Expressões idiomáticas



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Introdução

Todos nós já ouvimos falar em “expressões idiomáticas” (ou também conhecidas como expressões populares) às quais são chamadas também de “provérbios” (mas com algumas diferenças). Às vezes sem nos apercebermos ou até mesmo por motivos alheios, acabamos por as utilizar. Mas porque é que as utilizamos? Ou melhor ainda, porque é que elas existem? Tanto a expressão idiomática como o provérbio, são ambas muito semelhantes.

Mas se de certa maneira, já é difícil explicar/entender o conteúdo de uma expressão idiomática, onde é que se estabelece a diferença entre “expressão idiomática” e “provérbio”?

Em relação á forma, os provérbios distinguem-se pela elaboração trabalhada, ritmo, aliteração, assonância, construções binárias, paralelismo, repetição, violação de sintaxe e termos regionais.

Apresentado como um discurso cristalizado do passado, ainda hoje está fortemente presente no nosso quotidiano. Não só transmite e preserva o conhecimento, mas mostra como o homem em quase nada evoluiu, quer seja em aspectos sentimentais, como os vários conflitos como a guerra, uniões, etc. Basicamente, são experienciais comuns a todas as culturas e épocas. Obviamente, podem haver provérbios específicos a cada cultura (por exemplo, “Quem não gosta de samba é ruim da cabeça ou doente do pé", não pode experienciar outra cultura senão a brasileira) mas grande parte deles têm um valor universal, ainda que dito noutra língua.

Será notado também que, uma análise atenta e minuciosa dos dicionários de fraseologia existentes para o português mostra a dificuldade em restringir terminologias, ou seja, um mesmo objecto (expressão) aparece referido pelas várias terminologias. Isto porque existe uma grande terminologia associada à construção destes léxicos, dependendo do seu idioma, construção, frase feita, lugar, locução verbal e outros factores referidos mais à frente.

A existência destes não é recente, este tipo de expressões já era utilizada nos tempos da mitologia grega, nos descobrimentos e actualmente existem como forma de preservação das várias gerações; as religiões, mitologias e a própria história costumam representar fontes para as várias gerações das expressões idiomáticas. Por exemplo, na cultura lusófona, muitas das expressões referem-se a episódios da mitologia greco-romana, das religiões judaica e cristã e até mesmo da história do mundo ocidental. Irão ser referidos alguns exemplos no desenvolvimento do trabalho.

Definição de Expressão Idiomática

Como referido anteriormente mas num carácter mais específico (e considerando o critério semântico para definir a palavra), as expressões idiomáticas são definidas como unidades sintácticas, lexicológicas e semânticas, onde o seu significado não pode ser definido pela definição individual das palavras contidas na expressão, ou seja, apresenta uma distribuição única e restrita dos seus elementos lexicais. As expressões idiomáticas abrangem dois vectores: a forma (como é construída por um grupo de palavras) e o conteúdo (o seu significado idiomático), exactamente como os provérbios.



Em ambos os casos, são unidades codificadas que denominam um conceito geral e têm sentido convencional. A expressão idiomática actualiza-se no discurso; não veicula uma moral/ uma verdade mas descreve completamente tornando mais expressiva uma determinada atribuição de sujeito ou uma determinada situação. Na medida que se actualiza no discurso, a expressão idiomática actualiza-se inteiramente quando a expressão aparece contextualizada numa dada situação, podendo surgir variações de ordem regional (semântica) mas variando no léxico e na morfologia, podendo sofrer alterações (por exemplo, na introdução de advérbios, modificações do tipo de frase), enquanto outras não o permitem, para se adaptarem ao contexto.

Exemplos de expressões idiomáticas em Português e seus significados

Expressões idiomáticas em português

Significado

Ser mau como as cobras

Alguém mau, insensível

Fazer ouvidos de mercador

Não ouvir a conversa quando não lhe interessa

Apanhar com um balde de água fria

Ficar desiludido com algo ou alguém

Ser unha com carne

Ser-se melhor amigo, inseparável de alguém

Ser o testa de ferro

Alguém que dá a cara por algo ou alguém

Ser o bode expiatório

Alguém a quem se atribuem as culpas, mas na realidade é inocente.

