Evidência que exige um veredito



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3B. A Conclusão é Óbvia

O que foi dito acima não prova que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas para mim prova que é única ("de cuja espécie não existe outro... A que nada é comparável.").

Um professor universitário comentou comigo: "Se você for uma pessoa inteligente, você lera aquele livro que tem atraído a atenção mais do que qualquer outro, isso se você estiver buscando a verdade."


OBSERVAÇÃO: A Bíblia é o primeiro livro religioso a ser levado para o espaço sideral (ela foi em forma de microfilme). É o primeiro livro lido que descreve a origem da terra (os astronautas leram Gênesis 1:1 — £tNo princípio criou Deus..."). Apenas reflita no fato de que Voltaire afirmou que a Bíblia estaria ultrapassada até 1850.

E também um dos livros mais caros (senão o mais caro). A Bíblia Vulgata Latina de Gutenberg custa mais de 100.000 dólares. Os russos venderam o Códice Sinaítico (uma antiga cópia da Bíblia) à Inglaterra por 510.000 dólares. 73/227



E, finalmente, o mais longo telegrama do mundo foi o Novo Testamento na Edição Revista (Revised Version), enviado de Nova Iorque a Chicago, duas cidades norte-americanas. 73/227

capítulo 2:
Como a Bíblia foi Preparada?...

2A. O PREPARO DAS ESCRITURAS
Muitos têm indagações sobre o contexto da Bíblia, suas divisões e materiais empregados em sua elaboração. Este capítulo irá pô-lo a par do processo de escrita da Bíblia e, creio eu, fará o leitor apreciar ainda mais a Palavra de Deus.
1B. Materiais Empregados na Redação da Bíblia.
1C. MATERIAL PARA ESCRITA
1 D. Papiro

A impossibilidade de recuperar muitos dos antigos manuscritos (um manuscrito é, neste sentido, uma cópia à mão das Escrituras) se deve basicamente aos materiais perecíveis empregados na escrita da Bíblia.

Segundo F. F. Bruce, "há muito, todos... os autógrafos se perderam. Isto não poderia ser diferente, pois tendo sido escritos em papiros (como já vimos) somente em condições excepcionais teriam duração maíor,\ 15/176

Kirsopp Lake assinala que "é difícil resistir à conclusão de que os escribas geralmente destruíam seus exemplares após copiarem os Livros Sagrados". 53/345, 346 Dentre os antigos materiais de escrita, o mais comum era o papiro, feito da planta do mesmo nome. Esse junco crescia nos rios e lagos de pouca profundidade, existentes no Egito e na Síria. Grandes carregamentos de papiros eram despachados através do porto sírio de Byblos. Supõe-se que a palavra grega para livro (biblos) tenha origem no nome desse porto. A palavra portuguesa "papel" vem da palavra grega papyros, isto é, papiro.



The Cambridge History ofthe Bible (A História da Bíblia, de Cam-bridge) relata como se preparava o papiro para a escrita: 'Retiravam-se as películas que envolvem o caule. Essas películas eram cortadas no sentido longitudinal em fitas estreitas, sendo então socadas e prensadas em várias camadas, sendo que cada camada era disposta perpendicularmente em relação à camada de baixo. Quando seca, a superfície esbranquiçada era polida com uma pedra ou outro objeto. Plínio menciona diversos tipos de papiro que foram achados, de diferentes espessuras e superfícies, produzidos antes do período do Novo Império, quando as folhas eram freqüentemente bem delgadas e translúcidas". 38/30

O mais antigo fragmento de papiro de que se tem notícia é de 2400 a.C. 37/19 Os mais antigos manuscritos foram escritos em papiro, e era difícil a preservação de qualquer um desses papiros, exceto em regiões secas, como as áreas desérticas do Egito, ou em cavernas semelhantes às de Qumran, onde foram achados os rolos do mar Morto.

O uso do papiro era bem comum até por volta do século terceiro depois de Cristo. 37/20
2D. Pergaminho

Essa palavra designa "peles preparadas de ovelhas, cabras, antílopes e outros animais". Essas peles eram "tosadas e raspadas" a fim de se obter um material mais durável para a escrita.



F.F. Bruce escreve que "a palavra "pergaminho' tem origem no nome da cidade de Pérgamo, na Ária Menor, pois a produção desse material para escrita esteve, numa certa época, especialmente associada ao local". 15/11
3D. Velino

Era o nome dado à pele de filhotes de diversos animais. Freqüentemente o velino era atingido de púrpura. Alguns dos manuscritos que temos hoje em dia são velino cor-de-púrpura. Geralmente os caracteres escritos sobre o velino purpúreo eram prateados ou dourados.

J. Harold Greenlee informa que os mais antigos rolos de peles de animais são de aproximadamente 1500 a.C. 37/21

4D. Outros Materiais para Escrita
l.E. Ôstraco. Fragmento de cerâmica não-esmaltada, bastante usado entre o povo em geral. Esses fragmentos têm sido encontrados em abundância no Egito e na Palestina (Jó 2:8).
2E. Pedras, que eram escritas com canetas de ferro.
3E. Tabletes de argila inscritos com um instrumento pontiagudo e, então, secados a fim de se ter um registro definitivo (Jeremias 17:13; Ezequiel 4:1). Eram os mais baratos e um dos mais duráveis materiais para escrita.
4E. Tabletes de cera. Um estilete de metal era usado para escrever num pedaço plano de madeira recoberto com cera.
2C. INSTRUMENTOS PARA A ESCRITA
1D. Cinzel

Um instrumento de ferro para entalhar as pedras.


2D Estilete de Metal

"Usava-se o estüeto, um instumento triangular com uma cabeça plana, para fazer marcas nos tabletes de argila e de cera". 32/228.


3D. Pena

Era feita de "juncos (juncus maritimis). com 15 a 40 centímetros de comprimento, sendo que uma das extremidades era cortada de modo a produzir o formato de cinzel achatado, a fim de que se pudesse fazer traços grossos ou finos com as beiradas largas ou estreitas. A pena de junco esteve em uso na Mesopotâmia desde o início do primeiro milênio (a.C), sendo que é bem possível que tenha sido adotada em outros lugares, enquanto que a idéia de uma pena de ave parece ter vindo dos gregos, no século três a.C." (Jeremias 8:8). 38/31

A pena era usada para escrever em velino, pergaminho e papiro.
4D. A tinta geralmente era uma mistura de "carvão, cola e água". 15/13
2B. As Formas dos Livros Antigos
1C. ROLOS

Eram folhas de papiro coladas uma ao lado da outra, formando longas tiras, e, então, enroladas num bastão. O tamanho do rolo era limitado por causa da dificuldade de seu uso. Geralmente se escrevia só de um lado. Um rolo escrito dos dois lados tem o nome de "opistógrafo" (Apocalipse 5:1). Conhecem-se alguns rolos com 43 metros de comprimento, mas em geral, os rolos tinham entre seis e dez metros.

