Eucaristia e vida consagrada



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EUCARISTIA E VIDA CONSAGRADA

Dom Luciano Mendes de Almeida, SJ
Campinas, 20.01.07



Eucaristia, gratidão! Eucaristia é Jesus, O Filho é todo gratidão: tudo recebe, tudo entrega. Amor recebido e agradecido! O Pai é o Amor Fontal. O Filho é a imagem do Pai que dá. Ele é o reflexo da gratuidade do Pai. Tudo o que vê fazer o Pai, Ele faz.

Este é o primeiro ponto: Jesus se revela como Amor doação. Veio para dar a vida. Há maior alegria em dar do que em receber. Ao dar a vida mostra o amor que o possui, o seu Espírito. Jesus está totalmente voltado para o Pai e para nós: Corpo entregue, Sangue derramado. Disse: “Desejei ardentemente comer esta Ceia..., para que saibam que amo o Pai”. Essa é a marca do discípulo de Jesus: a doação, a gratuidade. Jesus é todo ser para o Pai e todo para nós. Este é o sentido da Última Ceia: gratuidade do amor do Pai e Amor-doação.

Aprender com Deus o amor-doação. Assim, aprenderemos a doar-nos aos irmãos. Somos consagrados a Deus para a missão. Uma vida cristã consagrada é a atração de ser reflexo da alegria de Jesus-doação. Desde crianças somos atraídos por esta misteriosa vontade de dar tudo. Quem não dá tudo, não dá nada: com o Absoluto não se regateia, dizia o Padre Leonel Franca. Jesus dá tudo. O amor, se não for total, será frágil e transitório.

O núcleo da vida consagrada é a experiência deste absoluto. É a experiência de ser plenamente possuído por Deus. Alegria de ser possuído por este Amor. Razão do voto de castidade! Castidade, celibato, entrega de tudo, coração que se doa plenamente... Somos lançados no mundo para dar vida. Jesus-doação, a alegria da doação: Sou todo teu! Jesus-atração: esse Amor nos faz ser plenamente d’Aquele que nos ama.

Segundo ponto: nas palavras e nos gestos de Jesus há anseio de comunhão e unidade: Nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo, pois participamos todos desse único Pão (1Cor 10,17). A paixão de Jesus é a unidade: Que todos sejam um como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti (Jo 17,21). É experiência de saída de si, união radical: para poder comungar com os outros é necessário sair de si. Esta é a origem, a fonte de estima, respeito, apreço do outro: Sou todo de Deus para os outros. Não só para os outros, mas com os outros.

Jesus nos congrega, nos reúne, nos torna Igreja (qahal). Jesus, na Eucaristia é dinamismo de comunhão: banquete, festa, família! A vida consagrada é ser todo de Deus com os outros: Não há mais judeu ou grego, escravo ou homem livre, homem ou mulher... (Gl 3,28). Nós, discípulos e discípulas de Jesus, nunca podemos ter um projeto de vida intimista.

A Igreja nasce da Eucaristia. Quem nos faz Igreja é Jesus, que nos dá Seu Corpo e Seu Sangue. Deus nos ama a todos, como u’a Mãe ama seus filhos. Estamos unidos, pois somos igualmente amados. Os discípulos de Jesus têm, como sinal, a união: Tendo amado os seus, amou-os até o fim (Jo 13,1). Pessoas diferentes podem sentar-se à mesma mesa. Dizemos: Vou comungar! Isto é: Vou entrar em comunhão!

Aqui está também a segunda marca da vida consagrada: a razão de estarmos juntos em comunidade, apesar de nossas diferenças, é Jesus Cristo. A vida consagrada coloca em evidência a comunhão. A Igreja não nos dispensa de ouvir o amor do Senhor (preceito dominical!). Quem não ouve, quem esquece o Amor, se perde na solidão. A certeza de que somos amados une em comunidade. Hora de reconciliação, hora de perdão, hora de comunhão, hora de sairmos juntos para a missão...

