Estado, indústria e inovaçÃo na análise geográfica da coréia do sul e brasil



Baixar 89,76 Kb.
Encontro26.10.2017
Tamanho89,76 Kb.


ESTADO, INDÚSTRIA E INOVAÇÃO NA ANÁLISE GEOGRÁFICA DA CORÉIA DO SUL E BRASIL

Paulo Fernando Jurado da Silva1
Resumo: O objetivo do artigo é analisar geograficamente o papel do Estado no processo de inovação e industrialização em países de industrialização tardia, observando a trajetória de países como a Coréia do Sul e Brasil. Para tanto, adotou-se como procedimento metodológico a leitura, o debate e a revisão de textos relacionados ao assunto. Pretende-se, portanto, contribuir na perspectiva geográfica, visto que essa questão é bastante importante e necessita também ser avaliada pela Geografia com mais acuidade, procurando verificar a dimensão socioespacial desta realidade, como resultado do artigo.

Palavras-chave: Estado; Indústria; Coréia do Sul; Brasil.
1 Idéias iniciais
O artigo tem como objetivo principal analisar geograficamente a Coréia do Sul e o Brasil no processo de industrialização tardia, na inovação e o papel da intervenção estatal.

Como este tema é bastante amplo e complexo, optou-se por adotar um foco interpretativo sintético, uma vez que o espaço para redação do artigo é limitado. O viés empregado na sua execução é o geográfico e tal empreitada figurará como ponto de debate relacionado ao tema de pesquisa, desenvolvida pelo mestrando, na Faculdade de Ciências e Tecnologia, UNESP de Presidente Prudente, Brasil.

Para tanto, a investigação contou com alguns procedimentos metodológicos fundamentais para sua realização, ou seja, a revisão e leitura de textos relacionados ao assunto, tendo como base conceitual e teórica o horizonte a leitura de materiais em meio eletrônico e impresso como procedimento metodológico de leitura, revisão e debate. Nesse sentido, também foram efetuados diversos debates acerca do tema com professores e pesquisadores da área em questão, procurando melhor elucidar as idéias propostas nesse horizonte interpretativo e, assim, sintetizar as idéias construídas nesse artigo e que constituirão parte integrante da dissertação do mestrando.

Cabe pontuar, inicialmente, que a Coréia do Sul e o Brasil apresentam diferentes formações socioespaciais e contexto territorial diverso. Tal ressalva se faz importante para elucidar que estes países possuem suas particularidades, peculiaridades histórico-econômicas e não devem ser visualizados como homogêneos, mas pela consideração de suas trajetórias que, em certo momento, tendem a se assemelhar no quadro do capitalismo contemporâneo (apresentando crescimento econômico semelhante na década de 50 a 70 do século passado). Com efeito, a validade de analisar dois países diferentes torna-se justificável ao observar no movimento deles ações políticas de cunho comum ou distinto, verificando os acertos de cada um no processo de desenvolvimento econômico e superação do atraso.

Desse modo, a categoria de formação socioespacial2 (SANTOS, 1979b) ganha relevo para a interpretação dos cenários nacionais e para visualizar o tratamento oferecido as suas empresas, quer seja no contexto nacional e/ou internacional. Para tanto, procurou-se organizar a argumentação temporal a partir da década de 50 do século XX e prosseguindo analiticamente até o momento recente. Entretanto, isso não significa rigidez temporal, visto que a história é dinâmica, havendo momentos de superação e transformação espacial que requerem o jogo inter-escalar de compreensão geográfica e, portanto, às vezes retrocesso e/ou avanço na linha temporal.

A história não deve ser pensada mecanicamente, mas pelo seu movimento, ou seja, não há linearidade e sim saltos, contradições, tensões, rupturas, etc. Os aspectos sociais e os modos de produção não devem ser enxergados de maneira histórico-determinista e linear, como pensou Stálin, onde a sociedade perpassaria por estágios de desenvolvimento até chegar ao socialismo (ou seja: comunismo primitivo – escravidão – feudalismo – capitalismo – socialismo).

Nesse sentido, encontra-se coerência teórica em Rangel (1983, p. 10), por exemplo, quando observou que o Brasil ao longo de 500 anos reeditou em sua economia o comunismo primitivo que é anterior ao “descobrimento”, o escravismo, o feudalismo e o capitalismo. Tais processos demoraram muito mais para ocorrer na Europa, diferentemente do caso brasileiro que em pouco tempo transformou e integrou seu território. Assim, no país há um pacto de poder na política e na economia entre duas elites. Rangel percebeu também que escravismo, feudalismo e capitalismo podem conviver e, dessa forma, “[...] à medida que a economia nacional avança, modo de produção, após modo de produção, mudam as classes dominantes, nunca os dois sócios da coalizão ao mesmo tempo [...]” (RANGEL, 1986, p. 25) e, portanto, “[...] cada dualidade é substituída por outra dualidade, também caracterizada pela coalizão de duas classes dominantes [...]” (Idem) e, com isso: “[...] Em nenhum momento, o poder político foi exercido com exclusividade por uma só classe, e isso não por acaso, mas como reflexo da estrutura da economia e da sociedade.”(Idem).

