado. Tem o dom de esconder-se.

É bom artista, Sabe representar. Sabe muito bem onde está o ponto fraco dos outros. Ele é apenas comandante que dá ordens à tropa. Pouco se envolve.

É bom de papo, argumenta bem, é inteligente. De vez em quando se trai porque não leva desaforo para casa.

Contudo, seus ataques são bem planejados, nunca mostra as armas do crime.

Esconde-se em raciocínios lógicos. Não revela seus sentimentos. É duro na queda, mantém um autocontrole bastante rígido.

Não se trai com risadas descontraídas. Observa bem onde pode estar o perigo.

Por isso não se arrisca se não está seguro do sucesso. Atrás dessa aparência firme e forte, esconde-se o fantasma do medo de que “todos estão contra mim” ou estão querendo me enganar. Antes que isso aconteça, tende a antecipar-se para não se sentir pego de surpresa, por isso sua estratégia é: deixe-me almoçar o inimigo antes que ele me jante. Esse fantasma não só perturba o seu possuidor, mas cria dificuldades no relacionamento com os outros, pois está sempre desconfiado das segundas intenções que os outros possam ter!





  1. Brincalhão”

Esse fantasma é divertido. Ele é alegre, entusiasta, contagia os outros com suas apresentações, gosta muito de novidades, é o que sempre sabe primeiro das coisas, é bom noticiarista.

Informa todo mundo dos últimos acontecimentos, principalmente daqueles cheios de emoções. Gosta muito de teatro e apresentações de um modo geral.

Fica muito feliz diante de elogios. Não se contém em seus amores, suas lágrimas fáceis são sinal de sua alegria incontida ou de sua dor emocional.

É porta-bandeira do grupo, vive em busca de novas emoções. Esse fantasma em geral é muito premiado, porque faz os outros rirem e se descontraírem.

O medo que ele causa ao sujeito que o carrega é o de envolver-se, comprometer-se com outro.

Sofre muito com o ciúme que o acompanha, procura ser artista e sempre estar nas paradas de sucesso.

Tem muito medo de não ser amado o suficiente. A qualquer sinal de desprezo, o fantasma “brincalhão” se transforma no “bebê chorão”.





  1. Masoquista”

Este fantasma é pesado, carrancudo. Ele põe o mundo nas costas de seu protagonista. Anda triste, acabrunhado. É a figura do sofredor.

É lerdo nos seus movimentos e encontra prazer em sofrer. Está certo de que a vida lhe foi ingrata, dando-lhe tão pouco, por isso seu destino é sofrer. Já que é assim então não precisa colaborar com os demais, passa a impressão de que não precisa do amor e do afeto dos outros.

Dá-se o direito de dispensar-se das tarefas comuns. Sua filosofia de vida é: Já que sofro tanto, não faz mal que não gostem de mim.

Este fantasma é torturador de seu dono. Não lhe poupa sofrimento.

Quando não há razão para impor-se um sofrimento, inventa algum, pois não sabe viver sem eles. Mesmo nas coisas alegres, descobre o lado ruim que lhe dá motivo para queixa.



13. “Pessimista”
Esse tem parentesco próximo com o masoquista. Para ele, o dia sempre amanhece com nuvens de chuva que vai estragar seu dia de atividades.

Se alguém conta algum sucesso que obteve, ele encontra motivo para ver-se inferiorizado. Seu refrão diário é: estar se sentindo mal, porque não dormiu bem.

Se o dia estiver ensolarado, queixa-se do calor que vai fazer. Se é feriado, isto vai atrasar-lhe os compromissos de serviço que tem.

Não usa o sapato novo porque tem medo de apertar seu calo.

Se o convidam para um passeio, recusa-se a ir, porque teme estragar o prazer dos outros, por isso prefere ficar em casa.

Esse fantasma atormenta a vida de seu portador, pois está sempre insatisfeito com o mundo que o cerca. A tendência ao desânimo é companheira das horas livres.

Usa sempre óculos escuros para assim ver o mundo sem muita claridade.



  1. Dependente”

Este fantasma se caracteriza por sentir-se só e fraco. Alguém precisa tomar conta dele. Longe dele qualquer iniciativa! Contenta-se com muito pouco. Sua filosofia: Progredir para quê? O mundo vai acabar mesmo, para que ter pressa? Não precisa fazer muito esforço para conseguir as coisas, pois Deus vai providenciar!

Está contente e acomodado no emprego, pois não tem pretensões de progredir na vida. Ta boa como ta, e não se importa em ser o último da fila. Para que correr?! Tomar decisão? Ah! Não, o que você fizer ta bem feito. Esse fantasma faz qualquer coisa desde que lhe garantam que vão tomar conta dele.

Precisa sempre de alguém que lhe faça o papel de mãe ou pai, senão não sabe virar-se!

Não faz questão de sentir-se responsável, conformar-se com o segundo lugar. Pra que jogar se o último lugar já está garantido?!



  1. Emburrado”

Este fantasma se caracteriza pelo fechamento e isolamento do convívio com os outros.

É muito sensível a qualquer observação que lhe façam. Basta uma palavra que o desagrade para ele assustar seu portador e encurralá-lo em um canto. Lá no canto ele insufla no ouvido do sujeito que lê deve ficar resmungando, fazer cara de maltratado e que deve ficar ali isolado por um bom tempo até que alguém o perceba, vá lá e o console um pouco.

O fantasma diz ao sujeito que ele não deve se exaltar, mas dominar os outros pela incomunicação.

Quanto mais calado ele ficar, mais os outros vão dar-se conta de que algo de ruim está acontecendo com ele.

E então, no meio de tanta gente, é impossível que alguém não se comova com seu sofrimento.

Esse fantasma ataca sujeitos que andam meio mal no autoconceito e são muito carentes de afeto. A filosofia deste fantasma é: Quanto mais tempo agüentar fazendo cara de magoado, tanto mais condolências vou suscitar nos outros.



  1. Eu não disse”

Esse fantasma é um futurista. É o tipo do fantasma que prevê o que vai acontecer de errado para seu portador. Diante de situações que causam insegurança, tensões, ele sempre propõe como solução: não se arriscar! Diante de insistência e vendo-o acuado, então vai à luta.



Caso o que se propôs a fazer não corresponda às expectativas, ele recorda sua previsão: viu só, eu não te disse?

O sujeito atacado por esse fantasma está sempre diante de dilemas. Seu medo de fracasso o faz estar sempre na dúvida de que não vai dar certo. Por isso, quando as coisas acontecem erradas, ele confirma suas previsões: eu não disse?”.



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