Estudos de Publico, contar para conhecer



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ESTUDOS DE PUBLICO, CONTAR PARA CONHECER? UMA PROPOSTA PARA PRODUZIR DADOS QUANTITATIVOS QUE AJUDEM A AVALIAR O USO SOCIAL DOS MUSEUS
Luciana SEPULVEDA KOPTCKE1

lsk@fiocruz.br

Museu da Vida – Casa de Oswaldo Cruz – Fundação Oswaldo Cruz - MV - COC FIOCRUZ




Resumo

Apresentaremos o trabalho de elaboração e validação de uma metodologia de coleta e armazenamento de informações sobre visitas e visitantes do Museu da Vida, desenvolvido, atualmente, em conjunto pelas coordenações de Educação e de Administração deste museu. Propõe -se a implantação de um sistema permanente de coleta, tratamento e compartilhamento de dados sobre os públicos visitantes que permita o acompanhamento longitudinal das práticas de visita e do perfil do visitante, assim como favoreça a comparação sincrônica entre visitantes e visitas a instituições similares. A proposta parte de experiências precedentes desenvolvidas tanto no próprio Museu da Vida quanto em outras instituições, que apontam a importância de discutir a pertinência da integração permanente de estudos de público e avaliação em seu cotidiano. A missão dos museus faz referência à educação, à popularização da ciência, à democratização do acesso a cultura, à promoção de um espaço de discussão crítica sobre conhecimento, fazer cientifico, alteridade, sociedade e comprometimento com o desenvolvimento humano e social da comunidade onde se insere. Neste sentido, conhecer nossos visitantes, suas expectativas e opinião constitui informação estratégica para melhor avaliar como os museus respondem à missão proclamada. Todavia, o uso efetivo de dados nas decisões e a produção de informações realmente significativas não são fato dado . A abrangência desta proposta cobre, num primeiro momento, necessidades localizadas, respondendo às questões mais prementes do Museu da Vida, mas busca estender-se a outras instituições. Visa, igualmente, oferecer alternativas à carência de estudos institucionais periódicos e sistemáticos voltados para a produção regular de dados estatísticos sobre práticas culturais e visitação a museus e centros de cultura cientifica.


UM OBSERVATORIO, PARA QUE, PARA QUEM?
A idéia de promover estruturas de acompanhamento e monitoramento da realidade social vem ganhando espaço em múltiplas áreas do conhecimento e de atividade2. Existem observatórios de quase tudo, mundo afora. Embora o termo possa nos remeter à idéia do panóptico foucaultiano, a proposta, na verdade, é fruto de uma percepção de gestão social baseada no princípio de compartilhamento de responsabilidades, de participação e em outro modelo de relação entre a ciência e a sociedade3. Assim, ao propormos um Observatório de Públicos de Museus, Centros de Ciências e Instituições afins, nos referimos a um espaço de escuta e de troca relacionando pesquisadores, profissionais e públicos a partir de um ponto comum: o interesse em discutir, propor e conhecer a oferta e o uso social de museus e a capacidade destas instituições em participarem ativamente de questões estratégicas para nossa sociedade, como o desenvolvimento humano, a democratização do conhecimento e a reflexão sobre o patrimônio cultural (consideramos a ciência e a tecnologia neste âmbito, enquanto cultura científica e tecnológica).

Este trabalho apresenta a proposta de elaboração e validação de uma metodologia para a coleta de informações sobre os públicos do Museu da Vida, pertinentes para a alimentação de uma base de dados que possa ser compartilhada com outras instituições semelhantes visando análises comparativas. Dados sobre a apropriação social de museus de ciências interessam a Pesquisadores, professores, gestores, educadores, interessados por dados socioculturais, pela divulgação e educação científica e pelo estudo específico sobre museus.

Entretanto, é preciso descaracterizar a produção de dados sobre os visitantes como valor intrinsecamente positivo, válido e significativo para a compreensão do fenômeno estudado. A inflação da demanda por pesquisas na área da cultura precisa também ser percebida no âmbito da afirmação de novos campos profissionais, como o marketing cultural e as consultorias de experts em avaliação. Kenneth Hudson (Hudson,K., 1993) questionou a validade de muitos estudos, principalmente os quantitativos. O autor argumentava que a maioria dos instrumentos desenvolvidos nas pesquisas quantitativas com questionários fechados, mostram-se ineficazes para promover a compreensão ou mesmo para explicitar fatos relativos às escolhas dos visitantes4. Questiona igualmente a utilidade e a relação custo/benefício de tais práticas para contribuir na diversificação e no aumento de visitas e visitantes a museus. Muitas vezes, as opções de resposta em instrumentos quantitativos não permite considerar respostas inesperadas (fugindo ao visitante padrão) e exclui novas perspectivas para compreender-se por que as pessoas não visitam estas instituições ou ainda como percebem e se apropriam aquilo que lhes é oferecido.

