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ver no hospital. Foi ela quem cuidou dele por ocasião das crises.

Benoit franziu as sobrancelhas e pôs-se a andar de um lado para o outro.

- Pare. Não estou entendendo mais nada. Esse sujeito está se tratando fora do hospital? Pensei que ele quisesse morrer!

- Não tem nada a ver com isso. Eu lhe aplico um tratamento básico, que supostamente trata a doença. Além disso, existe um tratamento sint"tico, à base de cortisona,

que é administrado por ocasião das crises. No trata a causa, mas faz desaparecer a inflamação. Agora Greene está tbeusando tudo. Essa jovem, Lorine, não teve mais

notícias dele. Por isso

procurou: quer me ajudar a encontrá-lo e convencê-lo a Lamento.

Joanne juntou as mãos num gesto piedoso.

Que coincidência maravilhosa! Um sujeito ameaça se matar e essa surge na mesma hora para ajudar você a reconduzi-lo ao leito de tal. Isso não o surpreende?

enfermeira me ofereceu ajuda porque acha que é nosso dever

disse o médico.

Y

retomar o



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O Quinto Paciente

Seleções de ivros

Joanne pôs-se a rir e disse:

- Você é de uma ingenuidade desconcertante, Eydan. estúpido; certamente imaginou que você tentaria encontrar to. Lorine está ao lado dele. Greene posiciona habilmente

seu, a você para conhecer seu comportamento e contra-atacar. S ela seja bonita, sexy e comovente, não?

- Na realidade, não prestei atenção, mas Vamos almoçar juntos.

- Perfeito - disse Benoit. - O que ela sabe de toda esta

- Não mencionei a eutanásia.

- Não sou tão desconfiado quanto Joanne, mas aconselho: revelar o estritamente necessário. Tente, de preferência, obter mações que permitam estabelecer um contato

com Greene. quem sabe ela não encontra os argumentos milagrosos para co

YDAN CONTORNOU a Universidade McGill e

pouco antes do Museu de Belas Artes.

quando bateu à porta do imóvel que abi sultório de seu colega neurologista.

Stéphane Cartier não havia mudado nada. Era um homem . ligeiramente curvado, que usava um traje cinzento despro quer estilo e trazia menos cabelos do que na época

em que os, güentavam a faculdade.

- Sinto muito, meu consultório está um pouco sobrecarr disse ele, embaraçado.

- Não vou me demorar. É importante, Stéphane.

Cartier acomodou-se em uma das poltronas reservadas aos, em frente à escrivaninha, e indicou o outro assento a seu co

- Em que posso ajudá-lo?

- Você é responsável pelo recrutamento dos pacientes estudo Delta, certo?

Eu era, já que o período de inclusão se encerrou. Você deveria saber;

tratando os cinco doentes.

Corr não fez caso da brutalidade da resposta.

- Em sua opinião, poderíamos introduzir um paciente suplementar

ao protocolo?

- A convenção estipula que a unidade de Montreal deve administrar

o Interferon a cinco pacientes. Eles já foram recrutados.

- Eu sei. Mas estou tendo alguns... problemas com o último. Ele reeusa o tratamento.

Cartier endireitou-se bruscamente.

- Mas ele assinou uma permissão...

-À qual ele não está dando a mínima. Quanto ao dinheiro, tenho certeza de que está disposto a devolvê-lo.

- É muito embaraçoso.

- Na verdade, a situação é mais embaraçosa que isso, Stéphane. Ele quer que eu o mate. Está exigindo de mim que pratique eutanásia, utilizando como artifício as

perfusões do Delta.

- Ma... matá-lo? Nem pense nisso! Você está louco, Corr?

-Não pensei nisso sequer por um segundo. É por essa razão que estou aqui. Havia outros pacientes com perfil para entrar no lugar dele, quando você o incluiu no Delta?

Cartier levantou-se para esconder sua agitação.

-Não acho que isso seja viável. O processo de inclusão já está fecha


do há algum tempo Não estou habilitd diã É lb

.ao a tomar essaecso

. oao

ratório que tem de decidir.



o

-Já falei com eles. Eles têm medo d

e estourar os prazos fixados pl

e Sóea


que estou convencid dididd

oe que an an

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e a terei



~Po de substituir Greene Mas não se g m sua ajuda raup ament .. os fatos aos dirigentes do Starlao no mo

mento oportuno.

Aquele demônio do Corr havia previsto tudo atéi iiifi

, o masnsgncante u8umento. Cartier não sabia mais como sair da situação

.

E", é absurdo! Esse sjiá diid i éd T ueto esteprmo,sso tuo.ente



tonvencê_lo1 eu posso ajudar reêli

,v-o, se precsar.

_ Ile me ameaçou de morte.

É PaPo-furado - retrucou Cartier, estupefato.

confirmo isso

.e

Seleções de _livros



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Isso envenenou sua relação com o mundo médico. Onde ele vive?

Em Montreal. É programador. A sede de seu empregador fica na ci

Mas ele foge dos edifícios, sempre que pode, e vai para as Laurêmidas.

_Você tentou retomar o contato com ele nos últimos tempos, não foi?

_ Liguei para seu escritório. Eles não o viram esta semana, mas ele deve retornar ao trabalho na segunda-feira.

-Ainda nos resta a pista do neurologista do Saint-Jérôme.

-De1arue? Duvido que possa nos ajudar. Greene não depositava confiança nele. Ele não esqueceu o episódio terrível do diagnóstico.

- Do que você está falando?

- Greene foi ao hospital para submeter-se à serie inicial de exames. Disseram a ele que os resultados eram negativos e somente uma semana mais tarde Delarue o chamou

novamente para anunciar que na realidade a mm havia detectado certas anomalias.

Eydan empurrou seu prato, perplexo. Ele nunca tivera conhecimento de uma situação como aquela. Quem teria assumido o risco de tranqüilizar um paciente sem ver as

radiografias? E além do mais, a ipm apresentava lesões bastante evidentes para escapar ao diagnóstico de um radiologista. Era incompreensível.

- Lorine, não vamos tratar esse homem. Ele sofreu um choque tão brutal que é refratário a qualquer tratamento. Chegou ao ponto inclusive de desejar... o contrário.

Lorine trazia no rosto um meio sorriso, sem estar certa de compreender.

- Ele me pediu que praticasse a eutanásia - Corr disse enfim.

- O senhor... o senhor está caçoando de mim?

- Não. É por esse motivo que ele vem ao hospital.

-O senhor pretende obedecer?

É claro que não. É por isso que é preciso encontrá-lo e talvez conV~4o antes da última perfusão. Gire- se casou outra vez? Uocê co

alguém com quem ele se relacione?

-Não, mas talvez eu não seja uma pessoa suficientemente próxima para Sou enfermeira, não sua confidente habitual, de qualquer forma.

estava desolado. Ela não fizera pergunta alguma, não mencioa exclusão do estudo, sequer procurara conhecer o fruto de suas reEspiã estranha, se era isso o que ela

era.


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O Quinto Paciente

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- Se Greene não pode mais apelar para você para trata* talvez tenha encontrado outros meios de lutar - disse ele. ver consultando outro médico, ou seguindo outro

tratamert longe do hospital?

- Como vamos saber?

-Tenho um plano, e você vai desempenhar um papel fure


CARTIER caminhava com um passo nervoso, enxugando " corria de seu crânio descoberto.

- Ele quer excluí-lo, Falcon. Vai comprometer tudo.

O homem de negócios o observava de sua poltrona, im de admitir, mesmo a contragosto, que Leroy estava com a era absolutamente incapaz de dominar suas emoções. Sob

era mais perigoso que aquele médico recalcitrante.

- Acalme-se. Em vez de prever o pior, trate de me repetir as

- O quinto paciente, esse Greene, não quer mais que o que o matem!

- Eu sei.

- Corr me disse que sugeriu a você a possibilidade de recebeu uma recusa de sua parte. Tem a intenção de colou fato consumado.

- Esse cara é um fracassado.

