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Este livro foi digitalizado por Raimundo do Vale Lucas, com a

intenção de dar aos cegos a oportunidade de apreciarem mais uma

manifestação do pensamento humano..
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Com exceção das personagens reais identificadas como tais, os tipos e situações

citados nas obras de ficção deste volume são fruto exclusivo da imaginação dos

autores, não tendo qualquer relação com pessoas ou eventos da vida real.

Os créditos de copyright das obras contidas neste volume estão

discriminados à última página.

CB24.A6.3- 1 a edição, 20O3


ISBN 85-86116-80-7

Todos os direitos reservados. Salvo por autorização expressa, é proibida a reprodução integral ou parcial dos textos que compõem este volume.

Impresso no Brasil

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The Reader"s Digest Association, Inc.
***
O QUINTO PACIENTE
ROBERT GREENE sempre detestara os médicos e as doenças e não nutria simpatia maior por tratamentos. Até que Emma desse seu último suspiro, ele não acreditou

um instante sequer que a quimioterapia tivesse aliviado seu sofrimenm, Ao contrário, estava convencido de que as sessões de tratamento ha~m destruído sua esposa

antes que o câncer o fizesse.

Sua respiração tornou-se mais curta. Ele nunca se sentira tão mal em ,,wda a vida. Cinqüenta e um anos de atitudes despreocupadas, trabalho, prazer e vida. Com suas

alegrias e seus aborrecimentos. Mas nenhum deles igual àquele instante.

Robert Greene jamais adoecera. Tanto estava habituado ao trabalho fír+ioo do campo como às noites em claro, passadas diante de um compu%&r em Montreal. As inflamações,

as dores nas articulações - tudo pas

ainda que a idade agora retardasse a recuperação. Ele jamais prestara ção às queixas de seu corpo.

Nem mesmo naquela noite, enquanto acampava às margens do lago oot, nas Laurêntidas. Ele observava a floresta escura que se estenem direção ao norte. Seu olhar a

fixara centenas de vezes, a partir da

mesmo ponto, precisamente naquele lugar

cn.


E quando a água do lago turvou-se e as copas das árvores dupli

-se, foi pego de surpresa .

RIC SC surpreendeu mã ii Hiihdi ,as no senquetou.ava camnao muto e

carta um pouco mais cedo do que esperava Era cansaço tinha ., Robert desenrolara seu saco de dormir, admitira a contragosto

Seleções de %"ivros 147

médico ouvira avalanche um eminente colega emMontreal. E Robert Greene r o endereç

por consultar o Dr. Cartier.

A primeira vez foi em 29 de agosto, às 9:30h. Ele tinha rejeitado tudo, aé o diagnóstico. Mesmo a proposta alucinante do médico. E até um no

vo encontro.

No ENTANTO, voltou dois dias mais tarde.

_"A esclerose em placas não é um quadro dramático, desde que seja vetada rapidamente, Sr. Greene. - O Dr. Cartier o encarava. Parecia esperar um assentimento que

não veio. - Este novo tratamento é revolucionário. É claro que é muito recente para que tenhamos retorno suficiente. Não posso assegurar uma cura, mas os resultados

obtidos pelos pacientes que aceitaram participar do estudo são encorajadores. O senhor pensou a respeito, Sr. Greene?

É claro que ele estava de acordo. O que mais podia fazer? Durante dois dias, fizera-se aquela pergunta de todas as formas possíveis, para chegar sempre à mesma constatação:

estava aterrorizado.

- O senhor receberá um milhão de dólares, Sr. Greene. Certamente, o dinheiro não resolve tudo, mas é uma soma considerável...

Era de fato muito dinheiro. O argumento o afastou por um instante de suas queixas, para reavivá-las em seguida: o tratamento devia ser tão perigoso quanto a patologia,

para justificar uma remuneração como aquela.

- Os efeitos secundários não estão totalmente estabelecidos, mas nada de dramático foi constatado até aqui - informou Cartier, muito evasivo. -O tratamento compreende

três sessões espaçadas de uma semana a cada "~"4 como já expliquei.

O médico contornou sua escrivaninha e abriu uma gaveta, da qual Cttaiu uma série de folhas pré-impressas. Depositou-as diante de Greene c fiz deslizar uma caneta

sobre uma das folhas.

Aqui está, antes de mais nada, um contrato de consentimento. Ele

que o senhor foi posto a par do tratamento e de suas característi


A segunda folha diz respeito ao acordo financeiro que o vincula ao
rio farmacêutico. Osenhor receberá quinhentos mil dólares no

-se atrás dele; somente naquele instante ele introduziu uma have numa fechadura abaixo do botão de alarme. Os algaris

a c à medida que o elevador subi A minavam sucessivamente,a. ca

ilu105


b¡pe continuou a elevar-se mesmo depois de haver ultrapassado o último

painel e acabou por imobilizar

r indicado nose no décimo quinto e

tio andar. Apenas três pessoas, detentoras da chave, tinham acesso

àquele local.

A peça circular não comportava janela alguma. O teto estava repleto de spotsde halogênio, que difundiam uma luminosidade suave sobre uma nas oval colocada no centro

da sala. Gérard Leroy franziu as sobranceUm. Ergueu seu nariz aquilino de um dossiê e olhou fixamente para os sapatos de Falcon.

- Sente-se - disse, indicando um sofá de couro em arco, que acompanhava a forma da parede.

Falcon sentia-se congelar diante da imensa biblioteca que revestia o aposento. Aquele homem tinha o dom de fazê-lo perder o autocontrole. Magro e gigantesco, o presidente

e diretor-geral do laboratório Starlab cultivava uma aparência impressionante. Vestido exclusivamente de preto, o crânio raspado. Seus olhos de um azul glacial possuíam

contornos prateados. Seu metro e noventa e oito quase se colavam ao diretor comercial. Falcon encolheu-se de encontro ao sofá.

- Cartier acaba de me telefonar.

-lmprudente. Ele sabe disso. Esse garoto controla mal as emoções. Foi uma má escolha para uma parceria. Um erro, Falcon. Eu sempre disse isso.

-Cartier anunciou a inclusão do quinto e último paciente do estudo.

Leroy apertou ligeiramente os olhos. Em 12 anos, Falcon jamais detectua outro sinal de satisfação da parte de seu patrão. Continuou:

-Está tudo arranjado. Ele deve começar o tratamento dentro de uma *Marta.

-Como vão os resultados dos quatro primeiros pacientes do estudo?

"Estão em andamento.

Deve estar cudo pronto dentro de um mês Falcon Não vai haver ,. uer adiamento da parte de São Francisco e Osloo

afundou na poltrona e alongou suas pernas intermináveis Falcon

., sabia interpretar as atitudes do presidente, dirigiu-se à porta.

reconheceu. Uma mulher ondulou o corpo para sair do cupê. Eydan


os detalhes dos cabelos negros, a pele cor de mate, a cintura marrvou

por costume azul-escuro e o movimento felino. Sentiu a mesma

cidade que ela desencadeava nele depois de 15 anos, aquela estranha tpistura de desejo e afeição. Ele desceu do carro e a beijou carinhosamente

-Já chegou? Liguei para você não faz 15 minutos...


J- Eydan, a última vez que você me chamou para opinar na escolha de um apartamento você era um interno, e foi em Saint-Léonard - disse oanne Villeneuve.

- E você me deu um bolo.


- Claro! Eu tinha medo que você me pedisse em casamento em Saint-Léonard. Já imaginou o trauma, para uma jovem? Em troca, Westmount...
- Se eu soubesse, teria mudado de bairro antes.

- E se eu soubesse - disse ela virando-se na direção da casa -, não teria me casado com seu melhor amigo.

Ela contemplou a fachada colonial em pedra bruta com admiração. Suas telhas marrons luziam ao sol, enquanto a porta de entrada erguia-se majestosa.