Ser um mãos largas

Alguém solidário, que dá tudo, sem querer nada em troca

Passar pelas brasas

Passar por um sono leve

Ter pó a alguém ou a alguma coisa

Não gostar de alguém ou de algo; odiar

Ir dormir com as galinhas

Alguém que se deita bastante cedo

Exemplos de expressões idiomáticas em Inglês e seus correspondentes ao Português

  • Na língua inglesa, o termo idiom corresponde ao conceito de expressão idiomática em português.

  • Segundo o linguista John Saeed, um idiom pode ser definido como um conjunto de palavras que ficou “petrificado”, fixo ao longo do tempo e uso, criando uma definição literal de cada palavra lá posicionada e criar um significado novo e original, enriquecendo a linguagem.

  • Existe uma maior importância nas expressões idiomáticas (idioms) no inglês do que no português, dado que o inglês apresenta uma falta de certas palavras e expressões (O termo idioma, em português, significa uma língua falada pelo ser humano e usada como instrumento de comunicação verbal e/ou escrita. (Por exemplo, a palavra idioma não deve ser traduzida para o inglês por idiom e sim por language.).

Expressão em inglês

Tradução

Significado

Níveis de equivalência

Bite off more than you can chew

Ter mais olhos que barriga

Quando se quer mais do que se pode

Nível II – ligeiro – não ocorre semelhança a nível distribucional

At your fingerstips

Ter pronto à mão; fácil de conseguir

Quando não é necessário esforço para conseguir algo

Nível II – ligeiro – não ocorre semelhança a nível distribucional

It’s a piece of cake

É facílimo, é “canja”

Quando não é necessário esforço para conseguir algo

Nível II – ligeiro – não ocorre semelhança a nível distribucional

Like a fish out of water

Como um peixe fora de água

Quando se faz algo que se gosta

Nível I – ocorre semelhança a nível de semântica, formal e distribucional (Identidade L2=L1)

As fit as a fiddle

São como um pêro

Quando alguém está bem de saúde

Nível II – ligeiro – não ocorre semelhança a nível distribucional

Wet blanket

Desmancha-prazeres

Quando alguém não quer agradar os outros, negando, por exemplo, um convite para uma festa.

Nível II – forte – porque falha a nível semântico e a nível distribucional

Make a mess of something

Fazer um bicho de sete cabeças

Quando alguém complica demasiado, algo que parece tão fácil de solucionar

Nível II – ligeiro – falha a nível distribucional

Get nowhere fast

Não passar de cepa torta

Quando alguém não consegue algo por si mesmo, é um completo desastre

Nível II – ligeiro - falha a nível distribucional

One man’s meat is another man’s poison

Nem todos gostam do mesmo. O que é bom para uns, é mau para outros

Temos que aceitar os gostos e opiniões de cada um, pois não somos todos iguais

Nível II – forte - porque falha a nível semântico e a nível distribucional

Put the cart before the horse

Pôr o carro adiante dos bois

Quando alguém se adianta para fazer algo, antes de ser programado, pensado. Por vezes usa-se quando alguém está a tirar conclusões precipitadas

Nível II – ligeiro – falha a nível distribucional

Exemplos de expressões idiomáticas em Alemão e seus correspondentes ao Português

Alemão

Tradução

Significado

Nível de equivalência

Die Lügen sind wie Schneebälle: je weiter fortwälzt Desto größer werden sie 

Mentiras são como bolas de neve: quanto mais se enrolam, maiores elas ficam.  

Atrás de uma mentira vem sempre mais e mais, torna-se sempre maior

Nível I – não há falhas em nenhum dos níveis

Alles hat ein Ende, hat zwei nur die Wurst. 

Tudo tem um fim, só a salsicha tem dois.




Nível I – não há falhas em nenhum dos níveis

Ich bin nicht von gestern. 