Não é de surpreender que Calímaco, pessoa cuja função consistia em catalogar os livros da biblioteca de Alexandria, tenha dito que "um livro grande é um grande transtorno"' 62/5
2C. FORMA DE CÓDICE OU LIVRO

A fim de tornar a leitura mais fácil e menos desajeitada, as folhas de papiro foram montadas em forma de livro, sendo escritas em ambos os lados. Greenlee afirma que o cristianismo foi o principal motivo para o desenvolvimento de formato do códice, ou volume manuscrito antigo.

Os escritores clássicos escreveram em rolos de papiro até aproximadamente o século três depois de Cristo.
3B. Tipos de Escrita
1C. ESCRITA UNCIAL

Letras maiúsculas deliberadas e cuidadosamente desenhadas, própias para livros. Os códices Vaticano e Sinaítico são manuscritos unciais.


2C. MINÚSCULA CAROLINA

"Uma escrita de letras menores, cursivas... criadas com vistas à produção de livros". 62/9 A mudança de unciais para minúsculas teve início no século nove. 62/9

Os manuscritos gregos eram escritos sem quaisquer espaços entre as palavras. (Até 900 AD. o hebraico era escrito sem vogais, quando os massoretas introduziram a vocalização.)

Bruce Metzger responde o seguinte àqueles que falam da dificuldade de um texto contínuo: "Não se deve, todavia, pensar que essas ambigüidades ocorram com muita freqüência no grego. Nessa língua a regra é que, com bem poucas exceções, as palavras vernáculas só podem terminar em vogai (ou em ditongo) ou em uma dentre três consoantes: n, r e s (ni, rô e sigma) Além do mais, não se supõe que a escrita contínua apresentasse dificuldades excepcionais na hora da leitura, pois, na antigüidade, aparentemente era costume ler em voz alta, mesmo quando se estivesse sozinho. Assim, apesar da inexistência de espaço entre as palavras, ao pronunciar, sílaba por sílaba, o que estava lendo, a pessoa logo se acostumava a ler o texto em escrita contínua". 62/13
4B. Divisões

1C. LIVROS (veja pp. 38, 39). 2C.
CAPÍTULOS

As primeiras divisões foram feitas em 586 a.C, quando o Pentateuco foi dividido em 154 partes (sedarim).



Cinqüenta anos depois foi secionado em mais 54 divisões (paraslú-yyoth) e em 669 segmentos menores, para facilitar a localização de referências. Essa divisão era usada num ciclo de leitura durante um ano.

Os gregos fizeram divisões por volta de 250 A.D. O mais antigo sistema de divisão de capítulos data de aproximadamente 350 A.D., nas margens do códice "Vaticano". 62/22 Geisler e Nix informam que "não foi senão no século treze que essas seções foram mudadas... Estêvão Langton, um professor da Universidade de Paris e, posteriormente, arcebispo de Cantuária, dividiu a Bíblia no atual sistema de capítulos (cerca de 1227 A.D.)". 32/231, 232
3C. VERSÍCULOS

Os primeiros sinais indicativos de versículos variavam desde espaços entre palavras até letras ou números. As primeiras divisões padronizadas de versículos sugiram por volta de 900 A.D.

A Vulgata Latina foi a primeira Bíblia a incorporar tanto a divisão de versículos como a de capítulos, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

capítulo 3:
O Cânon...


3A. O CÂNON
1B. Introdução
1C. O SIGNIFICADO DA PALAVRA "CÂNON"
A palavra cânon tem raiz na palavra "cana", "junco" (do hebraico geneh, através do grego kanonj . O "junco" era usado como uma vara para medir e, por fim, veio a significar "padrão".

Orígenes empregou a palavra "cânon para indicar aquilo que chamamos de 'regra de fé', o padrão pelo qual devemos medir e avaliar..." Mais tarde teve o sentido de "lista" ou "rol". 15/95

Aplicada às Escrituras, a palavra cânon significa "uma lista de livros oficialmente aceitos". 23/31

Deve-se ter em mente que a igreja não criou o cânon nem os livros que estão incluídos naquilo que chamamos de Escrituras. Ao contrário, a igreja reconheceu os livros que foram inspirados desde o princípio, Foram inspirados por Deus ao serem escritos.
2C. TESTES PARA A INCLUSÃO DE UM LIVRO NO CÂNON
Não sabemos exatamente quais foram os critérios que a igreja primitiva usou para escolher os livros canônicos. Possivelmente houve cinco princípios orientadores, empregados para determinar se um livro do Novo Testamento era ou não canônico, se era ou não Escritura. Geisler e Nix registram esses cinco princípios: 32/141

  1. Revela autoridade? - Veio da parte de Deus? (Esse livro veio com o autêntico "assim diz o Senhor"?)

  2. É profético? - Foi escrito por um homem de Deus?

  3. É autêntico? (Os pais da igreja tinham a prática de "em caso de dúvida, jogue fora". Isso acentua a validade do discernimento que tinham sobre os livros canônicos.")

  4. É dinâmico? — Veio acompanhado do poder divino de transformação de vidas?

5. Foi aceito, guardado, lido e usado? — Foi recebido pelo povo de Deus?

Pedro reconheceu as cartas de Paulo como Escrituras em pé de igualdade com as Escrituras do Antigo Testamento (2 Pedro 3:16).
2B. O Cânon do Antigo Testamento
1C. FATORES DETERMINANTES DA NECESSIDADE DO CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO
1D. A destruição de Jerusalém e do templo, em 70 A.D., acabou com o sistema sacrificial judaico. Muito embora o cânon do Antigo Testamento estivesse fixado na mente judaica bem antes de 70 A.D., era necessário algo mais definitivo. Os judeus encontravam-se espalhados e precisavam definir que livros tinham a Palavra oficial de Deus devido à existência de muitos textos extra-escriturísticos e à descentralização. Os judeus se tornaram o povo de um Livro específico, e foi esse livro que os manteve juntos.
2D. O cristianismo começava a florescer e muitos textos, de autoria de cristãos, principiavam a circular. Os judeus necessitavam desmoralizar de modo marcante esses textos, bem como impedir que fossem aceitos junto com os seus próprios escritos e usados nas sinagogas.

