Evidência que exige um veredito



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2B. O Cenário após a Ressurreição
1C. O TÚMULO VAZIO
W. J. Sparrow-Simpson assinala que por si mesmo o túmulo vazio não fez os discípulos crerem. Quanto a João, a Bíblia diz que ele "viu e creu" (João 20:8). Isto, contudo, provavelmente se deve a que ele tenha se lembrado que Cristo predisse Sua ressurreição. Nem Maria, nem as mulheres, nem mesmo Pedro creram devido ao testemunho do túmulo vazio. 25/506

Foram as aparições de Cristo após a ressurreição que deram a Seus seguidores a certeza de que Ele de fato ressuscitara. O túmulo vazio ali estava como um fato histórico, confirmando que as aparições eram nada menos do que Jesus de Nazaré, ressurreto em carne e osso. 25/506

J. N. D. Anderson, advogado e professor de Direito Oriental na Universidade de Londres, indaga: "Você já reparou que todas as menções ao túmulo vazio ocorrem nos Evangelhos, os quais foram escritos para apresentar à comunidade cristã os fatos que ela desejava conhecer? Conforme vemos registrado no livro de Atos dos Apóstolos, na pregação pública dirigida àqueles que ainda não criam, dá-se grande ênfase ao fato da ressurreição, mas não existe uma só menção ao túmulo vazio. E por que isso? Acredito haver uma única resposta: não havia necessidade de discutir sobre o túmulo vazio. Todo mundo, amigos e oponentes, sabia que estava vazio. As únicas perguntas dignas de tratamento eram por que o túmulo estava vazio e o que isso provava". 3/4-9

Em outro livro Anderson diz: "O túmulo vazio, feito de rocha de verdade, constitui um elemento essencial nas provas em favor da ressurreição. Insinuar, como alguns tem feito, que na realidade o túmulo não estava vazio, parece-me algo ridículo. É um fato histórico que desde o início, embora o ambiente fosse hostil, os apóstolos fizeram muitos convertidos em Jerusalém ao proclamar a notícia animadora de que Cristo ressurgira do túmulo — e isso eles proclamaram à distância de uma pequena caminhada do túmulo. Qualquer um de seus ouvintes poderia visitar o túmulo na hora do almoço e estar de volta pouco depois. Será, então, admissível que os apóstolos tivessem tido esse sucesso, caso o corpo daquele que eles proclamavam como o Senhor ressurreto estivesse durante todo esse tempo se decompondo no túmulo de José? Será que um grande grupo de sacerdotes e muitos fariseus obstinados teriam ficado impressionados com a proclamação de uma ressurreição que na verdade não era ressurreição alguma, mas uma simples mensagem de sobrevivência espiritual, apresentada nos termos nada esclarecedores de uma ressurreição literal?" 2/95, 96



Paul Althus, citado por Wolfhart Pannenberg, diz: '"Em Jerusalém, cidade em que Jesus foi executado e sepultado, não muito depois de sua morte proclamava-se que ele havia ressuscitado. A situação exige que, dentro do círculo da primeira comunidade de cristãos, alguém tivesse um testemunho confiável de que o túmulo fora encontrado vazio'. O Kerygma (proclamação) da ressurreição 'logicamente não teria se mantido em pé um único dia, nem uma única hora, em Jerusalém, caso, para todas as pessoas interessadas no assunto, o fato de o túmulo estar vazio não se confirmasse'." 50/100

O professor E. H.Day comenta: "Se alguém afirmar que na verdade ninguém encontrou o túmulo vazio, a crítica se defrontará com algumas dificuldades. Ela terá de explicar, por exemplo, o problema da rápida propagação de uma tradição bem específica, que nunca foi questionada seriamente, o problema da natureza circunstancial das narrativas em que a tradição chega até nós, o problema do fracasso dos judeus em provar que a Ressurreição não havia ocorrido, o que poderia ser feito apresentando o cadáver de Jesus ou fazendo um exame oficial no sepulcro, uma prova em que eles tinham o maior interesse em apresentar". 15/25, 26

O advogado inglês Frank Morison comenta: "Em parte alguma de todos os fragmentos e reflexos dessa antiga controvérsia que chegou até nós, ficamos sabendo de que alguma pessoa responsável tenha afirmado que o corpo de Jesus ainda jazia no túmulo. Permeando todos esses antigos documentos está a constante pressuposição de que o túmulo de Cristo estava vazio".



"Podemos fugir diante dessas provas cumulativas que mutuamente se confirmam? Pessoalmente creio que não. A seqüência de coincidências é grande demais". 46/115

Michael Green cita uma fonte secular de origem bem antiga, a qual dá testemunho do túmulo vazio de Jesus. Essa prova "... é denominada Inscrição de Nazaré, por causa da cidade onde foi encontrada. É um edito imperial, proclamado ou no reinado de Tibério (14-37 A.D.) ou no de Cláudio (41-54 A. D.).É uma invectiva, acompanhada da ameaça de duras sanções, contra violação de túmulos e sepulturas! Tem-se a forte impressão de que a notícia do túmulo vazio havia chegado a Roma numa versão distorcida (Pilatos provavelmente teve de enviar um relatório, e obviamente deve ter dito que o túmulo fora saqueado). Ao que parece, esse edito é a reação imperial". 19/36

A conclusão de Green é: "Não pode haver dúvida de que o túmulo de Jesus estava realmente vazio no primeiro domingo de Páscoa". 19/36

Mateus 28:11-15 registra a tentativa das autoridades judaicas de subornar os guardas romanos para que dissessem que os discípulos haviam roubado o corpo de Jesus. The Dictionary of the Apostolic Church (O Dicionário da Igreja Apostólica) comenta: "Essa tentativa é decorrente do reconhecimento pelos inimigos do cristianismo de que o túmulo estava vazio — um reconhecimento que, em si, já é suficiente para mostrar que a prova de que o túmulo estava vazio era 'notória demais para se negar'". 24/340



W. J. Sparrow-Simpson escreve: "O fato de o túmulo estar vazio é algo reconhecido pelos adversários da mesma forma como é proclamado pelos discípulos. A história divulgada pelos guardas é uma tentativa de explicar o fato como sendo um golpe dado pelos discípulos (Mateus 28:11-15). 'Mas essa acusação dos judeus contra os apóstolos baseia-se em que o túmulo estava vazio. O que se precisava era uma explicação". ...Essa admissão por parte dos judeus de que o túmulo estava vazio é repetida em todos os comentários subseqüentes feitos pelos judeus sobre o assunto". 25/507, 508

Sparrow-Simpson confirma essa repetição ao citar como exemplo "uma versão do século doze sobre o túmulo vazio, que foi divulgada pelos judeus para refutar a fé cristã. A história é de que quando a rainha soube que os anciões haviam matado Jesus e O haviam sepultado e de que Ele havia ressuscitado, ela ordenou que, no prazo de três dias, apresentassem o corpo de Jesus, ou então perderiam as suas vidas. 'Então Judas falou: Vinde e vos mostrarei o homem a quem buscais, pois fui eu quem tirou o bastardo do túmulo. Pois receei que os seus discípulos roubassem o corpo, e então o escondi no meu jardim e fiz um pequeno veio d'água passar por cima do lugar'. E assim essa história explica como os anciãos conseguiram apresentar o corpo". 25/507, 508

Sparrow-Simpson conclui: "Não é necessário assinalar que essa surpreendente declaração sobre a apresentação do corpo de Jesus é uma invencionice medieval. Todavia, é uma declaração bastante necessária para explicar os fatos, uma vez que se reconhecia que o túmulo estava vazio, mas ao mesmo tempo negava-se a Ressurreição". 25/507, 508

Emest Kevan cita como prova aquilo que descreve como "... o fato inquestionável do túmulo vazio. O túmulo estava vazio, e os inimigos de Cristo não tiveram como negá-lo". 32/14

Ele assevera: "... O fato do túmulo vazio representa um golpe mortal em todas as hipóteses que se formulam contra o testemunho cristão. Essa é a pedra em que tropeçam todas as teorias enganosamente atraentes, e, portanto não é surpreendente descobrir que muitos dos argumentos contra a ressurreição evitam calculadamente a menção ao túmulo vazio". 32/14



W. J. Sparrow-Simpson, ao citar Julius Wellhausen, o famoso erudito alemão, conhecido por seu trabalho de alta crítica do Antigo Testamento, dá este testemunho a respeito da ressurreição de Cristo: "Admite-se que, ao ocorrer a ressurreição, o corpo de Jesus desapareceu do túmulo, e é impossível explicar esse fato com base em fatos naturais". 25/508

Por que o sepulcro de Jesus não se tornou um objeto de veneração?



J. N. D. Anderson comenta que "também é significativo que não tenhamos qualquer indício de que o túmulo se tornou um local de adoração ou de peregrinação nos dias da igreja primitiva. Mesmo que aqueles que eram cristãos convictos tenham evitado ficar visitando o sepulcro devido à convicção de que o seu Mestre ressuscitara, que dizer de todos aqueles que tinham ouvido Seus ensinos e até mesmo visto o milagre do Seu toque de cura e não se uniram à comunidade cristã? Eles também, ao que parece, sabiam que Seu corpo não estava lá e devem ter concluído que uma ida ao túmulo seria algo sem sentido". 2/97

No livro Who Moved the Stone? (Quem Moveu a Pedra?), Frank Mori-son faz uma observação interessante: "Considere primeiramente o fato minúsculo, mas altamente significativo, de que em Atos dos Apóstolos, nas Epístolas Missionárias ou em qualquer documento apócrifo de data inquestionavelmente antiga não existe qualquer indício de que alguém tenha feito romaria ao túmulo de Jesus Cristo. É notável esse ininterrupto silêncio acerca do lugar mais sagrado para a memória cristã. Será que nenhuma mulher, para quem a aparência física de Jesus era uma reminiscência sagrada, chegou a desejar passar uns poucos instantes naquele lugar santo? Será que Pedro, João e André jamais sentiram o impulso de construir um santuário que guardasse os restos mortais do Grande Mestre? Será que o próprio Saulo, recordando-se de sua antiga arrogância e autoconfiança, não tenha feito uma visita solitária e não tenha derramado lágrimas de arrependimento por ter negado o Seu nome? Se essas pessoas soubessem que o Senhor estava realmente sepultado ali, é muito, muito estranho que não tenham procedido dessa forma". Tenho certeza de que, para um crítico da ressurreição, esse silêncio extraordinário da história antiga sobre o que posteriormente aconteceu ao túmulo de Jesus produz um sentimento de profunda inquietação e desassossego. 46/137
2C. OS PANOS DE SEPULTAMENTO
Na narrativa a seguir João mostra o significado dos panos de sepultamento como provas da ressurreição: "Saiu, pois, Pedro e o outro discípulo, e foram ao sepulcro. Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro; e, abaixando-se, viu os lençóis de linho; todavia não entrou. Então Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar â parte. Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu e creu. Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos" (João 20:3-9).

Comentando a respeito da narrativa de João, /. N D. Anderson diz o seguinte sobre o túmulo vazio: "...A impressão é de que não estava de fato vazio. Lembramo-nos do relato no Evangelho de J oão de como Maria Madalena correu e chamou Pedro e João, e de como os dois se dirigiram ao túmulo. João, mais novo, correu mais rápido do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Ele se abaixou, deu uma 'espiada' por dentro (que, segundo creio, é o sentido literal no grego) e viu os panos de linho e o lenço que fora colocado sobre a cabeça. Então Simão Pedro chegou e, pela sua maneira característica de agir, foi entrando sem pensar, seguido por João; e eles notaram os panos de linho e o lenço, que não estava junto aos panos, mas, enrolado num lugar à parte. O texto grego parece sugerir que os panos de linho não estavam espalhados pelo túmulo, mas onde o corpo havia estado, e que não existia nada onde o pescoço de Cristo havia repousado — e que o lenço que esteve enrolado ao redor da Sua cabeça não estava junto com os panos de linho, mas separado e enrolado em seu próprio lugar, o que eu acredito significar que ele ainda estava na posição em que havia sido deixado, como se o corpo tivesse sumido. A Bíblia nos conta que, quando João viu isso, não precisou mais de testemunho, quer de homem ou de anjo; ele viu e creu, e seu testemunho tem chegado até nós". 3/7,8



Cirilo de Alexandria (376-444) sugere que, pela maneira como os panos de sepultamento jaziam enrolados, os apóstolos foram levados a crer na ressurreição (Migne, 7.683).

