Eixo 1: Literatura brasileira e paisagem urbana



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Simpósio “Novas Letras Brasileiras: 1950 até hoje”




Eixo 1: Literatura brasileira e paisagem urbana
ANA PAULA FRANCO NOBILE BRANDILEONE

OS BOTEQUINS, DE DALTON TREVISAN: UM CONTO EM TORNO DE SI MESMO

Incluído na 6a. edição de Cemitério de Elefantes, em 1980, o conto Botequins, de Dalton Trevisan, é exemplo de integração entre a forma e o conteúdo, fusão que concorre para o estabelecimento do seu processo interpretativo. A fábula do conto é simples. Todo dia José faz o mesmo trajeto: depois do trabalho costuma ir a um botequim, onde fica mudo e sozinho até a hora do bar fechar. Uma noite, porém, a rotina se altera, e José sai então em busca de um outro botequim. Tendo em vista que o conto visa à reprodução do mesmo, o objetivo desta comunicação é pôr à mostra que o automatismo do personagem inscreve-se na própria estrutura da narrativa.
CAROLINA CORREIA DOS SANTOS

DISSIDÊNCIA E CONSTRUÇÃO EM CAPÃO PECADO

Narrativa realista, romance social, construção coletiva e constituição da identidade da comunidade periférica são possíveis atributos de Capão Pecado, livro escrito por Ferréz e publicado primeiramente em 2000. Entretanto, longe de simplesmente constituir-se espaço harmônico de identificação e luta socialmente engajada, o romance se assemelha também a um campo (narrativo) de batalhas onde impulsos contraditórios e imprevisíveis se confrontam. Como resultado, as quatro instâncias mencionadas acontecem por meio de um processo conflituoso que este trabalho visa compreender. Para isto, lançará mão principalmente (mas não só) da teoria pós-colonial, já que entende que a obra em questão quebra paradigmas e demanda uma leitura diferenciada, ou alguma nova combinação entre teorias. Por ser tão recente, Capão Pecado autoriza o risco.
GECIELLI ESTEFANIA FRITZEN

O MEIO URBANO E OS MODOS DE VIDA DOS PERSONAGENS DA OBRA “ELES ERAM MUITOS CAVALOS” DE LUIZ RUFFATO.

A presente comunicação tem como objetivo analisar a obra “eles eram muitos cavalos” de Luiz Ruffato em relação aos modos de vida dos personagens no espaço urbano. Deste modo, as interações sociais entre crianças, jovens e adultos serão analisadas em seus vínculos com os modos de vida e de trabalho na vida urbana de São Paulo, onde esses personagens vivem. Privilegiar-se-á a análise das relações entre alguns espaços urbanos desse “cenário” que é a cidade de São Paulo, um dos eixos que contribui para a singularidade da narrativa de Luiz Ruffato. O horizonte de referência analítica será a relação entre literatura e sociedade proposta por Antônio Cândido, no que se refere às funções total, social e ideológica da literatura.
JAQUELINE CORDEIRO BERNARDO

O OLHAR URBANO DE JOÃO ANTÔNIO

Como um grande observador, João Antônio, em suas andanças, vai capturando para os seus textos: cenários, personagens e situações que revelam a dura realidade da arraia miúda. Seu olhar, assim como a presente comunicação, foca-se nas peripécias usadas pelo "povo-povo" para sobreviver por mais um dia, como no texto "Cais", retirado do livro "Malhação do Judas Carioca". Nesse conto-reportagem, o autor observa o cotidiano de quem vive no cais, em especial a vida de duas prostitutas: Odete Cadilaque e Rita Pavuna, uma mais velha, experiente no jogo ilícito do amor; a outra menina ainda, mas já castigada pelo abandono da vida. Ambas separadas durante o dia, horário em que o movimento cai, à noite, tempo em que é necessário ter uma companhia para se conquistar mais homens e faturar, unem-se em uma ciranda perigosa pela sobrevivência.
KEILA FONTOURA RAMIRO

O COBRADOR DE RUBEM FONSECA

O Cobrador, de Rubem Fonseca Ramiro, Keila Fontoura (G/Uel) O presente estudo acerca do conto O Cobrador, de Rubem Fonseca, resulta de um trabalho de pesquisa orientado pelo Professor Dr. Jaime dos Reis Sant`Anna, do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da Uel. A pesquisa visa ressaltar temas relevantes que estão presentes no conto como: dívida social; brutalismo; prazer; ódio; injustiça; revolta; desconcerto da sociedade e seus desdobramentos, tudo segundo a linguagem de Rubem Fonseca, que trabalha a questão da violência dos grandes centros urbanos. Na voz consciente do narrador de O Cobrador, a realidade brasileira no espaço urbano é contada de modo violento, porém lúcido. Podemos então perceber que no decorrer do conto, o ódio e o comportamento violento se transformam em verdadeira missão.
MARIA CELINA NOVAES MARINHO

TRAJETÓRIAS SOLITÁRIAS E CENA URBANA EM O FOTÓGRAFO DE CRISTÓVÃO TEZZA

Em sua obra ficcional, Cristóvão Tezza, constantemente retrata o caráter desconexo e multifacetado que marca o cotidiano da vida urbana contemporânea (representada pela cidade de Curitiba). Suas personagens mostram-se, muitas vezes, desgastadas com a miudeza e non-sense do dia-a-dia e, em crise, ressentem-se de suas escolhas e de suas relações. No romance O fotógrafo não é diferente: as relações entre os indivíduos são marcadas pela dificuldade de comunicação, pelo vazio existencial, pela solidão, pelo ressentimento. Tudo isso é mostrado por meio de cenas entrecortadas que, como num ensaio fotográfico, sugerem ao leitor não propriamente a história de cada uma das cinco personagens, mas os diferentes e limitados trajetos que elas percorrem em um único dia.
MIRANÍ BERTANHA

RELATO DE UM CERTO ORIENTE : A REPRESENTAÇÃO DO RECONHECIMENTO DO ESPAÇO DA INFÂNCIA ATRAVÉS DO ROMANCE DE MILTON HATOUM.