Eu não nasci ontem.

Demonstra a alguém que não se deixa enganar

Nível I – não há falhas em nenhum dos níveis

Andere Länder, andere Sitten.

Em Roma, sê Romano

Temos que nos adaptar às circunstâncias em que nos encontramos

Nível II – ligeiro – pois falha a nível distribucional

Análise e comparação das variadas expressões idiomáticas entre as várias línguas

Portugues

Ingles

Alemao

Analise e comparação

Em Roma, sê Romano

When in Rome, do as the Romans

Andere Länder, andere Sitten.

A forma de como se diz em português e inglês são idênticas, contudo em alemão a expressão é totalmente diferente. Quando traduzida é “Outros países, outros costumes”

Ser teimoso como uma mula

Stubborn as a mule

stur wie ein Bock sein

Seja qual for a língua a tradução é sempre equivalente

Tudo está bem, quando acaba bem

All's well that ends well

Ende gut, alles gut.

Seja qual for a língua a tradução é sempre equivalente

Tudo tem um fim

Everything has an end

Alles hat ein Ende, hat zwei nur die Wurst. 

Todas estas expressões traduzidas quer à letra quer como a forma correcta de se traduzir da língua A para a língua B é semelhante

Nota: a título de curiosidade e referido anteriormente, existem algumas expressões que têm origem mitológica e histórica. Vão aqui referidos alguns exemplos:

Origem Mitológica

  • Bicho de Sete Cabeças – enorme ameaça ou dificuldade

Origem: A expressão tem origem, com duas interpretações: a primeira sustenta que sua origem está na mitologia grega, mais precisamente na história da Hidra de Lerna, uma monstruosa serpente com sete (ou nove) cabeças que se regeneravam mal eram cortadas e expeliam um vapor que matava quem estivesse por perto. A morte da Hidra foi o segundo dos famosos doze trabalhos de Hércules: de acordo com a segunda teoria, a expressão seria uma referência à primeira das duas bestas do Apocalipse de São João, descrita como um monstro de sete cabeças.

Origem: Aquiles foi um semi-deus e herói da mitologia grega, considerado o maior guerreiro da Guerra de Tróia e o personagem principal da Ilíada, de Homero. Quando Aquiles nasceu, a sua mãe, Tétis, mergulhou o corpo de Aquiles no rio Estige para torná-lo imortal. Ficou, no entanto, vulnerável no calcanhar, parte do corpo pelo qual ela o segurava. No final da guerra contra Tróia, Aquiles foi morto por uma flecha no calcanhar, disparada por Páris, príncipe troiano.

  • Caixa de Pandora - algo que provoca uma grande curiosidade, mas que é melhor não ser revelada.

Origem: Pandora foi a primeira mulher, forjada por Hefestos e Atena por orientação de Zeus, para castigar a raça humana, a quem Prometeu tinha acabado de dar o fogo, roubado dos deuses. Pandora foi enviada a Epimeteu, irmão de Prometeu, como um presente de Zeus. Prometeu alertou o irmão quanto ao perigo de aceitar o presente, mas Epimeteu ignorou o aviso e tornou-a sua esposa. Pandora trouxera consigo uma pequena caixa de ouro (ou jarra, ou ânfora, de acordo com outras tradições), colocada por Zeus na sua bagagem. Mal chegou à Terra, Pandora, movida por uma irresistível curiosidade, abriu a caixa, liberando assim todos os males que haveriam de atingir a humanidade dali em diante: a dor, o sofrimento, a velhice, a doença, a miséria, a ambição, o ódio, a guerra, a loucura, a mentira, a paixão. No fundo da caixa, restou apenas a esperança. A vingança de Zeus estava consumada.

Origem Histórica

  • Cova dos Leões - enorme perigo, do qual só se pode escapar com uma grande fé e coragem.

Origem: Daniel, personagem do Antigo Testamento, um dos maiores exemplos de fidelidade e dedicação a Deus, foi lançado a uma cova de leões por ter desrespeitado, com as suas orações, um decreto de Dário, rei dos Medos. Na manhã do dia seguinte, Dário foi até a entrada da cova e surpreendeu-se por encontrar Daniel são e salvo, sem que os leões lhe tivessem feito qualquer mal. Questionado pelo rei, Daniel afirmou que Deus havia enviado um anjo para protegê-lo, porque era inocente. Admirado com a sua fé e com o poder do Deus de Israel, Dário libertou o profeta.


  • Lavar as Mãos - eximir-se de responsabilidade.

Origem: Pôncio Pilatos era prefeito (praefectus) da província romana da Judeia na época da pregação de Jesus Cristo. Quando o Sinédrio judaico lhe enviou Jesus para execução, Pilatos, por nele não ter encontrado nenhuma culpa, ficou hesitante e tentou livrá-lo da morte, mas o povo de Jerusalém preferiu salvar Barrabás. Pilatos então, após lavar as próprias mãos, em sinal de renúncia de qualquer responsabilidade, condenou Jesus a morrer na cruz.


  • Amor platónico - relação afectuosa que exclui a atracção sexual.

Origem: O termo amor platónico foi utilizado pela primeira vez no século XV, pelo filósofo neo-platónico Marsilio Ficino, como um sinónimo de amor socrático. Ambas as expressões significam um amor centrado na beleza do carácter e na inteligência de uma pessoa, em vez dos seus atributos físicos, e remetem ao laço especial de afecto entre dois homens a que o filósofo grego Platão tinha referido no seu diálogo O Banquete, exemplificando-o com o afecto que havia entre Sócrates e os seus discípulos homens, em particular Alcibíades.

Definição de Provérbio

Mais uma vez, considerando o critério semântico para definir a palavra, o provérbio (tal como a expressão idiomática) abrange dois vectores: a forma (constituída por um grupo de palavras) e o significado (a mensagem global a ser transmitida).

Os provérbios surgem conforme as necessidades da época e de uso, podendo ser inovados ou cair em desuso.

A origem da palavra provérbio vem do latim proverbium. A existência dos provérbios tem uma origem remota de tradição oral. Fazia parte da filosofia dos gregos, romanos e egípcios. Acredita-se que a origem da palavra seja religiosa, pois alguns autores acreditam que a palavra decomposta se entenda por: pro (em vez de, no lugar de) + verbo (palavra de Deus), ou seja, no lugar da palavra de Deus. O próprio provérbio “A voz do povo é a voz de Deus” parece justificar a crença de que o pensamento é da colectividade, não do indivíduo.

Ao observarmos as definições de provérbio propostos por lexicógrafos e fraseologos conhecidos, vemos que estes acabam por não defini-lo precisamente para não arriscar dar uma definição incompleta e insatisfatória. Popularmente, o provérbio é tomado como uma designação genérica, mas segundo vários lexicógrafos e fraseologos, as suas definições constam que os vários fraseologismos tidos como “sinónimos” de provérbio ora são semelhantes, ora são distintos entre si. Isto porque o provérbio apresenta quase sempre traços em comum com outros fraseologismos. Nenhum autor entre os lexicógrafos ou fraseologos conseguiu apresentar concretamente a diferença entre um aforismo e uma máxima, assim como um refrão de um provérbio, sendo assim difícil classificar o provérbio por meio de características linguísticas formais num só enunciado. Daí que quando se fala em provérbio a sua definição tem por base as suas características mais pertinentes. Portanto, um provérbio é entendido como uma unidade léxica fraseologica fixa que colecta experiências vivenciadas em comum (conotação popular) com a função de ensinar, aconselhar.

O provérbio é também ideológico, apresentando uma transparência que na verdade nem tem. A ideologia dos provérbios faz a oposição entre o mal e o bem, o certo e o errado. Assim, em vez de explicar, a ideologia julga. Para mais, o provérbio depende do contexto, podendo assumir papéis diferentes nas diferentes vozes que o pronunciam.