Por isso, há a necessidade de avaliar a trajetória econômica da Coréia do Sul e do Brasil no processo de industrialização tardia, evidenciando-se na história os traços comuns de suas práticas, bem como a tomada de rumos distintos no processo de inovação e crescimento econômico. Com isso, o artigo organiza-se em quatro blocos principais, ou seja: I) esta introdução com as idéias iniciais que buscam esclarecer o universo da proposição textual; II) a análise geográfica do papel do Estado e da inovação; III) interpretação crítica da trajetória da Coréia do Sul e do Brasil no processo de industrialização; e, por fim: V) as considerações finais que realçam algumas das idéias principais descritas no artigo sinteticamente. Espera-se, por conseguinte, oferecer contribuição ao debate desse assunto tão rico e caro aos estudos econômicos e que precisam ser mais bem interpretados no temário da Geografia.


2 Estado, inovação e industrialização
O papel do Estado Nacional foi imprescindível para a industrialização seja na Inglaterra, Alemanha, Japão e em outros países avançados. Nas potências imperialistas, assegurava-se a acumulação primitiva do capital, expropriava e explorava-se o trabalhador em prol da expansão do capital e da desigualdade; provendo aos poderosos as rédeas para manutenção do status quo e do domínio territorial. Todavia, não se deve negar também o papel relevante do Estado no processo de industrialização tardia dos países periféricos, no século XX, tal como ocorreu na Coréia do Sul, Taiwan, México, Brasil, etc.

A teoria moderna da colonização de Marx (1988) revela, portanto, a necessidade das nações centrais de ampliar os ganhos decorrentes da exploração do trabalhador, da pilhagem, do roubo, favorecendo o acúmulo de mais-valia para acelerar o acúmulo de capital, explorando quer seja o trabalho escravo (em primeiro momento) e depois o trabalho assalariado (em outra fase), perseguindo o processo de industrialização e a manutenção do poder imperialista.

A revolução industrial não teria sido possível sem uma revolução agrícola marcada pela expropriação do trabalhador, expulsão e morte de comunidades que viviam da terra comunalmente, quer seja na Inglaterra e na Escócia, ou em qualquer parte do mundo capitalista. Nesse processo geral, o Estado forte e centralizador assegurou presença no sentido de acelerar as mudanças sociais e econômicas de modo a colocar em curso o processo de industrialização e as inovações tecnológicas.

Na realidade, a afirmação de que o Estado deve se ausentar do mercado e do apoio à industrialização é um mito e uma ideologia criada pelos países desenvolvidos para salvaguardarem o interesse de seus oligopólios. Isso ficou evidente nos estudos de List (1983) e Chang (2004) ao pontuarem que tal posicionamento é uma forma das potências imperialistas “chutarem a escada” dos países que tentam chegar ao topo do capitalismo, se industrializar e crescerem economicamente. Chang (2004, p. 34), por exemplo, é claro ao expor o assunto explicando que tais países “[...] nunca praticaram o que agora eles pregam para os países em desenvolvimento e em termos de política comercial. Nos primeiros dias de sua industrialização, esses países usaram numerosas medidas protecionistas e intervencionistas (especialmente) tarifas [...]”.

No caso da Rússia, Alemanha e Japão o Estado foi muito importante para o processo de industrialização. Tais nações precisaram romper com estruturas arcaicas feudais em seu território para revolucionarem e avançarem rumo à industrialização; liberando camponeses, transformando as cidades e favorecendo a expansão demográfica, aprimoramento técnico e crescimento econômico acelerado. Mas, isso não significa igualdade e homogeneidade na compreensão da formação socioespacial desses países. Isso porque cada um combinou, ao seu modo, diferentes fatores para inovação tecnológica, produção industrial, financiamento e desenvolvimento econômico, segundo o padrão social de sua época, sob ação estatal e produzindo redefinições espaciais, como ocorreu semelhantemente na Coréia do Sul e Brasil.

De acordo com Niveau (1984), Alemanha e Japão se tornaram potências industriais valorizando o capital nacional, enquanto que se analisado o caso russo verificar-se-á maior abertura ao capital internacional (tratando-se do período anterior à revolução de 1917). Assim, o campo russo era atrasado e se desenvolviam relações do tipo feudal. A indústria estava concentrada nas mãos de poucos e, conforme Trotsky (1978, p. 29), praticamente inexistia uma classe intermediária. Com isso, o operariado russo que veio abastecer as fileiras da indústria não era proveniente das cidades, mas, principalmente do espaço rural, das aldeias e tal constatação se reproduz na forma como se processou o desenvolvimento desigual e combinado no território, que nas palavras de Trotsky: “[...] significa uma aproximação das diversas etapas, combinação das fases diferenciadas, amálgama das formas arcaicas com as mais modernas [...]. (1978, p. 25).

Por outro lado, no caso japonês, Okabe (1974) preferiu utilizar a expressão Inovação Meiji para se referir ao que é comumente encontrado na literatura como Revolução Meiji. O autor salientou que houve a tomada das terras e do dinheiro dos camponeses, num movimento de superação do feudalismo e da instalação de uma monarquia absoluta rumo ao processo de industrialização. Torna-se importante verificar que esse movimento de modernização autoritária e de pulsante rapidez se deu também com o fechamento japonês ao circuito estrangeiro, transformando este país em potência, sob a mão do Estado.

