Evidência que exige um veredito



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2D. A Comparação Textual
Bruce Metzger comenta: "Dentre todas as composições literárias escritas pelo povo grego, os poemas homéricos são os mais adequados para uma comparação com a Bíblia". 61/144 Ele acrescenta: "Em todo o corpo de literatura antiga, tanto grega como latina, a Ilíada é a que mais se aproxima do Novo Testamento por possuir a maior quantidade de testemunho de manuscritos". 61/144

Metzger continua: "Na antigüidade os homens (1) memorizaram Homero assim como mais tarde iriam memorizar as Escrituras. (2) Tanto Homero como as Escrituras foram tidos na mais alta estima, sendo citados na defesa de argumentos acerca do céu, da terra e do Hades. (3) Homero e a Bíblia serviram de cartilha para diferentes gerações de escolares que neles aprenderam a ler. (4) Ao redor de ambos cresceu um grande volume de notas marginais e comentários. (5) Ambos tiveram glossários. (6) Ambos caíram nas mãos dos alegoristas. (7) Ambos foram imitados e tiveram suplementos — um com os hinos e escritos homéricos, tais como o Batraco-miomáquia, e o outro com os livros Apócrifos. (8) Homero foi analisado e prosado; o evangelho de João foi versificado em hexâmetros épicos por Nono de Panópolis. (9) Os manuscritos tanto de Homero como da Bíblia foram ilustrados. (10) As descrições homéricas apareceram nos murais de Pompéia; as basílicas cristãs foram decoradas com mosaicos e afrescos de episódios bíblicos". 61/144, 145

E. G. Turner destaca que, sem dúvida alguma, Homero foi o autor mais lido na antigüidade. 92/97


OBRA Data Cópia mais Intervalo N°de

Antiga Cópias


Homero (Iliada) 900 a.C. 400 a.C. 500 anos 643

Novo Testamento 40-100 A.D. 125 A.D. 25 anos 24.000



Geisler e Nix comparam as variações textuais existentes entre os documentos do Novo Testamento e as obras antigas: "Em seguida ao Novo Testamento, existem mais manuscritos remanescentes da Ilíada (643) do que de qualquer outro livro. Tanto a Ilíada como a Bíblia foram consideradas 'sagradas', ambas sofreram mudanças textuais e os respectivos manuscritos em grego foram objeto de crítica textual. O Novo Testamento tem cerca de 20.000 linhas". 32/366

Eles prosseguem dizendo que "aIliada tem cerca de 15.600. Há dúvidas sobre apenas 40 linhas (ou 400 palavras) do Novo Testamento, enquanto que, no caso da Ilíada , questionam-se 764 linhas. Esses cinco por cento de corrupção textual contrastam-se com o meio por cento de emendas no texto do Novo Testamento."

"A epopéia nacional da índia, o Mahabharata, sofreu ainda mais corrupções. Tem aproximadamente oito vezes o tamanho da Ilíada e da Odisséia juntas, em torno de 250.000 linhas. Dessas, umas 260.000 linhas são corruptelas (dez por cento)." 32/367

No livro Introduction to Textual Criticism of the New Testament (Introdução à Crítica Textual do Novo Testamento), Benjamim Warfield cita a opinião de Ezra Abbot sobre noventa e cinco por cento das variações textuais do Novo Testamento, afirmando que elas: "... possuem base tão insignificante... embora haja várias leituras possíveis; e noventa e cinco por cento das variações restantes são de importância tão ínfima que sua aceitação ou rejeição não provocaria qualquer diferença significativa no sentido das passagens onde elas ocorrem". 100/14



Geisler e Nix fazem a seguinte observação sobre como são contadas as variações textuais: "É ambíguo dizer que existem umas 200.000 variantes nos manuscritos existentes do Novo Testamento, desde que elas dizem respeito a apenas 10.000 lugares no Novo Testamento. Se uma única palavra é escrita de modo errado em 3.000 manuscritos, isso é contado como sendo 3.000 variantes ou leituras". 32/361

Embora tivesse às mãos menos manuscritos do que temos hoje, Philip Schaff, em Comparison to the Greek Testament and the English Version (Comparação entre o Testamento Grego e a Versão Inglesa), concluiu que apenas 400 das 150.000 leituras divergentes ocasionavam dúvida sobre o sentido do texto, e que somente 50, dentre as 400, são de grande relevância. Schaff ainda disse que nem uma única variante altera "um artigo de fé ou um princípio ético que não seja abundantemente sustentado por outras passagens, das quais não há dúvida, ou por todo o teor do ensino das Escrituras". 82/177

Fenton John Anthony Hort, que passou a vida lidando com manuscritos, diz: "É bem grande a proporção de palavras que, sem que haja qualquer dúvida sobre elas, são virtualmente aceitas em todos os manuscritos. Num cálculo aproximado, elas compõem não menos de sete oitavos do total. De modo que a um oitavo restante, formado em grande parte por mudanças de ordem e outras questões relativamente insignificantes, constitui todo o campo da crítica".

"Se os princípios seguidos nesta edição estão corretos, pode-se reduzir bastante esse número. Reconhecendo plenamente o dever de nos abstermos de decisões categóricas, em casos em que os dados deixam em suspenso o julgamento entre duas ou mais leituras, descobrimos que, pondo de lado as diferenças de ortografia, em nossa opinião as palavras ainda sujeitas a dúvida constituem cerca de seis por cento de todo o Novo Testamento. Nesse segundo cálculo a proporção de variações relativamente triviais é incomparavelmente maior do que na primeira estimativa; de maneira que aquilo que em algum sentido se pode chamar de variações substanciais é apenas uma pequena fração de toda a variação restante, e dificilmente constitui mais de 0,1 por cento de todo o texto." 43/2

A respeito desses comentários de Hort, Geisler e Nix afirmam que "apenas um oitavo de todas as variantes tiveram algum peso, pois a maioria delas são simples questões mecânicas, tais como soletração ou estilo. Do total, então, somente cerca de um sexagésimo deixa de ser 'questão relativamente insignificante', podendo ser chamado de 'variação substancial'. Matematicamente isso aponta para um texto que é 98,33% puro." 32/365 Ousadamente Warfield assevera que os fatos demonstram que a maior parte do Novo Testamento "nos foi transmitida sem, ou quase sem, qualquer mudança; e mesmo na forma mais corrompida em que o texto chegou a aparecer, usando as palavras bastante citadas de Richard Bentley, o texto real dos escritores sacros é suficientemente exato... dentre todas as inúmeras variantes, escolha a mais estranha que puder, escolha de propósito a pior delas... e você não descobrirá um só artigo de fé ou preceito moral deturpado ou perdido". 100/14; 85/163



Schaff cita Tregeller e Scrivener: "Dispomos de tantos manuscritos e contamos com a ajuda de tantas traduções que nunca nos vemos com a necessidade de fazer conjeturas como meio de corrigir erros de cópia". (TREGELLER, Samuel P. "Prolegomena" (Prolegômenos). In: Greek New Testament (Novo Testamento Grego), p. x.).

"Scrivener afirma: 'Ao invés de causar dúvida ou perplexidade ao estudante sincero das Escrituras Sagradas, a abundância de manuscritos leva-o a reconhecer mais plenamente a integridade geral das Escrituras em meio à variação parcial. O que um leitor atento de Sófocles daria em troca de semelhante orientação para as passagens obscuras que enervam sua paciência e estragam o prazer de ler esse sublime poeta?'" 82/182

Em The Books and the Parchments (Os Livros e os Pergaminhos), F. F. Bruce escreve dizendo que, se nenhuma evidência textual objetiva existe para corrigir um erro óbvio, então "o crítico textual deve necessariamente empregar a arte de fazer emendas por conjeturas - uma arte que exige a mais dedicada auto-disciplina. A emenda deve recomendar-se a si mesma como sendo obviamente correta e deve explicar satisfatoriamente a maneira como a corruptela surgiu. Em outras palavras, deve ser ao mesmo tempo 'provável intrinsicamente' e 'provável do ponto-de-vista da transcrição'. Não creio que haja qualquer leitura do Novo Testamento que exija uma emenda por conjetura. A riqueza de provas é tão grande que o texto verdadeiro está quase que invariavelmente destinado a ser preservado por pelo menos uma das milhares de testemunhas textuais." 15/179, 180



Sir Frederic Kenyon (uma das maiores autoridades no campo da crítica textual do Novo Testamento) declara enfaticamente que as variações textuais não representam ameaça à doutrina: "Finalmente, deve-se enfatizar uma palavra de advertência já pronunciada anteriormente. Nenhuma doutrina fundamental da fé cristã depende de algum texto controvertido..."