Para análise da representação do reconhecimento humano do espaço social da infância será realizada, neste trabalho, a partir de Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum, na perspectiva da experiência da narradora. A relação humana com o espaço realiza-se de formas diversas, e, contribuem para sua formação social. Gaston Bachellard, Raymond Willians e David Harvey abordam a questão da experiência espacial em seus estudos. No estabelecimento do diálogo entre filosofia e literatura, parece que na segunda temos o pano de fundo para ilustrar a relação filosófica do próprio homem – além da ficção - com o espaço. Com o romance de ambientado em Manaus, rico em espaço memorialístico, estuda-se como ocorre a representação desta experiência humana na literatura brasileira contemporânea.
ROBERTO ANTONIO DE OLIVEIRA

CIDADE BOA, CIDADE MÁ

O espaço urbano, na literatura contemporânea, tem sido mostrado muitas vezes como um espaço opressor para as personagens que nele convivem. Para as personagens dos romances de Antônio Torres, as dificuldades de se relacionar com esse ambiente são extremamente fortalecidas. Isso, muitas vezes, tem origem no fato de que várias personagens são de origem rural e ao entrar em contato com a cidade têm muitas de suas certezas abaladas. Suas identidades são colocadas em xeque ao se depararem com o modo de vida social urbano, calcado no anônimo e na individual. Demonstrar como se configuram algumas dessas problemáticas envolvendo o espaço urbano em Torres, mais especificamente nos romances Um cão uivando para a lua, Adeus, velho e em Um táxi para Viena d´Áustria é o esforço deste trabalho, parte da dissertação de mestrado intitulada Do rural ao urbano pelos caminhos da “cultura de massa”: travessias nos romances de Antônio Torres.

Eixo 2: Gênero e sexualidade na literatura brasileira
FRANCIS DE LIMA AGUIAR

TENSÕES ENTRE A LITERATURA GAY, A CRÍTICA LITERÁRIA E OS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO

A crítica literária constitui o campo de estudos e análises que avalia as produções literárias e seus contextos de produção. Por sua vez, a literatura, em uma de suas concepções, assume a responsabilidade de representar as sociedades, sendo o escritor uma espécie de testemunha do seu tempo. Existe, então, um problema que diz respeito ao fazer artístico (literário) e ao cuidado da crítica em relação às produções. A proposta é a de verificar os pontos de tensão e as contradições entre as transformações da homossexualidade aos olhos da literatura e das sociedades, somada à observação de certas intervenções críticas sobre esta denominação relativamente nova: a literatura gay.
JULIANA FRANCO ALVES

A MULHER FREYREANA RETRATADA EM VINICIUS DE MORAES

Diante do Brasil escravocrata dos séculos XVIII e XIX, emerge no cenário nacional um sentimento controverso com relação aos africanos que coabitavam as senzalas brasileiras. A história revela além dos maus tratos a essa parcela da população, um grande apelo sexual às negras que viveram no país. Dona de suntuosas formas em um corpo considerado fonte de grandes prazeres aos senhores de engenho, esta mulher foi entregue à servidão sexual por séculos. Tais práticas enraizaram-se no imaginário nacional, perpassando a idéia de que toda mulata é uma boa fonte dos prazeres carnais. Gilberto Freyre, ensaísta e sociólogo, abordou esta problemática durante o século XX e teve seus estudos retratados nas literaturas modernistas, a exemplo do poeta Vinícius de Moraes. Nota-se, em face da obra de Vinícius, uma reprodução contundente acerca deste ideário. Nesse sentido, o presente estudo traz como proposta analisar a reprodução desta crença popular nas obras do poeta.
LEONARDO DE BARROS SASAKI

O ORFISMO NA FIGURAÇÃO DO FEMININO EM DORA FERREIRA DA SILVA E HILDA HILST

O estudo orienta-se, em linhas gerais, pela teoria do imaginário, assentada no pensamento de C.G. Jung e G. Bachelard. Dedicamo-nos à aproximação das poetas contemporâneas Dora Ferreira da Silva e Hilda Hilst, que produzem entre a década de 50 e os primeiros anos do século XXI. Como ponto de partida, consideramos a assimilação de certa "herança simbolista" – no dizer de C.M. Bowra –, que lhes chega por meio de R.M. Rilke, F.G. Lorca, S-J. Perse, etc. Estas duas poéticas de linguagem indireta, de imagens mais sugestivas que representativas, de voz oracular com tom íntimo e metafísico, conduzem-nos a duas figuras ligadas ao orfismo: Dionísio e Perséfone - exploradas, neste trabalho, por meio da mitoanálise desenvolvida por Gilbert Durand. Isto permite-nos ainda observar como estas vozes poéticas podem ser analisadas nos termos da arquetipologia do feminino, proposta por J.S. Bolen.
MIRELE CAROLINA WERNEQUE JACOMEL

O CORPO FEMININO NA CRÔNICA E NO SAMBA: EXPOSIÇÃO E REPRESENTAÇÃO

Uma das propostas sócio-políticas e culturais dos movimentos sociais na atualidade é desconstruir as relações de poder entre os sexos, além de rever os processos totalitários de construção da história, alertando sobre a existência de uma heterogeneidade discursiva de igual importância na teia social. Na literatura, essa problematização ocorre diante do exame da representação dos grupos historicamente marginalizados, como é o caso das mulheres, no sentido de desnudar situações que reforçam sua inferioridade. Com o objetivo de verificar o processo de apropriação das imagens relacionadas à mulher no cotidiano brasileiro, propomos uma leitura da crônica Sucesso à brasileira, de Ivan Angelo, e da letra de samba Flor da Lapa, de Wilson Batista.
PAULA GEREZ ROBLES CAMPOS VAZ

LUIZ VILELA: BRECHAS PARA O AMOR

A proposta deste trabalho é a análise de dois contos de Luiz Vilela: A Moça, publicado no volume Lindas Pernas (1979), e Primos, publicado no volume O Fim de Tudo (1973). A partir da reflexão a respeito das formas pelas quais a literatura brasileira contemporânea pode tratar a temática amorosa, foi depreendido um mote específico, ou seja, o rompimento com a cláusula de exclusividade sexual pressuposta nos contratos tradicionais de casamento. Utilizando um vocabulário mais adequado aos padrões morais que fundamentam os referidos contratos, a análise terá como eixo a traição ou a infidelidade, especificamente, a infidelidade feminina.
RICARDO AUGUSTO DE LIMA

A SEXUALIDADE METAFÓRICA E AS METÁFORAS SEXUAIS EM TRÊS CONTOS DE CAIO FERNANDO ABREU.