Nell não tardou a se juntar a eles. Foi a primeira a se dirigir ao estreito caminho que conduzia aos degraus de entrada. Eles entraram num &Ugigantesco com uma escadaria

em madeira natural no centro. A espiral formada pelos degraus refletia-se no mármore bege e subia na direção do teto, um vitral fascinante. Joanne agarrou o braço

do amigo.

-Vou pedir o divórcio amanhã de manhã - suspirou ela, com admi
-Ainda está interessado?
EYdar, não respondeu. Liberou carinhosamente o braço e seguiu Nell diCeção de uma porta dupla aberta para a sala de estar. O aposento formava um arco e possuía uma

parede envidraçada que

l a parte de trás de um jardim. Eydan subiu alguns degraus e viuarcado por estantes de cerejeira, no que parecia ser o escritório. A bifora concebida em madeira

dourada. Nervuras concêntricas de

volutas sobre os painéis ondulados que recobriam algumas ras.

152


O Quinto Paciente

Seleções de ívros 1

153

Naquele mesmo pavimento, o neurologista examinou r dois banheiros, com sauna e hidromassagem, e os três quart ção ultramoderna. Estava totalmente encantado. Era



muito só vez.

- E então, o que me diz? - perguntou a agente imobiliária„

- Poxa, Nell, não foi muito razoável me fazer visitar esta certeza está fora de meu orçamento.

- Está enganado, doutor. O proprietário está pedindo 420

Eydan a encarou, estupefato.

- Você não está falando sério. A anterior valia 60O mil e al xuosa que uma casa de cachorro.

- Dr. Corr, a casa pertence a um grupo de seguradoras regularmente de seus bens imóveis quando quer efetuar um to mais rentável. Eles querem vender, e rápido. E

não vão exigirem preço de mercado.

- Ainda assim, a esse preço deve haver algum probl Joanne do escritório. - Eles esqueceram da água corrente?

- Não há defeito algum que estejam tentando esconder. a casa vai ser vendida a jato, se você não se decidir.

Joanne puxou seu amigo pela manga da camisa.

- Não me diga que está na dúvida, Eydan! Esta casa é chance destas não aparece duas vezes. Confie em mim. promessa de venda.

O médico inspirou fundo. Suas lembranças, seus anos apartamento, tudo se superpunha à imagem brilhante e ai casa, e o contraste era violento. Ele deu alguns passos

até vidro e disse:

- Fico com ela.
CORR VESTIU seu jaleco cinco minutos antes do início Estava inebriado com sua decisão. Dera um telefonema para seu banco, que o assegurara verbalmente de seu acordo

e confirmação escrita diretamente ao agente imobiliário. Seu tar à realidade.

- Mark, você me chamou?

Sim, doutor. Os técnicos da SleeperCheck 111 estão aqui. Vão expli

funcionamento da máquina.

o

Já estou chegando.



Corr juntou-se à unidade de investigações de distúrbios do sono. A novs aparelhagem estava no lugar e Mark, enfermeiro da unidade, ofere,a_Se para a experiência.

A mulher, uma engenheira de cerca de cinyunta anos, interrompeu suas explicações com a chegada de Eydan.

Bom dia, doutor. Eis seu novo bebê - disse ela, mostrando orgulhosa a aparelhagem sofisticada. - A última geração de aparelhos de registro do sono. Vou estar aqui

todas as semanas, durante um mês, para revelar seus segredos.

Eydan passou a mão pela maquina. Ele lutara duro para adquiri-la. O hospital se recusara a desbloquear os fundos para a aquisição, apesar de seus esforços e do apoio

dos colegas. Em seguida, o Starlab fizera uma proposta inesperada: aquele estudo sobre a esclerose em placas. Corr não hesitara. Aceitara receber no hospital os

pacientes incluídos na pesquisa, a fim de administrar-lhes o tratamento. Afinal, não era muito trabalhoso para sua equipe, e as primeiras fases clínicas foram conduzidas

com sucesso. O Starlab era um laboratório sério e o objeto de estudo, interessante. O diretor comercial, um tal Falcon, encontrara os argumentos para convencer Corr.