Nesse momento, outros países asiáticos são tomados de saque pelas potências da época (especialmente pelo imperialismo britânico), a exemplo da China e Índia, inviabilizando revoluções (inovações nacionalistas e a superação do atraso no desenvolvimento desigual e combinado do espaço (salto este que poderia ser alcançado, no caso chinês, somente a partir da revolução socialista de Mao, com a fundação da República Popular Socialista da China, em 1949, e com as demais medidas estatais fortalecidas, até hoje, com o socialismo de mercado, sob o domínio do Partido Comunista Chinês).

Enquanto isso, o governo japonês deu suporte à construção de fábricas e distribuiu os recursos econômicos disponíveis aos guerreiros samurais que criariam e dinamizariam, posteriormente, o sistema bancário e financeiro. A família Mitsui, Mitsubish, Kawasaki foram grandes beneficiárias desse movimento. Assim: “[...] o governo fomentava a industrialização e concedia uma grande quantidade de subsídios à iniciativa privada [...].” (OKABE, 1974, p. 58), o que culminaria na formação dos Zaibatsus (nesse período) e ainda encontraria ligação no movimento de reorganização econômica desses conglomerados familiares verticalizados na expressão dos Keiretsus, depois da Segunda Guerra Mundial.

Adotava-se, portanto, uma revolução por via prussiana, ou seja, de “cima para baixo”, de caráter autoritário, ditatorial, monárquico e absolutista destruindo o atraso feudal da ditadura dos Xoguns, dominada especialmente pela família Tokugawa, e concentrando o poder nas mãos do imperador japonês. Não se trata somente de inovação tecnológica o que o Japão fez no sentido industrial para se tornar uma potência e, desse modo, “[...] estabeleceram um rigoroso processo de seleção e de reapropriação dessas tecnologias, aperfeiçoando, assim o seu uso.” (HIRATA; ZARIFIAN, 1991, p. 174).

De inovações diferenciais, o Japão mais adiante partiu para as inovações de cunho mais radical, impondo até mesmo ao Ocidente seu novo padrão tecnológico, baseado no modelo flexível de produção, just in time e na qualidade total, tomando a dianteira da Terceira Revolução Industrial e criando o toyotismo. Atualmente, suas empresas “[...] empenham-se na direção de inovações revolucionárias – como a optoeletrônica – suscetíveis de abalar o conjunto de sistemas técnicos.” (HIRATA; ZARIFIAN, 1991, p. 175, grifo dos autores).

Já na Alemanha, observou-se uma industrialização mais tardia do que na Inglaterra e França. Mas, o seu processo se deu com base, sobretudo, na técnica desses dois países (especialmente no setor ferroviário no modelo britânico). Então, isso significa afirmar que: “Um país atrasado assimila as conquistas materiais e ideológicas dos países adiantados. Não significa isto, porém, que siga servilmente estes países reproduzindo todas as etapas de seu passado [...].” (TROTSKY, 1978, p. 24).

Os engenheiros alemães passaram a ter um trânsito muito fluido na Grã-Bretanha, aprendendo os métodos de produção e trazendo os exemplos para o território alemão. Contudo, tal processo foi lento e gradual e teve papel importante no testemunho à criação de indústria pesada, especialmente, na fundação da aliança aduaneira Zollverein e pelo fortalecimento da unificação alemã, via Prússia. Isso não foi diferente com o modelo de industrialização tardia coreano, onde os profissionais ligados às empresas chaves do mercado nacional tiveram que aprender com profissionais de outros países as técnicas necessárias para colocar em ritmo o crescimento de seus estabelecimentos, de seu país, promovendo posteriormente inovações tecnológicas.

Na visão schumpeteriana, a criação de um produto ou uma invenção qualquer não significa necessariamente inovação, mas é a sua aplicação/aplicabilidade e sua repercussão na sociedade é que a torna uma inovação, podendo haver não somente inovação em termos de produto, mas também de mercados, ações gerenciais, organização produtiva, etc.

Grande parte do sucesso econômico-industrial coreano (fundamentado também no modelo de industrialização japonesa de substituição das importações, inovações, apoio estatal e a formação de conglomerados verticalizados com base familiar) se deveu ao processo de imitação reprodutiva que o país adotou em seu primeiro momento de industrialização, passando numa segunda fase à imitação criativa (cópias mais aprimoradas de produtos já estabelecidos no mercado internacional por outros países). Porém, o processo de imitação resultou em inovação no futuro, sustentado por altas taxas de investimento público em educação, ciência e tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, articulando o capital privado às diretrizes desenvolvimentistas de Estado diferentemente do que ocorreu no Brasil que pouco tem investido em ciência, tecnologia na busca de inovação, sendo grande parte do mercado nacional controlado por empresas globais (a exemplo do segmento farmacêutico, automobilístico, químico, eletrônico, etc.) e que pouco ou quase nada estão preocupadas com o desenvolvimento nacional e com o investimento em educação e inovação.

