Evaristo de Moraes Filho Revista a época. Rio de Janeiro, setembro de 1935



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PHILOSÒPHIA
Evaristo de Moraes Filho

Revista A Época. Rio de Janeiro, setembro de 1935.


A philosophia, feita possível e necessária pelas condições materiaes, re-cebe "o fundo de idéas existentes", aperfeiçoando~o\, em completa independem cia- daquellas condições, autoregendo-se, para reagir sobre as mesmas condi­ções : tornasse circular o processo material-ideativo.

E? com auto-regencia que vamos tratar da philosophia, procurando tocar o mínimo possível em outros estudos não-philosophicos propriamente ditos.

1. O HOMEM E O MUNDO ahi estão os dois elementos de toda
philosophia, e a attitude do homem em frente do mundo é uma attitude de
saber, visto como só age consciência) quem sabe, donde conter a philosophia
uma
concepção do eu e uma concepção do universo : este fazendo-se imagem
naquelle, permittc ao homem, auto-reflectindo-se, uma concepção do universo*
donde serem estas duas concepções unidas como conhecimento, chegando~se
mesmo a uma eliminação do eu, pela fusão do sujeito com o objecto.

Qualquer systema philosophíco que procuremos estudar (seja de Aristo~ teles, de Kant, de Hegel, ou de qualquer outro), como já mostrou Dilthey, lá encontraremos dois caracteres para a philosophia: totalização dos objectos e caracter cognoscitivo desta totalização.

O especialista, o scientista isolado, procura estudar sempre um sector na totalidade dos conhecimentos do homem, sem philosophia; ao passo que o phi~ íosopho totaliza os objectos destes mesmos conhecimentos; porém — é preciso frisar a philosophin não totaliza os objectos sommand-o, senão relacionando e creando, tendo por objecto mais do que as sciencias em espécie, e, embora seu objecto seia novo e homogéneo com o da sciencia : não pód& existir philoso~ phia contrária á sciencia. Explicando: se a philosophia fosse simples somma das sciencias, seria urna sciencia universal; o que não é.

O philosopho, quando totaliza, o faz procurando conhecer, é o homem que quer saber. Sua attitudr é intellcctual, cognoscitiva, é uma attitude de pen­samento; tirou dahi não ha philosophia, e sim outros ramos de cultura. Entre estes ramos novos de 'jultura, apparecem a religião e arte.

2. A religião se diferencia tanto da phisolophia que, como dois pratos
de uma mesma balança, subindo uma, desce a outra, e isto mesmo acontece
porque seus objectos são communs, embora suas orig-ens se differenciem. A
philosophia surge do conhecimento racional, ao passo que a religião surge da
fé. A philosophia^ como conhecimento racional, é válida universalmente, o que
não acontece com a religião que só é valida nas vivências individuaes: na ex~
periencia de Deus.

Mas nem por isso fica a religião obrigada a renunciar á objectividade, a não se transpersonalizar, a não ter uma theoria do conhecimento religioso; porém convém distinguir objectividade de validade universal. A religião, e todo o intutcionismo irracionalista, têm. objectividade, mas não validade uni­versal, que só é dada pelo conhecimento logico^racional. Só o conhecimento scientifico-philosophico é valido universalmente.

3. Pódç-se dizer, também, que a philosophia se afasta da arte, visto como
esta surge de tcda a espiritualidade, da vivência e da intuição, embora se
vislumbre, por vezes, em sua creação uma concepção do mundo e da vida. Mas
esta concepção é sempre subjectiva: não precisa dizer porque é.

Os valores artísticos são percebidos intuitiva e emocionalmente, como diz o poeta : "Se não o sentis, é inútil que o queiraes alcançar".

4. Grande parte da philosophia actual que parece contemporânea nossa
por acaso
adopta em frente destes problemas uma attitude com sacrifício
dell'inteletto: são os "crentes", quei apprehendem na historia da philosophia
elementos impossíveis de serem comprehendidos actualmente, pois já desappa"
receram suas condições materiaes de solução. Nada exige que suas conce­
pções sejam naturalistas, porém tudo exige que estas mesmas concepções sejam " scicntificas". Isto significa que são "lógicas" e "racionaes", que dão conta de suas afirmações e que não affirmam mais do que podem fundamen* t ar (Messer).