O provérbio também nunca é desvinculado de um contexto, ou seja, não se dá isolado. A menção de um dá-se normalmente, para dar seguimento a um raciocínio (por exemplo, é bastante comum o moral da história de um conto infantil, ser apresentado na forma de um provérbio), ou após uma sequência de pensamentos ou falas e muitas vezes, dá-se espontaneamente.

Eis os principais aspectos para a caracterização de provérbio:



  • Frequência: os provérbios surgem em termos temporais e espaciais, portanto podem ser inovados ou inutilizados. Existem deles mais ordinários como “Tempo é dinheiro”; mas também existem deles mais complexos para o seu entendimento como: “O bom vinho escusa pregão”, que significa que um bom vinho dispensa elogios. Mas para se ser reconhecido como um provérbio, este tem que ser usado frequentemente, como qualquer outro fraseologismo.

  • Léxico: percebe-se o provérbio como uma unidade lexical complexa que não permite que o seu significado seja concluído pelos significados individuais de cada uma das unidades lexicais simples contidas no seu interior. Ou seja, para um enunciado alcançar o estatuto de provérbio, a compreensão semântica global do enunciado só será alcançada graças ao conjunto dos seus constituintes.

Para além disso, o sentido de um provérbio é figurado, conotativo e não transparente ou denotativo como nos ditados. Ou seja, quando se fala em conotação falamos ao nível da descodificação proverbial; e á junção dos elementos léxicos chamamos de codificação.

A dupla função do provérbio: reiteração do mesmo e a imposição da subjectividade em géneros discursivos do quotidiano

As escolhas e os procedimentos utilizados pelo enunciador revelam a sua adesão, rejeição ou até mesmo criação de novos sentidos em relação aos que já se encontram consolidados na memória discursiva. As citações proverbiais podem ser também uma forma de o enunciador persuadir o interlocutor.



Géneros da Tipologia Comum

São considerados géneros da tipologia do senso com um aqueles que apresentam formas de discursividades de grande vitalidade memorialística, ou seja, que se projectam em formações discursivas de grande veiculação entre grupos sociais variados.

Estes caracterizam-se por apresentarem enunciados facilmente reconhecíveis e memorizáveis, como, por exemplo acontece no caso dos provérbios.

Os sentidos veiculados neste género costumam ser os que se encontram consolidados na memória colectiva, e em geral, demonstram interpretações moralistas sobre o mundo e os seres humanos. Devido a esta característica, a utilização desta prática discursiva é frequente.É muito comum ocorrer ao uso de provérbios em várias tipologias de ampla difusão do quotidiano, como por exemplo em letras de músicas, crónicas, editoriais, propagandas e em muitas outras situações. O que o efeito de sentido do mesmo (provérbio), provoca em diferentes contextos e situações, tanto poder ser o sentido já conhecido do mesmo, como um novo sentido criado por alguém. Considerando que todo o discurso é atravessado pela interdiscursividade, Charaudeau e Maingueneau chamam de interdiscurso o conjunto das unidades discursivas (aquelas que pertencem a discursos anteriores do mesmo género, de discursos contemporâneos de outros géneros, etc.) com os quais o discurso particular entra em relação implícita ou explícita. Assim, é o cruzamento de diferentes formações discursivas que possibilitam o surgimento de novos sentidos.

Dentro das tipologias de senso comum estão os provérbios, definidos como expressões fixas e consagradas pelo uso.

Os provérbios podem ser vistos como estratégias para situações, estratégias que têm regras, e que ditam valores da sociedade.

Na citação proverbial há uma mudança do enunciador, pois este, incorpora no seu discurso de forma explícita, as palavras de outrem, uma palavra que não é a sua, ou seja, uma palavra do senso comum, que se manifesta por meio dele. O carácter consensual do provérbio deve-se principalmente á sua aura de intemporalidade, e de verdade imutável. Ou seja algo que mesmo com o passar do tempo continua a ser visto como verdade, e que continua a fazer sentido quando usado nos contextos com ele relacionados.

Exemplos de provérbios em Português


Provérbios em português

Significado

A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha.


