Emergência da educaçÃo moderna: coincidências e contradiçÕes em lutero e erasmo de roterdã



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Encontro06.07.2017
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EMERGÊNCIA DA EDUCAÇÃO MODERNA: COINCIDÊNCIAS E CONTRADIÇÕES EM LUTERO E ERASMO DE ROTERDÃ

Palavras-chave: educação, modernidade


Resumo: A emergência da Modernidade ocorre principalmente pela necessidade de identidade na sociedade, a partir de pensadores críticos da realidade como Martinho Lutero e Erasmo de Roterdã. Em suas defesas de modelos sociais e educacionais, os dois pensadores apresentam muito mais concordâncias do que contradições.
Introdução:
Este resumo se refere a estudos de História da Educação com enfoque na emergência da modernidade e, mais especificamente, nas contribuições de Martinho Lutero e de Erasmo de Roterdã. A partir de literatura especializada, busca-se identificar as principais características, contradições e coincidências entre as biografias e o pensamento pedagógico desses dois pensadores. Entende-se que esse estudo permite a compreensão sobre as relações entre educação e religião a partir de duas perspectivas: uma, de reforma religiosa que envolve estratégias pedagógicas; outra, de laicização da educação.

Materiais e métodos:
A partir de bibliografia especializada, se empreende um estudo comparativo, tendo-se em vista o levantamento de afinidades e de contradições entre os projetos pedagógicos de Martinho Lutero e de Erasmo de Roterdã.
Resultados e discussão:
Martinho Lutero (1483 – 1546) foi o deflagrador do movimento conhecido como Reforma Protestante, o qual envolveu aspectos políticos e pedagógicos que abalaram a hegemonia milenar da Igreja Católica. Essa hegemonia se caracterizava pela reprodução da hierarquia religiosa em outras instituições, inclusive com a exclusão de mulheres em processos de decisão desde os ambientes familiares; no plano educacional, essa influência resultava na oferta de alguma educação escolar para meninos em detrimento da educação feminina. Em um contexto caracterizado, portanto, pelo patriarcalismo, a Igreja monopolizadora da educação escolar alijava as mulheres dos processos formais de educação.

A visão de mundo que Lutero defendia era de caráter democrático e previa a educação de qualidade para todos; essa defesa estava ligada a um projeto de salvação religiosa pelo livre acesso e estudo dos textos sagrados. Disso depreende-se que Lutero se preocupava com um modelo de educação integral, o qual aliava a preparação espiritual ao desenvolvimento de capacidades intelectuais como as de leitura e de compreensão textual; isso o diferenciava dos padres católicos, os quais mantinham o controle sobre os fiéis mantendo-os apenas como ouvistes dos textos bíblicos e, portanto, dependentes de prédicas que eram feitas exclusivamente por ministros religiosos.

Percebe-se nessa defesa de Lutero o quanto ela se inscreve no contexto da modernidade, a qual é caracterizada pela autonomia de pensamento. Ora, se os sujeitos passam a ser considerados como capazes de praticar estudos sobre quaisquer temas, inclusive com leituras e discussões, rompe-se com o modelo caracteristicamente medieval em que os mesmos sujeitos eram vistos, em conjunto, como rebanho a se apascentar.

Outro aspecto interessante da reforma luterana foi o de considerar o Estado ea família como agentes educadores basilares: delega-se ao Estado a responsabilidade de regulamentação, providência e manutenção da educação pública; Às famílias caberia a função de educar em sólidas bases morais e axiológicas. Um sistema de avaliação pedagógica apontaria os mais aptos em assuntos escolares escolares para a continuação dos seus estudos em níveis mais elevados, em escola latinas.

As características modernas da reforma protestante são, portanto, a defesa da autonomia de pensamento e o fortalecimento do Estado como instituição reguladora e leiga. Todavia, há que se considerar que mesmo em face dessa defesa de autonomia, Lutero ainda mantinha o seu projeto de educação ligado a um projeto de salvação religiosa, pois mesmo com toda a presença estatal na educação pública, o modelo de bom cidadão se confundia com o modelo de bom cristão.

Outro importante pensador relcionado à emergência da modernidade é Erasmo de Roterdã (1466 – 1536), o qual defendeu uma educação lavada de suas orientações religiosas, logo, totalmente fundamentada na razão. O sistema escolar pensado por Erasmo também teria no Estado o seu mantenedor e seria organziado de acordo com as faixas etárias dos educandos, tendo em vista a instrução por etapas. Percebe-se nisso alguma semelhança entre as propostas e Erasmo e as de Lutero, e as coincidências se ampliam ao se considerar que também para o pensador de Roterdã a educação precisaria incluir valores como a piedade e o amor. Para Erasmo, a educação precisava proporcionar a aprendizagem das belas artes, a compreensão das regras de cidadania e a capacidade de distinguir o que é certo do que é errado; toda essa aprendizagem seria voltada para a boa qualidade das relações sociais. Aliás, segundo Erasmo, as regras sociais deveriam ser as mesmas para todas as classes.


Conclusões:

As origens intelectuais de Martinho Lutero e de Erasmo de Roterdã são muito parecidas, pois ambos eram padres, logo, educados de acordo com as orientações de uma instituição que exercia a hegemonia no Ocidente. Ambos apresentaram propostas de organização social e escolar pautadas pela organização racional das instituições escolares e pelo propósito de democratização da educação. Nas propostas de ambos, a escola se vincula ao Estado, isentando-se, portanto, da sua filiação religiosa.



O que se identifica como ponto de discordância entre Lutero e Erasmo é o fato de que, para o primeiro, a educação ainda se constituiria como importante instrumento para a salvação eterna, enquanto para Erasmo os valores que proporcionariam essa salvação deveria servir, pelo menos em primeiro plano, para a garantia da inclusão e da ordem social; ao romper com a Igreja Católica, Erasmo pensou um novo tipo intelectual, com uma concepção de mundo voltada para a razão e para a investigação científica dos fatos naturais e sociais.

Referências:

GEBARA,Ademir; SARAT, Magda. Infância e educação na obra de Erasmo de Roterdã e Norbert Elias. In: SARAT, Magda.(org) Fundamentos filosóficos da educação Infantil. Maringá (PR): EDUEM, 2005. p.55-63.



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