"Nunca é demais lembrar que, em sua maior parte, o texto da Bíblia é fidedigno, especialmente no caso do Novo Testamento. O número de manuscritos do Novo Testamento, de antigas traduções do Novo Testamento e de citações pelos mais antigos escritores da Igreja, é tão grande que é praticamente certo que o texto autêntico de cada passagem duvidosa encontra-se preservado em uma ou outra dessas antigas autoridades. De nenhum outro livro antigo em todo o mundo se pode dizer o mesmo. "

"Os estudiosos se dão por satisfeitos por possuírem substancialmente o texto autêntico dos principais escritores gregos e romanos, cujas obras chegam até nós, de Sófocles, Tucídedes, Cícero, Virgílio; no entanto, nosso conhecimento das obras desses escritores depende de um pequeno punhado de manuscritos, enquanto que os manuscritos do Novo Testamento se contam às centenas e até aos milhares." 49/23



Gleason Archer Jr., ao responder à questão das evidências objetivas, mostra que as variantes ou os erros na transmissão do texto não afetam a revelação de Deus:

"Um estudo cuidadoso das variações (ou leituras diferentes) dos vários manuscritos mais antigos revela que nenhuma delas afeta uma única doutrina das Escrituras. O sistema de verdades espirituais contido no texto hebraico geralmente aceito do Antigo Testamento não é alterado nem deturpado por qualquer uma das diferentes leituras encontradas nos manuscritos hebraicos de datas mais antigas e que foram descobertos nas cavernas do mar Morto ou em qualquer outro lugar. Para averiguar isto, basta examinar o registro das variações bem atestadas, constantes da edição de Rudolf Kittel da Bíblia Hebraica. É bem evidente que a grande maioria delas é tão insignificante que o sentido doutrinário de cada frase permanece inalterado." 10/25

Benjamin Warfield disse: "Se compararmos a situação atual do texto do Novo Testamento com a de qualquer outro escrito antigo, precisaremos declarar que o texto é maravilhosamente correto, tão grande é o cuidado com que o Novo Testamento tem sido copiado — um cuidado que, sem dúvida alguma, é fruto de uma verdadeira reverência para com suas santas palavras - tão grande tem sido a providência de Deus em preservar para a sua Igreja em todas as épocas um texto suficientemente exato, que o Novo testamento não tem rival entre os escritos antigos, não apenas em termos de pureza de texto pela maneira como foi transmitido e mantido em uso, como também em termos de abundância de testemunhos, os quais chegaram até nós para corrigir falhas relativamente esporádicas." 100/12,13

Os editores da Revised Standard Version (uma tradução da Bíblia, publicada em inglês) disseram: "Para o leitor atento, fica óbvio que ainda em 1946, tal como em 1881 e 1901, nenhuma doutrina da fé cristã foi afetada pela revisão pelo simples fato de que, dentre as milhares de variantes existentes nos manuscritos, até agora nenhuma surgiu exigindo uma revisão da doutrina cristã". 34/42

Burnett H. Streeter acredita que, por causa da grande quantidade de material textual do Novo Testamento, "o grau de segurança de que... o texto chegou até nós em boas condições é suficientemente elevado." 90/33

Sobre o mesmo assunto Frederic F. Kenyon fala no livro The Story of the Bible (A História da Bíblia): "É animador descobrir que, no final, o resultado geral de todas essas descobertas (de manuscritos) e todo esse estudo fortalece a prova da autenticidade das Escrituras, bem como nossa convicção de que temos em mãos, de forma concreta, a verdadeira Palavra de Deus". 50/113

Millar Burrows, da Universidade Yale (nos Estados Unidos), escreve: "Uma outra conseqüência de se comparar o Novo Testamento Grego com o texto dos papiros é um aumento da confiança na fiel transmissão do próprio texto do Novo Testamento". 17/52

Burrows também afirma que os textos "têm sido transmitidos com uma notável fidelidade, de modo que não é preciso ter dúvida alguma sobre o ensino que eles apresentam". 17/2



Creio que, racionalmente e a partir do ponto-de-vista das evidências literárias, é possível chegar-se à conclusão de que a credibilidade do Novo Testamento é bem maior do que a de qualquer outro documento da antigüidade.
3C. CRONOLOGIA DE IMPORTANTES MANUSCRITOS DO NOVO TESTAMENTO

Métodos de Datação: Alguns dos fatores que ajudam a determinar a idade de um manuscrito são: 32/242-246



  1. Materiais 5. Ornamentação

  2. Tamanho e forma das letras 6. Cor da tinta

  3. Pontuação 7. Textura e cor do pergaminho

  4. Divisões do texto


O manuscrito de John Rylands (130 A.D.) encontra-se na Biblioteca John Rylands, na cidade de Manchester, na Inglaterra, e é o mais antigo fragmento existente do Novo Testamento. "Devido à sua data muito antiga e à sua localização (Egito), a alguma distância do lugar tradicional de composição (Ásia Menor), essa porção do Evangelho de João tende a confirmar a data tradicional de composição do Evangelho, isto é, por volta do fim do primeiro século." 32/268

Bruce Metzger fala de uma crítica abandonada: "Caso se tivesse conhecido esse pequeno fragmento durante meados do século passado, aquela escola de crítica do Novo Testamento, a qual foi inspirada pelo brilhante professor de Tubinga, Ferdinand Chriastian Baur, não poderia ter defendido que o Quarto Evangelho só foi escrito por volta de 160 A.D." 62/39

O Papiro Bodmer 11(150-200 A.D.) encontra-se na Biblioteca Bodmer de Literatura Mundial e contém a maior parte de João.

Bruce Metzger afirma que esse manuscrito foi "a descoberta mais importante de manuscritos do Novo Testamento desde a aquisição dos papiros Chester Beatty...." 62/39, 40

No antigo "Z«r Datierung des Papyrus Bodmer II (P. 66)" ( A Respeito da Datação do Papiro Bodmer II) ( In: Anzeiger Der Osterreichis-chen Akademie Der Wissenschaften (Informativo da Academia Austríaca de Ciências) n°4, 1960, p. 12033), "Herbert Hunger, diretor das coleções papirológicas da Biblioteca Nacional de Viena, atribui ao papiro 66 uma data anterior, meados do século segundo, ou até mesmo a primeira metade desse século; veja o artigo que ele escreveu." 62/39,40

Os Papiros Chester Beatty (200 A.D.) encontram-se no Museu C. Beatty, em Dublin, e parte deles é de propriedade da Universidade de Michigan (nos Estados unidos). Essa coleção contém códices de papiro, três dos quais com grandes porções do Novo Testamento. 15/182

Em The Bible and Modem Scholarship (A Bíblia e a Erudição Moderna), Sir Frederic Kenyon afirma: "O resultado prático dessa descoberta — de longe a mais importante desde a descoberta do códice Sinaítico — é, de fato, reduzir o hiato entre os manuscritos mais antigos e as datas tradicionais dos livros do Novo Testamento, de maneira que esse intervalo se torna insignificante em qualquer discussão sobre a autenticidade do Novo Testamento. Nenhum outro livro possui, acerca de seu texto, um testemunho tão remoto e abundante; e, despojado de idéias pré-concebidas, erudito algum negaria que o texto que chegou até nós está substancialmente intacto." 47/20

O Diatessarão ("uma harmonia de quatro partes"). A expressão grega dia Tessaron significa literalmente "através de quatro". 15/195 O Diatessarão foi uma harmonia dos Evangelhos preparada por Taciano (cerca de 160 A.D.).

Em sua História Eclesiástica, IV, 29 (edição de Loeb, v. 1, p. 397), Eusébio escreveu: "... Seu antigo líder Taciano elaborou uma espécie de combinação e coleção dos evangelhos, dando-lhe o nome de DIATESSARÃO, o qual ainda existe em alguns lugares...." Acredita-se que Taciano, um cristão assírio, foi o primeiro a preparar uma sucessão dos evangelhos; hoje só existe uma pequena porção dessa obra. 32/318, 319

O Códice Vaticano (325-350 A.D.), situado na Biblioteca do Vaticano, contém quase toda a Bíblia.



O Códice Sinaítico (350 A.D.) encontra-se no Museu Britânico. Esse manuscrito, que contém quase todo o Novo Testamento e mais da metade do Antigo Testamento, foi descoberto em 1859, no mosteiro do Monte Sinai pelo Dr. Constantin von Tischendorf, sendo presenteado ao Czar da Rússia pelo mosteiro. Posteriormente, no Dia de Natal de 1933, o povo e o governo britânicos o adquiriram da União Soviética por 100.000 libras.

É fascinante a história da descoberta desse manuscrito. Bruce Metzger descreve os interessantes antecedentes que culminaram na descoberta: "Em 1844, quando ainda não tinha trinta anos de idade, Tischendorf, um privatdozent (professor particular na Universidade de Leipzig, na Alemanha), principiou uma longa viagem pelo Oriente Próximo, em busca de manuscritos bíblicos. Ao visitar o mosteiro de Santa Catarina, no monte Sinai, casualmente viu algumas folhas de pergaminho num cesto de lixo cheio de papéis destinados a acender o forno do mosteiro. Ao serem examinados, comprovou-se que essas folhas faziam parte de uma cópia da tradução Septuaginta do Antigo Testamento, escritas em caracteres unciais gregos bem antigos. Ele tirou do cesto de lixo nada menos do que quarenta e três dessas folhas, e um monge comentou por acaso que dois cestos de material semelhante já haviam sido queimados! Posteriormente, quando mostraram a Tischendorf outras porções do mesmo códice (contendo todo o livro de Isaías e 1 e 2 Macabeus), advertiu os monges que aquelas folhas eram valiosas demais para serem usadas para acender o fogo. As quarenta e três folhas que ele teve permissão de levar consigo continham porções de 1 Crônicas, Jeremias, Neemias e Ester, e, ao retornar à Europa, colocou-as sob a guarda da Biblioteca da Universidade de Leipzig, onde ainda se encontram. Em 1846, ele publicou o conteúdo das folhas, dando-lhes o nome de Códice Frederico-Augustanus (em homenagem ao Rei da Saxônia, Frederick Augustus, soberano e mecenas de Tischendorf)." 62/43

Em 1853, uma segunda visita de Tischendorf ao mosteiro não resultou em novos manuscritos porque os monges estavam desconfiados devido ao entusiasmo que Tischendorf demonstrava diante do manuscrito que vira por ocasião de sua primeira visita, em 1844. Em 1859, durante uma terceira visita e sob a direção do Czar da Rússia, Alexandre II, pouco antes de partir, Tischendorf presenteou o administrador do mosteiro com uma edição da Septuaginta, que ele publicara em Leipzig. "Imediatamente o administrador comentou que ele também possuía uma cópia da Septuaginta e, de um armário em sua cela, retirou um manuscrito enrolado num pano vermelho. Ali, perante os olhos supremos do estudioso, jazia o tesouro que ele vinha desejando ver. Escondendo suas emoções, Tischendorf casualmente pediu permissão para examiná-lo mais vagarosamente aquela noite. Com a permissão concedida e tendo-se retirado para seu quarto, Tischendorf passou a noite toda tendo o prazer de estudar o manuscrito — pois, como escreveu em seu diário (que, sendo um erudito, mantinha em latim), quippe dormire nefas videbatur ('na verdade, dormir parecia um sacrilégio')! Logo descobriu que o documento continha muito mais do que ele até mesmo esperara; pois não apenas a maior parte do Antigo Testamento estava ali, como também o Novo Testamento estava intacto e em excelentes condições, havendo também duas antigas obras cristãs do segundo século, a Epístola de Barnabé (anteriormente conhecida só através de uma tradução latina bem deficiente) e uma grande porção de Pastor de Hermas, obra até então só conhecida de nome". 62/44

O Códice Alexandrino (400 A.D.) encontra-se no Museu Britânico. Está escrito em grego. A Enciclopédia Britânica acredita que foi escrito no Egito. Contém quase toda a Bíblia.



O Códice Ephraemi (século quinto A.D.) encontra-se na Biblioteca Nacional, em Paris. A Enciclopédia Britânica afirma que "sua origem no século quinto e as evidências que fornece tornam-no importante para o texto de certas passagens do Novo Testamento." 25/579; 15/183

Nesse manuscrito estão todos os livros, com exceção de 2 Tessalonicenses e 2 João.

O Códice Beza (segunda metade do século quinto) encontra-se na Biblioteca de Cambridge e contém os Evangelhos e Atos, não apenas em grego, mas também em latim.

O Códice Washington (ou Freeriano) (cerca de 450 A.D.) contém os quatro evangelhos. 37/39

O Códice Claromontano (século sexto) contém as epístolas paulinas. E um manuscrito bilíngüe.
4C. A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA POR VÁRIAS TRADUÇÕES
As traduções antigas constituem um outro forte apoio em favor do testemunho e exatidão dos textos. Em sua maior parte, "raramente a literatura antiga era traduzida para um outro idioma". 37/45

Desde o início, o cristianismo tem sido uma religião missionária.



"As primeiras versões do Novo Testamento foram preparadas por missionários, para auxiliarem na propagação da fé cristã entre os povos cujas línguas nativas eram o siríaco, o latim ou o copta." 62/67

As versões (traduções) do Novo Testamento em siríaco e em latim foram feitas por volta de 150 A.D. Isso nos deixa bem próximos da época da composição dos originais.





1D. Versões Siríacas
A Velha Versão Siríaca contém os quatro evangelhos, copiada por volta do século quarto. É preciso explicar que "siríaco é o nome geralmente dado ao aramaico cristão. É escrito numa variação distinta do alfabeto aramaico". 15/193

Teodoro de Mopsuéstia (século quinto) escreveu: "Foi traduzida para a língua dos sírios". 15/193



Peshita. O sentido básico dessa palavra é "simples". Foi a versão padrão, preparada por volta de 150-250 A.D. Hoje existem mais de 350 manuscritos conhecidos, copiados no século quinto. 32/317

Siríaca Palestinense. A maioria dos estudiosos atribuem a essa versão a data de aproximadamente 400450 A.D. (século quinto). 62/68-71

Filoxênia (508 A.D.). Policarpo preparou uma nova tradução do Novo Testamento em siríaco do Novo Testamento para Filoxeno, bispo de Mabbug. 37/49

Harcleiana. Feita em 616 A D. por Thomas Harkel.
2D. Versões Latinas
Velha Latina. Existem testemunhos, a partir do século quarto até o século treze, de que, no século terceiro, "uma velha versão latina circulou no norte da África e na Europa..."

Velha Latina Africana (Códice Bobbiense) 400 A.D. Metzger diz que "E. A. Lowe revela indícios paleográficos de ter sido copiada de um papiro do século segundo". 62/72-74

O Códice Corbiense (400-500 A.D.) contém os quatro evangelhos.

Códice Vercelense (360 A.D.).

Códice Palatino (século quinto A.D.).

Vulgata Latina (vulgata é palavra que significa "comum" ou "popular"). Jerônimo era secretário de Damásio, bispo de Roma. Entre 366 e 384, Jerônimo atendeu a um pedido do bispo para que preparasse uma versão. 15/201
3D. Versões Captas (ou Egípcias)
F. F. Bruce escreve que é provável que a primeira versão egípcia foi traduzida no século terceiro ou quarto. 15/214

Sahídica. Início do terceiro século. 62/79-80

Bohaírica. Rodalphe Kasser, que editou o texto impresso dessa versão, calcula que ela deve datar do século quarto. 37/50

Médio-Egípcio. Século quarto ou quinto.

Existem mais de 15.000 cópias de várias versões


4D. Outras Versões Antigas
Armênia (a partir de 400 A.D.). Parecer ter sido traduzida de uma Bíblia em grego obtida em Constantinopla. Gótica. Século quarto. Geórgica. Século quinto. Etiópica. Século sexto. Núbia. Século sexto.
5C. A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA PELOS PRIMEIROS PAIS DA IGREJA
A Enciclopédia Britânica afirma: "Após ter examinado os manuscritos e versões, o crítico textual ainda assim não esgotou o estudo das provas em favor do texto do Novo Testamento. Freqüentemente os escritos dos primeiros pais da igreja refletem uma forma de texto diferente da de um ou outro manuscrito... os testemunhos que dão do texto, especialmente quando corroboram leituras oriundas de outras fontes, são algo que o crítico textual deve consultar antes de formar juízo a respeito". 25/579

J. Harold Greenlee diz que as citações da Escritura nas obras dos primeiros escritores cristãos "são em número tão grande que é virtualmente possível reconstituir o Novo Testamento a partir dessas citações, sem fazer uso dos manuscritos do Novo Testamento". 37/54

Em refência às citações em comentários, sermões, etc, Bruce Metzger reitera a declaração acima, dizendo: "De fato, essas citações são tão vastas que, se todas as demais fontes de conhecimento sobre o texto do Novo Testamento fossem destruídas, sozinhas essas citações seriam suficientes para a reconstituição de praticamente todo o Novo Testamento". 62/86

Sir David Dalrvmple estava refletindo sobre a preponderância das Escrituras nos escritos antigos, quando alguém lhe perguntou: "Supondo que o Novo Testamento houvesse sido destruído, e se tivessem perdido todas as suas cópias, seria possível até o fim do terceiro século reconstruí-lo novamente a partir dos escritos dos pais da igreja do segundo e terceiro

séculos'.'"



Após uma prolongada investigação, Dalrymple chegou à seguinte conclusão: "Veja aqueles livros. Você se lembra da pergunta que me fez sobre o Novo Testamento e os pais? Aquela pergunta despertou a minha curiosidade, e, como eu conhecia todas as obras existentes dos pais do segundo e terceiro séculos, comecei a pesquisar e, até agora, já encontrei todo o Novo Testamento, com exceção de onze versículos". 58/35, 36

Uma advertência: Joseph Angus, em História, Doutrina e Interpretação da Bíblia; Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1971, 1953. 2 voL, apresenta algumas limitações dos escritos patrísticos antigos:

  1. Às vezes se fazem citações sem exatidão verbal.

  2. Alguns copistas tinham tendências para erros ou para alterações intencionais.

Clemente de Roma (95 A.D.). Orígenes, em De Principus (Sobre o Principio), livro II, capítulo 3, chama-o de discípulo dos apóstolos. 8/28

Em Contra Heresias, capítulo 23, Tertuliano diz que Clemente foi nomeado por Pedro.

Irineu, prossegue, em Contra Heresias, livro III, capítulo 3, dizendo que "ainda tinha o ensino dos apóstolos ecoando em seus ouvidos e a doutrina deles diante de seus olhos". Ele faz citações de:

Mateus 1 Coríntios

Marcos 1 Pedro

Lucas Hebreus

Atos Tito


Inácio (70-110 A.D.) foi bispo de Antioquia e foi martirizado, tendo conhecido bem os apóstolos. Suas sete cartas contêm citações de:



Mateus Efésios 1 e 2 Tessalonicenses

João Filipenses 1 e 2 Timóteo

Atos Gálatas 1 Pedro

Romanos Colossenses

1 Coríntios Tiago
Policarpo (70-156 A.D.), martirizado aos 86 anos de idade, foi bispo de Esmirna e discípulo do apóstolo João.

Entre outros que também citaram o Novo Testamento encontram-se Barnabé (cerca de 70 A.D.), Hermas (cerca de 95 A.D.), Taciano (cerca de 170 A.D.) e Irineu (cerca de 170 A.D.).

Clemente de Alexandria (150-212 A.D.). Dentre as citações que faz, 2.4000 são do Novo Testamento. Ele cita todos os livros, com exceção de três.

Tertuliano (160-220 A.D.) foi presbítero da igreja em Cartago, tendo citado mais de 7.000 vezes o Novo Testamento, das quais 3.800 são citações dos Evangelhos.

Hipólito (170-235 A.D.) faz mais de 1.300 referências ao Novo Testamento.

Justino Mártir (133 A.D.) combateu o herege Marcião.

Orígenes (185a 253 ou 254 A.D.). Esse dinâmico escritor fez uma compilação a partir de mais de 6.000 obras. Ele apresenta mais de 18.000 citações do Novo Testamento. 32/353

Cipriano (falecido em 258 A.D.) foi bispo de Cartago. Ele usa aproximadamente 740 citações do Antigo Testamento e 1.030 do Novo Testamento.

Geisler eNix acertadamente concluem dizendo que, "a esta altura, um rápido apanhado estatístico mostrará a existência de umas 32.000 citações do Novo Testamento feitas até a época do Concilio de Nicéia (325 A.D.). Essas 32.000 são apenas um número parcial, e nem mesmo incluem os escritores do século quarto. Apenas acrescentando-se as citações feitas por um outro escritor, Eusébio, que escreveu prolificamente num período que vai até o Concilio de Nicéia, teremos o total de citações do Novo Testamento aumentado para mais de 36.000". 32/353, 354

A todos esses ainda se pode acrescentar os nomes de Agostinho, Amábio, Latâncio, Crisóstomo, Jerônimo, Gaio Romano, Atanásio, Ambrosósio de Milão, Cirilo de Alexandria, Efraim o Sírio, Hilário de Poitiers, Gregório de Nissa, etc.



Sobre as citações patrísticas do Novo Testamento, Leo Jaganay escreve: "Dentre as volumosas obras de material não publicado que o deão Burgon deixou ao morrer, destaca-se o índice de citações do Novo Testamento, feitas pelos pais da Igreja antiga. Consiste de dezesseis espessos volumes que se encontram no Museu Britânico, e contém 86.489 citações". 44/48
CITAÇÕES PATRÍSTICAS ANTIGAS DO NOVO TESTAMENTO *


ESCRITOR

Evangelhos

Atos

Epístolas Paulinas

Epístolas Gerais

Apocalipse

Total





Justino Mártir

268

10

43

6

3 (266 alusões)

330

Irineu

1.038

194

499

23

65

1.819

Clemente

de Alexandria


1.017

44

1.127

207

11



2.406

Orígenes

9.231

349

7.778

399

165

17:922

Tertuliano

3.822

502

2.609

120

205

7.258

Hipólito

734

42

387

27

188

1.378

Eusébio

3.258

211

1.592

88

27

5.176


Totais 19.368 1.352 14.035 870 664 36.289

6C. A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA PELOS LECIONÁRIOS
Essa é uma área grandemente negligenciada, e, no entanto, o segundo maior grupo de manuscritos gregos do Novo Testamento é o dos lecionados.

Bruce Metzger explica a origem dos lecionários: "Seguindo o costume das sinagogas, mediante o qual em todos os sábados, por ocasião do culto religioso, liam-se trechos da lei e dos profetas, a Igreja Cristã adotou a prática de ler trechos dos livros do Novo Testamento por ocasião dos cultos. Desenvolveu-se um sistema regular de lições dos Evangelhos e das Epístolas, e surgiu o costume de prepará-las de acordo com uma ordem fixa de domingos e outros dias santificados do ano cristão". 62/30

Metzger prossegue, dizendo que 2.135 lecionários já foram catalogados, mas que, até o momento, a maioria deles ainda espera um exame crítico.

J. Harold Greenlee afirma que "os mais antigos fragmentos de lecionários são do século sexto, enquanto existem manuscritos completos com datas a partir do século oitavo." 37/45

Em geral, os lecionários refletiam uma atitude bem conservadora e utilizavam textos mais antigos. Isto os torna muito valiosos na crítica textual. 62/31
3B. O Teste Bibliográfico da Credibilidade do Antigo Testamento
Ao contrário do Novo Testamento, no caso do Antigo Testamento não dispomos da abundância de manuscritos copiados em data próxima à composição original. Até a recente descoberta dos Rolos do Mar Morto, o mais antigo e completo manuscrito hebraico existente havia sido copiado por volta de 900 A.D. Isso representava um intervalo de 1.300 anos. (O Antigo Testamento hebraico foi completado por volta de 400. a.C.) À primeira vista tem-se a impressão de que o Antigo Testamento não é mais confiável do que os outros textos da literatura antiga. (Veja a página 54).

Com a descoberta dos Rolos do Mar Morto, vários manuscritos do Antigo Testamento foram encontrados, aos quais os estudiosos atribuem datas anteriores à época de Cristo.



Quando os fatos são conhecidos e comparados, surge um número surpreendentemente grande de motivos para se crer que os manuscritos que possuímos são confiáveis. Descobriremos que, tal como diz Sir Frede-ric Kenyon, "o cristão pode apanhar a Bíblia toda na mão e dizer, sem receio ou hesitação, que está segurando a verdadeira Palavra de Deus, transmitida de geração em geração, através dos séculos, sem nenhuma perda expressiva." 49/23

Em primeiro lugar, a fim de perceber a singularidade das Escrituras no aspecto da credibilidade, é preciso examinar o extremo cuidado com que os copistas transcreveram os manuscritos do Antigo Testamento.
1C. OS TALMUDISTAS (100-500 A.D.)
Durante esse período gastou-se grande parte do tempo na catalogação das leis civis e canônicas dos hebreus. Os talmudistas possuíam um sistema bem intricado para transcrever os rolos das sinagogas.

Samuel Davidson descreve algumas das exigências que os talmudistas deviam seguir, em relação às Escrituras. Essas minuciosas diretrizes (estarei empregando a numeração incorporada por Geisler e Nix ao texto de Davidson) são as seguintes: "(1) o rolo de uma sinagoga deve ser escrito em peles de animais puros, (2) preparados por um judeu para o uso específico da sinagoga. (3) Essas peles devem ser presas por meio de barbantes feitos de animais puros. (4) Cada pele deve conter um certo número de colunas, o qual deve se manter igual por todo o códice. (5) O comprimento de cada coluna não deve ser inferior a 48 nem superior a 60 linhas e a largura deve ser de trinta letras. (6) Deve-se primeiramente traçar as linhas de toda a cópia, e se três palavras forem escritas sem linha, a cópia fica inutilizada. (7) A tinta deve ser preta, e não vermelha, verde, nem qualquer outra cor, e deve ser preparada de acordo com uma fórmula específica. (8) Deve-se fazer a cópia a partir de uma cópia autêntica, da qual o transcritor não deve se desviar de modo algum. (9) Não se deve escrever nenhuma palavra ou letra, nem mesmo um iode, de memória, isto é, sem o escriba tê-lo visto no códice diante de si... (10) Entre cada consoante deve haver o espaço de um fio de cabelo ou de uma linha; (11) entre cada novo parashah, ou capítulo, deve haver a largura de nove consoantes; (12) entre um livro e outro deve haver três linhas. (13) O quinto livro de Moisés deve terminar exatamente no final de uma linha; mas com os demais isso não é preciso. (14) Além disso, o copista deve estar vestido com trajes judaicos a rigor, (15) lavar o corpo todo, (16) não começar a escrever o nome de Deus com uma pena recém-mergulhada na tinta, (17) e, caso um rei se dirija a ele enquanto está escrevendo o nome de Deus, não deve dar atenção ao rei". 21/89; 32/241

Davidson acrescenta que "os rolos que não são feitos de acordo com essas especificações estão condenados a ser enterrados ou queimados, ou ser banidos para as escolas, para serem usados como livros de leitura".

Por que não temos outros manuscritos antigos? A própria ausência de manuscritos antigos, considerando-se as exigências feitas aos copistas e os cuidados que eles tomavam, confirma a credibilidade das cópias que temos hoje.

Ao comparar as variações de manuscritos do texto hebraico com as da literatura pré-cristã (como o Livro dos Mortos, dos egípcios), Gleason Archer Jr. afirma que surpreende o fato de que o texto hebraico não tenha o fenômeno de discrepâncias e de alteração dos manuscritos, presente em outros textos de literatura da mesma época. Ele escreve: "Muito embora as duas cópias de Isaías descobertas em 1947, na caverna número 1 de Qumran (próximo ao mar Morto) fossem mil anos mais antigas que o mais velho manuscrito até então conhecido (980 A.D.), verificou-se que, em mais de 95% do texto, eram idênticas palavra, por palavra ao nosso texto hebraico padrão. Os 5% de variação são, principalmente, erros óbvios de cópia e variações de ortografia. Mesmo os fragmentos de Deuteronômio e Samuel, descobertos no mar Morto e que indicam pertencerem a uma família de manuscritos diferente da do nosso texto hebraico conhecido, não apontam para quaisquer diferenças de doutrina ou de ensino. Absolutamente não afetam a mensagem revelada". 10/25

Os talmudistas tinham tanta certeza de que, ao terminarem de transcrever um manuscrito, eles teriam uma cópia exata, que atribuíam à nova cópia uma autoridade igual à do original.

Em Our Bible and the Ancient Manuscripts (Nossa Bíblia e os Manuscritos Antigos), Frederic Kenyon entra em mais detalhes sobre a questão acima e sobre a destruição das cópias mais antigas: "O mesmo extremo cuidado devotado à transcrição dos manuscritos também explica o desaparecimento de cópias mais antigas. Após um manuscrito ter sido copiado com a exatidão determinada pelo Talmude, e após ter sido devidamente conferido, era aceito como autêntico e considerado como tendo igual valor ao de qualquer outra cópia. Sendo todos igualmente corretos, a idade não significava vantagem para um manuscrito; ao contrário, a idade era positivamente uma desvantagem, pois, com o de correr do tempo, um manuscrito estava sujeito a tornar-se ilegível ou a sofrer algum dano. Uma cópia defeituosa ou imperfeita era imediatamente considerada imprópria para o uso".

"Junto a cada sinagoga havia uma 'Gheniza', ou armário de madeira, onde eram deixados manuscritos defeituosos. Foi nesses armários que se encontraram, em épocas recentes, alguns dos mais antigos manuscritos atualmente conhecidos. Assim sendo, ao invés de considerar uma cópia mais antiga das Escrituras como mais valiosa, o costume judeu foi o de dar preferência à mais nova, considerando-a como a mais perfeita e isenta de defeitos. É natural que as cópias mais antigas, uma vez postas na 'Gheniza', se perdessem, seja por falta de cuidado, seja por serem deliberadamente queimadas quando a 'Gheniza' ficava lotada de manuscritos."

"Por essa razão, a ausência de cópias bem antigas da Bíblia hebraica não precisa causar surpresa ou inquietação. Se, às causas já mencionadas, acrescentarmos as repetidas perseguições (implicando destruição de muitos bens) sofridas pelos judeus, estará satisfatoriamente explicado o desaparecimento de manuscritos antigos, e poderá ser aceito que os manuscritos remanescentes preservem aquilo que afirmam preservar — a saber, o texto massorético." 49/43



"O respeito pelas Escrituras e o interesse pela pureza do texto sagrado não surgiram após a queda de Jerusalém." 36/173

Pode-se remontar a Esdras 7:6, 10, onde se afirma que Esdras era um "escriba versado". Ele era um profissional hábil nas Escrituras.
2C. O PERÍODO MASSORÉTICO (500-900 A.D.)
Os massoretas (palavra que vem do hebraico massorat, "tradição") aceitaram o fatigante trabalho de editar o texto e padronizá-lo. Seu centro de atividades foi Tiberíades. O texto que os massoretas produziram é chamado de texto "massorético". Esse texto a que os massoretas chegaram recebeu pontuação vocálica, a fim de garantir a pronúncia correta. O texto massorético é, hoje, o texto hebraico padrão.