Caio Fernando Abreu abriu uma nova visão para a literatura homoerótica no Brasil com seus contos, crônicas e romances. Ora ele se utiliza de verbos que descrever o sexo de forma mais humana, ora de metáforas para traduzir o sexo e o relacionamento entre dois de uma forma geral. Para exemplificar essas metáforas, me utilizo de três textos do autor. São eles O Poço, Caixinha de Música, e um quase-conto solto e independente no meio do romance Onde andarás Dulce Veiga. Nesses três textos, além de vários outros, Caio Fernando faz das metáforas a sua arma literária principal, fazendo com que os sentimentos e sensações, vividos inicialmente por ele, possuam um entendimento maior do leitor.
THAIS SURIAN

QUARTO DE DESPEJO: A LITERATURA EM UM ESTUDO SOBRE A ESCRITA DE MULHERES

Esta comunicação apresenta uma pesquisa em andamento na Pós-Graduação em Educação da UNESP que visa aprofundar reflexões sobre as práticas de escrita de mulheres, e o que estas mulheres dizem sobre a própria condição. São práticas de escrita que desafiam para outros olhares e questões, especialmente quando se trata de mulheres "escritoras" com escolaridade incompleta. Para pensar essas práticas de escrita de mulheres "comuns" tomamos como obra referência Quarto de despejo de Carolina Maria de Jesus (2001). Essa obra foi escrita na década de 50, por uma mulher negra, que vivia em uma favela em São Paulo, sobrevivendo como catadora de lixo. Carolina, uma mulher “comum”, não escolarizada, escrevia em folhas encontradas no lixo a sua vida cotidiana e precária. Elegemos autores que analisam a escrita no âmbito das práticas culturais (Chartier, Certeau) e como materiais de análise, a obra citada e o material coletado (entrevistas e textos) das mulheres.

Eixo 3: Dramaturgia e teatro brasileiro contemporâneos
ANA PAULA TROFINO OHE e DENISE APARECIDA DE PAULO RIBEIRO

RELAÇÕES SOCIAIS CONTEMPORÂNEAS ENCONTRADAS NA CONSTRUÇÃO DE DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA, DE PLÍNIO MARCOS.

A presente comunicação tem por finalidade investigar como as relações sociais contemporâneas encontram-se presentes na construção da peça Dois perdidos numa noite suja, do autor Plínio Marcos, escrita em 1966. A obra rompe com os tradicionalismos, em que as duas personagens da peça (Tonho e Paco) transcendem a tudo o que é convencional para escapar à dominação de uma sociedade moralista. Dois perdidos numa noite suja expressa, metonimicamente, a decadência do Brasil das décadas de 60 e 70, por meio de dois proletários miseráveis, um semi-analfabeto, Paco, e outro vindo do interior para tentar a sorte em uma cidade grande, Tonho, os quais se digladiam em um quarto de cortiço. Pode-se dizer as personagens de Plínio Marcos encontram-se inseridas num desenho de uma sociedade que vive a transitoriedade de dois regimes políticos, e conseqüentemente vivem as angústias e o mal-estar das décadas de 70 e 80. Elas “encarnam uma espécie de desafio, uma afirmação da marginalidade no sentido de não adaptar-se a nenhuma das regras da vida burguesa e pequeno-burguesa.” (BIERMANN, 1991, p. 56). Sabe-se que a sociedade impõe ao indivíduo diversas normas de conduta a fim de estabelecer um padrão “ideal” de comportamento, cuja existência é necessária para que a sociedade não entre em caos. Ambas as personagens lutam pela sobrevivência em uma cidade grande, da qual eles estão excluídos, recebendo um salário baixo para trabalhar como biscates em um supermercado, porém, Tonho e Paco tentam trazer à tona a voz do oprimido, concedendo a palavra a determinados elementos que constituem a base da sociedade, até então dominados pelos grupos detentores do poder, tornando-se de alguma forma, periféricos dentro da própria sociedade e, por conseguinte, dentro do próprio processo de representação literária. A presente análise traça ainda uma intertextualidade com passagem bíblica de Caim e Abel, representados por Tonho e Paco respectivamente, além das simbolizações de determinados elementos presentes no texto, como o sapato, a flauta, e o próprio título da peça "Dois perdidos numa noite suja”.
FRANCISCO WELLINGTON RODRIGUES LIMA

A PERSONIFICAÇÃO DO DIABO MEDIEVAL EUROPEU NO TEATRO DE GIL VICENTE E SEUS ASPECTOS RESIDUAIS NA PRODUÇÃO TEATRAL DO PADRE JOSÉ DE ANCHIETA E DE ARIANO SUASSUNA.

Figura emblemática presente no imaginário popular europeu, devido à ascensão do cristianismo como religião dominante, o Diabo recebeu diversas definições e transformações que o moldaram através dos séculos. Na literatura brasileira, em especial, no Quinhentismo e na contemporaneidade, temos de modo bastante significativo a representação residual de tais personificações do Diabo, seguindo os moldes do imaginário cristão medieval conforme se encontra n’O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. O intuito deste trabalho é demonstrar os aspectos residuais da personificação do Diabo medieval vicentino no teatro brasileiro quinhentista do Padre José de Anchieta e contemporâneo de Ariano Suassuna.
JAIME DOS REIS SANT ANNA

AS FACES DO SAGRADO NA DRAMATURGIA DE DIAS GOMES

A partir do conceito de "sagrado", desenvolvido por teóricos como Rudolf Otto, Mircea Elliade e Roger Callois, pretendemos destacar a recorrência com que elementos do sagrado estão presentes na obra de Alfredo Dias Gomes (O pagador de promessas; O berço do herói; O santo inquérito, dentre outras), e a maneira como o dramaturgo se utiliza deles para tecer uma contundente crítica polícito-social.
JOSÉ FRANCISCO QUARESMA SOARES DA SILVA

BEIJO NO ASFALTO: LINGUAGEM, PERSONAGENS, GÊNERO

É comum ver atribuído a Nelson Rodrigues o título de pioneiro da moderna dramaturgia brasileira. Mas, conforme destaca Sábato Magaldi, estudioso da obra do escritor, essa modernidade não se deve apenas a escolha de novos temas, pois estes certamente se mostrariam insuficientes para empreender uma precisa modificação da literatura dramática. Sua arte distinta é sustentada por uma linguagem nova. Em O beijo no asfalto (1960), essa linguagem evolui e parte para uma forma sintética, com uma semântica particular, que empresta aos diálogos das personagens uma constituição absoluta e precisa, revelando-se fundamental no sentido de reforçar a singularidade de sua escrita e influenciar o surgimento de novos dramaturgos. Neste trabalho, além de se observar a questão acima, buscar-se-á aludir a questões semiológicas e examinar, a partir da personagem protagonista, a qual o autor denomina herói, o motivo que o faz designar sua obra como tragédia carioca.
LUCAS DE SOUSA SERAFIM

AS REPRESENTAÇÕES DA AIDS NO TEATRO DE CAIO FERNANDO ABREU.

Caio Fernando Abreu (1948 – 1996), autor brasileiro contemporâneo, na condição de dramaturgo é menos conhecido. Dentre suas peças teatrais e cenas avulsas reunidas e editadas no livro intitulado Teatro Completo (1997), a temática da AIDS aparece como objeto de inspiração. No discurso sobre a AIDS as metáforas são diversas: a utilização do corpo humano como representação de uma fortaleza e a doença demonstrando a vulnerabilidade deste; a de algo poluente, a metáfora da poluição; a metáfora da “peste”, do castigo para uma sociedade; e, ainda, a de algo estrangeiro, o “não-nós”, algo de outro lugar. Portanto, os textos teatrais de Caio Fernando Abreu aproximam a AIDS das pessoas (e vice-versa), expõem o mundo dos portadores, e incitam reflexões sobre a síndrome ou as pessoas que convivem com ela. As peças tornam palpável a AIDS como problema mundial.