O professor E. H. Day fala da narrativa do Evangelho de João: "Toda ela é caracterizada pelo toque pessoal; tem todas as características das provas não apenas de uma testemunha ocular, mas de um observador cuidadoso... A corrida dos discípulos até o sepulcro, a ordem de sua chegada ao local e a ordem de entrada; o fato de que São João primeiramente se abaixou e, olhando por aquela passagem baixa, viu os panos de linho, enquanto São Pedro, mais ousado, foi o primeiro a entrar; a palavra... (the-orei) empregada para descrever a observação cuidadosa que São Pedro faz dos panos de sepultamento (talvez esteja implícita até a idéia de um exame); a descrição da posição dos panos de linho e do lenço, uma descrição simples, mas bem cuidadosa na escolha das palavras; a entrada em seguida de São João e a fé que se seguiu à visão dos panos de sepultamento — tudo isso só pode ser a descrição feita por alguém que realmente viu, por alguém em cuja memória a cena é bem viva, por alguém para quem a visão do túmulo vazio e dos panos de sepultamento abandonados era um ponto crucial para a sua vida e para a sua fé". 13/16,17

John R. W. Stott faz os seguintes comentários: "É um fato notável que as narrativas que dizem que o corpo de Jesus se fora também nos contam que os panos de sepultamento ficaram. É João quem dá uma ênfase especial a esse fato, pois ele acompanhou Pedro naquela inesquecível corrida, bem de manhãzinha, até ao túmulo. O relato que faz do incidente (20:1-10) traz as marcas inconfundíveis da experiência de primeira mão. Ele ultrapassou Pedro, mas ao chegar ao túmulo não fez mais do que olhar para dentro, até que Pedro chegasse e entrasse. 'Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu e creu.' A pergunta é: o que ele viu que o fez crer? A narrativa sugere que não foi apenas a ausência do corpo, mas a presença dos panos de sepultamento e, de modo especial, o fato de não terem sido tocados".

"...João nos conta (19:3842) que, enquanto José solicitava o corpo de Jesus a Pilatos, Nicodemos 'foi, levando cerca de cem libras de um composto de mina e aloés'. Então, juntos, 'tomaram... o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com os aromas, como é de uso entre os judeus na preparação para o sepulcro'. Em outras palavras, à medida que iam enrolando as 'bandagens' de linho ao redor do Seu corpo, iam também espalhando especiarias em pó entre as camadas".



"Vamos supor que tivéssemos estado no sepulcro no momento em que aconteceu a ressurreição de Jesus. O que deveríamos ter visto? ...De repente teríamos notado que o corpo havia desaparecido... Os panos, sob o peso de aproximadamente cem libras de especiarias, assim que o apoio representado pelo corpo tivesse sido removido, teriam perdido o volume e teriam vindo abaixo, estando agora murchos. Um vazio teria surgido entre os panos que enrolaram o corpo e o lenço da cabeça, onde seu rosto e sua nuca haviam estado. É bem possível que o próprio lenço, devido ao complicado sistema de enrolar, fazendo as faixas cruzarem entre si, ainda tenha retido seu formato côncavo, um turbante amassado, mas sem nenhuma cabeça dentro".

"Um estudo cuidadoso da narrativa de João sugere que foram apenas estes três detalhes das roupas de sepultamento abandonadas que ele viu. Primeiro, ele viu os panos 'deixados' (IBB). Duas vezes a palavra é repetida, sendo que na primeira vez, no texto grego, ela está numa posição enfática. Poderíamos traduzir: 'Ele viu, por estarem deixados (ou 'caídos'), os panos de linho'. Em segundo lugar, o lenço da cabeça 'não estava com os lençóis, mas... num lugar à parte'. É improvável que isso signifique que o lenço fora enrolado e jogado num canto. Ainda estava sobre a laje de pedra, mas separado dos panos que enrolaram o corpo por uma distância razoável. Terceiro, esse mesmo lenço fora 'deixado'. Essa última palavra tem sido traduzida por 'enrolado em espiral'. A tradução 'deixado' (RA) e apenas 'enrolado' (IBB) são traduções que não captam bem o sentido. A palavra é bem apropriada para descrever o formato arredondado que o lenço vazio ainda preservava."

"Não é difícil imaginar a cena que os olhos dos apóstolos viram ao chegar ao túmulo: a laje de pedra, os panos de sepultamento desmontados, a concha que era o lenço da cabeça e a distância que separava os panos do lenço. Não é de admirar que eles 'viram e creram'. Uma olhada nesses panos de sepultamento comprovava a realidade, e indicava a natureza da ressurreição. Eles não haviam sido tocados, nem dobrados nem manipulados por qualquer ser humano. Eram como a crisálida abandonada, da qual surgiu a borboleta".

"Que havia intenção de os panos de sepultamento estarem visíveis, como provas confirmadoras da ressurreição, é algo que também é sugerido pelo fato de que Maria Madalena (que havia retornado ao túmulo depois de levar a notícia a Pedro e a João) 'abaixou-se e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés'. Presumivelmente isso significa que eles se sentaram sobre a laje de pedra, tendo os panos de sepultamento entre si. Tanto Mateus quanto Marcos acrescentam que um deles disse: 'Ele não está aqui: ressuscitou, como havia dito. Vinde ver onde ele jazia'. Quer o leitor creia ou não em anjos, essas alusões ao lugar onde Jesus havia jazido, enfatizadas tanto pela posição como pelas palavras dos anjos, no mínimo confirmam que o entendimento dos evangelistas era este: a posição dos panos e a ausência do corpo são testemunhas que mutuamente confirmam a ressurreição de Cristo". 63/52-54



Henry Latham diz: "...A mim parece claro que o relato de João indica que uma transformação ocorreu nos dois apóstolos devida ao que viram..." Por quê? 31/45

Latham descreve o que os discípulos viram no túmulo de Jesus: "Na... saliência, sobre a parte mais baixa da laje, jaziam os panos de sepultamento. Não estavam desarrumados. Estavam exatamente como José e os outros haviam enrolado em volta do corpo do Senhor, apenas estavam murchos, uma camada sobre a outra, pois o corpo não estava mais ali. Na ponta mais distante, na parte mais elevada da laje, isolado, estava o lenço que estivera enrolado na cabeça; não estava murcho, mas um pouco em pé, mantendo a forma espiral que recebera ao ser enrolado em volta da cabeça do Senhor. Naquele lugar nada dava o menor indício de ter sido tocado por mãos humanas: o corpo havia sido envolvido em mirra e aloés em pó, mas não deixara nenhum sinal; as especiarias permaneciam dentro das camadas de 'panos', onde haviam sido colocadas quando o corpo foi posto na laje. É possível que o que a cena apresentava tenha alcançado os corações de Pedro e João; pelo menos podemos ver que, ao saírem, não se encontravam no mesmo estado emocional em que haviam chegado ao túmulo. Tenho a impressão de que o impacto do que viam gradualmente foi-lhes tomando conta, à medida que observavam atentamente o que viam, dando-lhes a certeza de que 'Deus estava naquele lugar'". 33/34

O professor Latham escreve sobre o lenço que cobriu a cabeça de Jesus: "As palavras 'não estava com os lençóis' sugerem-me algo... indiretamente me mostram que os panos de sepultamento, os lençóis, estavam todos num só lugar. Caso todos eles estivessem sobre a parte mais baixa da laje, conforme creio que aconteceu, a expressão é perfeitamente clara. No entanto, caso os panos estivessem espalhados, um aqui, outro ali, como se tivessem sido jogados rapidamente para o lado, não faria sentido dizer que o lenço 'não estava com os lençóis', pois os 'lençóis' não teriam especifica-0 qualquer lugar em particular. Novamente observamos a palavra 'deixa-os (IBB; no grego keimena, 'repousados'), que não é de modo algum necessária. O lenço não estava 'repousado' da mesma forma como os lençóis, e São João talvez esteja assinalando o contraste". 33/44

Latham prossegue: "...0 lenço, que havia sido enrolado em volta da parte de cima da cabeça, deve ter ficado sobre... a parte mais elevada da laje. Ali deve ter sido encontrado 'enrolado num lugar à parte'". 33/36

Latham diz que a "palavra 'enrolado' é ambígua. Penso que o lenço torcido formasse um anel semelhante ao formato cilíndrico de um turbante frouxo, sem nada dentro". 33/36

O professor Latham conclui: "Ali jazem os panos - estão juntos, um pouco desmontados, mas ainda enrolados camada sobre camada e nenhuma parte das especiarias escapou de entre os panos. O lenço, de igual forma, está sobre o pequeno degrau que serve de travesseiro para a cabeça do cadáver. Está trançado como uma espécie de peruca e encontra-se num lugar à parte. O próprio silêncio da cena faz com que ela pareça ter algo a dizer. Ela falou àqueles que a viram, e fala-me quando eu a imagino, visualizando a luz matinal penetrando pela porta aberta".

"Descubro que ela diz o seguinte: 'Tudo o que era Jesus de Nazaré sofreu uma transformação e se foi. Nós — os lençóis, as especiarias e o lenço — pertencemos à terra e aqui ficamos'". 33/11


3C. O SELO
O professor A. T. Robertson comenta: "A selagem foi feita na presença dos soldados romanos que foram incumbidos de proteger esse selo símbolo da autoridade e poder romanos". 53/239

D. D. Whedon diz: "De modo que era impossível abrir a porta sem quebrar o selo, o que constituía um crime contra a autoridade do proprietário do selo". 72/343

O selo foi partido quando se rolou a pedra. A pessoa ou pessoas responsáveis por romper o selo teriam de responder por isso perante o governador provincial e as autoridades a que eram subordinadas. Aliás, à época da ressurreição de Cristo todo mundo tinha muito receio de partir o selo romano.
4C. A ESCOLTA ROMANA
Mateus faz as seguintes observações:

"E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e sua veste alva como a neve. E os guardas tremeram espavoridos, e ficaram como se estivessem mortos" (Mt 28:2-4).



"E, indo elas, eis que alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera. Reunindo-se eles em conselho, com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados, recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram, enquanto dormíamos. Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta versão divulgou-se entre os judeus até ao dia de hoje" (Mateus 11-15).

Compreender quem eram esses guardas torna bem marcante a narrativa de Mateus 28.

A cena que coincidiu com a ressurreição de Jesus foi suficientemente assustadora para fazer com que soldados rudes e grosseiros se fizessem de 'mortos' (Mateus 28:4).

O professor Roper assim descreve os soldados: "Não possuíam o menor interesse na tarefa a que foram designados. Seu único propósito e obrigação era cumprir estritamente o seu dever, como soldados do império romano, ao qual haviam dedicado sua lealdade. O selo romano aposto na pedra, ali no túmulo de José, era para eles bem mais sagrado do que toda a filosofia de Israel ou do que a santidade das antigas crenças do povo de Deus. (Eram) soldados com suficiente sangue frio para sortear a capa de uma vítima agonizante..." 54/33



T. G. Tucker descreve com abundância de detalhes (veja pp. 269 s) a armadura e as armas que um centurião costumava usar. O quadro que ele pinta é o de uma máquina humana de combate. 6/342-344

Para maiores detalhes sobre a escolta romana, veja a página 270.



Thomas Thorbum diz que a escolta que vigiou o local estava numa situação profundamente difícil. Depois de a pedra ter sido rolada e o selo rompido, a condição deles era igual à de soldados condenados pela corte marcial. Thorburn escreve: "Os soldados não poderiam alegar que estavam dormindo pois sabiam muito bem que a penalidade para quem dormisse durante uma vigília era a morte — castigo sempre rigorosamente aplicado". 68/179-182

Thorburn prossegue: "Na prática, nessa situação os soldados não teriam qualquer outra alternativa senão confiar nos ofícios dos sacerdotes. Suponhamos que o corpo desapareceu. Qualquer que fosse o caso, e em circunstâncias normais, a negligência deles seria passível de morte (cf. Atos 12:19)". 68/179-182

5C. JESUS ESTAVA VIVO - APARIÇÕES APÓS A RESSURREIÇÃO


1D. A importância das aparições

O professor C. S. Lewis, ao falar da importância das aparições de Cristo após a ressurreição, diz: "O primeiro fato na história da cristandade é um número de pessoas que afirmam terem visto a ressurreição. Se tivessem morrido sem fazer outras pessoas crerem nesse 'evangelho', jamais se teria escrito algum Evangelho". 37/149

J- N. D. Anderson escreve acerca do testemunho representado pelas aparições: "O meio mais drástico de ignorar as provas seria dizer que essas histórias não passavam de invencionice, que eram pura mentira. Mas até onde eu sei, nem um só crítico assumiria hoje em dia uma atitude dessas.