Significa que nunca ninguém está bem com aquilo que tem

Burro calado passa por esperto


Quando alguém tem a noção, que não possuí conhecimento suficiente de certo assunto em comparação a outrem, e opta por não interferir com opiniões não fundamentadas evitando passar por constrangimentos

Cada cabeça, uma sentença.


Todos somos diferentes, logo devemos ser tratados como tal, seja qual for a situação em que nos encontremos, permitindo a auto-defesa

De pequenino é que se torce o pepino.


É de pequeno que se devem aprender os valores morais que se aplicarão no futuro

É melhor prevenir do que remediar.


È melhor pensar duas vezes nas consequências que os nossos actos podem trazer, tanto aos outros, como a nós mesmos.

Filho de peixe, peixinho é.

ou

Filho de peixe sabe nadar.




Quando se encontram semelhanças entre pais e filhos, sejam elas quais forem

Generoso como ninguém é aquele que nada tem.


Quando alguém é solidário para com os outros, abdicando de si mesmo.

Há males que vem para o bem.


É com os erros que se deve aprender a viver. Estes devem fazer-nos crescer

Mais vale não dizer nada, que nada dizer


Por exemplo, se alguém não tem argumentos para defender as suas ideias, deve optar pelo silêncio e não por tentar iludir os ouvintes com exemplos não referentes ao assunto em causa.

Quanto mais alto, maior é a queda.


Por exemplo, quando alguém perde a noção da realidade, e traça objectivos, que na perspectiva de outrem, não serão concretizados, arriscando-se a perder o emprego por exemplo.

Exemplos de provérbios em Inglês

Inglês

Tradução

Significado

Nível de equivalência

The more laws, the more offenders

Quanto mais leis, mais infractores

Quanto mais regras existirem, maior será o número de quebras

Nível I – não há nenhuma falha

Every man has his price

Cada pessoa tem o seu preço.

Qualquer pessoa tem o seu valor seja em que contexto for

Nível I – possui concordância em todos os aspectos (semântica, formal e distribucional)

Love is blind

O amor é cego

O amor não permite ver as falhas de algo, de ver as coisas como elas realmente são

Nível I – possui concordância em todos os aspectos (semântica, formal e distribucional)

Little things are great to little men

Pequenas coisas fazem um grande homem




Nível II – forte - porque falha a nível formal e a nível distribucional

Where every man is master, the world goes to wrack

Em terra de cegos quem tem olho é rei

Se todos tiverem o poder de mandar, o mundo ficará desorganizado pelo desequilíbrio de poder




It is better to be a coward for a minute than dead for the rest of your life

Mais vale perder um minuto na vida, que a vida num minuto

Mais vale demorar um pouco mais a fazer as coisas do que depois acontecerem desgraças

Nível II – forte - porque falha a nível semântico e a nível distribucional

A man’s discontent is his worst evil

O descontentamento do Homem é a sua maior fraqueza

Dito ???

Origem chinesa



Nível II - forte - porque falha a nível formal e a nível distribucional

Exemplos de provérbios em Alemão

Alemão

Tradução

Significado

Níveis de equivalência

Morgen, heute nicht nur morgen, sagen alle faulen Leute.

Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.

Amanhã pode ser tarde demais para fazer certas coisas, mais vale fazer tudo logo haja oportunidade

Nível II – forte – falha a nível semântico e distribucional

Die Bäume wachsen nicht in den Himmel.

Há um limite para tudo

Tudo tem um limite, tudo tem um fim, nada dura para sempre.

Nível II – forte falha a nível semântico e distribucional

Währt Ehrlich am längsten.

