Estudos sobre o processo de apropriação da linguagem escrita



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Estudos sobre o processo de apropriação da linguagem escrita
Suzy Mara Ribeiro(ICV/Unioeste/PRPPG), Benedita de Almeida(Orientador), e-mail: beneditaalmeida@yahoo.com.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Humanas/Francisco Beltrão, PR
Ciências Humanas – Educação
Palavras-chave: alfabetização, teoria histórico-cultural, dificuldades de aprendizagem
Resumo

Este artigo apresenta os estudos da pesquisa de iniciação científica, em fase de desenvolvimento, que busca a compreensão do processo de alfabetização por meio de leituras, na perspectiva histórico-cultural. O objetivo é entender em que consistem as dificuldades de aprendizagem da criança na fase de apropriação da linguagem escrita. A pesquisa se fundamenta em autores que concebem a linguagem escrita como uma prática cultural e que tomam a escrita como função psíquica , como Vigotski (2009), Cagliari (1989) e Massi (2007). Com essas leituras é possível compreender o que são e por que as crianças cometem erros ao escrever, bem como identificar o ponto de partida para alfabetizar. A metodologia se realiza por um estudo bibliográfico do processo de alfabetização e das dificuldades de aprendizagem, pela elaboração de sínteses e fichamentos e participação em estudos de grupo de pesquisa. Os resultados até o momento nos mostram que há um equívoco conceitual na definição das dificuldades de aprendizagem, muitas vezes confundidas com processos inerentes ao momento em que a criança está se apropriando da linguagem escrita.


Introdução
Partindo das especulações que surgem na escola, acerca das dificuldades de aprendizagem, no que tange à alfabetização, buscamos a fundamentação teórica para compreendermos como a criança se apropria da linguagem escrita. É comum encontrarmos nas escolas de Ensino Fundamental I, crianças recebendo apoio pedagógico fora do horário de aula, sendo encaminhadas à avaliação psicológica e reuniões com a família para discutir a aprendizagem, quase sempre tomando essas situações como um problema, cuja responsabilidade ora é do aluno, ora do professor. Com isso, não se interpretam, tampouco se estudam, os erros da criança, que acaba sendo rotulada “com dificuldades de aprendizagem” e interioriza o discurso de aluno que não aprende. Então, a criança passa despercebida pela escola, vive um percurso de fracassos nas aprendizagens básicas da escrita, o que resulta em carências na sua formação ou, até mesmo, na evasão escolar. Observações anteriores a esta pesquisa levaram-nos a perceber que a dificuldade de uma criança gera especulações não fundamentadas, equivocadas e tentativas precipitadas de solucionar o problema, como se fosse algo nunca visto antes em uma escola. Nesse contexto, surgiu o interesse em compreendermos por que esses fatos ganham tal proporção, e o que leva a criança a cometer erros de escrita.

As conclusões do estudo apontam algumas importantes contribuições para a alfabetização, como, por exemplo, que se trata de uma prática cultural, permeada dos sentidos da criança, permitindo a interpretação dos “erros” cometidos. Esta “interpretação é necessária, para que não haja a hipótese de um distúrbio patológico, observa Massi (2007)”. “Os estudos e as técnicas da Linguística, como fundamental no processo de apropriação da escrita, porque contribuem na interpretação dos erros cometidos pela criança nesse processo. Os conceitos de fala, escrita e leitura representam as diferentes realidades de uma língua, no entanto, em sua essência, estão ligados entre si, aponta Cagliari (1989)”.


Material e Métodos
Objetivamos, nesta pesquisa, estudar e analisar questões relativas à alfabetização, a partir da definição de dificuldades de aprendizagem, na perspectiva histórico-cultural.

Partimos de nosso acompanhamento a crianças de segundo ano do Ensino Fundamental, em escola municipal de Francisco Beltrão, PR, em atividades de contraturno, para que elas alcançassem o nível de aprendizagem esperado pela escola e para apropriarem-se da língua escrita.

Trata-se de um estudo bibliográfico, no qual seguimos alguns procedimentos:

1. Organização de um planejamento de estudos;

2. Estudo de autores que tratam do aprendizado da alfabetização, da perspectiva Histórico-Cultural;

3. Realização de anotações, fichamentos e sínteses das leituras, a partir de orientação e participação em grupo de estudos, para compreendermos a contribuição de cada autor;

4. Análise das relações e contribuições desses conceitos para as questões sobre dificuldades de aprendizagem na alfabetização;

5. Sistematização das sínteses, fichamentos e análises, para verificar a compreensão sobre alfabetização ao concluir o projeto, levando em consideração os dados iniciais do acompanhamento realizado com as crianças em alfabetização.