Além da disciplina para aprender a inovar com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, ciência e tecnologia é preciso ter disciplina da força de trabalho e principalmente do capital. Baixos salários (nas leis de mercado) não significam êxito no processo de industrialização, mas devem-se construir outras vantagens estratégicas para fomentar o desenvolvimento econômico e sustentar um processo de industrialização competente e forte. Acerca disso, Amsden (1992) ofereceu o devido respaldo teórico ao descrever que:


O governo da Coréia do Sul, por exemplo, disciplinou seus grandes grupos empresariais por meio de tetos para os preços, controles sobre a fuga de capital e incentivos que contingenciavam a diversificação em novas indústrias ao bom desempenho nas indústrias já sendo exploradas [...]. (AMSDEN, 1992, p. 137).
Acompanhando tal raciocínio, vale frisar que aprendizado e incorporação técnica não se dissociam e se interpretado o meio geográfico pelo papel do adensamento das técnicas verificar-se-á que não há também separação entre técnica e tecnologia, pois a técnica é a forma como o trabalho humano media a sua relação com o meio. Como argumentou Santos (1979a, p. 34), “não há inovação sem invenção, da mesma forma como não há técnica sem tecnologias”

Portanto, nesse cenário de industrialização e inovação é que entra também a contribuição de Schumpeter para o processo de compreensão da economia mundial e para o caráter cíclico da economia. Por seu turno, o autor afirmava que: “O remédio mais importante à la longue, e o único que não está sujeito à nenhuma objeção, é o aperfeiçoamento do prognóstico do ciclo econômico [...]” (SCHUMPETER, 1982, p. 166). Assim, novas inovações e invenções são postas no mercado em fase ascendente da economia, gerando um efeito de aumento da demanda e da ampliação comercial, abertura de novos negócios e ampliação do capital no processo de “destruição criativa” (expressão de Schumpeter). Os produtos com o padrão de tecnologia anterior acabam por entrar em processo de obsolescência, estandardização, tornando-se pouco atrativos negociá-los e levando à economia à fase depressiva, abrindo “vagas de inovação tecnológica”, segundo observado em Rangel (1980).

Ademais, analisando-se ciclicamente a economia e observando as inovações verificar-se-á até hoje quatro ciclos bem definidos na história e um em processo. No primeiro ciclo, constatam-se inovações como máquinas de fiar, máquinas de tecer, avanços na metalurgia, a importância da máquina ferramenta, bem como a máquina a vapor. No segundo ciclo, evidenciam-se inovações tecnológicas na área de transportes (aplicação da tecnologia da máquina a vapor nas navegações e nas ferrovias), utilização do processo de Bessemer na produção do aço. As inovações do terceiro ciclo foram observadas na eletricidade, na indústria química e de materiais sintéticos, na produção do automóvel com motor à combustão (produção em larga escala) e na eleição do padrão fordista/taylorista como meio de organização das fábricas. No quarto ciclo, os avanços são sentidos na petroquímica, área nuclear, aeroespacial, automobilística e, grosso modo, nas telecomunicações. Já o quinto ciclo (em processo) favoreceria a revolução técnico-científico-informacional (expressão de Milton Santos), ou seja, naquilo que se configuraria como Terceira Revolução Industrial, com inovações, principalmente, na área de informática, microeletrônica, robótica, telecomunicações, na ciência dos materiais e na biotecnologia.

Destarte, a customização (o prezar pelo gosto pessoal do cliente no processo de adaptabilidade/personalização) passa a se tornar uma variável constante no processo de transformação produtiva, orquestrada a partir do regime flexível de produção e da terceira revolução industrial, organizando diferencialmente e interativamente as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P & D), produção, marketing, design, gestão, comercialização, transporte e promovendo articulações internacionais, nacionais, regionais e locais.

Porém, para tal feito, é preciso instalações adequadas, infra-estrutura viável, salários interessantes, equipamentos modernos, comunicação veloz, laboratórios de pesquisa, etc. Com isso, são colocadas em marcha determinadas vantagens que são construídas socialmente e desenvolvidas pouco a pouco de maneira colaborativa e intensa, gerando inovações e mudanças organizacionais cíclicas.

A partir dessa argumentação, torna-se interessante avaliar o caráter cíclico da economia nacional e internacional. Assim, há diversos estudiosos que se preocupam com tal questão, mas a idéia original encontra-se nos ciclos de acumulação de Marx e contou ainda com discussões teóricas de autores como Cassel, Kondratieff, Juglar, Schumpeter, Ignácio Rangel, Armen Mamigonian, Miguel Gimenez Benites, entre outros.

No caso de Juglar, têm-se os ciclos médios (10 anos) e em Kondratieff ciclos longos (50 anos divididos em: fase a expansiva de 25 anos, e fase b depressiva de 25 anos e isso têm influência direta na economia nacional, agindo no processo de formação da dualidade básica da economia brasileira, a que se referiu em vários trabalhos Ignácio Rangel), com a criação de pactos de poder econômico e político entre as elites nacionais e influenciando na política de substituição de importações (nas fases depressivas da economia).

São nos períodos depressivos em escala mundial que os países periféricos têm a possibilidade de crescer acima da média mundialmente, utilizando-se da técnica já desenvolvida no centro do sistema capitalista. No caso do processo de industrialização brasileira, devem-se observar os ciclos de Kondratieff e o nascimento do ciclo interno de Juglar, evidenciado desde 1920 (SILVEIRA, 2003, p. 42) na economia nacional. Com isso, os ciclos de Juglar (ciclos médios): “[...] sucedem segundo a lógica básica do processo de substituição de importações” (RANGEL, 1983, p. 94 apud SILVEIRA, 2003, p. 45). Logo, há um aprimoramento na substituição de importações em setores estrangulados quando se tem o avanço da crise do ciclo médio. Para Silveira (2003, p. 46), por exemplo:


[...] Cria-se portanto, uma reserva de mercado para os produtos originados desse setor. O grupo detentor do mercado interno inicia uma acumulação de capital capaz de gerar excedentes. No entanto, sua capacidade produtiva logo se esgota, pronunciando a crise [...].
E, por outro lado, segundo o mesmo autor:
[...] No mesmo momento que este cria capacidade produtiva e financeira excedente, outro setor encontra-se escasso (onde costumam definir-se oportunidades de investimento) e, nada mais justo, nessa nova fase crítica da economia, do que haver nesse setor substituição de importações e transferência dos recursos ociosos do setor que acumulou excedente no ciclo passado. (Idem).

São, portanto, novos recursos investidos em atividades que precisam melhor se desenvolver, gerando demanda nova, setor após setor e isto ficou evidente no processo de industrialização brasileira e paulista (MAMIGONIAN, 1969, 1976) e com o processo de substituição das importações (ciclo após ciclo de Juglar) até a década de 80 do século passado, completando o ciclo da industrialização: das indústrias leves às pesadas com transferência de recursos de áreas desenvolvidas para aquelas carentes de investimento.

Mas, tal processo é nitidamente colocado “em xeque” quando o país sofreu com a crise da dívida externa e os governos optaram por adotar medidas de ajuste fiscal, monetário e cambial, reduzindo as perspectivas de crescimento econômico, na década de 90. Privatizações ocorrem, a abertura econômico-financeira é seguida conforme o receituário neoliberal do Consenso de Washington (sob a tutela de organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial BM, bem como das potências imperialistas do capitalismo central e de seus oligopólios internacionais). Entretanto, isso não significa afirmar que tais atores não possam ser contestados pelos novos países industrializados e pelas grandes corporações que passam a competir em escala global como os Chaebols coreanos e por algumas corporações brasileiras como a Embraer, como será visto a seguir com a análise da trajetória do Brasil e da Coréia do Sul.
3 Coréia do Sul e Brasil na industrialização tardia
Na década de 70 do século XX, o Banco Mundial utilizava expressões como “Novos Países Industriais” (NPIs), na sua correspondente em inglês NIC (New Industrialized Countries), para nomear países como Brasil, México, Coréia do Sul, Taiwan, entre outros que tinham passado por um processo de industrialização tardia (se comparado a países como Inglaterra e Estados Unidos, por exemplo).

Ao longo de sua história, a Coréia sofreu diversas crises e invasões por parte do Japão, China e Mongólia e por financiamento e interferência econômica dos Estados Unidos, sobretudo, na década de 50 e 60 do século XX. Todavia, foi com o caos político-econômico da divisão territorial entre Coréia do Norte e Coréia do Sul (1945) e a destruição da infra-estrutura do país que fez mergulhar a Coréia do Sul em aguda crise institucional, econômica e política. Além disso, o país ainda perdeu parte do seu território para a Coréia do Norte, resultando em perdas de jazidas minerais, redução do potencial de geração de energia elétrica e mantendo grande parte da sua população presa ao campo, neste primeiro momento.

Até o início da década de 50 do século passado a Coréia possuía um PIB (Produto Interno Bruto) inexpressivo e uma situação semelhante ao Brasil no campo e nas cidades em termos socioeconômicos. Mas, foi a partir desta década com intervenção estatal na economia, adoção de planos qüinqüenais e com o fomento à entrada de capital estrangeiro que o cenário econômico passou a modificar-se. Baseando-se em forte processo de industrialização, a Coréia começa a se diferenciar economicamente do Brasil, em termos tecnológicos, muito embora o seu crescimento econômico se assemelhasse ao caso brasileiro até a década de 70.

O Estado era o controlador dos preços e da oferta de crédito e recursos financeiros, delegando às empresas familiares coreanas da época as rédeas do processo de transformação do país que passariam a se tornar grandes conglomerados econômicos verticalizados, com a denominação de Chaebols, a exemplo da Daewoo, Hyundai, Samsung, LG e outras mais.

Se, por ventura, empresas estrangeiras resolvessem produzir no mercado coreano, estas tinham que transferir seu know how aos grupos nacionais. Dessa maneira, a Coréia se industrializou, especialmente, sob o comando do General Park Chun Hee, sendo entendido esse governo como marco para a superação do atraso do território. Na base desse processo, houve a criação de grandes grupos capitalistas nacionais, investimento em programas de alfabetização e educação, apoio ao segmento de bens de consumo, etc. Além disso, alguns bancos foram estatizados e outros criados como os bancos de desenvolvimento (Korea Development Bank) e de sustentação às políticas de exportação e importação como o Eximbank. Por outro lado, o governo ainda agiu com políticas de desvalorização cambial, fortalecendo as exportações e subsidiando os Chaebols.

Até os anos 60 os Estados Unidos investiram maciçamente na Coréia do Sul e em Taiwan, provendo ajuda financeira a fundo perdido. Nas décadas de 40 e 50 foi implantado, por exemplo, auxílio técnico dos EUA para promoção da Reforma Agrária e para colocar em curso a indústria bélica, na década de 70. Segundo Oliveira (2006, p. 20), dois objetivos dessa política podem ser mencionados, ou seja: I) figurar como pontos estratégicos de contenção geopolítica, no pacífico ocidental, diante da influência chinesa e russa, financiando o militarismo; e também II) integrar tais países na economia internacional, assegurando cada vez mais a hegemonia dos Estados Unidos no capitalismo mundial.

Na década de 60, os EUA além de investirem muitos recursos (como citado) na Coréia do Sul e em outros países asiáticos abriam caminho para que tais Estados se modernizassem, possibilitando a formação de tendência desenvolvimentista estatal e apoiada em altas taxas de exportação. Assim:
Industrializar-se implica, com efeito, uma opção e esforços da parte das elites empresarial e governamental do país em causa [...]. Essas coalizões desenvolvimentistas surgem quando o anseio por liberar-se do atraso e da dependência supera, num determinado quadro nacional, a tendência dos donos do poder a se concentrarem no fomento e perpetuação dos seus privilégios elitísticos [...]. (OLIVEIRA, 2006, p. 21).
Foi, desse modo, que ocorreu a evolução capitalista asiática (baseada no modelo de industrialização japonês e de superação do atraso por meio das exportações e do crescimento econômico), diferentemente do que ocorreu com países como México, Brasil e Argentina (na América Latina) que abriram seus mercados aos interesses dos oligopólios internacionais, sem oferecer grandes restrições e não contaram com o investimento direto e maciço dos Estados Unidos (como ocorreu na Coréia do Sul e em parte da Ásia). Assim, em primeiro momento, a industrialização coreana foi puxada pelas exportações de produtos com o uso intensivo de força de trabalho e depois em uma segunda fase os produtos de exportação passam a possuir maior grau de incorporação tecnológica e de capital, agregando, por conseguinte, maior competitividade internacionalmente.

Foram colocados em curso a industrialização do tipo pesada e química, priorizando setores como o naval, mecânico, maquinaria, cimento e eletrônica. Mas, tais transformações foram acompanhadas por tensões regionais e externas, visto que as potências centrais passavam a se sentir incomodadas pela ascensão de países que se beneficiaram do processo de reindustrialização japonesa, tal como Malásia, Tailândia, Indonésia, Filipinas e Coréia do Sul (estratégica peça americana de contenção do poder Chinês na região), fortalecendo ainda mais a economia da área e, com isso:


O “Milagre Asiático” dos anos 70 e 80 consistiram essencialmente, na projeção do modelo japonês de industrialização tardia a uns quantos países, que se tornaram conhecidos como os “novos países industrializados” (NPIs): Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong. O elemento dinamizador do modelo japonês, reproduzido pelos NPIs, era o estado desenvolvimentista [...]. (OLIVEIRA, 2006, p. 15).
O fortalecimento do protecionismo nos Estados Unidos e na Europa, bem como as intervenções políticas levadas a cabo pelo Departamento de Defesa e do Pentágono impuseram, segundo Oliveira (2006, p. 16, 17), grande dificuldade ao comércio japonês que teve de “escancarar” seu mercado interno aos produtos norte-americanos, especialmente, ao segmento de semicondutores e, além disso, com a Reunião do Hotel de Plaza (1985) foi imposto ao governo japonês forte ajuste ao Iene, levando às empresas nipônicas à descentralização global.

Além disso, na Ásia Oriental, as diferenças salariais entre administradores e operários são reduzidas face às disparidades encontradas ocidentalmente, os desempenhos dos trabalhadores também são altos porque se investe em educação e em políticas de bonificação ao trabalhador, com capacidade para inovar e que seja criativo produtivamente. Nessa perspectiva, a estrutura empresarial das grandes corporações do tipo Chaebols é um exemplo de sucesso e diversificação como ocorre com a Hyundai que além de produzir carros de qualidade (muitas vezes superiores a marcas já consagradas no mercado) é capaz de produzir navios e também equipamentos eletrônicos (mais simples), tais como rádios, pen drives e outros objetos técnicos.

Na década de 70, os Chaebols já sustentavam a economia coreana, assentada em altas taxas de exportações, aliada à “mão forte” da intervenção estatal, investimento em P & D e proteção da indústria nacional. Porém, tal resultado no caso brasileiro não foi observado em momentos anteriores, a exemplo do que ocorreu na gestão de Juscelino Kubitschek onde o país mergulha em financiamento externo, abrindo o mercado interno ao capital de empresas estrangeiras, distintamente do que ocorreu na Coréia que protegeu seu mercado interno e suas indústrias da investidura do capital externo e de sua concorrência que poderiam agredir o capital dos Chaebols, colocando em risco a estratégia nacionalista de desenvolvimento adotada por este país.

Por isso, os estabelecimentos coreanos se organizaram mais em torno da produtividade e eficiência, buscando a qualidade e a inovação em uma ação ousada de aprender como lidar com novas tecnologias para aplicá-las, produzi-las, sofisticá-las e oferecê-las um novo significado no futuro. Porém, essa é uma constatação que não pode ser diagnosticada somente no âmbito empresarial, mas no contexto de intercâmbio com o Estado desenvolvimentista e disciplinador que oferece subsídios, investimentos e cobra, na mesma medida, produtividade e competitividade.

No que tange às similitudes entre Brasil e Coréia, observar-se-á que os dois países efetuaram políticas de substituição de importações, mas isso foi realizado em momentos diferenciados quer seja o Brasil na década de 30 do século XX (sob a égide de Getúlio Vargas) ou quer seja a Coréia, na década de 60, no segmento alimentício e têxtil, por exemplo.