No entanto, informações sobre o perfil sociocultural dos públicos, sobre motivações para a visita, sobre o contexto social de visita (Falk, J., Dierking, L., 1992) constituem ferramenta de argumentação para apoiar políticas, programas, atividades e projetos relacionados à educação e à popularização da ciência em museus (estatísticas costumam ser utilizadas para respaldar decisões orçamentárias...). Neste sentido, consideramos como estratégica a pesquisa de públicos mas compreendemos a necessidade de utilizar com cautela a contribuição das ciências sociais para a compreensão do fenômeno museal, sem ufanismo5. A proposta de produção sistemática e periódica de dados comparáveis sobre a apropriação do museu (Museu da Vida-prática real de visita) feita pelos visitantes demanda discussão teórica e metodológica sobre o desenvolvimento de instrumentos de investigação capazes de ajudar na reflexão sobre o alcance do que está sendo proposto nestas instituições (A quem atingimos? Como somos percebidos?) e de permitir análises comparativas diacrônicas e sincrônicas entre instituições semelhantes.


Um outro aspecto, de natureza diversa da discussão metodológica, concerne a utilidade destas práticas. Os estudos são realmente foco da atenção (e das verbas) dos gestores? Contribuem efetivamente para modificar percepções e práticas? Finalmente, espera-se instaurar um espaço dialógico entre aqueles que concebem programas, exposições, atividades em nosso museu e os seus diferentes públicos.

Além de instrumentalizar os profissionais do campo museal, da cultura, da comunicação, da educação, e os pesquisadores interessados com informações fiáveis e regulares e fortalecer o campo, ampliando a discussão e tornando-a pública, (é importante pensar o papel dos museus na sociedade) o Projeto do Observatório apresenta, como compromisso, a criação de um espaço de escuta e diálogo com os públicos visitante e não visitante dos museus. Através da divulgação, também para este público, dos resultados das pesquisas e de seu interesse para a gestão e para a percepção destas instituições em nossa sociedade, espera-se contribuir para a promoção de um debate ampliado sobre o potencial dos museus para a melhoria das condições de vida na esfera da educação, do fortalecimento identitário, das interações e trocas entre culturas diferentes, da divulgação do conhecimento, do lazer e da sociabilidade entre outras possibilidades.


BUSCANDO CONHECER OS PUBLICOS DO MUSEU DA VIDA
Enquanto espaço não formal de educação e de divulgação das ciências, focalizando pontos relativos à promoção da saúde, o Museu da Vida constitui uma importante interface entre a Fundação Oswaldo Cruz, com seus diversos fóruns de realização, e a malha de grupos que formata o tecido social carioca e brasileiro. Neste sentido, a Coordenação de Educação do MV bem como a Coordenação de Administração e Planejamento têm procurado desde a inauguração do Museu em maio de 1999, criar mecanismos de escuta, de conhecimento e de avaliação de seu desempenho junto a seus múltiplos públicos alvo. A visita ao campus tem sido registrada através de bilheteria fictícia e dos registros dos grupos agendados permitindo um acompanhamento do fluxo mensal de visitantes ao longo destes anos. Percebemos por exemplo, que quando o museu passa a receber visitantes nos finais de semana (em abril de 2000) este publico chegou a representar 41% da visitação (em relação ao público escolar)6 apontando um valor mínimo de 27% entre julho de 2000 e junho de 2001.

Considerando o total dos visitantes agendados (escolares e outros grupos) no período entre abril e dezembro de 2000, os visitantes de final de semana constituíram até 57% da visitação no mês de julho (férias escolares) com índice mais baixo em outubro, de 21%. Ao observarmos o ano de 2001, de janeiro a dezembro, percebemos uma flutuação entre um valor mínimo de 13% em Outubro (mês de pique na visita agendada) com diminuição da visita de final de semana, e um ápice de 231% (!) de visitantes livres nos finais de semana no mês de fevereiro, mês de queda da visita de grupos durante a semana7. Em 2002, observa-se diminuição global da visitação no Museu da Vida, sendo que as visitas livres (finais de semana) representam 22% do total. Considerando a média aritmética de visitantes/dia8 nos finais de semana, por cada mês, encontramos o seguinte quadro


T 1 - Relação da média aritmética do número de visitantes por dia em cada mês (apenas finais de semana e feriados)





jan

fev

mar

abr

mai

jun

jul

ago

set

out

nov

dez

2000










274

488

558

324

411

283

225

231

77

2001

128

125

171

156

331

205

206

357

246

189

174

90

2002




74

135

215

588*

89

84

254

144

126

119

95

2003

72

78

70

479*

150

782*

124

169

198

198

145



* nestes dias houve registro de eventos especiais como o Fiocruz para Você e Genes no Parque.


Observa-se que em 2000 o pique de visitação nos finais de semana corresponde aos meses de junho, maio e agosto, havendo decréscimo até dezembro (um dos meses de menor visita assim como janeiro e fevereiro). Já em 2001, o pique corresponde ao mês de agosto, seguido de maio e setembro. Houve diminuição em todos os meses salvo dezembro quando se registra ligeiro aumento. Em 2002, agosto, maio e abril são os meses de maior movimento. A tendência de diminuição nos meses de férias de verão persiste. Em 2003, junho e abril são os meses de maior movimento porém deve-se considerar o impacto do Fiocruz para Você e do evento Genes no Parque nos resultados destes meses. O potencial dos finais de semana surpreende, mas não se mantém ao longo de 20029 apresentando diminuição sistemática entre 2000 e 2003, sendo que no último período observado, em 2003, registramos uma leve melhora. Por que? Analisar e interpretar o fluxo de visita requer informações sobre as condições de acolhimento no museu, variação no serviço ofertado, eventual fechamento da instituição (por motivos variados como intempéries, reforma, etc), esforço de investimento em divulgação na imprensa, assim como, sobre as características dos públicos e das formas de visitar.

