Estudo de um peixe fóssil (Actinopterygii) da formação Rio do Rasto em São Jerônimo da Serra, Bacia do Paraná, Brasil



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Estudo de um peixe fóssil (Actinopterygii) da formação Rio do Rasto em São Jerônimo da Serra, Bacia do Paraná, Brasil
Marilena Iva Preza(PICV/Unioeste/PRPPG), Eliseu Vieira Dias(Orientador), e-mail:

eliseu.dias@unioeste.br


Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel-PR
Grande área e área: Ciências Biológicas - Zoologia
Palavras-chave: Actinopterygii, Permiano, Rio do Rasto
Resumo
A Formação Rio do Rasto corresponde a rochas sedimentares de origem lacustre e fluvial depositadas durante o Período Permiano na Bacia do Paraná no sul do Brasil. O conteúdo fossilífero desta formação compreende plantas, moluscos bivalves, ostracodes, conchostráceos, peixes, anfíbios, répteis e icnofósseis tais como coprólitos e pegadas. Um peixe fóssil encontrado nesta formação geológica, foi analisado e comparado com espécies já descritas. Trata-se de um Actinopterygii de corpo alto e comprimido lateralmente diferente dos conhecidos até o momento para a Formação Rio do Rasto.
Introdução
A Formação Rio do Rasto é um conjunto de camadas sedimentares que documenta antigos ambientes continentais lacustres influenciados por sistemas deltaicos e fluviais (Holz et al., 2010; Dias, 2012). Se encontra distribuída em uma faixa longitudinal de afloramentos que abrange os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atualmente aceita-se que a Formação Rio do Rasto tenha sido depositada da metade ao final do Permiano (Wordiano-Wuchiapingiano). Sua fauna compreende espécimes de moluscos bivalves, ostracodes, conchostráceos, peixes, anfíbios, répteis (Silva et al., 2012).

O peixe fóssil estudado foi coletado em 2012 no afloramento de São Jerônimo da Serra-PR (coordenadas geográficas 23° 42’ 53” S, 50° 43’ 46” O) e posteriormente depositado na coleção de fósseis do Laboratório de Geologia e Paleontologia da UNIOESTE, Campus de Cascavel.

Os Actinopterygii encontrados nesta localidade correspondem a fósseis de peixes Paleonisciformes que ocorrem tanto na forma de escamas isoladas quanto indivíduos parcialmente ou completamente preservados.

No afloramento da Formação Rio do Rasto em São Jerônimo da Serra observa-se uma exposição caracterizada por siltitos finos intercalados com arenitos calcários, sua coloração pode variar de tons esverdeados à avermelhados (Silva et al., 2012). O peixe estudado está preservado em uma camada de siltito de coloração cinza avermelhado.

O presente trabalho apresenta uma análise morfológica preliminar e relaciona as informações obtidas com as encontradas na literatura.
Materiais e Métodos
A coleta foi realizada usando técnica padrão em paleontologia, ou seja, martelo e talhadeira para abrir as camadas sedimentares no afloramento. O espécime apresenta parte e contraparte e está catalogado com o número LGC-CSC 679a (parte) e LGP-CSC 679b (contraparte).

Como o espécime apresentavam grande fragilidade, a preparação em laboratório inicialmente envolveu a confecção de uma cama de gesso para acomodação das duas partes do fóssil, auxiliando no transporte e manuseio. Foram feitas diversas aplicações de metilmetacrilato (Paraloid B-72®) dissolvido em acetona para proteção e enrijecimento do fóssil, reduzindo o risco de danos durante o estudo. Uma pequena porção do fóssil que estava encoberta por sedimento foi removida com um martelete de ar comprimido (Puma AT-6100 de 13000 BPM) acoplado a um compressor Pressure E10/100V-PRO.

Tanto a parte como a contraparte foram fotografadas com câmera digital (Sony DSC H7 8.1MP). As imagens obtidas foram projetadas por um projetor multimídia (3000 Lumens Powerlite S18+ Epson) e a partir destas projeções foram produzidos desenhos interpretativos com a finalidade de compreensão da morfologia geral do peixe. Por meio de observações diretas realizadas sob lupa monocular e sob microscópio estereoscópico, foram produzidos desenhos mais detalhados com intuito de refinar a interpretação das características morfológicas preservadas no fóssil.
Resultados e Discussão
O espécime analisado corresponde a um peixe actinopterígeo de corpo relativamente alto e comprimido lateralmente, modelo corporal conhecido pelo termo em inglês deep-bodied.

As nadadeiras dorsal e anal apresentam um formato triangular de base longa com raios mais robustos em suas bordas mais anteriores e possuem um posicionamento aproximadamente simétrico. A nadadeira caudal é heterocerca com o lobo epicordal participando de quase toda sua extensão dorsal, padrão comum aos peixes actinopterígeos mais basais (Richter, 2004).

As escamas são rômbicas, revestidas por ganoína e apresentam mecanismo de articulação do tipo bola e soquete (peg-and-socket), diminuindo de tamanho posteriormente tornando-se losangulares e alongadas na região caudal, principalmente no lobo epicordal (Figura 1).

Para a Formação Rio do Rasto, há dois registros de peixes com o padrão morfológico do tipo deep-bodied. Dias (2012) descreveu Paranaichthys longianalis proveniente de Santo Antônio da Platina, e Quezado de Figueiredo et al. (2011) noticiaram a descoberta de um espécime com este padrão corporal para a localidade de Monjolo na Serra do Cadeado-PR, porém este último não foi formalmente descrito até o momento.

O espécime aqui estudado (LGP-CSC 679) difere de P. longianalis no formato das nadadeiras anal e dorsal bem como por apresentar nadadeiras anal e dorsal posicionadas simetricamente. O pedúnculo caudal de P. longianalis é muito mais proeminente do que o observado no espécime estudado. Além disso, LGP-CSC 679 não apresenta escamas fulcrais anteriores à nadadeira caudal similares às vistas em P. longianalis.

Com relação ao espécime da Serra do Cadeado (Quezado de Figueiredo et al., 2011), com base na única fotografia disponível, observa-se que este também apresenta um pedúnculo caudal destacado e tanto a nadadeira dorsal como a anal apresentam bases mais curtas do que a observada no espécime aqui estudado.



Neste sentido, pode-se garantir a ocorrência de uma terceira espécie de peixe deep-bodied na Formação Rio do Rasto.




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