De fato, seria realmente uma posição insustentável. Pense no número de testemunhas, mais de 500. Pense no caráter das testemunhas - homens e mulheres que deram ao mundo o mais sublime ensino ético já proclamado e que, mesmo diante das declarações de seus inimigos, puseram esses ensinos em prática em suas próprias vidas. Pense no absurdo psicológico que é descrever um pequeno bando de covardes derrotados escondendo-se certo dia num cenáculo, e alguns dias depois transformados num grupo que perseguição alguma era capaz de silenciar — e então tente atribuir essa impressionante transformação a nada mais convincente do que uma invencionice miserável que estavam tentando impingir ao mundo. Isso simplesmente não faria sentido". 3/5, 6

John Warwick Montgomery comenta: "Observe que quando os discípulos de Jesus proclamaram a ressurreição, fizeram-no na qualidade de testemunhas oculares e enquanto ainda estavam vivas as pessoas que tinham tido contato com os acontecimentos que eles anunciavam. Em 56 A.D. Paulo escreveu que mais de 500 pessoas tinham visto o Jesus ressuscitado e que a maioria delas ainda estava viva (1 Coríntios 15:6ss). Ultrapassa os limites da credibilidade afirmar que os primeiros cristãos teriam sido capazes de inventar uma história dessas e, em seguida, pregá-la entre aqueles que facilmente poderiam refutá-la apenas apresentando o corpo de Jesus". 45/78

Bemard Ramm escreve: "Se não houve ressurreição, os críticos radicais têm de admitir que Paulo enganou os apóstolos ao mencionar uma aparição verdadeira de Cristo a ele e que, por sua vez, eles enganaram Paulo quanto às aparições de um Cristo ressurreto. Como é difícil impugnar as provas da ressurreição apresentadas pelas epístolas, quando elas tem uma forte confirmação de autenticidade! " 52/203
2D. As aparições de Cristo a indivíduos

A Maria Madalena - João 20:14; Marcos 16:9

Às mulheres que voltavam do túmulo — Mateus 28:9,10

A Pedro, mais tarde no mesmo dia - Lucas 24:34; 1 Coríntios 15:5

Aos discípulos de Emaús — Lucas 24:13-33

Aos apóstolos, estando Tome ausente — Lucas 24:36-43; João 20:19-24

Aos apóstolos, com Tome presente — João 20:26-29

Aos sete, junto ao mar de Tiberíades — João 21:1-23



A uma multidão de mais de 500 crentes numa montanha da Galiléia — 1 Coríntios 15:6

A Tiago - 1 Coríntios 15:7



Aos onze - Mateus 28:16-20; Marcos 16:14-20; Lucas 24:33-52; Atos 1:3-12

Por ocasião da ascensão — Atos 1:3-12

A Paulo - Atos 9:3-6; 1 Coríntios 15:8

A Estêvão - Atos 7:55

A Paulo no templo — Atos 22:17-21; 23:11

A João na Ilha de Patmos - Apocalipse 1:10-19


6C. OS INIMIGOS DE CRISTO NÃO APRESENTARAM QUALQUER REFUTAÇAO À RESSURREIÇÃO
1D. Ficaram quietos
Em Atos 2, Lucas registra o sermão de Pedro no dia de Pentecoste. Não houve qualquer refutação feita pelos judeus à corajosa proclamação de Pedro de que Cristo ressuscitara. Por quê? Porque a prova do túmulo vazio estava ali para qualquer um examinar, caso os judeus quisessem negar a ressurreição. Contudo, todos sabiam que o túmulo não mais tinha o corpo de Jesus Cristo.

Em Atos 25 encontramos Paulo preso em Cesaréia. Festo, "assentando-se no tribunal, ordenou que fosse trazido Paulo. Comparecendo este, rodearam-no os judeus que haviam descido de Jerusalém, trazendo muitas e graves acusações contra ele, as quais, entretanto, não podiam provar". Qual era exatamente o ponto na mensagem do evangelho de Paulo que tanto irritava os judeus? Qual era o ponto sobre o qual evitavam totalmente fazer acusações? Festo, ao explicar o caso ao rei Agripa, descreve a questão básica como sendo um "certo morto, chamado Jesus, a quem Paulo afirmava estar vivo" (Atos 25:19). Os judeus eram incapazes de explicar o porquê do túmulo vazio.

Fizeram todo tipo de ataques pessoais contra Paulo, mas evitaram as provas objetivas em favor da ressurreição. Os judeus se limitaram a acusações subjetivas e infames contra Paulo, evitando discutir o testemunho silencioso do túmulo vazio.

O silêncio dos judeus fala mais alto do que a voz dos cristãos, ou como diz Fairbairn: "O silêncio dos judeus é tão significativo quanto a fala dos cristãos" (FAIRBAIRN. Studies in the Life of Christ (Estudos na Vida de Cristo), p. 357).

O professor Day diz: "A simples refutação das provas, o questionamento convincente, do fato da ressurreição teria desferido um golpe mortal no cristianismo. E, caso o desejassem, teriam tido todas as oportunidades para apresentar tal refutação". 13/33-35

W. Bannenberg, citado por J. N. D. Anderson, diz: "A antiga polêmica dos judeus contra a mensagem cristã a respeito da ressurreição, da qual encontramos alguns traços nos Evangelhos, não dá qualquer idéia de que o túmulo de Jesus tivesse permanecido intacto. Em seus ataques, os judeus deviam ter tido todo interesse em preservar uma informação dessas. No entanto, exatamente o oposto aconteceu: os judeus compartilhavam com seus adversários cristãos a convicção de que o túmulo de Jesus estava vazio. Eles se limitavam a explicar esse fato à sua própria maneira..." 2/96

A Igreja foi fundada sobre o alicerce da ressurreição. Refutar a ressurreição implicaria destruir todo o movimento cristão. Contudo, em vez de qualquer refutação, durante todo o primeiro século os cristãos foram ameaçados, espancados, torturados e mortos devido à sua fé. Teria sido muito mais simples silenciá-los mediante a apresentação do corpo de Jesus, mas isso nunca ocorreu.

John R. W. Stott disse com muita felicidade que o silêncio dos inimigos de Cristo "é uma prova tão enfática da ressurreição quanto o testemunho dos apóstolos". 63/51
2D. Zombaram
1E. Em Atenas.

Quando Paulo falou aos atenienses acerca de Cristo, não tiveram qualquer resposta para as afirmações do apóstolo: "Quando ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns escarneceram" (Atos 17:32). Simplesmente ridicularizaram as afirmações porque não conseguiam entender como um homem poderia ressuscitar dos mortos. Nem mesmo tentaram defender a posição que adotaram. Em outras palavras, eles disseram: "Não me venha confundir com fatos, já tenho posição a respeito."



Por que Paulo considerou a descrença manifestada na Grécia diferente da descrença em Jerusalém? Porque enquanto em Jerusalém o fato do túmulo vazio ser inquestionável (o túmulo estava bem ali para as pessoas verificarem), em Atenas as provas se encontravam à grande distância, de sorte que o fato de o túmulo estar vazio não era algo público e notório. Os ouvintes de Paulo não verificaram por si mesmos a veracidade da história, e em vez de se darem ao trabalho de investigação, contentaram-se em zombar sem ter conhecimento do assunto. O suicídio intelectual é a melhor descrição para a posição que assumiram.
2E. Perante Agripa e Festo, em Cesaréia.

Paulo disse a Agripa e a todos os que se encontravam na corte em Cesaréia que Cristo, "sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios. Dizendo ele (Paulo) estas cousas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar. Paulo, porém, respondeu: Não estou louco, ó excelentíssimo Festo; pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso. Porque tudo isto é do conhecimento do rei (Agripa), a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas cousas lhe é oculta; porquanto nada se passou aí, nalgum recanto. Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas. Então Agripa se dirigiu a Paulo, e disse: Por pouco me persuades a me fazer cristão" (Atos 26:23-28).



De novo, tal como acontecera em Atenas, Paulo se defrontou com a incredulidade. De novo sua mensagem foi a ressurreição de Jesus dentre os mortos (Atos 26:23). E de novo não se apresentaram provas em contrário que refutassem a ressurreição de Jesus. De Festo Paulo ouviu apenas zombaria inútil. A defesa de Paulo era constituída de "palavras de verdade e de bom senso" (Atos 26:25). Paulo enfatizou a natureza empírica da sua defesa ao dizer que "nada se passou aí, nalgum recanto" (Atos 26:26). Ele desafiou Agripa e Festo com as provas, mas Festo, tal como os atenienses, só foi capaz de ridicularizar a respeito. Esse incidente aconteceu em Cesaréia, onde não devia ser de conhecimento geral que o túmulo estava vazio. Uma viagem a Jerusalém teria confirmado o fato.
3B. Fato Histórico Confirmado
O túmulo vazio é o testemunho silencioso da ressurreição de Cristo que jamais foi refutado. Os romanos e os judeus foram incapazes de apren-sentar o corpo de Cristo ou de explicar onde foi colocado, mas, no entanto, recusaram-se a crer. Não por causa da insuficiência de provas, pois elas são abundantes, os homens ainda insistem em rejeitar a ressurreição.

O professor E. H. Day escreve: "Naquele túmulo vazio a cristandade sempre tem tido uma importante testemunha em favor do caráter racional da fé. Os cristãos jamais duvidaram que, no terceiro dia, o túmulo realmente tenha sido encontrado vazio; as narrativas dos Evangelhos são unânimes em enfatizar o acontecimento; (o ônus da prova)... não recai sobre aqueles que sustentam a tradição, mas sobre aqueles que negam que o túmulo foi encontrado vazio ou que explicam a ausência do corpo do Senhor por meio de alguma teoria racionalista". 13/25

O professor James Denney, citado por Smith, diz: "...O túmulo vazio não é fruto de um espírito apologético infantil, de um espírito que não se satisfaz com as provas da ressurreição presentes no fato de que o Senhor havia aparecido aos seus e que os tinha despertado a uma nova vida vitoriosa ... é um aspecto novo, independente e imotivado do testemunho apostólico". 60/374


4B. Fatos Psicológicos Confirmados
1C. AS VIDAS TRANSFORMADAS DOS DISCÍPULOS
1D. John R. W. Stott diz: "Talvez a transformação dos discípulos de Jesus seja a maior de todas as provas da ressurreição..." 63/58, 59
2D. O dr. Simon Greenleaf advogado de Harvard, diz acerca dos discípulos: "De modo que era impossível que eles tivessem continuado a afirmar as verdades que contavam, caso Jesus não tivesse realmente ressuscitado dos mortos e caso eles não tivessem tanta certeza desse fato como tinham de qualquer outro".

A história das guerras oferece pouquíssimos exemplos de semelhante constância, paciência e grande coragem. Eles tinham todos os motivos imagináveis para analisar cuidadosamente as bases de sua fé e as provas dos grandes acontecimentos e verdades que eles defendiam..." 20/29
3D. Paul Little diz: "Será que esses homens que ajudaram a transformar a estrutura moral da sociedade são mentirosos contumazes ou loucos enganados? É mais difícil crer nestas alternativas do que no fato da ressurreição, e não existe o menor vestígio de prova que apoie tal conjectura". 38/63
4D. Examine a vida transformada de Tiago, o irmão de Jesus. Antes da ressurreição ele fez pouco caso de tudo o que seu irmão pregava. Tiago pensava que as afirmações de Cristo fossem afirmações espalhafatosas que só serviam para macular o nome da família. No entanto, depois da ressurreição, encontramos Tiago com os outros discípulos, pregando o evangelho de seu Senhor. Sua epístola descreve bem o novo relacionamento que tinha com Cristo. Ele se apresenta como "servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo" (Tiago 1:1). A única explicação para essa transformação em sua vida é a que Paulo apresenta: "Depois (Jesus) foi visto por Tiago..." (1 Coríntios 15:7).
5D. George Matheson diz que "o ceticismo de Tome é um reflexo da crença de que a morte de Jesus seria a morte do Seu reino. 'Vamos também nós para morrermos com ele.' Quem pronunciou essas palavras não tinha, no momento em que as pronunciou, qualquer esperança na ressurreição de Cristo. Ninguém iria propor morrer com uma outra pessoa caso esperasse vê-la de novo dentro de algumas horas. Naquele momento Tome havia abandonado toda crença intelectual. Ele não vislumbrava qualquer chance para Jesus. Ele não acreditava em Seu poder físico. Ele já havia decidido que as forças do outro mundo seriam fortes demais e que iriam esmagá-lo". 41/140
6D. Todavia, Jesus se apresentou ressurreto também a Tome. A conseqüência disso encontra-se registrada no Evangelho de João, tendo Tome dito: "Senhor meu e Deus meu!" (João 20:28). Tome mudou totalmente de opinião depois de ver o Senhor ressurreto dentre os mortos e viveu seguindo ao Senhor até morrer como mártir.
7D. A seguinte descrição da transformação que ocorreu, após a ressurreição, na vida dos apóstolos é um interessante enfoque poético sobre o assunto: No dia da crucificação estavam cheios de melancolia; no primeiro dia da semana, repletos de alegria. "No momento da crucificação estavam desesperançosos; no primeiro dia da semana seus corações estavam tomados de certeza e esperança. Quando pela primeira vez ouviram a mensagem da ressurreição, ficaram incrédulos, sendo difícil convencê-los, mas assim que tiveram certeza nunca mais duvidaram. O que poderia explicar a surpreendente mudança ocorrida nesses homens em tão curto espaço de tempo? A simples remoção do corpo do túmulo jamais poderia ter transformado seus espíritos e personalidades. Três dias não são suficientes para se desenvolver uma lenda que tanto iria afetá-los. Requer-se tempo para o processo de formação de uma lenda. Esse é um fato psicológico que exige uma explicação mais convincente".

