Epv-1128 sexta-feira, 23 de outubro de 2009 23 de outubro



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EPV-1128

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

23 de outubro – “Uma pessoa que se esforça em crescer é bela. O ponto final da viagem chamada vida acontece no momento em que se interrompe o crescimento. Enquanto se está vivo, o fator essencial é crescer buscando sempre algo mais elevado, mais profundo e mais amplo.” (365 Dias, página 142)

Participei ontem à noite da Convenção Comemorativas dos Blocos Donatários e dos Trilhos, da Comunidade Mooca. Foi uma maravilhosa reunião em que tudo fluiu como uma orquestra tal a sintonia da apresentação de cada item da programação.



Desde ontem estou tendo dificuldades em enviar as mensagens, que ficam travadas no outlook. Portanto a EPV para a maioria dos grupos está atrasada.

Maria de Lourdes dos Santos é Vice-responsável da Divisão Feminina da Regional Tamandaré, RM Liberdade. Ela recebeu recentemente o título de Mestra em Ciência da Religião, curso feito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e com nota máxima! Como integrante do NER – Núcleo de Estudos de Religiões da BSGI, responsável pela secretaria, o departamento conta com alguém realmente especialista no assunto. Que maravilhosa conquista!

O NER, até agora, veio desenvolvendo temas com o intuito de derrubar as barreiras criadas por diferenças religiosas no comportamento e no relacionamento entre as pessoas das diversas linhas religiosas com o Budismo. O tema “Compreendendo a religiosidade brasileira” está sendo substituído por “A filosofia do Sutra de Lótus na diversidade cultural e religiosa brasileira: Um diálogo inter-religioso e humanista”.

Em tese, os sete anos de existência do núcleo serviram para “compreender e difundir” os pontos de vista das diversas filosofias e dogmas que interferem na crença religiosa do povo brasileiro, especialmente no âmbito do cristianismo e do espiritismo. Não são assuntos esgotados, mas desejamos fomentar nossos líderes em todos os níveis da organização sobre a importância do diálogo tolerante a partir da compreensão da fé das pessoas, às quais objetivamos introduzir os conceitos da filosofia do humanismo do Sutra de Lótus praticada na SGI. No ano em que a BSGI completa o seu Jubileu de Ouro, é de suma importância que as armas da intensa batalha pelo Kossen-rufu sejam o diálogo aberto e sem fundamentalismos.

na Era Renascentista, após a obscura Idade Média, surgiu uma teoria baseada na bíblia, de que a Terra começou a ser criada a exatamente 6.013 anos, no dia 23 de outubro de 4004 a.C.

Segundo James Ussher (1581-1656), Arcebispo de Armagh, esta data seria o correto momento descrito no Livro do Gênesis, do Velho Testamento, sobre a “Criação”. Baseando-se na bíblia, definindo o número de gerações, a duração média da vida humana e nas principais figuras bíblicas desde Adão e Eva até ao nascimento de Jesus, Ussher afirmou que a terra tinha sido criada às 9 horas da manhã do dia 23 de Outubro de 4004 a.C (domingo) e o dia da expulsão de Adão e Eva do paraíso em 10 de novembro de 4004 a.C (segunda-feira) e mais até a data da parada da arca de Noé no Monte Ararat (Turquia) em 5 de maio de 2348 a.C (quarta-feira). Tal “precisão” conferiu-lhe grande credibilidade entre os seus contemporâneos. O mais intrigante é que renomados teólogos ainda defendiam essa tese, que confronta as revelações científicas sobre a origem do Universo e da própria Terra, que possui cerca de 4,5 bilhões de anos.

Um conceito budista diz que “desde que haja ambiente favorável, a vida se manifesta”. A vida é eterna e permeia todo o Universo, sem começo nem fim. Ambientes como estrelas e planetas sim têm tempo de vida manifesta limitado. É importante compreender que a vida do Universo é a energia cósmica que permeia tudo e é identificada como Lei Mística. Compreender e assumir a condição essencial da missão da vida é o próprio Estado de Buda, cuja dinâmica consiste na batalha eterna e contínua do Buda contra as forças da maldade. Em outras palavras, a intensa batalha do bem contra o mal produz a evolução e esta, para os seres humanos, representa a própria revolução do humanismo.

A transferência essencial ao Bodhisattva Práticas Superiores marca o alvorecer do “Budismo Humanístico” é o título de uma parte da série de diálogos sobre o Sutra de Lótus. O trecho abaixo foi publicado no Brasil Seikyo nº 1542, de 5 de fevereiro de 2000, que explora o profundo significado dos “Bodhisattvas da Terra” e do Nam-Myoho-rengue-kyo Nyorai, eles elucidam o humanismo do Sutra de Lótus.

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Pres. Ikeda: Voltando ao tópico em questão, há duas maneiras de explicar o “Buda fundamental uno com o Universo cuja vida não tem começo nem fim”. A primeira implica ignorar as funções da causalidade. Com isso, simplesmente admitimos a existência de um “Buda cuja vida não tem início nem fim”. Por isso, quando a questão da causalidade é levantada, surge a dúvida a respeito do que aconteceu antes de o “efeito do estado de Buda” ter sido atingido.

