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enquanto Benoit dava aos policiais as últimas instruções.

- No momento, tentem não deixar vazar nada. Vamos transferir o cadáver para o necrotério de Montreal, e conto com vocês para que o assunto fique sob responsabilidade

da brigada antientorpecentes.

- Não se preocupe, inspetor. Vamos esperar suas ordens.

Benoit retirou sua parca ensopada e pegou a estrada. Fienes acabava de morrer de maneira estranha. Será que aquele Greene tinha espalhado sua loucura mortífera?

No que Eydan se metera sem saber? Uma coisa era certa: seu amigo tinha diante dele um paciente sem escrúpulos.

Entretanto, o comportamento dos protagonistas lhe parecia estranho, desproporcionado. Será que o próprio Eydan conhecia o negócio em que se havia atolado? Uma última

questão vinha envenenar sua reflexão: Eydan teria dito tudo?

No mesmo instante, fez-se a conexão na mente do policial. Quebec. O outro doente.

Benoit arrancou o celular da cintura e digitou nervosamente o número de sua esposa. Depois de alguns segundos, a chamada caiu na caixa de mensagens. Benoit desligou

e consultou seus próprios recados.

Seleções de _ "ivros 201

_ Você não teve paciência de esperar até a noite? Muito comovente. Sentiu minha falta tanto assim?

j_ Mais do que pode imaginar - disse ele com voz cansada, tomando oanne nos braços. - Onde você estava? - Aproveitei para fazer minhas compras. Tudo vai estar fechado

quando voltarmos a Montreal, então disse a mim mesma que a sessão de autógrafos podia esperar um pouco. O que aconteceu aqui? Tive de dizer que era advogada de Simone

Brabois para que me deixassem subir. É para ela, a ambulância? Ela teve algum problema de saúde?

- Sim, um pequeno problema. Não vai dar mais autógrafos.

7

YDAN DEIXOU o hospital discretamente e alcançou a auto-estrada 15, rumo às Laurêntidas.



No momento, era aquele automóvel negro, no retrovisor, o que o preocupava. Ele o notara 45 minutos antes. Às vezes, o veículo mantinha distância, mas se aproximava

quando ele el Ele tentara despistá-lo na via expressa, mas o condutor jamais deixava o espaço entre os dois carros aumentar muito.

Perto de Sainte-Anne-des-Lacs, consertos na rodovia tornaram mais lenta a circulação. Eydan tentou discernir a fisionomia do motorista, mas o automóvel freou a alguma

distância de seu velho Chrysler. O sujeito permitiu que Eydan estabelecesse um intervalo entre os dois carros, antes de dar a partida novamente.

Somente em Saint-Faustin seus caminhos se separaram. Eydan virou à direita, e o Toyota prosseguiu em direção a Saint-Jovite. Mais calmo, o médico contornou o lago

para chegar à entrada do parque de MontTremblant. Desceu do veículo e contemplou, impressionado, o monte Vache-Noire, cujas falésias mergulhavam de forma espetacular

na direção do leito do rio. Canteiros de bétulas amarelas cobriam as velhas montan
has arredondadas a perder de vista e ondulavam sob o vento de fim de tarde.

#202


L O Quinto Paciente

203


Seleções de duros

Convicto homem de cidade, Eydan tremeu. A paisagem lhe ta na medida de sua missão: inquietante. Com um pouco de estaria escondido nas proximidades das águas sombrias

de trocentos lagos perdidos nos 1.50Okmz de reserva protegida. se do posto de recepção; uma jovem levantou os olhos, sorri

- Bem-vindo!

- Estou de visita a um amigo que mora no parque.

- Então vai ser fácil: só duas pessoas têm autorização para porariamente aqui, Laurent Bélanger e Robert Greene. Os cem a região de cor e são os únicos que não têm

medo de tope urso negro no quintal - disse a recepcionista, rindo com prazer..

Eydan engoliu em seco. Ainda por cima os ursos negros. ergueu a gola do casaco.

- Poderia me dizer onde posso. encontrar Robert Greene?

