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- Você não veio até aqui para admirar as novas instalações do hospital, suponho.

- Não - respondeu Beno2t. - Preciso de você. Se não se incomoda, eu gostaria de dar uma olhada nos prontuários do Delta.


- Venha comigo.
François Royer aproximou duas cadeiras de um terminal.

- Este local é reservado ao estudo. Estava muito concorrido há algumas semanas, mas agora está abandonado.


- É possível identificar pacientes selecionados unicamente pelo centro de Montreal?
- Claro.

O jovem fez surgir no mesmo instante uma lista de nomes.

- Eis a lista dos supostos 21 candidatos. O dossiê foi enviado ao Saint
Antoine no momento em que houve a suspeita de esclerose em placas.
- O que aconteceu com estas 21 pessoas?

- Estes doentes foram selecionados. Alguns não satisfaziam aos crité


rios de inclusão: apresentavam anomalias renais ou hepáticas detectadas
pelos exames. Depois dessa filtragem, 11 continuaram no páreo. Os hos
Pitais receberam instruções de prosseguir o levantamento do Delta atra

vEs de um exame capital: a IRM. Este exame revelou-se normal em quatro


- fia: essas pessoas não sofriam de esclerose em placas.

~ policial começava a ficar impaciente. Eles se aproximavam do ponto


~~gico e ele queria ir mais fundo. Royer antecipou seu pedido:

Aqui está a lista das sete pessoas selecionadas. Cinco delas tiveram


.~ ao Interferon Delta. As duas últimas foram as grandes perdedo~ Fienes e Brabois.

a

Seleções d e ~"i v ro s



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que nãoo corresponde a nada no prontuário. A nada visível, em todo caso. Em cada pedaço de papel, escrevi a data correspondente, ao lado do nome.

Royer decifrou a letra do policial.

- Estranho. Para cada par que você formou, a data é a mesma para os dois pacientes.

- Exato. Com uma diferença de cerca de cinco minutos. E cada par tem a particularidade de ser composto de um paciente incluído no Delta e de um doente excluído.

- A cada vez, um doente e um paciente que a IRM por fim declarou sadio - continuou o especialista em computação, que começava a achar a pesquisa interessante.

- Só Greene não tem par, mas tenho um nome na cabeça. Que alguém gentilmente surrupiou de sua máquina, amiguinho.

Benoit bebeu seu café de um só gole.

- Está aqui, Royer, a solução do meu problema. Ainda não a determinei, mas estou perto, posso sentir. É, você tem razão: vamos precisar de café. Porque não vamos

arredar o pé daqui antes de tê-la encontrado.

1 O

OANNE PREPARAVA uma petição, quando o telefone



tocou.

- Estive com Eydan - disse Benoit. - A viagem dele a São Francisco foi produtiva. Preciso que você me ajude.

-Às ordens.

- O Starlab resulta de uma fusão entre diferentes parceiros, que Eydan

não conseguiu determinar. Você pode se informar sobre isso? - Há uma participação canadense? - Sim, e importante.

- Então devo conseguir a informação que está procurando. Se foi uma ~Sao de porte, o escritório de Barnes-Jolicoeur-Thiebaut com certeza ~ por trás disso. Oitenta

colaboradores trabalham lá. Conheço um ou dO~ que não vão se recusar a fazer confidências.

Seleções de duros

233

_ Ele se chama Robert Greene. Há um pequeno obstáculo, mas não



~¡ se é importante.

_ Você nãoo mudou nada, Joanne. Que detalhe é esse?

_ Ele não é exatamente um... defunto. Mas isso não vai demorar. - Bem, você não está falando sério.

- Marc, nãoo é para fins desonestos, fique tranqüilo. Simplesmente pre

ciso conhecer os herdeiros. Por favor, Marc. Num pequeno papel que você

vai pôr na minha mão, enquanto bebemos alguma coisa para falar de nós. - Na verdade, não perdi você de vista. Me disseram que estava casada. - Viúva.

- Oh! Sinto muito. Então, podemos beber alguma coisa juntos? - Claro. Daqui a uma hora, no Via Crescent.
Mnxc GAUTHIER estava instalado na mesa afastada que havia escolhido. Chegara meia hora mais cedo e esperava pacientemente. Havia esperado 15 anos para que aquela

mulher aceitasse - ou melhor: propusesse - beber alguma coisa com ele. Portanto, qual a importância de esperar mais meia hora?

