Faculdades ideau análise de endoparasitos em bovinos



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3 RESULTADOS E ANÁLISE

Dentre as 30 vacas leiteiras analisadas pelo grupo apenas 5 apresentaram endoparasitas, sendo que a coleta foi feita no outono. As vacas já tinham sido ordenhadas, e as mesmas haviam se alimentado antes da coleta. Foram comparados artigos de outros autores, assim conseguiu-se verificar os helmintos encontrados, conforme seu ciclo de vida, morfologia de cada ovo e oocistos, o mecanismo de agressão do parasito e a forma como o hospedeiro reage, doenças que eles causam aos animais e local onde os endoparasitas se alojam.

Na prorpiedade 1, encontrou-se um oocisto de helminto em uma das dez vacas analisadas, que possui características semelhantes de Neospora caninum não esporulada, mesmo a propriedade tendo controle preventivo rigoroso manifestou o aparecimento de oocistos, como demonstrado na figura 2.



A)B)

Figura 2: A - Oocisto com características semelhantes à Neospora caninum. Fonte: Bertoglio, 2016. B – Comparação de Neospora caninum em cão. Fonte: Uzêda, 2007.



Na propriedade 2 das dez vacas que foram analisadas, nenhum ovo foi encontrado, mas encontrou-se em uma delas um oocisto de helminto, apesar de os proprietários terem controle rigoroso com preventivos ministrados aos animais, como demonstrado na figura 3.

Figura 3: Oocisto de helminto. Fonte: Martinelli, 2016.



Na propiedade 3, foram encontrados vários ovos de helmintos em quatro de dez vacas analisadas, pois a propriedade não tem controle preventivo rigoroso, como demonstrado nas figuras 4, 5 e 6.

A)B)

C)

Figura 4: A e B – Ovo semelhante ao Trichostrongylidae sp. Fonte: Martinelli, 2016. C – Comparação de ovo de Trichostrongylidae sp.



A)B)

Figura 5: A – Ovo com característica de Fasciola sp. Fonte: Pavlak, 2016. B – Comparação de ovo de Facíola hepática.



A)B)

Figura 6: A – Ovo com características de Capillaria sp. Fonte: Martinelli, 2016. B – Comparação de ovo de Capillaria sp.



O Trichostrongyloidea são especialmente comum e patogênico nos ruminantes a pasto, os principais locais que os mesmos parasitam são abomaso e intestino delgado. Apenas podem ser identificados microscopicamente por serem pequenos com menos de 7 mm de comprimento. As larvas do terceiro estágio são mais resistentes ao frio e os ruminantes ficam expostos quando vão ao pasto. Com o aumento da temperatura as larvas morrem. Dessa forma, no verão, a geração sobrevivente ao inverno praticamente já se extinguiram, no entanto, as produções de ovos pelas novas infecções contaminam o pasto rapidamente. Embora as infecções por Trichostrongylus sejam quase sempre assintomáticos quando em grande número esses parasitas podem produzir diarreia prolongada que por consequência debilitam o animal isso ocorre em ruminantes estressados e mal nutridos. As fezes ao longo do tempo tornam-se aquosa e de coloração mais escura. O mau odor atrai moscas varejeiras, e resulta em miíases, a nutrição de sangue da mucosa digestiva (BOWMAN, 2006).

A neosporose é uma importante causa de aborto bovino. O parasita Neospora caninum é responsável por causar doença em cães e abortos em bovinos e é um protozoário intracelular, ocorre elevadas perdas económicas relacionadas, principalmente, com a falha reprodutiva. O N. caninum necessita de dois hospedeiros para completar o seu ciclo como hospedeiros definitivos, cães e coiotes, como hospedeiros intermediários, cães, bovinos, pequenos ruminantes, cavalos, veados e búfalos. Os oocistos, são excretados nas fezes dos cães. O hospedeiro intermediário, a vaca, ingere os oocistos, presentes no alimento ou água contaminados com fezes do hospedeiro definitivo, o parasita é libertado no intestino delgado, parasitanto o epitélio intestinal, onde se transforma numa forma designada por taquizoíto. Através do sistema circulatório do hospedeiro, os taquizoítos disseminam-se pelo organismo. A infecção pode provocar reabsorção do concepto, mumificação, nascimento de nados-mortos, de vitelos vivos doentes ou, mais frequentemente, o nascimento de vitelos cronicamente infectados mas clinicamente normais (FORTUNATO, 2010).

A Fasciola hepática é conhecida como baratinha do fígado é um parasito dos canais e vesículas biliares de animais domésticos, silvestres e pode parasitar o humano, causando a fasciolose. O mesmo, na sua fase jovem, mede de 1 a 2 mm de comprimento e o formato de lanceta. O parasito adulto é hermafrodito, tem formato de folha, mede cerca de três centímetros de comprimento por 1,5cm de largura e tem cor castanho-acinzentada. O tegumento apresenta-se coberto por espinhos recorrentes disseminados na porção anterior do helminto (SILVA, 2008).

Na extremidade anterior possui uma ventosa oral da qual segue uma faringe curta e dela partem ramos cecais de cada lado até a extremidade posterior. Logo abaixo da ventosa oral está localizada a ventosa ventral ou acetábulo. Junto a esta, nota-se a abertura do poro genital. O ovo é operculado, amarelo e grande, tem cerca do dobro do tamanho de um ovo de triscostrongilídeo. Valendo ressaltar que, em áreas úmidas e em temperatura ambiente acima de 10°C os ovos eliminados nas fezes do hospedeiro, só irão completar o ciclo entrando em contato com a água, assim iniciando sua fase embrionária, originando após um período de 12 a 14 dias a larva miracídio. Os miracídios são liberados dos ovos por estímulos térmicos e luminosos, necessário para a secreção de enzimas que digerem a substância que circunda o opérculo do ovo (MENDES, 2006).

No ambiente aquático, nada ativamente procurando o hospedeiro intermediário, molusco do gênero Lymnaea, onde irá se transformar em esporocisto, depois em rédea até a fase de cercaria. A cercaria abandona o caramujo e procura o vegetal nas margens da lagoa onde se adere e se transforma em metacercária. Os hospedeiros definitivos infectam-se quando se alimentam dessa vegetação com metacercárias. Ao chegar ao intestino delgado do hospedeiro definitivo, a metacercária se liberta do cisto e atravessa a parede intestinal, cai na circulação indo se alojar no fígado e ductos biliares (SILVA, 2008).

A fasciolose hepática esta relacionada à mortalidade de animais, redução na produção de leite, de carne, condenação de fígados e elevação do custo terapêutico no tratamento de infecções bacterianas secundárias, podendo diminuir o ganho de peso dos animais em até 25%. É relacionadas às características fisiográficas de cada região, e suas variações ocorre de acordo com as condições climáticas, incidência de áreas alagadas, presença de hospedeiros vertebrados, fatores relacionados com o manejo dos rebanhos e principalmente com a biologia dos seus hospedeiros intermediários. Tradicionalmente, a fasciolose tem sido diagnosticada nas espécies bovina, caprina, ovina e equina nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, está intimamente ligada à presença de moluscos do gênero Lymnaea que é o hospedeiro intermediário da Fasciola hepática. Os parasitas nutrem-se do conteúdo biliar, produtos inflamatórios e necróticos dos animais, e sua longevidade pode chegar até 8 - 10 anos e, por ser assintomático na maioria dos casos, costuma ser descoberto somente no momento do abate no frigorífico quando o fígado é descartado, se encistam no intestino delgado, migram através da parede intestinal, caem na cavidade abdominal e penetram no parênquima hepático, atingindo os canais biliares onde se fixam e se tornam adultos. Os ovos não embrionados são liberados pelas Fascíolas adultas e eliminados juntamente com as fezes (ARALDI, 2011).

Os ovos de Capillaria sp. saem nas fezes e no meio ambiente passam a ovos larvados, o ovo é ingerido diretamente pelo hospedeiro definitivo e a larva é liberada no intestino delgado, penetrando na mucosa cecal, saindo quando adulto, ou pode penetrar nas vilosidades do intestino delgado, se instalando no ceco. Seu tamanho é pequeno, tem extremidade anterior mais afilada que a posterior, sendo bem visíveis, as fêmeas são ovíparas, ovos bioperculados, machos com um espículo ou sem, asa caudal presente ou ausente, o hospedeiro definitivo para a Capillaria bovis são os bovinos (FORTES, 2010).




  1. CONCLUSÃO

A realização do Projeto de Aperfeiçoamento Teórico e Pratico, proporcionou ao grupo o ampliamento de conhecimentos práticos da área de parasitologia de bovinocultura de leite, onde foi possível a concretização dos conhecimentos técnicos adquiridos em aula e praticas realizadas fora da sala de aula. As várias atividades desenvolvidas fora e dentro da Faculdade IDEAU, assim como a vivência com professores e colegas envolvidos, foram de inquestionável valia para o aperfeiçoamento pessoal e profissional.

Foi possível concluir que de trinta vacas leiteiras apenas seis delas possuíam endoparasitas, os quais os endoparasitas são semelhantes a Neospora caninun, oocisto de helminto, Trichostrongylidae sp., Fasciola sp., Capillaria sp. Sendo assim as propriedades que usam anti-helmínticos, mantem higiene, possuem boas práticas de manejo, disponibilizam aos animais alimentos adequados, não há tanta ocorrência de endoparasitas, já propriedades que não possuem cuidados adequados, os animais acabam apresentando os mesmos, e isso poderá causar danos aos animais, assim como prejuízos em relação à produtividade das vacas leiteiras. Com isso, pode-se ter uma visão ampla dos resultados analisados, e a certeza de que o controle de endoparasitas é de total importância.


5 REFERÊNCIAS

ARALDI, D. F., PINZON, P. W., SANTOS, A. V., VIEIRA, A., SOUZA, J., SECCHI, L. L., RIETJENS, L. H. Fasciola hepática em bovinos: diagnostico e medidas preventivas. Seminário, 2011. Disponivel em: http://www.unicruz.edu.br/seminario/artigos/saude/FASCIOLA%20HEP%C3%81TICA%20EM%20BOVINOS%20DIAGNOSTICO%20E%20MEDIDAS%20PREVENTIVAS.pdf. Acesso em: 05 de maio de 2016.

BOWMAN, D.D. Parasitologia veterinária de Georgis. [et al] – 8. Ed. – Barueri, São Paulo: Manole, 2006. Acesso em: 23 de abril de 2016.

FOREYT, W.J. Parasitologia veterinária: manual de referência/ William J. Foreyt; - São Paulo: Roca, 2005. Acesso em: 20 de abril de 2016.

FORTES, E. Parasitologia Veterinária. 2ªed. Porto Alegre, Sulina, 1993. Acesso em: 25 de abril de 2016.

FORTUNATO, M. GUERREIRO, D.S. STILWELL, G. Revista Vaca Leiteira, Ano XVIII, Número 111, Abril/Junho 2010. Disponível em: http://www.aaip.pt/artigo_neospora.pdf. Acesso em: 25 de abril de 2016

IBGE. Bovinos, 2011. Acesso em: 20 de abril de 2016

MENDES, A. E. Comportamento e desenvolvimento de fasciola hepática de bovinos naturalmente infectados em sagui e gerbil. Belo Horizonte, 2006. Disponivel em: http://www.parasitologia.icb.ufmg.br/defesas/247M.PDF. Acesso em: 20 de maio de 2016.

MONTEIRO, S.G. Parasitologia veterinária/ Silvia Gonzales Monteiro. - São Paulo: Roca, 2010. Acesso em: 20 de abril de 2016.

SILVA, E. R.V. CAPOANI, R.Q RITZ, R., SURIAN, C. R. S. Fasciolose hepática. Revista científica eletônica de medicina veterinária – issn: 1679-7353, 2008. Disponível em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/bZFsg7XYKOHoLIt_2013-6-13-16-23-55.pdf. Acesso em: 16 de maio de 2016.

NETTO F.G.S. Controle e verminose bovina. Embrapa Rondônia. Porto Velho, RO, outubro, 2006. Disponível em: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CPAF-RO-2010/14329/1/folder-verminosebovina.pdf. Acesso em: 13 de abril de 2016.




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