"Pense no caráter das testemunhas — homens e mulheres que deram ao mundo o mais sublime ensino ético já proclamado e que, mesmo diante das declarações de seus inimigos, puseram esses ensinos em prática em suas próprias vidas. Pense no absurdo psicológico que é descrever um pequeno bando de covardes derrotados escondendo-se certo dia num cenáculo, e alguns dias depois transformados num grupo que perseguição alguma era capaz de silenciar — e então tente atribuir essa impressionante transformação a nada mais convincente do que uma invencionice miserável que estavam tentando impor ao mundo. Isso simplesmente não faria sentido". 3/5,6


2C. AS VIDAS TRANSFORMADAS DE 1.900 ANOS DE HISTORIA

Assim como Jesus Cristo transformou as vidas de seus discípulos, da mesma forma, nos últimos 1.900 anos, os homens também têm experimentado essa transformação. Para mais provas concernentes ao testemunho de vidas transformadas, veja o capítulo intitulado "A Singularidade da Experiência Cristã'.
3C. O VEREDITO

O fato psicológico confirmado de vidas transformadas é, portanto, uma razão lógica para se crer na ressurreição. São provas subjetivas dando testemunho do fato objetivo de que Jesus Cristo ressuscitou ao terceiro dia. Somente um Cristo ressurreto poderia ter tal poder de transformação na vida de uma pessoa.


5B. Fatos Sociológicos Confirmados
1C. UMA INSTITUIÇÃO: A IGREJA CRISTÃ
1D. Um alicerce básico para a fundação da Igreja foi a pregação da ressurreição de Cristo

Atos 1:21, 22 - "É, necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um deste se torne testemunha conosco da sua ressurreição".



Atos 2:23, 24 - "Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela".

Atos 2:31, 32 — "Prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção. A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas".

Atos 3:14, 15 — "Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e pedistes que vos concedessem um homicida. Dessarte matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas".

Atos 3:26 — "Tendo Deus ressuscitado ao seu servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades".

Atos 4:10 — "Tomais conhecimento vós todos e todo o povo de Israel de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós".

Atos 5:30 — "O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro".

Atos 10:39-41 — "É nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém; ao qual também tiraram a vida, pendurando-o no madeiro. A este ressuscitou Deus no terceiro dia, e concedeu que fosse manifesto, não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os mortos".

Atos 13:29-39 - "Depois de cumprirem tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos; e foi visto muitos dias pelos que com ele subiram da Galiléia para Jerusalém, os quais são agora as suas testemunhas perante o povo. Nós vos anunciamos o evangelho da promessa feita a nossos pais, como Deus a cumpriu plenamente a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: 'Tu és meu filho, eu hoje te gerei'. E, que Deus o ressuscitou dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção, desta maneira o disse: 'E cumprirei a vosso favor as santas e fiéis promessas feitas a Davi'. Por isso também diz em outro salmo: 'Não permitirás que o teu Santo veja corrupção'. Porque, na verdade, tendo Davi servido à sua própria geração conforme o desígnio de Deus, adormeceu, foi para junto de seus pais e viu corrupção. Porém, aquele a quem Deus ressuscitou, não viu corrupção. Tomai, pois, irmãos, conhecimento de que se vos anuncia remissão de pecados por intermédio deste; e por meio dele todo o que crê é justificado de todas as cousas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés".



Atos 17:30, 31 - "Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos."

Atos 26:22, 23 — "Mas, alcançando socorro de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequeno como a grande, nada dizendo senão o que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer, e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios".


2D. A Igreja é um fato da história
A explicação para a existência da Igreja é a sua fé na ressurreição.

Durante todo o seu período inicial de existência, essa instituição sofreu muita perseguição pelos judeus e romanos. Indivíduos sofreram tortura e morte por amor ao Senhor somente porque sabiam que Ele havia ressuscitado dentre os mortos.



Wübur Smith diz que até mesmo o racionalista Guignebert é forçado a fazer a seguinte admissão: "O cristianismo não teria existido caso a crença na ressurreição não tivesse sido criada e sistematizada... Toda a soteriologia e o ensino básico do cristianismo dependem da crença na ressurreição, e na primeira página de qualquer declaração de fé cristã deve ser escrita como lema a afirmação de Paulo: 'Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé'. Do ponto-de-vista estritamente histórico, a crença na ressurreição tem igual importância... Devido a essa crença, a fé em Jesus e na Sua missão tornou-se o elemento fundamental de uma nova religião, a qual, depois de se separar do judaísmo, se opôs a ele e saiu a conquistar o mundo". 57/20, 21

Paul Little destaca que a Igreja, fundada por volta de 32 A.D., não surgiu de repente, mas teve uma causa definida. Sobre os cristãos de Antioquia, nos primeiros dias da Igreja, dizia-se que viraram o mundo de cabeça para baixo (Atos 17:6). A causa dessa influência foi a ressurreição. 38/62

H. D. A. Major, diretor do Ripon Hall, em Oxford, diz o seguinte, conforme citado por Smith: "Caso a crucificação de Jesus tivesse sido o fim da experiência dos discípulos com Ele, seria difícil de entender como surgiu a igreja cristã. Aquela igreja foi fundada sobre o caráter messiânico de Jesus. Um messias crucificado não era messias algum. Seria alguém rejeitado pelo judaísmo e amaldiçoado por Deus. Foi a ressurreição de Jesus, conforme São Paulo declara em Romanos 1:4, que proclamou com poder que Ele era Filho de Deus". 60/368

Citado por Straton, Kenneth Scott Latourette diz: "Foi a convicção da ressurreição de Jesus que tirou Seus seguidores do desespero em que Sua morte os havia atirado e que os levou a perpetuarem o movimento iniciado por Ele. Mas devido à profunda crença que tinham de que o crucificado havia ressurgido dos mortos e de que O tinham visto e conversado com Ele, provavelmente qualquer coisa poderia ter acontecido à morte de Jesus e até mesmo a Ele próprio, menos serem esquecidos". 64/3


2C. O FENÔMENO DO DOMINGO CRISTÃO
O dia que, desde o início, os judeus guardavam para descanso era o sábado, pois diziam que Deus, ao concluir a criação, descansou no sétimo dia. Isso estava escrito nas sagradas leis dos judeus. Um dos aspectos de maior reverência na vida de um judeu era a guarda do sábado. Os cristãos se reuniam para adorar no primeiro dia da semana judaica em sinal de reconhecimento da ressurreição de Jesus. Esses cristãos realmente conseguiram mudar para o domingo esse antiqüíssimo dia de descanso e oração, que era guardado por razões teológicas. Lembre-se de que ELES MESMOS ERAM JUDEUS! Lembrando-nos daquilo que pensaram que aconteceria se estivessem errados, devemos admitir que essa foi provavelmente uma das maiores decisões que um grupo de seguidores de uma religião jamais tomou!! Sem a ressurreição como iríamos explicar a mudança do dia de adoração de sábado para domingo? 19/51

J. N. D. Anderson observa que a maioria dos primeiros cristãos era de formação judaica e estava fanaticamente apegada à guarda do sábado. Portanto, foi preciso algo extremamente significativo para mudar esse hábito; a ressurreição foi necessária para que isso acontecesse! 3/9
3C. O FENÔMENO DOS SACRAMENTOS CRISTÃOS
1D. Ceia - Atos 2:46; João 6; Mateus 26:26; Marcos 14:22; Lucas 22:19;

1 Corintios 11:23, 24

A Ceia do Senhor é uma recordação da Sua morte, mas lemos em Atos 2:46 que esse era um momento de alegria. Bem, se não houve uma ressurreição, como poderia haver alegria? A lembrança da refeição tomada por Jesus logo antes de ser traído e crucificado teria provocado uma tristeza insuportável. O que transformou a angústia da última ceia numa comunhão de alegria por todo o mundo?

Michael Green comenta: "Eles se encontravam com Ele neste sacramento. Ele não estava morto, mas ressurreto e vivo. Eles iriam celebrar essa morte de Jesus, conscientes de que Ele estava presente ressurreto, até que ocorresse Sua ansiada volta, no fim da história (1 Coríntios 11:26). Sabemos da existência, no meio da mais antiga comunidade cristã, de uma breve oração eucarística, oriunda da antiga igreja de fala aramaica (1 Corintios 16:22; Didaquê, 10). Ei-la: Maranata! que significa: 'vem, nosso Senhor! ' É totalmente inexplicável como essa pudesse ter sido a atitude dos primeiros cristãos ao se reunirem para celebrar a Ceia do Senhor entre si, a não ser que Ele realmente ressuscitou dos mortos ao terceiro dia". 19/53
2D. Batismo — Colossenses 2:12; Romanos 6:1-6

Os cristãos possuíam uma cerimônia de iniciação — o batismo. É aí onde, mais uma vez, ousaram divergir do judaísmo. Os judeus continuaram circuncidando e os cristãos seguiram o mandamento de seu Senhor a respeito do batismo. Uma pessoa tinha de se arrepender de seus pecados, crer no Senhor ressuscitado e ser batizada. E o que é que o batismo simbolizava? Quase não há dúvida a respeito! Paulo explica que, no batismo, a pessoa se une a Cristo mediante Sua morte e ressurreição. Quando ele entra na água, ele está morrendo para a velha natureza pecaminosa, e sai da água para compartilhar a nova vida ressurreta de Cristo. Nada no cristianismo é mais antigo do que os sacramentos, e, no entanto, estão diretamente ligados à morte e ressurreição de Cristo. Como explicar o significado do batismo cristão se a ressurreição nunca aconteceu?
4C O FENÔMENO HISTÓRICO DA IGREJA
A instituição da Igreja é, então, um fenômeno histórico, que só se explica pela ressurreição de Jesus. Aqueles sacramentos que o cristianismo observa também servem como uma prova que se repete desde a origem da

igreja.


L. L. Morris comenta sobre os primeiros crentes que testemunharam a ressurreição de Cristo: "Eram judeus, e os judeus se apegam tenazmente a seus costumes religiosos. Ainda assim esses homens guardavam o dia do Senhor, uma comemoração semanal da ressurreição, em vez do sábado. Nesse dia do Senhor eles celebravam a santa ceia, que não era uma comemoração de um Cristo morto, mas uma recordação, em atitude de agradecimento, das bênçãos outorgadas por um Senhor vivo e triunfante. O outro sacramento que tinham, o batismo, lembrava que os fiéis foram sepultados com Cristo e ressuscitados com Ele (Colossenses 2:12). A ressurreição dava sentido a tudo o que faziam". 14/1088
5A. TEORIAS INADEQUADAS, ELABORADAS PARA EXPLICAR RACIONALMENTE A RESSURREIÇÃO

("Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade." — Eclesiastes 1:2b)
O que se tem a seguir é uma compilação das explicações hipotéticas mais populares que têm sido idealizadas para explicar racionalmente a ressurreição de Cristo. Analisar-se-á cada teoria juntamente com a respectiva refutação. Pela pesquisa fica claro que cada objeção à ressurreição tem uma alternativa racional a favor da fé.

O advogado britânico J. N. D. Anderson tem profunda consciência da importância de que haja boas provas ao julgar-se a veracidade de uma afirmação. Com respeito ao testemunho que a história dá acerca da ressurreição, ele escreve: "Um ponto que é preciso destacar é que as provas devem ser consideradas como um todo. É relativamente fácil encontrar uma explicação alternativa para um ou outro dos diferentes aspectos que formam este testemunho. Mas tais explicações não têm valor a menos que também se harmonizem com os outros aspectos, ou detalhes, do testemunho. Várias teorias diferentes, possíveis de serem aplicadas isoladamente das provas, mas que não fazem parte de um esquema inteligível e lógico, sao incapazes de apresentar uma alternativa à única interpretação que faz jus a todos os detalhes". 4/105

Esse será o enfoque que daremos ao analisar as teorias a seguir.


1B. A Teoria do Desmaio
1C A TEORIA - CRISTO NA VERDADE NUNCA MORREU NA CRUZ, MAS APENAS DESMAIOU

Quando Jesus foi colocado no túmulo de José de Arimatéia, ainda estava vivo. Depois de algumas horas, Ele recuperou os sentidos devido ao ar frio do túmulo, levantou-se e foi embora.



O professor /. N. D. Anderson diz que essa teoria foi "... exposta pela primeira vez por um homem chamado Venturini, mais ou menos uns dois séculos atrás. Alguns anos atrás ela foi ressuscitada em forma um pouco diferente por um grupo de muçulmanos heterodoxos denominados ahma-diyas que tiveram sua sede principal num lugar chamado Qadian e cuja sede na Inglaterra localiza-se numa região de Londres chamada Putney".