Os massoretas eram bem disciplinados e tratavam o texto "com a maior reverência que se possa imaginar, tendo elaborado um complicado sistema de salvaguardas contra erros de cópia. Por exemplo, eles contavam o número de vezes que cada letra do alfabeto aparecia em cada livro; eles assinalavam a letra que ficava exatamente no meio do Pentateuco e a que ficava exatamente no meio da Bíblia toda; e faziam cálculos ainda mais minuciosos do que esses. 'Parece que contaram tudo o que se pode contar', afirma Wheeler Robinson, e elaboraram recursos mnemônicos pelos quais os vários números podiam ser facilmente lembrados". 15/117



Sir Frederic Kenyon diz: "Além de registrar as variantes de leitura, a tradição, ou as conjeturas, os massoretas realizaram inúmeros cálculos que não dizem diretamente respeito à crítica textual. Eles contaram os versículos, as palavras e as letras de cada livro. Eles calcularam a palavra e a letra que ficava no meio de cada livro. Fizeram uma lista dos versículos que continham todas as letras do alfabeto, ou um certo número delas; e assim por diante. No entanto, essas trivialidades, como bem poderíamos considerá-las, tiveram o efeito de garantir uma atenção minuciosa à transmissão fiel do texto; e elas não passam de uma manifestação exagerada de respeito para com as Escrituras Sagradas, manifestação que merece apenas um elogio. Na verdade, os massoretas tinham uma profunda preocupação de que não se omitisse nem se perdesse um só i ou til nem uma só das menores letras ou uma pequena parte de uma letra, da Lei." 49/38

Flávio Josefo, o historiador judeu, escreve: "Temos dado provas visíveis da reverência para com nossas próprias Escrituras. Pois, embora essas prolongadas eras já tenham passado, ninguém se aventurou a acrescentar, ou a remover ou a alterar uma sílaba; e desde o dia de seu nascimento, existe um instinto dentro de cada judeu de considerá-las como decretos de Deus, de viver por elas e, caso necessário, de corajosamente morrer por elas. No passado, repetidas vezes pessoas testemunharam o comportamento de presos, os quais, em vez de pronunciar uma única palavra contra as leis e documentos semelhantes, suportaram toda espécie de torturas e mortes nas arenas". 45/179, 180

Josefo prossegue, fazendo uma comparação entre o respeito dos hebreus para com as Escrituras e o dos gregos para com sua própria literatura: "Qual grego suportaria tanto pela mesma causa? Mesmo para salvar da destruição toda a coleção de escritos da sua nação, ele não enfrentaria o menor dano para si mesmo. Pois, para os gregos, sua literatura são simples histórias inventadas de acordo com a fantasia de seus autores; e eles estão plenamente certos nessa atitude diante de até mesmo os mais antigos historiadores, pois vêem alguns contemporâneos se arriscando a descrever acontecimentos dos quais não tomaram parte, sem ter o cuidado de se informar com aqueles que conhecem os fatos". 45/181


3C. CITAÇÕES E COMENTÁRIOS SOBRE A CREDIBILIDADE DO ANTIGO TESTAMENTO
Os brilhantes comentários de Robert Dick Wilson apontam para a veracidade e confiabilidade das Escrituras, já na época do Antigo Testamento: "Em 144 casos de transliteração dos idiomas egípcio, assírio, babilônio e moabita para o hebraico, e em 40 casos de transliteração no sentido oposto, isto é, num total de 184 casos, os dados comprovam que, durante um período de 2.300 a 3.900 anos, os nomes próprios da Bíblia hebraica têm sido transmitidos com a mais minuciosa exatidão. O fato de os escritores originais terem escrito esses nomes com tanta exatidão, seguindo princípios filológicos corretos, é uma prova maravilhosa de seu grande cuidado e do conhecimento e cultura que tinham. Mais ainda, o fato de o texto hebraico ter sido transmitido por copistas através de tantos séculos é um fenômeno sem igual na história da literatura". 102/71

Wilson acrescenta: "Existiram cerca de quarenta desses reis vivendo entre 2.000 a.C. e 400 a.C. Cada um aparece em ordem cronológica '... em relação aos reis do mesmo país e em relação aos de outros países... Dificilmente se poderia imaginar uma prova mais evidente da exatidão substancial dos registros do Antigo Testamento do que essa relação de reis.' Matematicamente existe uma chance em 750 setilhões de que essa exatidão seja mero acaso". 102/70, 71

Devido às provas Wilson conclui que: "Não se pode negar a prova de que as cópias dos documentos originais têm sido transmitidas com exatidão substancial, por mais de 2.000 anos. Que, de modo semelhante, as cópias existentes 2.000 anos atrás tivessem sido transmitidas a partir dos originais é algo não apenas possível, mas, conforme já demonstramos, é algo provável em face das analogias com os documentos babilônicos que sobreviveram e dos quais temos tanto originais como cópias (distanciados milhares de anos uns dos outros), e com dezenas de papiros que, ao serem comparados com as nossas edições modernas dos clássicos, revelam que somente pequenas alterações ocorreram no texto, durante um período de mais de 2.000 anos, e especialmente em face da exatidão científica e demonstrável com que a ortografia correta dos nomes de reis e das numerosas expressões estrangeiras nos foi transmitida no texto hebraico." 102/85

F. F. Bruce declara que "o texto consonantal da Bíblia hebraica, que os massoretas editaram, havia sido transmitido até aquela época, com notável fidelidade, por um período de praticamente mil anos." 15/178

A conclusão de William Green é que "se pode dizer com segurança que nenhuma outra obra da antigüidade foi transmitida com tanta fidelidade." 36/181

A respeito da exatidão na transmissão do texto hebraico, Atkinson, que foi vice-diretor da biblioteca da Universidade de Cambridge (na Inglaterra), afirma que isso é "quase um milagre".

Atribui-se ao rabino Aquiba (século segundo A.D.), que desejava produzir um texto exato, a declaração de que "a transmissão fiel (massorat) do texto é uma proteção para a Tora". 40/211


4C. O TEXTO HEBRAICO
O Códice do Cairo (895 A.D.) encontra-se no Museu Britânico. Foi preparado pela família massorética de Moses ben Asher. Contém tanto os profetas anteriores como os posteriores. 15/115,116

O Códice dos Profetas de Leningrado (916 A.D.)contém Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores.

O mais antigo manuscrito contendo todo o Antigo Testamento é o Códice Babilônico Petropalitano (1008 A.D.), encontrando-se em Leningrado. Foi preparado a partir de um texto anterior a 1000 A.D., o qual foi corrigido pelo rabino Aaron ben Moses ben Asher. 32/250



O Códice Aleppo (datado de 900 A.D. ou um pouco depois) é um manuscrito excepcionalmente valioso. Chegou a ser dado como perdido, mas em 1958 foi redescoberto. No entanto, sofreu mutilações.

O Códice do Museu Britânico (950 A.D.) contém parte de Gênesis até Deuteronômio.

O Códice Reuchlin dos Profetas (1105 A.D.). A preparação desse texto foi feita pelo massoreta ben Naphtali.


5C. O TESTEMUNHO DOS ROLOS DO MAR MORTO A RESPEITO DA CREDIBILIDADE DAS ESCRITURAS JUDAICAS
Foi Sir Frederic Kenyon quem, pela primeira vez, fez a grande pergunta: "Será que esse texto hebraico, que chamamos de massorético e que temos mostrado como descendente de um texto preparado por volta de 100 A.D., apresenta fielmente o texto hebraico, tal como foi escrito pelos autores dos livros do Antigo Testamento?" 49/47

Os Rolos do Mar Morto nos fornecem uma resposta clara e afirmativa.



O problema, antes da descoberta dos Rolos do Mar Morto, era: "Qual a fidelidade das cópias que temos hoje em comparação com o texto do primeiro século?" Pelo fato de ter sido copiado e recopiado tantas vezes, poderemos confiar no texto?
O que são os Rolos do Mar Morto?

Os Rolos são constituídos de cerca de 40.000 fragmentos que foram relacionados. Desses fragmentos mais de 500 livros já foram reconstituídos.

Muitos fragmentos e livros extra-bíblicos foram descobertos, lançando luz sobre a comunidade religiosa de Qumran. Esses escritos, tais como os "documentos de justiça", uma "Regra da Comunidade" e o "Manual de Disciplina", ajudam-nos a entender o propósito da vida diária em Qumran. Em diversas cavernas estão alguns comentários bem úteis sobre as Escrituras.
Como foram achados os Rolos do Mar Morto?

Quero aqui citar Ralph Earle, que apresenta uma descrição detalhada, porém concisa, de como os Rolos foram encontrados.

"A história dessa descoberta é um dos acontecimentos mais fascinantes da era contemporânea. Em fevereiro ou março de 1947 um rapazinho beduíno, que trabalhava como pastor de animais e que tinha o nome de Muhamad, estava procurando uma cabra perdida. Ele atirou uma pedra num buraco existente num penhasco, à margem ocidental do mar Morto, cerca de treze quilômetros ao sul de Jerico. Para sua surpresa, ouviu o som de vasos se quebrando. Ao examinar o que acontecera, viu algo surpreendente diante de si. No chão da caverna havia diversos vasos grandes que continham rolos de couro, envolvidos em pano de linho. Pelo fato de os vasos terem sido cuidadosamente selados, os rolos tinham sido preservados em excelentes condições, durante quase 1.900 anos. (Foram evidentemente ali colocados em 68 A.D.)"

