Estimativa do estoque de capital fixo



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- 09/09/2017

ESTOQUE DE CAPITAL FIXO NO BRASIL

1950-2001

LUCILENE MORANDI


EUSTÁQUIO J. REIS

2003


SUMÁRIO

1. Introdução 3

2. O método do estoque perpétuo 4

3. Dados 6

3.1. Investimento e deflatores 6

3.2 – Vida útil, função de mortalidade, depreciação e consumo de capital 11

3.3 – Formação bruta de capital fixo, 1901-2000 13

4 – Resultados 15

5 – Conclusão 27



Gráfico 1: Índice de preços relativos dos bens de capital, 1901-2001 10

Gráfico 2: Investimento bruto, 1901-2001 (R$ milhões de 1999) 13

Gráfico 3: Taxa de investimento bruto, a preços corrente e constante, 1947-2001 15

Gráfico 4: Estoque líquido de capital fixo / PIB, 1950-2001 16

Gráfico 5: Idade média do estoque de capital fixo, 1950-2000 20

Gráfico 6: Investimento bruto / estoque líquido de capital, 1950-2000 (%) 21

Gráfico 7: Taxa de depreciação, 1950-2001 23

Gráfico 8: Relação capital-produto: Brasil, 1950-2001 24

Gráfico 9: Relação capital-produto, vários países da América Latina, 1950-1994 26

Gráfico 10: Relação capital-produto: diversos países, 1970-1990 27



Tabela 1: Taxa média de crescimento: PIB e investimento bruto, 1901-2001 (%) 14

Tabela 2: Estoque de capital líquido: setor privado e governo, 1950-2001 17

Tabela 3: Taxa média de crescimento do número de residências, 1900-2000 18

Tabela 4: Participação dos itens no estoque líquido total, 1950-2001 (%) 19

Tabela 5: Relação capital-produto diversos países, 1950-2000 25


1. Introdução

O estoque de capital fixo do Brasil foi estimado pelo método do estoque perpétuo aplicado aos dados de formação bruta de capital fixo das Contas Nacionais do Brasil para o período 1947-2001 e estimativas históricas disponíveis para o período 1900-19471. O estoque foi estimado desagregado segundo o setor produtor dos bens de capital (construção e máquinas e equipamentos) e o setor institucional responsável pelo investimento (governo e setor privado), conforme classificação dos dados de investimento publicados nas Contas Nacionais. O estoque em máquinas e equipamentos engloba também o investimento no item outros. O estoque em construções residenciais foi estimado utilizando-se um modelo de preço hedônico. As estimativas são de Reiff (2003).

No estoque de capital fixo estão considerados os ativos fixos, tangíveis, duráveis e reproduzíveis, excluídos os ativos circulantes (estoques de matérias primas e de produtos acabados e semi-acabados), os ativos não-reproduzíveis como terra, riquezas do subsolo e florestas naturais e os ativos intangíveis como capital humano, marcas e patentes, devidos aos investimentos em educação, treinamento, pesquisa e tecnologia2.

O trabalho está estruturado em cinco seções, incluindo esta introdução. A segunda seção apresenta e comenta a metodologia utilizada, o método do estoque perpétuo. Na terceira seção são descritas as séries de investimentos, os deflatores, bem como as taxas de depreciação utilizadas, além de discutir alguns problemas relativos às estimações das séries históricas. Na quarta seção são apresentadas as estimativas de estoque de capital fixo bruto e líquido. E na quinta seção são feitos os comentários finais e a conclusão.


2. O método do estoque perpétuo

A escolha do método para a estimação – direta ou indireta – do estoque de capital depende da disponibilidade de dados e das possibilidades de se gerar resultados consistentes no tempo, coerentes com as demais estatísticas econômicas do país e comparáveis com outros países. O método direto de se medir o estoque de capital de uma economia consiste em agregar informações microeconômicas sobre o valor do estoque de capital obtido junto às empresas e unidades familiares. Levantamentos de informações microeconômicas dessa natureza são feitos, por exemplo, nos censos econômicos, nas declarações de valor dos bens para fins de imposto de renda ou para contratos de seguros. Raramente, contudo, esses levantamentos microeconômicos são censitários (representam todas as unidades econômicas) ou sistemáticos no tempo e no espaço. Além disso, os critérios de inclusão ou valoração dos ativos nem sempre são consistentes no tempo ou com outras estatísticas econômicas, sendo afetados por variáveis como taxas de inflação observadas e esperadas, métodos de depreciação e contabilidade dos ativos, ou grau de exposição a riscos das empresas, entre outras. Devido a isso as estimativas obtidas por métodos diretos dificilmente permitem comparações intertemporais ou internacionais (Ward, 1976).

