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Menos o cinza, parado na esquina.

Corr observou-o com mais atenção. O carro partiu Entretanto, ele teve a sensação de conhecê-lo. De outro luWI: circunstancias.

Aquela manhã fora uma provação; ele fechou a janela e

trio de fotografias das férias. O telefone o interrompeu.

- Estou muito decepcionado, Dr. Corr.

Corr hesitou um instante antes de reconhecer a voz. En

crispou-se sobre o fone.

- Sr. Greene, o senhor não sabe o que está dizendo. Em

exigências, o senhor devia me agradecer.

- Eu me enganei - Greene o interrompeu, imune às

O senhor não conhece nada da dor ou da privação. Senão,

ria a mim.

Corr tentou manter o tom de voz sob controle:

- O que não quero, ao contrário, é privá-lo de um tratam Fez-se um penoso silêncio, durante o qual Corr quis

ainda teve tempo de dizer:

- Também quero ajudá-lo. A fazer a melhor escolha, Ca

escolha. Você tem uma semana para isso.
A BRIGADA antientorpecentes ocupava um local infle Saint-Hubert, nas proximidades do Quartier Latin e da ônibus. Diante do edifício, Benoit Villeneuve introduzia

leitora eletrônica, depois avançou até a cabine blindada um pequeno aceno de cabeça, o portão deslizou sobre os:. tomóvel desceu ao terceiro subsolo e um segundo

vigia

cartão com uma leitora portátil. Benoit entregou-lhe as chaves do



o e se apressou na direção do elevador.

Várias escrivaninhas espalhavam-se pela enorme sala. As pessoas corriam de uma mesa a outra, lançando folhas e relatórios em todas as dire

ções.

Ao fundo, uma série de divisórias de vidro cobertas por venezianas isolava da confusão alguns dos policiais. Oito anos depois, Benoit ainda tinha a mesma sensação



quando as portas do elevador se abriam: pensava ter caído de pára-quedas sobre o cenário de um filme policial norteamericano. Esperava esbarrar em Mel Gibson e Dany

Glover após os primeiros cinco minutos de serviço. Daquela vez, porém, era o neurologista Eydan Corr quem se impacientava diante de sua escrivaninha.

Eu já estava achando que você não vinha! O que estava fazendo? Tenho um problema, Benoit.

- Calma, vamos lá...

- Lembra do sujeito de quem falei, na semana passada, no Vogue? O paciente incluído há pouco no estudo do Starlab. - O cara que queria a eutanásia? Está tendo problemas

com ele? - Ainda não. Mas não tenho certeza. - Você nunca tem.

- Pode me levar a sério um minuto? Acho natural ficar perturbado com um paciente que quer me convencer a matá-lo M

as esse sujeito é

. ainda mais estranho, Benoit: ele sabe muitas coisas a meu respeito.

- Eu tambéi E

m se. agora que você é rico e f

a

dos fãs. moso, vai precisar fugir



- Ele me falou da casa de Westmoum Deve estar me sid

.eguno.


Benoit levantou-se e mudou de tom. - Esse cara ameaçou você? -Na verdade, não.

Então o


que qu? D

duerar queixa porque um pobre-coitado moribuns„ph~ que você

o m

ate


bisbilhoteiro: esso é contrário à sua ética? Ou porque ele

deu-se co

rica da iêi d

Nãonconseqüncae sua conduta.

, claro M

.as conh


e suas eço a mentalidade dos pacientes, Benoit. Sua

queixas e asili d

m manerase exprimi-las. As coisas nunca

desse modo. Pode-se ter vontade de morrer quando se está

Seleções de duros

165


Seleções de i v ro s

167


_ Ande, venha - disse Benoit, puxando Eydan pelo braço. - Viu? Ele

comeu ninguém, o seu lobo mau.

nunca _ Espero não ser o primeiro - respondeu o médico. - Bem, na sua opinião, o que devo fazer com esse sujeito?

- Será que ele teria a fineza de morrer por conta própria?

- Não. A esclerose em placas evolui lentamente. Greene apresenta uma forma remitente, com crises que até o momento tiveram recuperação total entre os episódios.

- Então você não tem escolha: mude de cobaia. Por um milhão de dólares, encontro cem por hora.

