Evidência que exige um veredito



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3C. RESUMO (Gráfico cronológico)

Desse modo, Daniel, na profecia das 70 semanas, profetiza com exatidão a respeito do Messias, mesmo que se aceite como correta a data de 165 a.C. para a autoria de Daniel, ainda assim todos esses acontecimentos ocorreram pelo menos 200 anos depois; e entre eles estão:



  1. A vinda do Messias.

  2. A morte do Messias.

  3. A destruição de Jerusalém e do templo.

A terceira parte da profecia, que diz respeito à septuagésima semana, ainda está por acontecer.
4A. PREDIÇÕES DO ANTIGO TESTAMENTO QUE SE CUMPRIRAM LITERALMENTE EM CRISTO
Floyd Hamilton, no livro The Basis of Christian Faith (A Base da Fé Cristã) (que é uma defesa moderna da religião cristã, em edição revista e ampliada - Nova Iorque: Harper and Row, 1964, p. 160), diz: "O cõnego Liddon é alguém com autoridade sobre o assunto. Ele afirma que no Antigo Testamento existem 332 predições diferentes que se cumpriram literalmente em Cristo".
1B. Sua Primeira Vinda

O Fato. Gênesis 3:15; Deuteronômio 18:15; Salmo 89:20; Isaías 9:6; 28:16;32:1; 35:4; 42:6; 49:1; 55:4; Ezequiel 34:24; Daniel 2:44; Mi-quéias 4:1; Zacarias 3:8.

A época. Gênesis 49:10; Números 24:17; Daniel 9:24; Malaquias 3:1.

Sua Divindade. Salmo 2:7, 11; 45:6, 7, 11; 72:8; 102:24-27; 89:26, 27; 110:1; Isaías 9:6; 25:9; 40:10; Jeremias 23:6;Miquéias 5:2; Malaquias 3:1.

Sua Ascendência Humana. Gênesis 12:3; 18:18; 21:12; 22:18; 26:4; 28:14;49:10; 2 Samuel 7:14;Salmos 18:4-6, 50; 22:22, 23; 89:4; 29:36; 132:11; Isaías 11:1; Jeremias 23:5; 33:15.
2B. Seu Precursor

Isaías 40:3; Malaquias 3:1; 4:5.


3B. A Natividade e os Primeiros Anos

O Fato. Gênesis 3:15; Isaías 7:14; Jeremias 31:22.

O Lugar. Números 24:17, 19; Miquéias 5:2.

A Adoração pelos Magos. Salmo 72:10, 15; Isaías 60:3, 6.

A Descida ao Egito. Oséias 11:1.

O Massacre dos Inocentes. Jeremias 31:15.


4B. Sua Missão e Função

Missão. Gênesis 12:3; 49:10; Números 24:19; Deuteronômio 18:18, 19; Salmo 21:1; Isaías 59:20; Jeremias 33:16.

Sacerdote Semelhante a Melquisedeque. Salmo 110:4.

Profeta Semelhante a Moisés. Deuteronômio 18:15.

Conversão dos Gentios. Isaías 11:10; Deuteronômio 32:43; Salmos 18:49; 19:4; 117:1; Isaías 42:1; 45:23;49:6; Oséias 1:10; 2:23; Joel 2:32.

Ministério na Galiléia. Isaías 9:1, 2.

Milagres. Isaías 35:5, 6;42:7; 53:4.

Bênçãos Espirituais. Salmo 45:7; Isaías 11:2; 42:1; 53:9; 61:1, 2.

Pregação. Salmos 2:7; 78:2; Isaías 2:3; 61:1; Miquéias 4:2.

Purificação do Templo. Salmo 69:9.


5B. Sua Paixão

Rejeição pelos Judeus e Gentios. Salmos 2:1; 22:12; 41:5; 56:5; 69:8; 118:22, 23;Isaías 6:9, 10; 8:14; 29:13; 53:1; 65:2. Perseguição. Salmos 22:6; 35:7, 12; 56:5; 71:10; 109:2; Isaías 49:7; 53:3.

Entrada Triunfal em Jerusalém. Salmos 8:2; 118:25. 26; Zacarias 9:9. Traição pelo Próprio Amigo. Salmos 41:9; 55:13;Zacarias 13:6. Traição por Trinta Moedas de Prata. Zacarias 11:12 Morte do Traidor. Salmos 55:15, 23; 109:17. Compra do Campo do Oleiro. Zacarias 11:13. Abandonado pelos Discípulos. Zacarias 13:7.

Falsas Acusações. Salmos 27:12; 35:11; 109:2; 2:1, 2. Silêncio quando Acusado. Salmo 38:13; Isaías 53:7. Zombaria. Salmos 22:7, 8, 16; 109:25.

Insultos, Murros, Cuspidas, Espancamento. Salmo 35:15, 21; Isaías 50:6.

Paciência em meio ao Sofrimento. Isaías 53:7-9.

Crucificação. Salmo 22:14,17.

Oferecimento de Fel e Vinagre. Salmo 69:21.

Oração pelos Inimigos. Salmo 109:4.

Gritos na Cruz. Salmos 22:1; 31:5.

Morte no Vigor da Vida. Salmos 89:45; 102:24.

Morte com os Malfeitores. Isaías 53:9, 12.

Morte Confirmada por Fenômenos na Natureza. Amos 5:20; Zacarias

14:4, 6.


Veste Sorteada. Salmo 22:18.

Ossos intactos. Salmo 34:20.

Traspassado. Salmo 22:16; Zacarias 12:10; 13:6.

Morte Voluntária. Salmo 40:6-8.

Sofrimento Vicário. Isaías 53:4-6, 12; Daniel 9:26.

Sepultamento com o Rico. Isaías 53:9.


6B. Sua Ressurreição

Salmos 16:8-10; 30:3;41:10; 118:17; Oséias 6:2.


7B. Sua Ascensão

Salmos 16:11;24:7; 68:18; 110:1; 118:19.


8B. Sua Segunda Vinda

Salmo 50:3-6; Isaías 9:6, 7; 66:18; Daniel 7:13, 14; Zacarias 12:10; 14:4-8.



Domínio Universal e Eterno. 1 Crônicas 17:11-14. Salmo 72:8; Isaías 9:7; Daniel 7:14; Salmos 2:6-8; 8:6; 110:1-3; 45:6, 7.

BIBLIOGRAFIA

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2. BLINZLER, Josef. The Trial of Jesus (O Julgamento de Jesus).

Traduzido para o inglês por Isabel McHugh e Florence McHugh. Westminster: The Newman Press,

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3. BOWKER, John. The Targums andRabbinic Literature (Os Targuns e a Literatura Rabínica). Londres: Cambridge University, 1969.

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5 COOPER, David. God and Messiah (Deus e Messias). Los Angeles: Biblical Research Society.

6. DELITZSCH, Franz. Biblical Commentary on the Prophecies of Isaiah (Comentário Bíblico sobre as

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7. DRIVER, S. R. Notes on the Hebrew Text and the Topography of the Books of Samuel. (Notas Acerca

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8. THE ENCYCLOPEDIA Americana (A Enciclopédia Americana).

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9. THE ENCYCLOPEDIA Americana (A Enciclopédia Americana).

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10. ETHRIDGE, J. W. The Targum of Onkelos and Jonathan Ben Ussiel

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11. FAUSSET, A. R..4 Commentary Criticai, Experimental and Practical

on the Old and New Testaments (Um Comentário Crítico, Experimental e Prático sobre o Antigo e o Novo Testamentos). Grand Rapids: William B. Eerdmans, 1961. vol. 3. Usado com permissão.

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13. GEISLER, Norman. Christ: The Theme of the Bible. (Cristo, o Tema da Bíblia). Chicago: Moody,

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16. HENRY, Matthew. Matthew Henry's Commentary on the Whole Bible

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25. NEZIKIN, Seder. The Babyhnian Talmud (0 Talmude Babilônico).

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29. WILSON, Joseph D. Did Daniel Write Daniel? (Daniel Escreveu Daniel?). Nova Iorque: Charles C. Cook, s.d.


capítulo 10:
A Ressurreição —

Fraude ou Historia ? ...
Depois de mais de 700 horas estudando este assunto e analisando em todos os detalhes o seu fundamento, cheguei à conclusão de que a ressurreição de Jesus Cristo é uma das "fraudes mais maldosas, depravadas e insensíveis já maquinadas pela mente humana, ou então é o fato mais fantástico da história."

Jesus possui três credenciais básicas: (1) o impacto de Sua vida na história; (2) profecias que se cumpriram na Sua vida; e (3) Sua ressurreição. A ressurreição de Jesus Cristo e o cristianismo permanecem em pé ou caem por terra juntos. Um estudante universitário do Uruguai me indagou: "Professor McDowell, por que o senhor não chega à conclusão de que o cristianismo está errado?" Ao que respondi: "Por uma razão muito simples: não consigo explicar satisfatoriamente um acontecimento da história — a ressurreição de Jesus Cristo".
O RELATO DA RESSURREIÇÃO EM MATEUS 28:1-11

(Veja também Marcos 16; Lucas 24; João 20:21)


  1. Ao findar o sábado e entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.

  2. E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela.

  3. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste alva como a neve.

  4. E os guardas tremeram espavoridos, e ficaram como se estivessem mortos.

  5. Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não temais: porque sei que buscais a Jesus, que foi crucificado.

  6. Ele não está aqui: ressuscitou, como havia dito. Vinde ver onde ele jazia.

Ide, pois, depressa, e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo!

E, retirando-se elas apressadamente do sepulcro, tomadas de medo e grande alegria, correram a anunciá-lo aos discípulos.

E eis que Jesus veio ao encontro delas; e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés, e o adoraram.
Então Jesus lhes disse: Não temais. Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia, e lá me verão.

E, indo elas, eis que alguns da guarda, foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera.

A seguir você tem um esboço preparado para ajudá-lo a usar com eficácia este material.
1A. A IMPORTÂNCIA DA RESSURREIÇÃO
2A. AS AFIRMAÇÕES DE CRISTO DE QUE RESSUSCITARIA DOS MORTOS

1B. A Importância das Afirmações

2B. As Afirmações conforme Feitas por Jesus
3A. A ANÁLISE HISTÓRICA

1B. Um Acontecimento da Dimensão Tempo-espaço

2B. O Testemunho da História e do Direito

3B. O Testemunho dos Antigos Pais da Igreja
4A. O CENÁRIO DA RESSURREIÇÃO

1B. Jesus Estava Morto

2B. O Túmulo

3B. O Sepultamento

4B. A Pedra

5B. O Selo

6B. A Guarda

7B. Os Discípulos

8B. As Aparições após a Ressurreição
1A. A IMPORTÂNCIA DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO

Com exceção de quatro, todas as principais religiões do mundo baseiam-se em meras afirmações filosóficas. Das quatro que se baseiam mais na vida de pessoas do que num sistema filosófico, somente o cristianismo postula um túmulo vazio para c seu fundador. Abraão, o pai do judaísmo, morreu por volta de 1900 a.C, mas jamais se disse que tivesse ressuscitado.

Em Therefore Stand (Permanecei, pois, firmes) Wilbur Smith diz: "Os relatos originais sobre Buda jamais lhe atribuíram algo como uma ressurreição; na verdade, o mais antigo relato sobre sua morte, a saber , o Maha-parinibbana Sutta, se refere à morte de Buda como sendo 'aquela morte completa, da qual nada resta'". 60/385

"O professor Childers diz: 'Nas escrituras e comentários em idioma pali (e até onde eu saiba em qualquer livro em pali), que pertencem às tradições do povo sakya, não há qualquer menção a que Buda tenha vivido depois de sua morte ou que tenha aparecido a seus discípulos'. Maomé morreu em 8 de junho de 632 A.D., aos sessenta e um anos de idade, na cidade de Medina, onde seu túmulo é anualmente visitado por milhares de muçulmanos devotos. Todos os milhões e milhões de judeus, budistas e muçulmanos concordam que os fundadores de suas respectivas religiões jamais ressurgiram do pó da terra." 60/385



TheodosusHamack disse: "A posição que você tem diante do fato da ressurreição já não é, a meu modo de ver, algo no campo da teologia cristã. Para mim o cristianismo permanece de pé ou cai junto com a ressurreição". 60/347

O professor William Milligan afirma: "Ao se falar das provas favoráveis à ressurreição de nosso Senhor, pode-se ir ainda mais longe e insistir que o fato, caso verdadeiro, se harmoniza com todos os demais acontecimentos da Sua vida". 43/71

Wilbur Smith conclui: "Se o nosso Senhor disse com grande exatidão e riqueza de detalhes que, depois de subir a Jerusalém, seria morto, mas que ao terceiro dia ressuscitaria, e se essa predição se realizou, então sempre me pareceu que tudo o mais que nosso Senhor tenha dito também deve ser verdade". 60/419

W. J. Sparrow-Simpson desenvolve ainda mais o raciocínio: "Se alguém perguntar como a ressurreição de Cristo é uma prova de que Ele é o Filho de Deus, pode-se responder que, em primeiro lugar, Ele ressuscitou pelo Seu próprio poder. Ele tinha poder para entregar a Sua vida e tinha poder para reavê-la (João 10:18). Isso não conflita com o fato ensinado em tantas outras passagens de que Ele foi ressuscitado pelo poder do Pai, pois aquilo que o Pai faz o Filho igualmente o faz. A criação e todas as outras ações exteriores são atribuídas indiferentemente ao Pai, ao Filho e ao Espírito. Mas em segundo lugar, da mesma forma como Cristo abertamente declarou que era o Filho de Deus, Sua ressurreição dentre os mortos foi o selo divino quanto à veracidade daquela declaração. Caso Cristo tivesse permanecido sob o poder da morte, Deus teria, com isso, repudiado a afirmação de Cristo de que era Seu Filho; mas, ao ressuscitá-lO dentre os mortos, Deus publicamente O reconheceu dizendo: 'Tu és Meu Filho, eu hoje o declarei"'. 60/583; 62/287, 288

Também o sermão de Pedro no dia de Pentecoste "baseia-se total e completamente na Ressurreição. Não apenas é a Ressurreição o tema principal, como também, caso se eliminasse essa doutrina, já não sobraria qualquer outra doutrina. Pois é proposto que a Ressurreição (1) apresente uma explicação para a morte de Jesus; (2) tenha sido profeticamente prevista como parte da experiência messiânica; (3) tenha sido testemunhada pelos apóstolos; (4) seja a causa do derramamento do Espírito, explicando essa forma fenômenos religiosos inexplicáveis de outra maneira e (5) confirme a posição de Jesus de Nazaré como Messias e Rei. Assim, a estabilidade de toda uma série de argumentos e conclusões depende inteiramente da Ressurreição. Sem a Ressurreição a posição de Jesus como Messias e Rei não poderia ser confirmada de modo convincente. Sem ela o novo derramamento do Espírito continuaria sendo um mistério inexplicado. Sem ela a essência do testemunho dos apóstolos teria desaparecido. Tudo o que restaria dessa instrução seria a exposição messiânica do Salmo 16, e assim mesmo só como a experiência futura de um Messias que ainda não havia aparecido. O reconhecimento de Jesus por parte de Deus, conforme atestam as obras daquele, também permaneceria de pé, mas aparentemente só como um reconhecimento de Sua vida, uma vida que terminou como a de qualquer outro profeta a quem a nação recusou continuar tolerando. Por essa razão, a primeira mensagem cristã baseou-se na posição de Jesus conforme estabelecida pela Sua Ressurreição". 60/230

Até mesmo Adolf Hamack, que rejeita a crença da igreja na ressurreição, admite: "A firme confiança dos discípulos em Jesus tinha suas raízes na crença de que Ele não permanecera morto, mas fora ressuscitado por Deus. Em virtude do que haviam experimentado nEle e certamente só depois de terem-nO visto, é que o fato de que Cristo havia ressuscitado era algo tão certo como o fato de Sua morte; sendo que a Sua ressurreição se tornou o principal tema da pregação dos discípulos acerca dEle" {History of Dogma (História do Dogma), capítulo 2). 13/3

H. P. Liddon diz: "A fé na ressurreição é a principal coluna de sustentação da fé cristã; retirando-se a coluna, tudo inevitavelmente cai por terra". 60/577

A ressurreição de Cristo sempre tem sido em todos os aspectos a doutrina central da Igreja. Nas palavras de Wilbur Swith: "Desde o primeiro dia da vida que lhe foi conferida por Deus, a igreja cristã tem, de uma forma coesa, dado testemunho de sua fé na Ressurreição de Cristo. É aquilo que podemos chamar de uma das grandes doutrinas e convicções fundamentais da igreja, e de tal forma permeia o texto do Novo Testamento que, caso se removessem todas as passagens que contêm referência à Ressurreição, ter-se-ia uma coleção de textos tão mutilados que seria impossível de compreender o que tivesse restado. A ressurreição mexeu intimamente com a vida dos primeiros cristãos. O fato da Ressurreição é visto nos seus túmulos e nos desenhos que se encontram nos muros das catacumbas; a Ressurreição afetou profundamente a hinologia cristã; tornou-se um dos assuntos mais vitais dos grandes escritos apologéticos dos primeiros quatro séculos; foi constantemente o tema das pregações tanto no período pré-niceno como pós-niceno. Sem demora entrou nos credos da igreja; está no Credo dos Apóstolos; está em todos os grandes credos que vieram depois".