A honestidade é a melhor política

Devemos sempre ser honestos

Nível II – ligeiro - falha a nível distribucional

Wer nicht wagt, nicht gewinnt

Quem não arrisca, não petisca

Nunca se perde nada por tentar fazer aquilo que nos apetece

Nível I – não falha a nenhum nível

Hunde die Bellende beißen nicht

Cão que ladra não morde

Utliza-se muito para aquelas pessoas que falam, falam, falam e nunca fazem nada

Nível I – não falha a nenhum nível

Conclusão

Por vezes, o provérbio possui um aspecto de enigma, quando usado para substituir uma expressão simples, ou seja, é empregado como uma forma indirecta de se dizer algo que, por alguma razão, é moralmente incompatível de se dizer. O uso do provérbio vem assim “aliviar” o peso da transmissão de uma ideia menos agradável. Temos por exemplo: Um indivíduo está contra algo da parte de outro. Este transmite-lhe “Quem te avisa, teu amigo é.” em vez de: “Não faças isso, pois as consequências serão desagradáveis”. A diferença entre elas está na decifração em que ambas estão sujeitas, o que irá a obrigar o receptor a tirar as suas próprias conclusões. Assim, o provérbio ajuda na administração de conflitos e evita reacções menos aceites graças a esta faceta de eufemismo.

No entanto, também existe o lado negativo, sobretudo na sobreutilização dos mesmos. Quando se faz uma utilização destes, tem-se a falsa ideia de que estes são superiores face a argumentos individuais contrários, uma vez que o indivíduo que os usa sabe que estes foram criados por uma colectividade de pessoas, que por sua vez, lhe confere uma sensação de superioridade aquando a sua utilização. Por exemplo: Num debate entre um indivíduo A, que não tem crenças religiosas, ao discutir uma ideia com indivíduo B, que tem essas crenças, o indivíduo B não pode usar “A voz do povo é a voz de Deus” constantemente para defesa dos argumentos vindos do indivíduo A.

Em termos de sintaxe, a formulação é relativamente simples e por vezes podemos mesmo encontrar alguns padrões, por exemplo:

Tal X, tal Y: Tal pai, tal filho. X-mais, X-mais: “Quem tudo quer, tudo perde.” Antes X que Y: “Antes tarde que nunca”.

Já nos tempos verbais, geralmente, encontramos os provérbios no presente do indicativo, o que lhes atribui um carácter de atemporalidade, ou nos imperativos para realçar o seu aspecto moral. Também existem deles, em número reduzido, no pretérito perfeito, normalmente para relatar uma experiência que ainda é válida (ex.: “Roma não se fez num dia”, “A pensar, morreu um burro”), no futuro do presente (ex.: “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”). Até mesmo na forma interrogativa (ex.: “Se não gostar de mim, quem gostará?”)

Como análise final, ambos encontram-se presentes em todas as línguas e culturas e caracterizam-se pela não identificação do seu significado através do sentido literal dos termos individuais; existe uma impossibilidade de tradução para outras línguas, ou seja, as frases não podem ser traduzidas à letra e muito menos da mesma maneira, numa língua diferente (por exemplo: "The red car caught my eye.", sabemos que um carro não pode agarrar e que um olho não pode ser lançado. É preciso entender o significado da expressão “caught my eye” para compreender o que está a ser dito); a tradução das expressões idiomáticas (intralíngua ou interlínguas) exige do tradutor um conhecimento profundo da língua materna e da língua estrangeira. Traduzir não corresponde sempre a uma procura de equivalentes linguísticos (no caso das expressões, tais equivalências raramente sugerem uma outra expressão).

Traduzir expressões idiomáticas é ter em conta a especificidade de cada tipo de texto, mas também a especificidade de cada língua, de cada povo, os seus usos e costumes, a sua expressividade.



Na língua materna, as expressões idiomáticas adquirem-se no contacto directo com a língua, na socialização do indivíduo. Não existe uma aprendizagem deste tipo de estruturas. A partir dos cinco ou seis anos, as crianças começam a usar algumas expressões e, a partir daí, continuarão a enriquecer o seu “dicionário mental”. Para a língua estrangeira, o processo será idêntico às outras estruturas linguísticas, mas dificultado pela especificidade das expressões idiomáticas. Como não existe emersão linguística e o sujeito não pode aprender estas estruturas pelo contacto directo com a língua, tem de recorrer ao processo de ensino/aprendizagem e ao longo do tempo, aprender.



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