"Estados Unidos da China", fronteira da globalização (Mundo)



Baixar 102,11 Kb.
Encontro27.09.2018
Tamanho102,11 Kb.

"Estados Unidos da China", fronteira da globalização (Mundo)

Gilson Schwartz

Especial para Mundo 



Há um oceano entre os dois países, mas é como se fossem irmãos siameses, crias indissociáveis do ventre da globalização. China e Estados Unidos – ou os “Estados Unidos da China” – formam um sistema de produção, comércio e financiamento que explodiu de crescimento nas últimas três décadas. A questão agora é saber se, com a implosão do crescimento nos Estados Unidos, a China vai derrapar também. Há boa chance disso acontecer.
O sucesso da China resulta do modelo de crescimento de “plataforma de exportação”. As cidades litorâneas foram transformadas em zonas especiais onde o trabalho barato organizado pelas burocracias comunistas permitiu taxas de investimento em infra-estrutura, aquisição de máquinas e equipamentos e geração de emprego sem precedentes na história.
Se o modelo é exportador, uma pergunta é essencial: exportar para onde? Os produtos chineses invadiram todo o planeta. No entanto, os dados mostram que há fortíssima correlação entre o crescimento chinês e o que talvez tenha sido a maior bolha de consumo da história dos Estados Unidos (veja o Gráfico 1: Consumo pessoal nos EUA) . Essa “aderência” entre o consumo dos americanos e o crescimento chinês (taxas anuais na casa dos 10% por três décadas seguidas) agora está em risco.
A liderança comunista já percebeu a importância de reorientar o modelo, ancorando mais o crescimento da economia na expansão do consumo e investimento internos. O problema não é apenas descobrir-se excessivamente dependente do consumismo norte-americano. Há também um problema político de reação contra a superexploração da mão-de-obra chinesa – não por humanitarismo, mas por instinto de defesa dos empregos, empresas e mercados na Europa e América do Norte.
A participação da China no comércio mundial aumentou nada menos que oito vezes desde a deflagração da abertura das plataformas exportadoras, no início dos anos 80. Processos semelhantes ocorridos em outras economias asiáticas geraram expansão menos intensa do intercâmbio comercial. Só o conjunto da “primeira geração” dos NPIs (Coréia do Sul, Taiwan , Hong Kong e Cingapura) chegaram perto do desempenho chinês. O Japão, que chegou a ser apontado como ameaça à hegemonia americana, teve ganhos comerciais que equivalem a apenas cerca de 20% do desempenho da China. A Índia, duas décadas depois de começar a abrir sua economia, “apenas” dobrou sua participação no comércio internacional (veja o Gráfico 2: Crescimento da participação no comércio mundial) .
Ocorre que a economia mundial cresceu, entre 2003 e 2007, às taxas mais elevadas desde os anos 70, um salto que refletiu também a recuperação pós-crise das dívidas externas da década de 1980. A China pegou carona no mais forte impulso ao crescimento mundial (média de 5% ao ano) do último quarto de século. O Japão, que também cresceu explorando mercados externos nos anos 50, 60 e 70, amargou uma pesada reconstrução no pós-guerra, num contexto de economia mundial muito mais fechada e protecionista, em plena Guerra Fria. Nesse período o comércio mundial cresceu a uma taxa de 8% ao ano, enquanto a China chegava a 30% ao ano entre 2003 e 2007.
O sucesso chinês tem impactos brutais na repartição da riqueza entre capital e trabalho no Ocidente. As empresas das sete maiores economias capitalistas aumentaram significativamente seus lucros na última década, enquanto os salários sofreram forte deterioração relativa, imposta pela competição brutal com a força de trabalho barata da maior plataforma comunista-capitalista do mundo (veja o Gráfico 4: Repartição da riqueza entre salários e lucros no G7 e Área do Euro) .
       A conclusão é uma só: o sucesso chinês é indissociável do desempenho dos Estados Unidos. Resta agora apenas torcer para que o ajuste, depois de tanta euforia consumista nos Estados Unidos e exportadores na China, seja o menos catastrófico possível. O resto do mundo agradece.

 




 
 
 


  
  

 


 http://www.clubemundo.com.br/noticia_show.asp?id=1094&prod=1


Atividades:
Após ler o texto e observar os gráficos resolva as questões:
1- Explique a frase citada no texto: “Há um oceano entre os dois países, mas é como se fossem irmãos siameses”.
2-A que se deve o sucesso econômico da China?
3-Observe o gráfico nº 2. O modelo econômico chinês refletiu na sua participação da economia mundial? Justifique.
4- O sucesso econômico chinês está diretamente relacionado ao aumento de salários para sua mão de obra? Por quê?



©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal