Ernst von khuon



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VIERAM OS DEUSES DE OUTRAS ESTRELAS?

ERNST VON KHUON



Neste volume indubitavelmente um dos mais interessantes livros de discussão de teses tomam posição dezesseis mundialmente conhecidos eruditos, com relação às teorias do autor dos best-sellers internacionais "Eram os Deuses Astronautas" e "De Volta às Estrelas", Erich von Dãniken.

O livro mostra por que milhares de pessoas no mundo todo discutem essas teses.

Além disso, este livro representa uma contribuição complementar às perguntas de largo interesse atual:

  • Tiveram seres estranhos influên­cia no desenvolvimento da huma­nidade e no de sua inteligência?

  • E existem ainda hoje seres inte­ligentes em outros planetas?

* * *


A tese de Erich von Dãniken de que astronautas, provenientes de estre­las estranhas, tenham visitado a Terra em priscas eras, é conhecida por dois entre cada três habitantes do mundo civilizado. E aproximadamente cada quarta pessoa a tem por verídica.

Não é de admirar, portanto, que os livros desse autor tenham causado viva ressonância nos círculos científicos.

O mais tardar pela descida dos nor­te-americanos na Lua, as suas teses se tornaram "pensáveis".

E surge a pergunta, comentada e discutida por todos:

Erich Von Dãniken, o "pesquisa­dor por curiosidade", como ele próprio se apelida, foi de utili­dade para os cientistas, ou os prejudicou?



* * *

Os indícios apresentados por Erich Von Dãniken são analisados e comen­tados por dezesseis cientistas, neste li­vro, que o publicitário de televisão Ernst Von Khuon organizou e editou.

Agora o leitor tem a possibilidade de decidir quais as teses e teorias que ele quer aceitar como possivelmente verdadeiras.

No final do livro, em posfácio, Erich von Dãniken tem a oportunidade de tomar posição quanto às contribuições apresentadas.

E ninguém ficará surpreso ao verifi­car que, nesse assunto, os cientistas de modo nenhum são unânimes, e também a ninguém surpreenderá não recusarem, por completo e em defini­tivo, as teses de Erich von Dãniken.
* * *
Ernst von Khuon

é, como repórter-chefe da Rádio Su­doeste da Alemanha, dom mais de duas mil e quinhentas transmissões — e sobretudo através da televisão, um dos mais conhecidos publicistas ale­mães de nossa época.

A denominação que lhe dão, de "in­térprete para história da cultura, ciên­cias naturais e técnica", atinge o âma­go de seu trabalho talvez do modo mais expressivo.

Capa de HERBERT HORN



Ernst von Khuon

(Compilador)

VIERAM OS DEUSES DE OUTRAS ESTRELAS?
Cientistas discutem as teses de Erich von Dániken
Nesta obra:

Onde fui mal interpretado por meus críticos, por von Däniken
Tradução de

Trude von Laschan Solstein

EDIÇÕES MELHORAMENTOS


Índice

Introdução Ernst von Khuon

I Foi a Nossa Terra Visitada por Astronautas Alienígenas?

  1. Inteligências em Estrelas Distantes

  2. Estamos sós no Universo?

  3. Pleiteando uma Pesquisa Inconvencional do Nosso Passado

V Deviam vir Deuses Extraterrestres para Criar o Homem?

VI Fatos e Preconceitos conforme Sabemos, o que Sabemos Dãniken no Campo da Biologia

VII Pensamentos sobre a Possibilidade do Vôo Espacial Interestelar VIII Ensaios Filosóficos sobre a Relatividade do Tempo

IX "Kyborgs" em Viagem pelo Espaço

X O Que Diz a Medicina, Especialmente a Psicologia Médica?

XI Argumentos para o Possível, Tirados de Fatos da Astronomia e de Textos Antigos

XII Documentos Bíblicos e a Teoria Cósmica dos Astronautas

XIII A Respeito da Demonstrabilidade da Viagem Espacial Pré-Histórica, em Mitos e Contos de Fada

XIV Dãniken e a Pré-História

XV Os Antigos Egípcios e Dãniken

XVI Comentário sobre Nazca

Onde Fui Mal Interpretado por Meus Críticos Erich von Dãniken


Índice das ilustrações
Os "canais" de Marte / Um gene individual, visto com um microscópio eletrônico / O editor assistindo a filmagens... em Tula, México / Ernst von Khuon com os cameramen da Rádio Sudoeste da República Federal da Alemanha / A célebre Porta do Sol de Tiahuanaco / A Porta do Sol é uma só
pedra


Ernst Stuhlinger mostrando a Ernst von Khuon modelos de foguetes / Astronautas norte-americanos no módulo lunar / A lápide no Templo das Inscrições, em Palenque / Deus celta em Kernunnos

O deus celta do cervo, com anel e serpente / Desenho mostrando um xamanotungúsio com tamborim / Lâmpadas usadas pelo homem no Período Glaciário / Lâmpada de 22 cm encontrada em Lascaux, França / Escada de 7 degraus cortados na rocha, há uns 4.500 anos / O "deus pássaro" dos habitantes da Ilha da Páscoa

Antiga pintura rupestre de Hokaido, Japão / Faca egípcia de pedra (quarto e terceiro milênios antes de Cristo) / Sarcófago egípcio / Mapa astronômico ou aeroporto pré-histórico. Nazca, Peru / Macaco de uns 80 m de altura é um só exemplo entre muitas figuras de animais


INTRODUÇÃO

VIERAM OS DEUSES DE OUTRAS ESTRELAS? por Ernst von Khuon, Baden-Baden
A IDÉIA EXTRAVAGANTE DE Erich von Dãniken de que a evolução cultural da humanidade teria sido promovida por cosmonautas provenientes de outras estrelas, levou ao maior e mais 'explosivo' sucesso de livraria desde a Segunda Grande Guerra. Os livros "Erinnerungen an die Zukunft" (Eram os Deu­ses Astronautas?) e "Zurück zu den Sternen" (De Volta às Estre­las)* foram best-sellers em todo o mundo e, somente nos países de língua germânica, estão beirando o primeiro milhão de exem­plares vendidos.

Muitos dos enigmas tratados por Dãniken ainda não foram esclarecidos. Contudo, um dos grandes atrativos da pesquisa cien­tífica reside justamente no fato de existirem problemas a serem resolvidos e de surgirem novas perguntas com a solução de cada problema. Os pioneiros da ciência avançam no grande abismo, sabendo que jamais chegarão ao ponto final, pois, com cada novo horizonte que se abre, surgem novas perspectivas. Este co­nhecimento torna os cientistas humildes e cautelosos e eles dizem: "Não sabemos dar uma resposta definitiva, talvez nunca chegará a ser dada". Erich von Dãniken é menos humilde e menos cau­teloso e deve ser esta a razão pela qual seus livros encontram aceitação tão extraordinária do grande público leitor. Ele faz perguntas e tem suas respostas prontas; oferece sua 'chave' para a solução de todos os enigmas.

Em janeiro de 1970, ele escreveu-me de Chur, na Suíça, onde ficou detido para interrogatório: "Tenho certeza absoluta de que, em eras remotíssimas, a nossa Terra recebeu a visita de astronautas, vindos de planetas distantes. Esta convicção não se baseia apenas nos indícios que publiquei nos meus livros, mas ainda mais nos que ficaram a ser publicados. Funda-se, inclu­sive, em ponderações filosóficas". Perguntei então se Dãniken considerava essas visitas como cientificamente comprovadas e ele respondeu: "Na época atual inexiste prova científica de uma visita de astronautas de planetas distantes a nossa Terra. Ainda estamos na fase das 'pesquisas de base'. Provas concretas po­derão ser obtidas apenas quando a ciência realmente começar a ocupar-se do problema".
* Ambos traduzidos cm português, Edições Melhoramentos.
Tampouco existe prova em contrário. Ninguém poderia ofe­recê-la. Como se poderia provar que, em tempos remotos, seres inteligentes provenientes de outros astros não aterrissaram em nosso planeta? A comprovação do não-acontecimento de algu­ma coisa apenas pode ser obtida em face da impossibilidade do seu acontecimento; talvez porque seja inconcebível, ou compro­vadamente contra as leis da natureza. A idéia de uma visita de inteligências estranhas ao planeta Terra não é nem inconcebível nem contrária às leis básicas da natureza. É perfeitamente con­cebível que seres inteligentes de outros planetas fossem bem mais adiantados em relação aos homens da Terra e teriam chegado a ser astronautas muito antes de nós, tendo visitado o nosso pla­neta em épocas pré-históricas. Qualquer pessoa dotada de um pouco de fantasia pode, muito bem, imaginar isto, quanto mais um cientista, acho eu. Por conseguinte, a ciência se pronuncia de maneira cautelosa, dizendo: "É possível; não está fora de cogitação; não há provas (por enquanto)". E talvez ela até vá um pouco mais longe e diga: "É bastante improvável, segundo os conceitos científicos atuais".