- Não, você não está entendendo. Ele simplesmente quer - O que você está me dizendo? - Greene o ameaçou para obrigá-lo a praticar a eutan Falcon se calou. Era um

novo dado a integrar, e talvezz

lêncio reavivou a angústia do neurologista:

- Não podemos excluir Greene e substituí-lo. Seria

É preciso impedir Corr de ceder.

- Não seja estúpido. Fiz o que era preciso para assustá-h?r

de questão executar minha ameaça. O laboratório não

Dessa vez, Cartier manteve silêncio, até que Falcon eme

sarrentos: - O que ele espera de você?

- Ele me pediu para fornecer a lista dos pacientes

incluídos no Delta.

- Muito bem. Ele a terá.

- O quê? Você está louco?

Cartier suava por todos os poros. Falcon o observou com desprezo,

ordenando:

- Encaminhe-o a Lipz.

- Lipz? Mas ele está por fora disso tudo! Um verdadeiro santo. Vai ,ntregar a Corr essa lista de olhos fechados.

- Não tente entender. Você só tem uma coisa a fazer: ligar para Corr dizer que Gaël Lipz vai fornecer o que ele deseja. Eu me encarrego do resto.

EyDAN levantou a gola do jaleco e deixou o prédio principal do hospital Saint-Antoine. Percorreu o estacionamento em passos rápidos para esquecer o frio cortante

e subiu as escadas de quatro em quatro degraus até o laboratório. Passou seu crachá diante do visor eletrônico e as portas de vidro opaco se abriram.

Ficou imóvel por alguns instantes no meio do corredor, desorientado. O laboratório era o serviço para o qual todas as unidades do hospital apelavam, sem jamais colocar

os pés no local. Situava-se num espaço afastado da instituição, que combinava bem com a estranha atmosfera reinante. Guiado pelo ruído dos aparelhos, Eydan dirigiu-se

a uma porta que se abria para uma sala retangular. O espaço era cercado por bancadas que sustentavam tubos, pipetas, máquinas e monitores de computador. Ao fundo,

um biólogo de jaleco inclinava-se sobre um microscópio.

Sem dilh
esvar os oos do aparelho, o homem dedilhou um teclado e

uma imagem apareceu em uma das telas. Ele se aprumou, satisfeito com v resultado.

-Bonito, não? Plasmodium falciparum ultra-resistente isolado no san ,

11 de um paciente que apresentava uma cri e de malária refratária a

fidos os tratamentdiid

os amnst U

raos.ma pequena maravilha trazida do

ate da África,

cantador - respondeu Eydan Comoiji?

. - va o sueto Melhor. Está morto O biól ldã

. -ogoevantou-se e esteneu a mo ao

10C111



a. -oc é Eydan C Bom di eu sou Gaël



orr.a, Lipz. Vamos

~u escritório. escritório.

#190

Eydan o seguiu, intrigado com o personagem que corres crição que se fazia dele: taciturno e imprevisível. Não se sabia vida particular, a não ser o fato de que ela



lhe conferia li Gaël Lipz dava provas de uma disponibilidade desconcertar freqüentemente passava a noite no estacionamento do hosp"

Ele o fez entrar num cômodo escuro, mais um cubículo que

- Bem-vindo ao meu palácio - disse, indicando a Eydan a "

A mobília era sumária, mas continha o essencial. Ele acariciou" putador que dominava a mesa.

- Tenho o que você quer aqui dentro. Quando vai rever o o está aborrecendo tanto?

- Daqui a quatro dias, para sua última perfusão do Deita. que você me forneça meios para substituí-lo.

- Certo, diga precisamente do que você precisa. Cartier não claro.

- Preciso da lista dos pacientes que competiam com Greene . ele fosse selecionado para o estudo. Acha que pode me ajudar.`

- Todos os doentes considerados para a pesquisa, incluíd passaram por meu laboratório para a avaliação biológica req Delta. Contando com Greene, havia quatro candidatos

para a., ga. Mais tarde, outros doentes sofrendo de esclerose em pla encaminhados. Mas o período de inclusão estava encerrado.:` que eles foram desviados para outros

hospitais.

- Se entendi bem, três pessoas eram candidatas poten Delta, independentemente de Greene?