"Todos os dados apresentados pelo Novo Testamento mostram que o tema principal das boas novas, ou evangelho, não era: 'Segue este Mestre e Faze o melhor', mas: 'Jesus e a Ressurreição'. É impossível excluir isso do cristianismo sem alterar radicalmente o seu caráter e destruir sua própria identidade." 60/369, 370

O professor Milligan diz: "Assim, parece que desde a aurora de sua história, não apenas a igreja cristã cria na Ressurreição de seu Senhor, como também a sua crença nessa questão estava entrelaçada com toda a sua existência". 43/70

W. Robertson Nicoll cita Pressensé: "O túmulo vazio de Cristo foi o berço da Igreja..." 60/580

W. J. Sparrow-Simpson racionaliza: "Se a Ressurreição não é um fato histórico, então o poder da morte permanece inalterado como também inalteradas permanecem as conseqüências do pecado, e não se pode ter certeza quanto ao significado da Morte de Cristo. Conseqüentemente, os que crêem ainda estão em seus pecados, exatamente onde estavam antes de ouvirem o nome de Jesus". 25/514

R. M. Cheyne Edgar, em seu livro The Gospel of a Risen Saviour (O Evangelho de um Salvador Ressurreto), afirmou: "Aqui está um Mestre religioso, e Ele com toda tranqüilidade declara que arrisca tudo o que disse em Sua capacidade de, depois de ter sido morto, ressuscitar dos mortos. Sem risco algum, podemos pressupor que nunca houve, nem antes nem depois, uma proposta como essa. Dizer que esse teste extraordinário foi inventado por místicos que estudavam profecias e que foi inserido nas narrativas dos Evangelhos é exigir demais de nossa credulidade. Aquele que está pronto a apostar tudo em Sua capacidade de voltar do túmulo está diante de nós como o mais original de todos os mestres, alguém que brilha em Sua própria vida, a qual se comprova a si mesma! " 60/364

Na obra Dictionary of the Apostolic Church (Dicionário da Igreja Apostólica) lemos o seguinte: "D. F. Strauss, por exemplo, o mais sarcástico e insensível dentre os críticos da igreja, ao tratar da Ressurreição, reconhece que ela é o 'teste decisivo não apenas da vida de Jesus, mas do próprio cristianismo', que 'toca no âmago do cristianismo', e que é decisiva para toda a idéia de cristianismo' (New Life of Jesus (Nova Vida de Jesus), tradução em inglês, 2 vol. Londres: 1865, vol. 1, p. 41, 397). Se isto se for, tudo aquilo que é vital e essencial ao cristianismo também se vai, se ficar, tudo o mais ficará. E assim, através dos séculos, de Celso em diante, a Ressurreição tem sido o centro tempestuoso que recebe ataques contra a fé cristã". 24/330

No dizer de B. B. Warfield, "o próprio Cristo, para obter a confiança dos homens, deliberadamente aposta todos os Seus ensinamentos em Sua ressurreição. Quando lhe pediram um sinal Ele apontou para esse sinal como Sua credencial única e suficiente". 2/103



Ernest Kevan fala a respeito do famoso teólogo suíço, Frederick Godet: "Em Lectures in Defence of the Christian Faith (Palestras em Defesa da Fé Cristã, 1883, p. 41), ele se refere à importância da ressurreição de Cristo e assinala que foi a esse milagre, e somente a ele, que Cristo se referiu como sendo a confirmação de Seus ensinos e de Sua autoridade". 32/3

Michael Green aborda bem a questão: "O cristianismo não sustenta que a ressurreição seja um dentre vários sistemas de crença. Sem a fé na ressurreição não existiria cristianismo algum. A igreja cristã jamais teria começado a existir; com a execução de Jesus, o movimento daqueles que O seguiam ter-se-ia extinguido tal como uma fogueira alimentada com lenha molhada. O cristianismo permanece em pé ou cai juntamente com a verdade da ressurreição. Mostre que a ressurreição não aconteceu e você se verá livre do cristianismo."

"O cristianismo é uma religião histórica. Ele afirma que Deus assumiu o risco de Se envolver na história humana, e os fatos estão aí para que você examine com todo o rigor possível. Esses fatos suportarão qualquer dose de investigação crítica..." 19/61

John Locke, o famoso filósofo britânico, disse o seguinte a respeito da ressurreição de Cristo: "A ressurreição de nosso Salvador... é de fato algo de grande importância para o cristianismo; e tão importante que Ele ser ou não ser o Messias depende desse acontecimento: de maneira que esses dois importantes aspectos são inseparáveis e, na realidade, constituem uma verdade única. Pois, desde aquela época, crer num desses aspectos implica crer nos dois; e negar um deles implica crer em nenhum". 60/423

Nas palavras de conclusão ditas por Philip Schaff, o historiador da igreja: "A ressurreição de Cristo é, portanto, decisivamente o teste que determina a veracidade ou a falsidade da religião cristã. Ou é o maior milagre ou é o maior engano registrado pela história". 56/173



Wilbur Smith, erudito e professor de renome, afirma: "Jamais se forjou, nem jamais se forjará, uma arma que destrua a confiança racional nos registros históricos deste acontecimento memorável e predito. A ressurreição de Cristo é a própria fortaleza da fé cristã. É a doutrina que, no primeiro século, virou o mundo de cabeça para baixo; que, de um modo preeminente, elevou o cristianismo acima do judaísmo e das religiões pagas do mundo mediterrâneo. Se a ressurreição não subsistir, de igual forma quase tudo o mais que é vital e singular ao Evangelho do Senhor Jesus Cristo não subsistirá: 'Se Cristo não ressuscitou, é vãa vossa fé'" (1 Coríntios 15:17). 59/22
2A. AS AFIRMAÇÕES DE CRISTO DE QUE RESSUSCITARIA DOS MORTOS
1B. A Importância das Afirmações
Wilbur M. Smith assevera: "Foi este mesmo Jesus, o Cristo, que, dentre muitas outras coisas notáveis, disse e repetiu algo que, vindo de qualquer outra pessoa, imediatamente tê-la-ia condenado como alguém dominado pelo egoísmo ou como uma pessoa perigosamente desequilibrada. Que Jesus tenha dito que estava indo a Jerusalém para morrer não é algo tão notável, embora todos os detalhes que, nas semanas e meses antecedentes, forneceu sobre a Sua morte constituam um fenômeno profético. Mas quando afirmou que, três dias depois de ser crucificado, Ele ressuscitaria dos mortos, disse algo que só um tolo ousaria dizer, caso esperasse que a devoção de alguns discípulos perdurasse por mais tempo, a menos que tivesse certeza de que iria ressuscitar. Não se tem notícia de que algum fundador de uma religião mundial tenha ousado afirmar uma coisa dessas!" 57/10,11

Cristo predisse Sua ressurreição de um modo inconfundível e direto. Enquanto Seus discípulos eram simplesmente incapazes de compreender o que dizia, os judeus levaram suas afirmações bem a sério.



Sobre isso, / Aí Anderson faz o seguinte comentário: "Algum tempo atrás viveu na Inglaterra um jovem advogado que atuava em tribunais chamado Frank Morison. Era um incrédulo. Por anos prometeu a si mesmo que um dia escreveria um livro para provar de uma vez por todas que a ressurreição não aconteceu. Finalmente conseguiu ter um tempo livre. Era uma pessoa honesta e realizou os estudos necessários. Por fim (depois de aceitar a Cristo) escreveu um livro que se pode adquirir em formato brochura, Who Moved the Stone? (Quem Moveu a Pedra?). Principiando pela abordagem mais crítica possível dos documentos do Novo Testamento, ele conclui, entre outras coisas, que só se pode explicar o julgamento e a condenação de Jesus com base em que Ele mesmo predissera Sua morte e ressurreição." 3/9

Smith diz ainda mais: "Se você ou eu disséssemos a um grupo de amigos que esperávamos morrer, quer de morte violenta ou natural, numa determinada data, e que, três dias depois de morrer, ressuscitaríamos, seríamos discretamente internados pelos amigos num hospital, até que voltássemos plenamente lúcidos. E essa atitude dos amigos estaria correta, pois só um louco ficaria andando por aí falando em ressuscitar ao terceiro dia, a menos que soubesse que isso iria acontecer, e ninguém no mundo jamais teve esse conhecimento sobre si mesmo com exceção de Cristo, o Filho de Deus". 60/364

Bemard Ramm comenta: "Aceitando o registro dos Evangelhos como história fidedigna, não pode haver dúvidas de que o próprio Cristo previu Sua morte e ressurreição e que abertamente o declarou aos discípulos... Os escritores dos Evangelhos são bastante honestos a ponto de admitir que tais predições não alcançaram suas mentes até a ressurreição se tornar um fato (João 20:9). Mas a prova está ali, vinda dos lábios de nosso Senhor, de que Ele voltaria dos mortos depois de três dias. Ele lhes disse que seria morto violentamente por causa do ódio e que ressuscitaria no terceiro dia. Tudo isso aconteceu". 52/191

John R. W. Stott escreve: "O próprio Jesus jamais predisse Sua morte sem acrescentar que ressuscitaria, e descreveu a ressurreição que iria acontecer como um 'sinal'. Paulo, no início da carta aos Romanos, escreveu que Jesus 'foi designado Filho de Deus com poder... pela ressurreição dos mortos'. E os primeiros sermões dos apóstolos, registrados no livro de Atos, repetidamente asseveram que, através da ressurreição, Deus mudou o destino do homem e confirmou o Seu Filho". 63/47
2B. As Afirmações Feitas por Jesus
Jesus não apenas predisse Sua ressurreição como também enfatizou que esse acontecimento seria o "sinal" que confirmaria suas afirmações de que era o Messias (Mateus 12; João 2).

Mateus 12:38-40; 16:21; 17:9, 22, 23; 20:18,19; 26:32; 27:63.

Marcos 8:31-9:1; 9:10, 31; 10:32-34; 14:28, 58.

Lucas 9:22-27.

João 2:18-22; 12:34; 14:1-16:33.

Mateus 16:21 — "Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas cousas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto, e ressuscitado no terceiro dia".

Mateus 17:9 — "E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem ressuscite dentre os mortos".

Mateus 17:22, 23 — "Reunidos eles na Galiléia, disse-lhes Jesus: O Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens; e estes o matarão; mas ao terceiro dia ressuscitará. Então os discípulos se entristeceram grandemente".

Mateus 20:18,19 — "Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado: mas ao terceiro dia ressurgirá".

Mateus 26:32 — "Mas depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia".

Mateus 9:10 — "Eles guardaram a recomendação, perguntando uns aos outros o que seria o ressuscitar dentre os mortos".



Lucas 9:22-27 — "É necessário que o Filho do homem sofra muitas cousas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e no terceiro dia ressuscite. Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se, ou a causar dano a si mesmo? Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos. Verdadeiramente vos digo: Alguns há dos que aqui se encontram que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam o reino de Deus".

João 2:18-22 — "Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras, para fazeres estas cousas? Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus".


3A. A ANÁLISE HISTÓRICA
1B. A Ressurreição de Cristo como um Acontecimento Histórico da Dimensão Tempo-Espaço (Veja também Introdução).
A ressurreição de Cristo é um evento ocorrido na história, onde Deus agiu numa dimensão tempo-espaço específica. Sobre isso Wilbur Smith diz: "O significado da ressurreição é uma questão teológica, mas o fato da ressurreição é uma questão histórica; é possível que a natureza do corpo ressurreto de Jesus seja um mistério, mas o fato de que o corpo desapareceu do túmulo é uma questão a se decidir com base em provas históricas".

"Pode-se localizar geograficamente com precisão onde o evento se deu; o homem que possuía o túmulo era uma pessoa que vivia na primeira metade do primeiro século; aquele túmulo foi escavado na rocha, na encosta de uma colina próxima de Jerusalém, e não foi um túmulo imaginário, mas foi algo com um significado geográfico. Os guardas colocados junto àquele túmulo não foram seres etéreos vindos do monte Olimpo; o Sinédrio era um grupo de homens que se reunia com freqüência em Jerusalém. Conforme podemos ler numa grande quantidade de textos disponíveis, essa pessoa, Jesus, foi um ser vivo, um homem entre outros homens, não importa o que mais Ele tenha sido, e os discípulos que saíram para pregar o Senhor ressurreto eram homens entre outros homens, homens que comiam, bebiam, dormiam, sofriam, trabalhavam, morriam. O que há de 'doutrinário' nisso? Essa é uma questão histórica". 60/386

Afirma-se que Inácio (ca. 50-115 A.D.), nascido na Síria e discípulo do apóstolo João e do bispo de Antioquia, "foi atirado às feras do Coliseu, em Roma. Escreveu suas Epístolas durante a viagem de Antioquia até o local de seu martírio". Num momento indubitável de lucidez, diz o seguinte sobre Cristo: "Ele foi crucificado e morreu sob Pôncio Pilatos. De fato, e não simplesmente na aparência, Ele foi crucificado e morreu, o que foi visto pelos seres nos céus, em cima e debaixo da terra".

"Em três dias Ele ressurgiu... No dia da preparação, então, à hora terceira, foi sentenciado por Pilatos, tendo o Pai permitido que aquilo acontecesse; à hora sexta, foi crucificado; à hora nona, entregou o espírito; e antes do pôr-do-sol foi sepultado. Durante o sábado Ele permaneceu sob a terra no túmulo em que José de Arimatéia o sepultara."



"Da mesma forma como nós, Ele foi gerado no ventre pelo período comum; e nasceu da mesma maneira como nós; e foi de fato alimentado com leite, e, tal como nós, ingeriu comida e bebida. E, depois de ter vivido durante trinta anos entre os homens, foi batizado realmente por João, não apenas na aparência. Depois de ter pregado o evangelho e ter feito sinais e maravilhas durante três anos, Aquele que era o próprio Juiz foi julgado por aqueles que falsamente são chamados de judeus e pelo governador Pôncio Pilatos; foi espancado, esbofeteado e recebeu cuspidas; usou uma coroa de espinhos e uma capa púrpura; foi condenado: Ele realmente foi crucificado; não foi uma impressão da mente, nem um caso de imaginação ou de engano. Ele realmente morreu, foi sepultado e ressuscitou dos mortos..." 47/209; 29/199-203

O brilhante historiador Alfred Edersheim fala da data específica da morte e ressurreição de Cristo: "O dia curto da primavera estava se aproximando da 'noite do sábado'. Em geral, a lei determinava que não se devia deixar que o corpo de um criminoso passasse a noite pendurado e insepultado. Talvez em circunstâncias ordinárias os judeus não tivessem tido tanta convicção ao solicitar a Pilatos que abreviasse o sofrimento daqueles que estavam crucificados, visto que o castigo da crucificação freqüentemente não durava apenas horas, mas dias, até que sobreviesse a morte. Mas esta era uma ocasião especial. O sábado que estava por iniciar era um dia santificado — era tanto um sábado quanto o segundo dia da páscoa, o qual era considerado sob todos os aspectos tão sagrado como o primeiro dia — ou até mais, pois era o dia em que se apresentava ao Senhor a oferta de molhos movidos". 15/612, 613

No dizer de Wilbur Smith, "apenas diga-se que temos mais detalhes sobre as horas que antecederam a morte de Jesus e sobre a própria morte, acontecimentos ocorridos em Jerusalém e proximidades, do que os detalhes que temos sobre a morte de qualquer outra pessoa do mundo antigo". 60/360

"Justino Mártir (ca. 100-165), filósofo, mártir, apologeta... Sendo um ávido investigador da verdade, bateu sucessivamente às portas do estoicismo, aristotelismo, pitagorismo e platonismo, mas detestou o epicurismo... Esse zeloso platonista tornou-se um cristão de verdade. Ele disse: 'Descobri que só esta filosofia é segura e benéfica'." 47/227

De fato, Justino Mártir veio a perceber que, enquanto os sitemas filosóficos do mundo ofereciam sugestões intelectuais, só o cristianismo ofereceu o próprio Deus intervindo no tempo e espaço através de Jesus Cristo. De um modo bem direto ele afirma: '... Cristo nasceu cento e cinqüenta anos atrás, à época de Quirino, e mais tarde, à época de Pôncio Pilatos..." 40/46

Tertuliano (ca. 160-220), de Cartago, no norte da África, diz: "Mas os judeus ficaram tão exasperados com os ensinos de Jesus, mediante os quais os líderes e dirigentes judeus foram convencidos da verdade, principalmente porque muitos passaram a segui-lO, que finalmente levaram-nO a Pôncio Pilatos, à época governador romano da Síria, e, pelos violentos clamores contra Ele, arrancaram de Pilatos uma sentença que o condenava à crucificação". 67/94

Acerca da ascensão de Cristo Tertuliano assevera: É "um fato muito mais seguro do que as afirmações do vosso senador Prôculo acerca de Rômulo" (Prôculo foi um senador romano que afirmou que Rômulo lhe havia aparecido depois de morto).



Todas estas coisas Pilatos fez a Cristo: e sendo "de fato um cristão por convicção própria, ele informou sobre Cristo ao César que estava no poder, que era Tibério. Sim, e os Césares também teriam crido em Cristo caso não fossem necessários ao mundo ou caso os cristãos pudessem ter sido Césares. Seus discípulos, também se espalhando pelo mundo, fizeram tal como seu Mestre Divino lhes ordenara; e depois de terem sofrido muitíssimo devido às perseguições dos judeus, e, com o coração disposto de quem confia firmemente na verdade, por meio da cruel espada de Nero lançaram em Roma semente do sangue cristão". 67/95

Josefo, um historiador judeu que escreveu no final do primeiro século A.D., tem este fascinante trecho no livro Antigüidades (18.3.3): "Por essa época surgiu Jesus, um homem sábio, se é que é correto chamá-lo de homem, pois operava obras maravilhosas, e era um mestre que faz as pessoas receberem a verdade com prazer. Ele congregou junto a si muitos judeus e muitos gentios. Ele era o Cristo, e Pilatos, por sugestão dos principais líderes dentre nós, condenou-o à cruz, aqueles que desde o início o amavam não o largaram; pois ele tornou a aparecer-lhes vivo ao terceiro dia, tal como os profetas de Deus haviam predito essas e mais de dez mil outras coisas a seu respeito. E a tribo dos cristãos, que tem esse nome devido a ele, até hoje existe".