Entretanto, o processo de substituição das importações não se restringiu somente aos anos citados e, para se ter a idéia desse quadro, é utilizado o caso brasileiro. O país em vários momentos apresentou um processo de substituição das importações, procurando “crescer para dentro” (na expressão cepalina “crescimento hacia adentro”). Foi assim que ocorreu a: “[...] fase depressiva do capitalismo industrial (1815-1848), com a substituição, acontecendo no nível de diversificação da produção no interior das fazendas de escravos [...] (SILVEIRA, 2000, p. 168-169).

Em outros períodos depressivos também houve processo de substituição das importações, a exemplo de 1873-1896:
[...] com a substituição passando do interior das fazendas para o quadro urbano, com a proliferação de unidades artesanais, não mais para o auto-consumo, mas agora para o mercado dos principais centros urbanos [...]. (SILVEIRA, 2000, p. 169).

Outro momento depressivo (1921-1948), já mencionado, é especialmente, nos anos 30 do século passado (MAMIGONIAN, 1969), onde ocorreu forte processo de industrialização, crescimento econômico, criação de infra-estruturas e construção de usinas siderúrgicas nacionais, como a Usina Siderúrgica de Volta Redonda.

Mas, foi na década de 70 com as sucessivas crises do petróleo (1973 e 1978) que a economia internacional entra de fato na fase b do 4º Kondratieff (1973-?) e, sendo assim: “[...] afetando a economia brasileira que reagiu novamente procurando “crescer para dentro” e apresentando um superávit comercial [...]” (SILVEIRA, 2000, p. 169).

No momento atual, as alternativas de “crescer para dentro” ficam cada vez mais complicadas, diferentemente do que ocorria em outras fases depressivas: o Brasil se integra na divisão internacional do trabalho como um país, especialmente, exportador de commodities, tanto as ligadas ao segmento agropecuário (carne, soja, milho, etc.) quanto àquelas relacionadas ao segmento minero-metalúrgico. Entretanto, isso não significa dizer que o país não tenha desenvolvido outros segmentos econômicos, como é o caso da indústria, tais como a produção de aviões pela Embraer, petróleo e derivados pela Petrobras, informática (CCE Info, Itautec, Positivo), etc. Tais corporações, assim como os Chaebols passam também a concorrer com outras companhias internacionais, mas operando em escalas e lógicas diferenciadas. A Embraer, por exemplo, é concorrente direta (na produção de aeronaves) da empresa canadense Bombardier que também atua no segmento ferroviário (Bombardier Transportation) e isso sem falar de tantos outros casos que poderiam ser somados a esta argumentação.

Por outro lado, é a partir década de 1980 que o Estado brasileiro perde a capacidade de financiar o desenvolvimento, abalado pela crise da dívida externa e pelo processo de transição política nacional (com a queda da ditadura militar), diferentemente do que ocorreu na Coréia do Sul que se integra cada vez mais ao modelo da Terceira Revolução Industrial, ao processo de inovação e ao fortalecimento da sua indústria high tech. Empresas estatais são leiloadas ao capital internacional e nacional privado, favorecendo grandes grupos de interesse ligados à sustentação de políticas neoliberais no país e um plano de enxugamento da máquina pública é colocado em andamento, com a redução de investimentos em infra-estrutura, na busca de consolidação do Plano Real, estabilização da moeda e controle inflacionário.

Isso agravou, cada vez mais, o cenário de desemprego colocando em dificuldades os grupos nacionais que agora tinham que concorrer mais abertamente com os oligopólios e o capital internacional. Isso foi sentido, sobretudo, nos estabelecimentos de setores mais tradicionais da indústria como as confecções, têxteis e calçadistas.

Por conta disso, o protecionismo brasileiro (observado mais nitidamente, por exemplo, na época da ditadura militar) que assegurava determinada fatia do mercado interno às empresas nacionais agora é retirado e o “livre mercado” concorrencial/especulativo passa a desregulamentar as tarifas de importação que controlavam e restringiam a entrada de produtos estrangeiros, sendo esse processo muito evidente no setor de peças, com a demissão de trabalhadores em massa.

Assim, a vantagem competitiva da inovação (como fizeram os coreanos), da pesquisa e do desenvolvimento tem que ser construída, edificada e colocada em curso como política de desenvolvimento econômico e social no Brasil (coisa que não tem sido feita de maneira agressiva na prática). Se o governo não faz este papel o que dirá das empresas globais instaladas no país que não tem preocupação com o bem-estar da população, mas, com a ampliação de seus ganhos financeiros e produtivos, pouco contribuindo para o desenvolvimento, explorando os recursos naturais e sociais, sem a presença efetiva de um Estado disciplinador e desenvolvimentista.

Nesse sentido, o Brasil tem se afastado cada vez mais em rankings de inovação, ciência e tecnologia, colaborando para o seu atraso na indústria mais sofisticada e de ponta, se comparado à Coréia do Sul e a outros países.
4 Considerações finais
Os teóricos aliados das grandes potências industriais procuram argumentar que o seu sucesso industrial se deve única e exclusivamente à ação do livre mercado, das condições de competitividade, da ausência do Estado e do liberalismo, incensada na lógica do laissez faire, laissez passer, mas dissimulam e omitem o fato de que sua industrialização se deu sob fortes medidas de protecionismo, procurando minar o desenvolvimento industrial de outros países, como ficou evidenciado neste artigo. Esse mito é colocado como receituário aos países periféricos que tentem se industrializar, mas não evitou que houvesse no século XX a ascensão de novos países industrializados, mesmo que tardiamente, tais como Brasil e Coréia do Sul.