"Sua explicação é a seguinte: Cristo foi de fato pregado na cruz. Sofreu terrivelmente, tendo experimentado choque, perda de sangue e dores, e desmaiou, mas não chegou a morrer. O conhecimento médico não era muito grande na época, e os apóstolos imaginaram que estivesse morto. Não é mesmo que a Bíblia nos conta que Pila tos se surpreendeu diante da informação de que Eleja estava morto? A explicação diz que Ele, estando desmaiado, foi retirado da cruz por aqueles que erroneamente acreditaram que estivesse morto, foi colocado no sepulcro. E o ambiente frio e tranqüilo do sepulcro fê-lO recuperar os sentidos de modo que finalmente pôde sair do túmulo. Seus ignorantes discípulos eram incapazes de crer que essa era uma simples ressurreição. Insistiram que foi uma ressurreição dos mortos". 2/7

O professor Kevan diz que a teoria do desmaio também afirma que "... os efeitos reanimadores das especiarias em que Cristo foi embalsamado..." também foram responsáveis pela ressurreição de Cristo. 32/9

2C. A REFUTAÇÃO



Anderson chegou a esta conclusão: "...Essa teoria não subsiste à investigação..." 4/95

W. J. Sparrow-Simpson diz que ela está "... hoje em dia totalmente ultrapassada..." 17/510

Estou confiante de que os seguintes pontos mostrarão por que esses homens chegaram a tais conclusões.
1D. Cristo realmente morreu na cruz, segundo o entendimento dos soldados, de José e de Nicodemos.

Sobre a teoria do desmaio Paul Little diz: "É significativo o fato de que, dentre os violentos ataques contra o cristianismo, não se encontra uma só insinuação desse tipo. Todos os mais antigos registros são enfáticos quanto à morte de Jesus". 38/65



O professor T. J. Thorbum menciona o seguinte sobre o que Cristo sofreu nas mãos de Pilatos: "...A Agonia no Getsêmani, a prisão à meia--noite, o tratamento brutal no pátio do palácio do sumo sacerdote e no pretório de Pilatos, as exaustivas caminhadas entre Pilatos e Herodes, o terrível açoitamento romano, a caminhada ao Calvário, durante o qual caiu exausto devido ao enorme peso posto sobre Ele, a agonizante tortura da crucificação, e a sede e o estado febril que se seguiram". 68/183-185

Thorbun comenta: "Seria difícil imaginar que mesmo o mais forte dentre os homens, depois de suportar tudo isso, não sucumbisse à morte. Além do mais, está registrado que as vítimas da crucificação raramente se recuperam, mesmo nas circunstâncias mais favoráveis". 68/183-185

Ele conclui: "Não há maneira melhor de expressar as objeções insuperáveis a essa teoria do que... (com estas) palavras: 'Então' afirma Keim, 'existe o aspecto mais improvável de todos; o pobre e fraco Jesus, com dificuldade de se manter em pé, açoitado, desfigurado e finalmente morrendo — esse Jesus se tornou um objeto de fé, de sentimentos elevados, do triunfo dos Seus seguidores, um vencedor exaltado, e Filho de Deus! É nisso que, de fato, a teoria se torna desprezível, absurda, digna só de rejeição'." 68/183-185

O professor Godet, citado por Kevan, diz: "Antes de Sua crucificação, Jesus já sofrerá muito, quer no corpo quer na alma. No Getsêmani teve um vislumbre da Sua morte. Suportou a terrível dor dos açoites romanos que deixavam cicatrizes profundas nas costas da vítima e que quase equivaliam à pena de morte. Então traspassaram Suas mãos e pés com os cravos. O pouco de forças que talvez ainda lhe restassem foram consumidas pelas seis horas de terrível sofrimento por que passou. Tomado de sede e completamente exausto, finalmente entregou seu espírito no último grito registrado pelos evangelistas. Então um soldado romano atravessou seu coração com uma lança. Sem qualquer alimento, sem qualquer pessoa para fazer curativos em Suas feridas ou, de alguma forma, aliviar o Seu sofrimento, passou um dia inteiro e duas noites na caverna em que foi posto. E, no entanto, na manhã do terceiro dia ei-lO ressurgindo, ativo e radiante!" 32/9,10

J. N. D. Anderson comenta sobre a hipótese de que Jesus não morreu: "Bem... é bastante engenhosa. Mas não suportará a investigação. Para começar, ao que parece, tomaram-se providências para se certificar de que Jesus estava morto; certamente esse é o significado do golpe de lança no Seu lado. Mas, por consideração ao argumento, suponha que Ele não estava totalmente morto. Você realmente acredita que jazer horas e horas, sem qualquer assistência médica, num túmulo escavado na rocha, na Palestina à época da Páscoa, quando é bem frio à noite, iria fazê-lO recuperar os sentidos em vez de provocar o fim inevitável de Sua vida frágil? Você realmente acredita que Ele teria sido capaz de Se libertar dos metros e mais metros de panos em que estava enrolado, com o peso dos panos aumentados por dezenas de quilos de especiarias, seria capaz de empurrar uma pedra que três mulheres sentiram-se incapazes de empurrar, e andar quilômetros com os pés feridos?" 3/7

Conforme John R. W. Stott indaga, será que vamos crer "que depois dos rigores e sofrimentos do julgamento, zombaria, açoitamento e crucificação, Ele conseguiu sobreviver trinta e seis horas num sepulcro de pedra, sem aquecimento nem comida nem cuidados médicos? Como então Ele conseguiu recuperar suficientemente as forças para realizar o feito sobre-humano de afastar a enorme pedra que fechava a entrada do túmulo, tudo isso sem incomodar os soldados romanos? E como, estando fraco, com a saúde debilitada e faminto, conseguiu aparecer aos discípulos de uma tal maneira que lhes deu a impressão de ter vencido a morte? Como conseguiu chegar ao ponto de afirmar que havia morrido e ressuscitado, enviá-los a todo o mundo e prometer estar com eles até ao fim dos tempos? Como conseguiu viver, escondendo-se em algum lugar durante quarenta dias, aparecendo ocasionalmente de surpresa e, finalmente, desaparecendo sem qualquer explicação? Tal credulidade é mais incrível do que a falta de fé de Tome". 63/48,49

Sobre racionalistas da atualidade que negam a ressurreição de Cristo, E. L. Camus escreve ."Dizem: 'Se Ele ressurgiu, então não morreu. Mas se morreu, então não ressurgiu'".

"Dois fatos, cada um tão certo quanto o outro, lançam luz nesse dilema. O primeiro é que na tarde de sexta-feira Jesus estava morto; e o segundo é que no domingo e nos dias subseqüentes Ele apareceu cheio de vida."



"Ninguém questionou se Ele de fato morreu na sexta-feira; ninguém no Sinédrio, nem no Pretório, nem no Calvário. Somente Pilatos ficou surpreso em saber que Ele tivesse entregado o espírito tão rapidamente, mas a sua surpresa só deu margem para que surgissem novas evidências que corroboram com a afirmação daqueles que solicitavam o corpo de Jesus".

"De modo que amigos e inimigos, olhando para o Crucificado, claramente perceberam que Ele não mais vivia. Para deixar isso ainda mais claro, o centurião traspassou-o com a lança, e o cadáver não fez qualquer movimento. Da ferida surgiu uma mistura de água e sangue, o que revelava uma rápida decomposição dos elementos vitais. Dizem que a hemorragia é fatal em casos de síncope. Ele não morreu de hemorragia pois já estava morto. Pois os detalhes dessa sangria provam que Jesus tinha morrido alguns momentos antes. E aos mais inteligentes dentre os inimigos de Jesus, como é o caso dos principais sacerdotes, não ocorreu lançar dúvida sobre a realidade da Sua morte. Tudo o que temiam era um golpe por parte dos discípulos, que poderiam retirar o corpo, mas não por parte de Jesus, que tinham visto expirar. Foi tirado da cruz, e da mesma forma como não deu qualquer sinal de vida diante do golpe que o soldado desferiu com a lança, ele agora estava inerte e frio nos braços amorosos que O erguiam, carregavam, embalsamavam, enrolavam e depositavam no túmulo, depois de cobri-lo com demonstrações de tristeza e amor. Será possível imaginarmos um desmaio mais completo ou um melhor cronometrado? Quero acrescentar que isso realmente seria um final bem acidental para uma vida que, em si mesma, já era de uma santidade tão prodigiosa e de uma influência tão fecunda. Seria uma coincidência inacreditável! Seria algo mais milagroso do que a própria Ressurreição! " 34/485,486
2D. Os discípulos não tiveram a impressão de que Ele somente havia se recuperado de um desmaio.

O cético David Friedrick Strauss, alguém que certamente não acreditava na ressurreição, desferiu o golpe mortal em qualquer idéia de que Jesus se recuperou de um desmaio. Estas são suas palavras: "É impossível que alguém, semimorto, que saiu furtivamente do sepulcro, fraco e enfermo, se locomovesse com dificuldade por vários lugares, necessitando de tratamento médico, o que incluiria curativos, fortalecimento físico e atenção, e que ainda havia sucumbido a seus sofrimentos; sim, é impossível que tal pessoa tivesse dado aos discípulos a impressão de que era um vencedor sobre a morte e a sepultura, o Príncipe da Vida, uma impressão que ficou no fundo de seu futuro ministério. Uma ressurreição dessas só poderia ter enfraquecido a impressão que lhes causou durante a vida e na morte. Na melhor das hipóteses só poderia ter dado um tom de lamentação a essa impressão. De modo algum poderia ter transformado a tristeza deles em entusiasmo, a reverência em adoração". 65/412

William Milligan, ao descrever as aparições de Jesus aos discípulos, diz que elas não eram aparições "... que dessem a idéia dEle estar doente, mas aparições que revelavam saúde, vigor e bastante atividade nos preparativos para uma grande obra em que imediatamente deviam tomar parte". Ele prossegue: "O desânimo cedeu lugar à esperança, o desespero ao triunfo, a prostração física à energia vigorosa e constante". 43/76, 77

Ele prossegue: "Quando se desfizeram os primeiros temores dos discípulos, o que se via eram sentimentos de alegria, coragem e entusiasmo; nada encontramos daqueles sentimentos de piedade, de compaixão diante do sofrimento, de desejo de ajudar que deviam ter sido despertados pela aparição de uma pessoa que desmaiara devido à fadiga e à agonia, que continuara inconsciente desde a tarde de sexta-feira até a manhã de domingo e que agora estava apenas experimentando seus primeiros momentos de consciência". 43/76, 77

O professor E. H. Day diz: "Nas narrativas das várias aparições do Cristo ressurreto não há qualquer sugestão de alguma fraqueza física que teria sido inevitável caso Cristo tivesse se recuperado de uma morte aparente. Na verdade, os discípulos viram em seu Mestre ressurreto não alguém que, contra todas as expectativas, se recuperou de sofrimentos terríveis, mas alguém que era o Senhor da vida e o que subjugou a morte, e que não mais experimentava as limitações físicas que os discípulos tinham conhecido durante Seu ministério". 13/49, 50


3D. Aqueles que propõem a teoria do desmaio também têm de dizer que Jesus, assim que recuperou os sentidos, foi capaz de realizar o milagre de se desembaraçar dos panos que enrolavam firmemente o Seu corpo e de sair sem deixar os panos em desordem.

Merrill C. Tenney explica acerca dos panos de sepultamento: "Ao se preparar um corpo para sepultamento, de acordo com o costume judaico, geralmente lavava-se e endireitava-se o corpo, e então enrolava-se apertada-mente o corpo, desde as axilas até o tornozelo, com faixas de linho de aproximadamente trinta centímetros de largura. Especiarias aromáticas, freqüentemente de uma consistência pegajosa, eram postas entre uma camada e outra de pano. Em parte elas ajudavam a preservar o corpo e em parte serviam como um adesivo para colar as tiras de pano, formando um revestimento sólido... O termo empregado por João, literalmente 'atou' (no grego edesan ), está em perfeita harmonia com o que encontramos em Lucas 23:53, onde o escritor afirma que José de Arimatéia envolveu o corpo de Jesus num lençol de linho..."

"Na manhã do primeiro dia da semana o corpo de Jesus desaparecera, mas os panos em que fora enrolado o corpo ainda estavam ali..."