Ela precisava dele, era evidente. Mais uma sórdida história de herança na qual ela estava mergulhada, assim como tantos outros profissionais, por conta de um membro

da família um pouco mais ambicioso que os outros. Na verdade, aquilo pouco lhe dizia respeito. Ele iria revê-la - era cudo o que contava.

Ele foi despertado de suas reflexões. Joanne apareceu diante dele, sorridente. Mais bela do que em suas lembranças.

Sem uma palavra, ela se inclinou e o beijou no rosto. Um pouco mais longamente que o necessário, o suficiente para despertar o desejo adormecido. Lisonjear um homem

era de uma facilidade desconcertante.

- Você está fazendo carreira na Ordem dos Advogados?

- Não, estou lá só uma vez por semana. É muito útil, meia jornada de ~balho voluntário, para cultivar boas relações no meio. O restante do ~po trabalho em pesquisa.

~gttiram-se algumas banalidades.

~~ cruzadas de perna e uma piscadela mais tarde, Marc Gauthier es~ em ebulição, Era chegado o momento da ofensiva. Os dois lados do

Seleções de duros

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- Daqui a duas horas.



lvlarc a encarou.

- Decididamente, sua impaciência me lisonjeia.

_ Se não tiver nada a fazer durante estas duas horas, posso pedir um

pequeno favor? Se eu estiver abusando, não hesite em me dizer.


EYDAN só diminuiu a marcha quando chegou ao laboratório.

- Gaël!


O biólogo interrompeu a observação de uma lâmina.

- O que há com você?

- Lorine Lorine Gagnon - disse o neurologista, ofegante. - Você esteve com ela?

- Não, mas ela me telefonou. Por quê? O que está acontecendo?

- O que ela perguntou, exatamente?

- Ela queria a lista dos pacientes que poderiam substituir Greene.

- E você a forneceu?

- Sim, Eydan, sinto muito. Ela afirmou que estava pedindo de sua parte e eu acreditei. É enfermeira dele, não?

- Simone Brabois e Liam Fienes estão mortos. Mortos, está me ouvindo? - Lipz guardou a lâmina, sem uma palavra. - Não sei se ela é enfermeira dele - acrescentou

Eydan -, mas acabo de saber que ela é sua filha. E sua herdeira, conseqüentemente. Greene já embolsou quinhentos mil dólares e colocará a mão na mesma quantia depois

da última perfusão. O pai decidiu morrer e obviamente ela tem todo o interesse em sustar a decisão dele.

- Eles os mataram... por minha causa, meu Deus!

- Você não podia Fazer nada. Ela ligou de novo?

- Sim, faz uma hora. Queria informações sobre Doris Shell. Fique ~qüilo, eu não disse nada. Pela simples razão que ainda não recuperei o prontuário. Quanto a isso,

falei com a Sra. Rivière, a responsável pelos ~+9nivos. O prontuário foi emprestado na véspera de nossa passagem por ~ Stéphane Cartier veio devolvê-lo hoje.

- Cartier o havia pego?

" prOVavelmente ele se lembrou tarde demais de Doris Shell. Recuperou

~°IItuáno para acrescentá-lo a sua lista, sem dúvida.

Seleções de duros 237

Ela conseguíu se soltar e recuou na direção do sofá.


_ Você mentiu para mim, Lorine, me enganou. Estava me espionando por causa de seu pai.
- Não é verdade. Escondi nosso parentesco porque tinha medo que não confiasse em mim.

- Matou aquelas duas pessoas...


- Eydan, não, escute! Não matei ninguém. Eu queria que ele fosse tratado. É meu pai.

Eydan jogou as muletas para longe. Parecia surdo às palavras da jovem.


- Ele sabe por que você quer ajudá-lo a morrer? Sabe que é por causa da herança, e que mesmo o pai se deixou controlar pela filha? É a hora do último complô, Lorine.

Trata-se de decidir de que maneira vai me matar, depois da terceira perfusão. Porque ele continuará vivo e você ficará sem a herança.