Entre as décadas de 1950 e 1970 o crescimento industrial da Coréia do Sul e do Brasil foi semelhante (muito embora tenham traçado estratégias diferenciadas). Contudo, foi a partir da década de 1980 que houve uma maior diferenciação entre tais países, no que tange ao crescimento econômico, desigualdade social, padrão tecnológico e de inovação. Isso derivou, entre outros fatores, das pressões externas oriundas da crise da dívida externa brasileira, neste período, que ficou conhecida no linguajar econômico como década perdida. O Estado perde a capacidade de investir e gerar crescimento econômico, seguindo à risca as políticas de ajuste fiscal e monetário de organismos internacionais, enquanto a Coréia do Sul e os NIPs asiáticos ingressaram em definitivo no padrão tecnológico da Terceira Revolução Industrial, alavancada pelo modelo de industrialização japonesa e das inovações nas telecomunicações, robótica, biotecnologia, etc.

Nesse cenário, é a primeira vez na história recente do Brasil que o país perde a capacidade de “crescer para dentro” em períodos recessivos e o Estado entra em processo de decadência, havendo a desnacionalização e o desmonte das políticas públicas, sobretudo a partir das políticas de ajuste financeiro da crise da dívida externa.

Em suma, espera-se ter colaborado (de maneira sintética) para o debate da indústria e da inovação na análise geográfica coreana e brasileira, visto que esse é um assunto importante e que ainda encontra-se em processo histórico de transformação, apresentando suas peculiaridades e desafios.


Referências bibliográficas
AMSDEN, A. H. A difusão do desenvolvimento: o modelo de industrialização tardia e a grande Ásia Oriental. Revista de Economia Política, São Paulo, v. 12, n. 1 (45), p. 133-140, jan. – mar., 1992.
CHANG, H. Chutando a escada. A estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica. São Paulo: UNESP, 2004.
HIRATA, H.; ZARIFIAN, P. Força e fragilidade do modelo japonês. Estudos Avançados, v. 12, n. 5, p. 173-185, 1991.
LIST, G. F. Sistema nacional de economia política. São Paulo: Abril, 1983.
MAMIGONIAN, A. Notas sobre o processo de industrialização no Brasil. Boletim do Departamento de Geografia, Presidente Prudente, n. 2, p. 55-63, 1969.
______. O processo de industrialização em São Paulo. In: Boletim Paulista de Geografia, São Paulo, São Paulo, n. 50, 1976.
MARX, K. A teoria moderna da colonização. In: MARX, K. O capital: crítica à Economia Política. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 285-292.
NIVEAU, M. História dos fatos econômicos contemporâneos. São Paulo: Global, 1984.
OKABE, H. Algumas reflexões sobre a formação do capitalismo japonês. Argumento, Rio de Janeiro, ano 1, n.3, p. 52-63, 1974.
OLIVEIRA, A. P. Formação de uma economia regional no Leste Asiático. In: Cadernos Geográficos, Florianópolis, n. 13, mai. 2006.
RANGEL, I. Recursos ociosos e política econômica. São Paulo: HUCITEC, 1980.
______. 500 anos de desenvolvimento da América e do Brasil. Revista Geosul, Florianópolis, n. 15, p. 7-12, 1983.

______. Economia: milagre e anti-milagre. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1986.


SANTOS, M. Difusão das inovações ou estratégias de vendas? In: SANTOS, M. Economia espacial: críticas e alternativas. São Paulo: Hucitec, 1979a, p. 29-57.
______. Espaço e sociedade: ensaios. Petrópolis: Vozes, 1979b.
SCHUMPETER, J. A. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. Tradução de Maria Sílvia Possas. São Paulo: Abril Cultural, 1982.
SILVEIRA, M. R. Reflexões sobre a o processo de integração econômica: o caso brasileiro. Caderno Prudentino de Geografia, Presidente Prudente, n. 22, p. 163-178, 2000.
______. A importância geoeconômica das estradas de ferro no Brasil. 454 f. 2003. Tese (Doutorado em Geografia) - Faculdade de Ciências e Tecnologia, UNESP, Presidente Prudente.
______. Desenvolvimento econômico e transporte ferroviário: abordagem para o caso catarinense, GEDRI/UNESP: Ourinhos, 2006.
TROTSKY, L. Peculiaridades do desenvolvimento da Rússia. In: TROTSKY, L. A história da Revolução Russa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978, p. 23-33.

1 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia, UNESP de Presidente Prudente, Brasil sob a orientação do Prof. Dr. Eliseu Savério Sposito. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e membro do Grupo de Pesquisa Produção do Espaço e Redefinições Regionais (GAsPERR). Endereço eletrônico: pfjurado@uol.com.br.

O autor agradece às contribuições teóricas advindas da disciplina realizada no âmbito da pós-graduação denominada: “Capitalismo, Desenvolvimento Regional e Infra-Estrutura”, ministrada pelo Prof. Dr. Márcio Rogério Silveira que possibilitou, em grande parte, a interpretação do assunto.



2 Tal expressão adveio da idéia de formação econômica, encontrada na obra de Karl Marx e na concepção de formação social de Lênin, ganhando, mais adiante, um significado geográfico quando trabalhada por Milton Santos.




©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal