Estudo Espírita



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Estudo Espírita


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Centro Espírita Léon Denis

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Tema:“ A Porta Estreita.”
O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap.XVIII itens 3 a 5

Expositor: Flávio Mendonça

João Pessoa - PB


08/05/2004

Prece Inicial:




<__Eveline__> Mentalizemos Jesus, imaginemo-Lo como a impor suas mãos sobre cada um de nós. De seu coração espargem luzes, fluidos, bálsamos que nos refertecem a alma. Lembremos de Seus ensinamentos que são roteiro para nossas vidas e peçamos que esteja sempre conosco, intuindo ao nosso irmão que fará a palestra. Que o estudo da noite possa encontrar abrigo em nossos corações e mentes e possamos agir no nosso dia-a-dia, conforme nosso aprendizado. Fica conosco Jesus para que consigamos, vencendo os obstáculos que nos separam de nossa evolução espiritual e moral, estar contigo, tanto quanto permaneces conosco.

Que assim seja!


Exposição:

- Obrigado Eveline!Que em nome de Deus, de Jesus, nosso mestre amado, e Caibar Schutel, nosso mentor espiritual, possamos hoje aprender e tirar o melhor proveito para nossa felicidade.

Queridos irmãos, estudantes das verdades eternas, é com imenso prazer que divido com vocês estes instantes de aprendizado e renovação fundamentados nos ensinos do Cristo. Que possamos juntos apreender tudo que estudaremos hoje, possibilitando a sua prática em nossas ações diárias. Que Jesus nos abençoe a todos! A lição de hoje refere-se às questões de 3 a 5 do cap XVIII do ESE - A porta estreita.

“Estreita é a Porta da Salvação e Larga a da Perdição”.Esta frase dita por Jesus, conforme textos do Evangelho, reflete e guarda grande profundidade. Que desejaria Jesus sugerir com ela?

Todo o trabalho missionário de Jesus é visto como algo muito misterioso, suas frases muitas vezes guardam segredos que os homens não entendem o sentido verdadeiro, ou se guardam, não as entendem com precisão.

Religiões diversas trazem concepções diferentes sobre seus ensinamentos. Umas citam Jesus, mas se reportam quase sempre ao Velho Testamento como fonte segura de suas interpretações. Falam que a Bíblia é a palavra de Deus. Esquecem-se, porém do dito de Paulo, o apóstolo: “A letra mata, mas o espírito vivifica”. Outras exaltam Jesus, divinizando-o, porém, mantêm-se distantes de seus ensinamentos; criam-se dogmas incoerentes para formularem seus arcabouços de interesses mesquinhos, mas pergunta-se: O que se pode fazer para obter a salvação, se é que existe algo inteiramente perdido? Numa linguagem própria da época, Jesus descreveu que o caminho é o da porta estreita, ou seja, o do sacrifício. Mas seria o sacrifício do autoflagelo? Muitos entenderam assim, e por não compreenderem o sentido real da “porta estreita” cometeram crimes contra a própria consciência. Outros compreenderam que o sacrifício era o jejum. Mas que jejum compreenderam? Aquele em que não se pode comer algo, como forma de sacrifício, mas que pode se “empanturrar” de outras compensações? Seria esta a porta estreita sugerida por Jesus? O bom senso nos mostra que não.

Em todos os seus ensinamentos Jesus sugere a simplicidade, a humildade, a indulgência, a benevolência, a caridade, enfim, o amor fraternal como virtudes a se seguir. Mas dentro do nosso modo de vida, há espaço para o cultivo destas virtudes? Se não, qual a causa de não haver espaço para este estilo de vida? Evidentemente porque estagiamos ainda em condições mesquinhas da existência, somos como crianças a aprender a viver. Eis porque Jesus veio nos ensinar. Eis a razão de continuar a enviar seus prepostos, por amor à humanidade.

Em certa passagem evangélica Jesus diz: “quem quiser ser o maior no reino de Deus, deverá ser o menor na Terra”. Mas que sacrifício é este que Jesus tanto sugere para nós? Por que a dor, o sacrifício, a resignação, o desapego, todos estes valores altruístas são exaltados por ele? Por que este sofrimento agradaria a Deus? Visto numa visão mesquinha, diriam alguns céticos em tom de sarcasmo: “Deus é um vaidoso e sádico. Gosta de ver seus filhos sofrendo. Jesus, seu filho, obedece as Suas ordens e sugere a dor para se deliciarem juntos”. Já os fanáticos diriam assim: “Devo agradar a Deus ( bajulá-Lo ) a fim de me tornar merecedor de Seu Reino”. Este último só “agrada” a Deus para tirar proveito, imaginando que seu estado egoísta seja o mesmo estado de Deus. Até porque eles vêem em Deus, um ser antropomórfico e tão limitado quanto eles mesmos. Mas reflitamos: Jesus, em todos os seus ensinamentos, sugere sinceridade, porquanto, Deus, que tudo vê e sabe, percebe o que vai ao íntimo de cada um. Ora, então não há como enganá-Lo, muito menos comprá-Lo! De outra, teria sentido Deus ser perfeito, justo, bom e infinitamente misericordioso dentro da perspectiva dos céticos? Ora, das duas uma, ou Ele é perfeito e, portanto justo, bom e infinitamente misericordioso, ou Ele não seria perfeito, e neste caso, não seria Deus no sentido que damos a Ele.