É preciso ter cuidado em se fazer separação entre o cânon hebraico, as Escrituras e a grande variedade de literatura religiosa existente.
2C. O CÂNON HEBRAICO
1D. A seguir tem-se um esboço do cânon do Antigo Testamento judaico (extra.'do de minhas anotações feitas no seminário, mas que se pode encontrar em vários livros, tais como as edições modernas do Antigo Testamento Judaico. Verifique The Holy Scriptures (As Escrituras Sagradas, tradução feita segundo o texto massorético, e a Bíblia Hebraica, editada por Rudolph Kittel e Paul Kahle).


A Lei

(Torah)

Os Escritores

(Kethubyim ou fíagiographa)

1. Gênesis

A. Livros Poéticos

2. Êxodo

1. Salmos

3. Levítico

2. Provérbios

4. Números

3. Jó

5. Deuteronômio





Os Profetas (Nebhim) B. Os Cinco Rolos (Megilloth)

1. Cântico dos Cânticos



A. Profetas Anteriores 2. Rute

  1. Josué 3. Lamentações

  2. Juizes 4. Ester

  3. Samuel 5. Eclesiastes

  4. Reis



C. Livros Históricos 1. Daniel

B. Profetas Posteriores 2. Esdras-Neemias

  1. Isaías 3. Crônicas

  2. Jeremias

  3. Ezequiel

  4. Os Doze


Embora a igreja cristã adote o mesmo cânon do Antigo Testamento, o número de livros difere porque dividimos Samuel, Reis, Crônicas, etc, em dois livros cada um; os judeus também consideram os Profetas Menores como um único livro.

A ordem dos livros também é diferente. O Antigo Testamento dos protestantes segue uma seqüência de assuntos em vez de uma seqüência oficial. 32/22

3C. O TESTEMUNHO DE CRISTO A RESPEITO DO CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO
1D. Lucas 24:44. No cenáculo Jesus disse aos discípulos: "que importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos." Com essas palavras "Ele mencionou as três divisões da Bíblia Hebraica - a Lei, os Profetas e os 'Escritos' (aqui chamados de 'Salmos', provavelmente porque o Livro de Salmos é o primeiro e o mais longo livro nessa terceira divisão)." 15/96
2D. João 10:31-36; Lucas 24:44. Jesus discordou das tradições orais dos fariseus (Marcos 7; Mateus 15), não do conceito que tinham do cânon hebraico. 15/104 "Não há indício de qualquer disputa entre Ele e os judeus acerca da canonicidade dos livros do Antigo Testamento". 108/62
3D. Lucas 11:51 (e também Mateus 23:35): "... desde o sangue de Abel até ao de Zacarias". Aqui Jesus confirma o testemunho que dá acerca da extensão do cânon do Antigo Testamento. Abel, como todos sabem, foi o primeiro mártir (Gênesis 4:8). Zacarias é o último mártir citado (de acordo com a ordem dos livros do Antigo Testamento hebraico. Veja a lista acima - 2C, 1D). Foi apedrejado» enquanto profetizava ao povo, "no pátio da casa do Senhor" (2 Crônicas 24:21). Gênesis era o primeiro livro no cânon hebraico, e Crônicas, o último. Em outras palavras, Jesus disse "de Gênesis a Crônicas", ou, como diríamos, de acordo com a nossa ordem dos livros, "de Gênesis a Malaquias". 15/96
4C. TESTEMUNHOS DE ESCRITORES NÃO-BÍLICOS
1D. O mais antigo registro de uma divisão tríplice do Antigo Testamento é o prólogo do livro de Eclesiástico (escrito por volta de 130 a.C). O prólogo, escrito pelo neto do autor, diz: "A Lei, e os profetas, e os outros livros dos pais". Existiam três divisões bem nítidas das Escrituras. 108/71
2D. Josefo, o historiador judeu que viveu no final do primeiro século depois de Cristo, escreve: "... e a maneira como, tenazmente, temos nos apegado a esses livros da nossa própria nação fica evidente através daquilo que fazemos; pois durante as tantas eras que já têm passado ninguém foi tão audaz ao ponto de acrescentar alguma coisa aos livros ou de retirar alguma coisa; mas torna-se natural a todos os judeus, sendo algo espontâneo que ocorre desde o próprio nascimento, considerar que esses livros contêm doutrinas divinas, perseverar nelas e estar disposto a, caso necessário, morrer por elas. Pois não é é novidade para nossos cativos, que são em grande número, serem freqüentemente vistos suportando nas arenas todo tipo de torturas e mortes, a fim de não serem obrigados a pronunciar uma única palavra contra nossas leis e contra os registros que as contêm..." 45/609
3D. O Talmude
1E. Tosefta Yadaim 3:5 diz: "O Evangelho e os livros dos heréticos não tornam as mãos impuras; os livros de Ben Sira e quaisquer outros livros que tenham sido escritos desde a época dele não são canônicos".

70/63; 32/129


2E. Seder Orlam Rabba 30 declara: "Até essa época (a de Alexandre o Grande) os profetas profetizaram através do Espírito Santo; a partir desse momento, inclina o teu ouvido e ouve o que dizem os sábios". 32/129
3E. Talmude Babilônico, Tratado "Sanedrim" VII-VIII, 24: "Depois dos profetas posteriores. Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo se afastou de Israel".
4D. Melito, bispo de Sardes, elaborou a mais antiga lista do cânon do Antigo Testamento de que se tem notícia (cerca de 170 A.D.).

Eusébio (História Eclesiástica, IV. 26j preservou os comentários de Melito. Melito afirmou que obtivera uma lista fidedigna enquanto viajava pela Síria. Os comentários de Melito foram feitos numa carta a um amigo, Anesímio: "Estes são os livros... os cinco livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio. Jesus Naue, Juizes, Rute. Quatro livros de Reinos, dois de Crônicas, os Salmos de Davi, Provérbios de Salomão (também chamado Sabedoria), Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Jó. Dos profetas: Isaías, Jeremias, os Doze num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras".