"O invólucro estava no lugar onde a cabeça havia ficado, separado do outro invólucro pela distância da axila ao pescoço. O formato do corpo ainda era visível nesses envoltórios, mas a carne e os ossos haviam desaparecido... Como foi que o cadáver foi libertado dos invólucros, uma vez que não deslizariam pelas curvas do corpo por estarem firmemente atados ao redor do corpo?" 60/116, 117
4D. "Aqueles que sustentam essa teoria", diz James Rosscup, "têm de dizer que Cristo, bastante enfraquecido, foi capaz de empurrar para trás a pedra que estava na entrada do túmulo — um feito que os historiadores dizem que necessitaria de alguns homens — caminhar para fora do sepulcro sem acordar nenhum dos soldados (se presumirmos, por causa do argumento, que eles estavam dormindo, e sabemos que certamente não estavam), passar por cima deles e escapar". 55/3

O professor E. H. Day comenta a respeito: "Realmente chama a atenção o fato de que essa hipótese é fisicamente improvável. Mesmo que rejeitemos a informação de que houve guardas junto ao sepulcro (em obediência às imposições de uma crítica que considera os guardas um incidente inconveniente), continua existindo a dificuldade de imaginar que alguém que mal acordara de um desmaio teria conseguido rolar a pedra para fora da entrada do sepulcro, 'pois era muito grande'". 13/48, 49

Quanto ao grande tamanho da pedra no túmulo de Jesus, veja página 262.



É absurdo supor que Jesus tivesse conseguido derrotar os soldados romanos, mesmo que tivesse sido capaz de empurrar a pedra para fora. Pessoas desse tipo dificilmente teriam dificuldade em lidar com "alguém, semimorto, que saiu furtivamente do sepulcro", tal como Strauss descreveu Jesus. Além disso, o castigo para quem dormisse durante a sua vigília era a morte, de maneira que os soldados deviam estar bem despertos.

Para mais detalhes sobre a escolta romana com quem Jesus teria tido de lutar, veja página 270.


5D. Se Jesus tivesse simplesmente se recuperado de um desmaio, a longa caminhada "para uma aldeia, chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios" (Lucas 24:13), teria sido impossível.

O professor Day diz o seguinte: "Uma longa caminhada, seguida da aparição aos discípulos em Jerusalém, é inconcebível no caso de alguém que se recuperou de um desmaio provocado por ferimentos e exaustão". 13/48,49

O professor E. F. Kevan faz os seguintes comentários a respeito: "Com Seus próprios pés, que haviam sido perfurados de um lado a outro apenas dois dias antes, Ele caminha sem dificuldade os onze quilômetros entre Emáus e Jerusalém. Ele está tão ativo que, durante a refeição, desaparece repentinamente da vista de Seus companheiros de viagem e, quando retornam à capital para anunciar as boas novas aos apóstolos, encontram-nO ali de novo! Jesus foi mais rápido que eles. Com a mesma agilidade que caracteriza todos os Seus movimentos, Ele Se apresenta de repente na sala onde os discípulos estavam reunidos... Será que essas são as ações de um homem que acabou de ser retirado semimorto da cruz e que foi colocado num sepulcro em estado de completa exaustão? Não". 32/9,10


6D. Se Jesus apenas acordou de um desmaio que o havia deixado parecendo morto, teria explicado Seu estado aos discípulos. Ficando quieto, teria sido um mentiroso e um enganador, deixando que Seus seguidores proclamassem por todos os lugares a ressurreição, quando esta na verdade era uma história fantástica e imaginária.

E. Le Camus escreve: "Além do mais, lembremos-nos de que, se J esus só tivesse desmaiado, não poderia deixar que alguém cresse que havia morrido, a não ser que comprometesse Seu caráter. Em vez de Se apresentar como alguém que havia tomado a viver, simplesmente devia dizer que havia sobrevivido por acaso. Na verdade, aqui como em todas as demais partes dos Evangelhos, deparamo-nos com este dilema insuperável: Jesus ou era o Justo, o Homem de Deus, ou era o maior criminoso entre os homens. Se ele se apresentou como alguém que ressuscitou dentre os mortos, e se isso não aconteceu, então Ele é culpado de falsidade, e deve-se rejeitar que ele tenha chegado a ter alguma honestidade". 34/485,486

Paul Little comenta que uma teoria assim exige que creiamos que "o próprio Cristo estava envolvido em mentiras flagrantes. Seus discípulos creram e pregaram que Ele morreu mas tornou a viver. Jesus não desencorajou essa idéia, ao contrário, incentivou-a". 38/66

John Knox, um erudito no Novo Testamento e que é citado por Straton, diz: "Não foi o caso de que um homem ressuscitou dos mortos, mas que um determinado homem o fez, tendo dado início ao movimento cristão... O caráter de Jesus foi a causa maior desse movimento". 64/3

Jesus não teria tomado parte na mentira de que Ele ressuscitara dos mortos, caso isso não tivesse acontecido. Uma alegação dessas é impugnada sem restrições quando se examina o Seu caráter imaculado.
7D. Se Cristo não morreu naquele dia, então quando e em que circunstâncias Ele morreu?

O professor E. H. Day afirma: "...Caso se aceite a teoria do desmaio, é necessário eliminar dos Evangelhos e de Atos toda a narrativa da ascensão, bem como explicar a repentina cessação das aparições de Cristo pela suposição de que Ele Se afastou completamente dos discípulos para viver e morrer em completo isolamento, deixando-os com toda uma série de impressões falsas sobre Sua Própria Pessoa e sobre a missão que lhes dera junto ao mundo". 13/50



William Milligan diz que, se Cristo apenas desmaiou na cruz e mais tarde recuperou os sentidos, "Ele deve ter se instalado em algum retiro solitário, desconhecido até dos Seus mais chegados discípulos. Enquanto Sua Igreja ia se erguendo ao redor de onde Ele estava, abalando os alicerces da antiga sociedade e, em meio a inúmeras dificuldades, introduzindo em todos os lugares uma nova ordem de coisas — ao mesmo tempo em que ela era dividida por controvérsias, cercada por tentações, exposta a tributações, e em resumo, colocada naquelas exatas circunstâncias que a tornavam mais dependente da Sua ajuda — em meio a tudo isso Ele esteve ausente, passando Seus últimos dias, poucos ou muitos, naquilo que somos obrigados a chamar de solidão. E, então, finalmente deve ter morrido — mas ninguém é capaz de dizer onde, nem quando, nem como! Não há um só raio de luz para invadir a escuridão; e esses cristãos primitivos que, segundo nos contam, tinham uma imaginação tão fértil para inventar lendas, não têm uma única lenda a respeito para nos ajudar". 43/79
3C. CONCLUSÃO
Com toda honestidade, é possível concordar com o que George Hanson diz sobre a teoria do desmaio: "É difícil crer que essa foi a explicação preferida do racionalismo do século dezoito". As provas contrárias a uma hipótese dessas são tão fortes que agora ela está ultrapassada. 22/19
2B. A Teoria do Roubo
1C. A TEORIA - OS DISCÍPULOS ROUBARAM O CORPO
1D. Mateus faz a seguinte narrativa para informar sobre a teoria prevalecente à sua época, a qual procurava refutar a ressurreição de Cristo: "E, indo elas, eis que alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera. Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados, recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram, enquanto dormíamos. Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta versão divulgou-se entre os judeus até ao dia de hoje" (Mateus 28:11-15).
2D. Nos escritos de Justino Mártir, Tertuliano e outros, percebe-se que durante algum tempo a teoria do roubo, tal como se encontra registrada em Mateus, foi popular entre os judeus.

O professor Thorburn faz as seguintes observações: "Na obra de Justino Diálogo com Trifo, 108, o judeu fala de 'um certo Jesus, um enganador da Galiléia, a quem crucificamos; mas seus discípulos roubaram à noite o corpo do túmulo, onde fora sepultado depois de ter sido tirado da cruz, e agora enganam as pessoas afirmando que Ele ressuscitou dos mortos e ascendeu ao céu'".

"Semelhantemente Tertuliano {Apologia, 21) também diz: 'Encontraram o túmulo totalmente vazio, com exceção dos panos que envolviam o sepultado. Todavia, os líderes dos judeus, que, na prática, tinham a preocupação tanto de divulgar uma mentira por todos os lados como de manter o povo, em questões de fé, obedecendo e contribuindo financeiramente, esses líderes espalharam que o corpo de Cristo fora roubado por seus seguidores! ' E, mais uma vez, com fina ironia Tertuliano diz {De Spectac, 30): 'Este é aquele que os discípulos secretamente roubaram para que pudessem dizer que ressuscitara, ou pode ter sido que o jardineiro tenha tirado o corpo do local a fim de que as multidões de visitantes não viessem estragar sua plantação de alface! "

"Encontramos essa teoria repetida na literatura judaica medieval (livro judaico em Eisenmenger, vol. 1, p. 189ss, etc). Reimarus repete a mesma história: 'Os discípulos de Jesus roubaram o corpo antes de se transcorrerem vinte e quatro horas de sepultamento, no local do sepulcro representaram a comédia do túmulo vazio e adiaram o anúncio público da ressurreição para cinqüenta dias depois, quando a decomposição do corpo já era total.'"

"As afirmações e argumentos dessa teoria bem antiga são integralmente respondidos por Orígenes {Contra Celso)". 68/191, 192
3D. Sobre a teoria do roubo, João Crisóstomo, de Antioquia (347-407 A.D.), disse o seguinte: "Pois, na verdade, até isso confirma a ressurreição. Isto é, o fato de dizerem que os discípulos O roubaram. Pois essa é a maneira de os homens admitirem que o corpo não estava lá. Portanto, quando admitem que o corpo não estava lá, ao mesmo tempo em que se mostra que, devido à vigilância no local, aos selos e à timidez dos discípulos, o roubo é uma mentira inacreditável, aí então a prova da ressurreição parece ser inquestionável". 10/531
2C. A REFUTAÇÃO
1D. Ê preciso explicar de alguma maneira o túmulo vazio.

O professor E. F. Kevan afirma que, embora o túmulo vazio obrigatoriamente não prove a ressurreição, apresenta, no entanto, duas alternativas distintas. Kevan escreve: "As alternativas são: o túmulo vazio ou era obra divina ou humana". Deve-se analisar objetivamente ambas as possibilidades e deve-se aceitar aquela que tenha maior probabilidade de ser verdadeira. 32/14

Kevan prossegue: "Contudo, não há dificuldade alguma quando se tem de fazer uma decisão entre alternativas como estas. Os inimigos de Jesus não tinham qualquer motivo para tirar o corpo; os amigos de Jesus não tinham quaisquer condições de fazê-lo. Para as autoridades teria sido vantajoso que o corpo permanecesse onde estava; e é irreal a idéia de que os discípulos roubaram o corpo. Conclui-se que o poder que tirou o corpo do Salvador do túmulo deve ter sido divino". 32/14



LeCamus assim se expressa a respeito: "Se Jesus, que fora sepultado no túmulo na sexta-feira, não estava lá no domingo; ou Ele foi tirado de lá °u então Ele dali saiu pelo Seu próprio poder. Não há qualquer outra alternativa. Foi tirado? Por quem? Por amigos ou por inimigos? Estes haviam postado um pelotão de soldados para guardá-lO, portanto não tinham qualquer intenção de fazê-lO desaparecer. Além do mais, a prudência que tinham não os faria tomar essa atitude. Pois isso facilitaria demais a possível invenção de histórias da ressurreição por parte dos discípulos. Para eles a opção mais sábia era guardar o corpo como prova. Assim poderiam responder a cada afirmação que surgisse: 'O cadáver está aqui. Ele não ressuscitou'".

"Quanto aos Seus amigos, não tinham a intenção nem as condições para tirá-lo do túmulo." 34/482



Wilbur Smith diz: "... Esses soldados não souberam como explicar o túmulo vazio. O Sinédrio disse-lhes o que dizer, e, devido ao medo que tinham, foram subornados para que repetissem aquela história forjada às pressas". 57/22, 23

A. B. Bmce comenta: "A história a ser divulgada presume que existe um fato a ser explicado, o desaparecimento do corpo. E está implícito que é falsa a versão a ser espalhada pelos soldados". 6/337, 338
2D. O roubo do corpo de Cristo pelos discípulos não é uma explicação

razoável para o túmulo vazio.
1E. Não se questionou o testemunho dos soldados. Mateus registra que "alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera" (Mateus 28:11).

O professor R. C B. Lenski assinala que o informe sobre a ressurreição de Jesus chegou até os sumo sacerdotes através das testemunhas deles próprios, "os soldados que eles mesmos haviam colocado no local, as testemunhas inatacáveis". O testemunho dos guardas foi aceito como sendo totalmente verdadeiro; eles sabiam que os guardas não tinham motivo algum para mentir. 35/1161, 1162



Wilbur M. Smith escreve: "Deve-se notar em primeiro lugar que as autoridades judaicas questionaram o relatório dos guardas. Eles mesmos não foram verificar se o túmulo estava vazio, pois sabiam que estava vazio. Os guardas jamais teriam vindo com uma história dessas, a menos que estivessem relatando acontecimentos reais e indisputáveis, na medida em que eram capazes de entender esses acontecimentos. A história que as autoridades judaicas disseram aos soldados para divulgar foi uma história para explicar como o túmulo ficou vazio". 69/375, 376

Falando sobre Anás e Caifás, o professor Albert Roper diz: "A explicação hipócrita que deram para a ausência do corpo de Jesus no túmulo revela a falsidade de tal alegação. Ou então por que iriam tentar subornar os soldados para que dessem um testemunho falso?" 54/37

De maneira que os judeus, ao não questionarem a veracidade do testemunho dos soldados, tacitamente confirmam que o túmulo de Cristo estava vazio. A história que eles forjaram de que os discípulos roubaram o corpo de Jesus não passa de uma desculpa esfarrapada, divulgada à falta de uma outra melhor.
2E. Tomaram-se muitas precauções para evitar o roubo daquele túmulo. Para os discípulos, tais medidas teriam representado um obstáculo intransponível em qualquer plano de roubo do sepulcro.