No entanto, se a questão da causalidade for simplesmente ignorada, então não estamos falando de budismo. É exatamente essa explicação das funções da lei de causa e efeito que distingue um ensino como budista, ao passo que a falta da causalidade define um ensino como não-budista.

A “causa do estado de Buda” e o “efeito do estado de Buda” são particularmente a principal preocupação do budismo. Pode-se dizer que o Budismo Mahayana teve origem após o falecimento de Sakyamuni devido à busca empreendida pelas pessoas para encontrar a causa que lhe possibilitou atingir a iluminação.

Suda: Sim. Tendo perdido Sakyamuni, devem ter procurado tornar-se budas compreendendo a causa que o levou à iluminação.

Pres. Ikeda: Em outras palavras, era uma investigação da verdadeira natureza da vida de Sakyamuni, o que reuniu várias doutrinas que apresentavam o “Buda eterno”.

Suda: Essas doutrinas incluíam a discussão sobre a vida eterna de Sakyamuni como um “Buda do corpo Dharma”, em contraposição ao Buda vivo. Foram ainda expostos vários argumentos tais como as “propriedades da vida do Buda”, incluindo a doutrina das três propriedades iluminadas do Buda (da Lei, da sabedoria e da ação).

Endo: Poderíamos até argumentar que os vários budas do Budismo Mahayana — Vairochana,1 do Sutra Kegon; Amida,2 dos sutras da Terra Pura; e Dainiti,3 do Sutra Dainiti — revelam um aspecto do Buda, ao mesmo tempo que enfocam o Buda fundamental cuja vida não tem início nem fim.

Pres. Ikeda: Mas, independentemente da maneira como esses ensinos falam a respeito da “vida eterna do Buda”, há uma grande limitação. Em primeiro lugar, como descrevem o mundo do Buda como um local belo e grandioso, afastam-se do “Sakyamuni ser humano”. Isso significa seu afastamento da realidade da vida humana.

A outra limitação diz respeito à causa e ao efeito que estamos discutindo agora. Se a “causa do estado de Buda” vem primeiro e o “efeito do estado de Buda” vem depois, então o Buda aparece em algum momento em particular no tempo.

Em resumo, para explicar o Buda do tempo sem início nem fim, é necessário reconhecer o efeito do estado de Buda (benefício) como inerente na causa do estado de Buda (prática). Essa segunda explanação é a única que pode explicar a realidade do Buda Original eternamente presente nas três existências.

Suda: Essa parece ser a conclusão mais lógica.

Pres. Ikeda: O Bodhisattva Práticas Superiores é, na verdade, um buda que está se empenhando no nível da prática budista que leva à iluminação. Em outras palavras, é o buda que incorpora a simultaneidade da causa e do efeito.

O Buda Original cuja vida não tem início nem fim não poderia ser revelado sem o aparecimento do Bodhisattva Práticas Superiores. Seu surgimento indica a existência do “verdadeiro Buda de Kuon ganjo”, o Buda iluminado do tempo sem começo, que supera muito a idéia de um passado inimaginavelmente remoto chamado gohyaku jintengo.



Suda: Agora estou compreendendo melhor várias questões que antes pareciam ambíguas.

Esse “Buda Original cuja vida não tem início nem fim” é então o Nam-Myoho-rengue-kyo Nyorai ao qual nos referimos como o Buda da liberdade absoluta de Kuon ganjo, ou tempo sem começo.



Todos os dias são Kuon ganjo!

Pres. Ikeda: Isso está correto.

Suda: Assim fica claro neste contexto que Kuon ganjo não significa o passado remoto, mas transcende essa estrutura e, de fato, o próprio conceito de tempo.

Pres. Ikeda: Sim. Kuon ganjo é um outro nome para a vida que não tem início nem fim. Não se refere à doutrina do tempo, mas sim à doutrina da vida.

A verdade que se encontra nas profundezas da vida, a verdade do Universo que atua incessantemente, é chamada de Kuon ganjo. E pode ser chamada também de “o Buda originalmente dotado das três propriedades iluminadas”.

Daishonin diz: “Kuon significa o que não foi criado nem adornado, mas que permanece em seu estado original.” (Gosho Zenshu, pág. 759.) “O que não foi criado” significa inerentemente dotado e não indica um momento específico no tempo. “Nem adornado” significa não possuir as trinta e duas características e oitenta aspectos, e refere-se às pessoas comuns da forma como elas são. “Permanece em seu estado original” quer dizer que existe eternamente.

Kuon significa Nam-Myoho-rengue-kyo; significa Gohonzon. O exato instante em que oramos ao Gohonzon é Kuon ganjo; é o tempo sem início. Para nós, cada dia é Kuon ganjo. Podemos fazer a cada dia com que a vida suprema, pura e eterna de Kuon ganjo se manifeste de todo nosso ser. Damos a cada dia uma nova partida de Kuon ganjo, o ponto de partida da vida.



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Antonio Nakamura



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