MARTHA RIBEIRO PARAHYBA

O TEATRO FEMININO CONTEMPORÂNEO

O teatro feminino contemporâneo: 1950-1970 Profa. Dra. Martha Ribeiro Parahyba, (UNIOESTE, FOZ DO IGUAÇU) Esta comunicação tem como objetivo esboçar alguns aspectos do percurso da dramaturgia feminina brasileira contemporânea, entre as décadas de 1950 a 1970. Para tanto, procurou-se reunir as produções, publicadas ou não, à disposição em livrarias, bibliotecas ou solicitadas às próprias escritoras, com a finalidade de oferecer um painel das diferentes tendências, problemáticas e estilos que constituíram a criação dramatúrgica no período apontado. São vozes femininas sintonizadas com a transformação da sociedade e nos vários níveis em que se encontram envolvidas: do religioso ao político, do místico ao erótico, do regional ao universal. O número significativo de peças teatrais de autoria feminina revela um quadro significativo da mudança dos conceitos que permite compreender algumas das preocupações do universo feminino da época.


RAFAEL DA SILVA AVANSINI

TEATROS DE BOAL

Algumas manifestações literárias no século XX, perdendo espaço para variações como a literatura massificada, buscaram restabelecer uma conexão então perdida com o público. Um fenômeno bastante relevante que se esboçou nesse momento foi a chamada “literatura engajada”, uma tentativa de ligação com o povo, de dar-lhe voz pela literatura e fazer assim com que o texto atue no mundo e transforme-o – tese de compromisso do escritor com a sociedade que por sua vez já remonta ao século XIX e ao Existencialismo de Sartre. Explorar a questão das vozes contidas em tais discursos é tarefa de extrema importância na medida em que se procura entender como funcionam e em que consistem os discursos panfletários. É objetivo do presente trabalho contrapor a questão da voz do autor na peça Revolução na América do sul de Augusto Boal e no movimento do teatro do oprimido, estética em que Boal é um expoente, e que visa por meio de jogos teatrais e de peças “inacabadas”, dar voz ao público numa nova espécie de representação teatral que tem o objetivo de ser por e para o povo. Num teatro que não fala, posto que pretende dar voz.
ROSEMARI BENDLIN CALZAVARA

RECONSTRUINDO A HISTÓRIA: O TEATRO DE JORGE ANDRADE

Jorge Andrade representa, na literatura brasileira, um expoente do texto dramático contemporâneo. Escrita nos anos 50 e 60, é uma produção aberta, comprometida com um entendimento liberal e humanista do real, o qual se reveste de plena segurança interna. A obra cíclica Marta, a árvore e o relógio, configura um painel histórico de quatrocentos anos de ascensão e queda da aristocracia rural brasileira, particularmente no que se refere à região de São Paulo e Minas Gerais. O presente estudo visa a discutir os aspectos que imprimem marcas da moderna dramaturgia nas peças desse autor.

TACYANA MUNIZ CALDONAZZO MORETTI

TEMPO E ESPAÇO ENQUANTO SIGNOS EM UMA MULHER VESTIDA DE SOL

A proposta do trabalho é a análise da tragédia de Ariano Suassuna, Uma Mulher Vestida de Sol, a qual, embora escrita pela primeira vez em 1947, tem sua versão definitiva datada de 1957, após a conversão do autor nordestino ao catolicismo. E é a obra repaginada, da década de cinqüenta, a escolha para o foco dos estudos. Analisar-se-ão alguns importantes signos da peça nordestina, presentes no espaço cênico e dramático, incluindo o espaço metafórico, além de índices espaciais diversos; presentes, ainda, no tempo cênico e extracênico, incluindo tempo metafórico e mítico. A fim de melhor ilustrar a identificação dos signos, recorrer-se-á a interpretações de elementos da natureza e objetos utilizados na obra.


VANDERSON DE SOUZA NEVES

LINGUAGEM CONTEMPORÂNEA NO TEATRO DE MÁRIO BORTOLOTTO

A proposta deste trabalho é, a partir de estudos acerca da linguagem dramática contemporânea, analisar a linguagem em algumas peças de Mário Bortolotto, utilizada como um artifício para manter o leitor/ espectador preso à realidade, isto é, apresentar o palco (ou texto) como mimese da vida real. As peças são marcadas por vocábulos e fatos contemporâneos ligados ao momento de escritura, o que leva ao questionamento sobre em que medida esse recurso lingüístico pode influenciar numa encenação ou leitura futura, ou como esses recursos podem ser vistos como um arquivo histórico-lingüístico da sociedade retratada na peça.

Eixo 4: Literatura de Guimarães Rosa
ADELAIDE CARAMURU CEZAR

NARRADOR SERTANEJO PRESENTE EM CONTOS DE TUTAMÉIA

Na obra de João Guimarães Rosa, faz-se presente estrutura bastante peculiar: narrador sertanejo conta a seu narratário urbano estórias de sua vida passadas em regiões interioranas. Tal procedimento será enfocado em dois contos de Tutaméia: "Antiperipléia" e "- Uai, eu?". Espera-se deixar claro ao ouvinte/leitor que, através deste procedimento, Guimarães Rosa coloca face a face sertão e cidade, superando preconceitos antes presentes na literatura regionalista. Não há em seus contos a tão constante duplicidade de linguagens presente entre escritores regionalista; de um lado a fala do personagem sertanejo; de outro lado a fala do personagem urbano. Através deste procedimento, o autor mineiro situa-se como continuador de Simões Lopes Neto.
ADILSON DOS SANTOS

O DUPLO EM “PALHAÇO DA BOCA VERDE”, DE JOÃO GUIMARÃES ROSA

RESUMO: O presente trabalho objetiva apresentar uma leitura de “Palhaço da boca verde”, do livro Tutaméia (Terceiras Estórias), sob a perspectiva do duplo. São três os artistas que fazem parte do enredo, compondo a complexa situação de um triângulo amoroso: Mema Verguedo, X. Ruysconcellos e Ona Pomona. Tais personagens – cada qual à sua maneira – são seres cindidos. No que se refere à X. Ruysconcellos, sob a pele do palhaço Ritripas, este procura fugir da realidade. No que diz respeito às figuras femininas, uma atua como o alter ego da outra. Embora X. Ruysconcellos demonstre inicial interesse por Ona Pomona, ao final da narrativa, ele descobre ser Mema Verguedo a sua metade faltante. Neste momento, cada um dos amantes reencontra a sua própria androginia.
ANDERSON TEIXEIRA ROLIM