Ele propusera-lhe, em troca de sua participação, uma ajuda substancial - e oficiosa - para aparelhar a unidade com equipamentos caros. Todos os seus companheiros

chefes de serviço praticavam as mesmas infrações ao regulamento, pela boa causa. Era um segredo de polichinelo ao qual todos os envolvidos fechavam os olhos.

Corr sorriu para a engenheira.

- Você vai me perdoar por não assistir à primeira lição, meu consultório rne espera. Mas se for possível, vou adorar estar presente às próximas iões.

Corr dirigiu-se à outra extremidade do hospital. Atravessou uma sala

deespera repleta, que suspirou em coro à sua passagem Ele fez um movi .

14euto de impaciência: seu consultório pareciasda mi

-e ca vezas com uma

Ele ainda acabaria examinando os pacientes em série A enfe r

.diAgnes entrou, colocou os prontuários sobre a mesa e sse:

Seleções de &ivros

155


O que acontecerá se eu não seguir o tratamento?

O senhor já teve uma amostra. A doença se manifesta em problemas fi o, sensibilidade, equilíbrio e dificuldades motoras. No início, são

P~ nos in ôrnodo , c uma freqüência se

~ a varáa guns meses. Depois as cri

_ Elas são reversíveis? q

Não necessariamente. De uma crise a outra, o senhor corre o risco de conservar seqüelas. E cada vez mais invalidantes, Sr. Greene. Os problemas de visão vão se acentuar,

o senhor caminhará com dificuldade cada vez maior. Outros sintomas vão se somar a esses.

- Quem me garante que o seu tratamento vai ajudar? - questionou Greene, fechando os olhos.

- Os primeiros resultados são encorajadores.

Corr fez surgir os negativos da iRm na tela do computador.

-Olhe estas radiografias. Elas são precisas.

- Eu sei. Foi a única coisa que me explicaram. Elas mostram o desempenho do meu sistema nervoso.

- Correto. Utilizamos uma vibração que vai transmitir uma "resposta" dos núcleos celulares, que varia segundo o órgão encontrado. Trata-se da ressonãoncia magnética

nuclear. Essa técnica permite obter uma excelente imagem de seu cérebro, da medula espinhal e dos nervos que partem dela. Observe esta região.

Corr deslocou a seta para circunscrever uma placa esbranquiçada num dos hemisférios cerebrais. Greene franziu as sobrancelhas, num misto de interesse e receio.

- Esta região envia um "hipersinal", que se traduz por uma mancha mais clara que o restante do tecido nervoso. Porque, nesta área, ele perdeu a mielina, uma bainha

protetora. As fibras nervosas são a sede de uma inflamação e acabam por ser destruíd co o tp

as,memo.


Greene indicou com o dedo várias placas similares. -Tudo isso é a mesma coisa?

- Sim. Algumas delas podem regredir mas as seqüelas são prováveis

,.

e momento, não é o caso uma vez que os sinais clínicos quase d



esa

, Parecer~im

I eeeram depois di

as crses.

Greene fechou os olhos, abatido.

F Seleções de "ivros 157

inebriado pelo odor do musgo e dos bordos úmidos, guiado pelo som
~tas e pelo luar diáfano. Ele queria esquecer tudo aquilo.
Q médico o havia aniquilado. Aquela doença terrível não o pouparia. Anda na semana anterior, as vertigens o mantiveram preso em seu apar
de Montreal. A lenta destruição havia começado. Como a de prnento
Btr,ma.

Ele apressou o passo e alcançou a parede rochosa. A água, abundante

naquele local, caía com violência sobre a pedra. Uma vertigem súbita o fez perder o equilíbrio, mas Greene agarrou-se a alguns galhos e prosseguiu sua ascensão,

sem diminuir a marcha até o topo do penhasco. O barulho da água mal encobria a pulsação em suas têmporas. Ele inspirou profundamente, fechou os olhos e se aproximou

do vazio. Suas mãos foram presas de um tremor que se estendeu a todo o seu corpo. Um segundo, uma fração de segundo seria suficiente. A solução perfeita estava ali,

diante dele.