- Havia dois, pelo menos. O terceiro, ou melhor, a ter lembranças estão corretas, não foi acompanhada. Se a m falha, creio que se tratava de um falso positivo: o

exame que ela sofria de uma esclerose, mas a avaliação biológica O- iRm não foram favoráveis ao diagnóstico. - Lipz levantou ganhar o neurologista até a porta. -

Sinto não poder aju mento. Mas você me pegou um pouco desprevenido.

- Não precisa se justificar- declarou Eydan. - Com mente que não tenha tido tempo de se ocupar disso de

Mas a decepção estava estampada em seu semblante.

para ser franco, estou surpreso com tudo o que está acontecendo. É um dramático, que revela as falhas do mundo hospitalar. Você terá a lista ainda hoje. Prometido.

EypAN retirou a agulha do músculo do paciente e confiou-o à enfermeim. Deu uma olhada para o relógio na parede. Meio-dia e meia, e Lipz ainda não havia ligado. Decidiu

dar uma passada na lanchonete para fazer uma refeição ligeira.

Atravessou a cantina superlotada e se instalou numa mesa pequena. Ia dar uma mordida em seu sanduíche, quando reconheceu uma voz familiar: - Olá, colega.

Lorine equilibrava-se sobre um tamborete diante de uma pequena mesa, visivelmente decepcionada.

- E então? - perguntou Eydan.

- Nada de fantástico. E olhe que desde ontem eu venho passando o pente fino por todo lado.

- Conseguiu entrar em contato com Delarue?

- Sim. O nome Greene não o fez se lembrar de grande coisa. A secretária dele me confirmou que Greene não voltou a pisar no consultório. Minha busca nos hospitais

das proximidades não tiveram melhor resultado. Chequei os serviços de urgência, as policlínicas, as unidades de neurologia: nada. Cheguei mesmo a pesquisar as farmácias,

em desespero de causa.

- Entrou em contato com as farmácias, uma a uma?

- Não, pode ficar sossegado. Meu cunhado é tesoureiro do sindicato dos farmacêuticos de Quebec. Ele transmitiu um comunicado a todas as "loas pela Internet ou por

fax. Nada, como sempre.

Viu? Foi o que eu disse. Ele deve ter-se refugiado no alto de suas ~tanh para reaparecer como uma flor em 20 de setembro e exigir

perfusão muito especial.

,,~6o A montanha, Eydan... Claro! Fui idiota de não ter pensado nisso ~" de início.

Mas você queria que fôssemos procurar nas montanhas? lute. Greene vive em Montreal, mas possui um chalé.

você sabe onde fica?

O Quinto Paciente

Seleções de

.v

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- Com certeza - disse ela triunfante. - Mont-Tremblant. O médico quase se engasgou. - Onde?

- O parque nacional, localizado nos confins das Laurênti

nário magnífico de montanhas e lagos, repleto de cogumelos

liberdade. É lá que você tem de ir para encontrar Greene.

cepcioná-lo, ele não tem telefone.

Eydan tomou um gole de seu café.

- Você está pálido - disse ela rindo. - Está com medo. Ett

do. Mas fique tranqüilo, vou junto.

- De modo algum - respondeu Eydan. - Não é lugar... - Para uma mulher? Olhe para você. Sou eu que vou pr - Não se preocupe. Vou ler o guia do perfeito mon

noite e vou estar preparado para enfrentar o Mont-Tremo

Sozinho.
EYDAN voltou ao serviço por volta de 1:30h da tarde. preocupada quando o deixou. Ele não conseguia definir sua dade, nem o motivo de sua presença ao lado dele. Por

outro mento que experimentava em relação a ela desenhava-se mente; e ele atrapalhava seu sexto sentido.

Cruzou com Agnes, que circulava de um quarto a outro toscópio e o tensiômetro na mão.

- Não falta gente procurando você agora. Há um suj falante à sua espera na enfermaria.

Gaël Lipz estava plantado diante da porta da sala de cura à vontade, parecia um grande peixe fora d"água. A chega" pareceu alivíá-lo.

- Ah, você está aí. A receita da felicidade - disse ele, neurologista uma folha dobrada em dois. Nomes, end de telefone. - Espero que esteja atualizada.

Eydan desdobrou a folha e Lipz comentou seu conte" "

- Simone Brabois. Trinta e dois anos, vive em Quebec gentil, discreta. A esclerose surgiu em sua vida para PÔr para o ar. Ela era dançarina profissional e mãe de

duas

,tiVe com ela para os exames, parecia disposta a crer em tudo e a fazer



quer coisa. Vai aceitar sem restrições as exigências do Delta. já com Lí Fienes talvez seja mais complicado. Quarenta anos. Nunca deixou o ~po; um pouco tosco, mas

não é má pessoa. Há seis meses, sofreu

queda de 15 metros, enquanto escalava uma parede rochosa.

_ Mais um louco das montanhas. Preciso me benzer.

_ Ele escapou com algumas contusões e um braço engessado. Mas quando foram determinar a causa da séria vertigem da qual foi vítima, a ptm foi definitiva.

Eydan tentou decifrar as coordenadas do doente.

Rivière-Éternité?

- Fica na região de Saguenay, à beira do fiorde. É o fim do mundo, mo é magnífico. Conhece?

- Não. Jamais fui fã da natureza selvagem.

- Estou sendo indiscreto, mas... como pretende proceder? - perguntou Lipz com timidez.

- Vou procurá-los, a partir de amanhã. Mas não estou só. Lorine Gagnon, enfermeira de Greene, está me ajudando. Sua colaboração será preciosa.

Lipz estendeu-lhe a mão. A solidão de seu laboratório lhe fazia falta; de mostrava sinais de impaciência.

- Vou me retirar para minhas terras distantes. Não fico à vontade fora Mas. Fazia muito tempo que eu não saía para ir a outra unidade. Boa ~ecte, Eydan.

O neurologista o observou afastar-se, de cabeça baixa, à espreita de um

Cético perigo. Um sujeito curioso.

Eydan?


O médico voltou-se: Lipz ainda estava à entrada da unidade.

Com três, às vezes... como posso dizer, é mais fácil que com dois.

ire - concluiu ele.

NE BPABOts caminhava pela travessa dos Governadores, como


as dias depois do almoço. Saía de sua casa, na rua do Trésor, ser
pelas ruelas de Vieux-Québec e contornava a fortaleza. Fazia al
*Mana, que ela não se separava de sua bengala. Seus passos já não

O Quinto Paciente

,

Seleções de ivros



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L Seleções de ~eivros I 195

NXO TTVE escolha, você sabe perfeitamente - cortou Falcon. - Agora

de posse da lista, não vamos voltar a esse fato. É tempo de agir. ~está Lassalle mantinha-se de pé, apoiada em uma prateleira da sala

observava com interesse o confronto que se desenrolava diante

A atmosfera estava carregada e nada a estimulava mais do que uma

o assim tão palpável. Estava se deleitando com o espetáculo.

Gerard Leroy mantinha-se impassível em sua poltrona, na cabeceira da axe Falcon, em mangas de camisa, estava inclinado na direção do presidente, com as duas mãos

cerradas sobre o tampo de madeira.

- Até aqui, você recomendou a maior prudência. Demos ouvidos a você e não interviemos. O tempo de observação acabou. É preciso exercer sua influência nas altas esferas.

-já chega. Você está sendo alarmista, como sempre. Não vou semear o pânico no ministério para me desembaraçar de um doutorzinho patético. Você deveria tê-lo pressionado

desde o início, Falcon.

- Corr conhece a data limite fixada pelo protocolo para tratar outro paciente? - perguntou Manon.

- Não. Mencionei 30 de setembro em vez de 15 de outubro, para desencorajá-lo.

- Catorze dias. Ele não vai conseguir. O presidente tem razão.

- É muito pior do que você pensa - respondeu Falcon. - E ainda por cima, ele está com medo. Greene não foi até lá de mãos vazias. Para convencer Corr a praticar

a eutanásia, ele o ameaçou de morte. Assim, Corr vai tentar excluí-lo de todo jeito do Delta e substituí-lo.