ESPIADOR DE ESTRELAS: ANÁLISE DE “UM MOÇO MUITO BRANCO” DE JOÃO GUIMARÃES ROSA

Este trabalho analisa o conto “Um moço muito branco” de João Guimarães Rosa, publicado em Primeiras Estórias (1946). Os habitantes de Serro Frio, numa noite de novembro de 1872, têm a impressão de que um disco voador atravessou o espaço, depois de um terremoto. Após esses eventos, aparece na fazenda de Hilário Cordeiro, um moço muito branco, vestindo roupas maltrapilhas. Com seu ar angelical, impõe-se como um ser superior, capaz de prodígios: os negócios de Hilário Cordeiro, o fazendeiro que o acolheu, têm uma guinada espantosamente positiva. Depois de fatos igualmente miraculosos, o moço desaparece do mesmo modo que chegara. Neste conto predomina a dessemelhança, sobremodo a maneira como o protagonista é descrito, com suas particularidades singulares. Além disso, evidencia-se um processo de aculturação extremo, em que toda a comunidade se transforma a partir da chegada deste ser tão estrangeiro.
ANDRESSA APARECIDA LOPES

O SERTÃO MÍSTICO DE GUIMARÃES ROSA PRESENTE EM GRANDE SERTÃO: VEREDAS

Guimarães Rosa, através da fala local e crenças populares, reproduz valores universais, cujo ambiente retratado é o sertão mineiro, formado por contrastes que representam a “essência humana”. Fazem-se presente dentro desse universalismo os mitos, por onde uma fração dos homens orientam-se perante o ambiente real, o que evidencia-se em contraposição ao ambiente místico presente em Grande Sertão: Veredas. Seja através dos “causos” dentro da narrativa, como na própria trajetória de Riobaldo pelo sertão, essa força da natureza incompreendida por ele e que direciona sua travessia, traz à tona questionamentos como o pacto com o diabo, o amor por Diadorim, a ambigüidade entre o bem e do mal. Fatores esses, que apresentam essa “essência da alma humana” ligada a mitos e crenças, presente em Riobaldo e no sertão que se contradiz como o próprio homem.
ÂNGELA BOLORINO MARTINS

METAPOÉTICA EM DESENREDO

Estudos apontam para a presença marcante de uma metapoética rosiana, revelando um feixe de significações profundamente entranhado nas “estórias” do autor mineiro João Guimarães Rosa. Essa conjunção poética/ metapoética chega a tal ponto que, ao se referir a Grande Sertão: Veredas, Walnice Nogueira Galvão diz: “E é assim, por essas vias todas, que o narrar vai-se também tornando um dos objetos que compõem a matéria da narração.” (1972: 88). Por sua vez, a autora Lígia Chiappini afirma que as reflexões contidas na ficção do autor sobre o processo narrativo revelam um imperativo, uma “necessidade da própria matéria narrada” (1997:190). A partir desses pressupostos, objetiva-se, então, no presente trabalho, a investigação da perspectiva metapoética no conto rosiano “Desenredo”.
EDSON RIBEIRO DA SILVA

O TEMPO DA NARRAÇÃO COMO TRANSFORMADOR EM GUIMARÃES ROSA

Para Genette, existem um tempo da narrativa e um tempo da narração, o primeiro relacionado ao fato narrado, o segundo ao momento em que se narra. João Guimarães Rosa entrecruza os dois tempos em algumas de suas obras em primeira pessoa, como "Grande sertão: veredas" e "Meu tio, o iauaretê". Nelas, a narração é feita pelos protagonistas das narrativas. E eles a fazem de forma oral, relatando os fatos cada um a seu interlocutor. No entanto, não é só na narrativa, no fato já passado, que se constata a progressão na psicologia dos narradores-personagens. Essa progressão psicológica das personagens que narram é marcada sobretudo no próprio momento em que estão narrando, não no tempo passado, da história relatada, mas no presente da narração. No primeiro caso, é narrando que o protagonista chega a uma resposta para sua maior inquietação; no segundo, o que se observa é uma progressão na própria conduta exterior do narrador. Tal procedimento confirma as idéias de Iser e de Ricoeur acerca da natureza da ficcionalidade como jogo com as formas do tempo.
FELIPE SANTOS DE TORRE

GUIMARÃES ROSA: CRIAÇÃO E TRADUÇÃO

Este trabalho pretende analisar a tradutibilidade da obra de Guimarães Rosa. A tradução surge não sozinha,mas com uma mala cheia de questões a se pensar. O fato é que um texto traduzido nunca será o texto original. Cabe,então, avaliar como a obra roseana, marco singular na literatura brasileira, é traduzida, questionar a possível quebra da essência original transmitida de forma tão singular. É o neologismo que aparentemente impede a comunicação internacional do autor, mas ao mesmo tempo faz dele um dos mais autênticos prosistas brasileiros.
KATIUSCE MARTINS NOGUEIRA

PODER, SIMBOLOGIA E PERSONIFICAÇÃO EM GRANDE SERTÃO: VEREDAS

O poder mágico dos símbolos tem acompanhado os homens por toda sua existência. Detalhar, portanto, sua forma de ocorrência, mas principalmente, o modo como esta interfere na fala do personagem Riobaldo é o objetivo deste trabalho, que remonta a uma investigação psicológica e sociológica acerca dos diversos símbolos arquetípicos que ocorrem na narrativa do ex-jagunço, sendo essa linguagem construída com base na crença de um suposto pacto e na existência de forças sobrenaturais interferindo na vida e nas ações dos personagens da obra. Para tanto, serão destacados os estudos de Carl Gustav Jung e de Sigmund Freud acerca das manifestações do inconsciente coletivo e dos arquétipos em toda a estrutura ficcional da fala de Riobaldo, buscando- se uma análise da obra, que passou à história da literatura brasileira e universal como representativa da universalização dos conceitos inconscientes através da narração de uma experiência transcendental do homem sertanejo que, bem poderia ser comparado a qualquer homem, de qualquer época, bastando para isso uma contextualização diferenciada. Fato este que adentra “Grande Sertão: veredas” na história da literatura universal sem, contudo, que a obra deixe a desejar em comparação a qualquer outra assim caracterizada. O estudo então se dará num âmbito bastante familiar à critica e à análise literária, a Psicologia e as teorias que abarcam a análise da personalidade, dentro de sua caracterização mais animalesca – o pacto, o desejo proibido -, ou de sua caracterização mais humana – a temeridade, a culpa e a saudade. Sejam estes, personificação dos arquétipos, sejam a própria personificação do bem e do mal, também presentes na humanização de cada um dos personagens de narrativa, segundo a fala do próprio narrador.
MARINA AMBROZIO GALINDO ROLIM

TEMAS DA ARTE, FRAGMENTOS DE VIDA: AS PRIMEIRAS ESTÓRIAS DE JOÃO GUIMARÃES ROSA

O livro Primeiras Estórias, do escritor mineiro João Guimarães Rosa, foi publicado em 1962. Nesta obra, Rosa apresenta aos leitores uma nova modalidade de sua prosa, antes desconhecida, que é o conto curto, a short story: a estória. Desde o título, o autor aponta para o caráter inicial destas narrativas curtas dos tradicionais causos do sertão mineiro, transformado pela linguagem rosiana em um espaço metafísico e poético, que é o mundo todo. Através dos vinte e um contos organizados no volume, nos deparamos com um universo habitado por loucos, crianças e videntes, protagonistas guiados pela paixão ou pelo devaneio. Objetiva-se, com este artigo, uma melhor compreensão do conjunto de contos organizado nesta obra, que é, ao mesmo tempo, homogênea e entrecortada por inúmeros labirintos construídos pela potência da linguagem e da criação artística de Guimarães Rosa.
VALDA SUELY DA SILVA VERRI

O NARRATÁRIO NO CONTO “CURTAMÃO”

Em “Curtamão”, um dos contos de Tutaméia (terceiras estórias) (1967), de João Guimarães Rosa, o narrador pontua, já desde as suas primeiras palavras, não só a presença do narratário, como também a relevância desta presença. Em outras palavras, o narrador se propõe a contar, mas inclui, neste ato, a participação do narratário, mostrando que a narração não se faz apenas por quem conta, mas que se faz imprescindível a participação de uma segunda pessoa, atuando juntamente com o ele. Nosso trabalho busca, então, pontuar a importância do narratário e sua participação ativa na construção do discurso do narrador, neste conto. A partir do estudo desta estruturação, pretendemos ainda mostrar como o texto se volta para o próprio ato de narrar, bem a como para a criação artística de modo geral.

Eixo 5: Historiografia e crítica literária
GABRIELA KVACEK BETELLA

PENSAMENTO DIALÉTICO E FUNDAMENTO ANALÍTICO: A CRÌTICA DE ANTONIO CANDIDO

Embora nas origens de Antonio Candido esteja assinalada a multiplicidade dos lugares que este intelectual ocupa na cultura brasileira, ele exercitou em sua obra, especialmente nos decênios de 1950 e 1960, uma coerência espantosa, sobretudo no que diz respeito a dois pontos, desenvolvidos neste trabalho. O primeiro relaciona-se à elucidação dos fatores externos incorporados na forma (interna) da obra literária, e suas formulações devem ser estudadas a partir da base histórica e da profundidade analítica que atingem, levando em conta fatores abstratos e científicos. Complementar à anterior é a idéia de que a maturidade da literatura brasileira decorre de um processo de adaptações que sofre desde o século XVIII, até assimilar a capacidade de auto-referência ou independência, marcando a complexidade da dialética local-universal. A importância do pensamento de Antonio Candido ultrapassa o caráter historiográfico, pois assume uma dimensão filosófica hábil em conciliar fundamentos incompatíveis, ao mesmo tempo em que promove a acessibilidade da obra crítica.
JOANA DE FÁTIMA RODRIGUES

ANTONIO CANDIDO E ÁNGEL RAMA:UMA REFLEXÃO PARA (RE) VER E LER O ESPAÇO DA CRÍTICA LITERÁRIA NA IMPRENSA

A partir do desaparecimento do jornalismo impresso, ao rarear entre as páginas dos cadernos semanais, a crítica literária, responsável pela promoção do diálogo entre “duas histórias e duas subjetividades, a do autor e a do crítico”, como afirma Roland Barthes, foi sonegada do público leitor. Ao surrupiar de seu dia-a-dia, textos que lhe possibilitassem geração de idéias e discussões a partir da literatura. Literatura que merece ser lida, divulgada e ensinada. “Aquela que não faz média com o público, o mercado, a mídia ou a moda. Ela não concilia nem arbitra; oferece ao leitor os elementos que lhe permitirão ajuizar”, como afirma a professora Leyla Perrone-Moisés. É possível encontrar no teor da atuação dos críticos Candido e Rama, ― acima de tudo militantes da causa literatura, permeada pela política e a história de um continente comum ―, uma referência reflexiva para alternativas de revitalização da crítica literária junto à imprensa.
JUCIMAR LOPES

O HERÓI NA NARRATIVA

Há uma série de fatores que definem o Herói a partir do momento histórico, das condições econômicas, políticas, sociais e culturais. Assim, nas manifestações de religiosidade da sociedade que está incluso as necessidades de representação causadas pelo contexto que se inserem, propiciam as condições para o surgimento do Herói. Nesta perspectiva é que classificaremos os vários tipos de Heróis da literatura brasileira a partir dos anos 50. O Herói é uma figura padrão em toda obra literária, mas aparece em cada obra de acordo com o modelo determinado pelos vários aspectos que a narrativa apresenta. Ou seja, para cada história literária, há um tipo de Herói. Em geral, o Herói participa de um ciclo formado pela partida, a realização da façanha, seja para a salvação de alguém ou uma proeza para o bem comum, e pelo retorno, que comprova o seu êxito. O Herói é personagem obrigatória nas obras literárias

Eixo 6: Crônica e outros gêneros híbridos
ANA LUIZA MARTIGNONI SPINOLA

RUBEM BRAGA: A INFÂNCIA EM TRÊS CRÔNICAS

Esse trabalho pretende discutir as recordações de infância em crônicas de Rubem Braga. Nos textos selecionados, ao invés de supervalorizar um olhar centrado no “eu” – como aparece na maioria dos escritos sobre a infância –, a meninice é representada por meio de um “nós” que abarca o “eu” do cronista, sendo, portanto, coletivizado. O cronista só aparece individualizado quando assume responsabilidade crítica e distanciada, distintas daquele tom nostálgico e lírico asseverado por Eliane Zagury em A escrita do Eu (1982). Dessa forma, constata-se que seus textos estão imbuídos de uma revisitação irônica, tornando-se recurso da narrativa memorialística no gênero crônica praticado por Rubem Braga.
CERES WERNER DIAS