Lorine se endireitou, fora de si.

- Vá embora! Uocê não entendeu nada. Não sei se alguém conseguirá corá-lo, mas espero que ele tenha forças para matá-lo, Eydan Corr.

ELE voltou para o carro e disparou pela estrada, como um autômato. Um nó em seu peito Ooprimia. Seu celular tocou três vezes antes que atendesse.
- Eydan? É Benoit. Onde você está?

- Em Dollars-des-Ormeaux. Estive com Lipz: tudo virou fumaça. Shell é um falso positivo, a IRM é normal.

- Eu sei. Não precisei do prontuário para deduzir. Encontre-se comigo agora no Saint-Antoine.
- Seria mais sensato que marcássemos um encontro amanhã na brigada criminal. Teremos mais coisas a contar.

- Eu já tenho coisas a contar. Coisas que podem nos tirar desse atoleiro. Venha. Agora.

Seleções de d aros

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_ É normal: são os cinco pacientes incluídos no estudo. Quanto aos outros quatro, foram eliminados: a IRM, o último exame, não mostrou lesbes de esderose em placas.

Dois falsos positivos, como vocês os chamam. agora, pegue uma cadeira e trate de se concentrar no que este jovem vai

explicar.

CINCO MINUTOS mais tarde, Eydan tentou resumir a questão.

- Em suma, cada um destes prontuários sofreu uma intervenção da qual vocês não encontram rastro.

- É isso. Trata-se sem dúvida de uma modificação de dados já presentes no prontuário. Altera, dê uma olhada aqui. Estávamos brincando de agência de casamentos: formamos

pequenos casais. Consegui formar quatro e acabo de casar nosso último solteiro.

Benoit rasgou um pedaço de papel e rabiscou um nome. Pousou-o ao lado do nome de Greene. Eydan inclinou-se para ler: Doris Shell.

- Cada par é formado por um paciente incluído no estudo e outro eliminado por causa da IItM normal - disse o perito em informauca.

- Estes pares possuem outra particularidade - continuou o policial. - A data da intervenção misteriosa é a mesma para os dois parceiros. Com diferença aproximada

de um minuto. Está me acompanhando?

Eydan sentiu um frio invadi-lo.

- Eu preferia estar enganado.

- Essa gente nojenta inverteu o diagnóstico de cada par - disse Benoit. - Inverteram as radiografias. As pessoas sadias receberam uma IRM com a patologia, e vice-versa.

- Fizeram isso com os cinco pacientes? - perguntou Eydan.

- Provavelmente. - Então Greene...

- Não está doente. Por outro lado, Doris Shell, assim como quatro

°np~s pessoas da lista, não sabe que é portadora de esclerose em placas.

F3"dan estava estupefato.

- ~ significa que, em todos os centros do mundo, o tratamento está aplicado em gente sadia?

Muitos deles são realmente sadios - respondeu Benoit. - Tantos tos são requeridos para alcançar a taxa necessária para o êxito da pes-

Seleções de ivros

241

Ela era inocente. Era ele, o único, o verdadeiro culpado. Ele se deixara



ppturar na armadilha e ela pagara por isso. Um sentimento de raiva o

inundou. Ela havia pagado injustamente. Agora, era a vez deles.

Pegou seu telefone e digitou o número de seu amigo. - Benoit?

_ p que deu em você? Acha que é o momento para sair correndo?

- Voltem tranqüilamente para casa. Só preciso que confirme o que

Royer disse a sobre a auditoria do sistema de informática do hospital. -A auditoria vai começar amanhã. Até aqui, nenhuma alteração pôde

ser registrada. Não vão mudar nada, Eydan. Precisamos encontrar outra

coisa.


- Joanne está aí com você? Eu gostaria de falar com ela.

- Eydan? - disse ela ao aparelho após alguns segundos. - Onde você

está?

O médico hesitou.



- Joanne, escute. Preciso de um contrato de venda para minha casa e

de alguns outros papéis.

- De acordo. Qual o nome do feliz comprador?

1 2


UARTA-FEIRA, 20 de setembro. Nove horas.

Eydan atravessou o hall até a recepção.

- Bom dia, Dr. Corr - disse a recepcionista. - Por Favor, não aperte botão algum; o elevador está programado.

A cabine ultrapassou o décimo quarto andar e as portas se abriram pata um corredor espaçoso. O médico deu alguns passos sobre o carpes °egro e entrou na grande sala

oval. Reconheceu imediatamente ~COn apoiado contra a biblioteca, de terno cinza. Um pouco adiante, ~a mulher bastante bonita, com os cabelos louros presos atrás,

folhea~ COm negligência um prontuário. Por fim, na cabeceira da mesa, um ~em aprumado em uma poltrona o encarava. Seu crânio raspado estuava os traços angulosos,

quase geométricos. Eydan reparou em

243


~ suma. Quando fui para Mont-Tremblant, sabia que ela iria me acom~~ e que não encontraria Greene. A ocasião sonhada para me desem

açar dela. Seu suporte nas altas esferas nao e muito eficiente, Leroy. Eles não lhe forneceram os melhores atiradores. Incapazes de abater uma mulher a dois metros,

mas fortes o bastante para caçar os vizinhos. Você foi mais eficaz com os outros dois doentes, o do fiorde e a de Quebec.

Por fim, Leroy saiu de seu mutismo:

- Vamos aos fatos, Corr. O que espera de mim?

- A minha parte, é claro.

Falcon não se conteve mais:

- Vá para o inferno, Corr! Você não tem prova nenhuma.

- Acalme-se, Falcon - disse Eydan. - Quando vai aprender a se controlar? Seus acessos de pânico já me deram uma pista. Vão acabar colocando você a perder. Não vim

aqui ameaçá-los.

- Por que não veio antes?

- Você não está escutando, Falcon. Eu já disse: Greene estava no meu pé ao menor de meus movimentos. Era preciso deixar esse sujeito se cansar e construir sua própria

culpa. Ele nos ofereceu álibis em uma bandeja de prata. E depois, só tive certeza ontem à noite. Foi Joanne Villeneuve que me trouxe a informação.

Eydan levantou-se para colocar um documento sobre a mesa.

- Querem uma retrospectiva? Em 1997, o Estado canadense entra no capital de duas sociedades norte-americanas, comprando 30% de cada uma. A operação dá origem ao

Starlab: terceiro renque mundial, capacidade de mobilização financeira de quarenta bilhões de dólares em 1999. Uma das duas empresas tem como principal acionista

Gérard Leroy. As ações do Starlab já subiram 22% desde o início do ano, graças aos boatos habilmente plantados sobre os ótimos resultados da pesquisa. E elas vão

explodir, dentro de três meses, quando esses resultados forem oficiais. &lo golpe, Leroy.

~ presidente havia se levantado e caminhava pela sala, atento.

- Belo golpe para você - esclareceu Corr - e para Gaël Lipz, claro. - ~roy imobilizou-se. - Ele vendeu 30% do laboratório de pesquisa mole

americano que dirigia. O que faz dele, com 40% do Starlab, o acio~a mais importante. Confesso ter tido dificuldade para desmarcará-lo.

Seleções de~ivros

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Lipz é tão discreto, tão introvertido. Eu devia ter desconfiada, deiros cérebros ficam sempre na sombra. Os criminosos tam



O presidente não escutou mais do que a metade. Durus~,, aquele médico o havia enganado. Mais maquiavélico que Lipz,`. çara metodicamente, com uma lógica e uma inteligência

Lipz, seus colaboradores, todos o haviam tomado por uma prtax rejando em todas as direções, enquanto ele tecia sua teia. Era" tipo de homens que ele gostaria de

se medir. O parceiro ideal:

- Uocê tem razão - ele reconheceu, sob o olhar estupefato laboradores. - Tentei trazer Lipz à razão, dizer a ele que p lhor sem mortes.

- Lipz é impulsivo, mas inteligente; você estava certo nele. Ele conseguiu me convencer até mesmo de que a enfe entrado em contato com ele para obter a famosa lista.

Precísci" a filha, para ter o coração tranqüilo. Eu só tinha um meio ~de carar Lipz: revelar a ele que ela era a filha de Greene, que dele rança e trabalhava pela

eutanásia de seu pai. A reação nãoo sc rar. Lipz é muito talentoso para transformar um crime empode acreditar.

Corr assumiu um ar grave.

- Não vou esconder que mantive algumas ligações com Lori Seu desaparecimento não me deixa indiferente. Temo que aspe, to também tenha um preço, Leroy. Como o silêncio.

Manon Lassalle observou o presidente. Ela era capaz dekr:" mentos que o animavam. Corr tinha ganhado, ela sabia. Naq , te, cabia a ela entrar em cena:

- Quando se exige, Dr. Corr, é preciso ser capaz de justifi cias. Que vantagens você poderia nos trazer?

- Eu lhes traria a garantia de segurança. Vocês estão conscientes do perigo que pesa sobre todos vocês. Beno2t sendo apoiado por um informante excepcional. Agradeçam

~ essa situação. Eles não têm provas, certo, mas vão escavar rio. Sou o único capaz de fazer a máquina parar.

- E se não conseguir?

As feições do médico endureceram.

Então vou neutralizá-los. Tenho contas a ajustar com Benoit. Há ~guns anos. E com sua mulher, também. Um dia, todo mundo paga. Leroy considerou que aquele duelo

já tinha durado bastante. - Creio que não teremos mais necessidade disso - disse ele, estendendo a Corr o relatório de avaliação da casa e o contrato.

Q neurologista rasgou o contrato e abriu sua mochila. Retirou dali algumas folhas de papel.

_ Sugiro que vocês assinem um novo contrato de venda da casa em beneftcío de Lorine Gagnon. Em seguida, darão uma olhada no acordo financeiro que sela nossa colaboração.

Comporta uma transferência de dez milhôes de dólares para uma conta numerada, aberta em um banco das ilhas Caimãs. Darei as coordenadas exatas amanhã.

Leroy percorreu rapidamente os textos com os olhos.

- Preciso de uma assinatura de colaboração de sua parte. - Vou chegar lá. Vamos excluir Greene. - Está louco? Lipz não vai concordar.

- Você só vai ter de dizer a ele que Greene não se apresentou para a terceira perfusão hoje. Quanto a Greene, eu me encarrego dele. Para wmpensar a exclusão, o novo

contrato de venda da casa fica em nome de sua filha, para que não o acusem de ter sido pago para deixar o estudo.

- Por quem você quer substituí-lo?

- Não temos escolha. Pelo único prontuário ao qual aqueles bisbilhoteiros nãoo tiveram acesso. Pegue o telefone e ligue para Lipz. Depois disso vou me ocupar dos

Villeneuve.
- REPITO que ele não apareceu - disse Leroy. - Não discuta, Lipz. Eles estão a ponto de investigar todo o assunto. É o que você quer? Que tudo acabe afundando?

Lipz examinou os papéis que se espalhavam sobre sua mesa.

- Você está se esquecendo de algo essencial: o protocolo estipula que

pacientes devem ser incluídos por aqui. Quer anular o centro de ntreal, pura e simplesmente?

-Ainda temos Doris Shell.

O que você está dizendo? Ela está doente, você sabe disso tanto to eu! Leroy, escute. Consegui os resultados americanos. Está mui-

O Quinta Paciente

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Seleções de duros



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Ninguém atravessaria seu caminho. O sucesso estava próximo, ele poda quase tocá-lo. E tinha custado caro: tempo, sangue e angústias. Muito rito para ser abandonado.

pepois de alguns segundos de hesitação, desceu ao setor de in

formática.

hEROY desligou e assinou o documento que o médico lhe estendia.

_ Estou certo de que vamos estabelecer uma colaboração inteligente, doutor. Mas quero a cópia dos prontuários apagados por Lipz. E não se anime a esconder um exemplar.

Ninguém aqui vai enganar ninguém,

Corr. Ninguém.

ÀS 13:30H, Robert Greene encontrou uma vaga no estacionamento e se dirigiu à entrada do hospital. Ficou surpreso: seu coração não batia mais rápido que de costume.

Não sentia a angustta própria de quem vai morrer, como havia imaginado centenas de vezes.

Dirigiu um pensamento a sua filha. Lorine se esforçara tanto para que se tratasse, para que não abandonasse o tratamento. Ele precisara se afastar porque ela não

o havia entendido. Estava sofrendo por causa daquilo. Ela lhe fazia uma falta terrível.

E aquele médico, Corr? Será que tomaria a decisão correta? Estaria suficientemente amedrontado para ceder? Greene não pôde se impedir de sorrir. Ele, que não faria

mal a uma mosca.

Dirigiu-se ao quarto 12 e lançou um olhar para o leito. Não havia lençol. Nenhum equipamento. Nada de perfusão. Estavam ali somente o médico e uma chapa radiográfica

sobre o colchão.

- Tenho duas notícias a lhe dar, Robert. Uma boa e uma ruim. Para começar, você não precisa mais de mim - disse ele, pegando a radiografia.

- E a ruim?

No mesmo instante, Joanne entrou no aposento e se colocou ao lado ~ médico, ligeiramente recuada.

- Uenha, sente-se - respondeu Corr, sombrio.


GIiEENE continuava de pé. Os soluços sacudiam seu corpo; ele chorav`+ em silêncio. Joanne aproximou-se dele.

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obrigações. A conta numerada será aberta a tempo. Segundo minhas informações, esse estabelecimento deixa a desejar em termos de confiabilidade. Ele náo vai resistir



à pressão de uma investigação internacional.

_ Bem - disse Joanne -, se ninguém mais precisa de mim, vou me encontrar com meu novo cliente. Você não se esqueceu de nada, Eydan?

- Não. Aqui está o contrato de venda da casa, em nome de Lorine Gagnon e datado de uma semana atrás. Acha que vai ter dificuldade para registrá-lo?

- Não, tenho um bom amigo na Ordem dos Advogados.

Ela estava prestes a deixar o aposento. Eydan a reteve.

- Joanne, nãoo acha que é um pouco cedo para estudar um plano de ataque com Robert Greene?

- Para esse homem, agora, atacar é uma espécie de resgate, uma maneira de sobreviver. Vamos pegá-los, Eydan.

SOZINHO, Royer deu início ao sétimo lance do jogo contra um adversário bávaro conectado à Internet, quando o computador emitiu um som estridente. No mesmo instante,

surgiu na tela um quadro complexo, seguido de uma listagem de datas, horas e siglas.

Royer acionou a impressora e rasgou febrilmente o papel que se estendia diante da máquina. Seu olhar se iluminou. Girou na poltrona e retirou o fone do gancho.

- Eydan? Você não vai acreditar, mas hoje, às 10:32h, modificaram o dossiê de uma certa Doris Shell. Se entendi bem este relatório, ela acaba de recuperar uma IRM

altamente patológica, inicialmente colocada no prontuário de um tal Robert Greene. O prontuário de Greene saiu do fichário dos pacientes. Às 10:47h, Simone Brabois

também caiu no esquecimento, seguida de perto por Liam Fienes. Dois pacientes que a policia encontrou mortos recentemente, se li certo as notícias nos jornais. ~!

Acontece cada coisa neste hospital... Não dá para imaginar.

- François, você é um gênio. Poderia provar que Lipz é o responsável p°r essas alterações?

- Se quer minha opinião, já podemos reservar para ele uma cela vitalí~ ~ penitenciária de sua escolha. No que diz respeito aos outros, é sua

de jogar; sua e de Joanne.

#z5o


Seleções de duros 1

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O Quinto Paciente
CÉTICA, n JUízA Dana O"Neill passou a mão por uma m cabelos encaracolados.

- Eu gostaria de conversar com seu cliente, Joanne. O q,~ colocando em andamento tem sérias conseqüências e não se um processo às cegas.

A advogada concordou. Abriu a porta do escritório para d Robert Greene. A juíza ficou intrigada com aquele homem, do e muito ereto.

- Sr. Greene, saiba que as acusações que o senhor traz con ratório são graves. Antes que sua advogada dê início a qualquer. mento, gostaria que o senhor me explicasse

os fatos.

O olhar de Robert Greene por fim se animou e cruzou Joanne. A advogada fez-lhe um sinal com a cabeça, à guisa de, mento. A magistrada impacientou-se.

- O senhor realmente participou desse estudo?

- Sim.


- Contra sua vontade?

- Não. Mas fui enganado. - Em que medida?



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