-Você tem razão. - Corr levantou-se. - É a melhor solução, mesmo que não seja simples. A propostto, obrigado pelas informações. O seu colega de fato me deixou mais

calmo.


Coxa abriu os olhos com dificuldade. Ainda que a conversa com seu amigo o tivesse aliviado, teve um sono agitado.

Vestiu rapidamente um shorte uma camiseta e desceu ao primeiro andar. Empurrou a porta de serviço que dava no porão do imóvel e se inclinou na direção dos degraus.

Pela primeira vez em meses, a Sra. Beausoleil havia esquecido o leite fresco. Desceu mais alguns degraus, aborrecido, e tocou com o pé alguma coisa dura, que soava

como vidro ao roçar o chão de pedra. Era um frasco de perfusão, de soro fisiológico a nove por mil.

ELE SE INSTALOU em sua escrivaninha uma hora e meia mais tarde e conectou-se à Internet para ler as mensagens eletrônicas da véspera. Três laboratórios, um e-mail

de Benoit, um de sua mãe. E o último da lista.

Rgreen@arl.com.

O médico abriu a mensagem:

Sinto muito pelo leite esta manhã, doutor. É uma privação ridicuk o senhor há de convir. Mas é uma privação, apesar de tudo. Sei o que sentiu. Meus pequenos prazeres

também estão desaparecendo a,ojhos vistos. A primeira lição foi fácil. Porque foi o começo.

O senho ti d

rem


ses RG.ias. Nós temos seis dias.

1 Seleções de ivros 169 ~ o último escritório. Uma mulher de meia-idade apareceu no vão

a porta de comunicação. _Pois não, senhor

Eu me chamo Eydan Corr. Gostaria de ver o Sr. Falcon um instante.

p mulher deu um passo atrás para fechar a porta almofadada.

Sinto muito, ele não está disponível neste momento.

Eydan avançou para o escritório do diretor. A secretária interpôs-se em wu caminho.

Senhor, não podemos incomodá-lo. Deixe seu número e...

Bom dia, Dr. Corr. Estou feliz em vê-lo.

A mulher se afastou e Eydan apertou a mão de Falcon, que acabava de abrir a porta.

- Perdoe-me por forçar nosso encontro, mas a barreira telefônica é mais difícil de contornar.

Falcon respondeu com um sorriso e indicou um assento ao neurologista, antes de sentar-se atrás de sua escrivaninha.

- Então, doutor, como vai indo nosso estudo?

- Perfeitamente, até aqui.

- Até aqui?

- Estou tendo um pequeno aborrecimento com o último paciente incluído no Delta.

Corr lembrou-se, então, de que não gostava de homens de negócios, mas aquele o aborrecia particularmente. Desde o início, a falsa descontração e o tronco inclinado

o haviam feito listar o sujeito na categoria daqueles com quem se encontraria duas vezes na vida: a primeira, para assinar um contrato de colaboração, e a segunda

um mês mais tarde, para agradecer educadamente por haver contribuído para o progresso da ciênaa através de um financiamento polpudo. Corr lamentou no mesmo ins

aquele terceiro encontro, que esperava que fosse o último.

-O nome dele é Greene; nega-se a se tratar Está recusando o tra.. Umento.

Sorriso de Falcon desapareceu por um momento .

muito embaraçoso. Mas você vai saber trazê-lo de volta à razão. já

ralaram muito do se

u carisma

lie.


tem convicçõeiid G éiid

s muto arragaas.reene... um suca.

Exato - respondeu o diretor comercial. - Mas ninguém admitirá ter ajo beneficiado, como você, por vantagens a título privado.

privado? O que está dizendo? Está louco?

_ Você acaba de comprar uma casa magnífica, pelo que sei.

_ Qual é a ligação? Não a roubei, esteja certo.

_ pagar 420 mil dólares por uma casa avaliada por um especialista em g90 mil é quase roubo. - Falcon abriu uma gaveta e estendeu um relatório ao médico. - E se o

vendedor é a filial de um laboratório para o qual você dirige a parte técnica de um estudo, isso se parece estranhamente tom uma gratificação, Dr. Corr.

O neurologista agarrou a folha de papel, estupefato. Falcon contornou a escrivaninha e colocou a mão sobre seus ombros.

- Estou certo de que nunca vamos ter necessidade de evocar esse detalhe sem importância. Temos um interesse em comum, neste momento: tratar desse paciente em boas

condições, e rápido. Faça a sua parte, doutor.

Eydan o encarou, incrédulo. Gostaria de dar vazão à sua raiva, vocifero uma série de insultos, quebrar tudo. Em lugar disso, porém, fixou a folha de papel, lívido.

- Um lixo, Falcon. Você é um lixo.

Falcon apertou um botão e a secretária apareceu.

-Acompanhe o Dr. Corr, Solange.

-S~NGE, diga à Sra. Lassalle e ao presidente Leroy que os espero no


imo quinto andar, na sala de reunião. - Falcon aproximou-se da se
~" e afastou as orelheiras de seu gorro. - Agora, Solange. É urgente.
Laminava a sala oval quando Manon Lassalle juntou-se a ele.
a" de flanela, gola rulê em casimira e saltos baixos, para não acentuar
8 tde estatura. A diretora de desenvolvimento do Starlab não usava
em; seus cabelos louros estavam puxados para trás e ela não por
jóia alguma. Seu trabalho ajustava-se perfeitamente a suas vestimen

eficaz


e preciso.

o sem ser feminina, ela era uma mulher, e isso era suficiente para la no processo de sedução de Falcon. on, você está soberba.

#172

- Não seja patético, Olivier. Evite as cantadas.



- Você nem sempre desprezou os elogios, se me lembro ele de modo quase vulgar, com os pés sobre a mesa.

- Já que estamos evocando lembranças, devo admitir que xei sua cama eu sabia que você era tão ruim nela quanto Cheguei a achar que seria melhor no plano profissional,

assim você me obriga a perder meu tempo nesta sala.

- Tem razão, Manon. O que você vai anunciar de tão Falcon? - perguntou Leroy, fechando a porta.

Pelo menos por uma vez, o presidente o havia salvado de perigosa.

- O Dr. Corr insistiu muito em me ver, hoje.

- E conseguiu?

- Ele forçou a barra.

- Finalmente um homem determinado entrou nesse Leroy estava com um humor massacrante. Falcon hesl

prosseguir:

- Ele está tendo problemas com o último paciente indo O sujeito quer se suicidar.

- Mais um homem sem ambição. É seu amigo ch Manon.

Leroy interrompeu o duelo dos dois com um gesto im - O que isso tem a ver conosco?

- Corr o acha psicologicamente instável. Tinha a int

lo do protocolo.

- Ele não está aqui para ter intenções, mas para supe andamento de algumas perfusões. Bela escolha de você fez: um neurótico e um idealista. Acompanhe perto, mas

de forma discreta. É a reta final. Os result Europa já foram publicados, o processo está em an ta erros agora, compreendeu, Falcon? Ou essa também sua reta final.

Manon Lassalle escutara com atenção. O problema tão insignificante.

- Será preciso intervir...

O Quinto Paciente

Seleções de &ivros

173


Não. Nenhum de vocês dois vai correr o risco de se pôr a desco. Está claro? Vamos dar tempo ao Dr. Corr para convencer seu

MCiente.


r

Y

UAN CORR abriu os olhos avermelhados por uma noite maldormida e uma avalanche de lembranças abateu-se sobre ele. O dia anterior eclodiu em sua me



mória animado como um obituário. Uma pilha de confusões e preocumções a serem resolvidas.

Retirou o telefone do gancho, mas mudou de idéia. Ele não poderia falar de tudo aquilo a Benoit e a Joanne. Isso se parece estranhamente com ~gratificação, Dr. Corr.

Falcon, aquele lixo. E só lhe faltava seus amigos mais próximos serem uma advogada e um tira. Nem um nem outro acreditariam nele, se explicasse que tudo aquilo não

passava de uma trona. O caso cheirava a corrupção a quilômetros de distância, ele tinha de admitir.

O laboratório o tinha nas mãos: não havia chance de negociar o menor arranjo por aquele lado. Falcon tivera o mérito de ser claro. Era preciso agir de outra forma.

Após analisar a questão por todos os ângulos, ele oonduiu que não havia escolha: precisava falar com Greene. Convencêb-ou tentar, ao menos. Era a única solução.

ELE ATRAVESSOU os corredores do hospital muito mais cedo que de ~htme. O estabelecimento começava a despertar com dificuldade; as

eiras di d

a noteeslizavam silenciosas naquele mundo à parte.

& fechou d

a portae seu consultório à chave e ligou o computador

conectar b d

aoancoe consultas. Lançou um olhar para o relógio: Não import Sl

ava.e aguém estava tão empenhad

o em morrer, não

se dar o luxo de levantar tarde.

ncirou o fone do gancho e digitou o número.

m A.


D C

11r-orr O senh

.or e madrugador.

SeleÇões de &ivros

175

EXM QUASE 13:OOh quando o último paciente deixou a sala de exaCorr havia examinado estoicamente uma multidão de doentes, mas,



te de paciência, os acontecimentos recentes voltavam à carcorno num tes Saiu de Forma discreta, a fim de evitar o assalto das enfermeiras, esca

pela escada de serviço e alcançou a avenida Des Pins. O ar fresco aliViou-o instantaneamente, como se emergisse de repente de um longo ,atito em apnéia.

Esperou o sinal que autorizava a travessia de pedestres e cruzou a rua. Tico teve tempo de virar a cabeça para ver um veículo acelerar em vez de diminuir a marcha,

a poucos metros de distância. Ele estacou no meio da (aias protegida, paralisado, e acreditou ter interceptado o olhar do motorista que avançava em sua direção.

Escutou um grito às suas costas, em meio ao buzinaço dos outros automóveis. Uma força impressionante prendeu-o ao solo e o puxou para trás, enquanto ele rodava sobre

os próprios pés, sem equilíbrio. Abriu os olhos: estava no chão, vivo, estendido sobre um sujeito que ele havia arrastado na queda. Tudo aconteceu muito rápido.

- Esse maluco tentou matar você, pode acreditar!

Corr levantou-se de um salto sem ajudar seu salvador, mirando o prolongamento da avenida Des Pins. O carro estava parado uns cinqüenta metros adiante, bloqueado

pelo trânsito. Corr pôs-se a correr como um louco. O motorista quis acionar o travamento automático das portas, mas o neurologista já estava com a mão na maçaneta.

Abriu a porta com um golpe seco e agarrou a manga da camisa de seu agressor. Puxou-o com todas as suas forças e o motorista foi literalmente projetado de seu assento

sobre o calçamento.

- Greene, seu louco, você tentou me matar! Vou mandar prendê-lo,

Moc2...

Ele não terminou a frase.



O motorista havia se recobrado e se voltara na sua direção. Um jovem

de note anos no máximo encara Oi di ,, ova. sangue escorrae seu narz,

° rapazã

no se movia, petrificado diante do médico. Corr sentiu um

indescritílbb

ve aater-se sore seus ombros, enquanto uma sirene de

se fazia ouvir ao longe.

177


bl~ meu. Mais tarãe. Por enquanto, é minha ameaça. Minha

arma.


Aproxima lição é iminente.

R.G.


Com preferiu responder ao telefone que tocava, em lugar de quebrar a tela. - É Agnes. Uma jovem o aguarda na enfermaria. Falou que é import,nte, mas se recusa a

dizer qualquer coisa além disso.

-já estou indo.

Assim que entrou no aposento, ele estendeu a mão à jovem e a examinou: formas arredondadas, porte mediano, olhos azul-acinzentados que examinavam cada detalhe do

lugar. Seu físico não o fazia lembrar de nada;

estava certo de que não a conhecia.

- Bom dia - disse a moça de cabelos louros, puxados para trás. - Eu me chamo Lorine. Lorine Gagnon.

Ela tinha um pequeno defeito de pronúncia, cheio de charme.

- O que posso fazer por você?

- Nada.


"Bem-vinda ao clube dos loucos. Mais uma candidata", pensou ele.

- Por outro lado, eu posso ajudá-lo - ela continuou.

- Explique-se.

- Sou enfermeira e temos um paciente em comum. Precisamos mesmo fazer alguma coisa por Robert Greene, Dr. Corr.

Corr contraiu-se. Era só o que faltava: uma enfermeira, surgida não se +4be de onde, vindo lhe falar do sujeito cuja existência ele tinha vontade & esquecer.

-Tem certeza de que ele quer isso, Srta. Gagnon? - Não sei. Não tenho mais ouvido falar dele.

Corr observou a enfermeira. Pela primeira vez em 15 dias, seu instinaão havia disparado o sinal de alarme. Sente-se, por favor, e me conte esta história. Estou tendo

dificulda

an acompanhá-la.

- há algumas semanas, substituí uma enfermeira do Saint-jérôme, L"ttrêntidas, durante suas férias. O senhor conhece o Dr. Delarue? Pesquisou em sua memória.

fia parecia desconcertada. Estaria sendo sincera? Corr sentiu-se tentado a acreditar. Pela primeira vez naquela espiral inquietante, uma porta abria-se para um aa

solução, ainda que embrionária. Aquela jovem conhecia Greene e propunha-se fazê-lo voltar à razão.

Ele não interrompeu a série de perfusões, mas vem se mostrando bastante reticente. Digamos que tem se submetido ao tratamento com outro objetivo que não o de se

curar.


- p que o senhor quer dizer?

-Veja bem, Lorine, não creio que ele tenha assumido a doença. Ele a rejeita radicalmente.

-Também acho. Ele está se escondendo. Liguei para seu escritório e ele esteve ausente na semana passada. Licenças pedidas no último minuto, na opinião de seus colegas.

- Você está falando de uma semana de folga! - ponderou Corr.

E Greene a havia consagrado a desvendar e repertoriar suas menores faltas e gestos. De repente, o médico teve consciência da evidente intimidade entre o doente e

a enfermeira. Se não fosse assim, por que tanta solicitude? Como ela saberia de tantas coisas da vida de seu paciente?

- Você parece bastante inteirada do cotidiano de Greene.

- Sou muito próxima dos doentes - ela respondeu. - Discuto com eles, tento distraí-los; aprende-se muita coisa assim. Esse também é nosso papel, o senhor não acha?

Lorine redargüira com espontaneidade e parecia sincera.

- De acordo, Lorine. Vamos tentar fazer alguma coisa por esse pacien

te interessante. Nós dois.

Ele apertou-lhe a mão e acompanhou-a até o elevador.

- Mas você precisa me contar mais coisas. Amanhã ao meio-dia? Se quisermos elaborar uma estratégia, não há tempo a perder. Não temos nau do que cinco dias para...

- Eydan arrependeu-se um pouco tarde.

afim, quero dizer, quanto mais cedo melhor.

-Certo, amanhã ao meio-dia - confirmou Lorine, intrigada. - Mas... Ot q4e cinco dias?

"1s Portas do elevador se fecharam sobre a pergunta.

4(lari, mordeu o lábio, aliviado. A data da última perfusão, 20 de se

insinuara-se em sua mente, e ele quase se traíra.

LSeleÇões de ivros 181

já chega, Gr eene.

Q doente sorriu e levantou a arma.

_ Mau menino, Corr, mau aluno. Dê a partida. Dirija até MontR,y,I. Conhece o endereço de Joanne e Benoit Villeneuve ou preciso

lembrá-lo?

Eydan freou bruscamente.

_Você está doente, completamente doente!

- Eu já disse a você para dar a partida. As ordens, sou eu quem dá.

- Deixe essa gente fora das suas histórias; isto não diz respeito a eles.

- Dê a partida, Corr, pela última vez.

Eydan sentiu a pontada gélida do cano no pescoço e obedeceu.

- Sei tudo a seu respeito, compreendeu? Eu poderia envenenar à vontade cada minuto do seu cotidiano, perturbar cada dia da sua triste existência; como esta doença,

no que diz respeito a mim. Era o que eu tinha intenção de fazer, progressivamente, até trazê-lo de volta à razão. Mas não, você se mostrou arrogante, egoísta. Só

existe uma linguagem para me dirigir a você. Esta.

Corr sentiu o contato da arma contra sua orelha.

- Olhe para você, está tremendo. Está da mesma cor de seus jalecos. Aos seus olhos, só importa a sua vidinha.

Corr parou num sinal vermelho. Com o dorso da mão livre, Greene fez com que a cabeça do médico se chocasse violentamente contra o vidro. O cano do revólver comprimiu

sua carótida e Corr sentiu-lhe os batimentos contra o obstáculo metálico. Um fluido fez com que sua espora ficasse pegajosa e escorreu-lhe até o lábio. Sua sobrancelha

~grava.


- Escute, Corr. No dia 20 de setembro você vai me matar, senão é você 9.n vai morrer. Viu como seria fácil para mim eliminá-lo. Em sua casa

novo-rico ou saindo da residência de seus amigos. Ou em qualquer *a+o lugar, Tenho o problema da escolha Com o rostiid

o. -o comprmo
vidro, Evdan adivinhouibl d G

um sorrso no semanteereene. -

de setembro C E d

,orr.esta vez estou certo de que fará a melhor

Cttene relaxou a pressão e Corr tampou o olho. Foi nesse momento ~r~beu oíl

vecuo da polícia no retrovisor lateral. Oneurologista

#182

183


O Quinto Paciente

SeleÇões de duros

deixou o carro se aproximar. O sinal ainda estava vermelho, tros, somente alguns metros os separavam. Gotas de suor na testa, enquanto seu olhar corria do sinal

ao retrovisor. Pr todas as forças o pedal do acelerador e o Chrysler saltou para o, to em meio a um concerto de buzinas e rangidos de pneus, projetado para trás.

- Deus, Corr, o que está fazendo?

A sirene soou instantaneamente. Greene virou a cabeça e a farol giratório ofuscou-o. A viatura da polícia os ultrapassou e risca, com um golpe no volante, chegou

para a direita a fim de a parar. Greene se precipitou para a porta e abriu-a antes pudesse acionar o fechamento automático. Lançou-se para lo e pôs-se a correr.

Quando Eydan conseguiu livrar-se do cita rança e saltar do automóvel, dois policiais o seguraram pelo b

- Aquele sujeito estava apontando uma arma para a minha" ele gritou.

Com um único movimento, eles o comprimiram contra a seira. Corr só teve tempo de ver Greene desaparecer sob a 1 emitida por um poste, no cruzamento seguinte.


JOANNE estendeu um copo de vodea-menta a seu amigo. amarelo-claras haviam adquirido um tom avermelhado, il chamas da lareira. A residência dos Villeneuve era cosy,

coma dizer a dona da casa. Apoiado à lareira, Benoit brincava comm conhaque no fundo da taça. Ele observava o médico, dive

- Parabéns. Baixar duas vezes na delegacia em 12 horastalento.

- Seus colegas estavam patrulhando a alguns metros; eu chance de fazer prenderem Greene em flagrante. Que pena guiu fugir. - Eydan endireitou o tronco, revoltado.

- De não me digam mais que a justiça e a polícia não podem mim, meu Deus!

- Tem razão - respondeu Joanne. - Podemos dar queixa.. . pode dar queixa, sobretudo no Canadá. Mas, que queixa? jeito que promete que vai matá-lo daqui a cinco dias,

que

p~ visto e que se evapora estranhamente no momento em que você avança um sinal vermelho? Não estou certa se vão levar você a sério, doutor.



- Quando nos encontramos na brigada, no outro dia - disse Benoit -, ~ramos a possibilidade de excluí-lo do estudo. Não acha que essa seria a melhor solução?

- Encontrei-me com os responsáveis pela pesquisa. Impossível substituir Greene. Os prazos são muito curtos, segundo eles.

- Em suma, a escolha é simples - resumiu Joanne. - Ou você consegue convencer esse sujeito a se tratar e parar com esse jogo ridículo, ou encontra um doente dócil,

muito mais ajuizado, que ocupe seu lugar sob o frasco de soro.

- Sou de opinião que você deveria atacar nas duas frentes, se seu tem-po está contado - Benoit declarou. - Ainda que o primeiro objetivo me pareça inacessível, levando-se

em conta o comportamento desse idiota.

-Talvez não - respondeu Eydan. Joanne o encarou, surpresa. Ele continuou: - Conheci uma mulher hoje à tarde. Não uma mulher qualquer: a enfermeira dele. Veio me



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