CRÔNICAS LISPECTORIANAS E CANÇÕES: A INTER-RELAÇÃO ENTRE OS GÊNEROS ESTABELECIDA PELO CONFRONTO LÍRICO

Essa pesquisa é alicerçada em análises de crônicas escritas por Clarice Lispector, – publicadas em periódicos pertencentes ao Jornal do Brasil e, posteriormente, reunidas no livro A Descoberta do Mundo – com o intuito de mapear e estudar as particularidades oriundas do gênero em questão, atentando, sobretudo, para o aspecto lírico que permeia as obras claricianas. Concomitantemente com a análise dessas crônicas, será verificada a presença do mesmo subjetivismo poético (que aborda o campo sentimental, acompanhado de intensa estilização da linguagem) em canções de variados compositores, uma vez que essas produções artísticas podem estar intrinsecamente relacionadas no que se refere ao Lirismo, dialogando entre si por meio dos sentimentos e emoções que as compõem.
DALÍRIA CATARINA DE SOUZA SANTOS

TÃO DISTANTES, TÃO SEMELHANTES: O ENLACE ENTRE CRÔNICA E POEMA

O presente trabalho é parte do projeto de Iniciação Científica “Prosa também é poesia: crônica, poema e lirismo”, inserido no projeto de pesquisa “Afinidades da crônica brasileira: particularidades e confrontos”, coordenado pelo Prof. Dr. Luiz Carlos Santos Simon. Como o poema é o gênero que melhor apresenta um caráter lírico, ele foi escolhido para estabelecer o confronto com a crônica. Pois o foco do estudo é a manifestação lírica dentro desta. A crônica “Grande sertão: veredas” de Paulo Mendes Campos e o poema “Mensagem a Rubem Braga” de Vinícius de Moraes, foram analisados para demonstrar o enlace entre estes gêneros que, muitas vezes, se mostram tão distintos. Então, pôde-se perceber que há semelhanças entre eles e que algumas crônicas são bastante peculiares devido à presença de aspectos líricos.

DANIELLI RODRIGUES

AS CRÔNICAS DE MARINA COLASANTI

A crônica mostra o cotidiano, bem como o comportamento do indivíduo, através de uma linguagem simples e acessível a qualquer público leitor. É, portanto, o tipo de texto que mais se aproxima ao leitor, porém ao se estudar sistematicamente percebe-se uma complexidade. Fica como desafio analisar esta complexidade em torno de algo que parece ser tão simples. O presente trabalho aborda a linguagem cotidiana, a contemporaneidade, o lirismo e o caráter híbrido nas crônicas de Marina Colasanti. Afinal, Colasanti é uma das melhores cronistas brasileiras e possui várias obras voltadas a este gênero, como Nada na manga; Eu sei, mas não devia; A Casa das Palavras.


ELIZA PRATAVIEIRA

AS DIVERSAS TENDÊNCIAS DA CRÔNICA “SOZINHOS” DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

Ao fazer a análise da crônica “Sozinhos” de Luis Fernando Veríssimo, experiente escritor nascido no Rio Grande do Sul e um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea, somos colocados em contato com uma zona limítrofe na qual tendências e naturezas diversas – embora contíguas – se encontram e se mesclam. Terror e Humor, Real e sobrenatural, e por fim as idéias de Crônica e Conto são apresentadas em uma forma de escritura que obriga o leitor a assumir uma postura ativa diante do objeto literário. Para tanto o autor se utiliza de um amplo domínio da linguagem e do ritmo narrativo; Artifícios como a oralidade, imagens cotidianas e metalinguagem são inseridos no texto com extrema originalidade e se tornam elementos fundamentais para a construção textual. Desta forma, a comunicação propõe-se a discutir essa problemática com o intuito de lançar novos olhares sobre esse importante tema.
ERIKA ZANON ROMEIRO

PROSA ENTRE AMIGOS: O CRONISTA DRUMMOND E SUA RELAÇÃO COM O LEITOR

A proposta primeira deste trabalho é empreender uma análise, discutindo a configuração e a manifestação do gênero crônica e sua relação com o destinatário. Para isso, o recorte temático definido foi o leitor. O objetivo é investigar de que forma cronista e leitor se relacionam dentro de crônicas do literato Carlos Drummond de Andrade. Discutir e examinar como o cronista utiliza a matéria-prima leitor para criar e desenvolver seus textos, como o reconhece e ainda como faz para ser entendido por ele. Para isso serão analisadas crônicas do autor, além de textos teóricos que tratem tanto do gênero quanto do tema propostos. Vale destacar, que a escolha de Drummond deve-se à importância do mesmo dentro da literatura brasileira e da peculiaridade de seu trabalho. O autor enveredou com maestria pelos mais variados gêneros literários. Cronista, contista, poeta, ganhou fama e conquistou leitores. Parâmetro quando o assunto é crônica, Drummond publicou 13 livros do gênero.

FÁBIO AUGUSTO STEYER

CRÔNICA, CONTO OU AUTOBIOGRAFIA? TELMO VERGARA E SUA “VIGÍLIA DE QUARENTÃO”

Crônica, conto ou autobiografia? Telmo Vergara e sua “Vigília de Quarentão” Fábio Augusto Steyer (Professor no curso de Letras da Universidade Estadual de Ponta Grossa-PR) Telmo Vergara foi um dos principais nomes da chamada “geração de Erico Verissimo”, que reuniu, em meados das décadas de 1930 e 1940 do século passado, um dos mais respeitáveis grupos de escritores da história da literatura gaúcha e brasileira. O objetivo deste trabalho é analisar o caráter híbrido dos textos publicados num dos últimos livros do autor -“Vigília de Quarentão” (Porto Alegre: Globo, 1956) – marcado por um certo entrelaçamento entre conto, crônica e autobiografia. O presente estudo é uma pequena parte de minha tese de doutorado (“A ‘Estrada Perdida’ de Telmo Vergara”), defendida no PPGL/UFRGS e orientada pelo Prof. Luís Augusto Fischer, em que analiso a obra do autor de forma mais ampla.


FLÁVIA HELOÍSA UNBEHAUM FERRAZ

A NARRAÇÃO EM PRIMEIRA PESSOA NAS CRÔNICAS DE BRAGA: CONFISSÃO E FICÇÃO

Uma das características de maior relevância nas crônicas de Rubem Braga é, seguramente, o tom confessional que o escritor transfere aos seus textos narrados em primeira pessoa, provocando nos leitores a grata certeza de estarem frente a relatos verdadeiramente pessoais e reais, esmaecendo a possibilidade da ficção. Não ignoramos que crônica exige que o cronista adote esse foco narrativo e que também outros gêneros ficcionais possam nos oferecer textos igualmente cativantes utilizando a narrativa em primeira pessoa, mas especialmente na crônica torna-se corrente a impressão de uma relação direta entre o autor e o leitor. Nas breves colocações seguintes procuraremos traçar alguns dos aspectos do narrador em primeira pessoa com a intenção de mostrar como é provocado esse eclipse entre o real e a ficção. Para isto, retomamos de forma breve algumas das características mais importantes deste gênero em prosa para o melhor entendimento de algumas colocações teóricas pesquisadas.
LUIZ CARLOS SANTOS SIMON

