Evangélicos em crise paulo romeiro



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EVANGÉLICOS EM CRISE

PAULO ROMEIRO


EDITORA MUNDO CRISTÃO

São Paulo

Copyright  1995, Associação Religiosa Editora Mundo Cristão

Capa: Pedro Simão, Cassia Carrenho

1 edição brasileira: Dezembro de 1995

2 edição brasileira: Setembro de 1996

3 edição brasileira: Agosto de 1997 -

4 edição brasileira: Abril de 1999


Impressão: OESP Gráfica S/A
Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados pela

ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO

Caixa Postal 21.257

CEP 04602-970 - São Paulo - SP

ABEC
Contra-capa:

Crescimento e Caos

A população evangélica do Brasil vem crescendo vertiginosamente. Já somos a terceira maior população evangélica do mundo. Damos graças a Deus por isso. No entanto, esta multiplicação explosiva traz conseqüências preocupantes. A igreja passa a ser vista por alguns como um "grande negócio". Isto suscita oportunistas, enganadores e aqueles que Cristo tachava de "falsos profetas". Estimula também os bem-intencionados que, mal preparados teologicamente, adotam e ensinam doutrinas estranhas e destrutivas. Há grandes exageros em alguns ensinamentos relativos à maldição hereditária, por exemplo, assim como nas áreas da guerra espiritual, da teologia do domínio, da teologia da prosperidade, das curas e dos milagres etc. As vítimas desses ensinamentos são milhões de novos convertidos que mal conseguem discernir entre ortodoxia e heresia.

Neste livro elucidativo, Paulo Romeiro apresenta uma mensagem urgente para o evangélico que se preocupa com a qualidade de sua crença. No espírito de amor cristão, ele aponta e documenta dezenas de ensinamentos questionáveis, e sugere o caminho da sensatez espiritual. Inclui um guia de discernimento para aqueles que questionam o que ouvem.

Evangélicos em crise é leitura obrigatória para todos que se importam com o crescimento da Igreja no Brasil.


Paulo Romeiro é diretor da Agência de Informações Religiosas AGIR (São Paulo), entidade que defende a fé cristã e estuda as seitas não-cristãs. É bacharel em jornalismo pela Universidade Braz Cubas (Mogi das Cruzes, SP) e mestre em teologia (M.Div.) pelo Gordon-Conwell Theological Seminary (Boston, E.U.A.). É casado com Simone, psicóloga, e tem dois filhos, Alyne e Adryel.

Agradecimentos
Este livro é dedicado aos mantenedores da Agência de Informações Religiosas - AGIR, às igrejas, aos pastores e demais irmãos e irmãs que, com suas contribuições, têm ministrado ao mundo através do nosso ministério. As palavras são insuficientes para expressar aqui a nossa gratidão a esses heróis anônimos do Senhor. Que a Palavra de Deus fale então por mim: "Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos" (Hb 6:10).

Agradeço também à equipe da AGIR a ajuda que me prestou, principalmente ao Joaquim de Andrade, Nelson Wakai e Paul Carden. Suas sugestões foram de grande valor.



Agência de Informações Religiosas

A AGIR - Agência de Informações Religiosas, é uma missão evangélica interdenominacional que defende e promove as verdades da fé cristã, e auxilia as igrejas na evangelização de adeptos de movimentos religiosos controvertidos.


OBJETIVOS DA AGIR
 Pregar o evangelho de Jesus Cristo através de todos os meios possíveis.

 Defender e ensinar as verdades fundamentais da fé cristã.

 Alertar a Igreja e a sociedade sobre as manipulações de grupos religiosos controvertidos.

 Promover o fortalecimento da família segundo os parâmetros bíblicos.

 Ensinar e promover a ética cristã.

 Equipar os cristãos para a obra do ministério apologético e evangelístico.