Outrossim, em absoluto é novo aquilo que Dãniken afirma. Teorias análogas já foram avançadas por repetidas vezes. A exemplo dos seus antecessores e contemporâneos, Dãniken ser­viu-se de fontes antigas e, ao mesmo tempo, elaborou e executou seqüências de idéias, ponderações, afirmações e argumentos de outros autores. É fato inconteste que Dãniken defende suas con­vicções com tenacidade excepcional; um dos motivos pelos quais seus livros mereceram a devida atenção em todo o mundo. E, aliás, nada é tão bem sucedido como o sucesso. Outro fato é de Dãniken servir de vanguardista para seus antecessores, os quais superou e agora está levando na esteira do seu formidável su­cesso.

Sem dúvida, Dãniken realizou algo de extraordinário. Ele sou­be estimular a fantasia do leitor, o que significa muita coisa nos tempos atuais, dos quais se diz que deixam margem sempre me­nor para a fantasia. E isto foi conseguido apesar dos formidá­veis progressos nas ciências naturais e técnicas, ou, talvez, jus­tamente por causa disto.

A fantasia costuma ser menosprezada. Admite-se fantasia em um poeta, um artista, pois ele vive com e da sua fantasia; isto se compreende. Conforme falou Wilhelm Hauff, ele deve co­zinhar suas obras na 'panela dourada da fantasia'. Mas, e no nosso mundo atual dos fatos concretos?

O historiador Theodor Mommsen falou: "A fantasia não é somente a mãe da poesia, mas, igualmente da historiografia". Como? A tarefa da historiografia não se resume em registrar os fatos, conforme aconteceram? No entanto, como seria possível reconstruir o passado sem o auxílio da fantasia, entreligando as peças avulsas que a tradição nos fornece?

Lenin, um dos personagens que mais movimentaram a História, definiu o papel da fantasia com as seguintes palavras: "Esta faculdade é de imenso valor. Está errado supor que só o poeta necessita dela. Isto é um preconceito tolo. A fantasia tem seu papel, inclusive na matemática; a descoberta do cálculo diferen­cial e integral teria sido impossível sem fantasia". De fato, até a invenção do zero foi uma obra-prima da 'fantasia matemá­tica'.

Muitas pessoas estão completamente equivocadas pensando que a fantasia não combina com o trabalho científico. A fantasia é a força motora decisiva do progresso humano. Sem a curiosi­dade e sem a fantasia o homem teria ficado em estado primitivo. Sem fantasia e imaginação, sem a vontade de 'ver o que está por detrás', nem invenções, nem descobertas teriam sido feitas. Quanta fantasia era precisa para a roda ser inventada! Quanta fantasia requer o conceito da descarga de gás de um foguete para poder funcionar, inclusive no vácuo, onde não há resistência e lá, melhor ainda, por não encontrar ponto de apoio algum?

Será que Roger Bacon, o filósofo e físico do século XIII, po­deria ter avançado a sua profecia sem o dom divino da fantasia: "Serão construídos navios sem remos e os maiores serão dirigidos por um só homem. E haverá veículos incrivelmente velozes, que não serão puxados por animal algum. E máquinas voadoras. E outras que, sem perigo algum, poderão mergulhar até o fundo dos mares e dos rios". Como teriam sido aceitas tais palavras pelos cientistas da época?

Será que sem fantasia Johannes Kepler poderia ter encontrado suas leis da mecânica celeste e prenunciado a era atual dos vôos espaciais, em sua carta aberta a Galileu, dizendo: "Quem teria pensado, outrora, que as viagens nos oceanos imensos serão mais tranqüilas e seguras do que no estreito Mar Adriático, no Mar Báltico ou no Canal da Mancha? É só-providenciar as naves ou velas adequadas aos ares celestes e não faltarão os homens sem medo daquela imensidão enorme". Decerto, seus contem­porâneos deveriam ter achado Kepler maluco, homem que não podia ser levado a sério.

Antes de o Sputnik I levantar vôo, quanta fantasia era precisa para imaginar que uma lua técnica poderia sempre cair ao redor da Terra? Quanta fantasia requereu a tese de Einstein da quarta dimensão do tempo, para o cálculo da dilatação do tempo no interior de um veículo que se move quase à velocidade da luz, à descoberta da fórmula E = m x c2 (energia = massa por qua­drado da velocidade da luz), da qual resultou o conhecimento de uma energia enorme caber dentro de um dedal de matéria. Onde quer que se procurar uma solução, onde quer que chegar­mos a saber do possível, a reconhecer o provável e o compro-vável, é a fantasia a explorar o caminho.



* * *
Desde sempre, o homem se fascinou com a idéia de mundos habitados ficarem escondidos nas penumbras do Universo. Só que na era espacial é mais fácil imaginar a existência de tais mundos. E, naturalmente, o homem especula como poderia en­trar em contacto com civilizações estranhas, em outros planetas. Daqui para a idéia de tal contacto ter acontecido em épocas re­motas, há um curto passo, apenas. Conforme já ficou dito, Erich von Dàniken não é o primeiro a ocupar-se do assunto. A obra de Robert Charroux 'Passado Fantástico' (Phantastische Vergan-genheit, Herbig Verlag) foi publicado antes de "Eram os Deuses Astronautas?" de Dãniken; e, antes de Charroux, dois outros au­tores, Louis Pauwels e Jacques Bergier publicaram "Partida para o Terceiro Milênio" (Aufbruch ins dritte Jahrtausend, Scherz-Verlag). Esses últimos, no entanto, indicaram-me como seu an­tecessor Kurd Lasswitz, cujo romance "Em Dois Planetas" data de 1897.

Provavelmente, Dániken, Charroux, Pauwels e Bergier inspi­raram-se em "Culturas Perdidas", de Eugen Georg, publicado em 1930, que, por sua vez, deveria ter conhecido "Países Enigmá­ticos", de Richard Hennig, publicado em 1924. Já em 1919, nos Estados Unidos da América, Charles Hoy Fort transferiu seres extraterrestres para o nosso planeta; em 1928 saiu "Hipóteses Cósmicas", por Robert Nast (pseudônimo de Richard Huber), atualmente residente nos E.U.A., igualmente pressupondo a exis­tência de inteligências extraterrestres, em um conceito muito mais amplo. Nast defende a tese de o Homo sapiens, o homem racional, não poder representar o ápice da hierarquia dos seres vivos. Ele compara os homens às células de um órgão cósmico que, por sua vez, pertence, junto com outros órgãos incrivel­mente grandes, a um superser superevoluído. Com isto Nast não pensou em Deus-Criador, na alma universal; ele 'vê' na Via-Láctea 'indivíduos intelectuais' que (até agora) nossas limitadas faculdades mentais são incapazes de compreender. Interessante é notar que o astrônomo inglês Fred Hoyle, pesquisador de re­nome, introduziu no seu romance "A Nuvem Negra", de 1957, um tal ser cósmico, dotado de percepção e vontade. Na ficção científica, nossos cientistas conseguem estabelecer contacto téc­nico com tal superser, fazendo-se de intermediários entre ele e os políticos na Terra.

Aliás, a ficção científica possui árvore genealógica de antiga e nobre linhagem, ostentando ancestrais ilustres. Nem Júlio Verne que, em 1865, de fato fez voar três americanos da Flórida para a Lua, é o primeiro na linha. Kepler já despachou um homem para a Lua e, muito antes, no século II, Luciano de Samósata levou o herói de suas "Histórias Verdadeiras" em vi sita à Lua e a Vénus.

Contudo, a partir de Júlio Verne, a seqüência prática e real não sofreu solução de continuidade até o dia de hoje: um garoto da Transilvânia, o jovem Hermann Oberth, devorou "Da Terra à Lua", por Júlio Verne; o livro de Hermann Oberth "O Fo­guete para os Espaços Planetários", publicado em 1927, foi lido pelo jovem Wernher von Braun. Em linha tão reta e dentro de apenas três gerações, o caminho pôde levar da utopia para a realidade: no Natal de 1968, a Apolo 8 girou em torno da

Lua; em 20 de julho de 1969 Armstrong pisou o solo lunar. Para muitos esses fatos foram totalmente incompreensíveis. O que havia sido considerado além do possível e imaginável trans­formara-se em fato concreto de um dia para outro. E, com isto, a opinião de milhões de pessoas convergiu para o outro extremo: Nada mais é impossível.

Patrulhas espaciais deverão atravessar o Cosmo, a 'conquista do espaço' começou. Será que com isto encontraremos mundos habitados? E se os 'outros' forem mais adiantados do que nós? Mas então nos teriam visitado há tempo? Para os milhões de pessoas que já ouviram falar na idéia extravagante de Erich von Dãniken, ela até parece familiar. Soa um tanto plausível — O senhor não acha?

Cada passo para frente na pesquisa astronômica foi seguido pela respectiva fata-morgana de uma viagem maravilhosa no es­paço recém-descoberto. As viagens para sóis distantes só se tor­naram possíveis depois de Galileu ter verificado pelo telescópio que a Via-Láctea é um 'aglomerado de inúmeras estrelas'. Até aquela época, eram válidos os conceitos medievais: além e detrás da esfera de vidro estende-se o reino infinito dos anjos e santos, por baixo abrem-se os abismos dos condenados. Quem pensaria que as luzes do céu estrelado poderiam ser sóis gigantes, talvez até com acompanhantes passíveis de expansão?

Foi Galileu o primeiro a considerar os planetas do nosso sis­tema solar como plaquinhas, como 'corpos estelares' e a descobrir que luas descrevem seu percurso em torno de Júpiter. A partir de então era apenas um passo para a comparação com o nosso planeta Terra. As luzes no firmamento vieram a oferecer à nossa fantasia um possível destino de viagem; quem sabe, esses astros eram habitados como a Terra.

Atualmente, conseguimos olhar espaço adentro em profundi­dade de dois bilhões de anos-luz. O telescópio gigante no Monte Palomar é uma das maravilhas dos tempos modernos. Chapas fotográficas, expostas horas a fio, fixam os vestígios da luz este­lar; é a luz que chega à Terra após dois bilhões de anos. O que podemos enxergar pertence, portanto, a um passado inimagi-navelmente remoto. Na imensidão do Universo as estrelas po­deriam ter-se apagado desde tempos imemoriais, muito antes de haver vida nesta Terra; e ainda poderíamos ver a sua luz.

Talvez com o telescópio no Monte Palomar a astronomia da luz já alcançou seu limite máximo. Conforme sabe todo fotó­grafo, não vale a pena continuar ampliando, e ampliando sem­pre mais, um retrato pouco nítido. A foto das estrelas não é bastante nítida, nem em Monte Palomar, debaixo do céu claro da Califórnia. Mesmo que, em termos cósmicos, seja finíssimo o invólucro de gás circundando a Terra, nós homens vivemos no fundo de um oceano, que não permite visão clara das coisas de fora.

Todavia, o invólucro gasoso possui ainda uma segunda 'ja-
nela' que permite a entrada das emissões de rádio de determi-
nadas estrelas. Há duas décadas, as antenas possantes da
radioastronomia captam um mundo de mundos, até então des-
conhecido; e os radioastrônomos se referem aos anos de 60 como
'os sessenta dourados'. Foi Fred Hoyle que pronunciou as pa-
lavras orgulhosas: "Nenhum gênio literário poderia ter inven-
tado uma estória que em sua centésima parte fosse tão fantástica
como o são os fatos concretos, desvendados pela pesquisa astro-
nômica". ,

De fato, o Cosmo do século XX se apresenta de maneira tão grandiosa como tremenda. Há bilhões e bilhões de sóis. O nosso Sol é apenas um astro de média grandeza, desenvolvendo energia mediana. Os 'gigantes vermelhos' desenvolvem energia cem a mil vezes maior. Os 'anões brancos' são, em verdade, gigantes medonhos; um centímetro cúbico de sua matéria pesa meia tonelada. O homem de nossa ínfima Terra deve sentir neste Cosmo uma solidão imensa, sempre mais imensa e é por isto que está à procura de 'irmãos no Universo'.

Em última análise, ou melhor, em primeiro lugar, as teorias de Dániken voltam para a eterna pergunta: Há vida nas outras estrelas? Uma resposta negativa acabaria de vez com o assunto. Mas será que se pode dar resposta afirmativa? E de que ma­neira poderia ser comprovada? A ciência já tratou do assunto seriamente? Já foi feita uma tentativa concreta de, ao menos, captarmos 'mensagens' por sobre os abismos das distâncias de anos-luz? Sim; a tentativa foi feita. O início foi dado por Frank D. Drake, professor do Observatório de Rádio Green Bank, Virgínia Ocidental, E.U.A. Com humor e poesia, o pro­fessor denominou seu programa de pesquisa "projeto OZMA", segundo o nome da rainha do país fabuloso OZ( descrito em um romance de L. F. Baum. Nos anos de 1962 e 1963, grande variedade de estrelas 'suspeitas' foi auscultada; no entanto, ape­sar de todos os esforços despendidos, não se conseguiu captar sinal algum que pudesse provir de uma 'civilização técnica', exis­tente nalgum planeta longínquo. "Deste ponto de vista, o pro­jeto fracassou", observou Wolfgang Priester, professor de Ra­dioastronomia em Bonn, que dispõe do maior radiotelescopio móvel na Terra (diâmetro da concha da antena: 100 metros).

Decerto, havia pouca possibilidade de logo na primeira ten­tativa receber 'sinais inteligíveis'. No entanto, menos de cinco anos mais tarde, em julho de 1967, houve grande surpresa em Cambridge, na Inglaterra: uma descoberta devida ao acaso, ou antes, à inexperiência e ao cuidado excessivo de uma estudante. Ela estava encarregada de medir, com o novo campo de antena, os diâmetros de quasares 'no fim do mundo'. Em determinada posição do instrumento, a estudante experimentou 'movimentos elétricos' que, com um radioastrônomo experiente, teriam pas­sado despercebidos, a título de interferências típicas causadas por um automóvel. No entanto, a estudante queria averiguar o por­quê dos movimentos. Por diversas vezes ela verificou essa ligeira interferência e, por coincidência, sempre apareceu no mesmo ponto, quando o instrumento estava na constelação de Vulpé­cula (Raposinha, em latim), mais ou menos no meio entre as estrelas Vega e Altair. Talvez houvesse uma sonda espacial dis­tante? As respectivas averiguações deram em nada. Uma missão secreta? Mas aí vieram impulsos de rádio de outras partes do céu, que se repetiram com precisão maquinal. Para os impulsos da constelação de Vulpécula foi registrada freqüência de repe­tição da ordem de 1,337 segundos, para os provenientes da área limítrofe de Hidra e Câncer a freqüência era de 1,274 segundos; na constelação do Leão havia dois transmissores, que transmi­tiam em intervalos de 1,188 e 0,253 segundos, respectivamente.