Quis recuar, mas nesse instante sentiu o solo úmido fugir de sob seus pés. Suas pernas deslizaram no vazio, enquanto seu corpo girava sobre si mesmo, como se estivesse

sendo puxado. Ele sentiu o bordo da falésia prender-lhe as roupas e rasgar-lhe a pele do torso. Sua mão direita, na queda, batera em uma raiz protuberante, que ele

agarrou por reflexo. Uma dor lancinante irradiou-se a partir de seu punho, que suportava o peso de seu corpo desequilibrado, suspenso no espaço. Num último esforço,

passou um joelho pela aresta de pedra. O pé que pendia no vazio encontrou uma saliência na parede e, com um último impulso, ele rolou sobre o solo, arquejante. E

se não morresse em conseqüência da queda?

Endireitou o corpo penosamente e permaneceu imóvel, açoitado pelo vento que havia começado a soprar. Em seguida, voltou ao chalé como um sonãombulo e desmoronou

sobre

a cama.


E" 9:O5H da manhã quando Greene empurrou a porta do ambulao- Agnes o reconheceu e veio ao seu encontro.

- Bom dia, Sr. Greene. Tenha a bondade de me acompanhar. Vou tatá-l, no quarto 12.

F!e se sentou na beira da cama, sem dizer uma única palavra a Agnes, aproximava com um carrinho repleto de instrumentos.

Seleções de ,"ivros 159

É o senhor que não está entendendo nada. Quero ser capaz de pegar

a carro e dirigir como louco para ver o pôr-do-sol do alto de uma ,pontanha, assim, sem refletir. E o senhor quer que eu aceite morrer pouco a pouco, saber que

tudo que me alegra está ao alcance de minhas mãos sem que eu possa tocar?

- p que está dizendo? O tratamento funciona, Greene, ele funciona!

- E se, em vez disso, os seus venenos me arruinarem o corpo e o espirito?Tenho medo, tenho tanto medo que não tenho coragem de me suicidar, compreende? É você quem

tem que me matar, Corr, porque você é médico e esse também é seu papel. Você me deve isso.

- Pode falar o que quiser. O hospital está aqui para curar, não para matar. Se aceitei tratá-lo, é porque estou convencido de que o senhor vai rever suas benditas

montanhas depois das perfusões. Agora se acalme.

Greene quis replicar, mas sua visão ficou turva. Um imenso cansaço o invadiu e seus olhos se fecharam, apesar de seu esforço para mantê-los abertos.

Eydan voltou-se na direção de Agnes: a injeção da droga estava quase terminada.

- Pronto. Meia ampola de Valium e estamos muito mais serenos - disse ele sorrindo.

CORR DEIXOU o hospital às 7:OOh e consultou seu relógio: estava atra


sado. Sentou-se ao volante sem perceber o Ford cinza no calçamento em
frente, que partia no mesmo momento.

Desceu a rua De Ia Montagne até a esquina da Sainte-Catherine. Deixou


as chaves do Chrysler com o guardador. Depois de atravessar um espaço coberto por abóbadas arredondadas, seus passos ressoaram no háll do hotel Vogue. Ele perscrutou

as mesas e reconheceu as costas de Benoit. )oanne levantou-se e fez-lhe um sinal com a mão.

- Parabéns, meu velho - disse Benoit, estendendo-lhe uma taça de Panhe. - Vamos beber a sua nova casa e a tudo que você vai realizar
meu amigo! O que você fez para conseguir essa barbada?
T1ão sei, não consigo entender - respondeu Eydan. - A menos que

Planejando uma extensão da auto-estrada atravessando o jardim, muita sorte.

Seleções de duros

_A esse preço, o mérito não foi meu. Ele não hesitou um minuto sequer. pneiso dizer que a amiga dele me ajudou a convencê-lo. Quatrocentos Vinte mil dólares, incluídos

os custos da agência. Foi o que combi

wmos, não?

-Exatamente. Você já tem o resultado da avaliação?

-Sim. A casa foi estimada em 890 mil dólares.