OS DESAFIOS
O Brasil é um país místico e obcecado pelo sobrenatural. Esta é uma das razões porque muitos movimentos religiosos questionáveis crescem tanto por aqui. Seitas como Testemunhas de Jeová, Mormonismo, Igreja da Unificação do Rev. Moon, Nova Era, Espiritismo e religiões orientais, têm trazido, do ponto de vista bíblico, danos eternos para muitas pessoas. Infelizmente, as seitas estão, com muito sucesso, espalhando seus falsos ensinos em todas as partes do Brasil e do mundo, prejudicando igrejas e famílias.

Grande parte dos brasileiros vive correndo atrás da astrologia, adivinhações, consulta aos mortos, duendes, gurus, reencarnação, idolatria e todo o tipo de superstições. A AGIR se esforça para compartilhar Cristo de forma efetiva com toda essa multidão, e ajuda outros cristãos a fazer o mesmo. A Missão entende que é importante promover também o discernimento espiritual entre o povo de Deus. Lembre-se de que enquanto você lê este informativo, almas preciosas estão em perigo.


AS ATIVIDADES DA AGIR
 Evangelismo - Cruzadas evangelísticas em igrejas e demais locais públicos.

 Seminários - Através de uma equipe de preletores especializados, a AGIR promove seminários sobre seitas, religiões mundiais, escatologia, avivamentos e família. Tem ministrado também conferências em igrejas e instituições teológicas de várias denominações, em diferentes partes do mundo. Entre em contato para saber como realizar um evento em sua igreja.

 Boletim Informativo - O Agir News é produzido bimestralmente, e contém artigos sobre seitas e religiões, estudos teológicos, resenhas, respostas às perguntas dos leitores, testemunhos etc. Envie-nos o seu endereço, e lhe enviaremos um exemplar.

 Literatura - A AGIR produz também livros, folhetos, apostilas e fitas de áudio e vídeo.

 Mídia - Os pesquisadores da AGIR têm participado de vários programas de rádio e televisão, denunciando os abusos das seitas, além de fornecer informações para revistas e jornais, seculares ou religiosos.

 Intercâmbio - A AGIR está ligada à várias organizações similares no exterior. Isso facilita a troca de informações e a chegada de notícias com mais rapidez.


SUA CHANCE DE AGIR
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 Apoio financeiro - A AGIR é sustentada com orações e ofertas de amigos e irmãos que acreditam e são beneficiados pelo seu trabalho. Deus poderá usá-lo para contribuir mensalmente. Sua ajuda fará grande diferença nessa batalha espiritual. Você poderá fazer o depósito em nome da AGIR, no banco Bradesco, agência 548-7, conta - corrente 75.280-0.
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Telefax: (011) 570-1017

Internet

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Sumário
Introdução

1 A dimensão da crise

2 Depois do SuperCrentes

3 O culto à personalidade

4 Milagres e seus abusos

5 O evangelho da maldição

6 Batalha espiritual

7 Em busca do poder terreno

8 Os profetas da volta de Cristo

9 Discernir é preciso

Bibliografia
Introdução


Diante do crescimento fabuloso da Igreja evangélica no Brasil nos últimos 40 anos, parece paradoxal falar em crise entre os evangélicos. Em 1950, havia apenas 1 milhão e 700 mil crentes; hoje são 35 milhões. (Jornal O Correio Popular - Campinas, SP, 29 de março de 1995, p. 1.) Vários missiólogos apontam o Brasil como o celeiro de missionários para o mundo. Para algumas igrejas ou para alguns líderes, não é difícil encher um estádio de futebol ou colocar uma multidão de milhares de pessoas marchando pelas ruas das grandes cidades, numa demonstração de fé. O crescimento dos evangélicos em solo brasileiro é festejado por muitos, dentro e fora do país, e tem despertado o interesse de vários teólogos e estudiosos da sociologia da religião.

Todo cristão deve desejar e buscar ardentemente o avivamento de Deus para si e para a Igreja. Desejamos ver milhares de conversões, de modo que a sociedade em geral seja atingida pelo trabalho do Espírito de Deus. Foi exatamente isso o que aconteceu nos avivamentos passados, nos dias de João Wesley, George Whitefield, Jonathan Edwards (durante o primeiro Grande Despertamento por volta de 1745, nos Estados Unidos), D. L. Moody Charles Finney e vários outros.