F. F. Bruce comenta: "É provável que Melito tenha incluído Lamentações junto com Jeremias, e Neemias com Esdras (embora seja curioso encontrar Esdras relacionado entre os profetas). Nesse caso, a lista de Melito contêm todos os livros do cânon hebraico (dispostos em conformidade com a seqüência da Septuaginta), com exceção de Ester. É possível que o livro de Ester não estivesse incluído na lista que recebeu na Síria". 15/100
5D. A tríplice divisão do atual texto judaico (com onze livros nos Escritos) tem origem na Mishnah (tratado Baba Bathra, século quinto depois de Cristo). 32/20
5C. O TESTEMUNHO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DO ANTIGO TESTAMENTO COMO SENDO ESCRITURA SAGRADA
Mateus 21:42; 22:29; 26:54, 56

Lucas 24


João 5:39; 10:35

Atos 17:2,11;18:28

Romanos 1:2; 4:3; 9:17; 10:11; 11:2; 15:4; 16:26

1 Coríntios 15:3,4


Gálatas 3:8; 3:22; 4:30


  1. Timóteo 5:18

  2. Timóteo 3:16 2Pedro 1:20, 21; 3:16


"... Como diz a Escritura ..." (João 7:38), frase dita sem uma identificação mais específica, sugere que deve ter havido uma compreensão geral sobre a relação entre Escritura e os vários livros.
6C. O CONCILIO DE JÂMNIA
Muitos estudantes fazem este comentário: "Ah! eu já sei como se formou o cânon. Os líderes se reuniram num concilio e decidiram que livros eram mais úteis e, então, forçaram os adeptos a aceitá-los". Mas essa é a idéia mais afastada da verdade que se pode ter. (Mas para algumas pessoas, a distância não chega a ser problema na era espacial.)

São apropriados os comentários que F. F. Bruce e H. H. Rowley fazem a respeito: "A principal razão para duvidar que os Escritos estivessem completos à época de nosso Senhor é que existem registros dos debates ocorridos entre os rabinos após a queda de Jerusalém em 70 A.D., debates estes sobre alguns livros dessa divisão da Bíblia. Quando era iminente a destruição da cidade e do templo, um grande rabino, Yohanan ben Zakkai, pertencente à escola de Hilel (um grupo dentro da seita dos fariseus) obteve permissão dos romanos para reconstituir o Sanedrim numa base puramente espiritual. Esse trabalho ocorreu em Jabneh, ou Jâmnia, cidade localizada entre Jope e Azoto (Asdode). Parte do debate travado em Jâmnia foi transmitido oralmente, e posteriormente registrado nos escritos rabínicos. Entre os assuntos debatidos estava a questão de se os livros de Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos e Ester deviam receber o reconhecimento como livros canônicos. Levantaram-se objeções contra esses livros por várias razões. Ester, por exemplo, não continha o nome de Deus, e não era nada fácil harmonizar o ensino de Eclesiastes com a ortodoxia vigente à época. Mas o resultado dos debates de Jâmnia foi a decidida aceitação de todos esses livros como parte das Sagradas Escrituras". 15/97



E H. H. Rowley diz: "Na verdade, não é muito correto falar em Concilio de Jâmnia. Temos conhecimento de debates ali tratados entre os rabinos, mas nada sabemos acerca de decisões oficiais ou formais que tenham sido tomadas, e é provável que os debates tenham sido informais, muito embora tenham ajudado a cristalizar e a estabelecer mais firmemente a tradição judaica". 80/170
7C. A LITERATURA APÓCRIFA DO ANTIGO TESTAMENTO
1D. Introdução
A palavra apócrifo vem do grego apokruphos e significa "oculto" ou "escondido".

Jerônimo, que viveu no quarto século, foi o primeiro a chamar de apócrifo esse grupo de livros. Os apócrifos são os livros acrescentados ao Antigo Testamento pela Igreja Católica, os quais os protestantes afirmam não serem canônicos.
2D. Por que não canônicos?
O Unger's BibleDictionary (Dicionário Bíblico de Unger) apresenta as seguintes razões para a exclusão:

  1. "Estão repletos de discrepâncias e anacronismos históricos e geográficos".

  2. "Ensinam doutrinas falsas que incentivam práticas divergentes das ensinadas pelas Escrituras inspiradas."

  3. "Apelam para estilos literários e apresentam uma artificialidade no trato do assunto, com um estilo que destoa do das Escrituras inspiradas."

  4. "Faltam-lhes os elementos distintivos que conferem caráter divino às autênticas Escrituras, como, por exemplo, a autoridade profética e o sentimento poético e religioso." 99/70


3D. Um Resumo de Cada Livro Apócrifo
Em How We Got Our Bible (Como Obtivemos a Bíblia), excelente guia de estudo de autoria de Ralph Earle, encontramos, resumidamente, os detalhes de cada livro. Devido à qualidade desse resumo, preferi copiar o esboço em vez de apresentar outro.

"1 Esdras (cerca de 150 a.C.) fala da volta dos judeus à Palestina, após o exílio na Babilônia. Baseia-se bastante nos textos de Crônicas, Esdras e Neemias, mas o autor também acrescentou muito material lendário."

"O tópico mais interessante é a História dos Três Guardas. Estavam discutindo sobre qual era a coisa mais forte do mundo. Um disse: "o vinho"; outro: "orei";e o terceiro; "a mulher e a verdade". E colocaram essas três respostas debaixo do travesseiro do rei. Quando este acordou, quis que os três justificassem suas respostas. A decisão unânime foi: "a verdade é, de longe, a mais forte". Por ter dado a resposta certa, como recompensa Zorobabel recebeu permissão para reconstruir o Templo em Jerusalém."

"2 Esdras (100 A.D.) é uma obra apocalíptica que contém sete visões. Segundo dizem, Martinho Lutero ficou tão confuso com essas visões que jogou o livro no rio Elba."

"Tobias (início do segundo século antes de Cristo) é um breve romance. De contendo uma mensagem fortemente farisaica, o livro enfatiza a Lei, os alimentos permitidos, as abluções cerimoniais, a caridade, o jejum e a oração. A afirmação nele existente de que as esmolas trazem o perdão dos pecados é claramente contrária às Escrituras."

"Judite (por volta de meados do segundo século antes de Cristo) também é uma obra fictícia e farisaica. A heroína desse romance é Judite, uma bela viúva judia. Quando sua cidade foi sitiada, tomou consigo sua empregada bem como alimentos que a lei judaica permitia, e se dirigiu à tenda do general atacante. Felizmente, ele havia bebido demais e estava totalmente embriagado. Judite apanhou a espada do general e cortou-lhe fora a cabeça. Então ela e a empregada saíram do acampamento, levando a cabeça dentro da sacola de mantimentos. A cabeça foi pendurada no muro de uma cidade vizinha e o exército assírio, sem líder, foi derrotado."

"Adições a Ester (aproximadamente 100 a.C). Dentre os livros do Antigo Testamento, Ester é o único que não faz qualquer menção de Deus. O livro nos diz que Ester e Mordecai jejuaram, mas não que, especificamente, oraram. Para compensar essa omissão, as Adições possuem longas orações atribuídas aos dois, além de suas cartas supostamente escritas por Artaxerxes."

"Sabedoria de Salomão (cerca de 40 A.D.) foi escrito para evitar que os judeus caíssem no ceticismo, materialismo e idolatria. Tal como em Provérbios, a Sabedoria é personificada. Existem muitos sentimentos nobres expressos nesse livro."

"Eclesiástico, ou Sabedoria de Siraque (cerca de 180 a.C.) revela um nível elevado de sabedoria religiosa, algo semelhante à do livro canônico de Provérbios. Também oferece muitos conselhos práticos. Por exemplo, acerca de conversas ele diz (32:8):

"Sé conciso em teu discurso, dize muito em poucas palavras... Sê como alguém que sabe e ao mesmo tempo cala-se. E novamente (33:4): Prepara tuas palavras e serás ouvido'."



"Em seus sermões João Wesley cita inúmeras vezes o Livro de Eclesiástico. Ainda é largamente usado em círculos anglicanos (episcopais)."

"Baruque (aproximadamente 100 A.D.) se apresenta como tendo sido escrito em 582 a.C. por Baruque, o escriba de Jeremias. Na realidade, o livro está provavelmente tentando interpretar a destruição de Jerusalém, ocorrida em 70 A.D. O livro insta com os judeus para que não se revoltem de novo, mas que se submetam ao imperador. Apesar disso, a revolta de Bar-Cochba contra o domínio romano ocorreu logo depois, em 132-135 A.D. O sexto capítulo de Baruque contém a chamada "Carta de Jeremias", que traz uma séria advertência contra a idolatria - carta provavelmente dirigida aos judeus de Alexandria, cidade do Egito."

"O nosso livro de Daniel contém doze capítulos. No primeiro século antes de Cristo foi acrescentado o capítulo treze, a história de Susana. Ela era a linda esposa de um líder judeu na Babilônia, a cuja casa freqüentemente acorriam anciões e juizes judeus. Dois destes se apaixonaram por ela e tentaram seduzi-la. Quando ela gritou, os dois anciões disseram que haviam-na encontrado nos braços de um jovem. Foi levada a julgamento. Visto que os testemunhos dos dois homens não se contradiziam, foi considerada culpada e condenada à morte."

"Mas um jovem chamado Daniel interrompeu o processo que a levaria à execução e começou a examinar e comparar as testemunhas. Perguntou a cada uma em separado em que árvore do jardim haviam encontrado Susana com um amante. Quando deram respostas diferentes, foram executados, e Susana foi salva."

"Bel e o Dragão foi acrescentado à mesma época, sendo o capítulo catorze de Daniel. O propósito principal era mostrar a loucura da idolatria. Na verdade contém duas histórias."

"Na primeira, o rei Ciro perguntou a Daniel por que não adorava Bel, pois, afinal, aquela divindade demonstrava sua grandiosidade ao consumir diariamente muitas ovelhas, junto com muita farinha e azeite. De modo que Daniel espalhou cinzas pelo chão do templo, onde a comida fora colocada àquela noite. De manhã o rei levou Daniel ao templo para mostrar que Bel havia comido toda a comida durante a noite. Mas Daniel mostrou ao rei que nas cinzas sobre o chão estavam as pegadas dos sacerdotes e suas famílias, que haviam entrado secretamente por uma passagem sob a mesa. Os sacerdotes foram mortos e o templo, destruído."

"Da mesma forma, a história do Dragão é obviamente uma história de caráter lendário. Junto com Tobias, Judite e Susana, pode-se classificar essas histórias como ficção puramente judaica. Têm pouco ou nenhum valor religioso."

"O Cântico dos Três Hebreus vem, na Septuaginta e na Vulgata, logo após Daniel 3:23. Copiando bastante o salmo 148, tem uma natureza anti-fônica semelhante à do salmo 136, sendo que 32 vezes aparece o refrão 'louvai-o e exaltai-o para sempre'."

"A Oração de Manasses foi escrita no período macabeu (segundo século antes de Cristo) como sendo a suposta oração de Manasses, o rei ímpio de Judá. A afirmação de 2 Crônicas 33:19 é obviamente uma sugestão para que se escrevesse aquela oração: 'A sua oração, e como Deus se tornou favorável para com ele... eis que tudo está escrito na história...' Uma vez que essa oração não se encontra na Bíblia, algum escriba tinha que suprir a deficiência!"

"1 Macabeus (século primeiro antes de Cristo) é talvez o mais valioso livro apócrifo, pois descreve as façanhas dos três irmãos macabeus — Judas, Jonatã e Simão. É, ao lado dos escritos de Josefo, a mais importante fonte de informações sobre esse período decisivo e movimentado da história judaica."

"2 Macabeus (escrito no mesmo período) não é uma continuação de 1 Macabeus, mas um relato paralelo, que trata das vitórias de Judas Macabeu. Geralmente se considera que é um livro de caráter mais lendário que 1 Macabeus." 23/3741
4D. Testemunho Histórico sobre a sua Não-Inclusão no Cânon
Geisler e Nix apresentam uma série de dez testemunhos muito antigos contrários à aceitação dos apócrifos.

  1. "Filo, um filósofo judeu de Alexandria (20 a.C- 40 A.D.), foi prolífico nas citações do Antigo Testamento e até achegou a reconhecer a divisão tríplice da Bíblia hebraica, mas jamais citou os apócrifos como sendo inspirados."

  2. " O historiador judeu Josefo (30-100 A.D.) exclui claramente os apócrifos, informando que são 22 os livros do Antigo Testamento. Também não cita esses livros como Escrituras."

  3. "Jesus e os escritores do Novo Testamento nem uma única vez citam os apócrifos, muito embora haja centenas de citações e referências de quase todos os livros canônicos do Antigo Testamento."

  4. "Os estudiosos judeus reunidos em Jâmnia (90 A.D.) não reconheceram os apócrifos."

  5. "Nenhuma deliberação ou concilio da igreja cristã, nos primeiros quatro séculos, reconheceu os apócrifos como sendo inspirados."

  6. "Muitos dos grandes Pais da igreja antiga atacaram pesadamente os apócrifos, como por exemplo, Orígenes, Cirilo de Jerusalém e Atanásio."