A orientação dá suporte ao estudo realizado, pois esclarece as dúvidas que surgem com a leitura. A participação em grupo de estudo, traz contribuições importantes de pesquisadores na área de linguagem, da perspectiva histórico-cultural. As análises e sínteses propõem uma problematização acerca do objeto de estudo, auxiliando na compreensão das leituras e do processo de alfabetização.
Resultados e Discussão
Estivemos em contato com crianças que necessitavam de apoio pedagógico porque não apresentavam o rendimento esperado pela escola. Neste grupo de crianças, havia níveis de aprendizagem diferentes, algumas conheciam poucas letras e, quando solicitadas a escrever, utilizavam a inicial de seu nome repetidamente – única letra que sabiam traçar. A maioria delas fazia a correspondência letra-som, usando uma letra para cada sílaba e liam silabando. Apenas uma criança lia sem silabar, porém não compreendia o que lia e cometia muitos erros ortográficos. No primeiro caso, podemos perceber que as crianças ainda não compreenderam qual é a função da escrita, e que para escrever utilizamos letras correspondentes aos fonemas de uma determinada palavra, por isso, utilizam-se da mesma letra para escrever qualquer palavra. No segundo caso, temos crianças que já estão se apropriando da língua escrita, seus erros demonstram “as tentativas que fazem ao escrever, do mesmo modo que têm a possibilidade de tentar, errar e acertar quando estão aprendendo a falar, observa Cagliari (1989)”. No último caso, a criança também está em processo de alfabetização e “precisa ser ensinada a escrever de acordo com a norma ortográfica, ao longo de sua escolarização. Podemos constatar, ainda, que, na escola, normalmente, essas crianças são consideradas “atrasadas” em relação aos demais porque nem todas têm contato com a escrita desde cedo, por isso quando ingressam na escola agem de maneiras distintas e têm expectativas diferentes quanto ao uso da fala e da escrita, aponta Cagliari (1989)”.

“A linguagem escrita é uma prática cultural, produzida historicamente numa atividade dialógica e faz parte da constituição dos sujeitos, analisa Massi (2007)”. Por isso é importante que a criança em processo de alfabetização saiba para que serve a escrita, e quais são seus usos na sociedade. A interpretação errônea dos erros da criança, que está se apropriando da escrita, torna-se um equívoco, levando a determinadas situações escolares em que se tomam atitudes desnecessárias e até prejudiciais ao aprendizado. E essa interpretação errônea do processo de apropriação da escrita permitem-nos entender os acontecimentos históricos que resultam neste equívoco conceitual, ou ainda, nesta indefinição do que seja a dificuldade de aprender. O erro é, portanto, elemento do processo de alfabetização, apresentado pela criança que faz tentativas, corretas ou não, sobre a escrita. Aprendemos, também, de que modo o contexto da criança interfere em sua aprendizagem, especificamente no início da alfabetização, logo que ela chega à escola. Se ela estava em contato com livros, histórias, escrita ou não, se estava com pessoas que falavam muito ou não, ou então que falavam um dialeto específico – todos esses fatores interferirão no seu aprendizado.



É possível a compreensão de que “os “erros”, em grande parte, acontecem devido à variação linguística, que é o modo de falar específico de determinada região, uma vez que, para escrever, o indivíduo considera a fala. A escola, portanto, deve respeitar o dialeto de cada criança, porém, também deve ensiná-la que existem vários dialetos, e que há um considerado o padrão, analisa Cagliari (1989)” . Ainda podemos entender que, antes de alfabetizar a criança, é preciso conhecer quais são as expectativas dela em relação à escrita, se ela conhece a função da escrita e para que é usada. Assim o professor saberá o que ensinar.
Conclusões
As dificuldades de aprendizagem apresentam-se ainda indefinidas, confundidas muitas vezes com doenças patológicas. Nesse sentido, os “erros” cometidos pela criança, também sofrem um equívoco conceitual, sendo entendidos como sintomas de um distúrbio. No entanto, uma criança em processo de alfabetização, elabora hipóteses sobre a escrita, corretas ou não, demonstrando que ela está se apropriando da linguagem. Em muitos casos, os erros estão associados aos aspectos linguísticos como, por exemplo, o dialeto específico da criança. Portanto, é importante investigar o que levou a criança ao erro.
Agradecimentos
A Unioeste pelo projeto de ICV.
Referências
CAGLIARI, Luiz Carlos. (1989). Alfabetização e linguística. São Paulo: Scipione.
MASSI, Giselle. (2007). A dislexia em questão. São Paulo: Plexus Editora.





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