Terceiro ponto: Jesus veio para cumprir uma missão de salvação. Ele veio re-unir o que estava disperso. De dois povos fez um. Jesus, na Eucaristia, cumpre a vontade do Pai, realiza a Sua missão. Obedecer é ouvir a vontade do Pai. O importante é a sintonia de coração: Se é para servir, para ajudar, eu vou! Na Última Ceia, Jesus celebra a nova e eterna Aliança, a alegria de cumprir a missão do Pai: Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito... Tudo está consumado! Entrar em missão! Missão é uma palavra ligada à obediência: Senhor, hoje, para mim, qual é a minha missão? Minha alegria é fazer a vontade do Pai.

Castidade, pobreza, obediência é olhar para Cristo. Jesus sai de Si, entrega-Se ao Pai, e nos reúne em comunhão. Assim, Ele nos leva a cumpri a vontade de Deus. Missão não é apenas pegar a mala e partir para um lugar distante. É cumprir a vontade de Deus: nova dimensão da vida missionária. A vida consagrada é sempre missionária. Teresinha do Menino Jesus, a Irmã lavando pratos, a pessoa inválida... A missão está aí, onde você está. A obediência consiste em sintonizar com o projeto de Deus dia-a-dia.

A Vida consagrada é sempre doação, comunhão e missão. A imitação de Cristo nos faz felizes. A vida consagrada é experiência de Amizade. Jesus nos mostra a alegria de cumprir a vontade de Deus: exultação no Espírito (Mt 11,25). Cristo, todo possuído pela alegria do Pai, antecipação da vida plena...

Jesus parte o pão e o distribui. A partilha: os primeiros cristãos colocavam tudo em comum (ver At 2,42-47: a fração – a partilha - do pão). A Eucaristia coloca em nosso coração a paixão pelo outro, pelo pobre, o que mais precisa:

1. Doação total;
2. Gera dinamismo de comunhão;
3. E nos leva ao serviço.

Quem recebe o Corpo do Senhor, quem entra em comunhão com Ele, tem de servir ao irmão. É sintonia com a quê nose de Cristo. Jesus escolheu um estilo de vida solidária com os outros, os pobres, os doentes, os pequenos. A Eucaristia questiona, entre em conflito com injustiça. O serviço é fruto da Eucaristia. Jesus está nos convidando a fazer o quê? Qual é o nosso compromisso? É o compromisso de acabar com a miséria crescente em nosso país. Teríamos de nos organizar melhor. Não falta inteligência. Falta coração.

(...) Que recomendar para o bem dos pobres?

1. Dignidade da pessoa;
2. Reajustar a dívida externa;
3. Lutar contra o racismo;
4. Habilitação tecnológica da juventude pobre, pelo estudo;
5. África: criar um fundo de ajuda;
6. Fundo de alimentação para os países pobres.
7. Um paquistanês recomenda a aceitação do amor, a partilha, não estudar demais, não vestir demais e nunca aceitar dinheiro do governo...

Dois testemunhos:

1. Um bispo auxiliar do Vietnã, que passou longos anos preso (n.r.: o depois Cardeal François-Xavier Van Thouin). Pedia um pouco de vinho como remédio, e assim celebrava e comungava todos os dias.

2. Uma religiosa dava de comer a um mendigo. O mendigo jogou a sopa no rosto dela. Ela pegou outro prato de sopa e continuou dando-lhe de comer.

Desigualdade social existe por falta de força da fé: Quem chama Deus de Pai não tem medo nem da morte (Cardeal Martini). Não basta contestar. Precisamos nos examinar: eu, o que estou fazendo para diminuir a injustiça?

Maria, a Primeira Discípula de Jesus, abre o coração para dizer “Sim!” ao projeto do Pai. Coração aberto às necessidades dos irmãos, vamos redescobrir a alegria da doação!



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