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FACULDADES INTEGRADAS CASTELO BRANCO

CURSO DE HISTÓRIA

KEILA SILVA TAMANINI

Resenha filme – Em nome de Deus

Colatina,

2013

KEILA SILVA TAMANINI

Curso de História

Resenha filme – Em nome de Deus


Trabalho apresentado ao Curso de História da Faculdade Castelo Branco pelos alunos do 2º período.

Professor orientador: Rogério Costa Reis




Colatina,

2013


Ficha Técnica:

Título no Brasil: Em nome de Deus


Título Original: Stealing Heaven
País de Origem: Inglaterra / Iugoslávia
Gênero: Romance
 
Tempo de Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento: 1988
Direção: Clive Donner
Produção: Andros Epaminondas, Simon MacCorkindale
Roteiro: Chris Bryant
Fotografia: Mikael Salomon
Trilha Sonora: Nick Bicat
Edição: Michael Ellis
Design de Produção: Voytek Roman
Figurino: Phyllis Dalton
Efeitos Especiais: Willy Neuner
Locação: França



Resenha do filme – “Em nome de Deus”.

A virgindade, celibato e a castidade eram normas rigorosas que deveriam ser vividas por todos os cristãos católico do século XII, mas quando essas normas eram quebradas as pessoas sofriam penalidades drásticas como foi o caso de dois lindos jovens que se apaixonaram e acabaram pagando alto por esta paixão.

Baseado em uma história real, o filme Em nome de Deus apresenta uma linda e trágica história de amor entre Heloísa, linda e inteligente mulher, e Abelardo, professor e filósofo. O filme faz uma abordagem sobre conceitos filosóficos e sociais, principalmente ligados à igreja. Retrata a história real sobre o amor proibido entre o Professor de Filosofia Pedro Abelardo, um intelectual bastante conceituado nas Universidades da França, com a jovem Heloisa, uma moça além de ser muito bonita, era também extremamente inteligente, era leitora assídua das obras de autores importantes e era uma poliglota em latim e grego, além desses atributos todos que fez com que Abelardo se apaixonasse por ela, mas havia algo que tornava um empecilho para o romance, e que Heloisa era sobrinha de um importante cônego da França, e esse cônego era um dos reitores da Universidade em que Abelardo ensinava.

A história real do amor proibido, um tanto que uma versão “Romeu e Julieta”, do século 12, retrata bem como a Igreja tinha muito controle sobre o ensino, principalmente porque a Universidade em Abelardo ensinava era ligado a Igreja e por conta disso era extremamente rígido, até mesmo os professores tinham de fazer seu voto de castidade.

Analisando em partes vê-se que em cada momento, o filme mostra o que muitas correntes acadêmicas definem como foi o século 12m período no qual o filme retrata, principalmente a partir dos diálogos, como exemplo, na cena inicial do filme em que Heloisa aparece dentro de um convento, Heloisa então uma mulher muito além do seu tempo, por ser muito culta e leitora assídua inclusive interesse por diversos conhecimentos científicos, coisa que era impossível imaginar para uma mulher naquela época se interessar por Geometria, Matemática, Filosofia, Física, entre outras, contesta a Madre do convento sobre o fato de todo o conhecimento vim de Deus, e a Madre responde que só o conhecimento verdadeiro e o que não vem de Deus é um conhecimento falso a Madre com muita autoridade comenta que esse conhecimento falso vinha do Diabo, esse comentário feito pela Madre a Heloisa faz bem uma alusão ao fato que de tão que os conhecimentos que a população européia da Idade Média tinha só das palavras da Bíblia, porque como a Igreja tinha um forte domínio político em todo continente europeu, então se fosse contestado as palavras divinas seria acusado de blasfêmia, isso era de fato uma alusão a vida rotineira que a Europa cristã do século 12, na visão, na mentalidade daquela época, apenas as palavras da Bíblia, era verídicas, e outras palavras que não da Bíblias, como a dos intelectuais , eram falsas eles estavam movidos pelo demônio. Esse tipo de atitude que Heloisa teve era uma mostra do quanto ela era uma mulher muito avançada para sua época, e ainda inteligente e muito contestadora, foi também nesse convento que Heloisa ainda não satisfeita faz outro desafio para a Madre, perguntando para ela se era verdade que Deus criou o homem a sua imagem e a Madre responde que esse tipo de afirmação estava nas escrituras sagradas e ainda não contente Heloisa pergunta se os homens tem órgãos reprodutores e comenta que suponha que Deus também tenha, ao fazer este tipo de comentário Heloisa acaba sendo punida, acusada de blasfêmia, o que fica claro que de tão rigoroso que se levava as palavras de Deus, que qualquer comentário que se fazia com o intuito de contestar, como o que Heloisa fez sobre os órgãos reprodutores, que aludia a prática sexual que era algo extremamente proibido e reprimido naquela época, porque na visão da Igreja em pleno século 12, aquilo era a própria prática do pecado da luxuria.