- Siga a estrada até o centro de serviços do lago. Fica a qui tros do estacionamento, numa clareira, na direção do lago F encontrar sem dificuldade. Mas é melhor

se apressar está anui

Eydan percorreu 11 km de esplêndidas paisagens. Mas, uma , vessado o rio, a fascinação exercida pelo panorama desap instante. O estacionamento estava mergulhado

na penumbra, folhagem densa. Saltou do carro reticente e permaneceu alguns momentos. Os barulhos da floresta, ampliados pela lhe completamente estranhos. Ele se

aproximou do único veí nado: tinha placa de Montreal, mas não era o Fordde Greene. os limites do estacionamento e localizou um letreiro que in nho para o lago Femmes.

Seguiu naquela direção com cuidado, à espreita, e notou, para pedestres que parecia conduzir a uma área de v densa. Abriu caminho até a clareira e descobriu a casa.

Ele não viu luz acesa; uma barra transversal presa à porta deado interditava a entrada. Bateu, mas não obteve resposta. se para estabelecer alguma espécie de estratégia,

quando um „ fez saltar sobre os próprios pés. O lamento pareceu int não precisava ser um especialista da fauna para reconheceu havia lobos em liberdade naquele inferno.

esperou, angustiado, o final do grito para se mexer. No entanto, não deu mais que alguns passos: um novo ruído, mais sombrio dessa vez, veio do bosque à sua esquerda.

Alguém aí? Greene, é você?

Afastou um ramo e se viu cara a cara com três cervos-da-virgínia, que o uivar dos lobos havia assustado. A voz do médico os fez lançarem-se dentro da noite. Eydan

apoiou-se numa árvore para se recuperar do susto. Só teve tempo de virar a cabeça, quando ressoou um tiro; a bala fez voar lascas da árvore perto de sua têmpora.

Agachou-se, com a cabeça entre as mãos, e gritou com todas as forças:

- Greene, você está louco! Não quero lhe fazer mal, não estou armado, vim para conversar!

Produziu-se uma segunda detonação. Ele se afastou do tronco que o protegia e distinguiu uma sombra entre as árvores, a uns trinta metros. Lutou contra o pânico que

o invadia. Era fundamental que atravessasse a vegetação para encontrar o caminho para o estacionamento. Se conseguisse chegar ao carro, talvez tivesse uma chance

de sair dali.

Avançou cerca de vinte metros e congelou. Sua pulsação martelava-lhe as têmporas, mas ele escutou claramente passos desajeitados que vinham em sua direção, a partir

da trilha. Parecia estar preso ao chão por correntes. De repente, pôs-se a correr, com os braços projetados para a frente, para se proteger da vegetação que lhe

feria as mãos. A densidade da folhagem e a escuridão talvez lhe permitissem escapar do atirador. Virou-se, num impulso: a sombra tinha se lançado em sua perseguição

com a agilidade de um animal dentro de seu elemento.

Seu pé prendeu-se então numa raiz protuberante e ele caiu. Virou-se e viu seu agressor parado a poucos passos. O feixe de luz infravermelha que partia da arma varreu

o solo ao redor de Eydan e se fixou em sua cesta. Paralisado, com os braços cruzados, o médico abriu a boca, mas não emitiu som algum. Uma voz de mulher o arrancou

do transe e desviou a atenção do assassino:

- Não! Não o mate, é o médico! Por favor!

Uma silhueta se interpôs entre o neurologista e a arma no momento do disparo. A mulher deu um grito e desabou no chão.

Aquela voz.

#204

O Quinto Paciente



I Seleções de duros

205


Eydan a reconheceu instantaneamente e se precipitou pata nos braços.

- Lorine! Lorine, responda!

Ele levantou os olhos para o homem, que não se mexia, e fúria incontrolável invadi-lo.

- Seu porco! - rosnou, levantando-se.

Seu adversário já voltava a apontar a arma em sua direção, viu-se um novo disparo, bem próximo.

- O que está acontecendo aqui? Fiquem sabendo que cia, bando de vagabundos!

O atirador deu meia-volta e pôs-se a correr. No mesmo i pareceu na densidade da noite. Outro homem surgiu então,

zil de caçador nos braços, vestindo uma parca e um bott6 , Bélanger tinha se vestido às pressas e deixado a casa vizinha. rar aqueles malditos caçadores, ao menos

uma vez.

- Gente imunda! Eles a machucaram, senhora? - perguntou, do-se ao lado do casal.

Tocou a perna da jovem e levantou a mão suja de sangue. E dia a enfermeira.

- Lorine, pelo amor de Deus, fale comigo!

- Minha perna... está doendo... Eydan, por que ele a deu nele? Por que ele atirou?

- Vou correndo chamar uma ambulância - disse Bélanger. -


terna com vocês. Ah, essa gente nojenta; dessa vez eles v"ao pagar"

Eydan apoiou a lanterna no chão, retirou seu casaco pari vem e pressionou a ferida para conter a hemorragia. Ele a ao contato com seu corpo. Eydan beijou-lhe a testa,

as p bios. Ela sorriu com dificuldade.

- Eu sei está doendo - disse ele. - O socorro estâ ch r

- É você quem me faz mal: não consegue sentir a própris xima vez que decidir me beijar, me avise; vou me esfarçac uma hemorragia.

Ele relaxou a pressão sobre o ferimento e acariciou o rol. moça.

- Era você que estava me seguindo hoje á tarde?

J_ Perdão. Fiquei preocupada depois de nossa conversa ontem. Fui atrás de você até Sainte-Agache, depois continuei em direção a Saintovite e alcancei o parque por

outro caminho. Não quis segui-lo até aqui, porque eu também tinha um carro em meu encalço já há algum tempo. Procurei despisrá-lo e tirá-lo de trás de você...
OS Aux[L[nxES da ambulância fizeram a maca deslizar para dentro do

veículo. A luz azul do farol rotativo varria os semblantes da família

Bélanger, agrupada na penumbra do estacionamento, nas proximidades

da viatura da polícia. Eydan dirigiu-se ao médico responsável:

- Para onde vai levá-la?

- Vai ser necessária uma intervenção cirúrgica. Vamos conduzi-la a

Saínt-Jérôme e um helicóptero vai transportá-la em seguida ao Hospital

Geral de Montreal.

Ele subiu na ambulância e segurou a mão da jovem.

- Logo vou me juntar a você no hospital. Primeiro vou resolver peque

nas formalidades com a polícia. Tente sobreviver.
EYD~[v atravessou as portas do Hospital Geral de Montreal e seguiu para os elevadores. Um arrepio percorreu-lhe o corpo. Quando estudante, certo mal-estar o invadia

sempre que precisava ír ao necrotério. As portas se abriram e o odor característico dos produtos de conservação Oenvolveu. As paredes do hall eram ladrilhadas de

branco e o eco respondia ao menor ruído.

- Eydan, estou na sala 1.

A voz familiar o confortou. Avistou Nicolas Régent de jaleco verde, inclinado sobre um corpo. O médico legista endereçou-lhe uma piscadela maliciosa.

- Então, ainda apreciador das dissecações? Vou me apressar, mas há certas coisas que preciso mostrar a você. Enquanto espera, dê uma olha

~ naqueles papés ali, ao lado da bandeja de escalpos. Isso acabou de do laboratório de plantão.

Benoit examinou os documentos: eram resultados de exames de san~ em nome de Simone Brabois. As percentagens de benzodiazepínicos fantásticas. Eydan ergueu os olhos

na direção de seu colega.

.y

#20G



- Um suicídio?

- Tranxene, mais precisamente. Sim, o suicídio é a hipótese dente. A polícia está tão certa disso que não esperou o resultac(o" trabalho para concluir.

- Você não parece convencido.

- Veja - disse Régent, apontando o indicador para o pulso da - Há lesões na pele, às vezes mesmo feridas profundas, com pert;k~ tância ao redor de toda a articulação.

Encontrei as mesmas tornozelos. Retirei fibras de pequenos fragmentos de pele nesses tecido ou de corda. Até este momento, nunca examinei ninguém. prendido os quatro

membros antes de se suicidar. Essa polxe debateu como louca antes de morrer, está marcado em sua ep"

Eydan o escutava, pasmo.

- Isso não é tudo - prosseguiu o legista. - Observe estas

vinho ao longo do antebraço. Elas tornam a observação diEIcRI,examinamos com cuidado a pele da Sra. Brabois, ali, acom trajeto da veia, notamos um pequeno orifício

de cerca de meio tro, coberto com uma crosta de sangue.