5. Para enfeixarmos nossa concepção da philosophia, falaremos do conhe­cimento e da acção - - dois lados de um mesmo problema: age-se sabendo e conhece-se agindo, porque só na acção reside toda a possibilidade de expe­riência c 50 na experiência activa esta o critério da verdade de toda concepção do mundo (realismo volitivo).

Na relação do sujeito com o objecto, q conhecimento c acção são op-postos, pois no conhecimento o objecto determina o sujeito, transcende delle, este se conduz receptiva e passivamente; ao passo que na acção, o sujeito de~ termina o objecto, agindo activamente, popcm esta opposição é só de estru-ctura. E' o velho resumo de Marx : o eu conhece o objecto, agindo, por sua vez, sobre elle.

Então nunca é demais saber; é preciso muito saber, para muito transfor­mar. Saber para agir.

"Os philosophos não têm feito mais do que interpretar (conhecimento), o mundo cíet differentes maneiras; agora bem, importa transformai-o (acção)".

EJM. F-

JORGE PLEKANOV — EL ARTE Y LA VIDA SOCIAL — EDITORIAL CENIT, S. A. — MADRID — 1934.

Não ha duvida; estamos em presença do mais completo estudo marxista sobre as relações da arte com a vida social.

À presente brochura é composta de quatro ensaios: A arte e a vida social; Dialéctica e Lógica; Carlos Marx e Os "saltos" na Natureza e na Historia.

No primeiro — A arte e a vida social — não se encontram, como em tantos outros livros com o mesmo titulo, leis abstractas, que não foram cal­cadas nas próprias realidades: a arte e a vida social. Aqui, não. Plekanov joga com um vasto cabedal de estudos literários e artisticos em geral, rebus­cando em cada escriptor seu condicionamento social e sua concepção do pró-blema (o ideal).

De preferencia — por ser um século de grande renovação artistica — Plekanov fez o século XIX.0 seu campo de observação, restringindo-se mais á França e á Rússia, embora não abandone os escriptores de outras plagas.

Entre os nomes conhecidos em todo o mundo, mostraremos os seguintes, estudados pqr Plekanov: Pushkin, T. Gautier, Baudelaâre, A. de Vigny, T. de Banville, A. de Musset, V. Hugo, Goncourt, Flaubert, Leconte de Lisle, Ostrovsky, A. Dumas Filho, Lamartine, Ruskin, Turgueneff, George Sand, Re-nan, Huysmans, Zola, Knut Hamsun, Nietzsche, P. Bourget, D. Merejekovski, Sudermann, C. Mauclair e muitos outros; por onde se pode concluir, pállida-mente, a grandeza de fôlego desta synthese.

Na presente monographia, Plekainov esmiuça, em todas seus detalhes, o problema da arte pela arte, para concluir que : "a inclinação para a arte pela arte se manifesta e se fortalece onde existe o desaccordo insolúvel entre a gente que se occupa da arte e o meio social que a rodeia. Esse desaccordo se re­flecte na obra artistica tanto mais vantajosamente quanto mais ajuda aos ar­tistas a se elevarem sobre o meio que os rodeia".

Não é tão somente a literatura, em todas suas paginas, que ê perscru* tada aqui, mas também todos os movimentos da pintura moderna.

O segundo estudo desta obra é sobre Dialéctica e Lógica, o mais pro­fundo do volume, onde Plekanov responde á objecção, feita por alguns pre­guiçosos, de que a dialéctica é incompatível com o materialismo, tentando re­duzir o materialismo dialéctico a só materialismo.

Também aqui, Plekanov já dá resposta á accusação que O. Spann faoia mais tarde; de que a dialéctica de Marx não é a mesma de Hegel, e dahi não ser nenhuma, porque o materialismo de Marx é incompativ»! com as ca­tegorias ideaes de Hegel (Spann — Der Wahre Staat — 2.ft edição — 1923).

Carlos Marx é uma visão synthetica sobre Marx e sua obra.

Os "saltos" na Natureza e na Historia, que constituem a quarta parte do livro em estudo, são uma replica ao livro de Tikhomirov : Porque deixei de ser revolucionário; chegando Plekanov á seguinte conclusão: "As mu-danças quantitativas, accumulando~se pouco a pouco, convertem-se finalmente em mudanças qualitativas. Estas transições se realizam por saltos, e não po­dem realizasse de outra maneira."

Por esta obra, que todos devem meditar, pòde-se avaliar a grande cul­tura artística» de Plekanov.

O Sr. Arthur Ramos é sem duvida uma das grandes cabeças da nossa ethnographia. Conhecedor profundo da psychanalyse, sabe transplantar as lições de Freud para o exame dos problemas do nosso negro, realizando obra de in­vulgar mérito. Além disso, numa collecção que dirige para a Civilização Bra­sileira, divulga os melhores trabalhos que no Brasil se escrevem ou já se es­creveram sobre a cultura scientifica.

EMMANUEL KANT — CRITIQUE DE LA RAISON PURÉ ERNEST FLAMMARION, EDITEUR — PARIS—1934—2 vols.

Em boa hora foi criada esta collecção de Lês meuilleurs au-teurs classiques pelo editor Ernest Flammarion; assimi não fosse, e não teríamos a maior obra, na historia da philosophia, em cima da nossa mesa.



A traducção — já clássica — é feita, da 2.a edição allemã, por Barni, além de revista e correcta por P. Archambault, trazendo notas de ambos do que foi accrescentado na 2.a edição, e alguns outros auxilios na verdade diminutos.

Falar de Kant é repisar lugares corrimuns, visto com é o phi-losopho mais discutido e ?pbre quem mais» se têm escrito obras especiaes: como as de Paulsen, Kúlpe, Busse, Cohen, Vaihinger, Messer, Sinmel, Menzer, von As[ber, G. Morente, Ruyssen, Riefal, Falckenberg, Apel, Bauch, Delbos, Renouvier, etc...

Em vista disso, limitar-me-ei a recordar a philosophia de Kant, contida nesta obra.

Critica da razão pura é uma critica do conhecimento scien-tifico, isto é, uma auto-reflexão do espirito s.obre seus supremos valores theoricos. A palavra critica não dev(e ser interpretada em seu sentido commum e sim como justificação pela critica.

Nesta obra Kant es|t!uda e e^gotta — até sua época — todas as questões que possam ser postas 'Sobre a theoria do conhecimen­to, que desde então deve ser encarada como doutrina philosophica independente.

Os dois tomos se dividem em, quatro grandes partes: Esthe-tica transcendental, Analytica transcendental, Dialéctica Trans­cendental e Methodologia transcendental.

Esthetica transcendental é um estudo critico da sensibilidade, ou seja: "a sciencia de todos os princípios á priori da sensibili­dade"; empregando Kant a palavra esthetica em seu verdadeiro significado, a saber: sensação — porém foi a Baumgarten que a posteridade consagrou.

Kant estuda aqui especialmente o espado e o tempo, que são princípios de ordenção no que ha de diverso nos phenomenos. Para Kant, o espaço e o tempo residem á priori no espirito e cons­tituem a intuição pura ("forma pura da sensibilidade"). "O es­paço é uma representação necessária á priori que serve de funda­mento a todas as intuicões externas"; além de tudo o espaço não é "um conceito geral das relações entre as coisasi em geral, senão uma pura intuição. O espaço é representado como uma magnitu­de dada, infinita".

Tudo nestas conclusões se applica ao tempo, ainda mais, por ser o tempo forma de todas as intuicões, visto como serve tanto pa,ra o mundo interno como para o externo. Só por estes dados, é que a mathemaitica "como sciencia apodíctica", se torna possível.

No problema da realidade objectiva, Kant declara que os objectos só são objectos para nós e/só são possíveis dentro da espécie de conhecimento que. nos é peculiar. Com isto, a realidade do mundo fica nossa realidade. O que nós conhecemos é a nossa sensibilidade e não os objectos em si. Só se ton o conceito da coisa em si com a nossa exclusão, de modo negativo, é um "con­ceito irrealizável".

De geito que o espirito só sabe que é affectado por algo ex­terno, sem que possa conhecer esta "coisa completamente inde­terminada e indeterminavel": a coisa em si. Ir além é abandonar estia attitude crirtica no conhecimento; dahi, conclúe Kant, só conhecemos os phenomenos (mundo phenomenico) : "quanto a saber o que são objectos em si, é que não saberemos jamais."

A Lógica transcendental é o estudo critico do entendimento puro: "uma tal sciencia, que determinaria a o'rigem, a extensão e o valor objectivo destea conhecimentos, deveria levar o nome de lógica transcendental.. . e só se relacionaria aos objectos á priori".

Kant divide esta parte em duas outras secçÕe.s, Analytica trans­cendental e Dialéctica transcendental.

Analytica transcendental é a decomposição de todo o nosso


conhecimento a priori nos elementos do conhecimento puro do entendimento.



E' nestta parte que aparecem as classificações dos juízos (pelo entendimento) e as categorias, que dão formai coordenada aos con­ceitos, classificando-os em quadros a priori, o que não poderia fazer a sensibilidade.

Lembrarei somente aqui, gymna?,ialmente, quaes as classes cam: 1.° — pela quantidade, i.sto é, a extensão da sua validade, €tn universaes (todos os S são P), particulares (algunsi S são P) c singulares (este S é P) ; 2.° — pela qualidade, em affirmativos (Xe P), negativos (í* não é P) e infinitos. (S é um não fij> P) ; 3.° — pela relação entre as representações realizadas, em categó­ricos (S é P), hypotheticos (se S é P, não é Q) e disjunctivos (S é ou P ou Q) ; 4.° — pela modalidade, ou seja seu valor cognis-citivo, em problemáticos (S é talvez P), assertoricos (S é F) e apodícticos (Sé necessariamente P) .

O systema dos conceitos puros do entendimento ou catego­rias, correspondendo ao quadro geral dos juizos, se dividem em: 1.° — Categorias de quantidade,: unidade, pluralidade, totalidade. 2.° — Categorias de qualidade: realidade, negação, limitação. 3.° — Categorias de relação: (s(ubstancia-accidente, causa-effeito, acção reciproca. 4.° — Categorias de modalidade: possibilidade, exis­tência, neccessidade.

Repetir o desenvolvimento dado por Kant ás categorias, e em suas, relações com os juizos» (que são por vezes artificiaes), é sahir do campo desta pequena nota bibliographica.

E' nesta parte, ainda, que Kant expõe a divisão de todos os objectos em geral, em noumeno e phenomeno, ou seja coisa em si e apparencia.

A Dialéctica transcendental é o estudo critico da razão, "e a deve descobrir a apparencia transcendental dos juizos transcen­dentes. "

As antinomias da razão pura abrem o segundo volume. Estas antinomia,s são em numero d\e quatro, havendo para cada uma, these e antithese, ambas prováveis.

As antinomias são sobre: se houve começo do mundo; se todo phenomeno no espaço se compõe de um numero infinito de partes; se tudo chega no mundo segundo lete naturaes, e se ha um ser absolutamente necessário.

Por demonstração do próprio Kant, estas antinomias só exis­tem por paralogismos e não em são raciocínio, é porque se tomam juizos á priori, como premissa maior, e juizos empíricos e pheno-menicos, como premissa menor, produzindo-se assim um sophisma.

Nesta mesma parte, Kant estuda os problemas da immorta-lidade, liberdade e Deus.

Kant expõe e refuta todas as provas sobre a immortalidade ra existência de dcu.sí, embora já deixe apparecida a necessidade rdestas mesmas idéa.s, para a razão prática.

Sobre o problema da liberdade, Kant divide o caracter em empírico e intelligivel, á maneira de phenomeno e noumeno; um, determinado, necessário; outro, livre, a priori, "começando por si mesmo um estado" Kant nesse paragrapho concilia a liberdade com a necessidade.

"Esta theoria de Kant, da coexistência da liberdade com a necessidade, é a meu ver, a maior idéa onde o homem, aprofun­dando as coisas, tenha chegado. Isso e a esthetica transcendental* eis os dois mais bellos diamantes da coroa gloriosa de Kant: elles não se obscurecerão jamais", disse Schopenhauer.

A Methodologia transcendental é "a determinação das condi­ções formais de um systema completo da razão pura", di«ridindo-s.e para isso em disciplina, cânone, architetonica e historia da razão pura.

Dizer da importância desta obra é fazer outra; por isso, em synthese rápida, pretendi mostrar, aos que ainda não a conhecem, em que se resume, convidando-os a lêl-a.

Kant, como todos os, clássicos em geral; é victimia dos com­pêndios de philosophia, por onde passam todos os pricipiantes, dahi se encontrar generalisada uma concepção de seu .systema completamente errónea e confusa, havendo mesmo quem, temen­do a loucura, não se arrisque a subir tão alto.

A Critica da razão pura appareceu pela primeira vez em 1871, onze annos depois de ter sido Kant nomeado cathedratico em Kõnigs.berg; decennio este occupado todo por este trabalho.

A edição que lemosi é a 2.a, tendo sahido em, 1787, esforçando-se Kant "por uma clareza muito maior", o que não acontecia na l.a edição. A edição de 1787, mais conhecida, é em grande parte differente da l.a, conforme mostra Rosenkranez no prefacio da 2.a edição allemã, perdendo Kant — para satisfazer os que o cer­cavam — toda a força das thes.es expostas» na edição anterior.



Podemos collocar esta obra de Kant, nos quadros geraes da historia da philosophia, na linha que começa com Socrates e Pla­tão, tendo por característica uma "auto—refexão do espirito sobre seus supremos valores theoricos e práticos;, sobre os valores do verdadeiro, do bem e do bello."

A philosophia em Kant — contra o typo laristotelico — é uma reflexão universal do espirito sobre si mesmo, "como uma reflexão do homem culto sobre sua total conducta valorativa."

Kant é o inspirador de quasi todos os philosophos posterio­res a elle, servindo mes,mo de marco na philosophia: ou se está com Kant, ou contra Kant. Só agora, pela phenomenologia, é que

kantianos perderam muitos adeptos na Allemanha, porém, antes da Guerra, póde-se dizer que toda a philosophia allemã era neo-kantiana.

Kant é estudado com prazer, porque soube fazer da philoso­phia o que ella deve ser: uma totalizadora das sciencias por uma atitude intellectual, por uma atitude de pensamento, que procura conhecer e saber. —-E. M. F.

K* Marx — f. Engles — Introducción ai materialismo dia~ lectico y ai socialismo cientifico — M. Aguillar — Editor — Madrid*

Estamos em frente de uma óptima anthologia de introducçSo á philoso-sophia marxista. Trata-se: de uma compilação executíada por Angel Pumare-ça, que também faz um prólogo que nada deixa a desejar.

Ó livro é composto da seguintes partes: Anteprologo ("matéria" e"dia-lectica" no marxismo) por A. Pumarega. Prólogo (sobre a dialéctica) por Lenin» Primeira secção: Sobre o Materialismo francez, por Karl Marx; Sobre o agnos-ticismo inglez, por F. Engels; A burgtuezia ingleza e o materialismo, por F. Engels, Segunda secção: Theses sobre Feuerbach, por K. Marx; Ludwig Feuer-bach e o fim da philcsophia clássica allemã, por F. Engels. Terceira secção: Introducção ao socialismo scientifico, por F. Engels e Esquema do desenvol­vimento histórico, por F. Engels.

Este simples índice basta para mostrar aos que não conhecem a obra a necessidade de sua inclusão na estante de todo o intellectual sem preconceito, seja de qualquer orientação philosophica.

Os estudos preliminares de Pumarega e Lenin são actualizadores da phi-Josophia marxista, demonstrando Pumarega que a idéa de matéria para Marx não é a de matéria como substancia cósmica e sim é um "conceito do conhe­cimento, como categoria philosophica". Assim termina Pumarega»: "No curso dei sua leitura, por conseguinte, o leitor não ha de olvidar que Marx e En­gels empregam o conceito de matéria no sentido esrricto de uma categoria philosophica para designar a realidade objectiva, exterior á nossa consciên­cia, independente delia".

O estudo de Lenin é a theoria do conhecimento do materialismo diaJecti-co resumida em 7 paginas, num eschematismo philosophico não accessivel a toda a gente, de tal maneira é synthetico,

O estudo de Marx sobre o materialismo francez é de interesse, visto como explica, em parte, a formação materialista de Marx, ainda não amadurecida» naquelle tempo. Este fragmento foi extrahido da "Santa Família»" (Die heilige Familie), escripta em 1844, já em collaboração com Engels.

O restante do livro, é de algum modo, mais conhecido em nosso meio peias traducções portuguezas, desde ha muito difíundidas entre os estudiosos que se interessam pelo assumpto. — E» M* F*




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