"Cinco dos rolos encontrados na Caverna Número Um do Mar Morto, como é agora chamada, foram comprados pelo arcebispo do Mosteiro Ortodoxo Sírio de Jerusalém. Nesse ínterim, três outros rolos foram adquiridos pelo professor Sukenik, da Universidade Hebraica de lá."

"Quando os rolos foram inicialmente descobertos, não se deu publicidade a eles. Em novembro de 1947, dois dias após o professor Sukenik ter adquirido três rolos e dois vasos da caverna, escreveu em seu diário: 'É possível que esta seja uma das maiores descobertas já feitas na Palestina, uma descoberta que jamais imaginamos pudesse acontecer'. Todavia, essas significativas palavras não foram publicadas à época."

"Felizmente, em fevereiro de 1948, o arcebispo, que não lia hebraico, telefonou para a Escola Americana de Pesquisa Oriental, em Jerusalém, e falou a respeito dos rolos. Devido à providência divina, a pessoa que estava substituindo o diretor da escola era um jovem erudito chamado John Trever, que também era excelente fotógrafo amador. Num trabalho árduo e dedicado, fotografou cada coluna do grande rolo de Isaías, que mede sete metros de comprimento e vinte e cinco centímetros de altura. Ele mesmo revelou o filme e enviou algumas cópias ao Dr.W. F. Albright, da Universidade Johns Hopkins (nos Estados Unidos), que era reconhecido por muitos como o decano dos arqueólogos bíblicos norte-americanos. Numa carta Albright respondeu: 'Minhas mais calorosas saudações pela maior descoberta de manuscritos da nossa época! ... Que achado absolutamente incrível! E felizmente não se pode ter a menor sombra de dúvida quanto à autenticidade do manuscrito'. Ele atribuiu ao manuscrito a data de aproximadamente 100 A. D. 23/48,49

Trever cita ainda a opinião de Albright: "Não tenho dúvida alguma de que o manuscrito é mais antigo do que o papiro Nash... Prefiro uma data de aproximadamente 100 A. D..." 32/260
O Valor dos Rolos

O mais antigo manuscrito com o texto hebraico completo que possuíamos fora preparado em 900 A.D. ou depois. Como poderíamos ter certeza da transmissão fiel do texto desde a época de Cristo, em 32 A.D.? Graças à arqueologia e aos Rolos do Mar Morto, agora podemos ter certeza. Um dos rolos era um manuscrito com o texto hebraico completo de Isaías. Os paleógrafos datam-no de 125 a.C. Esse manuscrito é em mais de mil anos mais antigo do que qualquer outro manuscrito anteriormente conhecido.

O impacto dessa descoberta está em que o rolo de Isaías (125 a.C.) corresponde exatamente ao texto massoretico de Isaías (916 A.D.), preparado 1.000 anos depois. Isso demonstra a fidelidade e exatidão incomuns dos copistas pelo período de mil anos.

"Das 166 palavras em Isaías 53, só há dúvidas sobre dezessete letras. "ez dessas letras são uma simples questão de ortografia, o que não afeta o sentido. Quatro outras letras implicam pequenas alterações estilísticas, tais como conjunções. As três letras restantes formam a palavra luz, que é acrescentada no versículo onze, e que não afeta grandemente o sentido. Além do mais, essa palavra tem o apoio da Septuaginta e do fragmento de Qumran lQIs. De modo que, num capítulo de 166 palavras, há dúvidas sobre uma única palavra (três letras) após mil anos de transmissão — e essa palavra não altera significativamente o sentido da passagem." 32/263

F. F. Bruce diz: "Um rolo incompleto de Isaías, encontrado junto com outro na Caverna Número Um de Qumran, e devidamente distinguido do outro pelo nome de 'Isaías B', concorda ainda mais de perto com o texto massorético". 15/123

Gleason Archer Jr. afirma que se verificou que as cópias de Isaías da comunidade de Qumran, "em mais de 95% do texto, eram idênticas, palavra por palavra, ao nosso texto hebraico padrão. Os 5% de variação constituem principalmente, erros óbvios de cópia e variação de ortografia." 10/19

Millar Burrows, citado por Geisler e Nix, conclui: "É de maravilhar que, durante aproximadamente mil anos, o texto sofreu tão poucas alterações. Conforme afirmei no primeiro artigo sobre o rolo, 'nisto reside sua grande importância: confirmar a fidelidade da tradição massorética'." 32/261
6C. A SEPTUAGINTA COMPROVA A AUTENTICIDADE DO TEXTO HEBRAICO
Os judeus foram espalhados para longe da terra natal e então surgiu a necessidade de haver as Escrituras no idioma mais falado da época. A Septuaginta (palavra que significa "setenta" e que geralmente é abreviada, por meio de algarismos romanos, para LXX) foi o nome dado à tradução em grego das Escrituras hebraicas, tradução esta preparada durante o reinado de Ptolomeu Filadelfo, do Egito (285-246 a.C).

F. F. Bruce apresenta uma interessante explicação sobre o nome dessa tradução. Acerca de uma carta que se supunha ter sido escrita por volta de 250 a.C. (mais provavelmente um pouco antes de 100 a.C.) por Aristeu, um oficial da corte do rei Ptolomeu, a seu irmão Filócrato, Bruce afirma: "Ptolomeu era reconhecido como um incentivador da literatura, e foi em seu reinado que foi inaugurada a grande biblioteca de Alexandria, que durante novecentos anos foi uma das grandes maravilhas do mundo. A carta descreve como Demétrio de Falero, que se se acredita ter sido o bibliotecário de Ptolomeu, despertou o interesse do rei a respeito da lei judaica e o aconselhou a enviar uma delegação ao sumo-sacerdote Eleazar, em Jerusalém.

O sumo-sacerdote escolheu como tradutores seis anciões de cada uma das doze tribos de Israel e enviou-os à Alexandria, junto com um pergaminho especialmente exato e ornamentado da Tora. Os anciões foram regiamente hospedados e demonstraram sua sabedoria em debates travados.

Então, instalaram residência numa casa na ilha de Faros (a ilha que também foi famosa por seu farol), onde em setenta e dois dias completaram a tarefa de traduzir o Pentateuco para o grego, apresentando uma versão fiel, fruto do trabalho de conferir e comparar os textos." 15/146, 147

Estando bem próximo do texto massorético (916 A.D.) que temos hoje, a Septuaginta ajuda a confirmar a credibilidade da transmissão do texto massorético através de 1.300 anos. A maior divergência entre a Septuaginta e o texto massorético encontra-se no livro de Jeremias.

A Septuaginta e as citações das Escrituras encontradas nos livros apócrifos de Eclesiástico, Jubileu e outros, comprovam que o texto hebraico que temos hoje é substancialmente o mesmo de cerca de 300 a.C.

Geisler e Nix, no livro muito útil que escreveram, A General Introduction to the Bible (Uma Introdução Geral à Bíblia), apresentam quatro importantes contribuições da Septuaginta. "(1) Ao atender às necessidades dos judeus alexandrinos, ela cobriu o vazio religioso entre os povos de fala hebraica e grega; (2) ela preencheu o elo histórico que separava o Antigo Testamento judaico dos cristãos de idioma grego, os quais iriam usá-lo junto com o Novo Testamento; e (3) ela abriu um precedente para os missionários traduzirem as Escrituras em várias línguas e dialetos; (4) na crítica textual, ela supre uma lacuna ao concordar de modo substancial com o texto hebraico do Antigo Testamento (códices Álefe, A, B, C e outros)." 32/308

F. F. Bruce apresenta algumas razões pelas quais os judeus se desinteressaram pela Septuaginta:


  1. "... A partir do século primeiro A.D., os cristãos adotaram-na como sua versão do Antigo Testamento e usaram-se livremente para propagar e defender a fé cristã." 15/151

  2. "Uma outra razão para os judeus perderem o interesse pela Septuaginta reside no fato de que por volta de 100 A.D. um texto padrão revisado foi estabelecido por eruditos judeus para a Bíblia hebraica..." 15/151


7C. O TEXTO SAMARITANO (quinto século a.C.)
Esse texto contém o Pentateuco e é valioso para se decidir entre diferentes leituras textuais. Bruce afirma que, "comparando-se com aquilo que concordam, as variações entre o Pentateuco Samaritano e a edição massorética (916 A.D.) desses livros são bem insignificantes". 15/122
8C. OS TARGUNS (surgem em forma escrita (cópias) 500 A. D.)
O sentido básico da palavra targum é "interpretação". São paráfrases do Antigo Testamento.