Eydan apertou os olhos e passou a máo sobre a pele violácea. ~,

- É um ponto de injeção, Eydan. Posso mesmo afirmar q submetida a uma perfusão durante certo tempo: a pele está " apresenta resíduos de cola. Era o esparadrapo que

mantinha a lugar.

- Em suma, ela foi amarrada antes que a submetessem a wna de doses elevadas de ansiolíticos.

- Certo. Mas não foi o Tranxene que a matou. Injetaram altas doses, junto com Tranxene, para falsear a pista e fazer cra" dio. A elevação da taxa de potássio no

sangue desencadeou lares e contraçôes atrozes. Essa pobre mulher se debateu amarrada, provocando lesões cutâneas nas articulaçôes. ram os clássicos espasmos gástricos

e os vômitos, e o cora mago invadiu os pulmôes. Ela foi assassinada, vítima de fora do comum. Quem fez isso é um verdadeiro sádico, ". doente do tipo que raramente

se vê. E deixei o melhor pari o` ja em cima do bolo.

Abrindo com cuidado a boca de Simone Brabois, ele introduziu uma pinça entre os lábios sombrios.

_ Bonito não? - comentou, retirando o instrumento. Em sua extremidade, havia um pequeno frasco de vidro. - É o que os criminalistas charnarn de assinatura do morto.


GREENE, aquele louco. Como pôde?

O médico tinha percebido o perigo que corria, desde seu primeiro encontro. Mas tudo aquilo havia ido mais longe do que ele podia imaginar. Fienes também estava morto.

Benoit não havia mencionado as circuns

tâncias da morte por telefone, mas Eydan sabia que se tratava da segunda vítima do mesmo homem.

Eydan atravessou o hall do hospital e se dirigiu ao serviço de cirurgia. - Aonde vai, senhor?

A enfermeira da noite impedia-lhe a passagem através do corredor, com as mãos nos quadris.

- Sou o Dr. Corr, do Saint-Antoine. Sei que é tarde, mas gostaria de falar com a Srta. Gagnon.

- Ela está dormindo. Ainda está sob o efeito da anestesia - respondeu a mulher, de forma mais branda.

- Só um minuto, prometo.

Eydan empurrou a porta entreaberta. O quarto estava mergulhado na penumbra. Brilhavam somente um mostrador luminoso intermitente e o traçado verde flourescente do

medidor cardíaco. Com o dorso da mão,

ele acariciou o rosto da jovem. - Boa noite, Eydan.

~ médico sobressaltou-se e retirou a mão, embaraçado. Lorine sorria corra dificuldade.

- ~ cirurgião me disse que a bala atravessou a coxa sem danificar a ~cnrcura vascular. Logo você vai estar de pé. - Nunca pensei que essa história chegasse até este

ponto - disse ela. - Eu sabia. Greene me ameaçou de morte.

- Por que não me disse?

- Lorine, eu não conhecia você, não estava certo sobre de que lado

O Quinto Paciente

Seleções de ~"ivros

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Seleções de duros

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Eles se basearam na taxa de Tranxene no sangue, sem levarem consi~ção a autópsia. O disfarce foi bem-feito.
Este nãoo é o primeiro cadáver deles, nem a primeira investigação. F1es nunca são assim tão rápidos. Não; de fato, é estranho.
- E Fienes? - perguntou Eydan.
- Nesse caso também, tudo foi reunido para sugerir suicídio: o sujeito acá doente e se mata em meio à bela paisagem que tanto amava. O esquema ideal.
- A montanha, a perfusão, essa costura de fio branco - disse Joanne.

Isso cheira a Greene a cem quilômetros de distância. Sem dúvida, a poIfeia náo conhece a essência da história, mas de qualquer forma esses elementos deveriam alertar

seu sexto sentido.
Eydan levantou-se.

- Vocês têm acesso à Internet por aqui, não?

Ele se instalou diante do computador e digitou sua identidade e sua senha para acessar a caixa de correio eletrônico. . - Vejam a bela mensagem que me enviaram agora

à noite, às 21:OOh. li antes de sair para o necrotério.

O casal se aproximou do monitor.

Acha que seus amigos serão de alguma utilidade? O senhor mesmo dúse, doutor, é um negócio entre nós dois. Deixe-os fora de tudo isso. O senhor é o único que pode

tomar a decisão.

RG.


-lsso não o caracteriza como culpado - disse Joanne -Talvez ele este1~fazendo referência às vezes em que você esteve aqui. Você bem sabe que de está ciente dos seus

menores gestos. E depois, ele não era o único a


o que você estava planejando, Eydan.

Não, tem razão. Havia Lipz, é claro, uma vez que foi ele quem me ~ $ttiu o nome dos dois pacientes. Fico doente só de pensar que ele ser culpado por tais atrocidades.

Simplesmente não dá para acredisujeito levanta o nariz de seu microscópio uma vez por dia, e a

osto. Ele mal é capaz de encontrar o caminho do estacionamento pital.

Seleções de duros

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_ Benoit tem razão - recomeçou Joanne. - Você não conhece o verda

deiro jogo nesse negócio. Isso está totalmente fora da nossa alçada, eis tudo. Benoit aproveitou a calmaria para intervir:

_ Estou de acordo com ela num ponto essencial: a situação está além

de nós. É preciso desvendar esse assunto através dos meus colegas da

Criminal, pode acreditar.

Eydan compreendeu a reação do policial. Procurou a melhor maneira

de revelar o que não podia mais esconder.

_Talvez haja um elemento que faça com que vocês entendam melhor

a situação.

BENOiT esfregava o rosto, afundado numa poltrona. Joanne brincava com uma mecha de cabelos e tentava controlar uma furiosa vontade de rir. O silêncio era pesado.

- Vamos recapitular. E ninguém, eu disse ninguém, vai me interromper - decretou o policial. - Greene, que veio ao mundo para envenenar nossa existência, ameaçou

você de morte para que praticasse a eutanásia. Até aqui, nada de novo. E eis que você nos conta que o laboratório está pronto para arruinar sua carreira e colocar

você atrás das grades, caso não trate desse sujeito. - Eydan aquiesceu. - Então, Eydan, por que você não disse nada sobre a ameaça desse tal Falcon?

- Você foi me buscar duas vezes numa delegacia de polícia por causa de histórias difíceis de engolir. Então pensei que falar de corrupção e outras apropriações financeiras,

nesse contexto, não seria muito indicado.

Quase fora de si, Benoit agarrou seu casaco e o vestiu.

- Vamos agora mesmo procurar meus amigos e você vai contar a eles cudo o que sabe. E acredite, se esquecer uma palavra, sou eu quem vai atftar uma bala em sua cabeça.

- Espere, Benoit, me dê um pouco mais de tempo - suplicou Eydan.

Joanne estava pensativa. Depois da confissão do médico, também ela fitava enxergar os fatos sob um novo ângulo. - Fique calmo, Benoit. Eydan tem razão. Se esse negócio

vem à baila, ~ perdido.

~ Inspetor refletiu por um instante e tornou a largar o casaco.

Suponho que você tenha um plano formidável para nos apresentar.

SeleÇões d e ~i v ro s

213


pnete? Anete Forsberg? - A voz, hesitante, parecia vir de longe. - É Ey~ Corr. Perdão por ligar tão cedo...

Eydan! Que prazer! Não se incomode, estou de pé há muito tempo.

preciso de algumas informações a respeito do Delta. Sua ajuda vai ~ preciosa.

- Claro. Está tudo bem? Pelos últimos comentários no Starlab, vocês estão bancando as vedetes aí em Montreal. Está todo mundo esperando seus resultados.

- Os de vocês são comprovadores, não?

- Impressionantes; seja nos 11 centros de estudo escandinavos ou nos 44 do resto da Europa. O Interferon é realmente revolucionário. Há algum problema por aí, Eydan?

- Na verdade, é o recrutamento que está causando problemas.

- Isso é o cúmulo, você há de convir!

- O que quer dizer?

-Acho curioso que estejam com problemas para incluir pacientes em seu próprio centro, uma vez que é Montreal que gera o recrutamento de todos os centros de estudo,

tanto na Europa quanto na América. As grandes empreitadas são reagrupadas em dois ou três centros, é a política do Starlab - esclareceu Anete. - Mas não posso informar

muito mais a esse respeito. Se quer saber tudo sobre o Delta, especialmente aquilo que não se comenta, deve procurar Ruben Weinberg.

Eydan apressou-se a pegar um lápis.

- Onde eu poderia encontrar esse Weinberg?

- É aí que a coisa fica complicada. Ele está na sede. Em São Francisco.

- Eles não têm telefone na Califórnia?

-Ruben Weinberg é responsável pelo departamento de pesquisa clínica do Starlab. É ele que decide e dirige, em escala mundial, os estudos 4~ dizem respeito aos novos

produtos do laboratório. Sabe o que isso ~~6ca? Duvido que faça confidências por telefone ou fax. Ele é assedia

pela mídia, mas também pelas comissões de vigilância das agências na~aais do medicamento.

- Ele aceitaria me receber?

ão se preocupe. Pode me usar como cartão de visitas. Somos muito s- Hoje mesmo entro em contato com ele por fax.

#214


Eydan desligou e digitou o número do aeroporto.

- A que horas sai o próximo vôo para São Francisco?

- O próximo vôo da Air Canada sai às 6:lOh, senhor. Sers.

até aqui e tentar a sorte.

Os acontecimentos recentes tinham provado a Eydan que;~t~ parecia ter muito gosto em acompanhá-lo, mas ele não " Conectou-se à Internet. Ele recebera uma nova mensagem.

dessa vez.


Eydan, ligue para mim no laboratório. G.L.
Sempre expressivo. Era muito tarde para saber mais Eydan ditou sobre o ícone RESPOSTA.
Gaë~ vou me ausentar por 24 horas. Entro em contato eaar,`quando retornar.

E. C.
PENSOU então em Lorine, que ele havia deixado num ~":

Teve vontade de ouvir a voz dela. A perspectiva de partir, de

enfermeira, fazia com que se sentisse estranhamente oprimido.

ela o soubesse próximo, ao menos nas palavras. Retirou o fone - Decididamente, você nãoo quer que eu durma esta noite-` - Desculpe, pensei em deixar um recado em

sua caixa ~

- disse ele, pego de surpresa. - Não vou poder passar para

nhã. Vou me ausentar por 24 horas.

- Não me diga para onde vai. Greene está aqui ao meu

viva-voz.

- Muito engraçado. Meu vôo sai às 6:lOh, mas à nó volta.

- Tenha cuidado, Eydan.

Ele desligou e alongou o corpo, apaziguado. Dispam:, para tentar dormir: um sono habitado por sonhos mais costume.

QUE MAtS você quer, Falcon? Ele está sendo vigiado dia e noite. Eles o seguiram até os confins daquele maldito parque ontem à tarde.

_ Estamos a 18 de setembro, presidente. Uma simples vigilância não í suficiente. Livre-nos desse sujeito.

- Náo diga mais nada. Já cedi a suas inquietações desmedidas, e os homens de Vaugan falharam ao atirar na enfermeira.

Bravo. Atiradores de elite. Eles são talentosos, seus amigos do ministério.

Leroy levantou-se, exasperado.

- Não se trata de matar quem quer que seja, mas de conhecer os planos de Corr. O agente se sentiu ameaçado e atirou. Foi uma asneira. Você compreende que isso poderia

ter tido conseqüências muito graves? O que fartamos com um cadáver? Reflita um instante, meu caro.

Manon Lassalle entrou e Leroy sentou-se novamente. Era a segunda vez que seu diretor comercial o fazia perder a calma.

- Graças a Deus, existe esse Greene - disse ele. - É a providência divina. Ele se enquadra na situação de forma perfeita.

- Não sei do que você está falando, mas esse sujeito é mesmo um excelente álibi - disse Manon.

- Temo que ele não tenha as costas largas o suficiente, infelizmente. As duas pessoas da lista foram mortas ontem. Falcon se endireitou, vivamente interessado. -

Mortas?

- Eu sabia que isso o deixaria feliz. Uocê queria cadáveres; ei-los.



- Confesse que é uma boa notícia - alegrou-se Falcon. - Esse sujeito está eco, mas é muito eficiente. Ele nos presta serviços imensos. Encarregou~ de tudo que nãoo



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