  7. "Jerônimo (340420), o grande erudito e tradutor da Vulgata, rejeitou que os apócrifos fizessem parte do cânon. Ele travou uma disputa sobre essa questão com Agostinho, estando ambos fisicamente separados pelo mar Mediterrâneo. Inicialmente recusou até mesmo traduzir os livros apócrifos para o latim, mas posteriormente fez uma tradução apressada de alguns deles. Depois de sua morte, literalmente "sobre o seu cadáver", os livros apócrifos foram incorporados à Vulgata de Jerônimo, tirados diretamente da versão Velha Latina."

  1. "Durante o período da reforma muitos estudiosos católicos rejeitaram os apócrifos."

  2. "Lutero e os reformadores rejeitaram a canonicidade dos apócrifos.

10. "Não foi senão em 1546 A. D., numa atitude polêmica tomada no Concilio de Trento, dentro da Contra-Reforma, que os livros apócrifos receberam pleno reconhecimento canônico por parte da Igreja Católica Romana." 32/173
3B. O Cânon do Novo Testamento
1C. TESTES PARA A INCLUSÃO DE UM LIVRO NO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO
O fator básico para determinar a canonicidade do Novo Testamento foi a inspiração divina, e o principal teste da inspiração foi a apostolicidade. 32/181

Geisler e Nix detalham a respeito: "Na terminologia do Novo Testamento, a igreja foi edificada 'sobre o fundamento dos apóstolos e profetas' (Efésios 2:20), os quais Cristo prometera que, pelo Espírito Santo, iriam guiar 'a toda a verdade' (João 16:13). Atos 2:42 diz que a igreja em Jerusalém perseverou *na doutrina dos apóstolos e na comunhão'. A palavra apostolicidade, conforme empregada para designar o teste de canonicidade, não significa obrigatoriamente 'autoria apostólica' nem 'aquilo que foi preparado sob a direção dos apóstolos..."

"Parece muito melhor concordar com Gaussen, Warfield, Charles Hodge e a maioria dos protestantes em que o teste básico de canonicidade é a autoridade apostólica, ou a aprovação apostólica, e não simplesmente autoria apostólica." 32/183



N.B.: Stonehouse afirma que a autoridade apostólica "que se revela no Novo Testamento nunca está divorciada da autoridade do Senhor. Há nas epístolas um constante reconhecimento de que na igreja só existe uma única autoridade absoluta; a autoridade do próprio Senhor. Sempre que os apóstolos falam com autoridade, fazem-no exercendo a autoridade do Senhor. Dessa forma, por exemplo, quando Paulo defende sua autoridade de apóstolo, baseia-se única e diretamente na comissão recebida do Senhor (Gálatas 1 e 2); quando evoca o direito de regulamentar a vida da igreja, declara que sua palavra tem a autoridade do Senhor, mesmo quando nenhuma palavra específica do Senhor lhe tenha sido transmitida (1 Coríntios 14:37;cf. 1 Coríntios 7:10)..." 88/117,118

"O único que, no Novo Testamento, fala com uma autoridade interna e que se impõe por si mesmo é o Senhor." 67/18


2C. OS LIVROS CANÔNICOS DO NOVO TESTAMENTO
1D. Há três razões que mostram a necessidade de se definir o cânon do Novo Testamento. 23/41
1E. Um herege, Marcião (cerca de 140 A.D.), desenvolveu seu próprio cânon e começou a divulgá-lo. A igreja precisava contrabalançar essa influência decidindo qual era o verdadeiro cânon das Escrituras do Novo Testamento.
2E. Muitas igrejas orientais estavam empregando nos cultos livros que eram claramente espúrios. Isso requeria uma decisão concernente ao cânon.
3E. O edito de Diocleciano (303 A. D.) determinou a destruição dos livros sagrados dos cristãos. Quem desejava morrer por um simples livro religioso? Eles precisavam saber quais eram os verdadeiros livros.
2D. Atanásio de Alexandria (367 A.D.) nos apresenta a mais antiga lista de livros do Novo Testamento que é exatamente igual à nossa atual. A lista faz parte do texto de uma carta comemorativa escrita às igrejas.
3D. Logo após Atanásio, dois escritores, Jerônimo e Agostinho, definiram o cânon de 27 livros. 15/112
4D. Policarpo (115 A.D.), Clemente e outros referem-se aos livros do Antigo e do Novo Testamento com a expressão "como está escrito nas Escrituras".
5D. Justino Mártir (100-165 A.D.), referindo-se à Eucaristia, escreve em Primeira Apologia 1.67: "E no domingo todos aqueles que vivem nas cidades ou no campo se reúnem num só local, e, durante o tempo que for possível, lêem-se as memórias dos apóstolos ou escritos dos profetas. Então, quando o leitor termina a leitura, o presidente faz uma admoestação e um convite a que todos imitem essas boas coisas".

No Diálogo com Trifo (pp. 49, 103, 105, 107) ele emprega a fórmula "está escrito". Tanto ele como Trifo devem ter sabido o significado desse "está escrito".
6D. Irineu (180 A.D.). F. F. Bruce escreve acerca do significado de Irineu: "A importância de Irineu está no seu vinculo com a era apostólica e nos seus relacionamentos ecumênicos. Educado na Ásia Menor, aos pés de Policarpo, o discípulo de João, Irineu tornou-se bispo de Lion, na Gália, em 180 A.D. Seus escritos confirmam o reconhecimento canônico dos quatro evangelhos, Atos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Fili-penses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, 1 Pedro e

1 João e Apocalipse. Em Contra Heresias, (III, ii, 8), tratado escrito por Irineu, é evidente que até 180 A.D. a idéia de quatro evangelhos se tornara tão axiomática em toda a cristandade que se podia mencioná-la como um fato real tão óbvio, inevitável e natural como os quatro pontos cardeais (como os chamamos) ou quatro ventos". 15/109


7D. Inácio (50-115 A.D.): "Não quero dar-lhes mandamentos tal como fizeram Pedro e Paulo; eles foram apóstolos..." (Aos Tralianos 3.3).
8D. Os Concílios da Igreja. É uma situação bastante parecida com a do Antigo Testamento (veja Capítulo 3, 6C, o Concilio de Jâmnia).

F. F. Bruce afirma que "quando finalmente um Concilio da Igreja - o Sínodo de Hipona (393 A.D.) - elaborou uma lista dos vinte e sete livros do Novo Testamento, não conferiu-lhes qualquer autoridade que já não possuíssem, mas simplesmente registrou a canonicidade previamente estabelecida. (A decisão do Sínodo de Hipona foi repromulgada quatro anos depois pelo Terceiro Sínodo de Cartago.)"

Desde então não tem havido qualquer restrição séria aos 27 livros aceitos do Novo Testamento, quer por católico-romanos quer por protestantes.


3C. OS APÓCRIFOS DO NOVO TESTAMENTO 32/200-205
A Epístola de Pseudo-Barnabé (cerca de 70-79 A.D.) Epístola aos Corintios (cerca de 96 A.D.)

Antiga Homília, também chamada Segunda Epístola de Clemente (cerca de 120-140 A.D.).

Pastor de Hermas (cerca de 115-140 A.D.)

Didaquê, ou o Ensino dos Doze Apóstolos (cerca de 100-120 A.D.)

Apocalipse de Pedro (cerca de 150 A.D.)

Os Atos de Paulo e Tecla (170 A.D.)

Epístola aos Laodicenses (século quarto?)


O Evangelho Segundo os Hebreus (65-100 A.D.)



As Sete Epístolas de Inácio (Cerca de 100 A.D.)

E muitos outros.



capítulo 4:
A Credibilidade da Bíblia...

TÓPICO 1 - A CONFIRMAÇÃO DO TEXTO HISTÓRICO
4A. A FIDEDIGNIDADE E CONFIABILIDADE DAS ESCRITURAS
1B. Introdução
Estamos provando aqui não a inspiração, mas a credibilidade histórica das Escrituras.

Deve-se testar a credibilidade histórica das Escrituras pelos mesmos critérios usados para testar todos os documentos históricos.

C. Sanders, em Introduction to Research in English Literary History (Introdução à Pesquisa em História da Literatura Inglesa), relaciona e explica os três princípios básicos da historiografia. São, a saber, o teste bibliográfico, o teste das evidências internas e o das evidências externas. 81/143ss.
2B. O Teste Bibliográfico da Credibilidade do Novo Testamento
O teste bibliográfico é um exame da transmissão textual pela qual os documentos chegam até nós. Em outras palavras, uma vez que não dispomos dos documentos originais, qual a credibilidade das cópias que temos em relação ao número de manuscritos e ao intervalo de tempo transcorrido entre o original e a cópia existente? 64/26

F. E. Peters ressalta que "baseando-se apenas na tradição dos manuscritos, as obras que formam o Novo Testamento dos cristãos foram os livros antigos mais freqüentemente copiados e mais amplamente divulgados/' 69/50
1C. EVIDÊNCIAS DOS MANUSCRITOS ACERCA DO NOVO TESTAMENTO
Atualmente sabe-se da existência de mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento. Acrescentem-se a esse número mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos, 9.300 de outras antigas versões, e teremos hoje mais de 24.000 cópias de porções do Novo Testamento.

Nenhum outro documento da história antiga chega perto desses números e dessa confirmação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje. O primeiro texto completo e preservado de Homero data do século treze. 58/145




25.000





20.000


24.633 manuscritos


15.000





10.000





5.000







643 manuscritos

Novo Testamento

Ilíada


A seguir apresentamos um quadro estatístico dos manuscritos remanescentes do Novo Testamento:



Grego







Unciais

267

Minúsculas

2.764

Lecionários

2.143

Papiros Achados recentes

88 47

Manuscritos



Gregos existentes

TOTAL

5.309

Versão Vulgata Latina

Etiópico


Eslavônico

Armênio


Versão Siríaca (Peshita)

Copta


Árabe

Versão Velha Latina

Anglo-Saxônico

Gótico


Sogdiano

Siríaco Antigo

Medo-Persa

Frâncico


mais de 10.000 mais de 2.000 4.101

2.587


mais de 350 100

75

50



7 6

3

2



2 1



As informações para os gráficos acima foram extraídas das seguintes fontes:



ALAND, Kurt. Journal of Biblical Literature (Revista de Literatura Bíblica), v. 87, 1968.

ALAND, Kurt. Kurzgefasste Liste Der Griegrischen Handschriften Des Neuen Testaments (Breve Lista dos Manuscritos Gregos do Novo Testamento). W. De Gruyter, 1963.



ALAND, Kurt. "Neue Neutestamentliche Papyrii III" (Novos Papiros Terceira Parte). In. New Testament Studies (Estudos do Novo Testamento). Jul. de 1976.

METZGER, Bruce. The Early Versions of the New Testament As Antigas Versões do Novo Testamento). Oxford: Clarendon, 1977.



PARVIS, Merrill M. e WIKGREN, Allen, ed. New Testament Manus-cript Studies (Estudos dos Manuscritos do Novo Testamento). Chicago: University of Chicago, 1950.

RHODE, Eroll F. An Annotated List of Armenian New Testament Manuscripts (Uma Lista Comentada de Manuscritos Armênios do Novo Testamento).Tóquio: Ikeburo, 1959.



HYATT, J. Phillip. The Bible and Modern Scholarship (A Bíblia e a Erudição Moderna). Abingdon, 1965.

John Warwick Montgomery afirma que "ter uma atitude cética quanto ao texto disponível dos livros do Novo Testamento é permitir que toda a antigüidade clássica se torne desconhecida, pois nenhum documento da história antiga é tão bem confirmado bibliograficamente como o Novo Testamento." 64/29

Sir Frederic G. Kenyon, que foi diretor e bibliotecário-chefe do Museu Britânico, reconhecido como uma das maiores autoridades em manuscritos, diz: "... além da quantidade, os manuscritos do Novo Testamento diferem das obras dos autores clássicos em outro aspecto, e mais uma vez a diferença é bem clara. Em nenhum outro caso o intervalo entre a composição do livro e a data dos mais antigos manuscritos existentes é tão curto quanto no do Novo Testamento. Os livros do Novo Testamento foram escritos na última parte do século primeiro; com exceção de fragmentos muitos pequenos, os manuscritos mais antigos existentes são do quarto século - cerca de 250 a 300 anos depois".

"Isso pode parecer um intervalo considerável, mas não é nada em comparação com o tempo transcorrido entre os grandes escritores clássicos e seus mais antigos manuscritos. Cremos que, em todos os pontos essenciais, temos um texto bastante fiel das sete peças remanescentes de Sófocles; no entanto, o manuscrito mais antigo e substancioso de Sófocles foi copiado mais de 1.400 anos depois de sua morte." 48/4

Em The Bible and Archaeology (A Bíblia e a Arqueoloiga), Kenyon afirma: "De modo que o intervalo entre as datas da composição do original e os mais antigos manuscritos existentes se torna tão pequeno a ponto de, na prática, ser insignificante. Assim, já nao há base para qualquer dúvida de que as Escrituras tenham chegado até nós tal como foram escritas. Pode-se considerar que finalmente estão comprovadas tanto a autenticidade como a integridade geral dos livros do Novo Testamento." 46/288

F. J. A. Hort acrescenta, com acerto, que "na variedade e multiplicidade de provas sobre as quais repousa, o texto do Novo Testamento destaca-se de um modo absoluto e inigualável entre os textos em prosa da antigüidade." 43/561

J. Harold Greenlee declara: "...o número de manuscritos néo-testamentários disponíveis é surpreendentemente maior do que os de qualquer outra obra da literatura antiga. Em terceiro lugar, os mais antigos manuscritos existentes do Novo Testamento foram escritos numa data muito mais próxima da composição do texto original do que no caso de qualquer outro texto da literatura antiga". 37/15
2C. O NOVO TESTAMENTO EM COMPARAÇÃO COM OUTRAS OBRAS DA ANTIGÜIDADE
1D. A Comparação de Manuscritos
Em Merece Confiança o Novo Testamento?, F. F. Bruce faz comparações entre o Novo Testamento e antigos textos de história, e apresenta uma descrição marcante a respeito: "Talvez possamos avaliar melhor quão rico é o Novo Testamento em matéria de evidência manuscrita, se compararmos o material textual subsistente com outras obras históricas da antigüidade. Da obia De Bello Gallico (As Guerras Gaulesas), de César, existem vários manuscritos, mas apenas nove ou dez estão em boas condições, e o mais antigo data de aproximadamente 900 anos depois de César. Dos 142 livros da História Romana de Lívio (59 a.C. a 17 A.D.) subsistem apenas 35; estes nos são conhecidos à base de não mais de vinte manuscritos de algum valor, dos quais somente um (contendo fragmentos dos livros III-VI é de data tão remota quanto o século quarto. Dos catorze livros das Histórias de Tácito (cerca de 100 A.D.), só existem quatro e meio; dos dezesseis livros dos seus Anais, restam dez completos e dois incompletos. O texto das porções existentes das duas grandes obras históricas de Tácito depende totalmente de dois manuscritos, um do século nono e outro do século onze."

Os manuscritos remanescentes das obras menores de Tácito (Dialogus de Oratoribus (Diálogo sobre os Oradores), Agrícola e Germania) provêm todos de um códice do século décimo. Conhecemos a História de Tucíde-des (cerca de 460-400 a.C.) a partir de oito manuscritos, dos quais o mais antigo data de 900 A.D., e de uns poucos fragmentos de papiros, escritos aproximadamente no início da era cristã. O mesmo se dá com & História de Heródoto (cerca de 480-425 a.C). No entanto, nenhum conhecedor profundo dos clássicos daria ouvidos à tese de que a autenticidade de Heródoto ou Tucídedes é questionável porque os mais antigos manuscritos de suas obras foram escritos mais de 1.300 anos depois dos originais." 16/23, 24

Em Introduction to New Testament Textual Criticism (Introdução à Crítica Textual do Novo Testamento), Greenlee escreve acerca do hiato de tempo entre o manuscrito original (o autógrafo) e o manuscrito existente (a velha cópia remanescente), afirmando que "os mais antigos e conhecidos manuscritos da maioria dos autores gregos clássicos foram escritos pelo menos mil anos depois da morte do seu autor. O intervalo de tempo para os escritores latinos é um pouco menor, reduzindo-se a um mínimo de três séculos no caso de Virgílio. Todavia, no caso do Novo Testamento, dois dos mais importantes manuscritos foram escritos em prazo não superior a 300 anos após o Novo Testamento estar completo, e manuscritos virtualmente completos, de alguns livros do Novo Testamento, bem como manuscritos incompletos, mas longos, de muitas partes do Novo Testamento foram copiados em datas tão remotas quanto um século após serem originalmente escritos." 37/16



Greenlee acrescenta que "uma vez que os estudiosos aceitam que os escritos dos antigos clássicos são em geral fidedignos, muito embora os mais antigos manuscritos tenham sido escritos tanto tempo depois da redação original e o número de manuscritos remanescentes seja, em muitos casos, tão pequeno, está claro que, da mesma forma, fica assegurada a credibilidade no texto do Novo Testamento". 37/16

Bruce Metzger, em The Text of the New Testament (O Texto do Novo Testamento), fala de modo persuasivo sobre a comparação: "As obras de inúmeros autores antigos foram preservadas pela mais tênue linha de transmissão possível Por exemplo, o compêndio de história de Roma, por Veléio Patérculo, sobreviveu até a era moderna através de um único e incompleto manuscrito, a partir do qual se preparou a primeira edição impressa - e perdeu-se esse manuscrito solitário após ser copiado pelo Beato Rhenanus em Amerbach. Mesmo em relação aos Anais do famoso historiador Tácito, no que diz respeito aos seis primeiros livros dessa obra, ela só sobreviveu devido a um único manuscrito, do século nono. Em 1870 o único manuscrito conhecido da Epístola a Diogneto, um texto cristão bem antigo que os compiladores geralmente incluem entre os escritos dos Pais Apostólicos, perdeu-se num incêndio na biblioteca municipal de Estrasburgo. Em contraste com esses dados estatísticos, o crítico textual do Novo Testamento fica perplexo diante da riqueza de material disponível". 62/34



F. F. Bruce declara: "No mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual". 15/178





AUTOR

Data do

Original

Cópia mais Antiga

Intervalo em anos

N° de Cópias

César

10044 a.C.

900 A. D.

1.000

10

Lívio

59 a.C.-17A.D.







20

Platão

(Tetralogias)

427-347a.C.

900A.D.

1.200

7

Tácito (A nais)

20 (-)

100A.D.

1100A.D.

1.000

obras menores

100 A.D.

1100A.D.

1.000

1

Plínio o Jovem

(História)

61-113A.D

850 A. D

750

7

Tucídedes (História)

460-400 a.C.

900A.D.

1.300

8

Suetôni o (De Vita

Caesarum)




75-160A.D.

950A.D.

800

Heródoto

(História)

480-4 25 a.C


900A.D.

1.300

8


Horácio










900

Sófocles

496-406 a.C.

1000A.D.

1.400

193

Lucrécio

Morto em 55 ou 53 a.C




1.100

2

Cátulo

54a.C

1550A.D.

1.600

3

Eurípides

480-406 a.C.

1100A.D.

1.300

200

Demóstenes

383-322 a.C.

1100 A.D.

1.300

200*

Aristóteles

384-322a.C.

1100A.D.

1.400

49+

Aristófanes

450-385a.C.

900A.D.

1.200

10

* Todos de uma única cópia.










+ De qualquer obra isolada.






















"


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