O professor Albert Roper diz: "Sejamos justos. Estamos diante de uma explicação que, para pessoas de bom senso, não soluciona. Quando os principais sacerdotes induziram Pilatos a determinar 'que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia', o registro dos fatos justifica a conclusão de que, sem dúvida alguma, manteve-se o sepulcro em 'segurança'. De modo que, raciocinando a partir desse relato, não há como deixarmos de chegar à conclusão de que as medidas tomadas para evitar que os amigos de Jesus roubassem Seu corpo constituem agora uma prova irrefutável de que não tinham condições de participar desse roubo e de que não o fizeram". 54/34



Lemos em Fallow's Encyclopedia (Enciclopédia de Fallow) que "os discípulos eram incapazes de enfrentar o poderio romano. Como é que soldados armados e de sentinela iriam aceitar serem derrotados por umas poucas pessoas medrosas?" 17/1452

João Crisóstomo, falando sobre as mulheres que vieram ao túmulo de Jesus bem cedo na manhã de domingo, escreve: "Elas raciocinaram que ninguém poderia tê-lO levado quando tantos soldados estavam ali ao redor, a menos que Ele tivesse ressuscitado". 9/527
3E. O desânimo e a covardia dos discípulos é um argumento contundente de que seriam incapazes de, repentinamente, se tornar tão corajosos e ousados a ponto de enfrentar um destacamento de soldados junto ao túmulo e roubar o corpo. Não tinham ânimo para tentar algo assim.

Wilbur M. Smith diz: "... Os discípulos, que haviam fugido de Jesus quando Ele estava sendo julgado, não tinham coragem nem forças físicas para lutar contra um grupo de soldados". 57/22, 23

Smith prossegue: "... Esses discípulos não tinham disposição para sair e enfrentar soldados romanos, subjugar toda a escolta e rapidamente roubar o corpo do túmulo. Pessoalmente creio que se tivessem tentado tal empreitada, teriam sido mortos, mas eles não se encontravam em condições psicológicas nem mesmo de tentar. Na noite de quinta-feira daquela semana, Pedro havia demonstrado que era um covarde, quando, no pátio inferior do palácio do sumo sacerdote, uma criada o aborreceu, acusando-o de pertencer ao grupo do nazareno condenado. Na ocasião, para salvar a própria pele, ele negou o seu Senhor, praguejou e jurou. O que teria acontecido com Pedro que, no espaço de poucas horas, transformou o covarde em alguém que se apressa a lutar com soldados romanos?" 60/376, 377

Acerca da teoria do roubo, Fallow escreve na enciclopédia de sua autoria: "É provável que eles não roubaram o corpo, e é quase certo que não tinham condições de fazê-lo".



"Como é que poderiam tentar retirar o corpo? Criaturas frágeis e tímidas, que fugiram tão logo viram que Ele fora preso; até Pedro, o mais corajoso, tremeu ao ouvir a voz da criada e três vezes negou que O conhecesse. Será que pessoas com esse caráter teriam tido a coragem de contradizer a autoridade do governador? Será que eles teriam se oposto à determinação do Sinédrio? Será que teriam se disposto a enfrentar os guardas?

Será que teriam escapado furtivamente ou então derrotado soldados armados, que estavam cônscios do perigo? Se Jesus Cristo não tornou a viver (falo a linguagem dos incrédulos), enganou os discípulos com vãs esperanças de ressurreição. Como os discípulos não descobriram o embuste? Será que teriam se arriscado num empreendimento tão perigoso em favor de um homem que, de forma tão cruel, os havia constrangido a crerem nEle? Mas, caso admitamos que eles combinaram entre si para retirar o corpo, como é que teriam executado esse intento?" 17/1452

O professor A. Roper diz: "Ninguém dentre os membros daquele pequeno grupo de discípulos teria tido a coragem de violar o túmulo selado, mesmo que não houvesse soldados romanos ali de guarda. É totalmente fantástica a idéia de que um deles pudesse realizar tal empreitada diante das medidas preventivas que haviam sido adotadas". 54/37

Veja as páginas acerca da escolta romana, para compreender melhor por que os discípulos teriam tido receio das sentinelas.


4E. Se os soldados estavam dormindo, como poderiam dizer que os discípulos roubaram o corpo?

Na obra Fallaw's Encyclopedia (Enciclopédia de Fallaw) aparece o seguinte comentário sobre a teoria do roubo: "Diz Santo Agostinho: 'Ou estavam dormindo, ou estavam acordados; se estavam acordados, por que permitiram que os discípulos roubassem o corpo? Se estavam dormindo, como poderiam saber que os discípulos o roubaram? Dessa forma, como teriam a coragem de depor sob juramento que o corpo fora roubado?" 17/1452

Sobre a escolta romana, A. B. Bruce assim se refere: "... Os soldados estavam perfeitamente cônscios de que não haviam dormido em seu posto e que nenhum roubo ocorrera. A mentira pela qual os sacerdotes pagaram tanto dinheiro é praticamente um suicídio. As duas partes dessa mentira se contradizem mutuamente. Sentinelas que estivessem dormindo não teriam como saber o que acontecera". 6/337, 338

O professor David Brown comenta: "Se havia algo que era necessário para completar a prova da realidade da ressurreição de Cristo, certamente era a tolice da explicação que os guardas foram subornados a dar. Era bem improvável que todo um destacamento de soldados fosse dormir durante a vigília; mas era totalmente improvável que isso acontecesse num caso como esses, em que as autoridades se mostravam ansiosas por que o túmulo permanecesse intacto..." 30/133

Sobre a teoria forjada pelos judeus Paul Little diz: "Deram dinheiro aos soldados e disseram-lhes para que explicassem que os discípulos tinham vindo de noite e roubado o corpo enquanto estavam dormindo. A falsidade dessa história é tão óbvia que Mateus nem se dá ao trabalho de refutá-la. Que juiz lhe daria atenção caso você dissesse que, enquanto dormia, o seu vizinho tinha vindo e roubado o aparelho de televisão da sua casa? Um testemunho como esses seria ridicularizado e rejeitado em qualquer tribunal". 38/63, 64


5E. É certo que os soldados não dormiram enquanto deviam vigiar — proceder assim significaria condenação à morte por parte dos seus oficiais superiores.

O professor A. B. Bruce escreve: "A punição comumente aplicada em quem dormisse durante a vigília era a morte. Seria possível convencer os soldados a, por qualquer quantia de dinheiro, correrem tal risco? É claro que eles podiam apanhar o dinheiro e ir embora rindo de quem tivesse dado o dinheiro, com a intenção de contar a verdade ao general. Será que os sacerdotes poderiam esperar alguma coisa mais? Caso contrário, será que poderiam fazer seriamente essa proposta? A história está cheia de dificuldades". 6/337, 338

Edward Gordon Selwyn, citado por Wilbur Smith, comenta sobre a possibilidade de os guardas dormirem: "É inacreditável que... todos, sem exceção, tenham dormido quando ali estavam estacionados com um propósito tão incomum — garantir que um cadáver não fosse roubado. É inacreditável especialmente quando se considera que esses guardas estavam sujeitos à mais severa disciplina do mundo. Para uma sentinela romana, dormir no posto significava a morte. No entanto, esses guardas não foram executados; nem mesmo foram declarados culpados conforme o regulamento, nem tiveram a sensação de um fracasso deplorável nem se exasperaram, embora isso fosse de se esperar diante do fracasso do plano deles de guardar o corpo.... É praticamente evidente por si mesmo que os governantes judeus não acreditaram naquilo que instruíram e subornaram os soldados a dizer. Se tivessem acreditado, por que os discípulos não foram imediatamente presos e investigados? Pois um ato desses de que eram acusados implicava uma ofensa muito séria contra as autoridades existentes. Por que eles não foram forçados a entregar o corpo? Ou, no caso de serem incapazes de provar sua inocência, por que não foram castigados por esse crime?... Em lugar algum existe a menor indicação de que os governantes tenham tentado fundamentar a acusação". 60/578, 579

William Paley, teólogo e filósofo inglês, escreve: "Na minha opinião, o dr. Townshend observou corretamente que a história dos guardas revelava alguma fraude: 'Vieram de noite os seus discípulos e o roubaram, enquanto dormíamos'. Em circunstâncias assim, não teriam feito tal admissão de negligência sem garantias prévias de proteção e impunidade". 49/196

Para maiores informações sobre o tipo de castigo dado àqueles (tanto guardas romanos como guardas do templo) que dormissem durante a vigília, veja as páginas 268 a 270.
6E. A pedra na entrada do túmulo era exatamente grande (veja páginas 262s). Mesmo que os soldados estivessem dormindo e os discípulos tentassem roubar o corpo, certamente o barulho causado por arrastar uma pedra como essas os teria acordado.

O professor Wilbur Smith diz: "Com certeza os soldados teriam acordado com o barulho de empurrar uma pedra pesada e de tirar para fora o corpo de Jesus". 57/22, 23

David Browm escreve: "... Mas mesmo que fosse possível supor que um número tão grande e suficiente de discípulos tivesse vindo ao túmulo para romper o selo, empurrar a grande pedra para trás e levar embora o corpo, é inimaginável que todos os guardas estivessem dormindo profundamente e pelo tempo suficiente para permitir que todo esse trabalho entedi-ante e barulhento acontecesse bem ao seu lado sem acordarem". 30/133
7E. Os panos de sepultamento constituem uma testemunha silenciosa da impossibilidade do roubo. (Para uma análise abrangente do costume judaico de sepultamento, veja páginas 258ss).

Merrill C. Tenney comenta: "Nenhum ladrão jamais teria reenrolado as faixas em seu formato original, pois não teria havido tempo para fazê-lo. Ladrões teriam deixado os panos espalhados pelo chão e fugido com o corpo. O medo de serem presos tê-los-ia feito agir o mais rápido possível". 66/119

O professor Albert Roper diz: "Tal ambiente ordeiro é inconsistente com a profanação da sepultura e a ação rápida de roubar o corpo. Alguém suficientemente afoito para empreender uma missão dessas — se é que se poderia encontrar alguém assim — com toda certeza não teria feito esse trabalho com tanta ordem, tanta tranqüilidade, tanta calma. Pela nossa experiência, com certeza o grande cuidado de deixar o ambiente que saquearam ou vasculharam numa condição meticulosamente arrumada e ordeira não é consistente com ações perpetradas por criminosos. Pelo contrário, desordem e confusão são as características de um gatuno. Tais atos, pela própria natureza das coisas, não se desenrolam de maneira tranqüila. Sua realização exige pressa, na qual arrumação e ordem não têm qualquer espaço. A própria condição ordeira do túmulo, do que João dá testemunho, proclama o absurdo da acusação de que o corpo de Jesus fora roubado pelos Seus discípulos". 54/35-37



Gregório deNissa, ao comentar sobre esses fatos há 1.500 anos, escreveu "que a disposição dos panos no sepulcro, o lenço que esteve envolvendo a cabeça de nosso Salvador, não junto com os panos de linho, mas enrolado num lugar à parte, não refletem a ansiedade e a pressa de ladrões e, dessa forma, refuta a história de que o corpo foi roubado" (citado em Whitworth). 73/64, 65

Crisóstomo, outro escritor do século quarto, escreve de modo semelhante: "E esse também é o significado dos lenços que estavam grudados com a mirra, pois Pedro os viu deixados ali; se os discípulos estivessem dispostos a roubar o corpo, não o teriam levado nu. Não apenas por uma questão de respeito, mas a fim de não se demorarem nem perderem tempo desenrolando-o, e para não darem aos soldados oportunidade de acordar e então prendê-los. Também é preciso levar especialmente em conta que se usou mirra, um produto que gruda bastante no corpo e que se apega aos panos, de maneira que não era fácil tirar os panos do corpo, mas aqueles que o fizessem precisariam de muito tempo, de modo que mais uma vez vê-se que é impossível a história do roubo".