Estimativas indiretas do estoque de capital são tradicionalmente obtidas pelo método do estoque perpétuo que acumula os fluxos macroeconômicos de investimento para diversas categorias de ativo deduzindo a depreciação física ou perda de eficiência que ocorre ao longo da vida útil de cada categoria. A precisão das estimativas assim obtidas depende do nível de desagregação e da qualidade dos dados de investimento e de preços dos ativos novos e usados, bem como da verossimilhança das hipóteses adotadas sobre vida útil e depreciação de cada ativo.

Devido à disponibilidade de séries de investimentos consistentes e sistemáticas nas Contas Nacionais, desde as estimativas pioneiras de Goldsmith (1951), o método do estoque perpétuo foi amplamente adotado sendo, ainda hoje, o método recomendado pela OECD para as estimativas do estoque de capital dos seus países membros3.



Em termos mais precisos, o método do estoque perpétuo estima o estoque bruto de capital fixo do ativo i no período t, EBCFit, como a soma do investimento bruto, IBit , realizado em um período igual ao da vida útil estimada, , do ativo i.

(1)

Como não se faz nenhuma redução com respeito à capacidade utilizada, as estimações representam o estoque de capital de i disponível no período t. A capacidade utilizada, no entanto, é importante para as análises de curto e médio prazo (Tengblad e Westerlund, 1976).



Para cada categoria de ativo, a estimação do estoque líquido de capital fixo, ELCFit, é obtida deduzindo-se do estoque bruto o valor acumulado do consumo de capital que ocorre ao longo de sua vida útil. Para simplificar, suporemos que o consumo de capital equivale ao valor da depreciação4, Dit, definida como a mudança no valor de um ativo5. Esta perda de valor estaria associada à depreciação física ou perda de eficiência devida ao envelhecimento ou uso, bem como a desastres ou obsolescência tecnológica do ativo, e corresponderia, portanto, a um custo incorrido ou uma dedução na renda gerada na produção6. Assim,

(2)

sendo,


(3)

onde é a taxa de depreciação do ativo i no período j.

O método do estoque perpétuo apresenta algumas deficiências: primeiro, os dados de investimento bruto incluem a aquisição de ativos novos, usados e importados, enquanto que o índice de preços reflete apenas a variação do preço do bem novo; segundo, um índice de preços de base fixa torna-se menos representativo quanto mais distante o período base. Seria, em princípio, desejável a utilização de um índice ponderado corrente ao invés de um índice ponderado com base fixa7; e terceiro, o resultado é mais interessante em termos da dinâmica do crescimento quando é possível estimar o estoque de capital por setor de atividade. No entanto não é comum que as séries de investimento das Contas Nacionais estejam abertas por setor.

Como vantagens, o método do estoque perpétuo é o mais utilizado tanto por ser menos oneroso que os métodos de estimação direta porque os dados já estão disponíveis, quanto por apresentar resultados equivalentes ao dos métodos de estimação direta8.



2.1 – Método para a estimação do estoque de residências
Diferentemente do trabalho anterior (Morandi, op. cit.), o investimento bruto em residências não foi estimado pela taxa de crescimento do consumo aparente de cimento. Observou-se que essas geravam taxas de crescimento muito altas, causando provável superestimação do investimento em residências. As Contas Nacionais não separam do investimento total em construções, o montante referente a construções residenciais. A opção foi estimar o estoque de residências utilizando-se o numero de residencias disponíveis nos Censos Econômicos (IBGE) e nas PNADs – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE), o valor do aluguel e as características domiciliares disponíveis nessas publicações a fim de gerar um valor unitário médio da residência, independente de sua localização (estado ou município, rural ou urbana). O estoque de residências, ER, utilizando as estimativas de preço hedônico, é:

(4)

sendo VUMt o valor unitário médio da residência e NRt o número de residências no período t.






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