Leroy e Lassalle se calaram. Os acontecimentos tomavam outro rumo.

n aproveitou a surpresa deles para dar a última tacada:

-Não espere até que seja tarde demais. Esse Greene tem um compor

-mento imprevisível. Será o suspeito ideal. Preciso lembrar a você das

dos resultados que nos foram incumbidos pelo Delta? Greene

Pisa permanecer no estudo. Custe o que custar.

"ralou os dedos bruscamente, demonstrando pela primeira vez

~iedade.

`Vinte e quatro horas. Vamos esperar mais L t horas. Se o problema resolvido até lá, chamarei Vaugan.


Este livro foi digitalizado por Raimundo do Vale Lucas, com a

intenção de dar aos cegos a oportunidade de apreciarem mais uma

manifestação do pensamento humano..
198 L O Quinto P,uienre

gou-o a largar o agressor. Quando recuperou o fôlego, o sujeito havia desaparecido na densidade sombria da floresta.

O policial ergueu-se com dificuldade. Uni gosto de sangue invadiu-lhe a boca e desencadeou uma reação quase animal. Urna raiva feroz e um desejo de revanche o animaram.

Lançou-se sobre a plataforma e perseguiu o atacante.

Ao fim de alguns minutos, distinguiu novamente a silhueta negra. A distância entre eles começava a diminuir quando, bruscamente, ele a viu desaparecer na penumbra.

Percebeu então, ao fundo, uma cabana de madeira que se destacava contra as árvores e a água do fiorde. Sacou seu revólver e aproximou-se com cuidado da construção.

De repente, avistou, acima de sua cabeça, braços negros estendidos sobre o fundo acinzentado do céu. Como um raio, rolou para o lado e evitou, por pouco, a barra

de madeira que se abateu com violência sobre o solo e em seguida voou em pedaços. O homem lançou uni fragmento de madeira contra o rosto do policial e desapareceu

novamente. Benoit se endireitou de um salto para fazer mira e atirou. O mecanismo de detonação estava obstruído; a arma não suportara o banho forçado. O agressor

escapou.


Louco de raiva e cego pela chuva que se transformara numa torrente diluviana, lançou-se no encalço do sujeito. A vegetação ficava cada vez mais densa; os galhos

entrelaçados fustigavam-lhe o rosto e o terreno escorregadio retardava-lhe o percurso. Depois de alguns minutos de ascensão laboriosa, ele percebeu, à direita, um

bosque menos denso. Abriu caminho através dele e desembocou em uni rochedo liso e inclinado, que se projetava sobre o cimo das árvores. Diante dele, no centro da

plataforma rochosa, elevava-se, gigantesca, a estátua de Nossa Senhora de Saguenay. Ele a contornou e se aproximou do bordo do promontório. O fiorde se estendia

maravilhosamente entre os dois rios do parque. Relâmpagos riscavam o céu carregado e iluminavam de forma fugaz as águas negras e agitadas.

Benoit arrancou-se da fascinação que exercia sobre ele aquela paisagem envolvente. Virou-se e distinguiu, entre as árvores, um caminho que conduzia novamente à floresta.

Quis alcançá-lo, e foi nesse instante que o viu.

#Seleções de duros

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Ficou petrificado de horror. Um corpo oscilava, suspenso pelo pescoço às mãos da Virgem. A perseguição era vã. Se o assassino não o tivesse colocado ali, aquilo



não era mais que um jogo macabro para guiá-lo até o local do crime. E desaparecer definitivamente em meio àquela natureza hostil que ele conhecia como ninguém.

Benoit deu alguns passos na direção da estátua. Ela parecia apresentar, tal como em um rito sacrificai, sua abominável oferenda ao rio. Um detalhe chamou sua atenção.

Sobre o rosto inchado do enforcado, a corda, grossa, estava enrodilhada a um outro fio feito de material translúcido. Uma espécie de corda plástica para suturas,

que se parecia estranhamente com um tubo de perfusão.

O policial percebeu que acabara de colocar as mãos em Liam Fienes, e que Liam Fienes não assinaria mais nada.
MEIA HORA mais tarde, um helicóptero fazia ondular a superfície da água, para pousar sobre o rochedo de Notre-Dame. Enfermeiros haviam soltado cuidadosamente o cadáver,



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