"De fato, nossos colegas de Cambridge deveriam pensar em sinais emitidos por seres inteligentes em planetas distantes", re­latou Wolfgang Priester. "Inicialmente, mantiveram sua desco­berta em segredo. Preferiam averiguar primeiro o que realmente estava acontecendo. Entre eles, chamaram de LGM — Little Green Men — "homenzinhos verdes" — ao seu estudo de sinais misteriosos."
Sinais do primeiro pulsar, descoberto na constelaçãode Vulpécula. A distância entre as grades é de aproximadamente 4 segundos
Por fim chegou-se a saber que se tratava de um novo e ainda desconhecido tipo de estrelas, que então os radioastrônomos pas­

saram a chamar de 'pulsares'. Até }agora foram encontrados 49 pulsares. A solução do enigma só foi possível em janeiro de 1969, quando um representante desse tipo de estrela foi locali­zado na chamada nebulosa do Câncer. Esta é um objeto astro­nômico famoso, pois trata-se dos resíduos de uma supernova, de uma explosão de estrela fixa, observada por astrônomos chineses no ano de 1054 d.C. Em face desses antecedentes, os radioas-trônomos modernos acharam a seguinte explicação: as partes internas da estrela formam uma constelação muito pequena e de rotação ultra-rápida, composta de nêutrons (os componentes sem carga do núcleo atômico). Igual a um farol, com cada rotação a nova estrela emite, de uma mancha clara em sua superfície, impulsos de rádio, bem como impulsos ópticos. Em todo caso, a honra da descoberta dos pulsares cabe a uma jovem dotada de fantasia e tenacidade, Jocelyn Bell. Por enquanto, achou-se uma explicação cientificamente plausível para os sinais registra­dos em intervalos certos; será que foi dada em definitivo? O modo de pensar deverá ainda ser ampliado e aperfeiçoado; to­davia, aí, os 'homenzinhos verdes' estariam de fora.

Em 1877, pela primeira vez eles estimularam a fantasia do homem, mesmo que então ainda não tivessem seu nome atual, quando o planeta Terra e seu vizinho de fora, Marte, tornaram a ficar bem pertos um do outro. Os astrônomos estavam pre­parados para valer-se da situação propícia e logo mais, Asaph Hall, professor de Matemática no Observatório Naval em Wash­ington, descobriu as duas luas de Marte, Deimos e Fobos. Aliás, como são diminutas (calcula-se seu diâmetro em 15 e 8 km, res­pectivamente), poderiam até tornar-se um dia metas para vôos espaciais. Em Deimos os astronautas quase estariam flutuando no espaço, livres das leis de gravidade. Ali, uma bola de futebol, bem chutada, sumiria no Cosmo.

Outra grande descoberta do ano de 1877 foi feita em Milão, na Itália. Schiaparelli observou linhas finas em Marte, que cha­mou de 'canali', termo que foi logo e erroneamente traduzido por 'canais'. Para muita gente esta palavra já explicava tudo, pois um canal representa uma obra de técnicos; por conseguinte, o planeta Marte era habitado por seres inteligentes. Uma sen­sação sem-par! Em sua qualidade de cientista, Schiaparelli assu­miu atitude discreta e cautelosa; no entanto, a interpretação dada nada tinha de impossível, a priori, e assim foi que inclu­sive ele próprio chegou a endossar o termo 'canais'. "Não é pre­ciso considerá-los como construções, executadas por seres inteli­gentes, não obstante apresentarem forma quase geométrica", explicou Schiaparelli. "Poder-se-ia admitir que se formaram por si sós, a exemplo dos canais da Mancha e de Moçambique, aqui na Terra." Logo mais, a existência de 'canais' foi confirmada, inclusive por outros pesquisadores. Numerosas teorias surgiram: valas profundas nas quais penetra a neblina vinda do pólo; fen­das na crosta do planeta, que racha como vidro quebrado; arra­nhaduras causadas por meteoros. Contudo, o astrônomo norte-americano Percival Lowell considerou a teoria dos habitantes de Marte absolutamente razoável e até mais razoável do que as demais. Ele escreveu: "Igual a Robinson Crusoe, que empali­deceu à vista de pegadas estranhas, o pensador civilizado recua instintivamente diante de toda e qualquer referência a uma inte­ligência que não seja a sua; ...o homem aceita de bom grado as hipóteses mais extravagantes e surpreendentes, se isto lhe pou­par a admissão de algo a relacionar-se com a sua própria espé­cie...". Quem falar em seres de Marte, não precisa necessaria­mente pensar em marcianos (homens de Marte).

Obviamente, a idéia não podia deixar de fascinar o grande público, ou, aliás, todo homem que pensa. Por que deveria ser impossível? Não foram os grandes pensadores do passado, desde Christian Huyghens e Immanuel Kant, a falarem de maneira concreta e sóbria de 'habitantes de outros planetas'? Não foi Giordano Bruno, o dominicano que abandonou seu convento para anunciar em êxtase: "Há inúmeros Sóis e inúmeras Terras, girando todos da mesma forma em torno dos seus Sóis... Os mundos sem conta do Cosmo em nada são inferiores à nossa Terra, pois inteligência alguma poderia imaginar que eles, que se beneficiam da radiação fecundante de um Sol, conforme nós nos beneficiamos com o nosso, fossem desabitados e não possuís­sem habitantes inteligentes ou ainda mais perfeitos do que a nossa Terra... Fiquem descansados, virá o tempo quando todos verão as coisas como eu as vejo". No ano da graça de 1600 o herético Bruno foi queimado vivo. Aliás, ele jamais olhou por um telescópio, que foi descoberto apenas oito anos após sua morte violenta. No que se refere aos 'canais' em Marte, estão sendo considerados hoje em dia como 'ilusões ópticas'. Supõe-se que o olho reuniu detalhes de superfície para puxá-los em forma­ções lineares. Em 14 de julho de 1965 a sonda espacial norte-americana Mariner 4 passou por Marte em uma distância de apenas 9.000 km (esta distância é menor do que o diâmetro da Terra). As suas radiomensagens vieram à Terra de uma distância de 220 milhões de quilômetros; para usar-se um slogan de pro­paganda: jamais uma imagem foi televisionada de distância tão enorme! As imagens transmitidas mostraram crateras anulares; Marte se assemelha mais à Lua do que à Terra. E nada de canais. A atmosfera de Marte é extraordinariamente rarefeita, compondo-se principalmente de nitrogênio com minúsculos traços de vapor de água. Os pólos brancos provavelmente não passam de geada. Será que há vida? Ernst Stuhlinger, professor no Marshall Space Center, lotado para o projeto Marte, está contando com isto: "Acreditamos que haverá vida; provavelmente espécies vege­tais inferiores, mas por enquanto não podemos fazer a mínima idéia de como serão".

Um vôo tripulado para uma visita a Marte está previsto so­mente para a década dos 80. O que encontrarão os primeiros homens a pisar o solo de Marte? Serão encontrados os restos de seres extintos? Fósseis? ou até as ruínas de culturas desapare­cidas?

Erich von Dàniken relatou sua conversa com o professor sovié­tico Josef S. Shklovsky, o qual sugeriu que as duas luas de Marte fossem satélites artificiais. Os nossos satélites também estariam funcionando no espaço muito além da duração de nossa vida... No entanto, tenho a impressão de Dániken já não contar mais com Marte, faz tempo. Os seus seres inteligentes vêm de muito mais longe.

Em Huntsville, Alabama, E.U.A., Ernst Stuhlinger mostrou-me o modelo de uma nave espacial elétrica, que — montada em uma órbita terrestre — realiza a viagem de ida e volta para Marte em uma expedição de dois anos. Os sistemas de manutenção de vida, funcionando agora durante dias e semanas, deveriam funcionar então uma centena de vezes de sua atual duração. Os custos de uma expedição a Marte seriam o múltiplo dos de uma alunis-sagem. A priori, parece mais problemática ainda a viagem para outro vizinho do nosso sistema solar, o planeta Vénus. Em 1962, a



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