- Guarde com carinho uma cópia desse relatório e me mande o original.

_ Tratei do assunto com a maior discrição, como você recomendou. jn{ormei a minha encarregada que vendi a casa, mas o que ela sabe é que dnhamos propostas de mais

de novecentos mil dólares.

- Não se preocupe. Vamos calcular sua comissão sobre uma venda de um milhão de dólares. Sua encarregada não vai fazer perguntas. Faça com que ela não acabe encontrando

a promessa de venda.

Falcon desligou, satisfeito. Tomara precauções semelhantes com todos os outros. Provavelmente eles jamais precisariam lançar mão daquela carta, mas era mais prudente

que ela estivesse disponível.

GNES EMPURROU a porta do quarto e sobressaltou-se.

- O senhor me assustou, Sr. Greene! Não esperava encontrá-lo aqui. Ainda são 8:30h.

Greene estava estendido sobre o leito, imóvel. Havia dobrado a manga da camisa no braço direito.

-O quarto 12, como na semana passada. Pensei estar agindo bem.

-Tudo bem, se o senhor se sente à vontade. O senhor tem um ar mais U~o desta vez.

Agnes voltou alguns minutos mais tarde com o material da perfusão.

o braço do paciente,

ao que ele não manifestou nenhuma -a

pegou um frasco de soro filói


Oisogco.

doutor.


Seleções de ivros

163


Não estou entendendo.

_ O seu mundo é bom, Corr. Tão luminoso quanto o meu, estou cer

to disso, - Ele encarou o médico de forma estranha. - É uma... uma casa

@uito bonita. Parabéns.

Corr olhou para ele, perplexo. Cartesiano, racionalista até a raiz dos elos, ele raramente dava ouvidos ao instinto. Mas daquela vez, era

nuis que um instinto: era uma impressão desagradável, física e mental, que tomava conta dele.

- O que o senhor está querendo dizer?

-Todos temos necessidade de uma lição para compreender e tolerar o outro. Eu tive a minha, Corr. Foi terrível, mas aprendi. Mas você - disse ele apontando para o

jaleco do médico -, o que você vê todos os dias ao lado de seus pacientes deveria ser o bastante.

O neurologista se levantou. Aquele discurso o perturbava.

- O senhor sabe o que tem a fazer - concluiu Greene. - Meu coração talvez seja mais frágil do que parece, quem sabe? O produto que será injetado em mim é tóxico,

o senhor mesmo disse. É um álibi natural.

- Na semana que vem, depois da terceira perfusão e de um resultado comprobatório, estou certo de que o senhor não vai me pedir a mesma coisa.

- Não se coloque tantas questões. Já fiz isso antes do senhor. Tome uma atitude, em vez disso.

Aquela cena já havia durado demais para o gosto do médico. Ele precisava ir embora.

- Até logo.

- Não, nada de até logo, Corr. Não se engane desta vez.

Desolado, Corr empurrou a porta do setor de enfermagem e inspecionou os tecos prontos sobre a bandeja. Passou os dedos pelas ampolas de ~o e sentiu seu pulso se

acelerar. Reviu Greene sobre o leito. Agressivo,

dor mesmo. Convincente, em alguns momentos. A dúvida o fez temer. Uma concentração muito elevada de potássio no sangue podia de~

dear um distúrbio fatal do ritmo cardíaco. Eydan, isso é sério? Você está

O 104cO." A porta foi aberta nesse instante e Corr pensou que seu

"rio miocárdiL

aviad


- parao.

uI

,~Pe Eydan - disse Agnes -, eu o assustei? E então, tudo certo animal do 12?



#164 I O Quinto Paciente

- Sim, está tudo acertado. Vá até lá para a segunda pe aplique-lhe um Valium inteiro. Meia ampola é muito pouco., mal, como você mesma disse.


CORR ENDIREITOU-SE: somente sua cabeça aparecia sobre papelão e seu castigo ainda não tinha terminado. Ele havia na hora do almoço para recuperar o atraso. Sentou-se

sobre janela e contemplou a rua. Até os veículos lhe eram famil"



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