Mas a história tem demonstrado que nenhum avivamento pode ser vivido distraidamente. Um dos exemplos vem da década de 1960, marcada pela "revolução de Jesus" e pelo surgimento do movimento carismático, um período de grande entusiasmo pelo Evangelho. Entretanto, foi nessa época que surgiram seitas prejudiciais como os Meninos de Deus, conhecidos hoje como A Família. Os Beatles voltaram-se para a índia em busca dos gurus da Meditação Transcendental e, devido à fama que tinham, contribuíram para tornar tal prática muito popular no Ocidente. Por isso, temos de vigiar todo o tempo, pois quando o inimigo não consegue impedir um movimento de Deus, ele vai então tentar tirar o melhor proveito dele.

Não se pode negar a influência do Evangelho na sociedade brasileira atual. Muitos jogadores de futebol e atletas de outras modalidades esportivas estão abraçando a fé evangélica. Vários profissionais do mundo artístico estão se despertando para a fé cristã e cresce cada vez mais a representatividade política evangélica, tanto a nível federal, como estadual e municipal. Uma boa parte da Igreja evangélica faz-se presente hoje na mídia por meio de programas de rádio e TV Há ainda igrejas e organizações cristãs que, nos últimos anos, envolveram-se nas obras sociais, socorrendo os necessitados. Onde está então a crise? Bem, enquanto temos motivo de sobra para comemorar o crescimento dos evangélicos em nosso país, temos ao mesmo tempo algumas razões para estarmos preocupados.

Nossa preocupação não é com o crescimento numérico dos evangélicos, pois esse parece que vai bem, embora ainda haja muito o que fazer, principalmente na área de missões e na área social. Graças a Deus por todas as vitórias e por tudo o que ele está fazendo. Entretanto, na euforia de celebrar as bênçãos, alguns parecem não perceber as questões que continuam desafiando a Igreja evangélica brasileira nos dias de hoje, entre elas, a crise da integridade, ou da ética, e a crise doutrinária.

A Igreja brasileira convive há tempos com práticas antiéticas. A própria CPI do Orçamento em 1993 revelou o comportamento nada correto de organizações e políticos evangélicos, mostrando claramente que muitos deles, embora possuidores de um discurso de ouro, têm os pés de barro. O envolvimento de muitos evangélicos na política brasileira tem trazido mais prejuízos do que benefícios para a imagem da Igreja. Isso tem gerado um clima de suspeita na sociedade em relação aos chamados "crentes". Não são todos os brasileiros hoje que estão dispostos a confiar em alguém só porque carrega uma Bíblia ou diz ser evangélico.

A minissérie Decadência, produzida e transmitida pela Rede Globo, em setembro de 1995, despertou a fúria de muitos crentes, mesmo antes de ser levada ao ar. Embora ela não retratasse a maioria da Igreja brasileira, não deixou, porém, de denunciar o aspecto doentio e mercenário de alguns grupos evangélicos.

Mas este não será um livro sobre a ética cristã. Minha preocupação principal neste momento é com outra crise que assola a Igreja evangélica no Brasil: a crise teológica. Em mais de vinte anos de fé cristã, nunca vi tanta confusão doutrinária no seio do protestantismo em nosso país como vejo hoje. O Brasil é um país místico, obcecado pelo sobrenatural. Certamente esta é uma das razões por que seitas como Testemunhas de Jeová, mormonismo, espiritismo e Nova Era crescem tanto por aqui. Muitas pessoas, por não terem alicerce bíblico ou filtro teológico, têm sido enganadas, passando a viver em escravidão espiritual.

Infelizmente, o perigo não vem apenas de seitas totalmente alheias ao verdadeiro cristianismo, pois aumentam cada vez mais no seio da própria Igreja os desvios doutrinários, na sua maioria importados dos Estados Unidos. São movimentos já analisados e cuidadosamente refutados lá mesmo por pessoas capazes, muitas delas eruditas, que levam a sério o estudo da Palavra de Deus. No Brasil, todavia, tais movimen­tos continuam a iludir muitos crentes.


Por um lado, vejo o crescimento das seitas e a infiltração de heresias em muitas igrejas evangélicas com profunda tris­teza. Por outro lado, devo reconhecer que se trata de nada mais que o cumprimento do que diz a Bíblia. Quando esteve em Mileto, Paulo alertou os anciãos de Éfeso da seguinte for­ma: "Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetra­rão lobos vorazes que não pouparão o rebanho, e que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando cousas perverti­das para arrastar os discípulos atrás deles" (At 20:29, 30). Na sua primeira carta a Timóteo, Paulo lembrou-lhe: "Ora, o Es­pírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios" (1 Tm 4:1).

O apóstolo comentou ainda sobre o triste estado espi­ritual de muitos quando escreveu pela segunda vez a Timó­teo: "Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutri­na; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas" (2 Tm 4:3, 4). Esperamos, pela misericórdia de Deus, que este livro seja útil para edificar os que permanecem firmes nos en­sinos da fé cristã e para despertar outros que foram atraídos para um "evangelho diferente" (2 Co 11:3, 4).

Segundo a graça do Senhor, estaremos tratando neste li­vro de vários desvios doutrinários que invadiram a Igreja evangélica brasileira. No último capítulo, trataremos da importância do discernimento espiritual, apresentando algu­mas sugestões que, esperamos, poderão ajudar o leitor a fazer escolhas sábias quanto ao que crer e como crer neste final de milênio.

Meu sincero desejo é que este livro venha oferecer uma humilde contribuição à Igreja do Senhor Jesus Cristo no Brasil. O objetivo não é acusar qualquer pessoa ou ministé­rio. Gostaria de esclarecer ao leitor que muitas das pessoas citadas no livro são meus irmãos e irmãs em Cristo, não estamos de relacionamento cortado e não tenho qualquer problema pessoal com elas. Apenas divergimos doutrinaria­mente. Portanto, nosso objetivo principal não é criticar mas prover um pouco de discernimento bíblico ao povo de Deus, num momento da nossa história em que o espaço para a verdade da Palavra de Deus começa a ficar cada vez mais reduzido, até mesmo no arraial dos santos.


1 - A dimensão da crise
"Cousa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra." - Jeremias 5:30
Passei cinco anos de minha vida dentro de um seminário católico (Congregação do Verbo Divino), preparando-me para o sacerdócio na igreja Católica Romana. A idéia que eu fazia dos evangélicos era a de que eles só acreditavam na Bíblia, obedeciam à Bíblia e nada mais. Resumindo, o que eu achava é que os evangélicos criam em tudo o que estava na Bíblia e rejeitavam tudo o que estava fora dela.

Quando me converti ao Senhor Jesus, minhas suspeitas se confirmaram. Era aquilo mesmo. Mas isso foi no início da década de 70. Hoje, infelizmente, as coisas mudaram bastante. Atualmente, há muitos evangélicos que se comportam exatamente como adeptos de seitas. Tomemos, por exemplo, uma testemunha-de-Jeová: se o Corpo Governante (a liderança da seita) diz uma coisa, muitas vezes através das revistas A Sentinela e Despertai!, e a Bíblia diz outra, já sabemos a quem o adepto vai obedecer. Ele obedecerá ao Corpo Governante e a Bíblia será relegada a um segundo plano. Para nossa surpresa, há muitos crentes fazendo o mesmo hoje em dia. Se a Bíblia diz uma coisa e os pregadores da TV dizem outra (reconheço que nem todos os pregadores de TV fazem isso), já sabemos de antemão a quem muitos evangélicos vão seguir. Eles seguirão os pregadores da TV Como as coisas mudaram!


A importância do discernimento
A crise aumenta à medida que diminui o discernimento ou há falta dele por parte de igrejas e líderes cristãos. Temos constatado a carência de orientação e de informações de muitos evangélicos quando viajamos para ministrar cursos em igrejas, seminários teológicos e em outras instituições, em diferentes partes do Brasil. Os fatos a seguir darão uma idéia da dimensão da crise. Alguns deles são chocantes:

 Há evangélicos que enviam seus dízimos para a LBV (Legião da Boa Vontade), pensando tratar-se de uma organização evangélica. A LBV é uma seita espírita.

 Pastores evangélicos usam as revistas Despertai! e A Sentinela das testemunhas-de-Jeová para ministrar à Escola Dominical. Outros já usaram a revista Acendedor, da Seicho-No-lê.


 Algumas igrejas dão seus púlpitos aos mórmons, só porque dizem ser missionários norte-americanos.

Um outro fato preocupante é a facilidade com que os adventistas do Sétimo Dia circulam pelos corredores evangélicos com seus conjuntos musicais como o Prisma, Prisminha, Arautos do Rei etc. É lamentável que muitas livrarias evangélicas distribuam com abundância os seus produtos. O programa de TV Está Escrito, apresentado todo domingo de manhã pela TV Bandeirantes, tem feito muito sucesso entre os evangélicos, infelizmente. Ora, o adventismo tem posições doutrinárias inaceitáveis à luz das Escrituras Sagradas, tais como: Jesus é o arcanjo Miguel, Jesus teve uma natureza pecaminosa, o ensino de que os nossos pecados são colocados sobre Satanás, a guarda do sábado tida como prática essencial para a salvação, o ensino do juízo investigativo (Jesus não completou a sua obra na cruz. Ele somente a completou em outubro de 1844) e a autoridade de Ellen G. White como única intérprete da Bíblia Sagrada.

O envolvimento adventista com os evangélicos tem um propósito: proselitismo. A literatura adventista está cheia de testemunhos de evangélicos (e até de pastores) que se "converteram" à fé adventista. A Revista Adventista, de novembro de 1993, p. 16, traz uma notícia com este título: "Ex-Pastor pentecostal foi batizado". A revista diz ainda:
Depois de servir como pastor à igreja Assembléia de Deus, durante 33 anos, foi batizado em Manaus o irmão José Lima, juntamente com sua esposa e sogra. Durante o período em que foi ministro de sua antiga igreja, o irmão Lima atuou no Brasil, na Colômbia, na Venezuela, na Bolívia e no Peru. A decisão de ser batizado foi tomada durante uma série de conferências evangelísticas dirigida pelos pastores João Alves Peixoto, departamental de Educação da MCA, e Gileno Hounsell Filho, distrital do bairro Cidade Nova. Dizendo-se "maravilhado" com o que aprendera, resolveu "não mais fugir da verdade". A cerimônia batismal foi efetuada pelo Pastor Hounsell. "Conhecer a Jesus e fazer Sua vontade, pela graça de Deus, foi o maior milagre em minha vida", disse o batizando.
Ainda em novembro de 1993, a Revista Adventista (p. 22), publicou a foto de um casal com as seguintes informações: "Vanilda Cristino pertencia à igreja Assembléia de Deus. Conheceu a verdade através do Está Escrito, e foi batizada em Porto Alegre, RS, no dia 21 de agosto, pelo Pastor Jonas Arrais. Seu esposo está se preparando para seguir o mesmo caminho".

Reconheço que todo crente tem o direito de mudar de igreja no momento que desejar ou como o Senhor o dirigir, e isso tem acontecido constantemente. Há crentes que saem da Assembléia de Deus e vão para a igreja Batista e vice-versa, outros saem da Presbiteriana e vão para a Metodista, e assim por diante. Entretanto, nunca vi um crente sair de uma igreja evangélica para outra alegando que o fez porque finalmente encontrou a verdade. O mesmo não se passa com o adventismo.

A Revista Adventista dá a entender que a verdade de Deus só pode ser encontrada no adventismo e não em outra igreja evangélica. Há muitas outras notícias que revelam o caráter proselitista do adventismo. Do jeito que as coisas estão indo, só Deus sabe a quantidade de ensinos estranhos que passarão a fazer parte da vida de muitos dos nossos crentes. O pior é que fica cada vez mais difícil defender a fé cristã à medida que tantas seitas passam a encontrar mais e mais aliados nas próprias fileiras evangélicas. Há muitos pastores por aí que precisam tomar mais cuidado.
A questão ética
É verdade que muitas vezes alguém pode ter uma doutrina bíblica correta mas ter um estilo de vida incorreto. Em outras palavras, é possível na doutrina estar com Deus e na prática, com Satanás. Mas é interessante observar, também, que quando alguém não leva a Bíblia a sério teologicamente, a ética cristã fica comprometida. Temos hoje uma necessidade urgente de mais líderes que nos sirvam como modelos de oração, piedade e integridade. É claro que não são todos, mas há vários precisando muito mais de receber ministração do que em condições de ministrar.


Larry Lea, ex-deão da Universidade Oral Roberts, e famoso nos Estados Unidos pelo seu ministério de intercessão, é um exemplo a não ser seguido. Não faz muito tempo a rede de TV ABC nos Estados Unidos mostrou um videoteipe do televangelista informando a seus telespectadores que, quando sua casa foi completamente queimada, ele ficou praticamente sem teto, perdendo tudo o que ele e sua família tinham, exceto a roupa do corpo. Quando o programa da rede ABC mostrou a outra casa de Larry Lea - uma mansão cheia de móveis e outros valores que ele não mencionara -, as coisas mudaram. As doações caíram, as igrejas cancelaram seus convites e, para muitos, Lea tornou-se persona non grata. (Christian Research Journal (outono de 1994), p. 8.)

Isso ocorre em qualquer lugar do mundo, e não apenas nos Estados Unidos. Lembro-me de que certa vez participei de uma reunião numa instituição evangélica em São Paulo, em que se discutia um plano para ampliar a construção da parte de trás do prédio da organização. De repente, um pastor, líder de uma grande igreja na capital paulista, deu uma sugestão. Foram mais ou menos estas as suas palavras:

- Nós começamos numa sexta-feira, fazemos tudo bem depressa, no domingo já está terminado e ninguém precisa ficar sabendo.

Perguntei-lhe por que tudo tinha que ser feito tão depressa e por que ninguém poderia ficar sabendo. Ele me disse que tal modificação ou construção era ilegal. Disse-lhe então que se era ilegal não poderia ser feita. Como ficaríamos diante da Palavra de Deus e da ética cristã? Ele respondeu-me com hostilidade:

- Olha aqui, meu filho, no dia em que você dirigir uma igreja como eu, vai jogar a Bíblia e a ética fora.

Que absurdo!

A cola nos exames escolares tornou-se, infelizmente, uma prática comum para muitos evangélicos. Quando nos referimos a isso numa igreja, a reação do auditório é de riso e zombaria, como se estivessem dizendo: não exagere, o que é que tem fazer uma colinha? Deus não vai se importar com essas coisas! Geralmente, apresentam muitas outras desculpas. Que Deus nos ajude!

Creio que uma das falhas do pentecostalismo (de onde também venho) no Brasil através das décadas foi enfatizar mais o carisma do que o caráter. O importante era ter o poder de Deus, poder para expulsar demônios, operar milagres, pregar e sacudir as massas. Tudo isso é muito bom, mas apenas isso não basta, pois carisma sem caráter leva à destruição. Os puritanos do século passado nos Estados Unidos tinham um provérbio que resume bem este quadro: "O que você é fala tão alto que eu não consigo ouvir o que você diz". Viver a ética cristã de acordo com a Palavra de Deus é o caminho a ser percorrido por nós se quisermos ser o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13-16).

Mas a crise não pára por aqui.




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