REPERCUSSÕES CINQÜENTENÁRIAS DE UMA VIÚVA NA PRAIA: RELEITURA DA CRÔNICA DE RUBEM BRAGA

Em setembro de 1958, Rubem Braga publicou a crônica "Viúva na praia", incluída dois anos mais tarde no livro Ai de ti, Copacabana. O texto tornou-se sucesso, desfrutando da condição de uma das produções mais famosas e representativas do autor, e já foi selecionado para livros didáticos e antologias de crônicas ao longo deste período. A proposta deste trabalho é fazer uma releitura do texto a partir de avaliações a respeito das peculiaridades que o sustentam como exemplar significativo da literatura e das questões de seu tempo e ainda como produção expressiva da forma híbrida que é a crônica.
MARIO TOMMASO PUGLIESE FILHO

ASPECTOS DA FICÇÃO-ENSAIO RECENTE NO BRASIL

A leitura de três obras de autores brasileiros, reunidas segundo critérios de gênero (ficção-ensaio) e de contemporaneidade, permite examinar as relações entre essa forma literária e sua historicidade: Histórias de literatura e cegueira (2007) de Julián Fuks, Maisquememória (2007) de Marcelo Backes, e O movimento pendular (2006) de Alberto Mussa. A emergência desse hibridismo não ocorre exclusivamente no Brasil: é familiar à produção de autores-críticos como Proust, Borges, Musil, Calvino e, entre contemporâneos, Coetzee, Vila-Matas, Barnes. Aspectos em comum (personagens/narradores intelectuais, idéias como objeto de ficção, indeterminação, disposição de hipóteses de sentido, bibliografia), podem ser relacionados ao lugar institucional de uma ficção que passa a teorizar suas condições de possibilidade. Por um lado, o ensaio migra para a literatura em tempos de auto-legitimação da crítica e academicização do escritor; por outro, é introduzida na ficção uma reserva de pensamento, espécie de recusa do próprio ato de fingir.
MARTA YUMI ANDO

SOB O OLHAR DO FLÂNEUR: CARACTERÍSTICAS DA CRÔNICA EM UMA NARRATIVA DE LYGIA BOJUNGA

O presente estudo, que integra os resultados finais de uma disciplina cursada no Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual Paulista, tem por objetivo empreender uma leitura da narrativa “Numa rua de Istambul” de Lygia Bojunga, sob a perspectiva de estudos teórico-críticos sobre a crônica e a concepção de flânerie. Nessa medida, procuramos investigar características da crônica presentes nessa narrativa e em que medida o narrador aí configurado se aproxima do flâneur. Antes, porém, apresentamos uma visão geral da consecução da obra Feito à Mão (1996) em que se insere tal texto, no intuito de contextualizar suas circunstâncias de produção.
MOACIR DALLA PALMA

A VIOLÊNCIA COMO MOTIVO DE HUMOR EM CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Este trabalho objetiva analisar a violência nas crônicas de Carlos Drummond de Andrade. O cronista utilizando-se de uma forma específica de violência: o assalto e, ao invés de discutir o tema de forma séria e pesada, brinca com a violência social. Ele conduz seu discurso para a idéia de que ser assaltado é um acontecimento prazeroso ou marca de status na sociedade. Pensa-se, entretanto, que tal opção do cronista leva à reflexão sobre a violência de maneira contundente, pois será através do humor que se revelará o problema no grande centro urbano. Deduz-se, desta maneira, que Drummond põe em cena assaltantes educados e amáveis com intuito de destacar a possível agressividade e hostilidade presentes em um ato como esse. Será, portanto, nos interstícios, nos espaços em branco, que se perceberá a violência das ações criminosas, descritas pelo eu do cronista, ou por personagens criadas por ele, como um acontecimento gratificante.
RAQUEL LAIS VITORIANO DE LIMA PIRES

O ANALISTA DE BAGÉ – UM ORTODOXO LINHA DURA

Luis Fernando Veríssimo como sugere Jaguar “é uma fábrica de fazer humor”, como cenário ele utiliza a decadência de valores tradicionais, o relativismo moral do tempo presente, a crise do casamento monogâmico, por novos relacionamentos amorosos e sexuais, a liberação da mulher, os direitos ilimitados da juventude, os modismos culturais e por uma espécie de pensamento único centrado no espírito hedonista, consumista e capitalista. A maioria de suas personagens, retratadas com muito humor, passam por uma série de dificuldades existenciais. O Analista de Bagé, personagem foco deste estudo, representa um gaúcho, que utiliza técnicas não muito convencionais proporcionando as seus pacientes o esquecimento de suas dores subjetivas. Pretende-se, portanto, observar como essa personagem, que se considera um ortodoxo linha dura, lida com suas crises existenciais.
ROBERTA CAPARELLI

A FIGURA FEMININA NAS CRÔNICAS DE RUBEM BRAGA

Rubem Braga figurou como exímio cronista. Desde muito jovem demonstrou apreço e grandiosa aptidão pela escrita. Como vimos, tornou-se cronista e em meio a tantas possibilidades que a crônica nos oferece, revelou-se um verdadeiro admirador das mulheres, de todas as mulheres. Admirou-as enquanto passeavam a beira mar, ou dentro de uma canoa. Admirou-as em diferentes momentos. Retratou com a mesma maestria todas as mulheres, sem fazer distinção entre simples desconhecidas ou encantadoras estrelas de Hollywood, revelou-as com algum pudor, embora não estivessem isentas de certa sedução que, possivelmente, instigou a imaginação do cronista ao ponto de serem hoje indissociáveis de seu nome. Este trabalho pretende analisar como acontece a caracterização da figura feminina diante do olhar do cronista em questão, afinal, é praticamente impossível pensar em Braga e não se lembrar das mulheres. Eixo temático: Crônica e outros gêneros híbridos.
SYLVIA TAMIE ANAN

BRINQUEDOS INCENDIADOS: A CRIANÇA NAS CRÔNICAS DE CECÍLIA MEIRELLES

Com a recente edição em livro das crônicas de Cecília Meirelles, passou-se a valorizar também esta parte da produção da poeta, até então limitada às coletâneas Janela Mágica e Escolha seu Sonho, que recolhem crônicas escritas para o programa de rádio "Quadrante". Nestes textos, no entanto, também se verificam muitos dos conceitos de criança e de educação que a escritora, também engajada pedagoga, expressa nos volumes Crônicas de Educação, que integram a edição da Nova Fronteira, o que demonstra a constância destes interesses ao longo do seu trabalho como jornalista e professora. A análise das crônicas protagonizadas por crianças revela uma imagem da infância que se situa, como o próprio gênero, na fronteira entre a literatura e o jornalismo, transitando entre a visão lírica e uma compreensão que aos poucos supera a idealização.



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