Depois que os judeus foram levados ao cativeiro, o aramaico passou a ser falado em lugar do hebraico. Isso fez com que os judeus necessitassem das Escrituras na língua que era falada.

Os principais targuns são (1) O Targum de Onquelos (60 a.C, que alguns dizem que foi feito por Onquelos, um discípulo do grande erudito judeu Hillel). Contém o texto hebraico do Pentateuco. (2) O Targum de Jônatas ben Uzziel (30 a.C.?), que contém os livros históricos e os Profetas.



F. F. Bruce apresenta um interessante relato sobre a origem dos targuns: "... A prática da leitura pública das Escrituras nas sinagogas ser acompanhada por uma paráfrase oral na língua vernácula, o aramaico, foi crescendo nos últimos séculos antes da era cristã. Naturalmente, à medida que o hebraico ia se tornando uma língua cada vez menos falada e cada vez menos familiar ao povo, foi necessário proporcionar-lhes uma interpretação do texto das Escrituras numa língua que conhecessem, de modo que pudessem compreender o que se lia. A pessoa incumbida de fazer essa paráfrase oral era chamada de methurgeman (tradutor ou intérprete) e a paráfrase propriamente dita era denominada targum

... O methurgeman ... não tinha permissão para ler em um rolo a sua interpretação, pois a congregação poderia incorrer no engano de pensar que ele estivesse lendo as Escrituras originais. Provavelmente, tendo em vista a exatidão e fidelidade, mais tarde estabeleceu-se que não mais de um versículo do Pentateuco e três versículos dos Profetas poderiam ser traduzidos numa única etapa.

Oportunamente esses targuns foram postos em forma escrita." 15/133


Qual o valor dos targuns?

J. Anderson, em The Bible, the Word of God (A Bíblia, a Palavra de Deus), confirma o valor dos targuns ao dizer: "A grande utilidade dos antigos targuns está em provar a autenticidade do texto hebraico, ao demostrar que o texto do período em que os targuns foram feitos é o mesmo que existe entre nós hoje. 8/17
9C. O MISNÁ (200 A.D.)
Essa palavra significa "explicação, ensino". O misná contém uma coleção das tradições e exposições judaicas da lei oral. Eram escritos em hebraico e freqüentemente considerados como a Segunda Lei. 32/306

As citações escriturísticas são bem semelhantes ao texto massorético e atestam sua fidedignidade.
10C. OS GUEMARÁS (Palestino - 200 A.D.; Babilônico - 500 A.D.)
Esses comentários, escritos em aramaico e que cresceram em torno do Misná, contribuem para a credibilidade do texto massorético.

O Misná, e o Guemará Babilônico formam o Talmude Babilônico.
Misná + Guemará Babilônico = Talmude Babilônico

Misná + Guemará Palestino = Talmude Palestino
11C. O MIDRAXE (100 a.C. - 300 A.D.)
O Midraxe compunha-se de estudos doutrinários do texto hebraico do Antigo Testamento. As citações do Midraxe são substancialmente massoréticas.
12C. A HEXAPLA (isto é, a sêxtupla)
Orígenes (185-254 A.D.) preparou uma harmonia do Antigo Testamento em seis colunas: Septuaginta, traduções de Áquila, de Símaco, de Teodócio, o texto hebraico em caracteres hebraicos, e transliterado em grego.

A Hexapla, mais os escritos de Josefo, Filo e os Documentos de Justiça (da literatura da comunidade de Qumran, junto ao mar Morto), "testificam a existência de um texto bem semelhante ao massorético, no período entre 40 e 100 A.D." 85/148
4B. O Teste Interno da Credibilidade das Escrituras
1C. O BENEFICIO DA DÚVIDA
Sobre esse teste, John Warwick Montgomery escreve que os críticos literários ainda seguem o dito de Aristóteles de que, "em caso de dúvida, deve-se favorecer o próprio documento, e não a posição questionadora do crítico". 64/29

De modo que "deve-se aceitar as afirmações do documento que está sendo analisado, e não pressupor fraude ou erro, a menos que o autor invalide o que escreveu devido a contradições ou a inexatidões quanto a fatos conhecidos". 64/29

Horn desenvolve esse pensamento dizendo: "Pense por um instante naquilo que é preciso demonstrar acerca de uma 'dificuldade', a fim de passá-la para a categoria de um argumento contrário à doutrina. Certamente é preciso muito mais do que uma simples aparência de contradição. Primeiro, devemos ter a certeza de que compreendemos corretamente a passagem, o sentido em que ela emprega as palavras e os números. Segundo, de que possuímos todo o conhecimento disponível sobre a questão. Terceiro, de que possivelmente nenhum outro esclarecimento possa, no futuro, ser lançado sobre a questão, esclarecimento que venha de conhecimentos maiores, pesquisa textual, arqueologia, etc."

"... As dificuldades não constituem objeções", acrescenta Robert Horn. "Problemas não solucionados não são necessariamente erros. Isso não é minimizar a área de dificuldade; é vê-la nas suas devidas proporções. Devemos lidar com as dificuldades e os problemas devem nos levar a procurarmos maiores esclarecimentos; mas até que cheguemos ao ponto de ter um esclarecimento total e final sobre qualquer assunto, não estamos em posição de afirmar: 'Este é um erro comprovado, uma objeção inquestionável a uma Bíblia infalível'. Ê bem conhecido o fato de que incontáveis 'objeções' têm sido plenamente respondidas desde o início deste século." 42/86, 87


2C. O VALOR DAS FONTES PRIMÁRIAS
Eles escreveram como testemunhas oculares ou a partir de informações de primeira mão:

Lucas 1:1-3 - "Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem."



2 Pedro 1:16 — "Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade."

1 João 1:3 — "... o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo."

Atos 2:22 - "Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis...."

João 19:35 - "Aquele que isto viu, testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais."



Lucas 3:1 — "No décimo-quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene..."

Atos 26:24-26 — "Dizendo ele estas coisas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar. Paulo, porém, respondeu: Não estou louco, ó excelentíssimo Festo; pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso. Porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta; porquanto nada se passou aí, nalgum recanto."

F. F. Bruce, professor que ocupa a cátedra Rylands de Crítica Bíblica e Exegese, na Universidade de Manchester, diz o seguinte a respeito do valor das fontes primárias dos registros do Novo Testamento: "Os primeiros pregadores do evangelho reconheciam o valor do testemunho de primeira mão, e repetida» vezes fizeram uso dele. 'Somos testemunhas destas coisas' era a afirmação constante e confiante que faziam. E, ao contrário do que parecem pensar alguns escritores, não teria sido absolutamente fácil inventar palavras e obras de Jesus naqueles primeiros dias, quando tantos discípulos estavam por ali espalhados, os quais poderiam lembrar-se do que tinha e do que não tinha acontecido."

"E os primeiros pregadores tiveram que levar em conta não apenas as testemunhas oculares simpáticas ao cristianismo; havia outros bem menos dispostos que também eram conhecedores dos principais fatos sobre o ministério e a morte de Jesus. Os discípulos não podiam se dar ao luxo de correr o risco de apresentar fatos inexatos (para não mencionar uma manipulação internacional dos fatos), os quais seriam imediatamente denunciados por aqueles que teriam imenso prazer em fazê-lo. Pelo contrário, um dos pontos fortes da pregação apostólica original é o apelo confiante ao conhecimento dos ouvintes; eles não apenas diziam 'somos testemunhas destas coisas', mas também 'como vós mesmos sabeis' (Atos 2:22). Caso tivesse havido qualquer tendência para se afastarem dos fatos em qualquer questão importante, a possível presença de testemunhas hostis ali na audiência teria se pronunciado, contestando o que fora dito." 16/33, 44-46
3C. MATERIAL DE FONTES PRIMÁRIAS LEGÍTIMAS
O Novo Testamento deve ser considerado pelos eruditos de hoje como um legítimo documento de fontes primárias, vindo do primeiro século. 64/34, 35

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