Voltemos à porta estreita. Qual significado teria este tamanho sacrifício? Se nos reportarmos a moral contida nos Evangelhos, se observarmos bem a análise trazida pelo Evangelho Segundo o Espiritismo, podemos concluir que o sacrifício sugerido por Jesus não é a dor causadora do sofrimento eterno, mas o exercício de resignação, do desapego que gera fortaleza moral. Ora, e nos perguntamos: Para que a fortaleza moral? Somos essencialmente espíritos, e apenas estagiamos nesta veste transitória. Enquanto encarnados, sofremos a influência das leis materiais, todavia, por não sermos matéria, mas apenas possuí-la, sofremos mais ainda os efeitos das leis morais, porquanto estas nos acompanham durante toda a eternidade.

Na sua proposta libertadora, Jesus nos fala de um reino eterno, além deste momento material. Fala-nos de um reino de justiça e amor. Quando proferiu o Sermão do Monte estimulou aqueles que sofriam a continuar resignado, mas resolutos na perseguição deste reino, pois, assim, com dores físicas, mas com moral elevada, poderiam alcançá-lo com plenitude. Evidentemente que a incredulidade materialista afasta qualquer possibilidade metafísica, e vêem em Jesus mais um fanático. Não o entendem na sua proposta transcendental e libertadora. Estão presos aos seus sensores mais grosseiros.

Podemos ver também outros missionários da Luz eterna dizendo as mesmas coisas que Jesus nos trouxe. Lao Tse ( taoísmo ), Sai Baba( hinduismo ), Buda ( budismo ), Krsna ( sabedoria védica ), Confúcio ( Confucionismo ) e tantos outros, apenas que eles trouxeram em seus recantos culturais, e que até hoje guardam, no oriente, a sabedoria eterna.

Quem estuda e conhece o transpessoalismo, entende que nossa condição egoística nos impede de “ver” a nossa própria realidade. Estágio este que superaremos através das lições ofertadas por todos estes missionários da Luz.

E é justamente isso que Jesus, nosso guia e modelo, nos oferece quando fala da porta estreita. A porta estreita significa o sacrifício da dedicação, da determinação que gera abnegação e resignação, mas que enfim, nos coloca em patamares de plenitude na medida que praticamos.

Antropologicamente, podemos dizer que viemos de condições muito animalizadas, de estágios muito endurecidos. O homem primitivo se expressava mais pelos instintos que pela razão ou emoção. Desenvolveu-se, sem deixar seus instintos, porém, tornado-os mais resignados, colocando-se em condições mais emotivas, onde o desejo era imperioso. Suas ações eram comandadas pelos sentidos mais mesquinhos. Descobriu a razão. Na fase da razão, construiu, formulou, compôs, criou tecnologias avançadas que lhe propiciaram grandes avanços materiais e muito conforto. Todavia, como ainda lhe fala alto os instintos e sensações toda essa tecnologia, paradoxalmente, o levou também ao sofrimento. Apesar das grandes descobertas, com a população aumentando, também aumentou com ela, a miséria, a fome, e o desleixo para com o próximo.

Jesus diz em seu Evangelho de amor: “Há de vir os escândalos, mas ai de quem escandalizar”. Para que nossa evolução como humanidade ocorra, os erros, fruto do exercício de quem aprende, são necessários. São através dos erros, das dores e dos sofrimentos que a humanidade se mune de novos valores para atingir picos mais altos da existência.

Na fase puramente instintiva, o homem elaborou suas sensações. Nas sensações, sua razão. E na razão, elabora sua moral. Como nos falam os Espíritos: “do átomo primitivo ao arcanjo, tudo se encadeia na Natureza”. Podemos ver então que na formação da humanidade houve uma solidariedade intrínseca que possibilitou o patamar atual, e que certamente possibilitará outros mais além deste. É disso que nos fala Jesus, quando proferiu as Boa-aventuranças. Na medida em que nos tornarmos mais afeitos a moral do Cristo, do Buda, do Senhor Krsna e de tantos Avatares conhecidos, certamente a porta se nos abrirá mais iluminada.

A porta larga apregoada por Jesus como sendo a da perdição, nada mais é do que a permanência nos gozos transitórios atuais, onde o prazer exige cada vez mais sensação, cada vez mais escravidão, perpetuando e enfraquecendo a criatura no desleixo de si próprio pelas suas paixões mais animalizadas.

Já a porta estreita, aquela que exige resignação, desapego, fé, coragem e fortaleza moral, proporciona um gozo permanente, pois é construção sólida para hoje e para o porvir. Hoje na vida corpórea, porque consola; no porvir porque é nossa real e última condição. Estado este que nos faz autônomos em relação às paixões mais animalizadas.

Portanto, amigos, a proposta da porta estreita é o caminho para a felicidade que nos aguarda. O contrário, a porta larga da perdição, é a permanência deste estado de miséria humana que nos colocamos diante do Universo. Como dizem alguns poetas: “Somos estrelas e fomos feitos para brilhar” ou como nos ensinou Jesus: “Faça Brilhar a Vossa Luz”. Precisamos “abrir” os olhos e ter ouvidos para “ouvir”, mas para isso, precisamos nos esforçar para passar pela porta estreita.



Que a Luz se faça em nós, graças a Deus! (t)

Perguntas/Respostas:

[1] - Vou aproveitar a oportunidade somente para dizer que foi uma explanação muito proveitosa, valeu mesmo!
Obrigado, Nanda. Alguém gostaria de formular questões sobre a exposição?


[2] - Flavio, a porta estreita parece distante, ou parecia, o que falta para conseguirmos ultrapassá-la? (t)
lizabeth_3, poderia resumir em uma única palavra: Consciência! Consciência dos efeitos relativos às causas geradoras. Têm-se consciência de que esta prisão consciencial gera dor e sofrimento, permanecer nela é pura ignorância. Devemos lutar para vencer nossa ignorância, não permitindo a perpetuação dos vícios que nos cercam. Devemos construir valores morais que ensejem nossa libertação do jugo de nós mesmos.


[3]-<[_AmArAl_]> Que tipo de acontecimento você acha que deve ocorrer para um despertamento geral?
AmArAl, certamente não haverá milagres no sentido que se dá ao termo. No entanto, há sempre caminhos. Podemos mudar de perspectiva através da busca voluntária, ou podemos ser "convidados" pela dor. De uma forma ou de outra, cedo ou tarde, teremos a compreensão da necessidade de mudança e libertação do jugo que nos impusemos a nós mesmos.


[4] - O fato de abandonarmos nossa condição egóica de certa forma se refere a abandonarmos nossa individualidade (personalidade)? Sendo desta forma nosso destino nos tornarmos seres de pensamento homogêneo? Tenho dúvidas em relação a esta questão.
Ótima questão! Na realidade muito se confunde neste sentido. Não se deve perder a individualidade, no entanto, a idéia de homogeneidade é pertinente, pois, possibilita o que Jesus chamou de “um só rebanho para um só pastor". A unicidade necessária com o todo universal. Acontece que nosso estado ainda é muito precário, e deixamos nosso ego infantil nos dominar. Pela nova compreensão, com base em perspectivas futuras, de existências vindouras, certamente entenderemos e viveremos um patamar mais ditoso.


[5]-<[_AmArAl_]> a humanidade será sempre heterogênea então?
Podemos compreender por humanidade como sendo todos os espíritos que se encontram no estado em que nos encontramos agora. Bem, é de se perguntar, não haverá progresso para as criaturas de Deus que se encontram em patamares mais densos? Evidente que quando Jesus disse que seria um só rebanho para um só pastor, queria mostrar que o caminho é o de união com Deus através do aperfeiçoamento moral. Quem ainda não se encontrar neste patamar, certamente atravessará todos os caminhos necessários para se "unir" a Deus.


[6]- Flávio, após a porta estreita, o que virá?
Podemos entender, lizabeth_3, que Jesus se refere a um "reino" de paz interior, o tal reino de Deus. Ele refere-se a um estado de consciência onde não mais sofreremos os efeitos de nossas ações egoístas, que viveremos uma paz interior que possibilitará a plenitude almejada por todos.


[7]- Em que você se baseia? As conseqüências? Como alcançar? Conceito de Deus? Por exemplo, o transpessoalismo ou qualquer outra coisa que foi falada dentro desse introspectivo, até que ponto está em nossas mãos?
Os espíritos através da mediunidade, e codificado por Allan Kardec, nos trazem um conceito de Deus muito interessante. Pergunta ele aos Espíritos na questão número um do Livro dos Espíritos: 1) O que é Deus? Os espíritos respondem então: “Deus, inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”. Observe que ele não pergunta quem é Deus, mas que é Deus. Ao que os espíritos dão uma definição transcendental e não antropomórfica, mostrando que Deus seria a causa de todas as outras coisas. Talvez, Lagrimas, você esteja perguntando sobre qual a nossa responsabilidade quanto às conseqüências de nossas ações, certo? Existe uma observação que nos remete ao entendimento de que toda causa tem um efeito, e que gerado por nós, em nós mesmos trará seu resultado. Portanto, assim como na física dizemos que toda ação corresponde a uma reação, na dimensão psíquica, toda causa gera um efeito. É por isso que temos necessidade de nos moralizarmos, para não sofrermos as conseqüências de nossas próprias ações.


[8]-O que ele transcende?Quais as dimensões que alcançamos? Existe limite? Existe espaço? Existe tempo? Responsabilidades e capacidades, em que você se baseia?

Os espíritos nos explicaram, e as observações comprovaram, que existem duas leis básicas que regem o universo: As Leis físicas e as Leis Morais. As Leis físicas estão relacionadas ao mundo corpóreo, enquanto as Leis morais ao universo psíquico. Ora, se somos regidos pelas nossas ações, e se elas correspondem aos efeitos que observamos, qualquer ação nossa também terá uma correspondência moral. Neste caso, a nossa responsabilidade é total. Somos condutores de nossos destinos.


[9]- Linguagem transcendental e antropomórfica? Qual a diferença?
lizabeth_3, transcendental é tudo aquilo que vai além do homem, de sua materialidade. Antropomórfico é uma visão de que Deus tem forma, tem uma personalidade semelhante a nós. Evidente que Deus atua em todas as dimensões, no entanto, ele nos escapa pela nossa incapacidade de percebê-Lo.


[10] - Sim, mas até que ponto vai a nossa consciência? E o resto?
Lagrimas_ocultas nossa consciência é proporcional a tudo que já construímos em nossas experiências.

[11]- Tempo, espaço, limitações... podemos transcender isso?
Lagrimas_ocultas sim, podemos, mas nossa materialidade ainda nos impede.


[12]- O que é o tempo?
Lagrimas_ocultas , pergunto: o tempo medido, embora seja o mesmo em duas situações distintas, podemos sentir da mesma forma, se considerarmos as seguintes condições: Uma hora com a pessoa amada e uma hora sofrendo num trabalho árduo, ambos são sentidos da mesma forma ? Evidente que tempo e espaço são relatividades de consciência.


[13] - Então, em que você se baseia? Na questão de transcender espaço, tempo, matéria, transpessoalismo.. em que você se baseia?
Lagrimas_ocultas , há duas maneiras de se saber sobre transcendência: Pelos estudos. Neste caso é apenas crença, teoria. Mas há pela experiência mística. Viver a transcendentalidade. Comunicação espiritual, expansão da consciência, enfim, experiências que não são demonstradas, mas sim vividas.


[14] A fraternidade, a solidariedade e humildade poderiam ser chaves que nos abririam essa porta?
ourives_1, perfeitamente. Como falei na exposição, as virtudes cultivadas é exatamente o esforço que fazemos para modificar nosso estado íntimo. Elevando-nos, deixaremos o lamaçal moral em que nos encontramos. Como disse Jesus: “Conhecereis a Verdade e ela vos libertará"


[15] - Há fim para a evolução?
Lagrimas_ocultas não sabemos ao certo, no entanto, se admitirmos o infinito, devemos entender que só há evolução num sentido relativo.


[16]- <_TiTa_> Uma vida social intensa - alguém que gosta de dançar, por exemplo - constitui escolher a porta larga, mesmo que sem drogas, bebidas ou algo vicioso?
_TiTa_ ótima questão! Enseja um esclarecimento atual. Evidente que todo e qualquer adultério, antes se origina na nossa própria mente. Se ao contrário, estamos estabelecendo uma relação social saudável, não há porque não fazê-la. Mas devemos também pensar nas influências que determinados ambientes e companhias nos oferecem. Somos livres, mas também responsáveis por tudo que fazemos.

Oração Final:
<Flávio Mendonça> Deus, Pai de eterna sabedoria, somos gratos pela boa noite de estudos. Jesus, querido mestre, teu Evangelho de amor nos ofertou ainda mais sabedoria. Ajuda-nos Jesus, a manter a luz que ilumina nossos caminhos, nos dai forças para caminhar em nossa jornada imbuídos de coragem e fé. Gratos somos pelo auxílio de teus prepostos. Que saiamos hoje fortalecidos do teu amor. Que possamos colocar em prática teus ensinamentos.

Que assim seja!



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