Já se tentou demonstrar que Josefo não poderia ter escrito esse texto (veja página 104). No entanto, em Man Alive (O Homem Vivente) Michael Green escreve que "essa passagem fazia parte do texto de Josefo que Eusébio utilizou no século quarto". E também afirma que essa passagem "aparece na mais recente edição das obras de Josefo, preparada por Loeb. E é ainda mais notável quando lembramos que, longe de ser simpático aos cristãos, Josefo era um judeu que escrevia para agradar aos romanos. Essa história não os teria agradado nem um pouco. Dificilmente tê-la-ia incluído se não fosse verdadeira". 19/35, 36

Acerca da natureza histórica da fé da igreja primitiva, diz o professor Leaney: "O próprio Novo Testamento não dá de modo algum margem a qualquer outro enfoque senão este: Jesus foi crucificado e sepultado. Seus discípulos ficaram extremamente abatidos. Bem pouco tempo depois eles estavam jubilantes e demonstraram uma tal confiança que os impelia até mesmo ao martírio através de uma vida constante de devoção. Se procurarmos saber mediante os escritos que refletem os seus pensamentos o que provocou essa mudança, a resposta não será 'a mudança gradual em nossa convicção de que não estávamos marcados pela morte, mas que aquele que fora crucificado e sepultado estava vivo'. Na verdade, a resposta será: 'Jesus, que havia morrido, depois de sua morte apareceu vivo a alguns de nós, e todos temos crido no testemunho deles'. Talvez valha a pena assinalar que essa maneira de colocar a questão constitui uma afirmação histórica, da mesma forma como a afirmação histórica 'o Senhor ressuscitou', que tem influenciado homens e mulheres a crerem". 21/108

Falando sobre a natureza forense das narrativas do Novo Testamento, Bernard Ramm diz: "Em Atos 1, Lucas nos informa que Jesus se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis (en pollois tekmeriois), uma expressão que indica o tipo mais forte de prova legal". 52/192

Clark Pinnock também se manifesta: "A certeza dos apóstolos baseava-se nas experiências que tiveram de fatos reais. Jesus se apresentou a eles 'com muitas provas incontestáveis' (Atos 1:3). O termo que Lucas emprega é tekmerion, que indica uma prova demonstrável. Os discípulos chegaram à fé na ressurreição através de provas empíricas indiscutíveis, que estavam ao seu alcance e que estão ao nosso alcance, através do testemunho escrito que nos deixaram. Para nós que vivemos numa era que exige provas que sustentem a posição cristã, é importante respondermos a essa exigência com considerações históricas adequadas, pois a ressurreição encontra-se no âmbito dos fatos históricos e constitui uma excelente motivação para se confiar em Cristo como Salvador". 4/11

O professor Ernest Kevan estabelece ainda mais o valor das provas dessas testemunhas: "O livro de Atos dos Apóstolos foi escrito por Lucas em alguma época entre 63 A.D. e a queda de Jerusalém em 70 A.D. Ele explica no prefácio de seu Evangelho que coletou informações junto a testemunhas oculares, e pode-se concluir que essa foi também a maneira como preparou o livro de A tos. Além do mais, como o próprio emprego do pronome 'nós' em certas passagens o revela, Lucas participou pessoalmente de alguns acontecimentos que narra. Esteve envolvido na pregação dos primeiros dias e teve participação nos grandes acontecimentos do princípio da igreja. De modo que Lucas foi alguém que viveu naquela época, sendo uma testemunha de primeira mão... É inimaginável que a Igreja primitiva não conhecesse sua própria história; e o próprio fato da aceitação desse livro pela Igreja é uma prova de sua exatidão". 32/4, 5

Citando um renomado erudito cristão, Kevan destaca: "Assim como a Igreja é santa demais para estar alicerçada sobre a corrupção, da mesma forma ela é real demais para estar alicerçada sobre um mito". 32/4, 5

"Para a confirmação de um suposto fato histórico, nenhum documento é considerado mais valioso do que a correspondência da época". 32/6



O professor Kevan diz o seguinte sobre as epístolas do Novo Testamento: "... As cartas escritas àquela época pelo apóstolo Paulo constituem provas irrefutáveis. Essas epístolas são prova histórica da melhor qualidade. As cartas endereçadas aos Gálatas, aos Coríntios e aos Romanos, de cuja autenticidade e data de composição existe pouquíssima contestação, pertencem à época das viagens missionárias de Paulo, e pode-se datá-las do período de 55 a 58 A.D. Isso aproxima as provas da ressurreição de Cristo ainda mais perto do próprio acontecimento: o intervalo representa o pequeno hiato de vinte e cinco anos. E visto que o próprio Paulo deixa claro que o assunto de sua carta era o mesmo de que havia tratado quando esteve com eles, isso na verdade coloca as provas num período ainda mais remoto". 32/6

Bernard Ramm afirma que mesmo "a leitura mais superficial dos Evangelhos revela o fato de que eles tratam da morte e ressurreição de Cristo com muito mais detalhes do que qualquer outra parte do ministério de Cristo. Os detalhes da ressurreição não devem ser artificialmente separados do relato da paixão". 52/191, 192

Cristo apareceu muitas vezes depois da ressurreição. Essas aparições ocorreram em momentos específicos nas vidas de indivíduos específicos, e, além do mais, estiveram restringidas a lugares específicos.

Para informações mais detalhadas sobre as aparições de Cristo depois da ressurreição, veja páginas 281, 282.

Wolfhart Pannenberg, "professor de Teologia Sistemática na Universidade de Munique, na Alemanha, foi aluno de Barth e de Jaspers, e tem se preocupado principalmente com as questões da relação entre fé e história. Junto a um pequeno e ativo grupo de teólogos em Heidelberg, ele vem elaborando uma teologia que considera como tarefa primordial o exame dos dados históricos das origens do cristianismo". 4/9

Esse brilhante erudito afirma: "Se a ressurreição de Jesus aconteceu ou não é uma questão da história, e a essa altura é impossível fugir a essa questão. De modo que se deve discutir e decidir sobre o assunto em nível histórico". 4/10



O estudioso do Novo Testamento C. H. Dodd escreveu que "a ressurreição permanece sendo um acontecimento dentro da história..." 64/3

Citando C. F. D. Moule, que foi professor em Cambridge, /. N. D. Anderson assevera que "desde o início, a convicção de que Jesus fora ressuscitado dentre os mortos tem sido tal que dela depende a própria existência dos cristãos. Não havia qualquer outra razão que explicasse a vida dos cristãos, que explanasse a sua existência... Em lugar algum do Novo Testamento existe qualquer prova de que os cristãos tenham originalmente defendido uma filosofia de vida ou um sistema ético. Seu único dever era dar testemunho daquilo que afirmavam que aconteceu — a ressurreição de Jesus dentre os mortos... O único aspecto realmente diferente que os cristãos defendiam era a afirmação de que Jesus fora ressuscitado dentre os mortos de acordo com o desígnio de Deus, a conseqüente conclusão de que Ele era, num sentido único, Filho de Deus e o homem que representava os demais, o conceito resultante do caminho da reconciliação". 2/100, 101

W J. Sparrow-Simpson afirma: "A Ressurreição de Cristo é a base do Cristianismo Apostólico, e isso é assim tanto por razões dogmáticas como por causa das provas... A consciência que se tem do caráter basilar da ressurreição revela-se na posição que ela ocupa no testemunho da igreja. Um apóstolo recebe a ordenação para ser testemunha da ressurreição (Atos 1:22). As pessoas se referiram ao conteúdo da mensagem do cristianismo pregada por Paulo em Atenas como 'Jesus e a ressurreição' (17:18). As passagens iniciais de Atos reafirmam a declaração: 'A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas' (2:32)".

"Na verdade, é a Ressurreição de Cristo que tem capacitado as pessoas a crerem na exaltação oficial de Jesus sobre a humanidade. Não é uma simples questão acerca da influência de Seu caráter, exemplo e ensino. É que essa entrega pessoal a Ele como o Redentor tem sido estimulada por essa crença, e não pode ser explicada sem ela. Na verdade, aqueles que negam consistentemente Sua Ressurreição geralmente negam Sua divindade e Sua obra redentora em todos os sentidos que Paulo as entendia". 25/513,514
2B. O Testemunho da História e do Direito

Quando ocorre um acontecimento na história e existem pessoas vivas suficientes que foram testemunhas oculares ou participaram do acontecimento, e quando se publica essa informação, é possível verificar-se a validade de um determinado acontecimento mediante as provas circunstanciais.

Willíam Lyon Phelps, que por mais de 40 anos foi um notável professor de Literatura Inglesa na Universidade de Yale (nos Estados Unidos), tendo escrito cerca de vinte obras sobre estudos literários, diz: "Em toda a vida de Jesus Cristo, o acontecimento mais importante é a ressurreição. A fé cristã depende disso. É encorajador saber que ela é explicitamente ensinada pelos quatro evangelistas e que também é relatada por Paulo. Estão registrados os nomes daqueles que O viram depois de Seu triunfo sobre a morte ;e pode-se afirmar que as provas históricas em favor da ressurreição são mais fortes do que as que favorecem qualquer outro milagre que esteja descrito em qualquer lugar; pois, como Paulo disse, se Cristo não ressuscitou dos mortos, então é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé". 57/18

"Ambrose Fleming, professor emérito de Engenharia Elétrica na Universidade de Londres, membro honorário da Faculdade de St. John, localizada em Cambridge, destacado em 1928 com a Medalha Faraday... um dos mais notáveis cientistas ingleses...", diz o seguinte dos documentos do Novo Testamento: "Devemos considerar as provas levantadas pelos especialistas quanto à idade e à autenticidade desses escritos, da mesma maneira como analisamos os fatos da astronomia com base nos dados fornecidos pelos astrônomos, os quais não se contradizem uns aos outros. Assim sendo, podemos indagar a nós mesmos se um livro desses, que descreve acontecimentos que ocorreram cerca de trinta ou quarenta anos antes, poderia ter sido aceito e apreciado, caso as histórias de acontecimentos incomuns ali narradas fossem falsas ou míticas. É claro que não, pois a memória de todas as pessoas de mais idade a respeito dos acontecimentos de trinta ou quarenta anos é perfeitamente clara."

"No momento ninguém lançaria uma biografia da rainha Vitória, que morreu há trinta e um anos, contendo inúmeras histórias totalmente inverídicas. Seriam refutadas de imediato. Certamente não seriam aceitas na maioria dos casos nem seriam passadas adiante como se fossem verdadeiras. Conclui-se que é muito improvável que o relato da ressurreição feito por Marcos, que concorda substancialmente com os relatos dos outros Evangelhos, seja pura invenção. Deve-se abandonar essa teoria mítica porque ela não suporta um exame mais cuidadoso..." 60/427, 428

Ambrose Fleming afirma que nada existe nos Evangelhos que leve um homem da ciência a ter problemas com os milagres ali narrados, e conclui com um desafio à integridade intelectual, afirmando que, caso se faça esse estudo "com aquilo que advogados famosos têm chamado de uma mente arguta, ele proporcionará uma profunda certeza de que a Igreja Cristã não está alicerçada sobre fatos fictícios, nem se alimenta de enganos nem daquilo que São Pedro chama de 'fábulas engenhosamente inventadas', mas está baseada em acontecimentos históricos e reais, os quais, por mais estranhos que possam ser, são na realidade os maiores acontecimentos já ocorridos na história do mundo". 60/427, 428

Num livro que tem sido muito vendido, Who Moved the Stone? (Quem Moveu a Pedra?), Frank Morison, um advogado, "nos conta como foi criado num ambiente racionalista e como veio a ter a opinião de que a ressurreição não passava do final feliz de um conto de fadas, o que deturpava a história inigualável de Jesus. Por isso, ele planejou escrever um relato dos dias finais e trágicos de Jesus, permitindo que se revelassem todos os horrores da maldade cometida contra Jesus e todo o heroísmo que Ele teve. É claro que ele iria omitir qualquer coisa que fosse suspeita de ser milagrosa e rejeitaria totalmente a ressurreição. Mas quando veio a estudar cuidadosamente os fatos, teve que mudar de idéia, e escreveu o livro defendendo o outro lado. O primeiro capítulo desse livro é significativamente denominado 'O Livro que Recusou Ser Escrito', e o restante do livro consiste numa das análises mais perspicazes e mais bem escritas que já li..." 19/54,55

O renomado pesquisador professor Edwin Gordon Selwyn diz: "O fato de que Cristo ressurgiu dos mortos no terceiro dia, continuando a existir como corpo e alma — o grau de certeza desse fato é o mais alto possível que as provas históricas possam proporcionar". 57/14

Muitos pesquisadores imparciais, que estudam a ressurreição de Cristo com um espírito judicioso, têm sido forçados pelo peso das provas a crerem na ressurreição como um fato histórico. Pode-se ver um exemplo disso numa carta escrita por Sir Charles Clarke ao Rev. E. L. Macassey: "Como advogado tenho feito um estudo demorado das provas que favorecem os acontecimentos do primeiro domingo de Páscoa. Para mim as provas são conclusivas, e repetidas vezes tenho ganho causas na Suprema Corte com base em provas que não eram assim tão fortes. As conclusões baseiam-se nas provas, e um testemunho confiável sempre é simples e natural e nunca é influenciado pelos efeitos gerados pelo acontecimento em tela. As provas dos Evangelhos em favor da ressurreição são desse tipo, e, como advogado, aceito sem reservas essas provas como sendo o testemunho de homens honestos acerca de fatos que eles eram capazes de provar". 63/47

"Para nossa surpresa, embora nesta geração nenhum departamento da Universidade de Colúmbia tenha se destacado por defender a fé cristã nem por prestar tributo a Jesus de Nazaré, ainda assim a grande Enciclopédia publicada por essa universidade, a mais importante obra dessa natureza em um só volume publicada no mundo de fala inglesa, afirma sem constrangimento: "Os Evangelhos não deixam Jesus no túmulo. No primeiro dia da semana, indo ao túmulo, algumas das mulheres encontraram-no aberto, e o corpo de Jesus não estava lá. No túmulo um anjo lhes disse que Ele ressuscitara dos mortos. Logo elas O viram e conversaram com Ele, e Seus discípulos O encontraram, assim como muitos outros". 57/14

O professor Thomas Arnold, que é citado por Wilbur Smith, e que ocupou com destaque por catorze anos o cargo de diretor da Escola Rugby, escreveu a famosa History of Rome (História de Roma), obra publicada em três volumes, e foi nomeado professor da cadeira de História Moderna da Universidade de Oxford. Certamente ele era uma pessoa bem



familiarizada com o valor das provas na determinação dos fatos históricos. Esse grande estudioso disse:

"Como muitas vezes já se fez, pode-se demonstrar que são satisfatórias as provas em favor da vida, morte e ressurreição de nosso Senhor. Essas são provas aceitáveis segundo as regras usuais empregadas para distinguir entre provas aceitáveis e inaceitáveis. Milhões de pessoas as têm examinado minuciosamente detalhe após detalhe, com tanto cuidado quanto tem um juiz que esteja cuidando de um caso importantíssimo. Eu mesmo tenho feito esse exame repetidas vezes, não com o intuito de persuadir os outros, mas de satisfazer a mim mesmo. Durante anos tenho estado acostumado a estudar a história de outras épocas, e a examinar e avaliar as provas daqueles que escreveram a respeito, e não conheço qualquer outro fato na história da humanidade que seja confirmado por provas de todo o tipo, melhores e mais evidentes, do que o grande sinal que Deus nos deixou de que Cristo morreu e ressuscitou dos mortos". 60/425, 426

Wilbur Smith escreve acerca de uma grande autoridade forense do século passado. É John Singleton Copley, mais conhecido como Lord Lyndhurst (1772-1863), reconhecido como uma das maiores capacidades no campo do direito em toda a história da Grã-Bretanha, nomeado em 1819 Subprocurador-Geral do governo britânico; em 1824 Procurador-Ge-ral da Grã-Bretanha, tendo sido por três vezes Ministro da Justiça da Inglaterra, foi eleito em 1846 Provedor-Mor da Universidade de Cambridge, ocupando em vida os mais elevados postos que um juiz britânico poderia alcançar. Quando o Ministro Lyndhurst faleceu, entre suas anotações particulares, encontrou-se em sua escrivaninha um documento que apresentava um relato minucioso de sua própria fé cristã, e nessa descrição valiosa, anteriormente desconhecida, ele havia escrito: "Sei muito bem o que são provas; e posso lhes dizer que provas como essas a favor da Ressurreição até agora nunca foram refutadas".