"Quê! ? Será que os discípulos não conheciam a fúria dos judeus? E será que atrairiam sobre si a ira deles? E no final que vantagem teriam nisso se Jesus não havia ressuscitado?" 9/530, 531



Simon Greenleaf, famoso professor de Direito na Universidade de Harvard, diz: "Os panos de sepultamento repousando ali como que arrumados, e o lenço em lugar à parte, enrolado, deixam claro que o sepulcro não fora saqueado nem o corpo fora roubado por mãos violentas. Pois esses panos e especiarias teriam tido mais valor para ladrões do que um simples cadáver nu. Pelo menos, não deviam ter o trabalho de arrumar os panos. Os mesmos detalhes também revelam que o corpo não foi tirado por amigos, pois não teriam deixado os panos para trás. Uma análise de todos esses detalhes fez germinar na mente de João uma crença de que Jesus havia ressurgido dentre os mortos". 20/542

Henry Latham, que faz uma boa descrição dos panos de sepultamento, assinala que estavam num único lugar, e além disso faz observações sobre "... as cem libras de especiarias. Essas especiarias eram secas. A quantidade mencionada é grande. Caso os panos tivessem sido desenrolados, a mirra e o aloés em pó teriam caído na laje ou no chão, formando um monte bem aparente. Quando, de dentro do túmulo, com grandes detalhes Pedro descreveu a João o que via, certamente não teria deixado de mencionar esse aspecto. O senhor Beard não se esquece das especiarias e diz que elas, pelo peso, afundaram os panos de sepultamento, mas ele deixa de perceber o fato, para mim tão significativo, de que se os panos tivessem sido desenrolados, as especiarias teriam caído e ficado visíveis. O fato de que nada se diz sobre as especiarias favorece a suposição de que permaneceram entre as faixas de pano onde foram originalmente colocadas, e conseqüentemente não foram vistas". 33/9
8E. Os discípulos não devem ter tirado o corpo de Cristo. Wilbur Smith comenta: "... Os discípulos não tinham motivo algum para tirar o corpo, que fora sepultado com o devido respeito e honra. Nada mais podiam fazer pelo corpo do seu Senhor que já não tivesse sido feito. José de Arimateia jamais lhes disse para retirarem o corpo do lugar inicial de sepultamento. Igualmente nenhuma outra pessoa deu essa sugestão. De modo que, se realmente empreenderam tal tarefa, só pode ter sido não para a honra do Senhor, nem para garantir as suas próprias vidas, mas para enganar outras pessoas. Em outras palavras, para impingir nos habitantes da Palestina uma mentira sobre Jesus. Esses discípulos haviam seguido o Senhor durante três anos, e não importa o que mais eles possam ter sido, certamente não eram mentirosos, com exceção de Judas, que já estava morto. Não eram indivíduos ignorantes dados a enganar. É inconcebível que os onze, depois de acompanharem o Santo Filho de Deus, o qual condenou a falsidade e sempre exaltou a verdade, depois de ouvirem-nO pregar um evangelho da mais elevada retidão que já se tinha ouvido até então, é inconcebível que esses onze discípulos decidissem todos repentinamente participar de uma maquinação vil como essa". 60/377
9E. Até então os discípulos não tinham percebido a verdade da ressurreição e dessa forma não teriam procurado fazer a ressurreição se tornar verdade (cf. Lucas 24).

Conforme John F. Whitworth comenta, "... eles não pareciam compreender que Ele iria ressuscitar no terceiro dia. Com certeza ficaram surpresos quando descobriram que Ele ressuscitara. Tais detalhes mostram que nem mesmo era possível que eles imaginassem roubar o corpo para criar a impressão de que Ele ressuscitara". 73/64

O professor A. B. Bruce escreve: "Mesmo que, no que diz respeito a escrúpulos de consciência, os discípulos fossem capazes de um roubo desses, não se encontravam em condições psicológicas para planejar ou executar algo dessa natureza. Eles não tinham ânimo para uma ação de tal ousadia. A tristeza os havia deixado de tal forma abatidos que eles se encontravam num estado de inação quase igual ao do cadáver que se supõe terem roubado. De sorte que o motivo do roubo é algo que logicamente não os influenciou. Roubar o corpo para espalhar uma crença na ressurreição! Que interesse tinham em espalhar uma crença em que eles mesmos não criam? 'Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos': nem se lembravam de alguma coisa que o Mestre dissera a respeito antes de morrer". 7/494
10E. Diz James Rosscup: "Os discípulos eram pessoas honradas e seria impossível terem impingido uma mentira ao povo. Passaram o resto da vida proclamando a mensagem da ressurreição, como covardes transformados em pessoas de coragem. Estavam desejosos de enfrentar perseguições, prisões, torturas e mortes terríveis, e nenhum deles jamais negou o Senhor nem abandonou a crença de que Cristo havia ressuscitado". 55/4

Ao discutir a teoria do roubo, Paul Little comenta: "Além do mais, estamos diante de uma impossibilidade psicológica e ética. Roubar o corpo de Cristo é algo totalmente estranho ao caráter dos discípulos e a tudo o que sabemos sobre eles. Significaria que deliberadamente inventaram uma mentira que foi responsável pelo engano e, por fim, pela morte de milhares de pessoas. É inconcebível que, mesmo que apenas alguns dos discípulos tivesse planejado e executado esse roubo, jamais tivessem contado aos demais". 38/63, 64

O advogado britânico J. A^ D. Anderson, ao comentar a idéia de que os discípulos roubaram o corpo de Cristo, diz: "Isto se choca com tudo o que sabemos a respeito deles: o ensino ético que pregavam, a qualidade de suas vidas, sua firmeza no sofrimento e na perseguição. E não consegue explicar a transformação dramática que experimentaram, de escapistas desanimados e deprimidos em testemunhas que oposição alguma foi capaz de silenciar". 2/92



Acerca da teoria do roubo, Kevam escreve: "É aqui que até mesmo os adversários da posição cristã açodem em sua ajuda, pois o cético Strauss (1808-1874) rejeita a hipótese de impostura da parte dos discípulos por ser moralmente impossível. Diz Strauss que 'o historiador deve admitir que os discípulos criam firmemente que Jesus havia ressuscitado'" (Leben Jesu (Vida de Jesus). 1864, p. 289). 32/9

Wilbur Smith diz: "Hoje até mesmo muitos eruditos judeus ortodoxos repudiam completamente essa história. Entre esses judeus está o próprio Klausner, que não tem qualquer interesse na ressurreição e que admite que os discípulos eram pessoas de muito respeito para cometerem um engano como esse" (Jesus of Nazareth; His Life, Times, and Teaching (Jesus de Nazaré - Vida, Época e Ensinos). Nova Iorque, 1925. p. 414). 57/22, 23

Foi um "corpo roubado" que deu a Pedro coragem para a sua resposta em Atos 4:8?

"Então Pedro, cheio do Espírito Santo lhes disse: 'Autoridades do povo e anciãos: Visto que hoje somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo e do modo por que foi curado, tomai conhecimento vós todos e todo o povo de Israel de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós. Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos'" (Atos 4:8-12).



Wilbur Smith explica: "O poder de Deus desceu sobre Pedro de tal maneira no dia de Pentecoste que naquele único dia, num sermão que se ocupou na maior parte com a verdade da ressurreição de Cristo, três mil almas foram ganhas para o Senhor. Uma coisa é certa: Pedro estava no mínimo pregando aquilo em que cria: que Deus havia ressuscitado Cristo dentre os mortos. É impossível alguém conscientemente pregar mentiras e ao mesmo tempo demonstrar um poder como esse. Os discípulos continuaram pregando a Ressurreição até que o mundo inteiro foi virado de cabeça para baixo pela fé nessa verdade gloriosa. Não, os discípulos não roubaram o corpo de nosso Senhor, nem teriam conseguido fazê-lo". 60/377, 378

Todos os discípulos, com exceção de João, morreram como mártires. Foram perseguidos porque se apegaram tenazmente às suas crenças e convicções. Como Paul Little diz, "os homens são capazes de morrer por aquilo que acreditam ser a verdade, embora até mesmo possa ser algo falso. Eles, contudo, não morrerão por aquilo que sabem que é mentira". Se os discípulos tivessem roubado o corpo de Jesus, saberiam que a ressurreição que estavam proclamando era falsa. No entanto, "constantemente se referiram à Ressurreição como o fundamento para o seu ensinar, o seu pregar, o seu viver e — significativamente — o seu morrer". A teoria de que os discípulos roubaram o corpo é, então, totalmente absurda! 32/62, 64

Concordo com John R. W. Stott: A teoria de que os discípulos se apoderaram do corpo de Cristo "simplesmente não é verdadeira. É tão improvável que é virtualmente impossível. Se há algo claro nos Evangelhos e em Atos, é que os apóstolos eram sinceros. Talvez tenham sido enganados, se é que você prefere assim, mas não eram enganadores. Hipócritas e mártires não são farinha do mesmo saco". 63/50
3D. A teoria de que os judeus, os romanos ou José de Arimatéia retiraram o corpo de Cristo não é uma explicação mais plausível para o túmulo vazio do que a do roubo pelos discípulos.

1E. Os judeus retiraram o corpo?



J. N. D. Anderson diz: "Num espaço de sete semanas (depois da ressurreição de Cristo) — se é que se deve acreditar inteiramente no relato bíblico, e eu não consigo enxergar alguma possível razão para os escritores cristãos terem inventado aquele difícil intervalo de sete semanas — pois num espaço de sete semanas Jerusalém estava em ebulição com a pregação da ressurreição. Os apóstolos a estavam pregando de um canto a outro da cidade. Os principais sacerdotes estavam muito perturbados a respeito. Diziam que os apóstolos estavam tentando derramar o sangue daquele homem sobre eles. Estavam sendo acusados de crucificar o Senhor da glória. E estavam dispostos a fazer o que fosse preciso para interromper o avanço dessa perigosa heresia". 3/6

Caso os judeus tivessem emitido uma ordem oficial para retirar o corpo, por que, quando os apóstolos estavam pregando a ressurreição em Jerusalém, não disseram: Esperem um momento! Nós tiramos o corpo — Cristo não ressuscitou dentre os mortos!



Se uma refutação dessa não funcionou, por que não explicaram exatamente onde jazia o corpo de Jesus?

Se ainda assim isso não funcionou, por que então não desenterraram o cadáver, colocaram numa carroça e foram com ela até o centro de Jerusalém? Tal ação teria destruído o cristianismo — não no berço, mas ainda no ventre!

William Paley, teólogo e filósofo inglês, diz: "É evidente que, se fosse possível achar o corpo de Cristo, os judeus tê-lo-iam apresentado como a resposta mais rápida e completa possível a toda essa história. Pois, quando surgiu a história da ressurreição de Cristo, o que ocorreu imediatamente, quando seus discípulos publicamente anunciaram o acontecimento, e dele fizeram o fundamento e base para pregarem no nome dEle e para reunirem seguidores para a Sua religião, os judeus, mesmo com todas as precauções, e embora, por tal razão, estivessem preparados e alertas, não tinham o corpo para apresentar..." 49/196-198

John Whitworth escreve sobre o silêncio dos judeus acerca da localização do corpo de Jesus: "Embora comumente se saiba que essa história (do roubo) veio a ser difundida entre os judeus, no entanto, conforme o dr. Gilmore observa, 'nem uma única vez menciona-se essa história naqueles julgamentos dos apóstolos, ocorridos logo depois em Jerusalém, devido à proclamação ousada e pública de que seu Mestre havia ressuscitado'. Embora os apóstolos tenham sido convocados a se apresentarem perante aquele mesmo grupo que divulgara a versão do roubo dos discípulos, nem mesmo são acusados do crime; nem mesmo um murmúrio sobre o assunto escapa dos lábios do Sinédrio; e logo abandonou-se a história por ser insustentável e absurda". 73/66
2E. Os romanos retiraram o corpo?

Teria sido vantajoso para o governador manter o corpo na sepultura. A principal preocupação de Pilatos era manter as coisas tranqüilas. Retirar o corpo teria provocado uma agitação desnecessária entre os judeus e os cristãos.

Sobre Pilatos /. N. D. Anderson diz o seguinte: "Estava perturbado acerca desse estranho ensinamento. Se tivesse determinado a retirada do corpo, parece incrível que não tivesse informado os principais sacerdotes no momento em que estavam tão perturbados". 3/6 Pilatos simplesmente desejava sossego.
3E. José de Arimatéia retirou o corpo?

José era um discípulo oculto de Jesus e, nessa condição, não teria retirado o corpo sem primeiramente consultar os outros discípulos.



Se José se aventurou a retirar o corpo de Cristo sem consultar os demais, certamente o teria contado aos outros discípulos posteriormente, quando a mensagem da ressurreição estivesse sendo divulgada.
4E. Concluindo, os fatos apresentados nesta defesa falam alto contra a teoria de que o corpo de Cristo foi retirado.

Como diz George Hanson: "A fé simples do cristão que crê na Ressurreição não é nada em comparação com a credulidade do cético que é capaz de aceitar as fantasias mais absurdas e improváveis para não admitir o testemunho claro de fatos históricos confirmados. As dificuldades da fé podem ser grandes; os absurdos da incredulidade são maiores". 22/24


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