Depois disso Heloisa recebe a visita dentro do mosteiro de um bispo que se encarregou de levava-la de volta para o tio dela, um importante cônego da França, e sem ela saber o Tio dela está planejando arrumar um casamento para ela. Durante a estrada, andando pela charrete, tendo uma conversa um tanto filosófica com o Bispo que lhe acompanha na viagem, onde lhe pergunta sobre os porcos, ela explica o seguinte “Nosso Senhor baniu o espírito do mal para dentro dos porcos que se mataram”, e o Bispo então pergunta para Heloisa “O que os porcos faziam lá” e Heloisa então responde que eram impuros para os judeus e ainda pergunta para o Bispo a quem pertenciam e ele simplesmente não soube responder, isso mostra os judeus eram mal vistos na sociedade cristã dessa época, era o que segundo algumas correntes historiográficas definem sobre os judeus como os lixos da sociedade. Ao chegarem à Catedral, onde funcionava uma das mais conceituadas universidades da França, onde o inclusive o tio de Heloisa era um dos cônegos dessa Universidade, aparecem os alunos baderneiros que eram todos discípulos de Pedro Abelardo, que foi um importante filosofo e teólogo, um homem que em todo momento que dava suas aulas, colocava todos os seus revolucionários alunos a terem um senso critico, e um dos maiores alvos de contestação que Abelardo sempre influenciava seus alunos a terem um grande sendo critico era quanto às escrituras da Bíblia, retrata esse tipo de posição contestadora dele ao discutir com seus alunos, tanto que em uma passagem do filme, mostra a discussão de dois monges comentando sentirem um grande temor de que Abelardo pudesse corromper a juventude, mas o outro o acalma dizendo que ele não passava de um demagogo, mas que mesmo assim era um dos mais conceituados e queridos professores que a Universidade já teve. O filme mostra como foi o primeiro encontro de Abelardo e Heloisa ter ocorrido numa situação muito curiosa, foi quando Heloisa o viu na janela do seu quarto um garoto ser atropelado por um homem montado num cavalo, e esse homem deixa cair umas moedas no menino, e Heloisa foi correndo saindo de sua casa para socorrer o menino e de repente vê Pedro Abelardo pegando as moedas que o homem do cavalo deixou cair, por ter jogado no menino, e Heloisa fica indignada com essa atitude de Abelardo, mas mal sabiam eles que seriam o inicio do romance proibido entre os dois, que ao ser descoberto pelo tio de Heloisa, este irá fazer de tudo para atrapalhar o romance entre os dois, inclusive tentar perseguir Abelardo, cassando o seu direito de lecionar na Universidade, e é neste momento que Heloisa acaba engravidando, e o tio dela ao saber disso resolve castrar Abelardo e com isso torna-se inevitável para que Abelardo vendo que seria impossível continuar a viver sua historia de amor com Heloisa, resolve fazer voto de castidade, se tornando monge, incentivando o mesmo para Heloisa, que vira freira, é nesse momento que também nasce os filho dos dois, que Heloisa batiza de Astrolábio, por ser uma referencia a um objeto usado para medir a distancia das estrelas. E quando os dois resolvem fazer os votos de castidade, Abelardo manda para que Heloisa deixe a criança aos cuidados da irmã de Abelardo, que passa então a assumir o papel de mãe da criança
O voto já era algo ao qual Abelardo já havia quando entrou na Universidade para lecionar, isso porque naquele período em que o filme se ambienta, mostrando que todas as Universidades eram controladas pelas Igrejas, que por conta era obrigatório até aos professores fazerem voto de castidade assim como as classes hierárquicas clericais, que era uma forma dele viverem exclusivamente para Deus, inclusive há até uma cena em que os alunos de Abelardo resolvem desafiá-lo colocando em seu quarto uma bela jovem cortesã, que tira a roupa na frente dele, tentando testar para ver até que ponto Abelardo resistiria a tentação carnal.

Mas é na cena final do filme que mostra muito emocionante, depois de muito sem terem contato Abelardo já idoso aparece para o convento onde Heloisa faz parte da Irmandade, e faz uma visita surpresa para ela, e para surpresa ainda maior dela, aparece trazendo o seu filho Astrolábio, já bem crescido, um homem feito, e ao vê-lo Heloisa se emociona e o abraça, porque não o via desde que ele era um bebê, já que ela o havia deixado aos cuidados da irmã de Abelardo que ela adotou o voto de castidade, e nesse momento final do filme também que ocorre um dialogo entre os dois, fazendo juras de amor e ao subir os créditos aparecem uns letreiros que informam o seguinte, Abelardo e Heloisa forma enterrados juntos, Cemitério de Pere Lachais, em Paris, que curiosamente até hoje muitos casais que passam por lá nesse cemitério, costumam deixar flores em seus túmulos.
Uma cena muito bonita é quando Heloísa vê Astrolábio já grande corre ao seu encontro, o diretor não nos deixa claro se ele sabia ou não que ela era sua mãe e mais impressionante é quando vão colocar o corpo de Heloisa no túmulo não se sabe se é verdade, mas dizem que Abelardo estava de braços aberto como se tivesse esperando por Heloisa.
É um filme realmente bonito e emocionante, e que nos conduz a reflexão sobre este sentimento tão nobre que é o amor até que ponto uma pessoa é capaz de se sacrificar pela outra. Um filme tão antigo, mas desperta a emoção.



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