"Essa declaração de Lord Lyndhurst foi enviada a Sir E. H. Blakeney, da Faculdade Winchester, pelo falecido bispo H. C. G. Moule. Poucos anos atrás o periódico britânico Dawn (Alvorecer) mencionou essa correspondência. Posteriormente obtive confirmação dessa correspondência numa carta recebida do Sir Blakeney. No livro de Marty Amoy The Domestic and Artistic Life of John Copley and Reminiscences of His Son, Lord Lyndhurst, High Chancellor of Great Britain (A Vida Familiar e Artística de John Copley e Reminiscências de Seu Filho, Lord Lyndhurst, Ministro da Justiça da Grã-Bretanha) existe um dado interessante: 'Após a morte de Lyndhurst, encontrou-se na gaveta de sua escrivaninha um manuscrito de seu próprio punho em que registrava sua crença na verdade da religião e sua maneira de entender o meio de Salvação.' (Lord Lyndhurst faleceu em 11 de outubro de 1863, aos 91 anos de idade.)" 60/425, 584

Simon Greenleaf (1783-1853) foi um renomado professor de Direito na Universidade de Harvard (nos Estados Unidos), onde ocupou a cadeira Royal, tendo sucedido ao Juiz Joseph Story como professor de Direito da cadeira Dane na mesma universidade, após a morte deste em 1846 60/423

H. W. H. Knott afirma o seguinte sobre a grande autoridade no campo do Direito que foi Greenleaf: "Deve-se atribuir aos esforços de Story e Greenleaf o destaque que a Faculdade de Direito de Harvard tem entre as demais escolas de Direito dos Estados Unidos". 60/423

Greenleaf escreveu uma obra famosa intitulada A Treatise on the Law of Evidence (Um Tratado sobre a Legislação acerca das Provas), que, "em toda a literatura sobre o processo legal, é ainda considerada isoladamente como a obra de maior valor existente". 60/423

Em 1846, enquanto ainda era professor de Direito em Harvard, Greenleaf escreveu um livro intitulado An Examination of the Testimony of the Four Evangelists by theRules of Evidence Administered in the Courts of Justice (Um Exame do Testemunho dos Quatro Evangelistas com Base nas Regras Utilizadas nos Tribunais para Análise das Provas). Nessa obra clássica, o autor examina o valor do testemunho dos apóstolos acerca da ressurreição de Cristo. São estes os comentários críticos do brilhante jurista: "As grandes verdades que os apóstolos declararam foram que Cristo havia ressuscitado dos mortos e que somente através do arrependimento dos pecados e através da fé nEle é que os homens podem ter a esperança de salvação. Essa doutrina eles declararam unanimemente em todos os lugares, não apenas diante das maiores adversidades, mas também apesar dos mais terríveis erros que a mente humana pode imaginar. Fazia pouco tempo que seu mestre morrera como um malfeitor, sentenciado por um tribunal. Sua religião procurava derrubar as religiões do mundo inteiro. As leis de todos os países eram contrárias aos ensinamentos de Seus discípulos. Os interesses e as motivações de todos os governantes e grandes homens do mundo estavam contra eles. O estilo de vida do mundo ia contra eles. Ao propagar essa nova fé, mesmo fazendo-o da maneira mais inofensiva e pacífica possível, eles só poderiam esperar pouco caso, oposição, ataques verbais, perseguições cheias de ódio, espancamentos, prisões, tormentos e mortes cruéis. Ainda assim eles vieram a propagar zelosamente essa fé, e suportaram todos esses sofrimentos sem temor, mas com júbilo.

À medida que um discípulo após outro era lamentavelmente morto, os sobreviventes prosseguiam a tarefa com vigor e disposição renovados. A história das guerras oferece pouquíssimos exemplos de semelhante constância, paciência e grande coragem. Eles tinham todos os motivos imagináveis para analisar cuidadosamente as bases de sua fé e as provas dos grandes acontecimentos e verdades que defendiam; e era com uma freqüência assustadora e bem deprimente que esses motivos se lhes impunham. Era, portanto, impossível que eles pudessem ter continuado a afirmar as verdades que contavam, caso Jesus não tivesse verdadeiramente ressurgido dentre os mortos, e caso não tivessem tanta certeza desse fato como tinham acerca de qualquer outro. Se fosse possível terem sido enganados nesta questão, todos os motivos humanos estariam operando para levá-los a descobrir e evitar tal erro. Persistirem num erro tão gritante, depois de o descobrirem, significaria não apenas defrontar pelo resto da vida todos os males que o homem é capaz de infligir em seu próximo, mas também suportar as aflições de um conflito íntimo e de uma consciência culpada, sem qualquer esperança de paz no futuro, sem qualquer testemunho de uma boa consciência, sem qualquer expectativa de honra e respeito por parte de outras pessoas e sem qualquer esperança de felicidade nesta vida ou no mundo vindouro".

"Um procedimento desses por parte dos apóstolos seria, sobretudo, totalmente irreconciliável com o fato de que eles eram pessoas perfeitamente normais, e possuidoras de necessidades e desejos como quaisquer outras. No entanto, a vida deles mostrava que eram pessoas semelhantes a todos os outros seres humanos: influenciados pelas mesmas motivações, estimulados pelas mesmas esperanças, imbuídos das mesmas alegrias, dominados pelas mesmas tristezas, agitados pelos mesmos temores e sujeitos às mesmas paixões, tentações e enfermidades que nós. Seus escritos mostram que foram homens de profunda compreensão. Portanto, se o testemunho que deram não foi verdadeiro, não houve motivo plausível, que justificasse uma invenção de tudo por parte deles." 20/28-30

John Locke foi provavelmente o maior filósofo de sua época. Wilbur Smith cita o que esse pensador britânico diz em seu livro A Second Vindication of the Reasonableness of Christianity, Works {Uma Segunda Confirmação do Caráter Racional do Cristianismo - As Obras): "Existem alguns detalhes na vida de nosso Salvador, os quais são particularmente adequados ao Messias, dentre as Suas tantas e incontáveis características, crer que esses detalhes diziam respeito a Jesus de Nazaré era na verdade o mesmo que crer que Ele era o Messias. O principal desses detalhes é a Sua ressurreição dentre os mortos, que é a grande e conclusiva prova de que Ele é o Messias. Por isso não é totalmente estranho que aqueles que crêem na Sua Ressurreição sejam conhecidos por crerem que Ele é o Messias; pois declarar a Sua Ressurreição implicava declarar que Ele era o Messias". 60/422 423

BookFoss Westcott (1825-1901), erudito inglês que, por decreto real, foi nomeado professor de Cambrifge em 1870, afirmou: "Na verdade, considerando todas as provas, não há exagero em afirmar que não existe qualquer outro acontecimento histórico que tenha um melhor e mais variado apoio do que a ressurreição de Cristo. Nada, senão a pressuposição de que deve ser falso, poderia ter dado a idéia de que as provas não são suficientes". 38/70

Qifford Herschel Moore, professor na Universidade de Harvad, disse com muita propriedade: "Para o cristianismo o seu Salvador e Redentor não era algum deus cuja história fizesse parte de uma fé mítica, com aspectos grosseiros, primitivos ou até mesmo ofensivos... Jesus foi um ser histórico, e não um ser mítico. Nenhum mito de origem remota ou infame conseguiu insinuar-se junto ao cristão de verdade; sua fé baseia-se em fatos inegáveis, históricos e aceitáveis". 57/48

Benjamin Warfield, da Universidade de Princeton (nos Estados Unidos), disse o seguinte no artigo intitulado "The Resurrection of Christ an Historical Fact, Evindenced by Eye-Witnesses" (A Ressurreição de Cristo: Um fato Histórico Evidenciado por Testemunhas Oculares): "A Encarnação de um Deus Eterno é Obrigatoriamente um Dogma. Os olhos de homem algum poderiam testemunhar o ato de Deus se rebaixar à condição humana, os lábios de homem algum poderiam dar testemunho desse acontecimento como sendo um fato e, além do mais, se não for um fato, é vã a nossa fé e nós ainda estamos em nossos pecados. Por outro lado, a Ressurreição de Cristo é um fato, um acontecimento palpável ao alcance da percepção humana, a ser provado por outros testemunhos e, ao mesmo tempo, é a doutrina fundamental de nosso sistema: dela dependem todas as outras doutrinas". 60/361, 362

Wilbur Smith apresenta um destacado cientista deste século: "Um dos maiores fisiólogos de nossa geração é o Dr. A. C. Ivy, do Departamento de Química da Universidade de Illinois (campus de Chicago), que atuou como chefe da Divisão de Fisiologia das Faculdades Técnicas de Chicago, de 1946 a 1953. Ex-presidente da Sociedade Norte-Americana de Fisiologia e autor de inúmeros trabalhos científicos, declarou: "Creio na ressurreição corporal de Jesus Cristo. Conforme se costuma dizer, esse é um "assunto pessoal", mas não sinto constrangimento em deixar que o mundo saiba no que creio, e que posso defender intelectualmente a minha fé... Não posso provar essa crença da mesma forma como posso provar, em minha biblioteca, certos fatos científicos que cem anos atrás, eram quase tão misteriosos quanto a ressurreição de Jesus Cristo. Com base nas provas históricas do atual conhecimento da biologia, o cientista que é fiel à filosofia da ciência pode duvidar da ressurreição corporal de Jesus Cristo, mas não pode negá-la terminantemente, pois proceder dessa forma significa poder provar que a ressurreição não aconteceu. Só posso dizer que os atuais avanços da biologia não podem ressuscitar um corpo que está morto e sepultado por três dias. Negar a ressurreição de Jesus com base naquilo que a biologia conhece atualmente é, segundo minha filosofia da atitude verdadeiramente científica, demonstrar uma atitude não científica". 59/6, 22

Michael Green diz que "...dois jovens talentosos, Gilbert West e Lord Lyttleton, foram estudar na Universidade de Oxford. Na vida social eles eram amigos do Dr. Johnson e de Alexander Pope. Estavam decididos a atacar o fundamento da fé cristã, de maneira que Lyttleton lançou-se a provar que Saulo de Tarso jamais se converteu ao cristianismo, e West a demonstrar que Jesus jamais se levantou do túmulo".

"Algum tempo depois eles se encontraram para conversar sobre o que tinham descoberto. Ambos estavam um pouco embaraçados pois tinham chegado a conclusões semelhantes e perturbadoras. Em sua investigação, Lyttleton descobriu que Saulo de Tarso realmente se tornara um homem radicalmente novo devido à sua conversão ao cristianismo; e West descobriu que as provas apontavam de maneira inconfundível para o fato de que, sem dúvida, Jesus ressuscitou dos mortos. Ainda é possível encontrar o seu livro nas bibliotecas de grande porte. Tem o título de Observations on the History and Evidences of the Resurrection of Jesus Chirst (Comentários sobre a História e as Provas da Ressurreição de Jesus Cristo), e foi publicado em 1747. Na primeira página do livro, que geralmente é uma página em branco, ele fez com que fosse impressa a notável citação extraída de Eclesiástico 11:7, que pode ser proveitosamente adotada por qualquer agnóstico da atualidade: "Não reproves a verdade antes de a teres examinado''" 19/ 55,56

"Os indícios apontam inconfundivelmente para o fato de que, no terceiro dia, Jesus ressuscitou. Essa foi a conclusão a que chegou o Lord Darling, ex-supremo magistrado da Inglaterra. Durante um jantar de que participava, a conversa se encaminhou para a verdade do cristianismo e particularmente, para um determinado livro que tratava da ressurreição. Com as mãos diante de si, unidas pelas pontas dos dedos, assumindo uma atitude judicial, e falando com uma ênfase moderada e serena, que causava uma extraordinária impressão, afirmou: 'Como cristãos somos chamados a depositar bastante confiança, por exemplo, nos ensinos e nos milagres de Jesus. Caso fôssemos aceitar o que todos dizem, a meu ver, seríamos todos céticos. O ponto central do problema de Jesus ser ou não aquilo que afirmou ser, com toda certeza depende da veracidade ou não da ressurreição. Não somos simplesmente instados a ter fé nesse supremo acontecimento. A favor da ressurreição como sendo uma verdade autêntica existem provas tão surpreendentes, positivas e negativas, fatuais e circunstanciais, que nenhum júri inteligente deixaria de dar o veredito de que a história da ressurreição é verídica'." 19/53, 54

ArmandNicholi, da Faculdade de Medicina de Harvard, refere-se a J. N. D. Anderson como "... um erudito de reputação internacional e alguém excepcionalmente qualificado para tratar do assunto de provas. Ele é uma das maiores autoridades em direito islâmico... É diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Londres, chefe do Departamento de Direito Orienta] da Escola de Estudos Orientais e Africanos, e diretor do Instituto de Estudos Jurídicos Avançados da Universidade de Londres". 3/4

Esse renomado erudito britânico, que hoje exerce grande influência no campo do direito internacional, diz: "As provas em favor do fundamento histórico da fé cristã, em favor da veracidade intrínseca do testemunho do Novo Testamento a respeito da pessoa e dos ensinos do próprio Cristo, em favor do fato e do significado de Sua morte expiatória, e em favor da historicidade do túmulo vazio e do testemunho apostólico acerca da ressurreição são tais que proporcionam uma base adequada para a aventura da fé". 2/106


3B. O Testamento dos Antigos Pais da Igreja
O professor W. J. Sparrow-Simpson afirma que "logo após a Cristologia, a Ressurreição é indubitavelmente a doutrina que ocupou o lugar principal na literatura cristã antiga".

"O período que se seguiu aos apóstolos traz muitas referências, mas o segundo século apresenta tratados exclusivamente dedicados a esse assunto, como é o caso de Atenágoras e da obra atribuída a Justino Mártir". 62/339

O professor Bemard Ramm comenta: "Tanto na história da Igreja como na história da Doutrina, a ressurreição é declarada desde os primeiros momentos. É mencionada por Clemente de Roma na Epístola aos Coríntios (95 A.D.), o mais antigo documento da história da igreja, e daí por diante é mencionada continuamente, durante todo o período patrístico. Aparece em todas as formulações do Credo Apostólico e nunca é refutada". 52/192



Sparrow-Simpson diz: "A mensagem básica do evangelho pregada por Inácio (50-ca. 115 A.D.) é Jesus Cristo, e a religião cristã consiste de 'fé nEle e amor para com Ele, Sua Paixão e Ressurreição'. Ele insta os cristãos a estarem 'plenamente convictos acerca do nascimento, paixão e ressurreição' de Jesus."

"Jesus Cristo é descrito como 'nossa esperança mediante a Ressurreição'. A Ressurreição de Jesus é a promessa de que também ressurgiremos".

"Além do mais, Inácio declara que a Igreja, 'sem qualquer hesitação, rejubila-se na Paixão de nosso Senhor e em Sua Ressurreição'. Os fatos principais sobre os quais ele se detém são a Cruz, a Morte e a Ressurreição de Cristo. Estas ele reúne numa mesma categoria. Falando sobre certos hereges, ele afirma: 'Eles se mantêm afastados da Eucaristia e da oração, porque não confessam que a Eucaristia seja a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual sofreu por nossos pecados e o qual Deus ressuscitou por sua terna bondade'. Repetindo o pensamento, ele afirma que a Ressurreição 'foi tanto da carne como do espírito'." 62/339

Sparrow-Simpson acrescenta: "Na Epístola de Policarpo aos Filipenses (aproximadamente 110 A.D.) o escritor menciona que nosso Senhor Jesus Cristo 'suportou sofrimentos até ao ponto de morrer por nossos pecados, e que Deus O ressuscitou, libertando-o dos grilhões da morte'. Ele diz que Deus 'ressuscitou Nosso Senhor Jesus Cristo dentre os mortos e deu-Lhe glória e um trono à Sua destra, e a quem estão sujeitas todas as coisas nos céus e na terra'. O Jesus Ressurreto 'virá como Juiz de vivos e mortos'. E 'Aquele que O ressuscitou dos mortos também nos ressuscitará, caso façamos Sua vontade e andemos de acordo com Seus mandamentos'."

Para Policarpo o Jesus exaltado é 'o Sumo Sacerdote Eterno'. E a oração final que esse bispo, um santo homem de Deus, fez antes do martírio foi que ele pudesse 'ser parte dos mártires do cálice de Cristo e participar da ressurreição da vida eterna, tanto do corpo como da alma, através da obra incorruptível do Espírito Santo'." 62/341



O professor Sparrow-Simpson diz o seguinte sobre o tratado de Justino Mártir (ca. 100-165) acerca da ressurreição: "... aborda a doutrina caracteristicamente cristã. Na época a oposição à fé cristã afirmava que a Ressurreição era impossível; indesejável, visto que a carne era a causa dos pecados; inconcebível, visto que não pode haver qualquer sentido na sobrevivência dos órgãos existentes. Além disso, eles sustentavam que a Ressurreição de Cristo ocorreu apenas na aparência física e não na realidade física. A essas objeções e dificuldades Justino..." replicou. 62/342

Em Who Was Who in Church History (Quem Foi Quem na História da •greja). Elgin Moyer menciona um outro pai da igreja, Quinto Septímio Florente Tertuliano: Tertuliano (ca. 160-220), "pai da igreja latina e apologeta, nascido em Cartago, no norte da África... Uma educação completa preparou-o para uma bem sucedida carreira, escrevendo tanto em

latim como em grego, bem como para a política, o exercício da advocacia e a oratória forense. Durante trinta ou quarenta anos levou uma vida de licenciosidade. Por volta de 190 abraçou e cristianismo com profunda convicção. Pelo restante de sua vida se dedicou fielmente a defender a fé cristã contra os pagãos, os judeus e os hereges. Foi... um grande defensor da fé'" 47/401



Bemard Ramm conclui a respeito: "A descrença se vê obrigada a rejeitar todo o testemunho dos Pais da Igreja... Ela pressupõe que esses homens não tiveram a motivação para de fato investigarem a ressurreição de Cristo, ou então não tiveram padrões históricos para fazê-lo. Os Pais da Igreja, cuja autoridade é total ou parcialmente aceita pela Igreja Católica Ortodoxa Oriental, pela Igreja Católica Romana e pela Igreja Anglicana, sendo eles bastante considerados pelos reformadores e, na medida certa por todos os teólogos, são desprezados pela descrença. São aceitos como válidos em relação a dados da teologia apostólica ou do período logo após os apóstolos, mas em questões fatuais rejeitam-se até mesmo os aspectos menos importantes do testemunho das provas. E tem de ser assim, caso contrário a descrença não subsistirá". 52/206
4A. O CENÁRIO DO TÚMULO
1B. O Cenário Antes da Ressurreição
1C. JESUS ESTAVA MORTO
Marcos apresenta a seguinte narrativa dos acontecimentos que se seguiram ao julgamento de Jesus: "Então Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhe Barrabás; e, após mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado. Então os soldados o levaram para dentro do palácio, que é o pretório, e reuniram todo o destacamento. Vestiram-no de púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça. E o saudavam, dizendo: Salve, rei dos judeus! Davam-lhe na cabeça com um caniço, cuspiam nele e, pondo-se de joelhos, o adoravam. Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe a púrpura e o vestiram com as suas próprias vestes. Então conduziram Jesus para fora, com o fim de o crucificarem" (Marcos 15:15-20).

John Mattingly descreve como a vítima era açoitada antes da crucificação: "O criminoso sentenciado geralmente tinha, em primeiro lugar, suas roupas arrancadas, sendo então amarrado a um poste ou coluna no tribunal. Então os lictores, ou açoitadores, ministravam o terrível e cruel açoitamento. Embora os hebreus, por sua lei, limitassem o número de açoites a quarenta, os romanos não estabeleceram qualquer limite, e a vítima ficava à mercê daqueles que a açoitavam".

"Chamava-se azorrague o instrumento brutal empregado para açoitar a vítima. Sobre ele Mattingly comenta: 'Facilmente pode-se perceber que as varas compridas de cascas de osso e metal dilaceravam bastante a carne humana'." 42/21



O bispo Eusébio de Cesaréia, o historiador da igreja do século terceiro, disse o seguinte na Epístola à Igreja em Esmirna acerca do açoitamento aplicado naqueles que iam ser executados: a pessoa açoitada ficava com "as veias expostas, e... os próprios músculos, tendões e entranhas da vítima ficavam à mostra". 42/73

John Mattingly, citando John Peter Lange, afirma o seguinte sobre os sofrimentos de Cristo: "Tem-se conjeturado que o açoitamento de Cristo chegou até mesmo a ultrapassar a severidade de um açoitamento comum. Embora o açoitamento usual fosse empreendido pelos lictores, Lange conclui que, uma vez que não havia lictores à disposição de Pilatos, este entregou a tarefa aos soldados. Assim, com base no próprio caráter desses soldados, brutos e vis, pode-se supor que eles excederam a brutalidade dos lictores". 42/33

Depois de sofrer as formas mais intensas de castigo físico, Cristo teve que suportar a caminhada até o lugar da crucificação, o Gólgota. Sobre essa etapa do sofrimento de Cristo, Mattingly relata:

"Até os preparativos para a caminhada devem ter sido uma fonte de terrível sofrimento. Mateus 27:31 diz: 'Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto, e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida o levaram para ser crucificado'. O ato de arrancar as vestes reais de zombaria e o vestir com suas próprias roupas, sem dúvida alguma em contato com a pele cortada e esfolada pelo açoitamento, deve ter resultado em grande dor". 42/35

"A frase 'e levaram a Jesus para o Gólgota' (Marcos 15:22a) também pode indicar que Cristo, incapaz de andar por suas próprias forças, teve que ser literalmente levado ou arrastado até o lugar da execução. Assim, os revoltantes e horríveis sofrimentos que antecederam a crucificação chegaram ao fim, e o ato em si de crucificar teve início". 42/36

Marcos registra a seguinte narrativa da crucificação de Cristo: "E levaram a Jesus para o Gólgota, que quer dizer Lugar da Caveira. Deram-lhe a beber vinho com mirra, ele, porém, não tomou. Então o crucificaram, e repartiram entre si as vestes dele, lançando-lhes sorte, para ver o que levaria cada um. Era a hora terceira quando o crucificaram. E, por cima estava, em epígrafe, a sua acusação: O REI DOS JUDEUS. Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda... Os que iam passando, blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ah! tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas. Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz. De igual modo os principais sacerdotes com os escribas, escarnecendo, entre si diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar- se; desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o insultavam. Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona. À hora nona clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lama sabactâni? que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Vede, chama por Elias. E um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de um caniço, deu-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo. Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente este homem era Filho de Deus" (Marcos 15:22-27,29-39).



Sobre a crucificação em si, Mattingly diz: "Nunca é demais enfatizar que os sofrimentos experimentados na cruz foram extremamente intensos e duros. O caráter abominável dessa tortura foi percebido pelo mais famoso orador romano, Marco Túlio Cícero, que afirmou: 'Até a mera palavra cruz deve ficar bem longe não apenas dos lábios dos cidadãos de Roma, mas também dos seus pensamentos, olhos e ouvidos' (CÍCERO, Marco Túlio. Pro Rabino. 5:16)". 42/26

Michael Green fala dos sofrimentos físicos de Jesus: "Depois de uma noite sem dormir, durante a qual não lhe deram de comer em que teve de suportar as zombarias de dois julgamentos, e teve as costas laceradas pelo terrível chicote romano de nove tiras, Jesus foi levado para ser executado por crucificação. Essa era a morte extremamente dolorosa, em que cada nervo do corpo gritava de agonia". 19/32

Farrar apresenta uma descrição detalhada da morte por crucificação: "Pois, de fato, uma morte por crucificação parece incluir tudo aquilo que a dor e a morte podem ter de horrível e assustador — vertigem, cãibras, sede, fome profunda, falta de sono, febre traumática, tétano, vergonha, zombaria diante do constrangimento da vítima, longa duração do tormento, medo do desenlace, gangrena das feridas expostas — tudo isso intensificado só até o ponto em que pode ser suportado, mas não chegando ao ponto de dar à vítima o alívio de ficar inconsciente".

"A posição nada natural tornava cada movimento doloroso; as veias dilaceradas e os tendões esmagados latejavam com uma dor terrível e incessante; as feridas, inflamadas por estarem expostas, pouco a pouco gangrenavam; as artérias, especialmente as da cabeça e do estômago, ficavam intumescidas e experimentavam um aumento de pressão devido ao excesso de sangue no local; e, à medida em que cada tipo de sofrimento ia gradualmente aumentando, acrescia-se-lhes a dor insuportável de uma sede atroz que ia como que queimando por dentro; e todas essas complicações físicas provocavam uma excitação e uma ansiedade no íntimo da pessoa, o que fazia com que a perspectiva da própria morte — da morte, o inimigo desconhecido, a cuja aproximação o ser humano geralmente mais estremece — tivesse o aspecto de uma libertação consoladora e estranha". 18/440

O professor E. H. Day relata: "É São Marcos que enfatiza tanto a surpresa de Pilatos ao ouvir que Cristo já morrera, como a indagação que faz ao centurião antes de dar autorização para a remoção do corpo da cruz. Os soldados romanos conheciam bem quando uma pessoa estava morta e sabiam como era a morte que se seguia à crucificação". 13/46-48



Como Michael Green assinala, as crucificações "não eram incomuns na Palestina". 19/32

Pilatos exigiu confirmação da morte de Cristo. Sobre isso Green comenta: "Quatro executores vieram examiná-lo, antes que um amigo, José de Arimatéia, recebesse permissão para retirar o corpo para ser sepultado". 19/32



Green fala desses quatro especialistas que estavam acostumados a lidar com a morte: "Eles sabiam que um homem estava morto só de vê-lo — e o próprio oficial comandante daquele grupo ouvira o grito de morte do condenado e confirmou a morte ao governador, Pôncio Pilatos..." ("O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente este homem era Filho de Deus" (Marcos 15:39). "Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse morrido. E, tendo chamado o centurião, perguntou-lhe se havia muito que morrera" (Marcos 15:44). 19/32, 33

John R. W. Stott escreve: "Pilatos ficou realmente surpreso com o fato de que Jesus já tivesse morrido, mas, pela palavra do centurião, convenceu-se o suficiente para dar permissão a José para remover o corpo da cruz". 63/49

O professor Day comenta que "o relato do Evangelho de Mateus sobre a guarda do sepulcro é uma prova clara de que os judeus, por sua parte, acreditavam que Jesus estava morto". 13/46-48

Além do mais, Day assinala que nenhum "daqueles que participaram da remoção do corpo e da sua colocação no túmulo teve qualquer suspeita de que ele ainda estivesse vivo". 13/46-48

O professor Day, falando sobre o livro The Physical Cause of the Death of Christ (A Causa Física da Morte de Cristo), assim se refere ao seu autor, James Thompson: "Ele demonstra que a morte de Cristo foi causada não por exaustão física nem pelas dores da crucificação, mas pela agonia mental que provocou uma ruptura do coração. Seu vigor mental e físico no instante da morte prova, sem qualquer possibilidade de dúvida, que Sua morte não foi conseqüência de exaustão; a lança do soldado foi o meio de exibir ao mundo que Sua morte ocorreu por uma ruptura do coração." 13/48,49

O médico Samuel Houghton, o grande fisiólogo da Universidade de Dublin, apresenta seu ponto-de-vista sobre a causa física da morte de Cristo:

"Quando o soldado traspassou com sua espada o lado de Cristo, Ele já estava morto; e o fluxo de sangue e água que saiu foi um fenômeno natural explicável por causas naturais ou então foi um milagre. Que João acreditasse que, se isso não era algo milagroso, pelo menos era incomum, fica claro a partir do comentário que faz a respeito e a partir da maneira enfática com que solenemente declara a exatidão da narrativa".

"Repetidas observações e experiências feitas em homens e animais levaram-me aos resultados seguintes:"

"Quando, depois da morte, o lado esquerdo é traspassado por uma faca grande, de tamanho comparável ao de uma lança romana, pode-se observar três casos distintos:



Primeiro — Não há fluxo de espécie alguma saindo da ferida, a não ser um diminuto filete de sangue.

Segundo — Um fluxo abundante de sangue apenas sai da ferida.

Terceiro — Sai um fluxo de apenas água, seguido por umas poucas gotas de sangue."

"Desses três casos, o primeiro é o mais comum; o segundo acontece em casos de morte por afogamento e por envenenamento por estricnina, o que se pode demonstrar matando um animal com esse veneno e que também pode-se provar que é a causa natural da morte por crucificação; e o terceiro encontra-se nos casos de morte provocada por pleurite, pericardite e ruptura do coração. A maioria dos anatomistas que têm dedicado atenção ao assunto estão familiarizados com os casos precedentes, mas os dois casos a seguir, embora facilmente explicáveis com base em princípios fisiológicos, não se encontram registrados nos livros (exceto por São João). Nem eu tive a felicidade de me deparar com eles".

"Quarto — Um fluxo abundante de água, seguido por um fluxo abundante de sangue, sai da ferida."

"Quinto — Um fluxo abundante de sangue, seguido por um fluxo abundante de água, sai da ferida."

"...A morte por crucificação cria uma situação de sangue nos pulmões semelhante à que é produzida por afogamento e por estricnina; crê-se que o quarto caso ocorra numa pessoa crucificada que, antes da crucificação, tenha sofrido de derrame na pleura, e que o quinto caso ocorra numa pessoa crucificada que morreu de ruptura do coração. O histórico dos dias que precederam a crucificação de nosso Senhor excluem completamente a idéia de pleurite, que também está fora de cogitação, se primeiramente saiu sangue e depois água da ferida. Portanto, não resta qualquer possível explicação do fenômeno registrado nos Evangelhos, exceto a conjunção de crucificação e ruptura do coração".

"O dr. William Stroud sustenta com grande capacidade que a causa da morte de Cristo foi ruptura do coração; e eu creio firmemente que de fato ocorreu essa ruptura do coração..." 11/349, 350

O apóstolo João registra com detalhes minuciosos a cena que observou no Gólgota. Houghton chega à conclusão de que "é óbvia a importância disto. (Revela) que a narrativa do capítulo 19 de São Paulo jamais poderia ter sido inventada, que os fatos narrados devem ter sido presenciados por uma testemunha ocular, e que a testemunha ocular ficou tão atônita que aparentemente pensou que fosse um fenômeno miraculoso." 11/ 349, 350



Michael Green escreve sobre a morte de Cristo: "Com base em um testemunho ocular ficamos sabendo que 'saiu sangue e água' do lado traspassado de Jesus (João 19:34, 35). A testemunha ocular claramente atribuiu grande importância a esse fato. Caso Jesus estivesse vivo quando a espada o traspassou, fortes jatos de sangue teriam jorrado a cada batida do coração. Ao contrário, o observador reparou que vazavam coágulos semi-sólidos e escuros, distintos e à parte do soro aguado que se seguiu. Essa é uma prova de grande coagulação do sangue nas artérias principais, e, do ponto-de-vista médico, é uma prova excepcionalmente forte de que a morte já ocorrera. Isso tudo causa uma impressão ainda maior pelo fato de que provavelmente o evangelista não teria condições de perceber o significado patológico. O 'sangue e água' que saíram da ferida feita pela lança são uma prova conclusiva de que Jesus já estava morto". 19/33

Samuel Chandler diz: "Todos os evangelistas concordam que José solicitou o corpo de Jesus a Pilatos, o qual soube pelo centurião que montava guarda junto à cruz que Ele já estava morto fazia algum tempo, pelo que Pilatos entregou o corpo a José". 8/62, 63

O professor Chandler afirma então que "a circunstância notável de José e Nicodemos envolverem com especiarias o corpo já morto, segundo a maneira judaica de preparativo para sepultamento, é uma forte prova de que Jesus estava morto e de que as pessoas sabiam disso. Caso ainda houvesse qualquer sinal de vida nEle ao ser tirado da cruz, a natureza cáustica da mina e do aloés, o cheiro forte e o sabor amargo desses produtos, o uso de um cilindro para ajudar a envolver o Seu corpo em pano de linho, e para envolver Seu rosto e cabeça com um pano menor, conforme era o costume judaico por ocasião do sepultamento, tudo isso acabaria com qualquer indício de vida". 8/62, 63



No início do século passado, Paulus de Heidelberg empreendeu uma tentativa tola de explicar racionalmente a ressurreição de Cristo, afirmando que na verdade Jesus não morreu, mas que simplesmente perdeu os sentidos ou desmaiou na cruz. No entanto, o bispo E. Lê Camus, de La Rochelle, na França, contesta: "A medicina que ele invocou para apoiar sua tese foi a primeira a derrubar seu sistema. Ele soube que, se Jesus tivesse sido tirado da cruz ainda vivo, deveria ter morrido no túmulo, pois o contato do corpo com a pedra fria do sepulcro produziria o congelamento do sangue que, por sua vez, provocaria uma síncope, devido ao fato de que a circulação regular já se fazia com dificuldade. Além do mais, uma pessoa desmaiada na maioria dos casos não acorda ao ser colocada numa caverna, mas ao ser levada ao ar livre. O forte cheiro dos aromas num lugar hermeticamente selado teria matado uma pessoa cujo cérebro já se encontrava num estado de profunda inconsciência. Na atualidade, racionalistas de todas as tendências rejeitam essa hipótese, que é tão absurda quanto inaceitável, e todos concordam que o Jesus crucificado de fato morreu na sexta-feira". 34/485, 486

Como diz o professor Albert Roper, "Jesus foi crucificado por soldados romanos, de acordo com as leis de Roma, à quais os soldados obedeceram com a mais absoluta fidelidade". 54/33

Concluindo, podemos concordar com a declaração do apóstolo João acerca do que pessoalmente assistiu da morte de Jesus, declaração em que ele confirma que foi testemunha ocular: "Aquele que isto viu, testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade..." (João 19:35).
2C. O TÚMULO
Wilbur M. Smith assinala que "a palavra que é traduzida por túmulo ou sepulcro ocorre trinta e duas vezes nos relatos dos quatro Evangelhos acerca da ressurreição..." 58/38

O túmulo de José de Arimatéia foi, na manhã do domingo de Páscoa, de fato um objeto de muito interesse para os escritores dos Evangelhos.



Acerca do sepultamento que Cristo teve, W. J. Sparrow-Simpson faz o seguinte comentário: "O costume romano era deixar a vítima de crucificação pendurada na cruz para servir de alimento para aves e animais terrestres. Mas quem sonharia dizer que essa regra não comportava exceções? Josefo {Autobiografia, 75; Guerras dos Judeus, 4.5.2) induziu o imperador Tito a tirar da cruz três pessoas crucificadas enquanto ainda estavam vivas. Será que alguém afirmaria que é impossível isso ter acontecido só porque a regra determinava o contrário? Sem dúvida, o costume judaico era o sepultamento do condenado. Essa era a lei judaica. Mas José nos assegura de que até mesmo os judeus às vezes quebravam as leis de sepultamento. No livro Guerras dos Judeus ele escreve: 'Em sua impiedade eles chegavam ao ponto de se desfazer dos cadáveres sem sepultá-los, muito embora os judeus costumassem ser bastante cuidadosos no sepultamento das pessoas, pelo que eles tiravam os corpos dos que haviam sido condenados e crucificados, e os sepultavam antes do pôr-do-sol."

"Loisy acredita que era possível aos parentes conseguir permissão para o sepultamento de alguém condenado. Todavia, nenhum parente recebeu permissão para sepultar o corpo de Jesus, nem qualquer dos doze. Os três homens crucificados, que Josefo induziu a autoridade imperial a tirar da cruz, não eram parentes seus; eram apenas amigos. Ele 'se recordava deles como antigos conhecidos'. Pode-se argumentar fortemente em favor da improbabilidade do pedido de Josefo, e mais ainda contra o pedido ter sido atendido. Ninguém, todavia, parece duvidar dos fatos. São constantemente citados como se fossem verdadeiros. Por que José de Arimatéia não poderia ter feito um pedido semelhante a Pilatos?" 62/21, 22

Henry Latham, em The Risen Master (O Mestre Ressurreto), oferece as seguintes informações a respeito do sepultamento de Jesus. Primeiramente ele menciona "...a descrição do sepulcro de nosso Senhor, feita quando se acreditava que havia sido recentemente descoberto pela imperatriz Helena. O relato é feito por Eusébio de Cesaréia — o primeiro historiador da Igreja. Esse relato encontra-se em Teofania, obra de Eusébio que foi recuperada neste século, e da qual uma tradução foi publicada em Cambridge, em 1843, pelo Dr. Lee".

"O túmulo em si era uma caverna que, evidentemente, fora desbastada; uma caverna que fora escavada na rocha e que não recebera corpo algum. O que era em si mesmo algo surpreendente, era que o túmulo abrigasse apenas aquele cadáver. E causa surpresa ver essa rocha, imponente e ereta, a única no nível da superfície, e tendo apenas uma caverna em seu interior; pois, caso houvesse muitas cavernas o milagre daquele que venceu a morte teria ficado obscurecido."

"O trecho a seguir é extraído de Architectural History of the Holy Sepulchre (História Arquitetônica do Santo Sepulcro), de autoria do professor Willis, que lecionou na Universidade de Cambridge (The Holy City - A Cidade Santa, G. Williams, vol. 1, p. 150.)"

"Em muitos casos, o sarcófago, leito ou outro lugar de repouso era escavado na rocha sólida, e, dessa maneira, devia ter ficado num nível acima do chão, ou devia ter sido uma saliência ao lado da parede, quando esse compartimento foi escavado pela primeira vez. Quando se fazia um leito de pedra, sua superfície ficava no nível do chão, ou então era escavada, passando a ter de dois a cinco centímetros de profundidade, onde o corpo era colocado. E freqüentemente se deixava na cabeceira uma parte mais elevada para servir de travesseiro, ou então fazia-se uma cavidade arredondada com o mesmo propósito. Tais leitos são encontrados em túmulos na rocha, feitos pelos etruscos, e também nos existentes na Grécia e na Ásia Menor... Nos túmulos judaicos na Síria, parece que sempre se utilizou o sistema de nichos nas paredes das câmaras mortuárias. Mas mesmo esse sistema comporta grande variedade. Em sua forma mais simples é uma abertura ou cavidade retangular na parede de rocha do túmulo, sendo que a base geralmente fica num nível mais elevado que o chão da câmara; e o comprimento e a profundidade são apenas suficientes para comportarem um corpo que ali seja colocado. Freqüentemente o teto desse nicho tem a curvatura de um arco, quer de um arco abaulado quer de uma abóbada plena; e essa também é a sua forma usual quando ali se deposita um sarcófago." 33/87,88

No livro Jesus, o professor Guignebert faz esta afirmação totalmente infundada (p. 500): "A verdade é que não sabemos, e, com toda probabilidade, os discípulos também não sabiam, onde o corpo de Jesus fora jogado depois de ter sido tirado da cruz, o que provavelmente foi feito pelos executores. É mais provável que tenha sido jogado na cova dos executados do que colocado num túmulo novo". 60/372
1D. O professor Guignebert faz essas afirmações sem ter qualquer prova para sustentá-las.
2D. Ele desconsidera totalmente o testemunho acerca desses acontecimentos, relatado pela literatura secular e eclesiástica dos três primeiros séculos.
3D. Ele ignora completamente a descrição bastante objetiva apresentada pelos Evangelhos:
1E. Por que os evangelhos registram os detalhes seguintes se o corpo de Cristo na verdade não foi apanhado por José de Arimatéia?

"Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus. Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lho fosse entregue" (Mateus 27:57, 58).

"Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, à véspera do sábado, vindo José de Arimatéia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse morrido. E, tendo chamado o centurião, perguntou-lhe se havia muito que morrera. Após certificar-se, pela informação do comandante, cedeu o corpo a José"

(Marcos 15:42-45).



"E eis que certo homem, chamado José, membro do Sinédrio, homem bom e justo, (que não tinha concordado com o desígnio e ação dos outros), natural de Arimatéia, cidade dos judeus, e que esperava o reino de Deus, tendo procurado a Pilatos, pediu- lhe o corpo de Jesus" (Lucas 23:50-52).

"Depois disto, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, ainda que ocultamente pelo receio que tinha dos judeus, rogou a Pilatos lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. Pilatos lho permitiu. Então foi José de Arimatéia e retirou o corpo de Jesus" (João 19:38).



Os registros dos Evangelhos falam por si mesmos: qualquer coisa pode ter acontecido ao corpo de Jesus, menos ser jogado numa cova destinada aos executados!

2E. O que dizer sobre os relatos acerca dos preparativos para o sepultamento?

"E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho" (Mateus 27:59).

José, "baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara..." (Marcos 15:46).

"Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamá-lO" (Marcos 16:1).

"As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus ...se retiraram para preparar aromas e bálsamos" (Lucas 23:55, 56).

"Então foi José de Arimatéia... E também Nicodemos... foi, levando cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés. Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com os aromas, como é de uso entre os judeus na preparação para o sepulcro" (João 19:38b-40).

Por que esses detalhes estão registrados se não houve tais preparativos?

3E. O que dizer das mulheres que observaram enquanto José de Arimatéia e Nicodemos preparavam e sepultavam o corpo de Jesus?

"As mulheres... seguindo, viram o túmulo..." (Lucas 23:55), e "achavam-se ali, sentadas em frente da sepultura" (Mateus 27:61), e "observaram onde ele foi posto" (Marcos 15:47).

Certamente essas mulheres sabiam que existia um túmulo. O relato bíblico deixa bem claro esse ponto.

4E. Como é possível alguém ignorar os comentários registrados, feitos acerca do próprio túmulo?

"E José, tomando o corpo... o depositou no seu túmulo novo..." (Mateus 27:59, 60).

"... que tinha sido aberto numa rocha..." (Marcos 15:46).

"... onde ainda ninguém havia sido sepultado..." (Lucas 23:53).

O qual estava localizado "no lugar onde Jesus fora crucificado ... um jardim..." (João 19:41).

O professor Alford, grande estudioso do grego, relata o que pôde observar sobre as provas contidas nas narrativas dos Evangelhos: "Apenas Mateus menciona que esse era um túmulo particular de José. Apenas João menciona que foi num jardim e no lugar onde Jesus fora crucificado. Todos, à exceção de Marcos, assinalam que o túmulo era novo. João não menciona que o túmulo pertencia a José ..." 1/298, 299

Sobre José de Arimatéia, Alford diz: "A razão para ele sepultar o corpo ali é que ficava perto, e o fato do dia da preparação estar-se avizinhando, tornava a pressa necessária". 1/298, 299

Com base nos comentários de Alford, podemos concluir então que,"a partir dos dados aqui apresentados, pode-se estabelecer os seguintes fatos sobre o sepulcro: (1) não era uma caverna natural, mas uma escavação artificial na rocha; (2) não foi escavado para baixo, segundo o nosso costume, mas foi escavado horizontalmente ou quase horizontalmente, penetrando-se na parede da rocha". 1/298, 299

5E. Por que os judeus pediram a Pilatos para colocar guardas no túmulo de Cristo se esse túmulo não existiu?



"No dia seguinte, que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos, disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei. Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem, e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro. Disse- lhes Pilatos: Aí tendes uma escolta; ide e guardai sepulcro como bem vos parecer. Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta" (Mateus 27:62-66).

Aliás, conforme o professor Major expressa de modo tão claro, facilmente se vê a verdade sobre o assunto: "Caso o corpo de Cristo tivesse sido apenas jogado abandonado numa cova comum, não teria havido motivo possível para a ansiedade com que Seus inimigos espalharam a informação de que o corpo fora roubado". 60/578

6E. O que iremos pensar sobre a visita das mulheres ao túmulo depois do sábado?

"No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro" (Mateus 28:1).

"E muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo" (Marcos 16:2).

"... no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas (as mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus) ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado" (Lucas 24:1).

"No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida" (João 20:1).



Se Jesus não tivesse sido realmente sepultado no túmulo de José, relatos de uma visita dessas não estariam nas narrativas dos Evangelhos.

7E. O que iremos pensar sobre a visita de Pedro e João ao túmulo, depois de ouvirem a história contada pelas mulheres?

Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido" (Lucas 24:12).

"Saiu, pois Pedro e o outro discípulo, e foram ao sepulcro. Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro; e, abaixando-se, viu os lençóis de linho; todavia não entrou. Então Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis, e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu e creu" (João 20:3-8).



De modo semelhante Guignebert também ignora a prova representada por esta narrativa.

8E. Wilbur M. Smith diz o seguinte sobre a hipótese de Guignebert: "Ele nega o fato que os quatro Evangelhos declaram explicitamente, a saber, que o corpo de Jesus foi colocado no túmulo de José de Arimatéia. Ao negar esse acontecimento ele não apresenta qualquer prova que refute as narrativas dos Evangelhos, mas faz uma afirmação que é fruto de sua própria imaginação. Na verdade, pode-se dizer que sua afirmação acerca do corpo de Jesus não é fruto apenas de sua imaginação, mas também de sua conclusão preconcebida (um preconceito de natureza filosófica, e não histórica)..." 60/372



As provas falam claramente por si mesmas, mas o professor Guignebert recusa-se a admitir as provas pelo fato de que elas não se harmonizam com a sua cosmovisâo de que o miraculoso é impossível. O professor francês tira suas conclusões apesar das provas, e não devido a elas. De fato, citando as palavras de Smith sobre essa teoria, "nós a rejeitamos por não possuir qualquer base histórica e, por essa razão, não merece maior consideração ao estudarmos os quatro documentos históricos que temos diante de nós, que são conhecidos pelo nome de Evangelhos". 60/372
3C. O SEPULTAMENTO
Ao tratar das narrativas que descrevem o sepultamento de Jesus no sepulcro de José de Arimatéia, Wilbur Smith escreve: "Temos mais conhecimento sobre o sepultamento do Senhor Jesus do que temos sobre o sepultamento de qualquer outro indivíduo em toda a história antiga. Sabemos muitíssimo mais sobre Seu sepultamento do que sobre o sepultamento de qualquer outra personagem do Antigo Testamento, de qualquer rei da Babilônia, Faraó do Egito, de qualquer filósofo grego, ou de qualquer César vitorioso. Sabemos quem tirou Seu corpo da cruz; sabemos algumas coisas sobre o corpo ter sido envolvido em especiarias e em tecidos apropriados; temos informações sobre o próprio túmulo em que esse corpo foi colocado, o nome do homem que o possuía, José, oriundo de uma cidade conhecida como Arimatéia; sabemos até mesmo onde esse túmulo estava localizado, num jardim próximo ao lugar onde Ele foi crucificado, fora dos muros da cidade. Dispomos de quatro narrativas sobre o sepultamento de nosso Senhor, todas elas concordando entre si de modo surpreendente: a narrativa de Mateus, um discípulo de Cristo que esteve presente quando Jesus foi crucificado; a narrativa de Marcos, cujo Evangelho alguns afirmam que foi escrito até dez anos depois da ascensão do Senhor; a narrativa de Lucas, um companheiro do apóstolo Paulo e grande historiador; e a narrativa de João, que foi o último a se afastar da cruz e que, com Pedro, foi o primeiro dos doze a, na manhã do domingo de Páscoa, ver o túmulo vazio". 60/370, 371

O historiador Alfred Edersheim apresenta os seguintes detalhes sobre os costumes dos judeus quanto ao sepultamento: "Não apenas os ricos, mas até mesmo aquelas pessoas razoavelmente prósperas possuíam seus próprios túmulos, os quais eram provavelmente adquiridos e preparados bem antes de se tornarem necessários, sendo considerados e herdados como propriedade pessoal e particular. Nessas cavernas, ou túmulos escavados na rocha, eram colocados os corpos, após serem ungidos com muitas especiarias, com murta, aloés, e, numa época posterior, também com hissopo, essência de rosas e água de rosas. O corpo era vestido e, num período posterior, envolto, se possível, num tecido gasto em que, originalmente, um Rolo da Lei tivesse sido acondicionado. Os 'túmulos' ou eram 'escavados na rocha', ou eram 'cavernas' naturais, ou então câmaras mortuárias com grandes paredes, com nichos junto a essas paredes". 15/318, 319



Sobre o sepultamento de Cristo diz Edersheim: "É possível que a aproximação do santo sábado e a conseqüente necessidade de pressa tenham dado a José de Arimatéia, ou tenham-lhe imposto, a idéia de colocar o Corpo de Jesus em seu túmulo particular escavado na rocha, onde ninguém ainda havia sido sepultado..."

"A cruz foi descida e deitada no chão; os terríveis cravos foram arrancados e as cordas foram soltas. José, junto com aqueles que o ajudavam, 'envolveu' o Corpo Sagrado 'em lençóis de linho' e rapidamente O levou ao túmulo escavado na rocha, que ficava no jardim ali vizinho. Esse tipo de túmulo ou caverna escavada na rocha (meartha ) possuía nichos (kukkin ), onde os mortos eram colocados. Deve-se lembrar que na entrada do 'túmulo' — e já dentro da 'rocha' — havia 'um pátio' quadrado, com cerca de dois metros e setenta centímetros de cada lado, onde geralmente era colocado o estrado onde fora transportado o corpo e onde as pessoas que o haviam carregado se reuniam para os ofícios fúnebres finais." 15/617

Em seguida Edersheim menciona que "...aquele outro membro do Sinédrio, Nicodemos... veio então, trazendo 'um rolo' de mirra e aloés, naquela combinação de perfumes bem conhecida dos judeus, os quais a utilizavam com o propósito de ungir ou de preparar o corpo para sepultamento".



Foi no 'pátio' do túmulo que se deu o apressado embalsamamento — se é que se pode chamar aquilo de embalsamamento." 15/617

A época de Cristo era costume utilizar grandes quantidades de especiarias para embalsamar o morto, especialmente no caso em que a pessoa morta era muito estimada.

Michael Green dá alguns detalhes sobre a preparação que os restos mortais de Jesus receberam para o sepultamento: "O corpo foi posto numa saliência de pedra, envolvido e bem apertado em tiras de pano, e coberto com especiarias. O Evangelho de João nos diz que cerca de 32 quilos de especiarias foram utilizados, e essa quantidade foi provavelmente suficiente. José era um homem rico e, sem sombra de dúvida, queria compensar a covardia que tinha tido durante a vida de Jesus dando-lhe um esplêndido funeral. A quantidade, embora grande, tem inúmeros paralelos. O rabino Gamaliel, um contemporâneo de Jesus, ao morrer foi embalsamado com cerca de 36 quilos de especiarias". 19/33

Flávio Josefo, o historiador judeu do primeiro século, cita o funeral de Aristóbulo, que foi "assassinado com dezoito anos incompletos, e tendo ocupado o sumo sacerdócio por apenas um ano" (Antigüidades dos Judeus, 15.3.3).

Por ocasião do funeral de Aristóbulo, Herodes "providenciou para que a cerimônia fosse bem imponente, através de grandes preparativos para o sepulcro receber o seu corpo, e através de uma grande quantidade de especiarias, e mediante a colocação junto ao corpo de muitos objetos de adorno" (Antigüidades dos Judeus, 17.8.3).

O professor James Hastings diz o seguinte sobre os panos encontrados no túmulo vazio de Cristo: "Já à época de Crisóstomo (século quarto A.D.) chamava-se a atenção para o fato de que a mirra era uma substância que gruda tão fortemente no corpo que os panos que envolviam o corpo não se removiam com facilidade". 25/507

Merrill Tenney assim explica a questão dos panos: "Ao se preparar um corpo para o sepultamento, de acordo com o costume judaico, geralmente lavava-se e endireitava-se o corpo, e então enrolava-se apertadamente o corpo, desde as axilas até o tornozelo, com faixas de linho de aproximadamente trinta centímetros de largura. Especiarias aromáticas, freqüentemente de uma consistência pegajosa, eram postas entre uma camada e outra de pano. Em parte elas ajudavam a preservar o corpo e em parte serviam como um adesivo para colar as tiras de pano, formando um revestimento sólido... O termo empregado por João, literalmente 'atou' (no grego edesan ), está em perfeita harmonia com o que encontramos em Lucas 23:53, onde o escritor afirma que José de Arimatéia envolveu o corpo de Jesus num lençol de linho... Na manhã do primeiro dia da semana o corpo de Jesus desapareceu, mas os panos em que fora enrolado o corpo ainda estavam ali..." 66/117

Em The International Standard Bible Encyclopedia (Enciclopédia Bíblica Modelar Internacional), oprofesssor George B. Eager diz o seguinte do sepultamento de Cristo: "Foi em estrita obediência aos costumes e determinações da lei mosaica (Deuteronômio 21:23: 'O seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas certamente o enterrarás no mesmo dia: porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus: assim não contaminaras a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá como herança'; cf. Gálatas 3:13: 'Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro'), bem como de conformidade com os impulsos verdadeiramente humanos, que José de Arimatéia foi até Pilatos e lhe solicitou o corpo de Jesus, para sepultá-lo no próprio dia da crucificação (Mateus 27:58ss)". 48/529



O professor Eager ainda comenta o seguinte: "Os missionários da Síria e os naturais desse país nos relatam que lá ainda é costume lavar o corpo (cf. João 12:7; 19:40; Marcos 16:1; Lucas 24:1), atar mãos e pés com tiras de pano, geralmente de linho (João 19:40) e cobrir o rosto ou envolvê-lo com um lenço ou um pano um pouco maior (João 11:44b). Ainda é costume colocar nesses panos que envolvem o corpo especiarias aromáticas e outros preparados que retardem a decomposição... A Bíblia nos conta que, para o sepultamento de Jesus, Nicodemos levou 'cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés', e que Maria Madalena e duas outras mulheres compraram aromas com o mesmo propósito (Marcos 16:1; Lucas 23:56)". 48/529

Henry Latham apresenta estes detalhes a respeito do sepultamento de Cristo: "Com base em escritos bem antigos pode-se supor que o corpo era levado para o sepultamento sem um caixão ou sem qualquer outra espécie de invólucro. Era carregado num estrado sobre os ombros dos homens e, vestido de modo usual, enrolado com faixas de pano, a fim de, talvez, manter as especiarias junto ao corpo, ou então era atado com pano de linho. O dr. Edersheim (vol. 1, p. 556) diz que 'o rosto do corpo morto não era coberto. O corpo jazia com o rosto voltado para cima e as mãos cruzadas sobre o peito'. A julgar pelo costume existente... creio que o pescoço e a parte superior dos ombros geralmente não era envolta em panos, da mesma forma como acontecia com o rosto".

"Conforme lemos (João 19:38-41), foi com bastante pressa que Nicodemos e José de Arimatéia prepararam o corpo do Senhor para o sepultamento. Creio que o corpo foi envolvido com três ou quatro camadas de linho, com uma abundante quantidade de especiarias entre uma camada e outra, e que o lenço foi colocado em volta da cabeça, tendo-se dado um laço com as pontas do lenço. Quando o corpo foi posto no túmulo, a cabeça provavelmente descansou sobre a parte mais elevada do túmulo, a qual servia de travesseiro".



"Chegamos agora à questão das especiarias. Nem no Evangelho de São João, nem em qualquer dos outros se diz que foram vistas especiarias no túmulo. Isso assume um aspecto significativo em meu raciocínio. Em geral já se tem observado que a quantidade de especiarias que, segundo São João, Nicodemos levou para preparar o corpo para o túmulo, era extremamente grande. No entanto, para mim a quantidade não é tão importante quanto o fato, que parece ser confirmado pelos principais estudiosos do assunto, de que as especiarias eram secas e que, assim sendo cairiam pelo chão caso o corpo fosse colocado de pé ou caso os panos fossem removidos. Cem libras de especiarias faziam uma quantidade que seria facilmente vista devido ao grande volume que ocupava. O que é chamado de 'aloés' era um tipo aromático triturado ou reduzido a pó, enquanto a mirra era uma cola muito perfumada, que, em pequenas quantidades, era misturada a madeira em pó. Conforme ainda podemos descobrir, também era costume ungir o corpo com um ungüento semi-líquido, o nardo, por exemplo.

Um dos efeitos dessa unção era fazer com que o pó imediatamente grudasse no corpo, mas em sua maior parte o pó permanecia seco. Também ungiam a cabeça e o cabelo com esse ungüento. Não encontro informações de que a especiaria em pó fosse aplicada no rosto ou na cabeça. No entanto, quando o corpo de Nosso Senhor foi rapidamente preparado para o sepultamento, acredita-se que não houve tempo para ungir o corpo ou para qualquer processo mais elaborado, pois o pôr-do-sol rapidamente se aproximava e, junto com ele, chegaria o sábado. É possível que o corpo tenha sido apenas envolto com especiarias em pó. Pode ser que as mulheres, dentro do que estava ao seu alcance, tenham desejado reparar essa omissão e que aquilo que elas levaram na manhã de domingo tenha sido nardo, ou algum ungüento precioso, a fim de terminar a unção. João menciona apenas mirra e aloés, mas Lucas diz que as mulheres prepararam aromas e bálsamos, e em Marcos lemos que elas 'compraram aromas para irem embalsamá-lo' (16:1). Provavelmente elas não pretendiam remover os panos, mas apenas ungir a cabeça e o pescoço com os ungüentos". 33/35-37
4C. A PEDRA
Acerca daquilo que cobria a entrada do túmulo de Jesus, A. B. Bruce diz: "Os judeus chamavam a pedra de golel. " 6/334

H. W. Hollo wman, citando G. M. Mackie, diz: "A entrada para a câmara central era protegida por um grande e pesado disco de pedra, que podia ser rolado por uma fenda, ligeiramente abaulada no centro, em frente a entrada do túmulo". 28/38

O professor T. J. Thorburn menciona que a finalidade dessa pedra era servir de "proteção tanto contra homens como contra animais". E dá mais detalhes: "Essa pedra é freqüentemente mencionada pelos talmudistas. De acordo com Maimônides, também se utilizava uma estrutura ex lingo, alia Matéria". Sobre o tamanho enorme de uma pedra dessas, o dr. Thorburn comenta: "Geralmente eram necessários alguns homens para removê-la. Uma vez que a pedra que foi posta na entrada do túmulo de Jesus tinha o objetivo de evitar um roubo já previsto, provavelmente era uma pedra ainda maior do que o normal! " 68/97,98

Ainda, sobre o peso enorme da pedra, Thorburn comenta: "Uma glosa no Códice Bezae (isto é, uma frase escrita entre parêntesis dentro do texto de Marcos 16:4 e que se encontra nesse manuscrito do século quarto — Códice Bezae, atualmente na Biblioteca da Universidade de Cambridge) acrescenta: E quando ele foi sepultado ali, José colocou à entrada do túmulo uma pedra que nem vinte homens eram capazes de remover". Percebe-se o significado da observação feita pelo Dr. Thorburn quando se leva em conta as regras de transcrição de manuscritos. O costume era que, se um copista desejasse enfatizar sua própria interpretação, iria escrever seu pensamento na margem e não dentro do próprio texto. Pode-se concluir, então, que aquela interpolação no texto foi copiada de um texto ainda mais próximo da época de Cristo, talvez de um manuscrito do primeiro século. É possível, então, que a frase tenha sido registrada por uma testemunha ocular que ficou impressionada com a enormidade da pedra que foi posta à entrada do túmulo de Jesus. Gilbert West, da Universidade de Oxford, também assinala a importância desse trecho do Códice Bezae na sua obra Observations on the History and Evidences ofthe Resurrection of Jesus Christ (Comentários sobre a História e as Provas da Ressurreição de Jesus Cristo; pp. 37, 38). 68/1, 2

O professor Samuel Chandler diz: "Neste detalhe todas as Testemunhas concordam que, quando as mulheres vieram, encontraram a pedra rolada ou removida. As mulheres não tinham condições de fazê-lo, pois a pedra era grande demais para que a movessem". 8/33

O professor Edersheim, o judeu-cristão que é uma fonte de informações excepcionalmente boa no que diz respeito ao fundo histórico da época do Novo Testamento, faz o seguinte relato sobre o sepultamento de Jesus: "E assim eles o colocaram no nicho do túmulo novo escavado na rocha. E, ao irem embora, conforme o costume, rolaram uma 'grande pedra' — chamada golel — fechando a entrada do túmulo, e, provavelmente, servindo de apoio a essa pedra maior, colocaram uma de menor tamanho, que era chamada dopheg. É possível que tenha sido onde uma pedra se encostava na outra que, no dia seguinte, embora fosse sábado, as autoridades judaicas tenham colocado o selo, de modo que o menor movimento de uma das duas pedras se tornasse visível". 15/618

Diz o professor Frank Morison, ao comentar sobre a visita de Maria e suas amigas ao túmulo de Jesus, naquela manhãzinha de domingo: "A questão de como elas iriam remover essa pedra logicamente deve ter sido uma fonte de considerável preocupação para as mulheres. Pelo menos duas delas haviam assistido ao enterro e tinham uma idéia aproximada de como as coisas estavam. A pedra, da qual se sabe que era grande e bastante pesada, era a maior dificuldade para elas. Portanto, quando lemos na narrativa mais antiga, a do Evangelho de Marcos, a pergunta que fizeram, — 'Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?' — dificilmente conseguimos deixar de sentir que essa preocupação das mulheres com a questão da pedra não é apenas o reflexo de um estado psicológico, mas um aspecto bem real em que tiveram de pensar até que chegaram ao túmulo". 46/76

Morison chama a pedra no túmulo de Jesus de "aquela testemunha silenciosa e infalível em todo o acontecimento — e existem determinados fatos sobre essa pedra que requerem uma análise e investigação bem cuidadosas". 46/147

"Comecemos analisando o seu tamanho e sua forma provável... Sem dúvida... a pedra era grande e, conseqüentemente, bastante pesada. Esse fato é dito de modo explícito ou implícito por todos os escritores que mencionam a pedra. Marcos fala que ela era 'muito grande'. Mateus se refere a ela como sendo 'uma grande pedra'. Uma confirmação adicional desse detalhe é o relato da ansiedade experimentada pelas mulheres quanto à maneira como iriam remover a pedra. Se a pedra não fosse muito pesada, juntas as três mulheres teriam tido força suficiente para movê-la. Fica, portanto, bem claro para nós que aquela pedra era, no mínimo, pesada demais para as mulheres a removerem sem qualquer outra ajuda. Tudo isso tem claras implicações em toda essa questão..." 46/147
5C. O SELO
Mateus 27:66 afirma: "Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta".

A. T. Robertson diz que o método utilizado para selar o túmulo de Jesus foi "...provavelmente uma corda esticada ao longo da pedra e selada em cada uma das pontas, como em Daniel 6:17 ('Foi trazida uma pedra que foi colocada sobre a boca da cova; selou-a o rei com o seu próprio anel, e com o dos seus grandes, para que nada se mudasse a respeito de Daniel.'). O selo foi colocado na presença dos guardas romanos, que ali foram deixados com a responsabilidade de proteger esse selo, símbolo da autoridade e do poder de Roma. Fizeram o melhor possível para evitar o roubo do corpo e a ressurreição (Bruce), mas foram incapazes de fazê-lo, pois estava fora do seu alcance, e forneceram testemunho adicional sobre o túmulo vazio e a ressurreição de Jesus (Plummer)". 53/239

A. B. Bruce notou que "a cláusula participial (selando a pedra) é um parêntesis que indica uma precaução adicional, a de selar a pedra, com uma linha ao redor da pedra, selada no túmulo em ambas as pontas. Aqueles homens valorosos fizeram o melhor para evitar o roubo — e a ressurreição!" 6/335

Henry Summer Maine, "...membro do Conselho Supremo da índia, ex-consultor de Jurisprudência e Direito Civil doMiddle Temple, uma das ordens de advogados da Grã-Bretanha, e ex-professor de Direito Civil na Universidade de Cambridge" se manifesta sobre a autoridade legal que estava relacionada com o selo romano. Ele assinala que o selo era realmente "um meio de confirmar a autoridade romana". 37/203

Na área do Direito, Maine prossegue: "É possível observar que os selos dos Testamentos Romanos e de outros documentos importantes não apenas serviam como sinal da presença invisível ou da aquiescência do signatário, mas também eram literalmente fechos que tinham de ser quebrados antes que se pudesse proceder à leitura". 39/203, 204

De modo análogo, analisando a proteção dada ao túmulo de Jesus, o selo romano ali aposto tinha o propósito de evitar qualquer ato de vandalismo contra o sepulcro. Quem quer que tentasse mover a pedra da entrada do túmulo iria quebrar o selo e, assim, incorreria na ira da lei romana.



O professor Henry Alford diz: "A selagem se fazia através de uma corda ou cordel posto ao redor da pedra que ficava à entrada do sepulcro, e preso à rocha em ambas as pontas pela argila de selagem". 1/301

Marvin Vincent comenta: "A idéia geral é que eles selaram a pedra na presença dos guardas e, então, deixaram-nos vigiando. Era importante que os guardas testemunhassem o instante da selagem. Esta se fazia esticando--se uma corda junto à pedra e prendendo-a na rocha, nas duas pontas, com a ajuda de argila de selagem. Ou, caso a pedra à entrada do túmulo estivesse apoiada por uma viga, esta última era selada à rocha". 70/147

O professor D. D. Shedon diz: "Dessa forma, era impossível abrir a porta sem quebrar o selo; o que constituía um crime contra a autoridade do proprietário do selo. A guarda foi ali colocada para evitar um golpe por parte dos discípulos, e o selo, para evitar que a guarda cooperasse secretamente com os discípulos. Semelhantemente isto ocorre em Daniel 6:17: 'Foi trazida uma pedra e posta sobre a boca da cova; selou-a o rei com o seu próprio anel, e com o dos seus grandes'. "72/343

João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla no século quarto, registra os seguintes comentários sobre as medidas de segurança tomadas junto ao túmulo de Jesus: "De qualquer modo, repare como estas palavras dão testemunho de cada um desses fatos. Eles mesmos disseram: 'Lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse (portanto, Ele já estava morto): Depois de três dias ressuscitarei. Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança' (portanto, Ele já estava sepultado) 'para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem'. O raciocínio era: se o sepulcro estiver selado, não ocorrerá qualquer negócio excuso. Pois logicamente não deveria ocorrer. De modo, então, que a prova da Sua ressurreição tornou-se indiscutível devido ao que vocês mesmos sugeriram. Pois, estando o sepulcro selado, não houve qualquer negócio excuso. Mas se não ocorreu qualquer negócio excuso e o sepulcro foi encontrado vazio, então fica patente, sendo algo indiscutível, que ele ressuscitou. Percebe você como até contra a própria vontade eles ajudam a demonstrar a verdade?" 9/525
6C. A GUARDA JUNTO AO TÚMULO
1D. Mateus 27:62-66 diz: "No dia seguinte, que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos, disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos do que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei. Ordena, pois, que o sepulcroseja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem, e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro. Disse-lhes Pilatos: Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parecer. Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta".

Ao comentar sobre essa passagem, Albert Roper, em Did Jesus Rise from the Dead? (Jesus Ressuscitou dos Mortos?), faz as seguintes observações: "Tendo à frente Anás e Caifás, sumos sacerdotes, uma comissão de líderes judeus procurou Pilatos para solicitar que o túmulo onde Jesus estava sepultado fosse selado e para que uma guarda romana fosse posta ali ao lado. Justificaram o pedido falando do receio de que os amigos de Jesus viessem sorrateiramente à noite e roubassem Seu corpo a fim de fazer parecer que tinha havido uma ressurreição".

"A esse pedido o complacente Pilatos respondeu: Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parece. E eles foram, seguidos por uma guarda de soldados romanos, composta de dez a trinta soldados, os quais, sob a orientação dos judeus, selaram o túmulo de José de Arimatéia com os Selos Imperiais de Roma, também imprimindo em cera o sinete oficial do próprio procurador romano, sendo que constituía um crime muito sério o simples ato de obliterar ou destruir esse selo. Assim, sem o saber, esses zelosos inimigos de Jesus com antecedência lançaram um desafio irrespondível à explicação que posteriormente dariam sobre a ressurreição — uma explicação que, pela própria natureza das coisas, não explicou e, logicamente, não poderia explicar" a ressurreição. 54/23, 24

O professor Albert Roper prossegue: "No comando da guarda estava um centurião designado por Pilatos, presumivelmente alguém em quem ele depositava toda confiança, centurião cujo nome, de acordo com a tradição, era Petrônio".

"Portanto, é razoável presumir que havia motivos para confiar que esses representantes do Imperador cumpririam o dever de guardar o túmulo de modo tão rigoroso e fiel como haviam executado a crucificação. Não possuíam o menor interesse na tarefa a que foram designados. Seu único propósito e obrigação era cumprir estritamente o seu dever de soldados do império romano, ao qual haviam dedicado sua lealdade. O selo romano aposto na pedra, ali no túmulo de José, era para eles bem mais sagrado do que toda a filosofia de Israel ou a santidade das antigas crenças do povo de Deus. Soldados com suficiente sangue frio para sortear a capa de uma vítima agonizante não são o tipo de gente que seria enganada por tímidos galileus ou que arriscaria o pescoço por dormir no posto". 54/33


2D. Tem havido bastante debate sobre a expressão encontrada em Mateus 27:65: "Aí tendes uma escolta." A questão é se essa expressão se refere à "polícia do templo" ou a uma "escolta romana".

O professor Alford diz que se pode traduzir a frase de duas maneiras: "(1), com o verbo no modo indicativo, tendes, mas aí surge a questão: que escolta eles tiveram? e se já tinham uma, por que ir até Pilatos? Talvez devamos interpretar como sendo algum destacamento posto à disposição deles durante a festa — mas parece que não existe qualquer registro de tal prática... (2)... com o verbo no imperativo... com o que o sentido... seria: tomai um grupo de homens para servir de guarda ". 1 /301

E. Le Camus diz: "Alguns acreditam que Pilatos aqui se refere aos servidores do templo, os quais os sumos sacerdotes tinham a seu serviço e que eles podiam, com vantagem, empregar na guarda de um túmulo. Seria mais fácil explicar o suborno destes últimos do que o suborno de soldados romanos, induzindo-os a dizer que haviam dormido enquanto deveriam estar vigiando. No entanto, a palavra... (koustodiaj, de origem latina, parece indicar uma escolta romana, e a menção do governador... (São Mateus 28:14) deve fazer com que esta interpretação prevaleça". 34/392

A. T. Robertson, o renomado erudito da língua grega, diz que na expressão "echete koustodian o verbo está no presente do imperativo ('tomai uma escolta') e se refere a uma escolta de soldados romanos, e não a simples guardas do templo". 53/239

Além disso, Robertson observa que "a palavra latina koustodia aparece num papiro de 22 A.D." 53/239

O professor T. J. Thorbum comenta: "Geralmente se crê que Mateus, ao mencionar a escolta, quis se referir a uma escolta de soldados romanos... No entanto, os sacerdotes dispunham de uma guarda judaica para o templo, que provavelmente não teria permissão dos romanos para desempenhar quaisquer tarefas fora da área do templo. Pode-se entender, portanto, a resposta de Pilatos em qualquer um dos dois sentidos: ou 'tomai uma escolta' ou 'vós tendes uma escolta' (uma forma polida de rejeitar o pedido, caso este fosse um pedido de soldados romanos). Caso a escolta tenha sido judaica, isso explicaria o fato de que Pilatos não fez caso da negligência. O versículo 14 ('Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.'), contudo, parece ir contra essa idéia..." 68/179-182

A. B. Bruce diz o seguinte sobre a expressão "vós tendes": "... provavelmente é o modo imperativo, não o indicativo — apanhai as vossas sentinelas, a aquiescência imediata de alguém que acredita que provavelmente não haverá necessidade da escolta, mas que não faz objeções para poder satisfazer o desejo deles numa questão sem importância". 6/335

Arndt e Gingrich (A Greek-English Lexicon oftheNew Testament - xico Grego-Inglês do Novo Testamento. Universityof Chicago Press, 1952) a definem {koustodia) como sendo "uma escolta composta de soldados" (Mateus 27:66; 28:11)... '■'tornai uma escolta" 27:65. 5/448

O professor Harold Smith, no livro A Dictionary of Christ and the Gospels (Dicionário de Cristo e dos Evangelhos) fornece as seguintes informações sobre a escolta romana: "ESCOLTA ou GUARDA - Tradução da palavra grega koustodia, proveniente do latim custodia, Mateus 27:65, 66; 28:11. Os principais sacerdotes e fariseus obtiveram de Pilatos uma escolta para guardar o sepulcro. A necessidade da autorização de Pilatos e o risco de punição aplicada por ele (Mateus 28:14) mostra que essa escolta deve ter se consistido não de guardas judeus do templo, mas de soldados da corte romana em Jerusalém; é possível, embora improvável, que tenham sido os mesmos soldados que haviam guardado a cruz... (Em Mateus 27:65 o verbo) está provavelmente no imperativo: 'tomai uma escolta'". 25/694



O dicionário de Latim de Lewis e Short registra o seguinte verbete: "Custodia, ae. substantivo feminino — vigilância, vigília, guarda, cuidado, proteção. 1. Geralmente no plural e em linguagem militar: pessoas que servem de guardas, escolta, vigia, sentinela". 36/504, 505

O contexto parece confirmar a idéia de que foi uma "escolta romana" a que foi empregada para proteger o túmulo de Jesus. Se Pilatos, para se ver livre deles, lhes tivesse dito que usassem os "guardas do templo", então estes seriam responsáveis perante os principais sacerdotes e não perante Pilatos. Todavia, caso Pilatos lhes tenha entregado uma "escolta romana" para guardar o túmulo, então essa escolta seria responsável perante Pilatos e não perante os principais sacerdotes. A chave para elucidar a questão encontra-se nos versículos 11 e 14 do capítulo 28.



O versículo 11 diz que os guardas vieram e relataram o ocorrido aos principais sacerdotes. À primeira vista parece que eles eram responsáveis perante os principais sacerdotes. Mas, se alguns dos guardas tivessem contado o caso a Pilatos, seriam mortos imediatamente, conforme será explicado logo abaixo. O versículo 14 confirma que era uma escolta romana, diretamente subordinada a Pilatos.

"Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança." Se eles eram guardas do templo, por que se preocupar com a possibilidade de Pilatos ouvir a respeito? Não há qualquer indício de que Pilatos tivesse jurisdição sobre os guardas do templo. Creio que o que ocorreu foi o seguinte: Eles formavam uma "escolta romana" a quem Pilatos dera instruções para guardar o túmulo, a fim de agradar toda a hierarquia religiosa judaica e de manter bom relacionamento com ela. Com bastante tato os principais sacerdotes solicitaram uma "escolta romana" (Mateus 27:64): "Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança..."

Se os sacerdotes tivessem desejado colocar guardas do templo junto ao túmulo, não teria havido necessidade de que o governador tratasse disso. E tendo acontecido a ressurreição, os soldados romanos vieram até aos principais sacerdotes em busca de proteção, pois sabiam que os sacerdotes poderiam influenciar Pilatos e evitar que fossem executados: "... nós o persuadiremos (isto é, ao governador Pilatos), e vos poremos em segurança" (Mateus 28:14b).
3D. A disciplina militar dos romanos
George Currie, falando acerca da disciplina dos soldados romanos, diz: "O castigo para quem abandonasse o posto era a morte, conforme determinavam as leis (Dion. Hal., Antiq. Rom., 8.79). O mais famoso discurso sobre a rigidez da disciplina militar é aquele de Políbio (6.37-38), que menciona que o medo de punições fazia com que os soldados dedicassem total atenção ao dever, especialmente nas vigílias da noite. Esse texto carregava consigo a autoridade de alguém que estava descrevendo o que tivera oportunidade de ver com os próprios olhos. Em geral suas afirmações são citadas por outros autores". 12/41-43

Citando Políbio, o professor Currie diz: "Passar por um corredor de soldados munidos de porretes... é citado como um castigo para faltas cometidas durante as vigílias noturnas, roubo, falso testemunho e ferimentos infligidos no próprio corpo; também se menciona a dizimação como castigo para a deserção motivada por covardia". 12/43,44

Currie prossegue: "Vegécio fala da atenção que o comandante da legião dedicava diariamente à rígida disciplina (Instituições Militares, 11.9). E Vegécio deixa bem claro (Instituições Militares, 1.21) que os romanos de períodos anteriores (da época de Cristo) exerciam uma disciplina mais rígida do que em sua própria época". 12/43,44

Ao falar acerca dos comentários de Vegécio sobre o exército romano, Currie diz: "O sistema que ele descreveu prescrevia as mais severas punições. O toque de atacar era o toque que a trombeta soava para anunciar uma execução (11.22). O comandante da legião tinha o dever de, diariamente, manter a mais estrita disciplina das tropas (11.9)". 12/49, 50

Currie destaca: "Dentre os vários castigos previstos na Consolidação (de Justiniano) (49.16), dezoito faltas cometidas por soldados são passíveis de morte. A saber: o espião que ficar com o inimigo (-3.4), desertar (-3.11; -5.1-3), perder ou abandonar a sua própria arma (-3.13), desobedecer em tempo de guerra (-3.15), fugir do acampamento (-3.17), principiar uma insurreição (-3.19), recusar proteger um oficial ou abandonar o seu próprio posto (-3.22), sendo convocado, se esconder do serviço militar (-4.2), assassinar (-4.5), atacar um superior ou insultar um general (-6.1), empreender uma retirada quando o exemplo influenciaria os outros (-6.3), revelar os planos ao inimigo (-6.4; -7), ferir um camarada de armas com uma espada (- 6.6), incapacitar-se a si mesmo ou tentar suicídio sem motivo razoável (-6.7), abandonar a vigília noturna (-10.1), quebrar o barrete do centurião ou beber nele enquanto é punido (13.4), fugir da casa da guarda (-13.5) e perturbar a paz (-16.1)". 12/49, 50

O professor Currie documenta os seguintes exemplos, extraídos dos anais da história militar romana, que refletem o tipo de medidas disciplinares empregadas no exército romano: "Em 418 um soldado que carregava o estandarte não conseguia manter o passo, pelo que o general o matou com as próprias mãos; em 390 um soldado que dormiu em serviço foi atirado do cume do Capitólio (Consolidação, 49.16.3.6; 110.1);em 252 um soldado foi espancado e rebaixado de posto por negligência; em 218 há um caso de punição por negligência; em 195 um soldado que não conseguia manter o passo foi golpeado com uma arma... Os tipos de punição acima mencionados certamente justificam o uso do adjetivo 'severo' em relação a eles". 12/33



Currie comenta ainda mais: "Uma vez que, dentre 102 casos em que se menciona a punição, a pena de morte foi aplicada em 40, fica claro que as punições no exército romano eram mais severas em relação às dos exércitos modernos". Currie se refere ao exército romano como "um instrumento de conquista e dominação" e, concernente à rígida disciplina, ele escreve: "Valério Máximo... cita a fiel observância da disciplina e doutrina militares (11.8 introdução; 11.9 introdução) (como sendo a razão básica para) as amplas conquistas e o vasto poder de Roma". 12/33, 38, 43,44

T. G. Tucker apresenta uma marcante descrição do armamento que um soldado romano costumava carregar: "Na mão direita ele costuma carregar a famosa lança romana. É uma arma resistente, com mais de um metro e oitenta centímetros de comprimento, feita com uma afiada cabeça de ferro afixada numa vara de madeira, a qual o soldado pode usar como uma baioneta ou atirar como um dardo e, então, lutar frente a frente com a espada. No braço esquerdo está um largo escudo, que pode ter vários formatos diferentes. Um formato comum é o escudo curvado nas extremidades para o lado de dentro, tal como a seção de um cilindro de cerca de um metro e vinte centímetros de altura por uns setenta e cinco centímetros de largura. Outro formato é o hexagonal — com um desenho em forma de diamante, mas com as pontas do diamante em ângulos retos. Às vezes é oval. É feito de vime ou de madeira, e coberto de couro e adornado com um brasão metálico, sendo que um brasão bastante conhecido é o de um raio. O escudo é carregado não apenas com a ajuda de uma alça, mas pode ser sustentado por um cinto que passa por cima do ombro direito. A fim de não atrapalhar o movimento do escudo, a espada — uma arma mais para furar do que para cortar, com quase noventa centímetros de comprimento - fica pendurada do lado direito num cinto que passa por sobre o ombro esquerdo. Embora essa colocação da espada possa parecer desajeitada, é preciso lembrar que a espada não é necessária até que a mão direita se veja livre da lança e que, então, antes de puxá-la, a arma possa facilmente passar para o lado esquerdo por meio do cinto que a segura. No lado esquerdo o soldado carrega um punhal preso ao cinto". 69/342-344
4D. O que era uma escolta romana?
Na obra Dictionary of Greek and Roman Antiquitíes (Dicionário sobre a Grécia e a Roma Antiga), o professor William Smith nos oferece alguma informação sobre o número de homens que compunha uma "escolta" romana. Segundo o dr. Smith, a manipula (uma subdivisão da legião romana), que tinha 120 ou 60 homens, "fornecia... para o tribuno a que fosse especialmente designada... duas escoltas... de quatro homens cada, que mantinham guarda, alguns defronte e outros detrás da tenda, entre os cavalos. Podemos assinalar, de passagem, que o número normal de soldados numa escolta romana era quatro... sendo que destes um sempre estava de sentinela, enquanto que os outros desfrutavam um certo descanso, prontos, no entanto, a se pôr em ação ao primeiro sinal de alerta". 61/250, 251

O professor Harold Smith relata: "Uma escolta era geralmente composta de quatro homens (Políbio, 6.33), cada um dos quais vigiava no seu turno enquanto os demais descansavam ao lado de modo a se porem em ação ao menor sinal; mas neste caso é possível que o número de guardas tenha sido maior". 25/694

Sobre uma escolta o professor Whedon diz: "Provavelmente era uma guarda composta de quatro soldados. Certamente esse era o número dos que vigiaram a crucificação. João 19:23..." 72/343
5D. O que era a guarda do templo?
O historiador judeu Alfred Edersheim nos fornece as seguintes informações sobre a "guarda do templo": "A noite, guardas eram colocados em vinte e quatro postos junto às portas e aos pátios. Desses postos, vinte e um eram ocupados apenas por levitas; os outros três postos, mais no interior do conjunto de edifícios, eram ocupados igualmente por sacerdotes e levitas. Cada guarda era constituída por dez homens, de modo que, ao todo, duzentos e quarenta levitas e trinta sacerdotes estavam de serviço todas as noites. Os guardas do templo eram substituídos durante o dia, mas não durante a noite. Esta os romanos dividiam em quatro vigílias, mas os judeus corretamente dividiam em três, sendo que a quarta vigília era, na verdade, a vigília da manhã". 16/147-149

The Mishnah (A Mishnah; traduzida para o inglês por Herbert Danby, Oxford University Press, 1933) diz o seguinte acerca da guarda do templo: "Os sacerdotes montavam guarda em três lugares do templo: na Câmara de Abtinas, na Câmara da Chama e na Câmara do Coração; e os levitas em vinte e um lugares: nas cinco portas que ficaram no muro externo do templo, nos quatro cantos internos desse, muro, nas cinco portas do Pátio do Templo, nas quatro esquinas do lado de fora do pátio, na Câmara das Oferendas, na Câmara da Cortina e atrás do lugar onde ficava o propiciatório". 44/Middoth

O professor P. Henderson Aitken registra o seguinte: "A responsabilidade desse 'comandante da guarda do templo' era manter a ordem no templo, fazer a ronda nos postos de guarda durante a noite, e verificar que as sentinelas estivessem no seu devido lugar e alerta. Supõe-se que seja a ele e a seus subordinados imediatos que se refira a palavra 'magistrados'... mencionada em Esdras 9:2 e Neemias..." 25/271
6D. A disciplina militar da guarda do templo
Alfred Edersheim apresenta a seguinte descrição acerca da rígida disciplina em que trabalhava a guarda do templo: "Durante a noite 'o comandante do templo' fazia suas rondas. Ao aproximar-se, os guardas deviam ficar em posição de sentido e saudá-lo de uma determinada maneira. Qualquer guarda que fosse encontrado dormindo enquanto estava de serviço era espancado ou então tinha suas roupas incendiadas como punição algo que, como sabemos, de fato era aplicado. Daí a advertência a nós que, por assim dizer, estamos aqui como guardas do templo: 'Bem- aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes' (Apocalipse 16:15)". 16/147-149

A Mishnah mostra o tratamento dado a quem quer que fosse encontrado dormindo durante a vigília:

"O oficial da guarda do templo costumava fazer a ronda em cada vigília, tendo atrás de si tochas acesas, e, caso qualquer sentinela não se pusesse em posição de sentido e lhe dissesse: 'Ó oficial da guarda do templo, paz seja contigo!', e ficasse claro que ele estava dormindo, o oficial nele bateria com seu barrete e também tinha o direito de queimar as vestes da sentinela. E alguém perguntaria: 'Que barulho é esse no pátio do templo?' 'É o barulho de algum levita que está apanhando e de suas vestes queimadas porque dormiu durante a hora da sua vigília.' O rabino Eliezer ben Jacob contou: 'Certa vez encontraram o irmão de minha mãe dormindo e puseram fogo em suas vestes"'. 44/Middoth

TheJewish Encyclopedia (A Enciclopédia Judaica) comenta a respeito das "instalações dentro (do templo)", que aqueles que ali estavam de guarda "não tinham permissão para sentar e muito menos para dormir. O comandante da guarda verificava se todos estavam alerta, castigando o sacerdote que encontrasse dormindo no seu posto e, às vezes, até queimando a blusa que a sentinela vestia, para servir de advertência aos outros (Mid. K. 1)". 31/81
7D. Conclusão
Com referência às rígidas medidas de segurança tomadas junto ao túmulo de Jesus, E. Le Camus diz: "Jamais se teve tanta preocupação com um criminoso após sua execução. Acima de tudo, jamais um homem crucificado teve a honra de ser guardado por um pelotão de soldados". 34/396, 397

O professor G. W. Clark conclui: "De modo que tudo aquilo que estava ao alcance da habilidade e do cuidado humanos foi feito para evitar uma Ressurreição, a qual estas mesmas precauções diretamente tenderam a apontar e confirmar". 10/Mateus 27:35


7C. OS DISCÍPULOS SEGUIRAM SEU PRÓPRIO CAMINHO
No seu Evangelho, Mateus nos mostra a covardia dos discípulos (26: 56). Jesus havia sido preso no jardim do Getsêmani e "então os discípulos todos, deixando-o, fugiram".

Marcos, por sua vez, diz (14:50): "Então, deixando-o todos fugiram".



O professor George Hanson comenta: "É natural que eles não estivessem muito corajosos nem com a mente muito aberta. Da maneira mais covarde possível, quando seu Mestre foi preso, eles O abandonaram e fugiram, deixando-0 a enfrentar sozinho o Seu destino". 22/24-26

O professor Albert Roper menciona o fato de Simão Pedro "se encolher de medo diante da provocação de uma criada no pátio dos sumos sacerdotes e negar, com impropérios, que ele conhecesse 'esse homem de quem falais'". 54/50

Ele afirma que "o medo, o desprezível medo por sua própria segurança pessoal, levou Pedro a rejeitar o Homem que ele verdadeiramente amava. O medo e a covardia, fez com que Pedro não fosse fiel Aquele que o chamara de suas redes para se tornar um pescador de homens". 54/52

Acerca do caráter dos discípulos, Roper comenta: "Eram galileus, em sua maior parte oriundos do meio dos pescadores, todos eles mais ou menos desacostumados com as cidades grandes e com o estilo de vida urbana. Um após outro, eles haviam se tornado seguidores do jovem Mestre de Nazaré e se consagrado ao Seu estilo de vida. Haviam-nO seguido com alegria e respeito até que chegou a hora da crise. Quando Ele foi preso nas cercanias do Jardim do Getsêmani, todos fugiram, assustados com o clarão das tochas, o vozerio e o barulho das espadas".

"Esconderam-se no local onde estavam hospedados, e nada se ouviu deles até que, na manhã do terceiro dia, a surpreendente notícia chega até eles por boca de Maria Madalena. Diante disso, dois — apenas dois — têm a coragem de se arriscar a sair para verificar por si mesmos se a notícia que Maria lhes contara era exatamente como ela dissera ou se era, conforme eles mesmos acreditavam, um 'delírio'. A conduta toda dos discípulos revela um medo enorme e miserável, e uma preocupação com a preservação da própria vida". 54/34, 35

Alfred Edersheim indaga: "O que será que José de Arimatéia, Nicodemos e os outros discípulos de Jesus, bem como os apóstolos e as mulheres piedosas estavam pensando acerca do Cristo morto?" 15/623

A essa pergunta ele responde: "Criam que Ele estava morto e não esperavam que Ele ressurgisse dentre os mortos — pelo menos não no sentido que atribuímos à palavra. Quanto a isso existe uma abundância de provas, desde o momento da Sua morte, a saber: as especiarias fúnebres trazidas por Nicodemos, aquelas preparadas pelas mulheres (sendo que nos dois casos o objetivo das especiarias era retardar a decomposição), a tristeza das mulheres junto ao túmulo vazio, a suposição delas de que o Corpo fora removido, a perplexidade e o comportamento dos apóstolos, as dúvidas de tantos, e até mesmo na declaração explícita: 'Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos' (João 20.9)." 15/623

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