Neste sentido, ainda em 2001, foi iniciado um estudo exploratório sobre o perfil e a opinião destes visitantes dos finais de semana. Esta pesquisa de opinião foi realizada em duas etapas. Num primeiro momento, os questionários foram auto aplicados pelos visitantes. Análises parciais de dados desta primeira etapa evidenciaram a vocação deste museu junto ao publico familiar (cerca de 60%) destacando-se a presença do publico infantil (71% declara estar acompanhando criança). Recebemos em media 2 crianças para cada adulto, na maior parte (69%) na faixa de 6 a 12 anos. Apenas cerca de 9% dos entrevistados encontram-se entre 15 e 18 anos sugerindo que haveria um trabalho a fazer junto a este público, originalmente o público alvo prioritário do Museu da Vida. A análise de cerca de uma centena de questionários auto-aplicados gerou o Primeiro Relatório parcial sobre Perfil e Opinião dos visitantes de final de semana que apontou, todavia um desvio importante relativo ao nível de escolarização dos visitantes. São, sobretudo os mais diplomados que concordam em responder a pesquisas por questionários. Assim, decidimos relançar a pesquisa com entrevistadores, gerando a segunda etapa do estudo.

Esta fase originou uma amostra de cerca de 500 entrevistas reunindo informações sobre tópicos relevantes para a identificação do perfil dos visitantes e do tipo de visita pretendido. Foram igualmente registradas as opiniões sobre serviços, atividades e sobre os espaços e exposições permanentes do Museu da Vida. Uma análise preliminar dos resultados destas 501 entrevistas revela, por exemplo, que 74% de nossos visitantes, em 2001, vêm pela primeira vez ao museu (primo visitante)10. È, principalmente, através da recomendação de outras pessoas que os visitantes ficam sabendo sobre o Museu da Vida sendo, em sua maioria, as visitas feitas em família. Conhecer a Fiocruz é o principal motivo declarado para a visita, seguido pela curiosidade de conhecer este novo espaço cultural e, em terceiro lugar, pelo desejo de alargar os horizontes e conhecer coisas novas. A visita é considerada (em ordem de grandeza) agradável, interessante e instrutiva e 96% dos visitantes declaram Ter a intenção de retorno ao Museu. Este grupo de visitantes era sobretudo feminino (67%), e no seu conjunto (homens e mulheres) encontra-se, na maior parte, na faixa de 30 a 39 anos. Quanto à escolaridade, observamos que a maioria dos visitantes possuem nível de escolaridade de terceiro grau completo (21%), e considerando aqueles que ainda estão cursando a universidade (18%) ou que já estão em pós graduação (11%), chegamos a 50% de nosso público de finais de semana11. Tal realidade, com relação ao nível de instrução, está bastante afastada do conjunto da população brasileira, como podemos observar no quadro abaixo, confirmando ser o museu um espaço ainda cultural e socialmente seletivo.
2 – Freqüência de Conclusão do curso superior (graduação mestrado e doutorado) na população brasileira com mais de 25 anos e os mesmos dados no Museu da Vida





Museu

População brasileira %

Conclusão superior

32

6,8

* Instrução – última série concluída

** PNAD 2003, IBGE.
A construção do instrumento de investigação (questionário) utilizado neste estudo, pautou-se em pesquisas apresentadas na literatura especializada contemplando a problemática da apropriação do museu no âmbito das práticas culturais, de lazer e de educação permanente de adultos. Este tema se insere, de forma abrangente, no âmbito das questões relativas à apropriação diferenciada da cultura (Bourdieu, P., 1972, Forquin J-C, 1984). A cultura varia de uma sociedade a outra e de um grupo a outro dentro de uma mesma sociedade. Assim, a visita a museus é praticada diferentemente segundo os segmentos sociais, as fases da vida, os hábitos de lazer privilegiados, a organização do tempo, entre outras variáveis.

Mas como evoluem estas praticas? Como saber se nossos visitantes se assemelham aqueles dos outros museus cariocas? Comparar dados demanda sistematização e regularidade.

Desenvolvemos outra iniciativa visando o conhecimento do público: a pesquisa domiciliar sobre os hábitos de lazer e práticas culturais e, mais especificamente, sobre a visita a museus e instituições afins com foco no conhecimento e frequentação do Museu da Vida da Casa de Oswaldo Cruz, junto aos habitantes dos bairros de Olaria, Bonsucesso e Ramos denominada pelo grupo de trabalho envolvido no projeto “COMVIDA – Conhecimento do Museu da Vida”. Tal pesquisa foi fruto de solicitação da coordenação de educação do Museu da Vida ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no âmbito de programa de treinamento desenvolvido pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE). O relatório deste estudo de praticas declarativas de um publico potencial aponta, por exemplo, que do total de moradores, 24% declara conhecer o Museu da Vida e destes, 20% dizem já ter visitado o Museu, porem desde de sua criação o Museu foi visitado por 5% dos moradores destes bairros da zona norte, geograficamente próximos. Aponta ainda que a faixa etária entre 15 e 19 anos concentra o maior numero dos que declararam já ter visitado museus (85%). Estes, em sua maioria possuem ensino fundamental ou ensino médio completo sugerindo o contexto escolar destas visitas. Sabemos igualmente que os alunos do ensino médio são os que menos visitam o Museu da Vida, e os que menos saem da escola, devido a quantidade de conteúdo, falta de professores, vestibular, e a concepção ainda presente de que sair da escola e apenas passeio. Como interpretar estes dados? Relacionar dados provenientes de pesquisas de práticas declarativas (publico potencial) e de práticas reais (público real) pode ser interessante, mas deve-se tomar certas precauções pois nem tudo pode ser comparado, como por exemplo, declarar uma visita e realizar uma visita não são dados da mesma ordem.

Finalmente, outro aspecto que merece destaque na origem da proposta de implementar o Observatório de Públicos de Museus e Centros de Ciências, é a carência de estudos periódicos que ofereçam subsídio para pesquisas sobre a evolução das práticas culturais e de lazer, das práticas de apropriação dos meios de divulgação da ciência, incluindo-se a visita a museus, do interesse manifesto por informação em saúde, entre outros pontos de destaque. Embora a análise preliminar dos Anuários Estatísticos do Brasil (IBGE) aponte que dados relativos à cultura e à visitação a museus encontram-se presentes desde o primeiro exemplar, (1908 – 1912) (Koptcke-Sepulveda, L., Pereira, M., 2002), ignora-se ainda suas condições de produção, visto que provinham de fontes diferenciadas, impedindo uma análise longitudinal destas práticas na sociedade brasileira.

Atualmente, museus compartilham financiamento público e privado com outras instituições e encontram-se inseridos em duas lógicas diferentes e nem sempre complementares: uma lógica de mercado, da indústria cultural, e uma lógica de legitimidade social. Neste contexto a pesquisa de público torna-se uma peça estratégica para a negociação de fundos, para a conquista de credibilidade junto à sociedade e para favorecer uma auto- avaliação institucional considerando os diferentes públicos como parâmetro de qualidade.
ALCANCE E FINALIDADE DO OBSERVATÓRIO DE PÚBLICOS DE MUSEUS E CENTROS DE CIENCA
O Projeto, aqui em discussão, pressupõe que seja possível produzir informações pertinentes para a compreensão do uso dos museus e a avaliação de sua contribuição para a sociedade utilizando dados estatísticos construídos junto ao público em situação de visita e articulados com outros dados de referência sobre a população de estudo, bem como, com informações oriundas de pesquisas qualitativas. Considera, então, ser necessário nos debruçarmos de forma criteriosa sobre a natureza do que podemos obter como informação sobre o visitante e a visita a partir de um questionário.

A partir destes pontos, pretendemos validar um protocolo para a coleta de dados sobre os públicos do Museu da Vida que pudesse ser compartilhado com outras instituições e que fosse aplicado regularmente alimentando um Banco de Dados comum.

Os dados produzidos no âmbito deste sistema de coleta e organização periódico de informações sobre visitantes e visitas ao Museu da Vida deverão estar disponíveis para consulta de instituições, pesquisadores, profissionais, dos próprios visitantes, na forma de relatórios anuais impressos, e, de forma permanente, na web. Acreditamos que possam gerar publicações e artigos científicos em áreas diversas, como na sociologia da cultura e da apropriação da ciência, na museologia, referente aos estudos e avaliação em museus, entre outras. Pretende-se igualmente que estes dados orientem o planejamento global da instituição, ajudando gestores, educadores, divulgadores a estabelecer metas e critérios de excelência para sua atuação.

RELANÇANDO A PESQUISA EM 2003

Com o apoio financeiro do PROTEC e contando com a parceria da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), a equipe pode, em 2003, pleitear o relance da pesquisa de campo nos finais de semana, de forma piloto no mês de novembro no Museu da Vida mas também em outras instituições cariocas12 a partir da análise do relatórios referentes às entrevistas realizadas em 2001, junto À equipe da ENCE13.

Uma primeira avaliação do corpo de aspectos abordados no instrumento utilizado apontou a ausência de questões relativas à percepção publica da ciência e ainda sobre a implicação de atitudes individuais e sociais frente à ciência na escolha e na forma de visitar um museu ou centro de ciência ou mesmo no reconhecimento de um museu enquanto museu de ciências. Consideramos que abordar tais aspectos mereceriam uma pesquisa particular, visto que a extensão do questionário é fator de importância para a viabilidade de sua aplicação em situações naturais (fora de um contexto de pesquisa onde o entrevistado, predisposto, dispõe de maior tempo). Além disto, o foco principal deste primeiro protocolo é o perfil de visita e do visitante. Questões referentes a percepção e à representação (mesmo à percepção do museu) são melhor exploradas em entrevistas qualitativas, individuais ou em grupos focais. Limitamo-nos, neste aspecto, À perguntar (em questão aberta, ainda) quais temas e áreas do conhecimento o visitante gostaria de encontrar em museus e centros de ciências. Tal questão, de natureza exploratória, busca identificar tópicos de maior interesse e a existência do próprio interesse, visto que a capacidade em definir algum interesse sugere sua existência.
Além disto, pudemos adequar códigos ( para profissões e logradouros, por exemplo) e categorias utilizando aqueles das pesquisas desenvolvidas pelo IBGEi[i]. Estudos mais qualitativos sobre o sentido de algumas respostas deverão ser realizados, sobretudo no que se refere ao uso de certos adjetivos recorrentemente utilizados para caracterizar a visita (ex, interessante, divertida, instrutiva, etc)

Propõe-se, igualmente, a identificação de questões de ordem mais geral, pertinentes para qualquer instituição museal , outras especificas aos museus de ciência e ainda outras particulares ao museu da vida, estabelecendo uma organização posterior no armazenamento de dados que poderão ser disponibilizados para consulta e utilização.


ETAPAS DE REALIZAÇAO DA PROPOSTA



A Reformulação do instrumento (desenho e validação do questionário) (primeiro instrumento para testar o sistema e estabelecer a base de dados comum)

A definição de um questionário (em anexo) privilegiando questões fechadas ou semi-abertas, como instrumento de coleta de informações sobre públicos visitantes de museus, pauta-se na necessidade de se obter informações sobre o perfil sociocultural de visitantes de museus, dentro de padrões de generalização passíveis de comparações sincrônicas e diacrônicas. Tal procedimento, característico das ciências sociais, permite estabelecer relações entre componentes do comportamento de ordem individual e da ordem do coletivo (social), não evidentes na percepção do senso comum. Assim, por exemplo, Durkheim discute, no inicio do século passado, determinações sociais do suicídio e Bourdieu evidencia, no final da década de 60, a relação entre o gosto a origem social e o capital cultural familiar. Sabemos, todavia, que a leitura das relações numéricas como forma de registro e medição de fatos observáveis é repleta de pressupostos e sua tradução é feita sempre a partir de um quadro conceitual abrangente de onde emanam as chaves interpretativas mas que pode, ele também, sofrer modificações provocadas por evidências de campo. Seria possível imaginar que teorias secundárias (aplicação de modelos abrangentes a situações particulares com redimensionamento do poder de generalização) são questionadas a partir de novos “inputs” interpretativos oriundos, inclusive, de verificação em campo, a partir de abordagens metodológicas diferenciadas (outros recortes amostrais ou formas de coleta de dados, etc) ou,e complementares com dados de natureza diversa (é o caso quando precisamos aprofundar com entrevistas abertas o sentido de respostas dadas em questionários fechados).

Consideramos importante, na primeira etapa deste estudo sobre as modalidades de visita e o perfil dos visitantes do Museu da Vida, identificar tendências gerais e confirmar ou infirmar as relações, por exemplo, entre escolaridade e frequentação ou entre renda e modalidade de visita. Outros fatores, como o contexto social de uma visita (com quem se visita, em que circunstancias), ou o fato de habitar nas proximidades ou ainda o impacto de determinadas ações institucionais (torna-se necessário avaliar investimentos e políticas visando a democratização do acesso à informação, à cultura, à apropriação de espaços públicos institucionais) revelam-se igualmente merecedores de atenção. A atual versão do instrumento partiu do estudo de diferentes pesquisas realizadas no Brasil14, na Franca, no Canadá e nos USA. Considerou-se também as necessidades particulares da instituição em questão, o Museu da Vida, situado no campus da Fundação Oswaldo Cruz, instituição tradicional de pesquisa em saúde.

O questionário atual

O atual instrumento de coleta de dados é composto por 37 campos, agrupados em quatro grupos de variáveis da pesquisa:


1 – Variáveis para o Contexto Social e Pessoal (agenda pessoal para a visita):


    1. – Primeira visita ao museu da vida

    2. - Primeira visita à Fiocruz

    3. - Como ficou sabendo sobre o Museu

    4. Como veio (meio de transporte)

    5. Qual o principal motivo

    6. Com quem está veio ao museu

    7. De quem foi a iniciativa da visita




  1. – Variáveis Temporais




    1. – Data da entrevista

    2. Horário da entrevista

    3. Tempo de permanência desde sua chegada até a entrevista

    4. Final da visita (?)

    5. Tempo passado no museu

    6. Tempo estimado futuro (desejo)




  1. – Variáveis relativas à visita realizada e a Opinião sobre a mesma

    1. – Atividades das quais participou

    2. - Espaços visitados

    3. Avaliação dos espaços e atividades segundo conteúdo tratado, manutenção dos equipamentos, atenção dos mediadores, qualidade de sanitários e outros elementos de conforto

    4. Outras coisas que gostaria de fazer na Fiocruz

    5. Adjetivos caracterizando a impressão sobre a visita

    6. Intenção de retorno ao Museu da Vida

    7. Sugestões




  1. – Variáveis relativas à Identificação sociocultural do visitante

    1. – Sexo

    2. Idade

    3. Estado civil

    4. Nível de instrução

    5. Continuidade dos estudos

    6. Temas de interesse que gostaria de encontrar em museus e centros de ciência

    7. Local de moradia

    8. Atividade profissional

    9. Tipo de atividade profissional

    10. Ocupação outra

    11. Renda domiciliar mensal

    12. Auto avaliação de classe econômica




  1. - Variáveis culturais

    1. – Visitou outro museu nos últimos 12 meses

    2. dias de visita

    3. local de visitas

    4. desejo de visitar mais

    5. impedimentos


Outros questionários e instrumentos

Consideramos que outros instrumentos de coleta devam ser implementados posteriormente, contemplando demandas especificas de levantamento de informação, complementar ou não ao questionário base Perfil/Opinião. Por exemplo, entrevistas qualitativas com grupos focais poderão ser desenvolvidas para elucidar o sentido de algumas tendências identificadas, bem como pesquisas com grupos específicos sobre tópicos pontuais ou articulando entrevista e observações durante a visita /ou após a visita (algumas semanas/meses após).


Pesquisa e definição do programa estatístico mais adaptado


A equipe levantou, junto a técnicos da área estatística, programas estatísticos com potencial para corresponder às necessidades do projeto. Contamos com o aconselhamento de consultores da ENCEii[ii]. O programa em uso atualmente é o SPRO (?)

Aplicação do questionário

Durante o mês de novembro, 2003, foram contratados entrevistadores e técnicos em estatística para tratamento de dados coletados. O objetivo foi testar, em campo, a aplicação do novo modelo do questionário, em diferentes museus, para viabilizar a realização da pesquisa em 2004, inaugurando o Projeto Observatório. No próximo ano, seguindo plano amostral a ser definido com base no estudo da visitação média dos últimos anos, serão entrevistados visitantes de final de semana durante 12 meses, cobrindo todos os períodos da vida de um museu (férias escolares, feriados, períodos do ano letivo, datas e comemorações).

Na primeira experiência de campo, em 2001, havíamos estabelecido a definição do tamanho e a composição do grupo amostral ao acaso, pelo fato de não haver, a principio, uma população de origem absoluta e constante com características imutáveis (a população de visitantes do Museu da Vida pode variar em número e composição). Atualmente o estatístico contratado pelo Projeto Observatório PROTEC, a partir de estudos amostrais repetidos, está identificando as características de uma provável população de visitantes.

Estudo para montar a base de dados


Com o apoio da equipe de informática da Casa de Oswaldo Cruz, faz parte deste projeto identificar sistemas existentes de compartilhamento de dados e bases de dados com atualização on line e capacidade de adaptação a variados sistemas utilizados, inclusive, em outros paises.

Digitação de dados na fase atual


A digitação está sendo realizada por estatísticos contratados da ENCE.
Lembramos ainda, que dados são produto de construção, na interseção de diferentes ciências (e interesses) e sujeitos a usos e interpretações variados. Faz-se importante ter clareza sobre os objetivos que norteiam a coleta destes dados, explicitar e registrar as condições de produção dos mesmos e avaliar todo o processo periodicamente, considerando modificações nas características do que é ofertado pelo Museu bem como mudanças na sociedade relativas, por exemplo, à evolução do nível de escolaridade local e regional, ao panorama de ofertas na área cultural e cientifica, a efemérides relativas ao Museu. A discussão sobre os objetivos norteadores da pesquisa Perfil/Opinião deve ser recolocada periodicamente e novos temas poderão ser integrados, outros redimensionados, escutando, inclusive demandas internas. Todavia a base desta pesquisa (características socioculturais e forma de visita), definida ao longo do tempo mediante estudos e avaliação, deve ser considerada como constante a ser relançada periodicamente permitindo, então, um estudo longitudinal da visitação do museu.
ESTRUTURA DE FUNCIONAMENTO E SUPORTE VIRTUAL
CONSELHO TECNICO CIENTIFICO (CTCO)

A proposta do protocolo de pesquisa aqui apresentado está intrinsecamente relacionada à proposta de formação de um Comitê Técnico Científico que oriente a condução futura do projeto, analisando a pertinência dos dados construídos, sugerindo novas temáticas e procedimentos de investigação, promovendo a análise e interpretação dos dados, suscitando publicações diversas (boletins, artigos, dossiers temáticos), ações de formação, debate público on line, eventos como encontros, seminários, palestras oficinas.Este Comitê funcionaria por um lado, como o comitê editorial de uma revista, discutindo pauta, compartilhando algumas responsabilidades. Sua ação também seria de duração determinada a ser definida. Seus membros podem ser substituídos. Há de se definir um número máximo e os critérios para a sua composição as~, principalmente, interesse, experiência e competência técnico científica na área em questão.

Representaria instituições museais, universidades, e outras instituições em todo o Brasil. Deverão

participar de reuniões periódicas.

COORDENAÇÃO GERAL E SECRETARIA

Além do Comitê, o Observatório deverá contar com uma coordenação/animação geral articulando os diversos pólos ou núcleos de rede espalhados em museus e universidades, por exemplo. Esta coordenação, assegurada por um membro do CTCO, terá uma duração de tempo determinado a ser discutido entre os membros do Conselho Técnico Científico. Junto a esta coordenação deverá funcionar uma secretaria de apoio contribuindo para a animação do Portal, assessorando a coordenação na organização de publicações, eventos, boletins, pesquisas biliográficas de atualização, outras pesquisas.

UM ESTATÍSTICO

O Observatório deve buscar garantir um posto de estatístico permanente para sua equipe executiva garantindo o tratamento dos dados. Pode pensar também em convenções de estágio com a ENCE, por exemplo.

MEMBROS PARCEIROS (MP)

São considerados membros parceiros aquelas instituições que participam alimentando a base de dados com a coleta de dados em seus museus segundo protocolos acordados em consonância com o Conselho Técnico Científico do Observatório e a Coordenação Geral. Deverão se cadastrar, possuirão senha para alimentar diretamente a base dedados relativa a seu museu e participarão de reuniões (periodicidade a ser definida). Participam do Observatório sem limite de tempo. Não há restrição quanto ao tipo de museu ou instituição afim participante. Poderemos integrar Centros culturais, museus de vários tamanhos e procedência e incluir varáveis de identificação das instituições (onde estão localizadas, centro/periferia, urbano/rural, grande centro/médio, tamanho da área de exposições, natureza do acervo, quadro de pessoal, natureza das atividades, programas, serviços oferecidos), sugerindo que façamos uma parceria com outras fontes de produção de informação como o Ministério da Cultura, a Comissão do Patrimônio da USP, a FUNARTE, para citar alguns atores que vêm desenvolvendo estudos sobre os museus.

NUCLEOS DE REDE

Consideramos que o Observatório possa funcionar em rede onde, por associação, novos membros podem integrar o grupo. Os novos membros poderão solicitar representação do CTCO.

A BASE DE DADOS

A base de dados principal ficará, a princípio, abrigada no Museu da Vida, com previsão futura para compartilhamento entre os membros. As instituições deverão pactuar procedimentos compatíveis de registro do número total de visitantes (integralidade das visitas) caracterizando sempre o tipo de visita (escolar, grupos outros especificar, familiar e individuais) no decorrer de cada ano. Um estudo de perfil e opinião compartilhado, a partir do protocolo que aqui apresentamos, poderá, periodicamente, trazer maiores informações. Variados outros estudos poderão ser incorporados, incluindo estudos domiciliares.

PORTAL VIRTUAL

Propõe-se a criação de um portal reunindo informações sobre pesquisas, artigos, espaço para sugestões, consulta aos dados, resultados de pesquisa, resenhas, dicas de visitas, críticas à oferta cultural, demanda de dados, compartilhamento de textos para down load, pesquisa online. O portal seria a “sede”, o espaço público do Observatório que pode ser visitado e utilizado.

GESTÃO FINANCEIRA DO PROJETO

O projeto deverá buscar apoio financeiro junto às instituições participantes e a instituições de fomento governamentais e privadas. Os membros parceiros devem procurar financiar a sua participação com contrapartida relativa à condução das pesquisas de campo.


FINALMENTE, O QUE SE ESPERA?
Primeiramente, pretendemos neste processo, organizar o sistema de coleta e registro de informações sobre os visitantes do Museu da Vida visando facilitar e agilizar analises variadas, necessárias ao funcionamento cotidiano do Museu. Um aspecto de grande interesse, uma vez consolidados os dados, constitui a possibilidade de compartilhamento on-line e de atualização da informação sempre que necessário.

Logo, impacto relativo à possibilidade efetiva de permitir a utilização de dados sobre os públicos no funcionamento institucional cotidiano.

Outro aspecto merecedor de destaque concerne o projeto de construção de dados compatíveis para comparação entre instituições diferentes, contribuindo para preparar o projeto de implantação do Observatório Permanente de Públicos.

Pretende-se construir alguns indicadores que nos permitam estabelecer comparações com instituições internacionais. Podemos listar, sem preocupação de exaustividade : taxa global de visitação (% da população da cidade ou do país que já visitou o museu), taxa de notoriedade (% de população que já ouviu falar do museu em questão mesmo sem tê-lo visitado), taxa de renovação e de fidelização dos públicos, (% de primovisitantes e ritmos de visita nos últimos 12 meses e 5 anos), variação da participação de segmentos socialmente diversos nas atividades propostas pelo museu e no seu espaço permanente de visita, entre outras possibilidades.

Espera-se, assim, lograr impacto na produção cientifica no campo da estatística cultural e em pesquisas afins, bem como na forma de gestão e na dinâmica de comunicação entre as instituições participantes do Observatório, com a organização de um sistema de registro sistemático do uso e apropriação social de museus, em resposta a carência de estudos institucionais que ofereçam subsídios para pesquisas sobre a evolução das praticas culturais e de lazer, das praticas de apropriação dos meios de divulgação da ciência, entre outros pontos de destaque.

Referencias bibliográficas.

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SILVA, Maria Cristina de Souza e. Pesquisa de público em museus e instituições abertas à visitação: fundamentos e metodologia. Rio de Janeiro: UFRJ, 1989. 122p. (Dissertação de mestrado)




1 Este texto foi, em grande parte, objeto da apresentação na VIII Reunion da Red Pop em Léon, México, em 2003, tendo, todavia, sofrido modificações. O Projeto Observatório de Públicos está sendo desenvolvido no Museu da Vida, pelas coordenações de Educação e de Administração e Planejamento e recebeu, este ano, apoio financeiro da Casa de Oswaldo Cruz através do edital do Programa Estratégico de Produtos, Metodologias e Tecnologias, PROTEC . Equipe responsável pelo projeto no Museu da Vida: Luciana Sepúlveda, Sergio Damico, Marcelo do Espirito Santo, Marcele Pereira.





2 Grande parte dos Observatórios está relacionada ao monitoramento ambiental mas encontramos também Observatórios relativos à violência, à saúde, à gestão da Ciência e da Tecnologia, para citar alguns. Eles estão relacionados a instituições governamentais e não governamentais, a universidades, a institutos de pesquisa, entre outros.

3 É na discussão das noções de risco e incerteza, com amplo exemplo na área da gestão e do debate sobre ambiente e saúde, que surge a instabilidade do modelo hegemônico onde ciência e tecnologia encarnam o próprio valor do bem e da verdade. Nesta nova perspectiva, parte-se de um contexto, de um compromisso e de uma prática onde os inputs científicos serão discutidos e avaliados a partir de uma comunidade ampliada de pares, estabelecendo novos moldes para a relação entre ciência e sociedade. Todavia, deve-se considerar que as ciências sociais ou históricas nunca conheceram, efetivamente, um período de ciência normal no sentido de Kuhn, pois admitem diferentes aportes teóricos e leituras para interpretar os fatos históricos descritos e construídos como objeto. A produção de conhecimento sobre museus e seus públicos deve integrar a escuta e o diálogo com estes indivíduos enquanto sujeitos.

4 I suppose what I am saying is that most consumer resaerch is very shallow and very unimaginative. It fails to dig deeply enough (...) I do not mean that all visitor surveys are useless. They can be helpful, provided they confine themselves to simple facts which can be processed and classified without too much distortion. It is useful, for instance, to know the age, Sex, occupation and ethnic backgroud of visitors, where they come from, how they travel and whether they come alone or in family groups. Hudson, K., in Bicknell and Farmello, 1993.

5 Alguns autores (desconhecemos as fontes do texto aqui citado como referência), apontam duas grandes ilusões pesando sobre o trabalho empírico em sociologia ou em ciências sociais: a ilusão experimentalista (sonho nomológico) e a ilusão teoricista (divagação interpretativa). No primeiro caso, acredita-se que é possível chegar à uma verdade absoluta através da descrição “científica” do fenômeno observado e sua articulação com um repertório conceitual de interpretação (quadro teórico). A Segunda alternativa, ignora a observação dos fenômenos e, quando muito, utiliza – a meramente para ilustrar um corpo de idéias (um tipo de metafísica).

6 È importante notar que consideramos, neste primeiro relatório, somente os grupos agendados escolares excluindo desta relação os grupos agendados de outra natureza (como organizações e associações, creches e colônias de férias). Tal escolha modifica significativamente a proporção entre agendados e não agendados de final de semana. Nosso objetivo foi salientar o peso da visita escolar em sua relação com os visitantes dos finais de semana (não escolares) para tentar perceber a importância deste segmento no fluxo de visitação do MV. Posteriormente, consideramos que a comparação deve ser realizada entre escolares no final de semana e durante a semana e entre não escolares no final de semana e durante a semana, visto que cada vez mais grupos organizados visitam o Museu, sem agendamento, nos finais de semana, incluso os grupos escolares. O valor da proporção entre agendado (todos) e não agendados (finais de semana) para todo o ano de 2001, ficou em 25 % de visitas livre contra 75% de agendadas (nem todas escolares). Um estudo mensal identifica flutuação destes resultados para 2001 entre 231% (fevereiro) a 13% (em outubro). Em 2000 a variação foi de 21% (outubro) a 57% (julho), sendo que a proporção global e agendada/livre ficou em 23%.

7 Em fevereiro de 2001, o Museu da Vida recebeu durante a semana 502 visitantes e nos finais de semana 217.

8 A partir dos dados oficiais do Museu da Vida, gerados pelo Centro de Recepção, realizamos a soma dos registros de visita para cada mês e dividimos pelo número de dias de visita, seja Sábado, Domingo e eventualmente, feriado no mês em questão chegando ao indicador média de visitantes/dia.

9 Na verdade é preciso considerar o aumento real de visitantes em cada mês, comparando a taxa de visitas realizadas mensalmente com o mesmo valor no mês anterior (% a mais ou a menos e % cumulativa ao final do ano) e no mesmo mês em anos diferentes.

10 Acompanhar a evolução da relação entre primovisitantes e visitantes reincidentes permite verificar a capacidade da instituição de renovar ou fidelizar seu público. Além disto, as expectativas e o modo de visita destes grupos difere.

11 Ver Relatório descritivo Perfil dos Visitantes e Fim de Semana, Escola Nacional de Estatística, Coordenação de Educação do Museu da Vida, 2002.

12 O Museu de Astronomia e Ciências Afins, o Museu do Índio e a Casa da Ciência participaram desta experiência.

13 A parceria com a ENCE vem mostrando-se fundamental no desenvolvimento de nossas aspirações.

14 Apenas para citar alguns exemplos, sem pretender à exaustividade, mencionamos o Relatórios de Pesquisa nº3, IBGE, Hábitos culturais e de lazer dos moradores das adjacências do Museu da república, 1998, Donnat, O, Les pratiques culturelles des Français, 1997, La cité des Sciences et ses Publics, dossier par Mengin, ª, et Suillerot, Análise Estatística dos Visitantes do Museu da república, ENCE, monografia, 1999 Relatório sobre o Perfil dos Visitantes do Museu Imperial, Relatório sobre o Público visitante do Museu de Astronomia e Ciências afins, Variados instrumentos como o questionário auto aplicado de Explora, México, Questionário utilizado em minha pesquisa de Doutorado, ele mesmo fruto de pesquisas anteriores na França.

i[i] IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

ii[ii] ENCE – Escola Nacional de Ciências Estatísticas.




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